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terça-feira, fevereiro 01, 2011

Galdino Cavaquinho

Galdino Cavaquinho (Galdino Barreto), instrumentista e compositor, fl. Rio de Janeiro, RJ, 1903.

Professor de cavaquinho de Mário Cavaquinho, foi contemporâneo dos grandes chorões do início do século XX. 

Participou da serenata que Eduardo das Neves promoveu para comemorar o retorno de Santos Dumont ao Brasil, em 1903.

"Mestre dos mestres, que se celebrizou com o seu aprendiz Mario, cujo discipulo venceu naquelle época todas difficuldades do instrumento transformando, a sua tonalidade de quatro cordas para cinco, emquanto isso Galdino, continuava com o seu cavaquinho de quatro cordas tirando infinidades de tons e combinações de acordes que me é aqui difficil de descrever, tal é a magia, e a convicção das notas vibradas pela palheta encantada de Galdino, este grande artista, inegualaval no meio dos chorões, aonde elle foi o unico educador deste instrumento que se chama cavaquinho (O choro - Reminiscências dos chorões antigos - Alexandre Gonçalves Pinto).

Obra

Fera, polca, s.d.; Flausina, polca, s.d.; Isaltina, valsa, s.d.; Me espere na saída, polca, s.d.; Na sombra da laranjeira, polca, s.d.; Os olhos dela, polca, s.d.; Recordação, valsa, s.d.; Ricardina, polca, s.d.; Saudades, polca, s.d.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 2a. Edição - 1998; O choro - Reminiscências dos Chorões Antigos - Alexandre Gonçalves Pinto - 1936.

terça-feira, outubro 12, 2010

José Rebelo da Silva

Zé Cavaquinho
José Rebelo da Silva (20/03/1884 Guaratinguetá, SP - 01/05/1951 Rio de Janeiro, RJ) , instrumentista, regente e compositor, conhecido também como Zé Cavaquinho, ainda jovem se mudou para o Rio de Janeiro, onde estudou cavaquinho na loja e fábrica de instrumentos Cavaquinho de Ouro. Posteriormente aprendeu a tocar violão e flauta.

Foi professor de violão (escreveu métodos para o estudo do cavaquinho), e também funcionário do Ministério da Agricultura.

Sua carreira artística começou ainda jovem e, em 1903, com apenas 19 anos, participou da serenata organizada por Eduardo das Neves em homenagem ao aviador brasileiro Santos Dumont que então regressa da Europa.

Por essa época também atuou em orquestras, tocando flautas, basicamente em apresentações em cinemas. Por essa ocasião, reunia-se frequentemente no Cavaquinho de Ouro com outros importantes músicos da época como Quincas Laranjeiras, Anacleto de Medeiros, Luís de Souza,Juca Kalut, Felisberto Marques, Catulo da Paixão Cearense, Luiz Gonzaga da Hora, Irineu de Almeida, além do maestro Heitor Villa-Lobos, entre outros.

Em 1907, foi um dos fundadores do famoso rancho carnavalesco Ameno Resedá, cuja reunião de fundação teria acontecido segundo alguns na ilha de Paquetá e segundo outros na barca que trazia o grupo fundador de volta à Praça Quinze, depois de um passeio à famosa ilha da Baía da Guanabara. 

Em 1908, formou e regeu a orquestra que era a grande atração do primeiro desfile do rancho Ameno Resedá, com o enredo "Corte Egipciana". Essa orquestra tinha mais de vinte músicos além do coral. Além de reger a orquestra do Ameno Resedá desfilou também como violonista e flautista e compôs várias marchas-ranchos para desfile do Ameno Resedá. Ainda em 1908, participou com Catulo da Paixão Cearense e outros de um famoso recital organizado pelo poeta na Escola Nacional de Música. Na ocasião usou um violão-bolacha fabricado pelo Cavaquinho de Ouro.

Em 1911, dirigiu a orquestra do Ameno Reseda no desfile de carnaval com o enredo "Corte de Belzebu". Na ocasião, apareceu empunhando sua flauta à frente da orquestra e da comissão de frente, em documento histórico reproduzido posteriormente por Jota Efegê no livro "Ameno Resedá - O rancho que foi escola". Nessa ocasião, participou nos jardins do Palácio Guanabara de uma apresentação especial do Rancho Ameno Resedá ao presidente da República Hermes da Fonseca e sua esposa Orsina da Fonseca.

Em 1928, foi homenageado pela Casa Cavaquinho de Ouro através de um folheto por ela publicado e em cujo texto, citado por Ary Vasconcelos, se lê "..é, na atualidade, por suas requintadas preocupações clássicas do solo, um autêntico esteta do violão." Entre suas composições destacaram-se a valsa Miragem, e os tangos Ipiranga e Guanabara, este último, gravado em 1930 pela Orquestra Brunswick.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

sábado, outubro 02, 2010

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Confessa meu bem

José Barbosa da Silva - Sinhô (1888 - 1930)

Confessa meu bem (samba/carnaval, 1919) - Sinhô - Intérprete: Eduardo das Neves

Disco selo: Odeon R / Título da música: Confessa Meu Bem / J. B. da Silva "Sinhô" (Compositor) / Eduardo das Neves, 1874-1919 (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Nº do Álbum: 121528 / Lançamento: 1919 / Gênero musical: Samba Carnavalesco / Coleção de fontes: IMS



Confessa, confessa meu bem
Confessa, confessa meu bem


Fala, fala, fala meu bem
Que eu não digo nada a ninguém
Fala, fala, fala meu bem
Que eu não digo nada a ninguém

Língua malvada e ferina
Falar de nós é tua sina

Vou-me embora, vou-me embora
Desse meio de tolice
Estou cansado de viver
De tanto disse-me disse

Oh! Que gente danada
Não confesso nada

domingo, fevereiro 17, 2008

O meu boi morreu

Os cantores Eduardo das Neves e Bahiano

O meu boi morreu (toada, 1916) - Autor desconhecido - Intérpretes: Eduardo das Neves e Bahiano

Disco selo: Odeon Record / Título da música: O Meu Boi Morreu / Tradicional / Luiz Moreira (Adaptação) / Bahiano (Intérprete) / Eduardo das Neves (Intérprete) / Coro (Acomp.) / Nº Álbum: 121054 / Lançamento: 1915 / Gênero: Cantiga nortista / Coleção de Origem: IMS, Nirez


// O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí / O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí //

Seu moço inteligente / Faz favô de mi dizê / Em riba daquele morro / Quantos capim há de tê / Se o raio não cortou / Se o gado não comeu / Em riba daquele morro /Tem o capim que nasceu.

// O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí / O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí //

Me arresponda sem tretê / Mas me arresponda já / O que é que a gente vê / E que não pode pegá? / Aquilo que a gente vê / E que não pode pegá / É a lua e as estrela / Que no céu tão a briá.

// O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí / O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí //

Vou lhe fazê uma pregunta / Pra vancê me arrespondê / Vinte e cinco par de gato / Quantas unha deve te? / Intrei no raio de sol / Saí no raio de lua /  Vinte e cinco par de gato / Com certeza tem mil unha.

// O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí / O meu boi morreu / Que será de mim / Manda buscá outro / Ó maninha / Lá no Piauí //

Em riba daquela serra / Tem um sino sem badalo / E uma arroba de capim / Pra você comê, ó cavalo / Em riba daquela serra / Tem um sino ferrugento / Se eu hei de comê capim / Coma você, ó seu jumento.



Fonte: Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Favorito

O tango "Favorito" (1895) foi gravado em 1912 na Odeon pelo seu autor, Ernesto Nazareth, que ao piano foi acompanhado por Pedro de Alcântara em solo de flautim. No entanto há registros de gravações anteriores como a do cantor Mário Pinheiro que interpretou “Favorito” em 1908 (provavelmente), com letra atribuída a Catulo da Paixão.

Em 1915, o palhaço-cantor Eduardo das Neves grava na Odeon (álbum número 121026) a canção intitulada "Amor avacalhado" com versos de letrista anônimo e música do tango de Nazareth. Em 1929, Francisco Alves viria a gravar uma versão modificada da mesma letra sob o título de “Favorito” (álbum número 10518).

Disco selo: Odeon Record / Título da música: Amor Avacalhado / Ernesto Nazareth (Compositor) / Eduardo das Neves (Intérprete) / Grupo do Louro (Acomp.) / Nº do Álbum: 121026 / Nº da Matriz: #N-6 / Lançamento: 1915 / Gênero musical: Canção / Coleção de fontes: IMS



Meu amor se tu queres saber
Qual a razão deste meu padecer
Por que motivo me ausento de ti
Vem me escutar aqui
Não é medo meu bem, qual o que!
Eu te digo qual é a razão
Eu gosto muito de você
Mas dou o fora nesta ocasião.

Tens um pai que é de tremer
E é quem me faz sofrer
Perder o tempo até
Bem sabes como ele é...
Se descobre que eu vou lá
Tenho mesmo que fugir
Pois não dou pra fubá
Na porta não posso ir.

Esse seu pai é uma fera
Se você ainda espera
Que eu caia nesse arrastão
Mas eu não vou nisso não
Nestas contas, eu vou por mim
Pois não tem graça, meu bem
Eu perder o meu latim
Nestas contas, vou por mim.

Tua mãe, ai Jesus, não tem mais!
Porque eu hei de dizer de teus pais
Tem por mãe uma víbora feroz
Que do inferno caiu entre nós!
É maldosa, cruel, é um azar
Pois não me dá uma folga sequer
Que [viro], que paixão, que contrariedade!
Isto não é mulher!

Tens um pai que é de tremer...

Teus maninhos me pedem tostões
Sujam-me a roupa, me arrancam os botões
Tu achas isso muito natural
Eu sei que não é por mal!
Mas não posso, a despesa é demais
Cair no Mangue é melhor, minha flor
Crio alma nova, me vou para embora
Saúde e fica, [Deusinho] meu amor

Tens um pai que é de tremer...


Fontes: As Crônicas Bovinas - Amor Avacalhado; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora; Instituto Moreira Sales.

sexta-feira, março 24, 2006

Pierrô e Colombina

Antes do advento do samba e da marchinha, fazia sucesso no carnaval qualquer tipo de música, nem sempre alegre, como é o caso de "Pierrô e Colombina". Também chamada de "O despertar de Pierrô" e "Paixão de Pierrô", esta valsa de versos ("A vós que acabais de ouvir meu pranto, meu padecer / quero um pedido fazer / tenham dó do meu carpir...") e melodia carregados de tristeza, tomou conta do Rio de Janeiro nos carnavais de 1915 e 16, por paradoxal que possa parecer.

Embora atribuída em algumas publicações à dupla Oscar de Almeida e Eduardo das Neves, "Pierrô e Colombina" é só de Almeida, segundo Almirante em sua coluna no jornal O Dia: "'Pierrô e Colombina' é letra e música de Oscar de Almeida dos Correios; o Edu das Neves somente a gravou". Como vários personagens da música popular brasileira no início do século, Almeida era funcionário dos Correios e Telégrafos.

Pierrot e Colombina (valsa, 1913) - Oscar de Almeida e Eduardo das Neves - Intérprete: Eduardo das Neves

Disco selo: Odeon Record / Título da música: O Despertar de Pierrot / Eduardo das Neves (Compositor) / Oscar de Almeida (Compositor) / Eduardo das Neves (Intérprete) / Violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 120257 / Nº da Matriz: R-8 / Lançamento: 1913 / Gênero musical: Canção / Coleção de Origem: IMS / Obs.: No rótulo ou selo do disco o título impresso da música é "O Desespero de Pierrot".



Há quanto tempo saudoso / Procuro em vão Colombina
Sumiu-se a treda ladina / Deixou-me em trevas choroso
Procuro-a sim como um louco / Nos becos, nas avenidas
As esperanças perdidas / Tendo-as vou já pouco a pouco


Se em todo o carnaval / Não conseguir ao menos
Seu rosto fitar / Palavra de Pierrot
Eu juro me matar / Não posso suportar
Esta cruel ausência / Que me afoga em dor
Meu coração morrer / Sinto de amor


É dia de risos e flores / Todos folgam só eu não
Ela, talvez num cordão / Procure novos amores
Oh! Companheira impiedosa / Vê que suplício cruel
Vejo a minha alma afogar-se / Num oceano de fel


Oh!: Vós que acabaes de ouvir / Meu pranto, meu padecer
Tenho um pedido a fazer / Tenham dó do meu carpir
Se encontrarem Colombina / Que é da minha alma o vigor
Digam-lhe que assim se fina / Procurando-a, seu Pierrot



Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

quarta-feira, março 22, 2006

Luar do sertão

A toada "Luar do Sertão" é um dos maiores sucessos de nossa música popular em todos os tempos. Fácil de cantar, está na memória de cada brasileiro, até dos que não se interessam por música. Como a maioria das canções que fazem apologia da vida campestre, encanta principalmente pela ingenuidade dos versos e simplicidade da melodia. Embora tenha defendido com veemência pela vida afora sua condição de autor único de "Luar do Sertão", Catulo da Paixão Cearense deve ser apenas o autor da letra.

A melodia seria de João Pernambuco ou, mais provavelmente, de um anônimo, tratando-se assim de um tema folclórico - o côco "É do Maitá" ou "Meu Engenho é do Humaitá" -, recolhido e modificado pelo violonista. Este côco integrava seu repertório e teria sido por ele transmitido a Catulo, como tantos outros temas. Pelo menos, isso é o que se deduz dos depoimentos de personalidades como Heitor Villa-Lobos, Mozart de Araújo, Sílvio Salema e Benjamin de Oliveira, publicados por Almirante no livro No tempo de Noel Rosa.

Há ainda a favor da versão do aproveitamento de tema popular, uma declaração do próprio Catulo (em entrevista a Joel Silveira) que diz: "Compus o Luar do Sertão ouvindo uma melodia antiga (...) cujo estribilho era assim: 'É do Maitá! É do Maitá"'. A propósito, conta o historiador Ary Vasconcelos (em Panorama da música popular brasileira na belle époque) que teve a oportunidade de ouvir "Luperce Miranda tocar ao bandolim duas versões do 'É do Maitá': a original e 'outra modificada por João Pernambuco', esta realmente muito parecida com Luar do sertão".

Homem humilde, quase analfabeto, sem muita noção do que representavam os direitos de uma música célebre, João Pernambuco teve dois defensores ilustres - Heitor Villa-Lobos e Henrique Foreis Domingues, o Almirante - que, se não conseguiram o reconhecimento judicial de sua condição de autor de Luar do Sertão, pelo menos deram credibilidade à reivindicação. Ainda do mesmo Almirante foi a iniciativa de tornar o Luar do Sertão prefixo musical da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, a partir de 1939.

Luar do Sertão (toada, 1914) - João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense - Interpretação: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Luar do Sertão / João Pernambuco (Compositor) / Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Odeon, Lírio Panicali [Direção] (Acomp.) / Nº do Álbum: 12377-b / Nº da Matriz: 7395 / Gravação: 5/Outubro/1943 / Lançamento: Novembro/1943 / Gênero musical: Canção



Eduardo das Neves, o cantor-circense Dudu, interpreta na primeira gravação em 1914:

Disco selo: Odeon Record / Título da música: O Luar do Sertão / João Pernambuco (Compositor) / Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / Eduardo das Neves (Intérprete) / Piano e coro (Acomp.) / Nº do Álbum: 120911 / Nº da Matriz: 120.911=3 / Lançamento: Fevereiro/1914 / Gênero musical: Toada sertaneja / Coleção de Origem: IMS, Nirez / Obs.: No rótulo do disco consta Catullo Cearense (Catulo) como compositor da melodia e da letra.


--------G ----------Em -------Am --------D7-------- G----- D7
Não há, ó gente, oh não luar / Como este do sertão (bis)

--------------G------- Em------------ Am--------------------------- D7
Oh que saudade do luar da minha terra / Lá na serra branquejando
------------------------G D7------- G--------- Em---------- Am
Folhas secas pelo chão / Esse luar cá da cidade, tão escuro
--------------------------D7------------------- G------- D7
Não tem aquela saudade / Do luar lá do sertão (refrão)

--------------G --------Em ---------Am--------------------------- D7
A gente fria desta terra sem poesia / Não se importa com esta lua
-----------------------G D7------------- G--------- Em------- Am
Nem faz caso do luar / Enquanto a onça, lá na verde capoeira
------------------------D7-------------------- G------ D7
Leva uma hora inteira, / Vendo a lua a meditar (refrão)

-----------------G--------------- Em---------- Am
Ai, quem me dera que eu morresse lá na serra
------------------------D7---------------------- G------- D7
Abraçado à minha terra e dormindo de uma vez
-------------G------------- Em --------Am
Ser enterrado numa grota pequenina
------------------------D7 ----------------G -------D7
Onde à tarde a surunina chora sua viuvez (refrão).


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Caboca de Caxangá

Catulo da Paixão Cearense: Um sertanejo do Sertão

Em entrevista a Joel Silveira, nos idos de 1940, Catulo da Paixão Cearense declarou-se "um sertanejo do sertão", ressaltando o mérito de saber descrevê-lo muito bem, apesar de não conhecê-lo. Parte desse mérito ele deveria creditar ao violonista João Pernambuco (João Teixeira Guimarães), com quem conviveu por diversos anos e que lhe forneceu, além de alguns temas musicais, um variado vocabulário sertanejo que usaria em seus versos. Um exemplo dessa colaboração é a composição "Caboca de Caxangá", que entrou para a história assinada apenas pelo poeta.

Inspirado numa toada que João lhe mostrara e que teria melodia do violonista, composta sobre versos populares, Catulo escreveu extensa letra, impregnada de nomes de árvores (taquara, oiticica, imbiruçu...), animais (urutau, coivara, jaçanã...), localidades (Jatobá, Cariri, Caxangá, Jaboatão...) e gírias do sertão nordestino, daí nascendo em 1913 a embolada Caboca de Caxangá, classificada no disco como batuque sertanejo. E nasceu para o sucesso, que se estenderia ao carnaval de 1914, para desgosto de Catulo, que achava depreciativo o uso da composição pelos foliões.

A seguir algumas gravações da melodia acima:

Cabocla de Caxangá (batuque, 1913) - Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco - Intérpretes: Júlia Martins, Eduardo das Neves e Bahiano

Disco selo: Odeon Record / Título da música: Cabocla de Caxangá / Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / João Pernambuco (Compositor) / Eduardo das Neves (Intérprete) / Bahiano (Intérprete) / Júlia Martins (Intérprete) / Grupo da Casa Edison (Acomp.) / Nº do Álbum: 120521 / Nº da Matriz: 120521 / Gravação: 2/Janeiro/1913 / Lançamento: 1913 / Gênero musical: Batuque Sertanejo / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Interpretação de Paulo Tapajós em 1972:

LP No Tempo Dos Bons Tempos - Luar Do Sertão - Músicas de Catullo e Joubert / Título da música: Cabocla de Caxangá / João Pernambuco (Compositor) / Catulo da Paixão Cearense / Paulo Tapajós (Intérprete) / Gravadora: Fontana/Philips / Álbum: 6488 014 / Ano: 1972 / Tracklist: A6 / Gênero musical: Embolada / Batuque sertanejo / Obs.: Extraidos dos LPs de 10 polegadas gravados na Sinter em 1956: SLP 1052 e SLP 1082



E------------------- C7------------------ Fm
Laurindo Punga, Chico Dunga, Zé Vicente
-------------------------B7----------------------E
E esta gente tão valente / Do sertão de Jatobá,
-----------------------C7----------- Fm
E o danado do afamado Zeca Lima,
--------------------------B7-------------------------E
Tudo chora numa prima, / E tudo quer te traquejá.

---------------------B7------------------------E
Caboca di Caxangá, / Minha caboca, vem cá.

------------E---------- C7-------------- Fm
Queria ver se essa gente também sente
-----------------------------B7
Tanto amor, como eu senti,
----------------------------E
Quando eu te vi em Cariri!
-----------------------C7----------- Fm
Atravessava um regato no quartau
-----------------------B7------------------------- E
E escutava lá no mato / O canto triste do urutau.

------------------------B7---------------------------E
Caboca, demônio mau, / Sou triste como o urutau!

E------------------- C7---------------------- Fm
Há muito tempo, lá nas moita das taquara,
-----------------------------B7--------------------------E
Junto ao monte das coivara, / Eu não te vejo tu passá!
------------------C7-------------- Fm
Todo os dia, inté a boca da noite,
------------------------B7----------------------E
Eu te canto uma toada / Lá debaixo do indaiá.

-------------------------B7----------------------E
Vem cá, caboca, vem cá, / Rainha di Caxangá.

E------------------ C7------------------ Fm
Na noite santa do Natal na encruzilhada,
--------------------------B7--------------------------E
Eu te esperei e descantei / Inté o romper da manhã!
--------------------------C7------------ Fm
Quando eu saía do arraiá, o sol nascia
-------------------------B7-------------------E
E lá na grota já se ouvia / Pipiando a jaçanã.

------------------------B7--------------------------E
Caboca, flor da manhã / Sou triste como a acauã!


Fontes: A Canção no Tempo – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Volume 1 - Editora 34; Álbum: Luar do Sertão - Músicas de Catullo e Joubert (1972).

sexta-feira, março 17, 2006

A conquista do ar (Santos Dumont)


O feito de Alberto Santos Dumont, contornando a Torre Eiffel em seu balão n° 6, no dia 19.10.1901, inspirou diversas composições, entre as quais a marcha "A Conquista do Ar", sucesso de 1902. Uma criação de Eduardo das Neves, a canção glorifica o inventor da aviação em versos desbragadamente ufanistas, que o público da época adorou ("A Europa curvou-se ante o Brasil / e clamou parabéns em meigo tom / brilhou lá no céu mais uma estrela / apareceu Santos Dumont").

Palhaço de circo, poeta, compositor e principalmente cantor, Eduardo das Neves foi o nosso artista negro mais popular no início do século. Pai do também compositor Cândido das Neves, deixou modinhas, lundus, cançonetas, sendo de sua autoria os versos em homenagem ao encouraçado Minas Gerais, feitos sobre a melodia da valsa "Vieni sul Mar", do folclore veneziano.

Aliás, ainda sobre a mesma melodia, o radialista Paulo Roberto escreveria, em 1945, nova letra exaltando o estado mineiro ("Lindos campos batidos de sol / ondulando num verde sem fim..."), mantendo o refrão popular ("Ó Minas Gerais / ó Minas Gerais / quem te conhece não esquece jamais...").

No auge da carreira, Dudu das Neves apresentava-se nos palcos de smoking azul e chapéu de seda (Figura: partitura de canção feita por Eduardo das Neves, em homenagem a Santos Dumont).

A conquista do ar (marcha, 1902) - Letra e música do cantor Eduardo das Neves) - Interpretação: Bahiano

Disco: Zon-o-phone X-621 / Título da música: Santos Dumont (A Conquista do Ar) / Eduardo das Neves (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Piano (Acomp.) / Lançamento: 1903 / Gênero musical: Marcha



A Europa curvou-se ante o Brasil / E clamou “parabéns” em meio tom. / Brilhou lá no céu mais uma estrela: / Apareceu Santos Dumont.

Salve, Estrela da América do Sul, / Terra, amada do índio audaz, guerreiro! / Santos Dumont, um brasileiro!

A conquista do ar que aspirava / A velha Europa, poderosa e viril, / Quem ganhou foi o Brasil!

Por isso, o Brasil, tão majestoso, / Do século tem a glória principal: / Gerou no seu seio o grande herói / Que hoje tem um renome universal.

Assinalou para sempre o século vinte / O herói que assombrou o mundo inteiro: / Mais alto que as nuvens. / Quase Deus, Santos Dumont – um brasileiro.


Fontes: História do Samba - Fascículos - Editora Globo; A Canção no Tempo - Vol.2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

sábado, março 11, 2006

O circo e seus palhaços cantores

As melhores atrações dos circos brasileiros, no final do século XIX e no início do século XX, eram os palhaços cantores. Foram eles, usando seus picadeiros itinerantes, os pioneiros na divulgação da música popular. 


A principio, nem eram considerados circenses. No Brasil, os primeiros grupos de saltimbancos que percorriam o país eram conhecidos como volantins ou burlantins. Somente no século XIX é que alcançam o status de circenses, começando a instalar seus teatros de lona nas principais cidades brasileiras.

São Paulo era das mais procuradas, por sua população de imigrantes europeus, já afeitos ao gênero de espetáculo. Estatísticas dizem que, em 1897, os 200 mil habitantes de São Paulo contavam com as diversões e atividades de lazer bastante raras, no mais das vezes esportivas e domingueiras. Os paulistanos tinham três teatros, oito jornais diários e o maior deles, O Estado de São Paulo, com tiragem de apenas seis mil exemplares. Nesse clima ideal para os circenses. De 1887 a 1914, foram listadas mais de quarenta companhias do gênero, que se estabeleceram na cidade.

Foi a época de ouro de dois grandes circos que, tanto em São Paulo como no Rio de Janeiro, eram reconhecidos como os dois melhores do país e disputavam entre si o primeiro lugar. O circo Spinelli, ao ser armado – garantem os contemporâneos que melhor seria dizer construído – no Rio de Janeiro, encostado no viaduto da Estrada de Ferro Central do Brasil, sua lona chegava até a Rua Figueira de Melo, por coincidência, na mesma região onde se encontra a Escola Municipal do Circo. Era todo cercado de madeira, com arquibancadas confortáveis, platéia assoalhada e picadeiro com altura de um metro e meio. Um verdadeiro teatro.

A revista “Máscara”, da época, em matéria jornalística sobre a qualidade do circo, garantia: “Artista que ali atuasse tal o prestígio da casa, estava definitivamente feito, glorificado, em condições de ingressar em qualquer elenco de renome do Centro”, confirmando o papel de lançador de novidades musicais, reservado aos circos naquele momento.

No final do ano de 1897, o Circo-Pavilhão Internacional, armado com quase a mesma pompa na Rua Voluntários da Pátria, ainda no Rio de Janeiro, anunciava: “Dudu das Neves o primeiro palhaço brasileiro fará as delícias da noite com suas magníficas canções e lundus, acompanhado com seu choroso violão”.

Eram, então, os dois circos os espaços privilegiados de lançamentos da música popular brasileira, em especial lundus, chulas e modinhas, alguns dos principais formadores do samba, o qual, em seguida, viria a ter seu lugar também naqueles picadeiros, apresentado por cantores em início de carreira. Durante muito tempo, o circo continuaria sendo uma alternativa de bom dinheiro para cantores de rádio em geral, pois, não existindo televisão, era a única maneira de se fazerem conhecer pessoalmente por seu público do interior do país.

Os maiores astros-cantores dos Circos Spinelli e Internacional eram os palhaços Eduardo das Neves (Dudu) e Benjamim de Oliveira. O pesquisador e historiador José Ramos Tinhorão analisa o prestígio do palhaço-cantor para a música brasileira: “e na parte que interessa mais diretamente à música popular, o circo ia revelar durante quase um século a importância de veiculador das formas de teatro musicado das cidades, com suas bandas e seus números de show, ficando reservada especialmente à figura do palhaço – ao lado de sua função cômica específica – a de equivalente dos conçonetistas de teatro e, mais tarde, dos cantores de auditório de rádio”.

O início do século XX manteve o prestígio do circo e, ao lado dos palhaços-cantores, já começavam a aparecer artistas que se dedicavam exclusivamente ao canto. O sucesso variava de acordo com a qualidade do circo onde se exibissem e com o tipo de público atingido. Muitos pequenos circos tinham seus também pequenos cantores, que se limitavam a repetir os repertórios apresentados nos picadeiros maiores por astros já consagrados, formando elos de uma grande corrente de divulgação.

É a época em que surgem também no circo cantores como Mário Pinheiro, Francisco Alves, Vicente Celestino, Cadete e o próprio Bahiano, famoso por ser o primeiro a ter repertório gravado em discos no Brasil. Com ele, em mais de vinte duetos, a cantora Júlia Martins. Todos se valendo dos picadeiros para mostrar e divulgar seus trabalhos, aproveitando-se da melhor fase circense, e mesmo quando esta começa e decair, para ceder lugar a outros meios de comunicação e lazer.

Mas, nos princípios do século XX, o espetáculo circense ainda era importante. A temporada paulista do Circo Spinelli, na Alameda Barão de Limeira, foi ocasião festejada pela população e por jornais e revistas. Que registraram o sucesso feito por todos os artistas, mas “principalmente pelo nosso simpático Benjamim de Oliveira, que além de desempenhar seu papel como palhaço, nas pantomimas não tem rival e canta suas canções como ninguém”.

Chegando aos anos 20, dificilmente tal efusão voltaria a ocorrer. Os circos já haviam cedido espaço para o teatro de revista e o “cinematógrapho” aparecia como a novidade que arrebataria o público para as escuras salas de projeção. No comentário sobre a montagem de um circo na Avenida Rangel Pestana, um cronista escrevia que “o público do Brás já não aprecia esse gênero de diversões”.

Numa tentativa de reação, os grandes circos deixavam de ser itinerantes, fixavam-se nas maiores cidades, procuravam uma união com o inimigo, promovendo sessões mistas de artes circenses e projeções cinematográficas. Mas, como lançador e principal divulgador da música popular, seu papel tinha se esgotado.

"Lembro-me da introdução daquela canção O Ébrio (1936) onde Vicente Celestino conta que no começo era "cantor lírico de grande fama" e termina sendo vaiado em pleno picadeiro de um circo: ' ... E uma noite, quando eu cantava ainda mais uma vez "A Força do Destino", Deus levou a minha filha para nunca mais voltar. Daí pra cá eu fui caindo, caindo, passando dos teatros de alta categoria para os de mais baixa. Até que acabei por levar uma vaia cantando em pleno picadeiro de um circo. Nunca mais fui nada. Nada, não! Hoje, porque bebo a fim de esquecer a minha desventura, chamam-me ébrio. Ébrio...' Nota-se que os cantores de circo (e também os circos) realmente decaíram já na década de 30 para 40, mas ainda levou muito tempo" (nota do blogueiro).


Fontes: História do Samba - Editora Globo.

Benjamim de Oliveira


Benjamim de Oliveira, palhaço, ator, cantor, instrumentista e compositor, nasceu em Pará (atual Pará de Minas) MG em 1870, e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 3/5/1954. Abandonou o lar ainda menor de idade e juntou-se à troupe do Circo Sotero, atuando em números de trapézio e de acrobacia.


Estreou como palhaço no circo de Frutuoso Pereira (Rua João Alfredo, Várzea do Carmo, São Paulo SP), por volta de 1889. As primeiras apresentações foram vaiadas. Depois de trabalhar em vários circos, adquiriu experiência bastante para atuar como palhaço do Circo Caçamba, então armado na Praça da República, São Paulo.

Aí trabalhou aproximadamente três anos, e, em 1893, obteve o lugar de palhaço principal do Circo Spinelli, famoso na época, no qual encenou quadros cômicos extraídos de operetas e peças burlescas. Na Semana Santa, representou o papel de Cristo, com o rosto pintado de branco, uma vez que era negro.

O sucesso dessa ideia de conjugar teatro com circo abriu caminho para a popularização de clássicos, como Otelo, de William Shakespeare (1564-1616), e A Viúva alegre, de Franz Lehár (1870-1948), em que reservava para si os principais papéis masculinos. Nos entreatos cantava lundus, chulas e modinhas, especialmente de seu amigo Catulo da Paixão Cearense, acompanhando-se ao violão.

Deixou gravadas algumas músicas na Columbia, por volta de 1910, como o monólogo Caipira mineiro, os lundus As comparações e O baiano na rocha, este em duo com Mário Pinheiro.


Figura: Alegoria feita como lembrança do palhaço-cantor Benjamim de Oliveira, cercado dos quatro tipos por ele criados. As melhores atrações dos circos brasileiros, no final do século XIX e no início do século XX, eram os palhaços cantores. Foram eles, usando seus picadeiros itinerantes, os pioneiros na divulgação da música popular.


Fonte: História do Samba - Editora Globo.

quinta-feira, março 09, 2006

Nozinho


Nozinho (Carlos Vasquez), cantor, nasceu em Macau, Rio Grande do Norte, em 04/11/1887 e faleceu no Rio de Janeiro em 20/03/1962. Foi para o Rio de Janeiro em 1897, iniciando a carreira profissional como humorista. Gravou então, para a Casa Edison, o lundu cômico O Padre e o Sacristão.


Mais tarde, destacou-se entre os seresteiros por sua voz clara e emotiva, e passou a integrar o primeiro grupo de cantores profissionais da Casa Edison, ao lado de Mário Pinheiro, Eduardo das Neves, Cadete e Bahiano. Em 1917 foi nomeado oficial de justiça, tornando-se colega de Donga e Bororó.

Considerado um dos grandes intérpretes de Catulo da Paixão Cearense, possuía extenso repertório de modinhas dos fins do século XIX e inícios do século XX. Deixou algumas dezenas de discos gravados pela Odeon (Casa Edison), Faulhaber e Columbia. Afirmava ser um dos anunciadores das músicas nas gravações mecânicas da Odeon, mas na verdade a norma era cada cantor anunciar sua própria gravação.


Fonte: Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 2000

Eduardo das Neves

Eduardo Sebastião das Neves (Dudu), palhaço de circo, poeta e principalmente cantor, foi o nosso artista negro mais popular do começo do século XX. Nasceu em 1874 no Rio de Janeiro e morreu na mesma cidade em 11 de novembro de 1919. Foi pai do famoso cantor e compositor Cândido das Neves (Índio).


Aos 21 anos foi guarda-freios da Estrada de Ferro Central do Brasil. Demitido passou a ser soldado do Corpo de Bombeiros, de onde também foi expulso por freqüentar fardado rodas boêmias. Em 1895 tornou-se palhaço e cantor, apresentando-se em circos e pavilhões. Nesta profissão percorreu vários estados brasileiros.

A partir de 1906, igualmente a Bahiano, Mário Pinheiro, Cadete e Nozinho era cantor contratado da Casa Edison. Seu extenso repertório versava entre cançonetas, chulas, canções, lundus e modinhas.

Foi Eduardo das Neves quem aproveitou a canção napolitana Vieni sul mare e fez a adaptação para glorificar a chegada do encouraçado Minas Gerais, que se juntaria à esquadra brasileira. Mais tarde, adulterada pelo povo, passou a celebrar tão somente o estado brasileiro e não mais ao navio.

Entre seus sucessos estão: A conquista do ar (Santos Dumont), de 1902. Ficou conhecido também como Palhaço Negro, Diamante Negro, Dudu das Neves e Crioulo Dudu.

Obra

A cabeça da mulher, A carne fraca, A gargalhada Hispano Americana, A guerra de Canudos, A mulata e o crioulo, A pimentinha, Amenidade, Angélica, Aninha faceira, As eleições de Piancó, Aurora, Babo-me todo, Balancê, Bolim-bolacho, Canção do marinheiro (De O Brique), Canção do pobre, Canoa virada, Catorrita, Chegadinho, Choro de arrelia, Clube de Regatas, Desafio dos boiadeiros, Democráticos na ponta, E eu nada, Estranguladores do Rio, Eulina, Gaúcho, Homenagem a Santos Dumont, Iaiazinha, Jovens crioulas, Lília, Lundu gostoso, Manhã na roça, Maria François, Marocas, Menina, teu pai não quer, Moleque chorão, Mulher profunda, Namoro frustado, Não me convém, Negro forro, Noites de Santo Antônio, O amolador, O ano novo, O aumento das passagens, O aquidabã, O bem-te-vi, O bombardeio, O Caninha em apuros, O cara dura, O cocheiro do bonde, O cinco de novembro, O corcunda, O hervário, O Imperador da República, O leque, Ó Margarida, O maxixe, Ó Minas Gerais (versão de Vieni sul mar), O pai de toda gente, O perigo, O pescador, O reinado do maxixe, O soldado que perdeu a parada, O voluntário, Os caçadores, Pai João, Paladinos da Cidade Nova, Pé de ganso, Perdão Emília, Periquitos, Pernambuco é minha terra, Pomada, Quem disse que o dinheiro não é bom, Quando?, Quando o meu peito, Quindins de Iaiá, Rolo em um bonde, Sempre chaleirando, Seu Barnabé, Seu Gouveia, Sindicato da terra da goiabada, Sorteio militar, Um vago, Uma entrevista com Fregoli, Uma festa na Penha.

Discografia

(1907) Balancê • Odeon • 78; (1907) Estranguladores do Rio • Odeon • 78; (1907) Seu Gouveia • Odeon • 78; (1907) Rolo em um bonde • Odeon • 78; (1907) O aquidaban • Odeon • 78; (1907) O amolador • Odeon • 78; (1907) Pai João • Odeon • 78; (1907) Iaiazinha • Odeon • 78; (1907) O soldado que perdeu a parada • Odeon • 78; (1907) E eu nada • Odeon • 78; (1907) Bolim-bolacho • Odeon • 78; (1907) Marocas • Odeon • 78; (1908) O maxixe • Odeon • 78; (1908) Ai Joaquina • Odeon • 78; (1908) Chegadinho • Odeon • 78; (1908) Canção dos marinheiros (de O Brique) • Odeon • 78; (1908) A mulata e o crioulo • Odeon • 78; (1908) Em um café concerto • Odeon • 78; (1908) Aurora • Odeon • 78; (1908) Pai João (O entusiasmo do negro Mina) • Odeon • 78; (1908) Quando o meu peito • Odeon • 78; (1909) Uma festa na Penha • Odeon • 78; (1909) Canção do pobre • Odeon • 78; (1909) Mulher profunda • Odeon • 78; (1909) Menina, teu pai não quer • Odeon • 78; (1909) O ano novo • Odeon • 78; (1909) Angélica • Odeon • 78; (1909) Babo-me todo • Odeon • 78; (1909) O malandro • Odeon • 78; (1909) Os dois bêbados • Odeon • 78; (1909) Canção do marinheiro • Odeon • 78; (1912) O bem-te-vi • Odeon • 78; (1912) Lundu gostoso • Odeon • 78; (1912) Ó, Minas Gerais (Viene sul mar) • Odeon • 78; (1912) Aninha faceira • Odeon • 78; (1912) Não me convém • Odeon • 78; (1912) Democráticos na ponta • Odeon • 78; (1912) Estela • Odeon • 78; (1912) Pomada • Odeon • 78; (1912) Club de Regatas • Odeon • 78; (1912) O voluntário • Odeon • 78; (1912) Canção do soldado • Odeon • 78; (1912) O Caninha em apuros • Odeon • 78; (1912) Lília • Odeon • 78; (1912) O perigo • Odeon • 78; (1912) Noites de Santo Antônio • Odeon • 78; (1912) Margarida vai à fonte • Odeon • 78; (1912) Gaúcho • Odeon • 78; (1912) Seu Barnabé • Odeon • 78; (1912) Festas joaninas • Odeon • 78; (1912) Sindicato da terra da goiabada • Odeon • 78; (1912) Desafio em Braga • Odeon • 78; (1912) Quindins de Iaiá • Odeon • 78; (1912) O pescador • Odeon • 78; (1912) Pé de ganso • Odeon • 78; (1912) Eulina • Odeon • 78; (1912) Manhã na roça • Odeon • 78; (1912) Canoa virada • Odeon • 78; (1912) Amenidade • Odeon • 78; (1912) O corcunda • Odeon • 78; (1912) Moleque chorão • Odeon • 78; (1912) O leque • Odeon • 78; (1912) Sorteio militar • Odeon • 78; (1912) Pernambuco é minha terra • Odeon • 78; (1912) Jovens crioulas • Odeon • 78; (1912) Os caçadores • Odeon • 78; (1912) Periquitos • Odeon • 78; (1912) O Imperador da República • Odeon • 78; (1912) Triângulo mineiro • Odeon • 78; (1912) Maria François • Odeon • 78; (1912) Paladinos da Cidade Nova • Odeon • 78; (1912) O reinado do maxixe • Odeon • 78; (1912) A pimentinha • Odeon • 78; (1912) O bombeiro • Odeon • 78; (1912) Ó Margarida • Odeon • 78; (1912) As eleições de Piancó • Odeon • 78; (1912) O pai de toda gente • Odeon • 78; (1912) O cocheiro do bonde • Odeon • 78; (1912) Negro forro • Odeon • 78; (1913) Namoro frustado • Odeon • 78; (1913) Um vago • Odeon • 78; (1913) Choro de arrelia • Odeon • 78; (1913) Quem disse que o dinheiro não é bom? • Odeon • 78; (1913) O hervanário • Odeon • 78; (1913) O cara dura • Odeon • 78; (1913) Um gago em apuros • Odeon • 78; (1913) Moleque de uma perna • Odeon • 78; (1913) O galo e a galinha • Odeon • 78; (1913) A cabeça da mulher • Odeon • 78; (1913) Meninas traidoras • Odeon • 78.


Fontes: www.musicapopular.org / eduardo-das-neves/music.html; Enciclopédia da Música Brasileira - Editora Art PubliFolha.

Cadete


Cadete (Manuel Evêncio da Costa Moreira), cantor, compositor e instrumentista, nasceu em Ingazeira, PE, em 3/5/1874 e faleceu em Tibagi, PR, em 25/7/1960. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1887, a fim de matricular-se na Escola Militar, onde ganhou o apelido de “Cadete” e chegou a receber uma medalha das mãos de Pedro II, por ser o único a responder uma pergunta sobre o valor do grama.


Preso mais de uma vez por indisciplina, convenceu-se da impossibilidade de conciliar a boêmia com a rigidez da vida militar e abandonou a farda, aproximando-se dos chorões e seresteiros da época.

Conheceu Sátiro Bilhar, que o apresentou a Catulo da Paixão Cearense, em 1896, e, por seu intermédio, integrou-se na roda dos grandes chorões: Anacleto de Medeiros, Irineu de Almeida, Mário Pinheiro, Neco, Pedro de Alcântara, Juca Kalut, Eduardo das Neves, Quincas Laranjeiras, Cantalice, Luís de Souza e outros. Com Bahiano, Mário Pinheiro e Nozinho, formou o primeiro elenco de cantores profissionais da Casa Edison, introdutora no Brasil da gravação de discos de gramofone.

Principiando nos fins do séc. XIX com a gravação de cilindros metálicos (fonogramas), Fred Finger, proprietário do estabelecimento, lançou em 1902 o primeiro catálogo de discos (chapas de cera). Nele seu nome aparece gravado com a sigla K. D. T., cantando para a etiqueta Zon-O-phone cerca de 65 modinhas e lundus, todos da série em cuja lista já se encontravam alguns dos grandes sucessos do seresteiro, destacando-se a modinha Bem-te-vi (Miguel Emídio Pestana e Melo Morais Filho) e o lundu A mulata (Xisto Bahia e Melo Morais Filho). Fez também anúncios para a Casa Edison.

Em 1906 percorreu o Norte do país, apresentando-se no Ceará, Maranhão, Amazonas e Acre, excursionando depois pelo Uruguai e Argentina. No ano seguinte mudou-se para o Paraná e formou-se em farmácia em 1910, tendo morado em Tibagi, Campina Alta e Reserva. Fixou-se definitivamente em Tibagi, abriu uma farmácia e elegeu-se vereador.

Casou em 1908, enviuvou em 1937, casando novamente no ano seguinte. Visitava periodicamente o Rio de Janeiro para fazer gravações, tendo-se apresentado pela última vez nessa cidade em 1942, cantando em programa da Rádio Nacional. Afastando-se do meio artístico, quando morreu deixou grande coleção de discos, muitos dos quais são verdadeiras raridades.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha - SP.