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terça-feira, janeiro 30, 2018

Eu vou pra Vila - Almirante


Noel podia, perfeitamente, ter inspirado o desenhista que imaginou a capa ao lado do samba "Eu vou pra Vila", pois nela aparecem, além dos Tangarás voando em torno do título, os tipos mais explorados pelo compositor em suas obras: o policial, o tipo de chapéu de palha, o seresteiro, a mulata (ilustração extraída da Revista da Semana, de 08/11/1952).

Eu Vou Pra Vila (samba, 1931) - Noel Rosa - Intérprete: Almirante

Disco 78 rpm / Título: Eu vou pra Vila / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Bando de Tangarás (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1930 / Álbum 13256 / Lanç.: 1931



Não tenho medo de bamba
Na roda do samba

Eu sou bacharel... Sou bacharel...
Andando pela batucada
Onde eu vi gente levada
Foi lá em Vila Isabel.

"Na Pavuna tem ternura..."
"Na Gamboa, gente boa..."

Eu vou pra vila,
Onde o samba é de coroa

Já mudei de Piedade,
Já saí de Cascadura,
Eu vou pra vila,
Pois quem é bom não se mistura.

Quando me formei em samba,
Recebi uma medalha,
Eu vou pra vila,
Pro samba de chapéu de palha,
A policia, em todo canto,
Proibiu a batucada.
Eu vou pra vila,
Onde a policia é camarada.

Cordiais saudações - Noel e Bando de Tangarás

Cordiais Saudações (samba, 1931) - Noel Rosa - Intérpretes: Bando de Tangarás e Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título: Cordiais saudações / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Bando de Tangarás, 1929-1931 (Intérprete) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1931 / Nº Álbum 13327 / Lado A / Gênero: Samba.


Intr.:(F Fm C A7 D7 G7 C7)

F Fm C   A7 D7 G7 C 
(Cordiais saudações...)
G7                       Am
Estimo que este maltraçado samba
E7             Am
Em estilo rude, na intimidade
A7         Dm   G7        C
Vá te encontrar gozando saúde
A7         D7    G7     C
Na mais completa felicidade
(Junto dos teus, confio em Deus)
C7          F             Fm             C
Em vão te procurei, notícias tuas não encontrei
C7 B7  Bb7  A7            Dm
Eu   hoje sinto saudades
G7                                  C
Daqueles dez mil réis que eu te emprestei
C7             F
Beijinhos no cachorrinho
Fm             C     
Muitos abraços no passarinho
C7 B7  Bb7  A7            Dm
Um   chute na empregada
G7                       C
Porque já se acabou o meu carinho

G7                      Am
A vida cá em casa está terrível
E7                     Am
Ando empenhado nas mãos de um judeu
A7        Dm  G7         C
O meu coração vive amargurado
A7         D7    G7           C
Pois minha sogra ainda não morreu
(Tomou veneno, e quem pagou fui eu)
C7            F              Fm
Sem mais, para acabar, um grande abraço
C
Queira aceitar
C7 B7  Bb7   A7                Dm
De  alguém que está com fome
G7                           C
Atrás de algum convite pra jantar
C7              F          Fm              C
Espero que notes bem, estou agora sem um vintém
C7 B7  Bb7  A7                Dm
Po...dendo, manda-me algum...
G7                           C
Rio, sete de setembro de trinta e um

segunda-feira, julho 08, 2013

O almirante do Samba

O morro é um mastro. Um mastro de navio tripulado por malandros. Almirante é o seu capitão. 


Um capitão que é Almirante e que commanda cantando. Cantando marchas e sambas. “Na Pavuna” foi o seu successo revelador. Depois disto elle fez outras “manobras” com exito. 

Em 1933, “Moreninha da praia” e “Trem blindado”. Este anno “Trem azul”, “Garota da rua”, “O orvalho vem cahindo”, “Menina Oxygenée”, “Você por exemplo”, “Historia do Brasil”, etc.

Almirante é, além disto, um optimo contador de anecdotas — como quasi todos os “lobos do mar”. No palco, o seu successo tambem é indiscutivel. E assim sendo, nada mais justo do que considerar Almirante o Ministro da Marinha da nossa musica popular.

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Texto e desenho, em sua forma original, extraído da revista "O Malho", de 08/02/1934.

domingo, junho 30, 2013

Almirante e seus tangarás

Desenho de Nássara
"Tangará é um passaro do Norte. Elegante e cantador. Sobretudo cantador.

Os tangarás se reunem em grupo de cinco e emquanto um canta e marca o compasso com a cabeça os outros dansam, obedecendo, tanto quanto possivel a um passaro, obedecer ao rythmo determinado pelo tangará maestro.

Os outros passaros, mesmo os de vós mais aguda que a dos “Tangarás”, quando estes cantam e dansam, calam-se com uns ares assim respeitosos de quem ouve um Caruso, ou mais modernamente um Gigli.

Conta ainda a lenda nortista que tão grande era o prestigio dos tangarás que os proprios indios, ao lhes ouvir o cantico mavioso, ajoelhavam-se mais enlevados que temerosos, até o final do “concerto”. 

São esses os inspiradores dos Tangarás de hoje que, não menos elegantes e não menos cantores deliciam o carioca bohemio e não bohemio, com os seus sambas, as suas marchas, as suas emboladas.

Por onde quer que passem as “Tangarás” captivam, seduzem os ouvidos de todo o mundo. E se não ha indios para se ajoelharem genuflexos, ante a musica dos “Tangarás” de hoje (que, na verdade, são mais que “tangarás”, são “gaviões”) ha uma linda compensação: é que as mais lindas morenas e as mais trefegas lourinhas param a escutal—os... 

E só nao se ajoelham porque o vestido curto não as deixa ajoelhar.

Os “Tangarás” da nossa linda cidade são cinco: “Almirante”, Candoca da Annunciação, os dois felizes autores do samba “Na Pavuna”; João de Barros, Alvim e Glauco Vianna.

“Almirante” faz versos; Candoca é violoncelista e compositor; João de Barros é tambem poeta, canta e toca tamborim sobre qualquer tampa de piano; Alvim toca violão como ninguem e Glauco Vianna é outro musicista não menos famoso...

Essa “trinca” de cinco, vive observando, colhendo aqui e ali dados sobre o samba, o authentico, da Mangueira e do Salgueiro...

Foi ahi que os “Tangarás” descobriram não o Brasil ou a polvora mas o Canuto, o Puru’ca e o Andarahy, os diplomados, os da “Parte Alta” do Salgueiro, o que quer dizer em linguagem academica, tres expoentes maximos do samba nacional.

Dahi, desse rigor de “escola” o exito constante dos cinco Tangarás...

Exito que elles procuram assegurar cada vez mais, offerecendo á musica popular o seu cunho absolutamente caracteristico... ".

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Fonte: Diário da Noite, de 26/02/1930.

segunda-feira, junho 03, 2013

Alvinho

Alvinho (Álvaro Miranda Ribeiro - Rio de Janeiro, RJ, 1910), cantor, compositor e violonista, nasceu e se criou no bairro de Vila Izabel onde conviveu com Noel Rosa, João de Barro e Almirante. Convicto artista amador da música, chegou a se recusar a cantar por dinheiro quando integrante do Bando de Tangarás. Estudou odontologia.

Começou a carreira artística como integrante do Bando de Tangarás formado por ele, Almirante, Henrique Brito, Braguinha e Noel Rosa em 1929. Com o Bando de Tangarás apresentou-se entre outros locais na Rádio Educadora ao lado de Lamartine Babo.

Enquanto componente desse grupo nunca gravou como solista tendo atuado apenas como violonista nos 34 discos gravados pelo grupo.

Estreou em disco solo em 1930, na gravadora Odeon, como crooner da Orquestra Pan American interpretando os fox-trot Charming, de Stothart e Red hot and blue rhythm, de Swanstron, Davis e Coots com versões de Osvaldo Santiago. No mesmo ano, gravou Canção, de Henrique Brito, com acompanhamento de Eduardo Souto ao piano. Gravou também a cançoneta Bangalô, primeira composição de Orestes Barbosa, com música de Osvaldo Santiago; a valsa Deixa-me sonhar, de Clarke e H. Akst com versão de Osvaldo Santiago e as marchas Ode à Revolução, de Júlio Casado e Osvaldo Santiago e Bico de lacre não vem mais, de Osvaldo Santiago, as quatro com acompanhamento da Orquestra Copacabana.

No ano seguinte, gravou os sambas Promessa e Jogo de amor, de Esmerino Cardoso e Ezequiel Costa Rodrigues; Vamos ver, de Esmerino Cardoso e Todo mundo canta, de Esmerino Cardoso e Nicola Bruni, com acompanhamento da Orquestra Copacabana.

Ainda em 1931, transferiu-se para a Parlophon e gravou com acompanhamento da Orquestra Guanabara o samba Sossego, de João Ginaldo e a marcha Uma andorinha não faz verão, de João de Barro em sua primeira versão, já que essa marcha ganharia posteriormente uma nova letra de Lamartine Babo. No mesmo ano, gravou, também com o acompanhamento da Orquestra Guanabara, a marcha Rosalina, de Ary Barroso e o samba Prosa de vadio, de Glauco Viana.

Gravou também no mesmo ano os fox-trote Ouve o que diz meu coração, de Sérgio Brito; Canção azul, de João de Barro e Bem sabes porque é, de sua autoria; a marcha Não diz que não, de Eduardo Souto e Valdo Abreu; o samba Depois que eu te vi, de Eduardo Souto e, em dueto com Almirante, o fox-blue Você, de sua autoria.

Para o carnaval de 1932, lançou as marchas-pernambucanas Carnavá voltou e A canoa afundou, de Nelson Ferreira com acompanhamento da Orquestra Guanabara. Em 1934, a Odeon relançou o samba Sossego e a marcha Uma andorinha não faz verão.

Ao todo, gravou 12 discos com 23 músicas nas gravadoras Odeon e Parlophon.

Obra

Bem sabes porque é; Você.

Discografia
(1930) Charming/Red hot and blue rhythm • Odeon • 78
(1930) Canção • Odeon • 78
(1930) Bangalô/Deixa-me sonhar • Odeon • 78
(1930) Ode à Revolução/Bico de lacre não vem mais • Odeon • 78
(1931) Promessa/Jogo de amor • Odeon • 78
(1931) Vamos ver/Todo mundo canta • Odeon • 78
(1931) Sossego/Uma andorinha não faz verão • Parlophon • 78
(1931) Rosalina/Prosa de vadio • Parlophon • 78
(1931) Ouve o que diz meu coração/Canção azul • Parlophon • 78
(1931) Você (Com Almirante)/Bem sabes porque é • Parlophon • 78
(1931) Não diz que não/Depois que eu te vi • Parlophon • 78
(1932) Carnavá voltou/A canoa afundou • Parlophon • 78
(1934) Sossego/Uma andorinha não faz verão • Odeon • 78

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Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

quinta-feira, setembro 13, 2012

Paulo Netto

Paulo Netto (Paulo Netto de Freitas), apresentador, cantor, compositor e radialista, nasceu em 02 de Julho de 1901 em Santos, SP, na praia de José Menino. Veio para o Rio de Janeiro com cinco anos, morando no bairro da Lapa. Quando jovem aprendeu a tocar violão e como era dono de uma voz grave e muito afinada, começou a freqüentar as grandes rodas de boêmios. Com um metro e noventa de altura recebeu o apelido de “Trepadeira”. Foi um dos fundadores do Rádio, iniciando como cantor, locutor e apresentador dos seus programas.

Trabalhou nas emissoras Rádio Transmissora Brasileira P.R.E - 3 (Programa Grajahú), Sociedade Rádio Nacional P.R.A – 8 (Programa Paulo Netto), Rádio Continental (Programa Suburbano), Rádio Guanabara (Programa Melodias Favoritas) e Rádio Tupi (Programa Hora do Mercado Municipal).

Com seu grande amigo e companheiro Almirante, participava de serestas e shows com o famoso Bando de Tangarás que era formado por Almirante, Braguinha, Noel Rosa e Alvinho.

Como cantor gravou as seguintes músicas: Mulata Fuzileira (de sua autoria com Hervé Cordovil). Coração de picolé (com Jayme Pitolomi), Como é que pode (Hervé Cordovil e Jayme Pitolomi) e Pesado 13 (Noel Rosa), única paródia de Noel Sinhá Ritinha uma música sertaneja, que Paulo Netto gravou acompanhado do Bando dos Tangarás (Disco Parlofon-13.311) de 1931.

Participou de filmes nacionais como Banana da Terra (1939) com Carmem Miranda, Oscarito, Dircinha Batista, Lauro Borges e Castro Barbosa e outros; Laranja da China (1940) com Grande Otelo, Francisco Alves, Virginia Lane, Lauro Borges e Castro Barbosa, Barbosa Júnior e outros; Foot-Ball em Família (1941) com Grande Otelo, Dyrcinha Batista, Jayme Costa, Renato Murce e outros.

Trabalhou muitos anos na Rádio Nacional ao lado de Paulo Tapajós no Departamento Musical. Criava shows em cinemas e teatros, com o elenco de artistas e cantores da Rádio Nacional.

Participou de várias campanhas para a Rainha do Rádio com Ângela Maria, Marlene e Emilinha Borba.

Foi um grande historiador, deixando o seu acervo de documentos, recortes e fotos, para o seu único filho Paulo Netto de Freitas Filho, herdeiro do seu casamento com Morella Viola Netto de Freitas, hoje com 86 anos e dona de uma memória fantástica.

Faleceu em 01 de Outubro de 1981.

Fonte: Revivendo Músicas - Biografias.

quarta-feira, novembro 10, 2010

Meu sofrer

Gastão Formenti
Meu sofrer (Queixumes) (modinha, 1930) - Noel Rosa e Henrique Brito

Disco 78 rpm / Título: Meu sofrer (Queixumes) / Autoria: Brito, Henrique, 1908-1935 (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / violões (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Brunswick, 1930 / Nº Álbum 10120 / Lançamento 12/1930 / Lado B / Gênero: Modinha /

Sem estes teus tão lindos olhos,
Eu não seria sofredor
Os meus ferinos abrolhos
Nasceram do teu amor.
Eu hoje sou um trovador
E gosto até de assim penar,
Vou te dizer os meus queixumes:
Ciúmes tenho do seu olhar.

Quero sempre te ver bem junto a mim,
Porque te esquivas, assim, coração
De uma paixão?
O teu olhar traz alegria
Mas também traz o amargor,
Sem ele, então, não viveria
Vida não há sem dor.

Henrique Brito

Henrique Brito, instrumentista e compositor, nasceu em Macau, RN, em 15/7/1908, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 11/12/1935. Com uma bolsa do governo do Rio Grande do Norte, transferiu-se para o Rio de Janeiro, ingressando no Colégio Batista.

Foi logo apelidado Violão por seus colegas, entre os quais Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha, depois conhecido com João de Barro, que o convidou, em 1928, a integrar o conjunto Flor do Tempo, que estava formando com colegas e amigos do bairro de Vila Isabel.

Como violonista, passou a apresentar-se em festas e reuniões com o grupo, que em seguida tomou o nome de Bando de Tangarás. Tocava também um instrumento de sua invenção, a violata, uma espécie de violão feito com uma lata de querosene.

A partir de 1929, o grupo gravou vários discos na Parlophon. No ano seguinte gravou como solista de violão várias obras suas na Brunswick: Naná, Alice, Toma lá! dá cá! e Saudades do Norte, e Gastão Formenti gravou sua música Meu sofrer (com Noel Rosa), também na Brunswick. 

Quando o conjunto se desfez em 1931, foi para Los Angeles, EUA, integrando em 1932 o Brazilian Olympic Band, dirigido por Romeu Silva

Mais tarde, com a volta desse conjunto para o Brasil, permaneceu nos EUA, onde, impressionado com os efeitos obtidos pelo cinema sonoro, pensou na possibilidade de ampliar o som das cordas do violão. Levou sua idéia a um fabricante de instrumentos musicais em San Francisco, E.U.A., e em 1933, segundo Almirante, regressou ao Rio de Janeiro, trazendo o primeiro violão elétrico de que se tem notícia no Brasil. O instrumento, fabricado segundo sua concepção, não foi patenteado em seu nome. 

 Obra

Alma em pedaços (c/Pedro Brito), valsa, s.d.; Deusa da mata (c/C. Guimarães), toada, s.d.; Flor do tempo, valsa, s.d.; Manhã pequena (c/José Giannini), canção, s.d.; Olhos de Helena (c/Pedro Brito), valsa, s.d.; O preço do café (c/dPedro Brito), samba, s.d.; Queixumes (c/Noel Rosa), canção, 1940; Sem um adeus (c/Gomes Júnior), samba, s.d.; Só para você me ouvir (c/Barreto Neto), blue, sd.; Velha melodia (c/Barreto Neto), fox-blue, s.d.; Viola triste (c/Pedro Brito), canção, s.d. 

Alice (valsa) / Intérprete: Brito, Henrique / Compositor: Brito, Henrique / Gravadora Brunswick / Número do Álbum 10072 / Data de Gravação 00/1930 / Data de Lançamento 00/1930 / Lado B / Disco 78 rpm:



Naná (tango) / Intérprete: Brito, Henrique / Compositor: Brito, Henrique / Gravadora Brunswick / Número do Álbum 10072 / Data de Gravação 00/1930 / Data de Lançamento 00/1930 / Lado B / Disco 78 rpm:



Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFOLHA.

segunda-feira, novembro 08, 2010

Canuto

Canuto (Deocleciano da Silva Paranhos), cantor e instrumentista falecido em 27/11/1932, morou no morro do Salgueiro, Rio de Janeiro, RJ, e foi lutador de boxe. Trabalhou como lustrador de móveis.

Frequentou importantes meios musicais como o Ponto Cém Réis em Vila Isabel onde conviveu com Noel Rosa, Braguinha e outros. Embora de discreta popularidade, atuou ativamente nos anos 1910 e 1920.

Em 1930, seu samba Não quero amor nem carinho foi gravado na Parlophon por João Gabriel de Faria.

Em 1927, teve a canção Canção antiga gravada por Francisco Alves na Odeon. Em 1929, tocou tamborim na gravação do samba Na Pavuna, de Almirante e Homero Dornelas feita por Almirante e o Bando de Tangarás, a primeira em que se utilizou instrumentos de percussão em gravações.

Em 1930, seu samba Não quero amor nem carinho foi gravado na Parlophon por João Gabriel de Faria. Em 1931, os sambas Tu juraste...eu jurei e Vou à Penha rasgado, parcerias com Braguinha foram gravados na Parlophon pelo Bando de Tangarás com vocais de João de Barro. Nesse ano, gravou os sambas Não quero e O amor é um buraco, de sua autoria. No mesmo ano, gravou os sambas Eu agora fiquei mal, de Noel Rosa e Antenor Gargalhada e Esquecer e perdoar, de sua autoria e Noel Rosa.

Teve ainda o samba Já não posso mais, com Almirante, Puruca e Noel Rosa gravado pelo Bando de Tangarás com vocal de Almirante. Em 1932, gravou na Columbia o samba Não julgues que é dor, de sua autoria e Elói do Amparo.

Obra

Esquecer e perdoar (c/ Noel Rosa). Já não posso mais (c/ Almirante, Puruca e Noel Rosa). Não julgues que é dor (c/ Elói do Amparo), Não quero, Não quero amor nem carinho, O amor é um buraco, Tu juraste...eu jurei (c/ Braguinha), Vou à Penha rasgado (c/ Braguinha).

Discografia

(1932) Não julgues que é dor - Columbia - 78; (1931) Não quero / O amor é um buraco - Parlophon - 78; (1931) Eu agora fiquei mal / Esquecer e perdoar - Parlophon - 78

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira - In: AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982; MARCONDES, Marcos Antônio. (ED). Enciclopédia da Música popular brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed. São Paulo: Art Editora / Publifolha, 1999; VASCONCELOS, Ary. Panorama da música popular brasileira. São Paulo: Martins, 1965.

quarta-feira, outubro 27, 2010

Tava na roda do samba

Tava na roda do samba (samba, 1932) - Salvador Correia

Título da música: Tava na Roda do Samba / Gênero musical: Samba / Intérprete: Almirante e Bando de Tangarás / Compositor: Correia, Salvador / Álbum 33524 / Gravação e lançamento: 00/1932 / Lado A / Disco selo Victor 78 rpm.



Tava na roda do samba
Quando a polícia chegô
Vamos acabá co'esse samba
Que o delegado mandô...oiii (x2)

Vâmo aguentando negrada
Que o samba é dia e lia
E quem não tiver coragem
Que apele pra correria...ôôô (x2)

Tava na roda do samba
Quando a polícia chegô
Vamos acabá co'esse samba
Que o delegado mandô...oiii (x2)

O samba tava enfezando
Combato que com harmonia
Mas a polícia chegando
Moveu com a pancadaria...ôôô (x2)

Tava na roda do samba
Quando a polícia chegô
Vamos acabá co'esse samba
Que o delegado mandô...oiii (x2)

Vâmo acabá com esse samba
Oi, vâmo acabá de uma vez
Que lá vem o delegado
Que vai nos levá pro xadrez...ôôô (x2)

terça-feira, setembro 28, 2010

Dona Antonha


Dona Antonha (marcha/carnaval, 1930) - João de Barro - Interpretação: Bando de Tangarás

Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha, compositor, cineasta, dublador e cantor (Rio de Janeiro, RJ 29/3/1907 - 24/12/2006), cantava desde criança, acompanhado ao piano pela avó. Fez seus primeiros estudos em escola pública, de onde foi para o Colégio Santo Inácio, de padres jesuítas, e depois para o Colégio Batista, ali formando com os colegas um conjunto musical, o Flor do Tempo, onde adotou o pseudônimo de "João de Barro".

Ao se profissionalizar, o grupo alterou sua formação e nome, surgindo o Bando de Tangarás, ao qual aderiu outro morador de Vila Isabel, o jovem Noel Rosa.

Após realizar várias gravações com o grupo, Braguinha estreou em disco como solista em 1931, interpretando duas composições de Lamartine Babo, Cor de prata e Minha cabrocha. Logo depois, desistiu da carreira de cantor, já tendo estreado como compositor, com Dona Antonha, marcha gravada por Almirante para o Carnaval de 1930, pela Parlophon: "Ó dona Antonha...! / Ó dona Antonha...! / Tu tá ficando / Mas é mesmo sem-vergonha!..."..

Disco 78 rpm / Título da música: Dona Antonha / João de Barro "Braguinha", 1907-2006 (Compositor) / Bando de Tangarás, 1929-1931 (Intérprete) / João de Barro, 1907-2006 (Intérprete) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 13108 / Nº da Matriz: 3305 / Gravação: 29/01/1930 / Lançamento: Março/1930 / Gênero musical: Marcha / Coleções: Nirez, Humberto Franceschi, Claudio Jorge Barros




Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora, 1998 SP; Dicionário Cravo Albin.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Mulata fuzarqueira

Sentimento e melancolia é frequente na obra musical de Noel Rosa (foto). Ele sofre muito com desilusões amorosas e isso vai se fixando em seus sambas. Aqui retrata uma mulher que cozinheira "cuida das gordura" e depois costureira "cuida das costura", em suma traz consigo um lacrimário de dor. O coração dessa mulher revive uma tristeza e o amor a fez sofrer, como se ela tivesse sido envolvida em um sonho ilusório, que a deixou sozinha e desamparada no mundo.

Mulata fuzarqueira (samba, 1931) - Noel Rosa - Intérprete: Noel Rosa acompanhado pelo Bando de Tangarás

Disco 78 rpm / Título da música: Mulata fuzarqueira / Noel Rosa, 1910-1937 (Compositor) / Noel Rosa, 1910-1937 (Intérprete) / Bando de Tangarás (Acomp.) / Gravadora: Parlophon / Gravação: 18/08/1931 / Lançamento: 1931 / Nº do Álbum: 13327-b / Nº da Matriz: 131185 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: Robespierre Martins Teixeira, Humberto Franceschi


Mulata fuzarqueira, artigo raro
Que samba de dar rasteira
E passa as noite inteira em claro

Não quer mais saber de preparar as gordura
Nem usar mais das costura
O bom exemplo já te dei

Mudei a minha conduta
Mas agora me aprumei

Mulata fuzarqueira da gamboa
Só anda com tipo à toa
Embarca em qualquer canoa

Mulata, vou contar as minhas mágoa
Meu amor não tem R
Mas é amor debaixo d'água
Não gosto de te ver sempre a fazer certos papel
A se passar pros coronel
Nasceste com uma boa sina
Se hoje andas bem no luxo
É passando a beiçolina

Mulata, tu tem que te preparar
Pra receber o azar
Que algum dia há de chegar
Aceita o meu braço e vem entrar nas comida
Pra começar outra vida
Comigo tu podes viver bem
Pois aonde um passa fome
Dois podem passar também



Fonte: Discografia Brasileira - IMS.

Batucada

Eduardo Souto
Batucada (marcha/carnaval, 1931) - João de Barro e Eduardo Souto

Disco 78 rpm / Título da música: Batucada / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Eduardo Souto (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Bando de Tangarás, 1929-1931 (Intérprete) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 13256-a / Nº da Matriz: 3730 / Gravação: 02/08/1930 / Lançamento: Jan/1931 / Gênero musical: Marcha / Coleções: Robespierre Martins Teixeira, Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


Ô, ô
Nós semo é memo do amô (x2)

Mulatinha frajola
Entra aqui no cordão (cordão)
Que a fuzarca consola
As mágoa que a gente
Traz no coração

(refrão)

Mulata, benzinho
Vem pra mim de uma vez
Dou-te amor e carinho
Dinheiro não tenho
Não sou português

(refrão)

Vou comprá uma redoma
Nela eu vou te guardá (guardá)
Que os malandros te oiando
Meu bem, são capaz
De te profaná

(refrão)

Vem, meu bem, pro Salgueiro
Leblon não vale nada
Pois nos bairros de lá
Mulata, meu anjo
Não tem batucada

(refrão)



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Batente

Batente (samba/carnaval, 1931) - Almirante

Disco 78 rpm / Título da música: Batente / Almirante, 1908-1980 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Bando de Tangarás, 1929-1931 (Intérprete) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 13242-b / Nº da Matriz: 4006 / Lançamento: Nov/1930 / Gênero musical: Samba / Coleções: Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


Queria te ver no batente
Sambando com a gente
Do Morro do Salgueiro
Queria te ver sem orgulho
Fazendo barulho
Batendo pandeiro (x2)


Sobe lá no morro
Para ver o que é orgia
Ver a bateria
Ver o tamborim
Ver o cavaquinho
Que só faz é din-din-din
Ver o violão
Como faz bem a marcação

(refrão)

Samba só é samba
Com batuque verdadeiro
Quando tem pandeiro
Marcando a cadência
Quando o centro é feito
Por chocalho e por barrica
Veja como fica
Acompanhado pela cuíca

(refrão)



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

terça-feira, abril 04, 2006

Bando de Tangarás

Tangarás: caricatura de Nássara

Bando de Tangarás - Conjunto vocal e instrumental organizado no Rio de Janeiro RJ em 1929 por Almirante, pandeiro e vocal; João de Barro, violão e vocal; Henrique Brito, violão; Noel Rosa, violão; e Alvinho (Álvaro Miranda Ribeiro, Rio de Janeiro 1909-), violão e vocal. 


Surgiu como prolongamento do conjunto amador Flor do Tempo, criado por João de Barro, Henrique Brito, Alvinho e outros colegas do Colégio Batista, de Vila Isabel, Rio de Janeiro, no início de 1928; em julho, o grupo passou a contar com a participação de Almirante. Reunindo-se na casa de Eduardo Dale, animador do grupo, e apresentando-se em festas familiares, chegou a exibir-se em Vitória ES, a convite do governador.

No ano seguinte, quando recebeu proposta de gravação da Odeon, o grupo resolveu profissionalizar-se: selecionou elementos, convidou Noel Rosa - morador do bairro e já conhecido como bom violonista - e estreou com o nome de Bando de Tangarás, na Parlophon, subsidiária da Odeon, com o samba Mulher exigente (Almirante).

Noel Rosa e Bando de Tangarás em 1929: "Vamos Fallá do Norte".

Entre os diversos discos gravados desde então pela Odeon, destacaram-se o cateretê Anedota e a embolada Galo garnizé (ambos de Almirante); Festa de São João, cena regional de João de Barro em duas partes; e a célebre Na Pavuna (Almirante e Homero Dornellas), composta em fins de 1929 e grande sucesso do Carnaval do ano seguinte, onde apareceu pela primeira vez em disco uma batucada com tamborim, cuíca, surdo e pandeiro. Da gravação participaram ainda a pianista Carolina Cardoso de Meneses e o bandolinista Luperce Miranda.

Entre suas experiências e inovações, destacam-se a marcha Lataria (Almirante e João de Barro), gravada em 1930, com acompanhamento só de latas, e Eu vou pra Vila (Noel Rosa), acompanhada exclusivamente de pandeiros. O grupo chegou a incluir outros instrumentistas, como os violonistas Manuel de Lino e Sérgio Brito, e os garotos ritmistas Abelardo Braga e Daniel Simões. No mesmo ano participaram do filme Coisas nossas, produzido por Wallace Downey, cantando quatro músicas.

O Bando de Tangarás em 1930. Atrás estão João de Barro, Manoel Lino, Almirante, Luperce Miranda e Noel Rosa. Sentados, na frente, Sérgio Brito, Daniel Simões e Abelardo Braga.

O conjunto gravou até 1931, quando se dissolveu e seus integrantes prosseguiram carreiras individuais. Nesse mesmo ano, Alvinho estreou como cantor, lançando Bangalô, primeira composição gravada de Orestes Barbosa, realizada de parceria com Osvaldo Santiago. Durante a década de 1930, gravou ainda uma série de discos, afastando-se depois do cenário musical.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.