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terça-feira, janeiro 30, 2018

Rasguei o teu retrato - Vicente Celestino

Vicente Celestino, em 1935, após breve temporada lírica no Teatro Santana de São Paulo (onde se apresentava ao lado de Gilda de Abreu, sua esposa, na ópera "Aida", de Verdi), deixou a Columbia (na qual, ao todo, fizera cinco discos) ligando-se à RCA. A primeira gravação na nova fábrica foi "Ouvindo-te", de sua autoria e "Rasguei o Teu Retrato" (tango-canção de Cândido das Neves).

Rasguei o teu retrato (tango-canção, 1935) - Cândido das Neves

Disco 78 rpm / Título da música: Rasguei o teu retrato / Autoria: Neves, Cândido das, 1899-1934 (Compositor) / Celestino, Vicente (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1935 / Nº Álbum 33969 / Gênero musical: Tango canção


Tu disseste em juramento
Entre o véu do esquecimento
Que o meu nome é uma visão
Tu tiveste a impiedade
De sorrir desta saudade
Que me mata o coração !

Se um retrato, tu me deste
Foi zombando, tu disseste
Do amor que te ofertei.
E eu, em lágrimas desfeito
Quantas vezes, junto ao peito
Teu retrato conservei.

Eu sei também ser ingrato,
Meu coração, bem, vês, já não te quer:
Eu ontem, rasguei o teu retrato
Ajoelhado aos pés de outra mulher !

Eu que tanto te queria
Eu que tive a covardia
De chorar este amargor
Trago aqui despedaçado
O teu retrato, pois vingado
Hoje está, o meu amor


As sentenças, são extremas
Faço o mesmo, aos meus poemas
Rasgue os versos que te fiz
Não te comova, o meu pranto
Pois quem te amou, tanto e tanto,
Foi um doido, um infeliz !

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Eurístenes Pires

Eurístenes Pires, cantor, nasceu em Barbacena, Minas Gerais, em 10/5/1905 e era filho de um famoso médico mineiro, o Dr. João Alves de Almeida Pires. Começou a carreira artística por volta de 1919.

Estreou em discos pela Parlophon em 1928 com as canções Lábios formosos e O olhar da brasileira, de Pedro de Sá Pereira, gravadas com acompanhamento da Orquestra Parlophon.

No mesmo ano, gravou também com acompanhamento da Orquestra Parlophon a canção Oração da viola, de Pedro de Sá Pereira e a valsa Castelo de luar, de Joubert de Carvalho e J. Resende. Ainda nesse ano, gravou com a Hotel Itajubá Orquestra o tango Sonhando amor, de Zequinha de Abreu; a valsa Patrícia, de Roque Vieira e a habanera Teu olhar, de Luiz Cantagalli.

Em 1929, foi para a gravadora Columbia e lançou três discos com a modinha Íntima lágrima, de Cândido das Neves; as canções Canção de amor, de William Gordon, do filme Mulher enigma e Meu ranchinho; Lamentos de minh'alma e a valsa Triste juriti, de Carlinhos de Almeida e a valsa Não sei se te amo ainda, de Pedro Cabral todas com acompanhamento do Trio Ghiraldini.

No mesmo ano, gravou as canções Afrodita, de J. Moreira de Aguiar e Teu olhar, de Rosina Mendonça; a valsa Porque fingiste não me ver, de José Francisco de Freitas e o samba-canção Só farta é você querê, de Xerém e Gilberto Andrade.

Em 1930, gravou o tango No arraiá, de Milton Amaral e a canção A casa da serra, de Rosina Mendonça, com acompanhamento do Trio Ghiraldini.

Gravou quatro discos pela Parlophon com sete músicas e oito discos pela Columbia com dezesseis músicas.

Discografia

(1928) Lábios formosos / O olhar da brasileira • Parlophon • 78
(1928) Oração da viola / Castelo de luar • Parlophon • 78
(1928) Sonhando amor / Patrícia • Parlophon • 78
(1928) Teu olhar • Parlophon • 78
(1929) Lamentos de minh'alma / Não sei se te amo ainda • Columbia • 78
(1929) Íntima lágrima / Canção de amor • Columbia • 78
(1929) Meu ranchinho / Triste juriti • Columbia • 78
(1929) Afrodita / Teu olhar • Columbia • 78
(1929) A luz do teu olhar / O querido das mulheres • Columbia • 78
(1929) Xodó da morena / Porque fingiste não me ver • Columbia • 78
(1929) Caboquinha do norte / Só farta é você querê • Columbia • 78
(1930) No arraiá / A casa da serra • Columbia • 78

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

domingo, setembro 25, 2011

A última estrofe

A última estrofe (seresta, 1946) - Cândido das Neves (Índio) - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: A última estrofe / Neves, Cândido das, 1899-1934 (Compositor) / Gonçalves, Nelson, 1919-1998 (Intérprete) / Lacerda, Benedito, 1903-1958 (Acompanhante) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1946 / Nº Álbum 800413 / Lado: B / Gênero musical: Seresta

   Em             Am       Em 
A noite estava assim enluarada, 
          F              Em 
quando a voz já bem cansada 
      F#7   B7            Em                    B7 
eu ouvi       de um trovador  44 30 32 30 44 42 41 
     Em            Am            Em 
nos versos que vibravam de harmonia, 
        F          Em 
ele em lágrimas dizia 
       F#7  B7        Em 
da saudade    de um amor... 52 53 52 50 63 
   E7                       Am 
Falava de um beijo a- paixo-nado, 
62 60              60 62 64 50    50 52 53 52 
          F#º        Em   Em7M 
de um a- mor desesperado, 
 50    63  62 
         C7        B7    B7/F#   E7 
que tão cedo teve fim 
                      Am 
E desses gritos e tormentos, 
        F#º         Em   Em7M 
eu guardei no pensamento 
        F#7  B7           Em   B7 
uma estrofe    que era assim:   - 52 51 50 

  E/G#                  E/G# 
Lua,  52 51 54 52 51 50 64 
 64 
       B7           E 
vinha perto a madrugada, 
            B7/9           C#m 
quando, em ânsias, minha amada 
                      F#m 
nos meus braços desmaiou. 
                        F#m 
62 64 50 52 54 52 50 64 62 
                B7 
E o beijo do pecado 
        B7/F#      B7 
em seu véu estrelejado 
     B7/F#      E    B7 
a luzir glorificou.  - 52 51 50 
  E/G#                  E/G# 
Lua,  52 51 54 52 51 50 64 
 64 
         B7         E 
hoje eu vivo tão sozinho, 
                   C#7 
ao relento, sem carinho 
        C#7/G#       F#m     Am 
na esperança mais atroz, 
                          E 
de que cantando em noite linda 
         C#7         F#7 
esta ingrata, volte ainda, 
     B7   B7/F#         E    B7 
escutando      a minha voz   52 53 52 50 63 

      Em  F#º      Am   F#º      Em 
A estrofe    derradeira    merencórea 
62   60 
   F                Em   Em7M 
revelava toda a história 
        F#7  B7           Em                     B7 
de um amor     que se perdeu.  44 30 32 30 44 42 41 
     Em  F#º        Am  F#º       Em 
E a lua     que rondava    a natureza, 
     F               Em 
solidária com a tristeza 
          F#7    B7         Em 
entre as nuvens    se escondeu.  52 53 52 50 63 
    E7                    Am 
Cantor que assim falas à lua, 
62 60            60 62 64 50    50 52 53 52 
          F#º             Em  Em7M 
minha história é igual à tua 
50 63    62 
      C7           B7    B7/F#   E7 
meu amor também fugiu. 
                    Am 
Disse eu em ais convulsos 
       F#º         Em   Em7M 
Ele então entre soluços 
           F#7  B7      Em   B7 
toda a estrofe     repetiu.  - 52 51 50 

  E/G#                  E/G# 
Lua,  52 51 54 52 51 50 64 
 64 
       B7           E 
vinha perto a madrugada, 
            B7/9           C#m 
quando, em ânsias, minha amada 
                      F#m 
nos meus braços desmaiou. 
                        F#m 
62 64 50 52 54 52 50 64 62 
                B7 
E o beijo do pecado 
        B7/F#      B7 
em seu véu estrelejado 
     B7/F#      E    B7 
a luzir glorificou.  - 52 51 50 
  E/G#                  E/G# 
Lua,  52 51 54 52 51 50 64 
         B7         E 
hoje eu vivo tão sozinho, 
                   C#7 
ao relento, sem carinho 
        C#7/G#       F#m     Am 
na esperança mais atroz, 
                          E 
de que cantando em noite linda 
         C#7         F#7 
esta ingrata, volte ainda, 
     B7   B7/F#         E    B7                Em 
escutando      a minha voz   52 53 52 50 63 62 60 

quarta-feira, abril 05, 2006

Cândido das Neves

Cândido das Neves, apelidado de "Índio", compositor, cantor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 24/07/1899 e faleceu em 04/11/1934. Filho do popular cantor e palhaço Eduardo das Neves, começou a se interessar pelo violão desde os cinco anos de idade. O pai, no entanto, queria que ele tivesse instrução e por isso colocou-o num colégio interno. 


Em 1917, porém, já aparecia como integrante do rancho Heróis da Piedade. Concluiu seus estudos, tendo perdido o pai a 11 de novembro de 1919, dia de sua formatura. Empregou-se como funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil, tornando-se conferente de estação.

Nessa época já compunha e fazia serestas pelas madrugadas cariocas, com seus colegas de trabalho Henrique de Melo Moraes (tio de Vinícius de Moraes) e Uriel Lourival, entre outros. Em 1922 gravou, cantando, Saudades do sertão e o fox-trot Quadra de amor na Odeon (em discos mecânicos da Casa Edison), composições suas. Por 1925-1926 foi transferido para Conselheiro Lafaiete MG, onde passou um ano, continuando a cantar e tocar nas serestas com os companheiros da Central do Brasil.

Sua primeira gravação de sucesso foi o tango Noite cheia de estrelas (inspirado no tango Madre de Francisco Pracanico e Verminio Servetto, de muito sucesso na época), gravado em 1932, já na fase elétrica, por Vicente Celestino. Suas letras, sempre muito extensas, cantavam a natureza duma forma romântica, tornando-se muito apreciadas pelo público. Por volta de 1930 apresentou-se, algumas vezes, no programa de Gastão Lamounier na Rádio Educadora da Brasil, com Melo Moraes.

Em 1932 gravou com Melo Moraes, fazendo a segunda voz, as canções-sertanejas Rosa morena e Luar de minha terra (ambas de sua autoria). Nessa mesma época compôs Versos de longe, gravada por Melo Moraes. Em suas apresentações era aplaudido não só pelos seus versos e voz, como também pela sua execução no violão. Dedicou-se também ao ensino, pois escrevia e lia música. Sempre fiel à modinha popular, compôs também valsas, serestas e tangos. Nessa época começou a se afastar gradativamente das rodas boêmias, por problemas de saúde.

Em 1934, ganhou o primeiro lugar no concurso de músicas carnavalescas da revista O Malho, na categoria samba, com Perdi o meu pandeiro, que não foi gravado. Sofria já de tuberculose galopante na laringe, que o levou à morte.

Muitas de suas músicas, que se tornaram grandes sucessos, só vieram a ser gravadas após seu desaparecimento. Entre elas se encontram A última estrofe, inicialmente gravada em 1932 par Fernando Castro Barbosa, regravada por Orlando Silva em 1935, e que viria a ter gravações de Vicente Celestino, Nelson Gonçalves e Sílvio Caldas; Lágrimas, gravada por Orlando Silva em 1935; Apoteose do amor, gravada em 1936 por Orlando Silva; e Página de dor, feita em parceria com Pixinguinha, gravada por Orlando Silva em 1938, na Victor.

Algumas músicas









Obra completa

Abismo de amor, valsa, 1931; Anjo enfermo, canção, 1933; Apoteose do amor, valsa, 1936; Um beijo só (com Bonfiglio de Oliveira), samba, 1932; Cabocla serrana, canção, 1932; Canção do ceguinho, canção, 1930; Castelos de areia, valsa, 1935; Cinzas, valsa, 1937; Cinzas do amor, canção, 1930; Com iaiá é assim, samba-canção, 1930; De tanga, samba, 1930; Dileta, tango-canção, 1932; E nada mais, tango-canção, 1932; Em delírio, canção, 1936; Entre lágrimas, canção, 1932; Foi muamba (com Pixinguinha), samba carnavalesco, 1930; Fonte abandonada (com Pixinguinha), canção, 1930; lnfeliz amor, tango-canção, 1931; Íntima lágrima, valsa-modinha, 1929; Jura de Caboclo, canção regional, 1932; Lágrimas, valsa-canção, 1935; Lenda sertaneja, canção sertaneja, 1930; Luar de minha terra, canção sertaneja, 1933; A maior descoberta, marcha, 1934; Nas asas brancas da saudade, valsa, 1933; Nênias, tango canção, 1929; Noite cheia de estrelas, tango, 1928; A órfã, canção, 1933; Página de dor (com Pixinguinha), valsa, 1938; Para sempre adeus, valsa, 1933; Por que gosto de você, samba, 1930; Rancho abandonado (com Pixinguinha), canção, 1930; Rasguei o teu retrato, tango-canção, 1935; Renúncia em prantos (com Juca Kalut), canção, 1933; Rosa morena, canção sertaneja, 1933; Sim, mas desencosta, samba-canção, 1930; A última estrofe, noturno, 1932; Vangelina, canção, 1933; Versos de longe, 1933; Voltaste, canção dolente, 1937.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.