Mostrando postagens com marcador cartola. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cartola. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, setembro 24, 2018

Não faz, amor - Francisco Alves


A amizade entre Cartola e Noel Rosa, pena, resultou em apenas dois sambas conhecidos: Qual foi o mal que eu te fiz e Não faz, amor. Este segundo foi comprado por Francisco Alves, de um Cartola doente, ardendo em febre. O Rei da Voz procurou Noel, pediu a ele que fizesse as segundas e gravou. Nem no disco nem na partitura aparece o nome de Noel, que abriu mão dos créditos dando a música de presente ao amigo (fonte: http://lameblogadas.blogspot.com/).

Não Faz, Amor (samba, 1932) - Cartola e Noel Rosa - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Não Faz, Amor / Cartola (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1932 / Nº Álbum 10927 / Gênero musical: Samba



Não faz, amor, deixa-me dormir
Oh, minha flor, tenha dó de mim
Sonhei, acordei assustado
Receoso que tivesses me enganado
(Eu não durmo sossegado)

Só tens ambição e vaidade
Não pensas na felicidade
E eu não descanso um momento
Por pensar que o teu amor é só fingimento
Mas eu vou entrar com meu jogo
E vou pôr à prova de fogo
A tua sincera amizade
Para ver se tu falaste verdade

Amar sem jurar é bem raro
O verbo cumprir custa caro
Amor é bem fácil de achar
O que acho mais difícil é saber amar
O mundo tem suas surpresas
Mas nós temos nossas defesas
Por isso eu estou prevenido
Pra saber se sou ou não traído

sábado, setembro 22, 2018

Qual foi o mal que eu te fiz - Francisco Alves

Qual Foi o Mal Que Eu Te Fiz (samba, 1932) - Cartola e Noel Rosa - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Qual Foi o Mal Que Eu te Fiz? / Cartola (Compositor) / Noel Rosa (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1932 / Nº Álbum 10995 / Gênero musical: Samba



Diz
qual foi o mal que eu te fiz?
Eu não
te farei essa ingratidão
Foi um palco contra nossa amizade
Não creias, não pode ser verdade

Não creias nestas mentiras
Que roubam nossa alegria
Os invejosos se vingam
Armados de hipocrisia

A mentira infelizmente
O mais forte amor destrói
Mas se eu não tenho remorso
O meu coração não dói

Diz
qual foi o mal que eu te fiz?
Eu não
te farei essa ingratidão
Foi um palco contra nossa amizade
Não creias, não pode ser verdade

Disseste que te enganei
Não sou tão fingido assim
Talvez queiras um pretexto
Para viver longe de mim

Disseram que eu traia
A nossa grande amizade
E tão criminosa a culpa
Que não pode ser verdade

segunda-feira, junho 03, 2013

Creusa

Creusa (Creuza Francisca dos Santos), cantora, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 27/03/1927, e faleceu na mesma cidade, em 02/02/2002. Nasceu no Morro da Mangueira e era filha de Agenor dos Santos e Rosa do Espírito Santos. O pai era amigo de Cartola e a mãe amiga de Deolinda. Quando Rosa faleceu em 1932, o casal Deolinda e Cartola (que viviam juntos desde 1925) resolveu adotar a menina, então com cinco anos.

Cartola compôs para ela O mundo é um moinho, que, de acordo com relatos anteriores, teria sido composta para a filha prostituta do compositor. Todavia, segundo depoimento da filha mais velha de Creusa, Irinéa dos Santos, Cartola compôs essa música tendo em vista sua passagem pela adolescência, e com a natural curiosidade de 16 anos por namoros. O compositor então expressou sua preocupação como qualquer pai em relação a uma menina adolescente.

Iniciou a carreira artística no final década de 1930 cantando em programas nas rádios Transmissora e Nacional, quando Cartola a levava para interpretar suas composições, o que era comum nesta época, cada compositor ter uma cantora para interpretar suas canções. Com isso, a menina aprendeu músicas que mais tarde, com a morte do pai, iria resgatar da memória, inclusive, várias inacabadas. Por essa época, integrou como corista o grupo As Gatas que acompanhava Herivelto Martins.

Na década de 1960 apresentou-se ao lado de Cartola em vários shows, entre eles na Boate Jogral, em Ribeirão Preto (São Paulo) e no Zicartola e Teatro Opinião, ambos no Rio de Janeiro. Também atuou em shows ao lado de Genaro da Bahia (Genaro Valfredo Bispo).

Em 1976 participou do segundo disco solo de Cartola lançado pelo selo Discos Marcus Pereira. No LP interpretou Ensaboa (Cartola e Monsueto) e Sala de recepção (Cartola), ambas em dueto com Cartola.

No ano de 1982, a faixa Ensaboa foi inserida no disco História da música popular brasileira, editado pela Abril Cultural S/A .

Em 1984, quatro anos após o falecimento do pai, participou do LP Cartola entre amigos. No disco, com produção artística e musical de João de Aquino e ainda pesquisa musical de Marília Trindade Barbosa e Arthur L. de Oliveira Filho, foram incluídas várias composições inéditas de Cartola, algumas relembradas por sua filha, que interpretou a inédita Rolam dos meus olhos e participou do coro nas faixas Não (Cartola e Aluízio Dias), O samba do operário (Cartola, Alfredo Português e Nelson Sargento) e Deus te ouça (Cartola e Paulo da Portela).

Em 1986 o compositor e violonista Aluízio Dias, fundador da Ala de Compositores da Mangueira e parceiro de Cartola, fundou também a Velha-Guarda da Mangueira e a convidou para participar como pastora. Com este grupo, e ao lado de outras pastoras como Dona Neuma, Tia Zélia, Soninha, Zenith, apresentava-se regularmente na quadra da escola. Três anos depois, em 1989, o produtor japonês Katsunori Tanaka produziu o primeiro disco da Velha-Guarda da Mangueira. No CD intitulado Mangueira chegou, interpretou a inédita Pedi perdão (Cartola) e em dueto com Aluízio Dias O amor é isso? (Aluízio Dias e Cartola).

Em 2000 o CD Mangueira chegou foi lançado no Brasil pela gravadora Nikita Music.

Em seu ultimo show, como integrante da Velha-Guarda da Mangueira na Sala Funarte Sidney Miller, apresentou duas composições inéditas de Cartola: Serviço de roça e Por motivos de força maior, ambas finalizadas pelo filho Reizilan, neto de Cartola.

Discografia

(1976) Cartola • Selo Discos Marcus Pereira • LP
(1982) História da música popular brasileira • Abril Cultural S/A • LP
(1984) Cartola entre amigos • Selo Funarte INM • LP
(1989) Mangueira chegou • Selo Office Sambinha LTDA • CD
(2000) Mangueira chegou • Nikita Music/Office Sambinha • CD
(2002) Acervo Funarte da música popular brasileira - Cartola entre amigos • Atração Fonográfica/Instituto Cultural Itaú • CD

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

domingo, setembro 09, 2012

Xangô da Mangueira


Xangô da Mangueira (Olivério Ferreira), cantor, sambista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro-RJ em 19/01/1923, e faleceu na mesma cidade em 07/01/2009. Originário do subúrbio carioca do Estácio, aos 12 anos começou a sair na Escola de Samba Unidos de Rocha Miranda e a compor seus primeiros sambas.

Em 1935 entrou para o G.R.E.S. da Portela, tornando-se conhecido como improvisador, numa época em que os sambas eram compostos por um estribilho fixo seguido de quadras improvisadas. Acompanhou Paulo da Portela, quando este foi para a Lira do Amor.

Em 1939 entrou para o G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira, depois de passar num teste como improvisador. Inicialmente, foi terceiro diretor de harmonia e três anos depois ingressou na ala dos compositores. Era quem puxava o samba-enredo na Avenida, passando o posto para Jamelão em 1951, quando ocupou o lugar de Cartola na direção de harmonia da escola.

Guarda de segurança aposentado, gravou para a Copacabana o LP Rei do partido-alto (seu apelido artístico) em 1972, com sambas cantados posteriormente por Martinho da Vila e Clara Nunes.

Em 1975, época em que cantava regularmente nos shows do Teatro Opinião, lançou o LP O velho batuqueiro, pela Tapecar, incluindo entre outras Carolina, meu bem (de sua autoria), Piso na barra da saia (com Rubem Gerardi), O namoro de Maria (com Aniceto) e No tempo dos mil-réis (com Sidney da Conceição).

Em dezembro de 1995, participou do show de comemoração do Dia Nacional do Samba, na Pracinha do Leme, no Rio de Janeiro, ao lado de Monarco, Walter Alfaiate e outros.

Em 1999, a gravadora Nikita Music lançou o CD Velha-Guarda da Mangueira e convidados, no qual participou como seu integrante.

No ano 2000, o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro lançou o CD duplo Mangueira - Sambas de terreiro e outros sambas, para o qual colaborou com preciosas informações sobre os compositores. Neste disco, participou cantando as faixas Cuidado que o vento te leva (Chico Modesto), Divergência (c/ Zagaia e Quincas do Cavaco), Diretor de harmonia (Zagaia), Vela acesa (Fandinho) e Sai da minha frente (Zagaia).

Em janeiro de 2001, apresentou-se, juntamente com Tantinho, em show na Gafieira Elite, no Rio de Janeiro. Em 2003, ao lado de Casquinha, Jorge Presença, Cláudio Camunguelo, Leci Brandão, Dona Ivone Lara, Arlindo Cruz, Ivan Milanez e Marquinho China, foi um dos convidados de Nei Lopes em projeto sobre o partido-alto apresentado no Centro Cultural Banco do Brasil.

Em 2004 interpretou Mineiro, mineiro (Rubens da Mangueira e Ivan Carlos) no CD Sabe lá o que é isso?, do grupo carioca Cordão do Boitatá. Apresentou-se no Bar, Restaurante e Casa de Shows Feitiço Mineiro, no projeto "Gente do Samba", acompanhado do grupo Samba Choro integrado por Evandro Barcellos (violão de sete cordas), Valerinho (cavaquinho), Chico Lopes (sax e flauta), Kunka (surdo) e Makley (pandeiro e vocais).

Em 2005, com Marquinhos China, Silvino da Silva, Marli Teixeira e Tantinho da Mangueira, apresentou o show "Partideiros e calangueiros", dentro do projeto Na Ponta do Verso, do Centro Cultural Banco do Brasil. Neste mesmo ano lançou o livro Xangô da Mangueira - recordações de um velho batuqueiro, com apresentação de Nei Lopes e no qual constou encartado um CD com 11 faixas.

Ainda nesse ano Luciane Menezes e a Associação Brasileira Mestiço produziram o disco Samba em pessoa, no qual constou uma seleção de composições de Xangô da Mangueira apresentadas através dos anos na Festa da Penha, no Teatro Opinião, nas festas de candomblé e nas quadras de escolas de samba, muitas delas inéditas.

Faleceu nos primeiros dias do mês de janeiro de 2009. Em sua homenagem a Prefeitura da cidade deu nome a uma rua em frente à quadra da escola, Mangueira, a qual foi integrante da bateria por mais de 50 anos.

Em 2010 foi tema do projeto "República do Samba", que celebrava 10 anos de existência, em um tributo realizado no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, em Santa Teresa (RJ).

Obras

Amaralina (c/ Waldomiro do Candomblé), Arigó (c/ Batelão), Carolina, meu bem, Catimbó (c/ Waldomiro do Candomblé), Cheguei no samba (c/ Rubem Gerardi), Clareia ahi (c/ Jamelão), Coração em festa (c/ Padeirinho), Dança do caxambu (c/ Jorge Zagaia), Divergência (c/ Zagaia e Quincas do Cavaco), E cantador (c/ Baianinho), Formiguinha pequenina, Harmonia bonita, Isso não são horas (c/ Catoni e Chiquinho), Lá vem ela, Louvação aos grandes e aos pequenos (c/ Waldomiro do Candomblé), Mangueira, Moro na roça (c/ Zagaia), Não adianta falar mal de mim (c/ Waldomiro do Candomblé), Não xinxa o boi (c/ Nilo da Bahia), No tempo dos mil-réis (c/ Sidney da Conceição), O namoro de Maria (c/ Aniceto do Império), O pagode levanta poeira (c/ Jorge Zagaia), O samba nasceu no morro (c/ Tio Doca), Olha o partido (c/ Rubem Gerardi), Partido da remandiola (c/ Waldomiro do Candomblé), Pau da Ibrauna (c/ Walter da Imperatriz), Piso na barra da saia (c/ Rubem Gerardi), Quando eu vim de Minas, Quem fala alto é gogó (c/ Nilton Campolino), Quilombo (c/ Nilton Campolino), Recordações de um batuqueiro (c/ João Gomes), Se o pagode é partido (c/ Geraldo Babão), Se tudo correr bem (c/ Waldomiro do Candomblé), Velho batuqueiro, Vem rompendo o dia (c/ Tantinho da Mangueira), Vim da Bahia (c/ Sidney da Conceição), Você me balançou (c/ Wilson Medeiros e Waldomiro do Candomblé), Você não é não (c/ Alcides Malandro Histórico).

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Ed., 1977. 3p.; Dicionário Cravo Albin da MPB. 

segunda-feira, março 19, 2012

Cartola pôs a medalha no prego

Cartola (Angenor de Oliveira) condecorado pela Sra. Ilka Labarthe, vencedor do concurso de música de escola de samba promovido pelo jornal "O País", em janeiro de 1937.

“Medalha de sambista não fica no peito vai pro prego” - Evidentemente, Cartola ou qualquer outro sambista que conquistasse uma medalha de ouro como prêmio por ter sido o primeiro entre os compositores de Escolas de Samba, ficaria bastante envaidecido. Teria mesmo orgulho, o prazer de botar banca ostentando espetada no blusão, a reluzente láurea alcançada numa competição oficializada pelo Departamento de Turismo da capital dos Estados Unidos do Brasil. Mas a escassez de erva (ou de tutu, como é a gíria de hoje) não lhe permitia tão arrogante alarde.

Assim, o já famoso autor de tantas letras e melodias que carreavam para a sua Escola, a Estação Primeira, do Morro da Mangueira, prestígio e vitórias no Carnaval, tinha que fazer uma hipoteca de pobre. Passada a euforia da festa, ainda com ruído dos aplausos nos ouvidos, dirigiu-se à agência de penhores da Caixa Econômica, na Praça da Bandeira, e botou a bonita medalha no prego. Da conversão simples resultou mais de um conto de réis que na época, 1937, dava “pra resolver muito troço”.

O turismo incentiva o samba

Interessando-se pelos festejos carnavalescos, procurando dar-lhes maior interesse turístico, o Departamento que tinha tal atribuição no governo da cidade resolveu patrocinar um concurso entre sambistas dos morros. Sugerido pelo saudoso cronista Enfiado (Luiz Nunes da Silva) que com o veterano Vagalume (Francisco Guimarães) movimentavam as páginas do noticiário momístico de A Pátria, de Antenor Novaes, o certame Vol oficializado. E para que a sua realização tivesse o melhor êxito possível, o Sr. Wolf Teixeira, diretor do referido departamento deu-lhe ampla assistência.

Foi, pois, no grande e confortável auditório da Feira de Amostras, com a presença da diretoria da União das Escolas de Samba e presente numeroso público, que se travou a importante competição musical. Com tal promoção incentivava-se o samba e ao mesmo tempo o Carnaval carioca, que com o surgimento das Escolas (em progressiva substituição dos ranchos) ganhava nova característica artístico-recreativa, animava a inovação. As melodias dos morros, os cânticos de sua gente humilde seriam mostrados ao povo das ruas asfaltadas num espetáculo de excelente significação folclórica.

Cartola canta e “abafa”

Na noite do concurso, perante um júri constituído por Wolf Teixeira (diretor do Departamento de Turismo), Henrique Pongetti (escritos e jornalista), Ayres de Andrade (diretor artístico da Rádio Tupi), llka Labarthe (do Departamento de Propaganda) e Robert Evan (diretor da RCA Victor) apresentaram-se os representantes das Escolas inscritas. Chamado pelo nome ou apelido, o concorrente cantava suas composições e os cinco juízes iam dando-lhe a classificação merecida. Havia também, é claro, a ovação, o clássico “já ganhou!, já ganhou!” da torcida organizada.

Quando foi chamado Angenor de Oliveira, o Cartola, que iria defender as cores rosa e verde da Estação Primeira do Morro da Mangueira, a assistência, mesmo os adversários, aclamaram-no com efusão. Tímido (como ainda hoje nos seus cinqüenta e tantos anos) o já famoso compositor esperou a entrada da bateria e cantou Deu Adeus. Palmas ruidosas consagraram a sua apresentação. Os tamborins deram a pala do segundo samba e ele entoou o Sei Sentir logrando o mesmo sucesso. Finalmente, encerrando a mostra de seu repertório interpretou Adeus, Violão. A vitória refletida nos aplausos demorados, nos pedidos de bis!, bis!, tinha logo depois a homologação unânime do júri: primeiro lugar, medalha de ouro. Cartola abafara.

Melódica e Poética

Mostrando a seus julgadores e à vultosa platéia uma versatilidade rara entre compositores populares, Cartola no samba Deu Adeus cantara: “Partiu e não me disse mais nada./ Já ia distanciada/ Quando ela parou e acenou com a mão./ Desapareceu./ Estou certo que este amor morreu.” Na segunda composição, a intitulada Sei Sentir, dizia em versos espontâneos: “Sei chorar./ Eu também já sei sentir a dor./ Estou cansado de ouvir dizer/ Que aprende-se a sofrer/ No amor.”

Se as duas produções acima revelam certo romantismo, têm como tema o amor perdido e a aceitação do sofrimento através ainda do amor, a que foi denominada Adeus violão proclama a regeneração, a tomada de uma nova diretriz: “Orgia hoje és minha inimiga/ O sofrimento obriga/ A me afastar de você./ Adeus, violão,/ Amigo leal./ Estes versos que fiz devem ser/ A rima final.” Três facetas da poesia de um sambista do morro retratando todos seus sentimentos. E cada qual ornada com música simples, mas muito bonita, dando realce à singeleza da letra.

Uma medalha transforma-se em “erva”

A consagração daquela noitada de 26 de janeiro de 1937 quando o valor de seus sambas dava-lhe a primazia entre tantos outros compositores das Escolas rivais da sua, durou pouco. Horas depois, a fulgurante medalha que llka Labarthe fixara no peito do sambista felicitando-o com efusão transformou-se num guichê de casa de penhores (no caso o da Caixa Econômica, na Praça da Bandeira, como poderia ser a do José Cahen na Rua Silva Jardim) em duas cédulas de quinhentos mil réis e mais algumas de menor valor. Quantia que, naquele tempo, deu para melhorar a gororoba e ainda comprar um pano (terno). Afora permitir esvaziar algumas garrafas de Fidalga e Cascatinha (cervejas).

Ficou, porém, para informe da posteridade pela pena de um cronista ainda hoje em grande evidência, Henrique Pongetti (saído da revista Leader e camuflado sob o pseudônimo de Jack nas colunas de O Globo) registro da autêntica vitória do Cartola. Lá está, em itálico, estendido em coluna dupla: “... Anteontem ouvi, disputando as belas medalhas de ouro, prata e bronze que meu confrade Antenor Novaes lhes ofereceu as escolas de samba das antigas zonas de inspiração musical...".

De todo aquele desperdício de bossas, dois sambas bonitos adquiriram o direito de viver e morrer nas bocas volúveis da planície — os do Cartola, compositor de Mangueira. Nenhum mais...“.

(O Jornal, 1.°/12/1963)
______________________________________________________________________
Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

domingo, março 18, 2012

O morro e o asfalto cantando juntos

Almoço na casa de Cartola; ao alto, o anfitrião e
Lamartine Babo; de pé, Sinhozinho, J. Efegê, Lan,
M. Camus e assistente, e Zica, mulher de Cartola.
Um domingo (mas não apenas algumas horas, todo um domingo) Lamartine Babo contaminou a Mangueira com sua alegria alvoroçante, comunicativa. Convidado para saborear uma muqueca, que seria preparada pela Zica, companheira do famoso Cartola (Angenor de Oliveira) em homenagem a Marcel Camus, o cineasta francês chegado ao Rio para aqui realizar o Orfeu do Carnaval, o Lalá acedeu prontamente.

Teria não só a grata oportunidade de visitando o decantado morro reencontrar uma de suas figuras mais expressivas e que tem o seu nome ligado à vitoriosa Estação Primeira (a aplaudida Escola de Samba dos suntuosos desfiles em nosso Carnaval).

Iria, ao mesmo tempo, conhecer um estrangeiro interessado em dar toda autenticidade ao seu filme que, embora vivendo uma lenda mitológica, ia ter como ambiente o morro com seus barracos, sua gente. E pairando sobre tudo isso, a música simples, espontânea que ali nasce.

E Lamartine lá chegou sem cerimônia, irradiando simpatia. Pouco depois, na roda que se formou antecedendo ao almoço e na qual havia tocadores de violão, de pandeiro, de tamborins, todos convocados pelo Cartola, Lamartine cantava suas composições empolgando um auditório numeroso e que ia aumentando continuamente. Não entoava apenas as suas marchinhas brejeiras, os seus sambas buliçosos.

Naquele seu jeito muito próprio, incorporando uma orquestra, ora imitava o pistão, reproduzia o trombone levando e trazendo a vara do instrumento, ora fazia a tuba grave no contra-canto que a melodia dava oportunidade. Mostrava assim os metais que sempre os queria predominantes nas introduções de suas músicas. Revezando com ele, num dueto em que se juntavam dois compositores de tendências diversas, Cartola entoava também os seus sambas.

O morro e o asfalto cantando juntos e embevecendo Camus que, pela primeira vez, via e ouvia o ritmo brasileiro em várias de suas nuances e numa exibição pura, emoldurada por um cenário exato. Depois, à mesa, fazendo piadas, elogiando a comida, Lamartine ainda manteve todos em constante alegria, envolvendo-os no seu bom-humor.

Findo o almoço, formou-se novamente a roda e então, mais animada, a mostra das canções do morro e do asfalto prosseguiu empolgante na interpretação de duas figuras exponenciais: Cartola e Lamartine Babo.

Desse domingo festivo, de gala para a música popular brasileira, ficou uma recordação muito grata entre a gente da Mangueira desejosa de uma nova visita do querido compositor da cidade que com ela comungou casando sua música com a do sambista dali, do morro. Esse reencontro, a prometida volta de Lamartine à Mangueira não deixará de ser cumprida por sua morte.

Ele voltará não somente num domingo, mas sempre que algumas de suas composições ali se fizerem ouvir tornando-o presente numa evocação saudosa e amiga.

(O Jornal, 23/6/1963)
______________________________________________________________________
Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

terça-feira, março 10, 2009

Tempos idos


Tempos Idos (samba, 1968) - Cartola e Carlos Cachaça - Interpretação: Cartola

LP Verde Que Te Quero Rosa / Título da música: Tempos Idos / Cartola (Compositor) / Carlos Cachaça (Compositor) / Cartola (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1977 / Nº Álbum: 103.0227 / Lado A / Faixa 6 / Gênero musical: Samba / MPB.


Tom: G
Introd: Em7 Gm7 F#m7 B7 Em A7 D6/9

          D6/9
Os tempos idos
           
Nunca esquecidos
          Em            A7
Trazem saudades ao recordar
          D6/9          
É com tristezas que relembro
         Em                A7
Coisas remotas que não vêm mais

      Am7           D7
Uma escola na Praça Onze
     G7       G6
Testemunha ocular
         E7/9
E, perto dela, uma balança
          Em7            A7
Onde os malandros iam sambar

            D6/9            
Depois, aos poucos, o nosso samba
       Em7              A7
Sem sentirmos, se aprimorou
        Am7          D7
Pelos salões da sociedade
        G7           B7
Sem cerimônia, ele entrou

          Em           Gm7
Já não pertence mais à Praça
       F#m7          B7
Já não é samba de terreiro
      Gm6         A7/13            D6/9
Vitorioso, ele partiu para o estrangeiro

                    Em7
E muito bem representado
           A7               D6/9
Por inspiração de geniais artistas

        Am7            D7
O nosso samba, humilde samba
          G7            G6
Foi de conquistas em conquistas

     Gm
Conseguiu penetrar no Municipal
                A7            D6/9
Depois de percorrer todo o universo

               B7               E7/9
Com a mesma roupagem que saiu daqui
   Em7                      A7             D6/9
Exibiu-se para a duquesa de Kent no Itamaraty

terça-feira, julho 15, 2008

Babaú

Babaú (Waldemiro José da Rocha), compositor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 23/1/1914 e faleceu na mesma cidade em 02/07/1993. Nascido no Buraco Quente, no morro da Mangueira, viu a fundação da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira quando ainda era menino.

Em 1928 fez parte do Bloco dos Arengueiros e, em 1930, começou a aprender cavaquinho e a fazer samba, observando os mestres Cartola, Aluísio do Violão, Nelson Cavaquinho e Carlos Cachaça. Participou da fundação da Escola de Samba Unidos do Tuiuti, compondo o primeiro samba-enredo da escola, As riquezas do Brasil.

Em 1937, Araci de Almeida gravou um de seus sambas mais conhecidos, Tenha pena de mim (com Ciro de Sousa), que seria regravado por vários intérpretes. São também da década de 1930 os sambas Eu vou pra roça (com Chiquinho Tuiuti) e Sofro demais.

Em 1940, Araci de Almeida gravou o samba Eu dei; por essa época compôs com João Taú Silva Encontro saudoso e Ela me abandonou, gravadas por Gilberto Alves. Em 1945 participou da fundação da Unidos do Cabuçu, integrando a ala de compositores da escola. Foi também um dos fundadores da Unidos do Outeiro, para a qual compôs o primeiro samba-enredo, Brasil gigante, em 1946. Em 1966 compôs, com Bira Sargento, Não me abandone.

Afastado por algum tempo das atividades artísticas, voltou aos palcos em 1972 para cantar no Teatro Opinião, de São Paulo SP. Três de seus sambas de partido-alto foram então gravados: Pedra 90, por Jorginho do Império, em 1972; Brincadeira tem hora, por ele próprio; e Por que você não foi, em 1974, por Xangô. Ainda em 1972, concorreu pela Unidos de Jacarepaguá com o samba Sete portas da Bahia.

Na década de 1980, conheceu Eraldo de Carvalho na Rádio Roquete Pinto e formou com ele parceria responsável por O galo canta, Flores e mulheres e Mostra o pau. Em 1990 gravou os sambas Quem fala mais alto e Chinelo velho, no disco Raízes brasileiras.

Já cego pelo glaucoma, fundou em 1993 a Unidos de Vila Valqueire. Em 1994, com o patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura, do Rio de Janeiro, foi lançado o livro Tempos de outrora, vida e obra de Babaú da Mangueira, de autoria de Andréia Ribeiro Alves.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PibliFolha.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Não faz, amor


A amizade entre Cartola e Noel Rosa (que também virou filme, em breve nos cinemas), pena, resultou em apenas dois sambas conhecidos: Qual foi o mal que eu te fiz e Não faz, amor. Este segundo foi comprado por Francisco Alves, de um Cartola doente, ardendo em febre. O Rei da Voz procurou Noel, pediu a ele que fizesse as segundas e gravou. Nem no disco nem na partitura aparece o nome de Noel, que abriu mão dos créditos dando a música de presente ao amigo (fonte: http://lameblogadas.blogspot.com/).

Não Faz, Amor (samba, 1932) - Cartola e Noel Rosa - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Não Faz, Amor / Cartola (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1932 / Nº Álbum 10927 / Gênero musical: Samba



Não faz, amor, deixa-me dormir
Oh, minha flor, tenha dó de mim
Sonhei, acordei assustado
Receoso que tivesses me enganado
(Eu não durmo sossegado)

Só tens ambição e vaidade
Não pensas na felicidade
E eu não descanso um momento
Por pensar que o teu amor é só fingimento
Mas eu vou entrar com meu jogo
E vou pôr à prova de fogo
A tua sincera amizade
Para ver se tu falaste verdade

Amar sem jurar é bem raro
O verbo cumprir custa caro
Amor é bem fácil de achar
O que acho mais difícil é saber amar
O mundo tem suas surpresas
Mas nós temos nossas defesas
Por isso eu estou prevenido
Pra saber se sou ou não traído

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Qual foi o mal que eu te fiz

Qual Foi o Mal Que Eu Te Fiz (samba, 1932) - Cartola e Noel Rosa - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Qual Foi o Mal Que Eu te Fiz? / Cartola (Compositor) / Noel Rosa (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1932 / Nº Álbum 10995 / Gênero musical: Samba



Diz
qual foi o mal que eu te fiz?
Eu não
te farei essa ingratidão
Foi um palco contra nossa amizade
Não creias, não pode ser verdade

Não creias nestas mentiras
Que roubam nossa alegria
Os invejosos se vingam
Armados de hipocrisia

A mentira infelizmente
O mais forte amor destrói
Mas se eu não tenho remorso
O meu coração não dói

Diz
qual foi o mal que eu te fiz?
Eu não
te farei essa ingratidão
Foi um palco contra nossa amizade
Não creias, não pode ser verdade

Disseste que te enganei
Não sou tão fingido assim
Talvez queiras um pretexto
Para viver longe de mim

Disseram que eu traia
A nossa grande amizade
E tão criminosa a culpa
Que não pode ser verdade

sábado, fevereiro 10, 2007

Elton Medeiros

O compositor – e parceiro – Cartola costumava dizer brincando que a letra "ene" sobrava em seu nome (Angenor) e faltava no de Elton (na realidade Elto Antônio de Medeiros, nascido na cidade do Rio de Janeiro em 22 de julho de 1930).

Desde muito cedo a música teve influência em sua vida, pois seu pai era muito ligado aos ranchos e seu irmão Aquiles, compositor, o encaminhou na carreira de criador musical. Aliás, é saborosa a história que Elton conta no programa, como fez seu primeiro samba aos oito anos e seu irmão lhe explicou como era a estrutura de uma composição.

Nascido no bairro da Glória, logo se mudou para o subúrbio carioca, onde iniciou seus estudos e paralelamente o gosto musical. Fez parte de banda, tocando bombardino e saxofone. Posteriormente passou para o trombone, com o qual se destacou tocando nas gafieiras, tão em voga na época. Mas seu forte mesmo eram os instrumentos de ritmo, tornando-se talvez o mais exímio executante de caixa-de-fósforos que se conhece.

Na gravação de um programa para a TV Cultura, em que se apresentaria como cantor, instado pelo produtor Fernando Faro a fazer ritmo, improvisou um instrumento de percussão com uma lata de tinta vazia, abandonada em um canto do estúdio e ninguém percebeu a "invenção".

Como compositor é tido como um dos melhores representantes da escola melodista de Cartola, de quem foi parceiro e com quem criou sambas notáveis. Já era bastante conhecido entre os sambistas quando estreou profissionalmente no musical Rosa de Ouro, criado e produzido pelo poeta-compositor Hermínio Bello de Carvalho.

O espetáculo, que ficou quase um ano em cartaz no Teatro Jovem, no Rio de Janeiro – e andou pelo Brasil –, resgatou a cantora Araci Cortes e lançou nomes como os de Elton, Clementina de Jesus e Paulinho da Viola. Sem mencionar as presenças notáveis do mangueirense Nelson Sargento, do portelense Jair do Cavaquinho e do salgueirense Nescarzinho, o Anescar, criador do antológico samba-enredo Chica da Silva.

Modestamente Elton se diz "parceiro dos famosos" (Cartola, Paulinho da Viola, Hermínio Bello, Zé Keti, Paulo César Pinheiro, Ana Terra, Cacaso, Otávio de Moraes, Joacyr Santana, Regina Werneck, entre outros), quando na realidade são os tais "famosos" que não prescindem de seu grande talento, principalmente Paulinho da Viola, desde sempre seu mais habitual parceiro.

Internacional – já se apresentou na África, em Portugal, na Suécia –, seu samba nunca deixou de ter o acentuado sabor carioca, que é sua marca tradicional, além da beleza das melodias (e muitas vezes das letras). É o principal fator de uma apresentação que faz parte da história da música popular brasileira.

Seu samba-enredo – feito em 1954 para sua Escola de Samba Aprendizes de Lucas –, o Exaltação a São Paulo, foi apresentado pelo cantor Jorge Goulart no programa Um Milhão de Melodias, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Arranjo do maestro Radamés Gnattali, para violino e caixa-de-fósforos, esta naturalmente solada por ele.

Elton Medeiros é seguramente um dos mais talentosos compositores daquilo que se convencionou chamar de "música brasileira de raiz".

Arley Pereira - MPB ESPECIAL 8/1/1975

terça-feira, abril 11, 2006

Cartola


Angenor de Oliveira, o "Cartola" nasceu a 11 de Outubro de 1908 no Rio de Janeiro, em um bairro chamado Catete. Ganhou o apelido pois quando trabalhava em obras, usava um chapéu coco, para não sujar os cabelos de cimento. Foi em 1919 que Sebastião, Aida e seus sete filhos chegaram no Buraco Quente, (um bairro no morro de Mangueira).


Era franzino, mas muito esperto, conta seu amigo e parceiro Carlos Cachaça, que já morava em Mangueira e ainda vive até hoje, (1997) aos 93 anos de idade. Cartola em uma entrevista disse: "Nos meus olhos, em Mangueira, só tinham uns cinquenta barracos. E provavelmente estava certo.

Ele e seus companheiros fundaram a G.R.E.S Estação Primeira de Mangueira. Sua contribuição à Cultura Brasileira é inestimável. Sua concepção harmônica, suas melodias e versos são simplesmente maravilhosos. Mestres da Música como os maestros Villa Lobos e Stokovsky foram ao Buraco Quente conhece-lo e tomar conhecimento de sua obra.

Devido ao racismo, Cartola nunca foi economicamente bem sucedido. Trabalhou até como pedreiro para sobreviver, e no meio dos anos 1960 o jornalista Stanislaw Ponte Preta encontrou-o lavando carros no bairro de Ipanema, e perguntou: "Você não é o Cartola?". "Sou", foi a resposta. Isso causou muito espanto ao jornalista, que passou a ajudá-lo, tornando-o mais popular. Cartola, gravou seu primeiro disco em 1974.

Mas sua vida não foi só de tristezas. Entre a metade dos anos 60 até sua morte em 1980 conheceu um pouco de popularidade (mas não dinheiro), e descobriu que todos que tinham a chance de ouvir suas canções, ou vê-lo tocar e cantar, passava a ama-lo. Através de suas canções, o povo brasileiro pôde entender um pouco mais a vida, e como lidar com o dia a dia de uma maneira mais poética.

Cartola partiu desse mundo deixando suas canções e seu amor, e nós o louvamos, e o amamos muito. Cartola ignorou a injustiça pois esteve sempre ocupado, com o que tinha no coração.Tinha sabedoria suficiente para saber o quanto estava adiante de seu tempo, o quão importante seria os brasileiros um dia perceberem a mensagem que Espíritos Africanos o designaram para levar a terras distantes.

Hoje em dia, o mundo inteiro percebe. Cartola é a prova da natureza surpreendente do verdadeiro talento. Fez somente o primário e jamais conseguiu se integrar à estrutura de trabalho. Trabalhou sempre com bicos, como pedreiro, pintor de paredes, lavador de carros, vigia de prédios e contínuo de repartição pública. Mas seu dom fez dele o maior sambista carioca de todos os tempos, com letras impecáveis e batidas deliciosas.

Na década de 20, quando os blocos de carnaval resolveram se organizar em sociedades permanentes, Ismael Silva e o pessoal do Estácio criaram uma associação que se autodenominava Escola de Samba, a Deixa Falar. Cartola, então, juntou o pessoal da Mangueira, escolheu o nome Estação Primeira de Mangueira, adotou as cores verde e rosa e também criou sua escola. Nascia assim o maior fenômeno do carnaval carioca. Em seu primeiro desfile na Praça Onze, com o samba enredo de Cartola, Chega de demanda, a Mangueira ganhava também o primeiro prêmio do carnaval.

Algumas músicas e letras


Veja também: