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segunda-feira, julho 08, 2013

Pereira Filho

Pereira Filho (O Malho - 1937)
Pereira Filho (João Pereira Filho), violonista, executante de cavaquinho, bandolinista e compositor, nasceu no Ro de Janeiro, RJ, em 22/09/1914, e faleceu na mesma cidade, em 12/12/1986. Filho do professor de violão e autor de um método para instrumentos de cordas, João Pereira, começou a tocar cavaquinho com quatro anos e, antes de aprender a ler, já tinha aulas de bandolim com seu pai. Ainda menino, já organizava conjuntos, com os colegas do curso primário, a fim de animar festinhas. Dedicou-se mais tarde ao violão, instrumento no qual se especializou.

Com apenas 11 anos, participou de um festival promovido pelo Instituto Nacional de Música. Tocou, a seguir, no espetáculo Reisados e cheganças, promovido pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, apresentado no Teatro Lírico. Compôs a primeira música, o solo para violão Variações sobre cateretê, em 1929.

Em 1930, passou a integrar a Orquestra de Napoleão Tavares. Em 1932, passou a integrar a Orquestra de Ioiô na qual permaneceu por oito anos.

Em 1933, lançou seu primeiro disco, pela Victor, interpretando a dança Jongo africano e a valsa Áurea, de sua autoria, ambas para violão solo.

Em 1936, gravou ao violão Variações sobre cateretê, de sua autoria. Em 1937, teve o samba canção Tua partida, parceria com Mário Morais gravada por Francisco Alves na Victor.

Em 1941, criou seu próprio conjunto com o qual passou a atuar. Em 1944, acompanhou no violão elétrico a cantora Dircinha Batista e o cantor Déo na gravação da valsa Continuas em meu coração e Déo no choro Cochichando, pela Continental.

Em 1945, gravou na Continental o choro Edinho no choro, de sua autoria.



Pereira Filho (Noite Illustrada, 29/8/1944)
Em 1951, acompanhou com seu conjunto na Todamérica o sanfoneiro gaúcho Pedro Raimundo na gravação da valsa Pingo mulato, do baião Oriental, da polca Fanfarronada e do choro Mágoas de sanfona, da rancheira Baú velhoe do corrido Corre, corre, meu cavalo, todas de Pedro Raimundo.

Em 1953, gravou na Continental o baião Conversa fiada e o bolero Serenata havaiana, ambos de sua autoria. No mesmo ano, gravou com seu conjunto o bolero Garoa e o dobrado Borba gato, os dois de sua autoria.

Em 1959, gravou na Todamérica o bolero Noite sem rumo, de sua autoria.

Trabalhou, ainda, como solista e diretor de orquestras e conjuntos regionais, em várias emissoras de rádio e televisão cariocas: Rádio Nacional, Rádio Mayrink Veiga, TV Tupi, TV Excelsior e TV Globo.

Obra


Áurea, Biquinho da chupeta (c/ Oldemar Magalhães e E . Cavalcanti), Borba gato, Conversa fiada, Edinho no choro, Garoa, Jongo africano, Noite sem rumo, Serenata havaiana, Variações sobre cateretê.

Discografia


1933 Jongo africano/Áurea • Victor • 78
1936 Variações sobre cateretê • Victor • 78
1945 Edinho no choro • Continental
1953 Conversa fiada/Serenata havaiana • Continental • 78
1953 Garoa/Borba gato • Continental • 78
1959 Conversa fiada/Noites sem rumo • Todamérica • 78
   
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Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Revista "O Malho", de outubro/1937

sábado, junho 15, 2013

Reis da sanfona no rádio

Dilu Melo, uma discípula de Antenógenes que faz honra ao mestre. Ela está hoje na Rádio Nacional

Antenógenes Silva figura de primeiro plano — “Saudades do Matão”, êxito do esposo de Lea Silva — Luís Gonzaga e o “Cortando o pano” — Dilu Melo aprendeu acordeom em duas horas — Sua preferência pelo gênero clássico — Pedro Raimundo, o gaúcho de Santa Catarina tocando de ouvido desde os oito anos.


Se o violão ocupa lugar de destaque no broadcasting nacional, nada lhe fica a dever a sanfona, granfinamente chamada de acordeon. Trata-se de um instrumento musical composto de linguetas metálicas que são postas em vibração por um fole. É uma espécie de harmônico portátil, segundo definição do mestre Antenor Nascentes, no Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa.

Sua introdução no rádio precedeu os chamados programas caipiras, hoje em desuso. Isto, porém, não impediram os acordeonistas de conquistarem a posição definitiva nas emissoras cariocas, como nos casos de Dilu Melo, Luís Gonzaga e Pedro Raimundo, considerados os “reis da sanfona”.

É que atraindo a atenção do grande público para suas execuções e arranjos musicais, quebraram o tabu existente em torno do violão. Este passou a ficar para trás, uma vez que são raríssimos os violonistas que se apresentam isolados. A maioria integra os conjuntos nacionais, o que não acontece com os acordeonistas, que se exibem sem a interferência de outros instrumentos.

O mestre Antenógenes
Em se falando de tocadores de sanfona, o nome de Antenógenes Silva figura em primeiro plano, apesar de ultimamente ele se achar afastado do rádio. Exímio acordeonista, cedo se popularizou no meio radiofônico brasileiro, passando seu nome a figurar com destaque na lista de nossas fábricas de gravações, uma vez que todos os seus números agradavam em cheio.

Não é de hoje o sucesso de Saudades de Matão, belíssima composição e que Antenógenes Silva soube realçar no seu instrumento, tornando-a um dos números mais ouvidos e reclamados em todo o Brasil. Outras melodias típicas do riquíssimo folclore nacional ganharam na execução do esposo de Lea Silva muito de sua beleza, tal o sentimento com que este as executa.

Um dos primeiros acordeonistas com que contou o broadcasting carioca, procurou sempre ser sincero na sua arte, estudando os números com que se apresentava ao microfone das emissoras cariocas, em audições que se tornaram memoráveis. Mesmo assim, Antenógenes jamais se deixou influenciar pela vaidade, chegando ao incentivo dos que o procuravam, como ainda procuram, desejosos de lições e conselhos. Sanfoneiro rasgado, no dizer dos entendidos, ele hoje vive absorvido com o comércio, embora nos momentos de folga pegue o acordeom para reviver velhos sucessos.

Como seus rivais na sanfona, é ainda autor de um punhado de melodias de enorme aceitação, algumas das quais gravadas por si próprio, como Saudades de Matão, que ele indiscutivelmente o maior êxito de sua carreira. E, se como compositor ele é respeitado, como sanfoneiro não há que lhe negar o título de um dos "reis" desse instrumento.

Luís Gonzaga cortando o pano


Luís Gonzaga deve grande parte de sua fama à sanfona. Perito na execução de seus próprios números, pois como é sabido, o artista pernambucano é autor de muitas composições de sucesso, ele firmou-se na constelação radiofônica, como sanfoneiro de mérito indiscutível. Ouvir-lhe os programas é constatar seu predomínio sobre o instrumento que os sertanejos chamam de harmônica.

Professor de si mesmo, Luís Gonzaga começou a tocar em Pernambuco, vindo mais tarde a se tornar um nome conhecido de quantos acompanham o desenvolvimento do broadcasting nacional.

Aqui no Rio, abrilhantou várias audições da Rádio Clube do Brasil, ao tempo em que Renato Murce apresentava cuidadoso programa sertanejo. Foi nessa estação que seu cartaz começou a subir, a ponto de a Rádio Nacional oferecer-lhe vantajoso contrato, logo por ele firmado.

Ao acordeom, o exclusivo da PRE-8 tem criado os maiores êxitos musicais de sua carreira artística, sendo de destacar a rancheIra Cortando pano, em que ele tem como parceiro J. Portela. O número em apreço marcou autêntico sucesso, sendo bisado na maioria das audições de nosso focalizado, além de bater extraordinário recorde de venda em discos. Isto, por se tratar de uma composição adequada para a sanfona, tal o pitoresco de que se reveste.

Executante de mérito, Luís Gonzaga constitui autêntica atração dos programas de estúdio da PRE-8, inclusive "Tancredo e Trancado", em que se apresenta tocando interessantes paródias, tão do estilo humorístico de nossos sertanejos e nas quais ele se sente à vontade para mostrar suas qualidades do primeiro time.

Dilu Melo é do clássico


Dilu Melo nasceu no Maranhão. Viveu a vida dos campos, ouvindo a toada triste do boiadeiro e o lamento dos cegos que cantam e tocam para viver. Sua existência ficou presa à sanfona, instrumento que prefere ao violão. Tal como Luís Gonzaga, Antenógenes Silva e Pedro Raimundo, a folclorista patrícia faz malabarismos no mesmo, executando de preferência composições clássicas de Liszt, Brahms, Chopin e outros grandes mestres. Aliás, Dilu Melo pretende abandonar o gênero popular para se dedicar exclusivamente ao gênero sério, embora deva àquele um dos seus maiores êxitos, qual seja o conquistado com Fiz a cama na varanda, de sua própria autoria e Ovídio Chaves cuja venda se estende por alguns milhares de discos.

Também “Coisas do Rio Grande”, polca muito movimentada é outro número em que a temos demonstrando suas qualidades de maioral da sanfona. Dilu Melo, ao contrário do que muitos pensam, não teve mestre. Unicamente foi incentivada por Antenógenes Silva que, por sinal, lhe vendeu por dois mil cruzeiros um acordeom pequeno, no qual ela começou a se exercitar. Logo no primeiro dia, levou duas horas seguidas, subindo e descendo uma escada de dezessete degraus, com o instrumento ao ombro, num treino persistente. Findo este, começou a executar um número do seu repertório e dois dias depois, comparecia ao programa de Lea Silva, esposa de Antenógenes para tocar a valsa “Serenô”, de Antonio de Almeida.

Hoje, com enorme prejeção no cenário radiofônico, Dilu Melo continua fiel à sanfona, possuindo o que de mais moderno existe no gênerqueso. Sua execução perfeita acaba de entusiasmar os norte-americanos, que, ouvindo uma de suas gravações, solicitaram dados e fotografias, sendo de esperar vantajosa proposta. O interesse dos ianques por Dilu Melo é antigo. Data de quando a querida artista visitou as bases do nordeste, executando foxes e swings na sanfona. Houve até certo empresário que procurou entrar em negociações com a exclusiva da Nacional, porém sérios compromissos não permitiram seu afastamento do Brasil. Nome conhecido em todo o continente sul-americano, Dilu Melo é, indiscutivelmente, uma das melhores acordeonistas com quem conta o nosso broadcasting.

Um gaúcho de Santa Catarina


Pedro Raimundo, esse "gaúcho rasgado" (nota do blogueiro: gaúcho largado!) nascido na cidade de Imaruí no Estado de Santa Catarina, é outro rei da sanfona. Começando a tocar em gaita de Boca, cedo se viu entusiasmado pela harmônica, passando a treinar num instrumento de um carreiro. E ao completar oito anos de idade, já então na cidade de Laguna, ele animava os bailes, executando números variados do folclore sulino.

Tocando de ouvido, uma vez que desconhece música, isto não o impediu de triunfar entre quantos tocam acordeom, a ponto de ser chamado ao Rio Grande do Sul, onde passou a tomar parte em reuniões familiares. A seguir, por insistentes pedidos dos catarinenses, ele recebeu convite para se apresentar ao microfone da Rádio Farroupilha, onde assinou um contrato por sessenta dias. Nessa ocasião, organizou o "Quarteto de Tauras", o qual deu larga expansão ao folclore rio-grandense. Eis quando a Rádio Sociedade Gaúcha o contratou para uma temporada, que se prolongou pelo curto espaço de quatro anos.

Entusiasmado pela execução de Pedro Raimundo, os rio-grandenses organizaram um livro de ouro, destinado a custear a sua viagem ao Rio, com o fim de ele gravar as composições típicas do cancioneiro gaúcho.

Desse modo, ele veio parar na Cidade Maravilhosa, tendo de enfrentar as maiores dificuldades para vencer aqui. Aliás, deve-se a Oduvaldo Cozzi seu ingresso no cast da Rádio Mayrink Veiga, onde ele passou a tomar parte num programa de Muraro. Aí se manteve por um mês, quando se transferiu para a Tupi, a convite de Teófilo de Barros, estação em que permaneceu por três meses. Findos estes, após uma viagem ao Sul, ele ingressou no cast da Rádio Nacional, por intermédio de Almirante, que o considerou elemento de primeira ordem. Nessa emissora, Pedro Raimundo se mantém até hoje, absorvendo a atenção dos ouvintes para números de acordeom.

Dentre as composições de invulgar sucesso do gaúcho de Santa Catarina, estão Adeus Mariana, Tico-tico no terreiro, Saudade de Laguna, Escadaria, Gaúcho largado, Lamentos, todas de autoria de Pedro Raimundo e gravadas em discos Continental. Tal como os artistas anteriores a que nos referimos, o exclusivo da PRE-8, integra a corte dos maiorais da sanfona. É ele um dos reis do acordeom, apesar de tocar de ouvido.

Outros acordeonistas existem pelo broadcasting carioca, porém de menor projeção no cenário radiofônico, razão de não os incluirmos entre os "reis" da sanfona".

(Reportagem de Armando Migueis)
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Fonte: A Cena Muda, de 5 de Agosto de 1947.

sexta-feira, abril 14, 2006

Pedro Raimundo

O grande catarinense Pedro Raimundo

Pedro Raimundo, compositor, cantor e instrumentista, nasceu em Imaruí (SC) em 29/6/1906, e faleceu no Rio de Janeiro (RJ)  em 9/7/1973. Filho do pescador e sanfoneiro João Felisberto Raimundo, começou a tocar sanfona aos oito anos.


Mais tarde integrou, em sua cidade, a banda Amor à Ordem, além de se apresentar em festinhas. Foi pescador até os 17 anos, quando passou a trabalhar na construção da Estrada de Ferro Esplanada-Rio Deserto( SC).

Casado desde 1926, morou em Lauro Muller, Blumenau e Laguna (SC), fixando-se em Porto Alegre (RS) em 1929. Na capital gaúcha foi condutor de bondes e inspetor de tráfego, tocando sanfona em cafés do Mercado, nas horas de folga.

Em 1939 foi chamado a trabalhar na Rádio Farroupilha, de Porto Alegre, onde organizou o Quarteto dos Tauras. Em 1942 excursionou pelo interior do Rio Grande do Sul e no ano seguinte foi ao Rio de Janeiro, onde se apresentou no Show Muraro, da Rádio Mayrink Veiga, e em programas da Rádio Tupi.

Em seguida Almirante o levou para a Rádio Nacional. Contratado pela emissora, transferiu-se definitivamente para o Rio de Janeiro, lançando ainda em 1943, pela Columbia, seu primeiro disco, com o choro Tico-tico no terreiro e o xótis Adeus Mariana (ambos de sua autoria).

Sua descontração e exuberância valeram-lhe o slogan de O gaúcho alegre do rádio: alternava, em suas apresentações, músicas alegres com outras sentimentais. Foi o primeiro artista típico gaúcho a alcançar fama nacional. Apresentava-se com bombachas, lenço no pescoço, botas, esporas, chapéu e guaiaca. Percebendo a aceitação do seu traje regional, Luiz Gonzaga sentiu-se estimulado a apresentar-se como sertanejo nordestino.

Atuou nos filmes Uma luz na estrada, de Alberto Pieralise, em 1949, e Natureza gaúcha, de Rafael Mancini, em 1958.



Obra

Adeus, Mariana, xótis, 1943; Adeus, moçada, polca, 1944; Chico da roda, chorinho, 1947; Escadaria, choro, 1944; Gaúcho largado, toada, 1944; Mágoas de amor, tango, 1945; Meu coração te fala, valsa, 1945; Na casa do Zé Bedeu, polquinha, 1947; Oriental, baião, 1954; Prece, tango, 1950; Sanfoninha, velha amiga, polca, 1961; Saudade de Laguna, valsa, 1943; Se Deus quiser, xótis, 1943; Tá tudo errado (c/Jeová Rodrigues Portela.); polca, 1948; Tico-tico no terreiro, choro, 1943.

Músicas: 










Veja também: 













Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.