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sexta-feira, junho 20, 2014

Figuras de cartaz: Dilu Melo

"Outro dia eu vi Dilu Melo na Mayrink Veiga. Estava dentro de um cubículo aprendendo uma canção que a Sylvinha lhe ensinava. As duas possuem os olhos pequeninos, tem Melo no sobrenome, cantam no rádio, e se dedicam a gêneros semelhantes.

— Aquela é a Dilu — me disseram.

— Aquela? — perguntei espantado.

Achei a cantora do folclore minúscula demais. Tão minúscula quanto os olhos microscópicos de Sylvinha Mello. Pela vidraça eu a via cantar mas não ouvia coisa alguma. Dilu lá dentro parecia um peixinho num aquário abrindo e fechando a boca. Sylvinha, por exemplo, era um peixinho maior. O piano parecia uma espécie de baleia e o pianista o domador da baleia.

Daí a pouco a folclorista saiu e passou por junto a mim meio apressada. Em cima do seu chapéu preto havia uma peninha para atrapalhar. Saiu miudinha, ligeirinha, nervosinha e lá se foi pelo meio do povo. A peninha qual um periscópio, localizava-a onde estivesse.

Quis me aproximar dela, conversar um pouco, lhe perguntar a idade, o lugar de nascimento, as mais recentes composições de sua lavra, a distância que vai entre os dois vizinhos que são o cimo de sua cabeça e o solado dos seus pés, tive vontade de lhe perguntar uma porção de coisas para poder traçar, nestas mal traçadas linhas, modéstia à parte, sua caricatura.

Dilu nasceu em Viana/MA, em 25/9/1913
Mas me disseram que Dilu quando encontra alguém, gosta muito de conversar. E nessa conversa mostra todas as suas recentes composições, inclusive as de parceria com os Santos Meira. E não mostra, apenas. Vai mais longe. Canta, esteja onde estiver, uma por uma, todas as modinhas e peças lembrando a musa de sua terra, o Maranhão. O interlocutor pode lhe ponderar, manso:

— Mas você tenha paciência, Dilu. Eu não posso lhe ouvir agora. Tenho que sair logo para um encontro marcado ...

E ela, procurando tranquilizar o ouvinte:

— Espere um pouco. Escute somente essas dezoito canções que eu fiz ontem de um fôlego só ...

O meu informante acrescentou:

— Se você que falar com ela, fale logo hoje que é melhor.

— É melhor por que?

Explicou-me:

— Diariamente a Dilu compõe umas vinte a trinta músicas. E a pessoa com quem ela conversar terá de ouvir tudo quanto foi composto durante a semana. Hoje é terça-feira e ainda há pouca coisa preparada, sem falar na produção do mês anterior ... Melhor é lhe ser apresentado agora do que daqui a seis meses. Se você quer, podemos aproveitar. Aí vem a artista ...

Respondi:

— Não. Deixa ... Teria muito prazer em conhece-la porque afinal a pequena é inteligente, canta com agrado e escreve umas composições deliciosas. Mas acontece que eu agora tenho um encontro marcado e não posso ..."




Fonte: "Carioca" — Edição 90, de 10/7/1937 — Caricaturas: Escrita por Theofilo de Barros e desenhada por Augusto Rodrigues

terça-feira, junho 18, 2013

Noelia Noel

Noelia Noel (Noelia Cozzi), bailarina, cantora e atriz de cinema, nasceu em Buenos Aires, Argentina, e foi uma das primeiras artistas, nos anos 1950, a se exibir nas rádios e TV do Japão, cantando músicas brasileiras, antecedendo de muito o sucesso da MPB pós bossa nova naquele país.


A jovem estudava balé na Escola Nacional de Bailados da municipalidade portenha, porém tinha admiração também, ao lado do clássico, pela música popular. À convite de um diretor cinematográfico, empolgado pela harmonia de seus gestos na dança, e após bem-sucedido teste, assinou contrato com a Argentina Sonofilmes, onde tomou parte em três películas como Casa de bonecas, Stela Maris e A doutora quer tangos. Porém, Noelia não estava satisfeita: percebeu que o cinema não era o seu objetivo.

Depois de estrear no cinema, não teve dificuldade em conseguir uma chance para cantar no rádio. Assim aconteceu, na capital platina e nas cidades de turismo próximas, como Mar Del Plata e Córdoba. Depois veio o triunfo: temporadas no Chile e Montevidéu, nas rádios Carve e Espectador.

Com a volta a Buenos Aires firmou contrato para atuar na boate Embassy onde permaneceu durante algum tempo. Até que um dia, foi vista ali cantando, por pessoa ligada a direção da boate carioca Night and Day e, em poucos dias, estava com um contrato para vir cantar no Rio de Janeiro.

Na boate Night and Day, suas atuações obtiveram tal agrado que permaneceu quatro meses em cartaz. Isto constituiu um recorde, naquela época, de permanência de um artista estrangeiro, não só no Night and Day, como em qualquer outra boate nacional.

Pouco depois estreava na rádio Tupi e na TV Tupi. Na televisão, Noelia apareceu por ser bonita e fotogênica, conforme sempre acontece, mas também destacou-se por ser uma artista do canto popular.

Em 1953, ainda no Brasil, gravou pela Continental os boleros Milagro, de Margarita Lecuona, e Mi felicidade, de Dilu Melo.

Em 1956, apresentou-se no Japão na peça La Cumparsita na qual se apresentou cantando músicas brasileiras. Na mesma época apresentava um programa na TV e outro na rádio japonesa. No mesmo ano, escreveu um artigo para a Revista do Rádio no qual afirmava "No Japão, estão muito entusiasmados com o baião e com a marcha brasileira, por isto estou incitando os empresários para que mandem buscar artistas brasileiros."

Em 1961, de volta ao Brasil gravou pela RCA Victor com acompanhamento de orquestra o bolero Me dá risada, de Francisco Yoni e Edmundo Arias, que foi sucesso na voz de Edith Veiga em versão para o português, e o rock-balada En el Boulevard, de Hector Horácio Santos.

Eclética, atuou também no teatro (Rio e São Paulo) e nas TVs de Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Recife e São Paulo, mais tarde com programas fixos na TV Continental e TV Paulista.

Discografia


1953 Milagro/Mi felicidad • Continental • 78
1961 Me dá risada/En el Boulevard • RCA Victor • 78

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Fontes: A Cena Muda, de 06/01/1954; Revista da Semana, de 26/11/1955; Revista do Rádio, de 10/07/1954, 05/03/1955 e 18/05/1957.

sábado, junho 15, 2013

Reis da sanfona no rádio

Dilu Melo, uma discípula de Antenógenes que faz honra ao mestre. Ela está hoje na Rádio Nacional

Antenógenes Silva figura de primeiro plano — “Saudades do Matão”, êxito do esposo de Lea Silva — Luís Gonzaga e o “Cortando o pano” — Dilu Melo aprendeu acordeom em duas horas — Sua preferência pelo gênero clássico — Pedro Raimundo, o gaúcho de Santa Catarina tocando de ouvido desde os oito anos.


Se o violão ocupa lugar de destaque no broadcasting nacional, nada lhe fica a dever a sanfona, granfinamente chamada de acordeon. Trata-se de um instrumento musical composto de linguetas metálicas que são postas em vibração por um fole. É uma espécie de harmônico portátil, segundo definição do mestre Antenor Nascentes, no Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa.

Sua introdução no rádio precedeu os chamados programas caipiras, hoje em desuso. Isto, porém, não impediram os acordeonistas de conquistarem a posição definitiva nas emissoras cariocas, como nos casos de Dilu Melo, Luís Gonzaga e Pedro Raimundo, considerados os “reis da sanfona”.

É que atraindo a atenção do grande público para suas execuções e arranjos musicais, quebraram o tabu existente em torno do violão. Este passou a ficar para trás, uma vez que são raríssimos os violonistas que se apresentam isolados. A maioria integra os conjuntos nacionais, o que não acontece com os acordeonistas, que se exibem sem a interferência de outros instrumentos.

O mestre Antenógenes
Em se falando de tocadores de sanfona, o nome de Antenógenes Silva figura em primeiro plano, apesar de ultimamente ele se achar afastado do rádio. Exímio acordeonista, cedo se popularizou no meio radiofônico brasileiro, passando seu nome a figurar com destaque na lista de nossas fábricas de gravações, uma vez que todos os seus números agradavam em cheio.

Não é de hoje o sucesso de Saudades de Matão, belíssima composição e que Antenógenes Silva soube realçar no seu instrumento, tornando-a um dos números mais ouvidos e reclamados em todo o Brasil. Outras melodias típicas do riquíssimo folclore nacional ganharam na execução do esposo de Lea Silva muito de sua beleza, tal o sentimento com que este as executa.

Um dos primeiros acordeonistas com que contou o broadcasting carioca, procurou sempre ser sincero na sua arte, estudando os números com que se apresentava ao microfone das emissoras cariocas, em audições que se tornaram memoráveis. Mesmo assim, Antenógenes jamais se deixou influenciar pela vaidade, chegando ao incentivo dos que o procuravam, como ainda procuram, desejosos de lições e conselhos. Sanfoneiro rasgado, no dizer dos entendidos, ele hoje vive absorvido com o comércio, embora nos momentos de folga pegue o acordeom para reviver velhos sucessos.

Como seus rivais na sanfona, é ainda autor de um punhado de melodias de enorme aceitação, algumas das quais gravadas por si próprio, como Saudades de Matão, que ele indiscutivelmente o maior êxito de sua carreira. E, se como compositor ele é respeitado, como sanfoneiro não há que lhe negar o título de um dos "reis" desse instrumento.

Luís Gonzaga cortando o pano


Luís Gonzaga deve grande parte de sua fama à sanfona. Perito na execução de seus próprios números, pois como é sabido, o artista pernambucano é autor de muitas composições de sucesso, ele firmou-se na constelação radiofônica, como sanfoneiro de mérito indiscutível. Ouvir-lhe os programas é constatar seu predomínio sobre o instrumento que os sertanejos chamam de harmônica.

Professor de si mesmo, Luís Gonzaga começou a tocar em Pernambuco, vindo mais tarde a se tornar um nome conhecido de quantos acompanham o desenvolvimento do broadcasting nacional.

Aqui no Rio, abrilhantou várias audições da Rádio Clube do Brasil, ao tempo em que Renato Murce apresentava cuidadoso programa sertanejo. Foi nessa estação que seu cartaz começou a subir, a ponto de a Rádio Nacional oferecer-lhe vantajoso contrato, logo por ele firmado.

Ao acordeom, o exclusivo da PRE-8 tem criado os maiores êxitos musicais de sua carreira artística, sendo de destacar a rancheIra Cortando pano, em que ele tem como parceiro J. Portela. O número em apreço marcou autêntico sucesso, sendo bisado na maioria das audições de nosso focalizado, além de bater extraordinário recorde de venda em discos. Isto, por se tratar de uma composição adequada para a sanfona, tal o pitoresco de que se reveste.

Executante de mérito, Luís Gonzaga constitui autêntica atração dos programas de estúdio da PRE-8, inclusive "Tancredo e Trancado", em que se apresenta tocando interessantes paródias, tão do estilo humorístico de nossos sertanejos e nas quais ele se sente à vontade para mostrar suas qualidades do primeiro time.

Dilu Melo é do clássico


Dilu Melo nasceu no Maranhão. Viveu a vida dos campos, ouvindo a toada triste do boiadeiro e o lamento dos cegos que cantam e tocam para viver. Sua existência ficou presa à sanfona, instrumento que prefere ao violão. Tal como Luís Gonzaga, Antenógenes Silva e Pedro Raimundo, a folclorista patrícia faz malabarismos no mesmo, executando de preferência composições clássicas de Liszt, Brahms, Chopin e outros grandes mestres. Aliás, Dilu Melo pretende abandonar o gênero popular para se dedicar exclusivamente ao gênero sério, embora deva àquele um dos seus maiores êxitos, qual seja o conquistado com Fiz a cama na varanda, de sua própria autoria e Ovídio Chaves cuja venda se estende por alguns milhares de discos.

Também “Coisas do Rio Grande”, polca muito movimentada é outro número em que a temos demonstrando suas qualidades de maioral da sanfona. Dilu Melo, ao contrário do que muitos pensam, não teve mestre. Unicamente foi incentivada por Antenógenes Silva que, por sinal, lhe vendeu por dois mil cruzeiros um acordeom pequeno, no qual ela começou a se exercitar. Logo no primeiro dia, levou duas horas seguidas, subindo e descendo uma escada de dezessete degraus, com o instrumento ao ombro, num treino persistente. Findo este, começou a executar um número do seu repertório e dois dias depois, comparecia ao programa de Lea Silva, esposa de Antenógenes para tocar a valsa “Serenô”, de Antonio de Almeida.

Hoje, com enorme prejeção no cenário radiofônico, Dilu Melo continua fiel à sanfona, possuindo o que de mais moderno existe no gênerqueso. Sua execução perfeita acaba de entusiasmar os norte-americanos, que, ouvindo uma de suas gravações, solicitaram dados e fotografias, sendo de esperar vantajosa proposta. O interesse dos ianques por Dilu Melo é antigo. Data de quando a querida artista visitou as bases do nordeste, executando foxes e swings na sanfona. Houve até certo empresário que procurou entrar em negociações com a exclusiva da Nacional, porém sérios compromissos não permitiram seu afastamento do Brasil. Nome conhecido em todo o continente sul-americano, Dilu Melo é, indiscutivelmente, uma das melhores acordeonistas com quem conta o nosso broadcasting.

Um gaúcho de Santa Catarina


Pedro Raimundo, esse "gaúcho rasgado" (nota do blogueiro: gaúcho largado!) nascido na cidade de Imaruí no Estado de Santa Catarina, é outro rei da sanfona. Começando a tocar em gaita de Boca, cedo se viu entusiasmado pela harmônica, passando a treinar num instrumento de um carreiro. E ao completar oito anos de idade, já então na cidade de Laguna, ele animava os bailes, executando números variados do folclore sulino.

Tocando de ouvido, uma vez que desconhece música, isto não o impediu de triunfar entre quantos tocam acordeom, a ponto de ser chamado ao Rio Grande do Sul, onde passou a tomar parte em reuniões familiares. A seguir, por insistentes pedidos dos catarinenses, ele recebeu convite para se apresentar ao microfone da Rádio Farroupilha, onde assinou um contrato por sessenta dias. Nessa ocasião, organizou o "Quarteto de Tauras", o qual deu larga expansão ao folclore rio-grandense. Eis quando a Rádio Sociedade Gaúcha o contratou para uma temporada, que se prolongou pelo curto espaço de quatro anos.

Entusiasmado pela execução de Pedro Raimundo, os rio-grandenses organizaram um livro de ouro, destinado a custear a sua viagem ao Rio, com o fim de ele gravar as composições típicas do cancioneiro gaúcho.

Desse modo, ele veio parar na Cidade Maravilhosa, tendo de enfrentar as maiores dificuldades para vencer aqui. Aliás, deve-se a Oduvaldo Cozzi seu ingresso no cast da Rádio Mayrink Veiga, onde ele passou a tomar parte num programa de Muraro. Aí se manteve por um mês, quando se transferiu para a Tupi, a convite de Teófilo de Barros, estação em que permaneceu por três meses. Findos estes, após uma viagem ao Sul, ele ingressou no cast da Rádio Nacional, por intermédio de Almirante, que o considerou elemento de primeira ordem. Nessa emissora, Pedro Raimundo se mantém até hoje, absorvendo a atenção dos ouvintes para números de acordeom.

Dentre as composições de invulgar sucesso do gaúcho de Santa Catarina, estão Adeus Mariana, Tico-tico no terreiro, Saudade de Laguna, Escadaria, Gaúcho largado, Lamentos, todas de autoria de Pedro Raimundo e gravadas em discos Continental. Tal como os artistas anteriores a que nos referimos, o exclusivo da PRE-8, integra a corte dos maiorais da sanfona. É ele um dos reis do acordeom, apesar de tocar de ouvido.

Outros acordeonistas existem pelo broadcasting carioca, porém de menor projeção no cenário radiofônico, razão de não os incluirmos entre os "reis" da sanfona".

(Reportagem de Armando Migueis)
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Fonte: A Cena Muda, de 5 de Agosto de 1947.

terça-feira, setembro 16, 2008

Qual o valor da sanfona

Dilu Melo
Qual o valor da sanfona (xote, 1949) - Dilu Melo e J. Portela - Intérprete: Dilu Melo

Disco 78 rpm / Título da música: Qual o valor da sanfona? / Dilu Melo (Compositora) / J Portela (Compositor) / Dilu Melo (Intérprete) / Rago e Seu Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 31/07/1948 / Lançamento: 03/1949 / Nº do Álbum: 16024 / Nº da Matriz: 10916-1 / Gênero musical: Schottish


Qual o valor da sanfona?
Eu perguntei ao mineiro
Ele foi me respondendo
Depende do sanfoneiro
Ele nasceu pra sanfona, ò dona
Vale um montão de dinheiro
Ele nasceu pra sanfona, ò dona
Vale um montão de dinheiro

Perguntei ao cearense
Dos lados do Quixadá
Depende só do valor
Que o sanfoneiro lhe dá
Quem sabe tocar sanfona, ò dona
Não precisa trabalhar
Quem sabe tocar sanfona, ò dona
Não precisa trabalhar

Também me disse um gaúcho
E vejo que tem razão
Não vale um mundo todo
Uma sanfona no galpão
Quando sopra o minuano, ò dona
Ela esquenta o coração
Quando sopra o minuano, ò dona
Ela esquenta o coração


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Ovídio Chaves

Ovídio Chaves e Dilu
(A Cena Muda, 1958)
Ovídio Chaves (Ovídio Moojen Chaves), compositor, escritor e instrumentista, nasceu em Lagoa Vermelha RS em 29/7/1910 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 2/8/1978. O pai, comerciante, tocava bandônio e o incentivou no gosto pela música, que começou a estudar aos sete anos.

Em 1932 foi aluno de José Lucchesi no Conservatório de Música de Porto Alegre RS, mas desde 1925 já trabalhava como violinista de orquestra, acompanhando projeções de cinema mudo em Lagoa Vermelha.

Na capital gaúcha foi redator do jornal Correio do Povo. Além do violino, tocava violão; em 1939 estreou como compositor com Fiz a cama na varanda (com Dilu Melo), gravada pela parceira em 1941, na Continental. A música transformou-se no grande sucesso de sua carreira, sendo mais tarde gravada, entre outros, por Inezita Barroso, Dóris Monteiro, Nara Leão, Cantores de Ébano, a Orquestra de Radamés Gnattali, conjuntos de rock e, ainda, na França, em versão.

Em 1942 compôs Alecrim da beira d’água, seguida em 1943 por Menino dos olhos tristes. Dois anos depois compôs o xote Rede de Maria. Em parceria novamente com Dilu Melo, lançou em 1951 a polca Meia-canha. Entre suas músicas posteriores mais importantes, destaca-se a Toada do jangadeiro (com Enoque Figueiredo), de 1962. Em 1967 recebeu o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, no gênero poesia.

Tem cerca de vinte composições gravadas. Publicou os livros de poesias O cancioneiro, Porto Alegre, 1933; O anel de vidro, Porto Alegre, 1934; Uma janela aberta (foto), Porto Alegre, 1938; ABC de Paquetá, Rio de Janeiro, 1965; e o romance Capricornius, Porto Alegre, 1945.

Obras

Alecrim da beira d’água, 1942; Fiz a cama na varanda (c/Dilu Melo), 1939; Meia-canha (c/Dilu Melo), polca, 1951.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Dilu Melo

Dilu Melo (Maria de Lourdes Argolo Oliver), cantora, compositora e instrumentista, nasceu em Viana/MA, em 25/9/1913 e faleceu em no Rio de Janeiro/RJ, em 27/4/2000. Criada em Porto Alegre/RS, aos 13 anos ganhou medalha de ouro num concurso de piano, autando depois em algumas rádios.

Em 1938 foi para o Rio de Janeiro, estreando na Rádio Cruzeiro do Sul, surgindo então convite para apresentar-se na Rádio Kosmos de São Paulo. No mesmo dia da estreia, gravou um disco na Colúmbia, cantando as músicas Engenho d’água (com Santos Meira) e Coco babaçu (sua autoria). Depois, a serviço do Ministério da Educação, apresentou nossa música folclórica em vários Estados, bem como na Argentina, onde morou 2 anos.

Em 1944 gravou na Continental o segundo disco, também com músicas suas, o coco Sapo cururu e o xótis Fiz a cama na varanda (com Ovídio Chaves), esta o seu maior sucesso, regravada também em outros países. Atuou no Cassino Atlântico e foi contratada da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro. Como compositora, editou 98 músicas.

Em 1947 seu corrido Meu cavalo trotador (com Ademar Pimenta), gravado pelos Trigêmos Vocalistas, também fez sucesso no exterior. Em 1949 obtiveram êxito a canção Rolete de cana (com Osvaldo Santiago), o xote Qual o valor da sanfona (com J. Portela) e o jongo Conceição da praia (com Oldemar Magalhães), gravado por Marlene.

No total, gravou dez discos em 78 rpm, com 20 músicas, mais o LP Quadros brasileiros (1955, Odeon). Foi professora de dicção, empostação, danças folclóricas e história da música. Também escritora de peças infantis.

CDs: Músicas brasileiras vol. 3, 1994, Revivendo RVCD 075; Marlene, meu bem, 1996, Revivendo RVCD 107.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.