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quarta-feira, setembro 19, 2018
Retiro da Saudade - Carmen Miranda e Francisco Alves
Retiro da Saudade (marcha-rancho, 1934) - Nássara e Noel Rosa - Intérpretes: Carmen Miranda e Francisco Alves
Disco 78 rpm / Título da música: Retiro da Saudade / Autoria: Nássara, 1910-1996 (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Carmen Miranda, 1909-1955 (Intérprete) / Francisco Alves (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1934 / Nº Álbum 33827 / Lado A / Gênero musical: Marcha.
Quando li o seu recado
Por ti fascinado
Encontrei no seu cartão
Minha desilusão
Retirei saudosamente
Pra mostrar a essa gente
Que não tenho coração
Quando por amor suspiro
A saudade vem então
Encontrar o seu retiro
Encontrar o seu retiro
Dentro do meu coração
Dentro do teu coração
Não me diga que não
Só existe falsidade
É a pura verdade
Eu já fiz um trocadilho
Pra cantar com estribilho
No retiro da saudade
terça-feira, maio 29, 2018
Zé Carioca - Biografia
Zé Carioca (José do Patrocínio Oliveira), instrumentista, nasceu em Jundiaí SP em 11/02/1904 e faleceu em Los Angeles, Estados Unidos, em 22/12/1987. Já tocava cavaquinho, como amador, na época em que trabalhava como classificador de cobras no Instituto Butantã, de São Paulo SP.
Em 1929 foi convidado para tocar num programa regional, na estréia da Rádio Educadora Paulista (depois Gazeta), uma das primeiras emissoras brasileiras. Com o surgimento da Rádio Cruzeiro do Sul, em 1931, passou a atuar na Orquestra Columbia, dirigida por Gaó, trocando o cavaquinho pelo banjo, o que lhe valeu o apelido de Zezinho do Banjo.
No ano seguinte, César Ladeira levou-o para o Rio de Janeiro, para trabalhar na Rádio Mayrjnk Veiga, onde tocou ao lado de Nelson Souto, Pixinguinha, Garoto, Nelson Boi, Gastão Bueno Lobo e Britinho. Logo depois, acompanhou César Ladeira, quando este se tornou diretor artístico do Cassino da Urca.
Ali conheceu Carmen Miranda e, em 1939, foi para os EUA com a orquestra de Romeu Silva, na qual tocava violão, para cumprir temporada de seis meses no pavilhão brasileiro da Feira Mundial, em New York, participando do filme Serenata tropical, de Irving Cummings. No ano seguinte, apresentou-se. no pavilhão brasileiro da Feira de San Francisco.
Em 1941 assinou contrato com a Twentieth Century Fox e participou, ao lado do Bando da Lua e Carmen Miranda dos filmes Uma noite no Rio, de Irving Cummings, e Aconteceu em Havana, de Walter Lang, entre outros. Na Fox também dublou desenhos animados e conheceu Walt Disney, que, inspirado em sua figura, criou o Zé Carioca, personagem-símbolo do malandro brasileiro no desenho animado de longa metragem Você já foi a Bahia?.
Nos últimos anos, tocou no restaurante Marquis Martoni, em Hollywood. vivendo seis meses nos EUA e seis no Brasil, em São Paulo.
Centenário de nascimento
"No dia onze de fevereiro de 2004 será comemorado o centenário de nascimento de José Patrocínio de Oliveira, natural de Jundiaí, SP. Trabalhava no Instituto Butantã como classificador de cobras (mais tarde ele seria classificado como um dos “cobras” da nossa música) ao mesmo tempo que consolidava seu prestígio como instrumentista.
Freqüentador de rodas onde figuravam os nomes de Américo Jacomino (Canhoto), João Sampaio e Armando Neves, passa a ser conhecido por Zezinho, que era do banjo, cavaquinho, bandolim, violão e dos outros instrumentos que viria a dominar, como o violão tenor e a guitarra havaiana.
No período de 17/02 a 04/03/1928 foi confiado ao prestigiado violonista Canhoto a tarefa de organizar uma Orquestra Típica de instrumentos de cordas, constituída pelos melhores músicos de São Paulo, para se apresentar no suntuoso Salão de Automóveis da General Motors, evento este realizado no Cine Odeon que ficava a Rua da Consolação No 42.
Além de Canhoto, Os nomes de Zezinho, Mota, Carlinhos, Armandinho Neves e João Sampaio eram os de maior destaque. Participava também desta Orquestra um menino franzino de apenas doze anos, empunhando orgulhoso o seu banjo. Este menino era Aníbal Augusto Sardinha( Garoto), que tinha agora em Zezinho seu novo ídolo e mestre. Este foi, ainda que involuntariamente, o grande propulsor da vitoriosa carreira de Garoto que, numa entrevista, confessou: “Devo meu progresso ao Zezinho, pois queria tocar sempre melhor do que ele...”.
Entre 1929 e 1931, pela gravadora Columbia, Zezinho participa em cerca de cento e vinte gravações (Infelizmente não é possível obter o número exato em função da inexistência das fichas técnicas) tocando seus instrumentos ao lado de nomes como João Pernambuco (10), Paraguassú (10), Jaime Redondo (8), Januário de Oliveira (19), Batista Jr (9) e sua filha Dircinha Batista (2), Eurístenes Pires (4), Stefana de Macedo (12), Jararaca (19), Lila Dias (4) e Elsie Houston (13) dentre outros.
Acompanhou ao violão (como segundo violão) a João Pernambuco em boa parte dos registros de sua obra como em “Interrogando”, “Reboliço” e “Sonhos de magia”. Com Stefana de Macedo participou como acompanhante do lançamento de diversas composições de Amélia Brandão Nery que seria conhecida mais tarde por Tia Amélia.
Quase ao mesmo tempo entra em cena uma orquestra com uma sonoridade diferente: “A presença do violino de Ernesto Trepiccioni e do acordeon de José Rieli dava um som romântico a esta orquestra, a rigor menos uma orquestra do que um conjunto instrumental...”, diria Ary Vasconcelos em seu História e inventário do choro.
Esta orquestra, complementada por Gaó (Odmar Amaral Gurgel) ao piano; Atílio Grany na flauta; Petit (Hudson Gaia) ao violão; Jonas Aragão no sax alto e Zezinho no bandolim é a Orquestra Colbaz que gravou na Columbia entre 1930 e 1932 cerca de vinte e seis músicas entre choros e valsas. A ampliação desta orquestra dá origem a famosa Orquestra Columbia, ainda sob a direção de Gaó.
1931 é o ano do grande concurso de música promovido pelo jornal “A Gazeta”, concurso este que motivou uma intensa participação da população de São Paulo (capital) que escolhia seus músicos favoritos, divididos por categorias, através de voto direto. Na categoria banjo, Zezinho obteve expressiva votação (117 323 votos), obtendo o primeiro lugar (nesta categoria Garoto ficou em sexto, com 9 746 votos).
Outros vencedores foram Gaó (piano), Alberto Marino na categoria violino (Trepiccione ficou em segundo e Nestor Amaral em quinto), Larosa Sobrinho (violão), Nabor Pires Camargo (clarinete) e Cárdia (bandolim).
César Ladeira, já no Rio de Janeiro e atuando na rádio Mayrink Veiga, atuava como um embaixador da musica paulistana, trazendo para a então capital da república os novos valores lá revelados. Desta forma aqui chegou Zezinho em 1933, passando logo a integrar o famoso regional da Mayrink.
Em 1936 é a vez de César Ladeira buscar uma turma da pesada; Aimoré, Garoto, Nestor Amaral e Laurindo Almeida. Estes três últimos participaram junto a Zezinho de uma grande aventura: Uma viagem a Europa a bordo no navio Cuiabá. Fizeram escala nos estados mais importantes do nordeste brasileiro antes de partir rumo a Lisboa, Porto, Amsterdam, Berlim e Paris onde por três meses divulgaram a nossa música. Em Paris não puderam desembarcar com os instrumentos musicais devido a alguma lei protecionista.
Assistiram então extasiados a uma apresentação do diabólico duo Stephan Grapelli (violino) e Django Reinhart (violão). Algo novo estava acontecendo ali em termos musicais e eles jamais seriam os mesmos após esta experiência, especialmente Garoto, que acabou por incorporar o fraseado de Django!
Voltam a Mayrink e depois de um breve retorno a São Paulo onde atua junto a Armandinho Neves e Antonio Rago no Regional da Record, Zezinho passa a integrar a Orquestra de Romeu Silva (muito bem reportado por Daniella Thompson) partindo então para os Estados Unidos em 1939 onde iriam se apresentar por seis meses na Feira Internacional de Nova Iorque. Zezinho reencontra seu amigo Garoto quando este, já famoso com seu violão tenor ( foi inclusive chamado de “homem dos dedos de ouro”), lá esteve com Carmen Miranda e o Bando da Lua.
A partir de 1940, Zezinho fixa residência em Los Angeles, já contratado pela Fox. Em 1941, Walt Disney com o papel de “embaixador da boa vizinhança” viaja pela América latina a pretexto de buscar inspiração para a criação de novos personagens. No Brasil, os cartunistas Luis Sá e J. Carlos ajudaram Disney a desenvolver a figura e a personalidade do papagaio “Zé Carioca”, “ personagem concebido para ser a síntese dos laços de amizade entre os estados Unidos e o Brasil”, em acordo com Sidney Ferreira Leite em seu excelente artigo publicado no Estadão em 01/12/2001.
Um problema persistiu por muito tempo: quem iria falar pelo papagaio? Por obra do acaso, Disney estava no mesmo estúdio que Zezinho pelos idos de 1943 e ao ouvi-lo falar percebeu na maneira gingada, malemolente, a voz ideal para o seu papagaio! Nasceu assim o Zé Carioca e o Zezinho, que passaria a usar o mesmo nome do papagaio, era o responsável por sua voz em inúmeros filmes como “Alô amigos” e “Você já foi a Bahia?”.
Este fato rendeu uma fortuna considerável ao Zezinho, que sempre se manteve ligado a musica, como integrante do Bando da Lua e com seu próprio grupo. Infelizmente acabou estigmatizado por conta de sua ligação com Disney (política da boa vizinhança) e com Carmen Miranda.
A casa de Zezinho, de acordo com seu amigo João Cancio de Povoa Filho, era um verdadeiro consulado brasileiro, não faltando ajuda a qualquer músico brasileiro que por lá se aventurasse. Que o diga o nosso violinista Fafá Lemos!
Com a morte de Carmen Miranda terminou o Bando da Lua, nesta altura completamente modificado em relação a sua formação original. Aloísio de Oliveira voltou ao Brasil onde desempenharia importante papel no marketing da Bossa nova e Zezinho lá ficou, com o fardo de seu apelido(Zé Carioca).
Nos seus últimos anos de vida passava seis meses em LA e os outros seis em São Paulo.Faleceu em22/12/1987 em Los Angeles."
(por Jorge Carvalho de Mello)

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira; Zé Carioca (samba & choro).
quinta-feira, fevereiro 08, 2018
Disseram que voltei americanizada - Carmen Miranda
Disseram Que Voltei Americanizada (samba, 1940) - Vicente Paiva e Luiz Peixoto - Intérprete: Carmen Miranda
Disco 78 rpm / Título da música: Disseram Que Voltei Americanizada / Luiz Peixoto (Compositor) / Vicente Paiva (Compositor) / Carmen Miranda (Intérprete) / Gravadora Odeon, 1940 / Número do Álbum: 11913 / Lado B / Gênero musical: Samba.
Disseram que voltei americanizada
Com o burro do dinheiro
Que estou muito rica
Que não suporto mais o breque de um pandeiro
E fico arrepiada ouvindo uma cuíca
E disseram que com as mãos estou preocupada
E corre por aí
Que eu sei
Certo zum-zum
Que já não tenho molho, ritmo, nem nada
E dos balangandãs
Já nem existe mais nenhum
Mas para cima de mim
Pra que tanto veneno?
Eu posso lá ficar americanizada?
Eu que nasci com o samba
E vivo no sereno
Tocando a noite inteira a velha batucada
Nas rodas de malandro, minhas preferidas
Digo mesmo ‘eu te amo’ e nunca ‘I love you’
Enquanto houver Brasil na hora da comida
Eu sou do camarão, ensopadinho com chuchu
Bambo do bambu - Carmen Miranda
Carmen Miranda |
Bambo do Bambu (samba-embolada, 1939) - Donga e Patrício Teixeira - Intérprete: Patrício Teixeira
Disco 78 rpm / Título da música: Bambo Bambu / Donga (Compositor) / Patrício Teixeira (Compositor) / Patrício Teixeira (Intérprete) / Gravadora Odeon / Número do Álbum: 122961 / Data de gravação e lançamento: 1921-1926 / Lado B / Gênero musical: Embolada.
Disco 78 rpm / Título da música: Bambu, Bambu / Donga (Compositor) / Patrício Teixeira (Compositor) / Intérprete: Carmen Miranda / Acompanhamento Bando da Lua e Garoto / Gravadora Decca, 1955 / Álbum 23132 / Lado B / Gênero musical: Samba-embolada.
(Refrão:)
Olha o bambo de bambu, bambu, bambu
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A pequena notável |
Olha o bambo de bambu, bambulalá
Eu quero ver dizer três vezes
Bambulelê, bambulalá
Fui a um banquete na casa do Zé Pequeno
A mesa tava no sereno pra todo mundo caber
Tinha de toda qualidade de talher
Tinha mais homem que mulher
Mas só não tinha o que comer, bambu
(Refrão)
No tal banquete dito-cujo referido
Mulher que tinha marido
Não passou aperto, não
Pois as danadas, para não morrer de fome
Cada qual comeu seu homem
Não tiveram indigestão, bambu
(Refrão)
Conheço um homem que tem 17 filhos
Que pôs tudo no desvio
Pra polícia empregar
A mulher dele, de beleza ainda promete
Dar a luz a 17
Pra depois então parar
(Refrão).
Uva de caminhão - Carmen Miranda
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Assis Valente |
Disco 78 rpm / Título da música: Uva de Caminhão / Valente, Assis (Compositor) / Miranda, Carmen, 1909-1955 (Intérprete) / Conjunto Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1939 / Nº Álbum 11712 / Gênero musical: Samba
Tom: E (intro) G#7 C#m B7 E E7 A Am6 E C#7 F#7 B7 E C#7 B7 Já me disseram que você andou pintando o sete B7 Andou chupando muita uva E E até de caminhão C#7 F#m Agora anda dizendo que está de apendicite E F#7 B7 Vai entrar no canivete, vai fazer operação C#7 B7 Oi que tem a Florisbela nas cadeiras dela B7 E Andou dizendo que ganhou a flauta de bambu C#7 F#m Abandonou a batucada lá na Praça Onze E B7 E E foi dançar o pirolito lá no Grajaú G#7 C#m Caiu o pano da cuíca em boas condições B7 E Apareceu Branca de Neve com os sete anões C#7 F#m E na pensão da dona Estela foram farrear B7 E B7 E Quebra, quebra gabiroba quero ver quebrar C#7 B7 Já me disseram que você andou pintando o sete B7 Andou chupando muita uva E E até de caminhão C#7 F#m Agora anda dizendo que está de apendicite E F#7 B7 Vai entrar no canivete, vai fazer operação C#7 B7 Oi que tem a Florisbela nas cadeiras dela B7 E Andou dizendo que ganhou a flauta de bambu C#7 F#m Abandonou a batucada lá na Praça Onze E B7 E E foi dançar o pirolito lá no Grajaú G#7 C#m Você no baile dos quarenta deu o que falar B7 E Cantando o seu Caramuru, bota o pajé pra brincar C#7 F#m Tira, não tira o pajé, deixa o pajé farrear E B7 E Eu não te dou a chupeta, não adianta chorar C#7 B7 Já me disseram que você andou pintando o sete B7 Andou chupando muita uva E E até de caminhão C#7 F#m Agora anda dizendo que está de apendicite E F#7 B7 Vai entrar no canivete, vai fazer operação C#7 B7 Oi que tem a Florisbela nas cadeiras dela B7 E Andou dizendo que ganhou a flauta de bambu C#7 F#m Abandonou a batucada lá na Praça Onze E B7 E E foi dançar o pirolito lá no Grajaú
terça-feira, fevereiro 06, 2018
O que é que a baiana tem - Carmen Miranda
O Que É Que A Baiana Tem (samba, 1938) - Dorival Caymmi - Interpretação: Carmen Miranda e Dorival Caymmi
Disco 78 rpm / Título da música: O Que É Que A Baiana Tem / Caymmi, Dorival, 1914-2008 (Compositor) / Miranda, Carmen, 1909-1955 (Intérprete) / Caymmi, Dorival, 1914-2008 (Intérprete) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1939 / Nº Álbum 11710 / Gênero musical: Samba.
Tom: D
D6/9 A7 D6/9 A7 O que é que a baiana tem? D6/9 A7 D6/9 Que é que a baiana tem?
A7 D6/9 A7 D6/9
Tem torço de seda, tem! Tem brincos de ouro, tem!
A7 D6/9 A7 D6/9
Corrente de ouro, tem! Tem pano-da-Costa, tem!
A7 D6/9 A7 D6/9
Tem bata rendada, tem! Pulseira de ouro, tem!
A7 D6/9 A7 D6/9
Tem saia engomada, tem! Sandália enfeitada, tem!
A7 D6/9 A7 D6/9
Tem gra--ça como nin-guém
A7 D6/9 A7 D6/9
Como ela requebra bem!
A7 D6/9
Quando você se requebrar Caia por cima de mim
A7 D6/9 A7 D6/9
Caia por cima de mim Caia por cima de mim
D6/9 A7 D6/9 A7
O que é que a baiana tem?
D6/9 A7 D6/9
Que é que a baiana tem?
A7 D6/9 A7 D6/9
Tem torço de seda, tem! Tem brincos de ouro, tem!
A7 D6/9 A7 D6/9
Corrente de ouro, tem! Tem pano-da-Costa, tem!
A7 D6/9 A7 D6/9
Tem bata rendada, tem! Pulseira de ouro, tem!
A7 D6/9 A7 D6/9
Tem saia engomada, tem! Sandália enfeitada, tem!
A7 D6/9 A7 D6/9
Só vai no Bonfim quem tem
( O que é que a baiana tem?)
A7 D6/9 A7 D6/9
Só vai no Bonfim quem tem
A7 D6/9
Um rosário de ouro, uma bolota assim
A7 D6/9
Quem não tem balangandãs não vai no Bonfim
A7 D6/9
Um rosário de ouro, uma bolota assim
A7 D6/9
Quem não tem balangandãs não vai no Bonfim
A7 D6/9
(Oi, não vai no Bonfim) (Oi, não vai no Bonfim)
A7 D6/9
Um rosário de ouro, uma bolota assim
A7 D6/9
Quem não tem balangandãs não vai no Bonfim
A7 D6/9
(Oi, não vai no Bonfim) (Oi, não vai no Bonfim)
quinta-feira, fevereiro 01, 2018
O que é que você fazia - Carmen Miranda
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A pequena notável |
Disco 78 rpm / Título da música: O Que é Que Você Fazia? / Gênero musical: Marcha / Cordovil, Hervé (Compositor) / Rosa, Noel (Compositor) / Miranda, Carmen (Intérprete) / Gravadora Odeon / Número do Álbum: 11324 / Gravação: 00/1936 / Lançamento: 00/1936 / Lado A.
Deitado num trilho de um trem
Estando amarrado e amordaçado
Sabendo que o maquinista
Não é seu parente
Nem olha pra frente
O que é que você fazia?
Eu nesse caso nem me mexia
Sentado, olhando um cachorro
Que da sua mão tirou o seu pão
Sabendo que o seu bilhete
Que está premiado
Também foi roubado
O que é que você fazia?
Eu nesse caso nem me mexia
Se um dia sua sogra bebesse
Um gole pequeno de um grande veneno
E por um capricho da sorte
Ou de algum doutorzinho
Ela ficasse mais forte
O que é que fazia o senhor?
Eu nesse caso matava o doutor
E o que é que a senhora fazia?
Eu nesse caso desaparecia
quinta-feira, janeiro 09, 2014
Carmen e Aurora Miranda
Carmen Miranda - 1936 |
E ao que se diz, brevemente, elas serão anunciadas da seguinte maneira: “Now listen Carmen Miranda...” e “Maintenaut vous allez entendre Aurora Miranda...”. É que a América do Sul já está se tornando pequena para as duas incansáveis estrelas cariocas.
Carmen Miranda é, hoje, a maior das nossas estrelas de rádio. É, também, a mais antiga, pois, desde 1928 que a sua voz é ouvida através os microfones da cidade.
Foi lançada pela Victor em parceria com Josué de Barros, quem primeiro a ensaiou e orientou. “Yayá Yoyô”, “Ta-hi”, “Vamos dar valor” e algumas outras músicas, foram das primeiras gravações de Carmen que já começava absoluta, isto é, sem rivais.
Neste tempo, pode-se dizer que a música popular era interpretada, exclusivamente, por cantores. Havia, é verdade, cantoras, mas estas, não se dedicavam ao samba e a marchinha. Limitavam-se a interpretar canções. Carmen Miranda foi, pois, uma revolução. Foi a luva que o samba jogou à canção. E o resultado não se fez esperar: a canção foi, fragorosamente, derrotada e o samba passou a dominar a cidade. As músicas que Carmen lançava e gravava eram conhecidas desde Ipanema até a Tijuca. Eram cantadas, assobiadas e cantaroladas.
Começou então, o segundo período de sua carreira, talvez o mais glorioso e que se prolonga até hoje: a imitação. Diante do sucesso de Carmen, as outras cantoras da cidade, não tardaram em imitá-la. Ao invés de procurarem criar estilos próprios, pessoais, limitavam-se a imitar a dona de um “jeito” todo especial de cantar e que possui, como ninguém, em alto grau, o senso da interpretação.
Aurora Miranda em 1936 |
Carmen e Aurora partem agora, novamente, para Buenos Aires. Terão, na capital portenha, uma estada de mês e meio. Levam, no seu repertório, as últimas novidades do Rio e todos os grandes sucessos do último carnaval — músicas lançadas por elas, ou por outros cantores.
— Levamos um repertório, inteiramente novo para Buenos Aires e esperamos agradar — disseram as duas encantadoras estrelas, a CARIOCA.
E assim, ficará o Rio, privado, por algum tempo, das duas vozes que ele mais admira. Na volta de Buenos Aires, após curta permanência nesta capital, pretendem, as duas, seguir para a Europa, visitando Lisboa, Paris e outras cidades.
CARIOCA prevê, desde já, para as irmãs que tanto têm feito pela nossa música, grandes êxitos. Habituados como estamos, a ver os sucessos no estrangeiro, de criaturas que aqui são autênticos fracassos, temos que esperar das Irmãs Miranda, uma brilhante atuação, pois, não lhes faltam qualidades para isso.
E, por certo, não estamos muito longe do dia em que ouviremos, numa “broadcasting” parisiense ou londrina, através das ondas curtas, as vozes simpáticas e amáveis das “Embaixatrizes do Samba”, que virão matar as saudades dos seus fãs do Rio, que são todos os habitantes da capital brasileira."
Fonte: CARIOCA, de 2/4/1936 (fotos e texto atualizado).
sábado, junho 08, 2013
Três baianos na vida de Carmen Miranda
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Aqui os três baianos aos quais Carmen Miranda deve sua fama e fortuna: Josué de Barros, tendo à sua direita Assis Valente e à sua direita Dorival Caymmi (Foto: Revista da Semana, 21/Janeiro/1950). |
Uma história que vem a público pela primeira vez - Josué de Barros, Assis Valente e Dorival Caymmi: “Chora Violão”, “Good bye boy” e “O que é que a baiana têm” - Aconteceu em 1929 - Um encontro histórico sob o relógio da Galeria Cruzeiro - Vinte anos depois - Episódios que não devem ficar esquecidos.
Pouca gente sabe disso: existem três baianos na vida de Carmen Miranda. Três compositores populares, filhos da Boa-Terra, aos quais a irrequieta “estrela” deve parte da sua carreira, seu sucesso, sua fortuna. Por estranha e interessante coincidência, Carmen Miranda que tanto cantou a Bahia, exaltando seu pitoresco em sambas e canções, tem seu destino artístico ligado àquele ninho de inspiração de poesia e música. E pela primeira vez esta história vem a público. A três rapsodos conterrâneos de Ruy e Castro Alves, a atual “star” de Hollywood ficou devendo a consagração talvez mundial que desfruta. São eles Josué de Barros, Assis Valente e Dorival Caymmi.
A ordem que aqui deve ser cronológica é esta mesma. Naturalmente, haverá entre os leitores quem desconheça Josué de Barros, talvez mesmo haja quem não mais se lembre de Assis Valente e possivelmente quem ignore que os últimos sucessos de Carmen entre nós foram as gravações de Caymmi. É uma questão de geração. A de Frank Sinatra, por exemplo, não tomou conhecimento da existência do autor de "O que é que a baiana tem", e muito menos saberá que um dia o rapaz que criou "Camisa listrada" foi rei absoluto com coroa e tudo mais. Mas vamos pela ordem. Comecemos com Josué de Barros, o primeiro baiano da vida ou na vida de Carmen Miranda. Foi ele verdadeira e indiscutivelmente quem descobriu e lançou a Carmen que não é de Bizet ou Merimée.
O baiano número um...
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O filho Vadeco dedilhando antigos sucessos do pai para Assis e Caymmi (Revista da Semana, 01/1950). |
A família do Josué tem sangue de artista: um irmão, funcionário da Alfândega da Bahia, é poeta; um filho, Vadeco, tem cartaz universal como dirigente de uma orquestra de violão elétrico. Josué hoje está aposentado, vivendo duplamente da renda das glórias antigas. Ele veio da geração boêmia de menestréis como Catulo, índio das Neves, Nazareth, Donga, Sinhô e outros bambas olvidados.
Além de haver descoberto e lançado Carmen Miranda no mundo da arte simples que o povo adora porque entende Josué também é um dos papais do rádio no Brasil. Na sua época o "broadcasting" estava engatinhando e sua colaboração, atuando em programas, produzindo músicas para Carmen gravar, foi preciosa.
Foi em 1929 que ele conheceu Carmen Miranda, faz vinte anos, portanto. E quem a apresentou, isto é, quem levou a "Brazilian Bombshell" à sua presença foi outro baiano, o atual deputado Aníbal Duarte, representante pessedista paraense na Câmara Federal. Aí está outra coincidência. Mais um baiano. Aníbal, que era naqueles idos tempos autêntico leão dos salões e um dos maiores festeiros, estava organizando um festival em benefício da Policlínica de Botafogo e procurara Josué, amigo e conterrâneo, em busca da sua participação, que dizer, este entraria com alguns números no programa.
Foi nessa oportunidade que o xará do célebre guerreiro cartaginês disse a Josué de Barros que encontrara uma pequena portuguesa com bastante "il" para cantar as produções do homônimo do personagem bíblico que pegou parada com o sol. Josué estranhou que uma filha d'além-mar com seu sotaque inconfundível pudesse cantar sambas. O deputado Aníbal Duarte informou que se tratava de uma portuguesa brasileiríssima e etc.
Resultado: marcaram encontro para o dia seguinte e na hora exata lá estava Aníbal com uma jovem no local combinado: debaixo do relógio da Galeria Cruzeiro. Não é preciso dizer que a moça em questão era Carmen Miranda. Era sim. Vestida à Clara Bow, meio tímida, cheia de esperanças, a então jovem Carmen travara assim conhecimento com o primeiro baiano do seu destino de estrela. Trocados os cumprimentos foram todos para um palacete na Lagoa, onde ensaiaram algumas músicas.
Carmen fez a primeira experiência cantando “Chora, violão”. O autor previu logo que a bisonha cantora teria futuro. E tão bem se houve ela nos ensaios e na festa que de lá Josué levou-a diretamente para gravar discos na antiga Brunswick. Daí foi um passo para a Rádio Philips, para a Rádio Sociedade, a Educadora, a Rádio Clube, enfim para as gravações de Josué Barros na Victor, para a glória. Falando ao repórter, cercado por filhos e netos, todo evocações, Josué mirando um retrato de Carmen Miranda suspirou, vivendo intensamente num minuto de agradáveis recordações:
— Ela veio para as minhas mãos como um diamante bruto. Lapidei-o carinhosamente. Tinha voz, tinha talento, tinha isso que só fica bem dizendo em gíria: “bossa”. Fiz o que pude por ela. Outros tiveram mais chance e mais visão e carregaram-na.
Surge o segundo baiano...
Depois de aparecer e brilhar cantando “Yayá e Yoyô”, “Triste Jandaia”, “Dona Balbina” e outras músicas de Josué Barros, Carmen Miranda foi então definitivamente atirada ao grande público por outro baiano, o segundo da sua vida, Assis Valente. A este rapaz que em um dia de 1927 saltou no Rio preocupado apenas com a sua carreira de dentista e protético e que se revelou dos nossos melhores compositores populares de todos os tempos, a portuguesinha de Marco Canavezes está presa pelos laços da gratidão.
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Assis: o protético (Revista da Semana, 1950). |
Certa vez ia ele pela Rua da Carioca sonhando com o milhar, com o palpite do dia transformado em pule do bicho no bolso, quando lhe sentiu baterem no ombro. “É a Polícia”. — “Estou frito!” — pensou’ com os botões, antes de virar para olhar. E quando o fez deparou com Josué de Barros que o levou a Carmen Miranda em exibição no Cinema Broadway, na Cinelândia.
Dessa tarde em diante a loteria da sorte alterara os problemas do compositor e da cantora. Entusiasmado com os ademanes e recursos da artista Assis Valente passou a escrever música só para ela. Tornou-se exclusivo de Carmen. Isso provocou sérios transtornos no mundo radiofônico e ia dando em tragédia, a tragédia do alto do Corcovado, mas essa é outra história. Fértil e talentoso, Assis Valente danou-se a produzir e a conquistar o mundo. Durante anos seguidos, carnavais e carnavais, ele foi absoluto. Quem não se recorda com saudade de suas sempre felizes e inspiradas composições?
Não obstante o ostracismo voluntário ou alheamento do meio do rádio ele é um autor que não caiu de moda, e ouvir seus discos com a Carmen da segunda fase ainda é um prazer. Prazer que a geração dos trinta acalenta como aos bons vinhos. Porque os sambas e marchas de Assis Valente fazem a gente recuar no tempo sentindo a idade que tínhamos quando os ouvimos em já distantes dias.
Surgiram para a glória de Carmen Miranda: “Good bye, boy”, “Camisa listrada”, “Uva de caminhão”, “Anoiteceu”, “Disseram que voltei .- americanizada”, “E o mundo não se acabou”, “Minha embaixada chegou”, e dezenas, dezenas de outros autênticos sucessos que gostamos de relembrar.
Finalmente o último baiano...
Na vida artística de Carmen Miranda, Dorival Caymmi é o último dos baianos. Se Josué de Barros revelou o talento da “pequena notável” e se Assis Valente a consagrou, Dorival Caymmi, o moleque Caymmi da Bahia, consolidou tudo. Foi cantando a coqueluche da época “O que é que a baiana tem” que Carmen atraiu a atenção de Hollywood. Quando ela esteve fazendo a temporada no Cinema Jandaia, na Bahia, a temporada que acabou ruidosa e escandalosamente, entre o povaréu modesto que se comprimia na torrinha da geral do improvisado teatro da Baixa do Sapateiro, ali se encontrava Dorival Caymmi com seu nordestino terninho de brim. E longe estava ele de sonhar que anos mais tarde viria contribuir com seu talento, naquele tempo incubado, para projetar a "estrela" fora da constelação nacional.
Carmen leu, ouviu, cantou e gostou das produções do rapaz e dias depois estava gravando para o Brasil e o mundo: "O que é que a baiana tem". "A preta do acarajé", "É dengo que a nega tem", e outros mais. Houve temporadas em cassinos e boites e depois para Hollywood, para os dólares, para os braços de David Sebastian foi um saltinho de pulga.
Porque, graças ao talento de três baianos e ao seu próprio, Carmen Miranda é uma estrela que ainda não eclipsou.
(Texto de Armando Pacheco e Fotos de Renato Pinheiro)
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Fonte: Revista da Semana - 21 de Janeiro de 1950.
terça-feira, maio 21, 2013
As estrelas morrem sozinhas
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Dolores Duran |
E Carmen Miranda, lembram-se? Só que a Carmen querida estava doente. Tinha melhorado muito, depois de visitar o Brasil. Mas já voltara ao trabalho. E, recolhendo-se tarde da noite, à sua residência, foi para seu quarto separado, enquanto seu esposo descansava em outro. Pela madrugada, Carmen levantou-se, passando mal, deu dois ou três passos, sem poder chamar pelo marido e... caiu morta, sozinha.
Carmen Miranda |
Agora, recentemente, foi Zezé Fonseca. Estava só, em seu apartamento pequeno de Copacabana. Preparava o almoço, já tarde, quando explodiu o fogão a gás. Morreu Zezé, carbonizada, sem que alguém a pudesse socorrer. Morreu só. Sozinha.
Será isso um desígnio? Será uma coincidência? Por que morrem as estrelas sozinhas?
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Zezé Fonseca |
Coincidência? Fatalidade? Ninguém entende a morte...
Dirão que muita gente já ter morrido assim. É certo. Que outras estrelas também tenham dormido o sono eterno e que seus nomes não estão aqui. Mas não é o que importa, agora. Mas o que os fãs tem em memória são esses três, de Dolores, de Carmen, de Zezé. Morreram sem um adeus, sem uma mão amiga de alguém ao seu lado, sem a prece de um ente querido, sem nada.
Mas há um consolo e a ele nos devemos agarrar: nada neste mundo acontece sem ser por vontade de Deus. E Deus sabe o que faz."
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Fonte: Revista do Rádio - 29 de Setembro de 1962.
quinta-feira, março 15, 2012
O público vaiava e Carmen chorava
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Carmen Miranda em 1930 |
E Carmen Miranda, que naquela noite fazia sua estréia no teatro integrando um numeroso elenco juntamente com os mais afamados intérpretes de revistas, apavorada, trêmula, chorava copiosamente. Escondida nos bastidores, já que ali se postara por ordem do contra-regra para a entrada no quadro seguinte, não lhe acorreu a idéia de refugiar-se no seu camarim. Amedrontada, continuava no mesmo lugar, em pranto, como estátua.
Assim se conta a história
Anunciada para 11 de setembro (1930), só na noite seguinte verificou-se, às sete e três quartos, horário de praxe das sessões, a primeira representação da revista Vai dar o que falar, no Teatro João Caetano. Além de ter a autoria de Marques Pôrto e Luiz Peixoto, ases do gênero, seria “defendida” por um punhado de estrelas: Palitos, Eva Stachino, Olga Navarro, Sara Nobre, Sylvio Vieira, Tina de Jarque, Zaíra Cavalcante e outras. Como atração, pois era na época a “Rainha do Disco”, a empresa Antonio Neves & Cia. Ltda. incluíra também no conjunto Carmen Miranda.
Precedida de farta publicidade, destacando-se nos anúncios os nomes dos componentes do verdadeiro scratch de atores do teatro popular, a première (no francesismo usual) despertou grande interesse. Com ingressos que custavam, as frisas 35 mil réis e as galerias (torrinhas) 3 mil, a lotação fora vendida totalmente. Todos queriam assistir ao espetáculo que, afora tantos atrativos, teria “efeitos de luz como só se vê nas revistas de Paris, Nova Iorque e Londres”. A razão, porém, da rápida venda das localidades não se tinha dúvida que era, principalmente, o aparecimento da criadora da marchinha Tá i em um dos palcos da Praça Tiradentes.
Uma estréia “au grand complet”
Sempre no correntio galicismo então dominante nas colunas sociais da imprensa, a estréia da parceria Pôrto-Peixoto deu-se, de fato, au grand Complet. Quando o maestro Augusto Vasseur, regente da orquestra e autor, juntamente com Ary Barroso, da partitura, bateu com a vareta na estante convocando os professores à execução da ouverture toda a platéia estava em expectativa otimista. Vieram logo, ao final, palmas calorosas augurando um bom início para o espetáculo.
Os primeiros quadros, sketches cômicos, números cantados e de fantasia, lograram, igualmente, o mesmo êxito. Aplausos demorados, alguns pedidos de bis comandados pela galeria lá do alto do teatro animavam o curso da representação sem fazer prever o incidente que depois veio a se verificar. Carmen Miranda surgiu em cena para seu primeiro contato com o vultoso público e teve acolhida consagradora. Desenvolta, com seu hit que transportara ao vivo dos estúdios das gravadoras de discos para o palco, provocou ruidosa manifestação de agrado intercalada dos bravo! de entusiasmo.
A pateada faz parar o espetáculo
Depois de um primeiro ato feliz, concluído com a chamada dos autores, atores, regente e até mesmo do pessoal da maquinaria, não se poderia prever o incidente que iria ocorrer pouco depois. Carmen Miranda voltaria a aparecer na segunda parte da revista e deveria ter palmas tão expansivas quanto as que lhe já haviam sido dadas.
Consoante o roteiro dos quadros entraria depois de O Mangue, cena na qual os autores reproduziam o bas fond carioca com o meretrício nele existente. Era uma tentativa ousada de levar o realismo ao teatro sem artifícios ou moderações.
Ao abrir-se a cortina, o simples cenário causou revolta, provocando vaia, apupo, que se generalizou em pateada geral fazendo parar a representação. De pé, indignados, alguns espectadores gritavam enquanto outros batendo com os pés fortemente no assoalho repudiavam o quadro que pretendiam lhes exibir. Já postada nos bastidores, aguardando sua entrada, Carmen Miranda, na emoção de uma estreante, embora confortada pelo sucesso da aparição no ato anterior, tomou-se de pavor. Os silvos agudos, a gritaria, o barulho ensurdecedor deixando clara a fúria reinante na platéia, encheu-a de pânico, de medo. Chorando, sentia-se presa ao chão, tremendo muito, temendo que toda aquela gente realizasse um massacre feroz, impiedoso.
Apesar de tudo, uma estréia brilhante
Encorajando-se, Pablo Palos, o Palitos, apelido pelo qual o conhecido ator argentino se popularizou em sua terra e no Brasil, apareceu no palco e pediu calma. Anunciou que o quadro não seria exibido e nos demais nada haveria capaz de chocar a assistência. Resultou feliz a intervenção, pois serenados os ânimos, refazendo-se do temor que a levara ao pranto, com os olhos ainda vermelhos, resistindo à maquilagem, Carmen Miranda pôde voltar para seu segundo número.
Novamente, conseguindo com sua graciosidade fazer esquecer o incidente, Carmen Miranda provocava os aplausos de toda a platéia, marcando auspiciosamente, a despeito de tudo, sua estréia no teatro. No dia seguinte, sem deixar de aludir à lamentável ocorrência, a crítica assinalava o êxito daquela que viria a ser “A Pequena Notável”. Fazia-o com francos encômios como bem atesta o registro de O Paiz aqui reproduzido: “...Miranda que triunfou na gravação de discos será em breve um dos mais brilhantes esteios de nosso teatro ligeiro.”
(O Jornal, 5/5/1963)
______________________________________________________________________Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.
terça-feira, dezembro 13, 2011
Abel Cardoso Júnior
Abel Cardoso Júnior, pesquisador, professor, crítico, escritor e musicólogo, nasceu em Guarantã, cidade do noroeste paulista, em 28/11/1938, e faleceu em Sorocaba, SP, em 16/11/2003. Residindo em Sorocaba desde 1945, exerceu atividades no magistério primário, licenciando-se em Pedagogia e chegando a diretor de escola estadual (1968-1988), cargo em que se aposentou.
Membro da Academia Sorocabana de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba, colaborou também no Jornal dos Professores do Centro do Professorado Paulista (CPP).
Na área da música popular, publicou cerca de 200 artigos na imprensa de Sorocaba e redigiu cerca de 150 contracapas e encartes de discos, a maioria para o selo Revivendo. Foi colaborador na publicação da discografia de Carmen Miranda, Gastão Formenti, Aurora Miranda, Orlando Silva e Francisco Alves.
Publicou ainda o livro Carmen Miranda, a cantora do Brasil (1978, 436 págs.), o folheto de Cornélio Pires - Primeiro produtor independente de discos do Brasil (1986, 21 págs.) e a parte de pesquisa do catálogo do espetáculo "Raros e inéditos" (Sesc Pompéia, São Paulo, 1995, 40 págs.), além de Francisco Alves - As mil canções do Rei da Voz (Revivendo, 1998, 500 págs.), edição comemorativa do centenário do Rei da Voz e dos 10 anos da Revivendo Músicas.
Fonte: Colégio Brasileiro de Genealogia - Patronos.
Membro da Academia Sorocabana de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba, colaborou também no Jornal dos Professores do Centro do Professorado Paulista (CPP).
Na área da música popular, publicou cerca de 200 artigos na imprensa de Sorocaba e redigiu cerca de 150 contracapas e encartes de discos, a maioria para o selo Revivendo. Foi colaborador na publicação da discografia de Carmen Miranda, Gastão Formenti, Aurora Miranda, Orlando Silva e Francisco Alves.
Publicou ainda o livro Carmen Miranda, a cantora do Brasil (1978, 436 págs.), o folheto de Cornélio Pires - Primeiro produtor independente de discos do Brasil (1986, 21 págs.) e a parte de pesquisa do catálogo do espetáculo "Raros e inéditos" (Sesc Pompéia, São Paulo, 1995, 40 págs.), além de Francisco Alves - As mil canções do Rei da Voz (Revivendo, 1998, 500 págs.), edição comemorativa do centenário do Rei da Voz e dos 10 anos da Revivendo Músicas.
Fonte: Colégio Brasileiro de Genealogia - Patronos.
quinta-feira, novembro 11, 2010
Baião Ca-Room’ Pa Pa
Baião Ca-Room’ Pa Pa (baião) - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira - Interpretação de Carmen Miranda - Baião de Humberto Teixeira, Luiz Gonzaga e Ray Gilbert, acompanhamento de Vic Shoen e Sua Orquestra e o Bando da Lua, com The Andrews Sisters. Gravada em Los Angeles em 6 de janeiro de 1950 e apresentada no filme “Romance Carioca” (Nancy Goes to Rio, 1950):
Ca room pa pa ca room pa pa…
Eu vou mostrar pra vocês como se dança o baião…
E quem quiser aprender é melhor prestar atenção…
Ca room pa pa pa pa pa pa!…
When you are out on the street…
Out in the tropical heat…
You’ll fall in love with the song…
with the wonderful beat…
Ca ca ca room pa pa…
Tic tic tic tic tic tic ta…
Ca ca ca room pa pa…
Tic tic tic tic tic tic ta…
He’s got the kind of appeal…
That tumbs your hair like a wheel…
And what a wonderful feeling that feeling you feel…
Ca ca ca room pa pa…
Tic tic tic tic tic tic ta…
Ca ca ca room pa pa…
Tic tic tic tic tic tic ta…
Your heart will beat like a bango…
Just like was beating in mine…
The heat of the sun maybe hundred and one…
But you’ll make it hundred and nine…
And there’s more to it yet…
I’m gonna bet you a bet…
That you can pack up and go but you’ll never forget…
Ca ca ca room pa pa…
Tic tic tic tic tic tic ta…
Ca ca ca room pa pa…
Tic tic tic tic tic tic ta…
Ca ca ca room pa pa…
Tic tic tic tic tic tic ta…
Your heart will beat like a bango…
I’m telling you now in advance…
You will sing and be gay twenty hours a day…
The other four hours you’d better dance…
And there’s more to it yet…
I’m gonna bet you a bet…
That you can pack up and go but you’ll never forget…
Ca ca ca room pa pa…
Tic tic tic tic tic tic ta…
Ca ca ca room pa pa…
Tic tic tic tic tic tic ta…
Ca room pa pa pa pa pa!…
Ca room pa pa pa pa pa tic tic tic!…
sábado, novembro 06, 2010
Reminiscência triste
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A pequena notável |
Reminiscência triste (samba, 1937) - Amado Régis
Disco 78 rpm / Título: Reminiscência triste / Autoria: Regis, Amado (Compositor) / Carmen Miranda, 1909-1955 (Intérprete) / Grupo da Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1937 / Nº Álbum 11462 / Gravação: 00/1937 / Lançamento: 00/1937 / Lado B / Gênero: Samba /
O meu bangalô abandonado é triste com razão
porque nele habitou alguém que nunca teve coração
Como reminiscência o que êle me deixou
foi um (lindo) canário(inho) que ao sentir
a sua ausência nunca mais cantou (bis)
E olhando o bangalô abandonado e triste
o meu peito não resiste
Chora de saudade,
lembrando a história que ali se passou
do canarinho, que gorjeava e redobrava o canto
daquele amor que era ventura, encanto
e que um dia foi-se embora e nunca mais voltou.
O samba e o tango
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A pequena notável |
O samba e o tango (samba-tango, 1937) - Amado Régis
Título da música: O samba e o tango / Gênero musical: Samba / Intérprete: Carmen Miranda / Compositor: Regis, Amado / Gravadora Odeon / Número do Álbum: 11462 / Data de Gravação: 00/1937 / Data de Lançamento: 00/1937 / Lado A / Disco 78 rpm /
Chegou a hora, chegou chegou
Meu corpo treme e ginga qual pandeiro
A hora é boa e o samba começou
E fêz convite ao tango pra parceiro.
Chegou a hora, chegou chegou
Meu corpo treme e ginga qual pandeiro
A hora é boa e o samba começou
E fêz convite ao tango pra parceiro.
"hombre yo no sé porque te quiero
Yo te tengo amor sincero diz a muchacha do prata
Péro no Brasil é diferente yo te quiero simplesmente
Teu amor me desacata.
Habla castellano num fandango
Argentino canta tango ora lento, ora ligeiro
Pois eu canto e danço sempre que possa
Um sambinha cheio de bossa
Sou do Rio de Janeiro.
Meu balão subiu...subiu...
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A pequena notável |
Meu balão subiu...subiu... (marcha junina, 1936) - Amado Régis e Marcílio Vieira
Título da música: Meu balão subiu...subiu... / Gênero musical: Marcha Junina / Intérprete: Carmen Miranda / Compositores: Regis, Amado - Vieira, Marcílio / Gravadora Odeon / Número do Álbum: 11361 / Data de Gravação: 00/1936 / Data de Lançamento: 00/1936 /Lado A / Rotações: Disco 78 rpm:
Depositei meus sonhos,
minhas esperanças
nos papéis de um balão
E soltei-o p'rá vê-lo levar
meu pedido a São João
Meu balão subiu, subiu
para o azul da imensidão
E no espaço perdido ficou meu pedido
minha doce ilusão (bis)
Meu balão subiu, subiu,
com o pedido e não voltou
Eu penso que São João leu
e não me respondeu...
meu balão se queimou (bis)
Paga quem deve
Título da música: Paga quem deve / Gênero musical: Samba / Intérprete: Carmen Miranda / Compositores: Regis, Amado - Vieira, Marcílio / Gravadora Odeon / Número do Álbum: 11361 / Data de Gravação: 00/1936 / Data de Lançamento: 00/1936 / Lado B / Disco 78 rpm /
Saudade, quanta saudade,
senti do meu amor
que partiu e não voltou
(meu Deus do céu)
E de saudades eu chorei,
mas me conformei
por saber que ele também chorou
(quanta saudade)
Foi ingrato,
saiu sem me dar satisfação
e sem lembrar que com isso
faria uma ingratidão
para comigo,
que sempre lhe quis com fervor
e tudo fiz para conservar nosso amor
(quanta saudade)
Chorei muito
vendo perdido nosso amor
Mas procurei abafar
no peito esta grande dor
Hoje sorrio,
chegou tua vez de sofrer
pois neste mundo ninguém paga sem dever
(quanta saudade).
terça-feira, março 18, 2008
Diz que tem
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A pequena notável |
Diz que tem (samba, 1940) - Vicente Paiva, A. Guimarães e Hanibal Cruz - Intérprete: Carmen Miranda
Disco 78 rpm / Título: Diz que tem... / A Guimarães (Compositor) / Vicente Paiva, 1908-1964 (Compositor) / Hanibal Cruz (Compositor) / Carmen Miranda, 1909-1955 (Intérprete) / Vicente Paiva [Piano], Simon Bountman [Direção], Conjunto Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 02/09/1940 / Lançamento: 10/1940 / Nº do Álbum: 11902 / Nº da Matriz: 6458 / Gênero: Samba batuque / Coleções de origem: IMS, Nirez
Disco 78 rpm / Título: Diz que tem... / A Guimarães (Compositor) / Vicente Paiva, 1908-1964 (Compositor) / Hanibal Cruz (Compositor) / Carmen Miranda, 1909-1955 (Intérprete) / Vicente Paiva [Piano], Simon Bountman [Direção], Conjunto Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 02/09/1940 / Lançamento: 10/1940 / Nº do Álbum: 11902 / Nº da Matriz: 6458 / Gênero: Samba batuque / Coleções de origem: IMS, Nirez
Ela diz que tem
Diz que tem, diz que tem
Diz que tem, diz que tem
Diz que tem, diz que tem
(refrão)
Tem cheiro de mato
Tem doce de coco
Tem sangue nas veias
Tem balangandãns
(refrão)
Tem pele morena
Tem corpo febril
E dentro do peito
O amor ao Brasil
Cantei em São Paulo
Cantei no Pará
Tomei chimarrão
E comi vatapá
Eu sou brasileira
Meu it revela
E a minha bandeira
É verde-amarela
Eu digo que tenho
Que tenho muamba
Que tenho no corpo
Um cheiro de samba
Só falta pra mim
Um moreno faceiro
Que seja do samba
E bem brasileiro
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
sábado, março 08, 2008
Primavera no Rio
Primavera no Rio (marcha, 1934) - João de Barro - Intérprete: Carmen Miranda
Disco 78 rpm / Título da música: Primavera no Rio / João de Barro "Braguinha", 1907-2006 (Compositor) / Carmen Miranda, 1909-1955 (Intérprete) / Pixinguinha [Direção], Diabos do Céu (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 20/08/1934 / Lançamento: 09/1934 / Nº do Álbum: 33820 / Nº da Matriz: 79658-1 / Gênero musical: Marcha
O Rio amanheceu cantando
Toda a cidade amanheceu em flor
E os namorados vem pra rua em bando
Porque a primavera é a estação do amor (bis)
Rio
Lindo sonho de fadas
Noites sempre estreladas
E praias azuis
Rio
Dos meus sonhos dourados
Berço dos namorados
Cidade da luz
Rio
Das manhãs prateadas
Das morenas queimadas
Ao brilho do sol
Rio
És cidade desejo
Tens a ardência de um beijo
Em cada arrebol
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
Disco 78 rpm / Título da música: Primavera no Rio / João de Barro "Braguinha", 1907-2006 (Compositor) / Carmen Miranda, 1909-1955 (Intérprete) / Pixinguinha [Direção], Diabos do Céu (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 20/08/1934 / Lançamento: 09/1934 / Nº do Álbum: 33820 / Nº da Matriz: 79658-1 / Gênero musical: Marcha
O Rio amanheceu cantando
Toda a cidade amanheceu em flor
E os namorados vem pra rua em bando
Porque a primavera é a estação do amor (bis)
Rio
Lindo sonho de fadas
Noites sempre estreladas
E praias azuis
Rio
Dos meus sonhos dourados
Berço dos namorados
Cidade da luz
Rio
Das manhãs prateadas
Das morenas queimadas
Ao brilho do sol
Rio
És cidade desejo
Tens a ardência de um beijo
Em cada arrebol
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
Alvorada
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Carmen Miranda |
Alvorada (samba, 1934) - Synval Silva - Intérprete: Carmen Miranda
Disco 78 rpm / Título da música: Alvorada / Sinval Silva (Compositor) / Carmen Miranda, 1909-1955 (Intérprete) / Grupo do Canhoto (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 11/12/1933 / Lançamento: 08/1934 / Nº do Álbum: 33808 / Nº da Matriz: 65913-1 / Gênero musical: Samba
Disco 78 rpm / Título da música: Alvorada / Sinval Silva (Compositor) / Carmen Miranda, 1909-1955 (Intérprete) / Grupo do Canhoto (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 11/12/1933 / Lançamento: 08/1934 / Nº do Álbum: 33808 / Nº da Matriz: 65913-1 / Gênero musical: Samba
Vem raiando a aurora,
Vai clareando o dia,
E vem o sol raiando, lá no céu,
Para findar nossa alegria.
(refrão)
A cuíca, lá no alto, ronca a noite inteira,
Embalando aquela gente, lá do morro de Mangueira,
E o samba se prolonga, até alta madrugada,
Mas o dia vem raiando, vai cessando a batucada.
(refrão)
Pra gozar a mocidade, fiz um samba no terreiro,
E tinha gente da Favela, da Mangueira e do Salgueiro,
E até mesmo da cidade, tinha gente que é "Dotô",
E que sambavam de verdade, pra mostrar o seu valô
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
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