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segunda-feira, dezembro 09, 2013

Mário de Azevedo

Mário de Azevedo, pianista, nasceu em Cachoeiro do Itapemirim, ES, em 18/1/1905, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, provavelmente em 1985. Iniciou a carreira artística, como era comum até o final da década de 1920, como pianista de casas de músicas como Pinquim, Viúva Guerreiro, Melodia, Carlos Gomes e Arthur Napoleão. Em 1933, fez a música do filme Onde a terra acaba, com direção de Octávio Gabus Mendes.

Estreou em disco em 1943, pela Columbia gravando ao piano quatro valsas de Eduardo Souto: Verão, Inverno, Outono e Primavera. No ano seguinte, gravou pela Continental o tango O despertar da montanha e as valsas A ternura do mar, de Eduardo Souto, Supremo mestre, da Viúva Guerreiro, e Subindo ao céu, de Aristides Borges.

Em 1945, gravou quatro composições de Eduardo Souto, o fado O pranto da fadista, a valsa Solidão, e os tangos Do sorriso das mulheres nasceram as flores, e O despertar de um sonho, além do lundu Os lundus da marquesa, de Francisco Braga, e as valsas Valsa-capricho, de F. Chiaffitelli, Destino, de Sidney Baynes, e Sonhando, de Joyce.

Em 1946, lançou mais três discos interpretando as valsas Sugestão de um olhar, de Eduardo Souto, Dolorosa, de Mário Penaforte, Quanto doi uma saudade, de Mariana da Silveira, Ao cair da tarde, de Pelágio Valentim, Valsa dos que sofrem, de Alfredo Gama, e Flor do mal, de Santos Coelho. Gravou ainda a valsa Quando penso em ti, da Viúva Guerreiro, e a canção Casinha pequenina, apresentada como de domínio público. Além da gravação de discos, continuou se apresentando com boa aceitação em programas pianísticos na Rádio Nacional, Tupi e outras.

Em 1948, gravou a valsas Sonhos azuis e Ciúmes sem razão, ambas de João de Barro e Alberto Ribeiro, a toada-canção Amargura, de Eduardo Souto, e a canção Nossa canção de amor, de Celso Cavalcanti e Fred Mello.

Em 1949, mudou de gravadora e passou a gravar pela Odeon, onde registrou o tango-brasileiro Sugestões de um sorriso, de Eduardo Souto, as valsas Quando dois destinos divergem, de Lauro Maia, Coração que sente, de Ernesto Nazareth, e Você, de Osmard de Andrade, a mazurca Saudade, de Graça Guardia, e o noturno Le Lac de Come, de G. Galos. Em 1950, gravou a canção Mágoas, de Eduardo Souto, o chótis Nas asas de um sonho, de Carlos T. de Carvalho, e as valsas Foi assim, de Eduardo Souto, e Sônia, de Mariana da Silveira.

Em 1954, contratado pela gravadora Sinter lançou com boa aceitação da crítica mais especializada o LP Música de Eduardo Souto na interpretação de Mário de Azevedo, um tributo ao compositor paulista Eduardo Souto no qual interpretou as obras Do sorriso das mulheres nasceram as flores, Divagações, Despertar da montanha, Primavera, E a pobre guitarra morreu, Evocação, e George Walsh.

Em 1955, lançou dois LPs pela Sinter, intitulados Mário de Azevedo ao piano e Valsas, onde interpretou ao piano dez valsas clássicas: Quero dizer-te adeus, de Ary Barroso, Como esquecer-te, de Airão Benjamin, Canducha, de Juraci Silveira, Revendo o passado, de Freire Júnior, Flor do mal, de Santos Coelho, Minha vida em tuas mãos, de Luís Bittencourt, Saudade de Iguape, de João B. Nascimento, Tardes de Lindóia, de Zequinha de Abreu e Pinto Martins, Quando sonho contigo, de Orestes Ciuff, e Dores d'alma, de Antônio Bittencourt.

Em 1956, gravou um tributo ao compositor paulista Marcelo Tupinambá no LP Música de Marcelo Tupinambá no qual tocou ao piano os tanguinhos Maricota, sai da chuva, Ai ai, Tristeza de caboclo e Viola cantadera, de Marcelo Tupinambá e Arlindo Leal, os maxixes Fandango e Balaio, de Marcelo Tupinambá e Castelo Neto, o tanguinho Pierrô, de Marcelo Tupinambá e Sotero de Souza, e o tanguinho Bambuí, de Marcelo Tupinambá.

Em 1958, gravou com seu conjunto um tributo a Ernesto Nazareth no LP A música de Ernesto Nazareth para você dançar - Mário de Azevedo e Seu Conjunto com doze obras do compositor carioca a saber: Matuto, Ameno Resedá, Espalhafatoso, Atrevido, Miosótis, Travesso, Nenê, Brejeiro, Escovado, Duvidoso, Bambino, e Mandinga.

Em 1959, gravou um novo tributo a Eduardo Souto no LP Música de Eduardo Souto na interpretação de Mário de Azevedo no qual interpretou as músicas Primavera, Do sorriso das mulheres nasceram as flores, Nuvens, A esperança, Tristeza, A saudade, Meditando, Despertar da montanha, Um beijo ao luar, E a pobre guitarra morreu, O pranto de um fadista, Sugestões de um sorriso, e Amargura, todas de Eduardo Souto. No mesmo ano, gravou o LP Tempos saudosos - Músicas de Ernesto Nazareth e Alfredo Gama - Mário de Azevedo e seu piano.

Em 1960, gravou o LP Subindo ao céu no qual interpretou as valsas Subindo ao céu, de Aristides Borges, Quando penso em ti, da Viúva Guerreiro, Saudade, de Graça Guardia, Supremo mestre, da Viúva Guerreiro, Folhas ao vento, de Milton Amaral, Flutuando, de Aurélio Cavalcanti, Rosa, de Pixinguinha, Só tu não sentes, de J. F. Fonseca Costa, Cascata de lágrimas, de Moacir Braga, Nas asas de um sonho, de C. T. Carvalho, Ao cair da tarde, de Pelagio Valentim, e Quanto dói uma saudade, de Mariana da Silveira.

Gravou mais de vinte discos em 78 rpm pelas gravadoras Continental, Columbia e Odeon e vários LPs pela gravadora Sinter. Foi um grande intérprete de Ernesto Nazareth e Eduardo Souto.


Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Carioca, de 07/03/1936.

segunda-feira, janeiro 14, 2013

Orquestra Pan American


A Orquestra Pan American foi criada por volta de 1927 pelo maestro, arranjador e violinista Simon Bountman, era integrada por I. Kolman, no saxofone e clarinete; Júlio Sammamede, no saxofone; D. Guimarães, no trompete; Caldeira Ramos, no trombone; J. Rondon, no piano; Amaro dos Santos, na tuba; Dermeval Neto, no banjo, e Aristides Prazeres, na bateria. Além de acompanhar dezenas de gravações na Odeon entre 1927 e 1930, a orquestra também gravou 47 músicas em 36 discos.

A orquestra estreou em disco em 1927 gravando o fox-trot Pergunte a ela, de autor desconhecido. No mesmo ano, gravou os fox-trot Pérola do Japão, de J. Fonseca Costa, o Costina, e Uma noite de farra, de Lúcio Chameck; as toadas-brasileiras Paulicéia como és formosa; Quebra-cabeças e Magnífico e o maxixe Proeminente, de Ernesto Nazareth, além do maxixe Mexe baiana, de José Francisco de Freitas.

Em 1928, a orquestra gravou o maxixe Só de cavaquinho, de Luís Nunes Sampaio, o Careca, e as toadas brasileiras Desengonçado; Jacaré; Tenebroso e Jangadeiro e a marcha Ipanema, de Ernesto Nazareth; o maxixe Cor de canela, Lúcio Chameck e a valsa Minha vida pela tua, de Marcelo Tupinambá.

Nesse ano, a orquestra fez acompanhamento para as primeiras gravações, acompanhando o cantor Vicente Celestino no registro do samba Que vale a nota sem o carinho da mulher?, de Sinhô. Em seguida, acompanhou Mário Reis nos sambas Jura, de Sinhô; Vou à Penha, de Ary Barroso e Dorinha, meu amor, de Freitinhas (José Francsico de Freitas), três gravações clássicas da música popular brasileira e Francisco Alves na canção Cabocla do sertão e no samba-sertanejo Rancho vazio, de Eduardo Souto; na marcha Seu Voronoff, de Lamartine Babo.

No ano seguinte, gravou os maxixes Uma noite em claro e Odeon e o samba Amanhã tem mais, de Mário Duprat Fiúza; o samba-canção Linda flor, de Henrique Vogeler; o samba Jura, de Sinhô; o maxixe Gosto assim, de I. Kolman e o choro Despresado, de Pixinguinha.

Ainda em 1929, a orquestra acompanhou o cantor Francisco Alves em mais de dez discos incluindo os sucessos Seu Julinho vem, marcha de Freire Júnior e Eu ouço falar (Seu Julinho), samba de Sinhô. Acompanhou ainda os cantores Alfredo Albuquerque; Raul Roulien; Oscar Gonçalves e Mário Reis, este, entre outras, no sucesso Vamos deixar de intimidades, de Ary Barroso, além da cantora Aracy Cortes no samba-canção A polícia já foi lá em casa, de Olegário Mariano e Júlio Cristóbal, e nos sambas Quem quiser ver?, de Eduardo Souto; Tu qué tomá meu nome, de Ary Barroso e Zomba, de Francisco Alves. Ainda em 1929, a orquestra acompanhou a atriz Margarida Max na gravação do samba-canção Por que foi?, de Pedro de Sá Pereira e Luiz Iglesias, e da marcha Olha a pomba, de Vantuil de Carvalho.

Em 1930, acompanhou Almirante na gravação dos sambas Tô t' estranhando, de Henrique Brito e Mário Faccini e Mulher exigente, de Almirante, além de acompanhar várias gravações de Mário Reis e Francisco Alves, destacando-se com esse último no acompanhamento da marcha Dá nela!, de Ary Barroso, grande sucesso no carnaval daquele ano. Ainda nesse ano, a orquestra acompanhou gravações de Augusto Calheiros, Gastão Formenti; Zaíra Cavalcânti; Aracy Côrtes; Luci Campos; Gilda de Abreu e Patrício Teixeira.

Em três anos de atuação a orquestra acompanhou mais de cem gravações de cantores como Francisco Alves, Mário Reis, Aracy Côrtes. Raul Roulien, Gilda de Abreu e outros.

Discografia

(1928) Só de cavaquinho • Odeon • 78
(1928) Desengonçado / Jacaré • Odeon • 78
(1928) Tenebroso / Jangadeiro • Odeon • 78
(1928) Ipanema • Odeon • 78
(1928) Saudades de Arlete • Odeon • 78
(1928) Cor de canela / Minha vida pela tua • Odeon • 78
(1928) Galo velho / Boêmia • Odeon • 78
(1928) Rayon D'Or • Odeon • 78
(1928) Canção do Volga / Negro pachola • Odeon • 78
(1929) Uma noite em claro • Odeon • 78
(1929) Alegria • Odeon • 78
(1929) Odeon • Odeon • 78
(1929) Jura • Odeon • 78
(1929) Rapsódia brasileira (I) / Rapsódia brasileira (II) • Odeon • 78
(1929) Iaiá (Linda flor) / Pìerrot 1950 • Odeon • 78
(1929) Amanhã tem mais • Odeon • 78
(1929) Fumaça branca • Odeon • 78
(1929) Gosto assim • Odeon • 78
(1929) Craddle of love • Odeon • 78
(1929) Cristina • Odeon • 78
(1929) Os boêmios • Odeon • 78
(1929) Camafeu / Despresado • Odeon • 78
(1930) A warbling booklet • Odeon • 78
(1930) If you believed in me / Noêmia • Odeon • 78
(1930) Conde Zeppelin • Odeon • 78
(1930) I'm on a diet of love / Mona • Odeon • 78
(1930) Charming / Red hot and blue rhythm • Odeon • 78
(1930) Hino Republicano Riograndense • Odeon • 78

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB

sábado, outubro 06, 2012

Eudóxia de Barros

Eudóxia de Barros, pianista e professora, nasceu em São Paulo, SP, em 18/09/1937. Inicialmente estudou piano com Matilde Frediani, em seguida com Nellie Braga e Karl Heim, diplomando-se em 1951 pelo Instituto Musical de São Paulo. 

Em 1953 executou em primeira audição no Brasil o Concerto nº 1 de Heitor Villa-Lobos, sob a regência de Eleazar de Carvalho, como uma das vencedoras do concurso para solista da Orquestra Sinfônica Brasileira. 

Entre 1954 e 1957 estudou particularmente com Magda Tagliaferro. De 1957 a 1958 fez cursos na França, com Pierre Kostanoff, Lazare Lévy (1882-1964), Pierre Sancan (do Conservatório de Paris), Cristianne Senart e Magda Tagliaferro.

Em 1959, de volta ao Brasil, fez cursos em São Paulo com Guilherme Fontainha, Camargo Guarnieri e Osvaldo Lacerda (harmonia, contraponto e composição). 

Em 1964 lecionou piano no Conservatório Santa Cecília, de Santos SP, e no Conservatório Jesus Maria José, de Franca SP. Viajou pelos EUA em 1965 e foi aluna de Olegna Fuschi e Howard Aibel até 1967. Nesse período foi catedrática de piano na Escola de Artes da Carolina do Norte, em Winston-Salem.

Em 1966 classificou-se em primeiro lugar, por unanimidade, em concurso para solista da orquestra sinfônica da Carolina do Norte. Sob a regência de Benjamin Swalin excursionou por várias cidades norte-americanas. Em 1966 ainda atuou em Washington D.C., na União Pan-Americana, e em 1967 na National Gallery of Art. Nesse mesmo ano, em Nova York, apresentou-se no Town Hall, sendo convidada para tocar no Carnegie Hall, em 1969. 

Esteve na República Federal da Alemanha, estudando com Walter Blankenheim, entre 1969 e 1970. De 1971 a 1975 lecionou piano no Conservatório Dr. Carlos de Campos, de Tatuí SP, e no Conservatório Maestro Julião, de Presidente Prudente SP.

Em 1979, publicou Técnica pianística: apontamentos sugeridos pela prática no magistério e concertos, pela Ricordi do Brasil. Foi eleita para a ABM, em 1989.

Em 1995, recebeu o Prêmio Nacional de Música da Funarte, na categoria intérprete.

Pianista premiada várias vezes no Brasil e no exterior, gravou 31 LPs ao longo de sua carreira e realizou recitais por todo o Brasil, diversos países da América Latina e República Federal da Alemanha.

É premiada várias vezes pela Associação Paulista de Críticos Teatrais e pela Associação Brasileira de Críticos Teatrais, do Rio de Janeiro RJ.  Ocupa a cadeira número 14 da Academia Brasileira de Música.

CD

Este Brasil que tanto amo - Comep-Edições Paulinas - 1995

Fontes: Revivendo Músicas - Biografias; Wikipédia; Dicionário Cravo Albin da MPB.

sábado, fevereiro 16, 2008

Bambino

Ernesto Nazareth - 1908

Bambino (tango, 1913) - Ernesto Nazareth

Dedicado ao bom amigo Cezar d’Araújo. Depois de mais de uma década sem ter obras publicadas pela Casa Arthur Napoleão (a última fora a valsa Genial, em 1900), Nazareth teve editado seu vigésimo sexto tango, Bambino, dedicado a um dos então proprietários desse tradicional estabelecimento.

Quanto ao título, trata-se do nome artístico do afamado caricaturista Arthur Lucas, responsável, inclusive, pelo desenho de algumas capas de partituras do compositor.

Disco selo: Columbia Record / Título da música: Bambino / Ernesto Nazareth (Compositor) / Grupo Bahianinho / Bandolim e violão (Acomp.) / Nº do Álbum: B-202 / Nº da matriz: 12095-1-1 / Lançamento: 1912 / Gênero musical: Tango / Coleção de Origem: Nirez, José Ramos Tinhorão



A seguir uma gravação de Bambino por Custódio Mesquita e orquestra em 1943:

Disco 78 rpm / Título da música: Bambino / Ernesto Nazareth, 1863-1934 (Compositor) / Custódio Mesquita e Sua Orquestra (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor / Nº Álbum: 80-0097-b / Nº da matriz: 052767-1 / Gravação: 6/Maio/1943 / Lançamento: Julho/1943 / Gênero musical: Choro



Entusiasmado com o grande êxito alcançado por Bambino, Catulo da Paixão Cearense, assim como fizera com Nenê, Bicyclette-club e Brejeiro, também resolveu dedicar-lhe versos e um novo título, Você não me dá!...:

Como tão linda está / Como tão linda está / Mas se um beijo eu pedir / Você não me dá / Você não me dá

Quem lhe implora é o amor / A inocência, o candor / Mas você é tão má / Que eu sei que você / não dá, não dá

Não tem pena de ver / Um poeta sofrer / Quem lhe implora é o amor / É a doida aflição
do meu coração

Se me promete dar / Eis-me aqui,a chorar / Mas você é tão má / Que eu sei que você / não dá, não dá

Sua boca é um primor / Uma abelha do amor / Sou capaz de jurar / Que o seu beijo / Há de Ter o sabor do luar

Sua boca é um altar / Onde eu quero rezar / E após confissão / Nos seus lábios rismar / Os meus lábios então

Sua boca cheirosa / é a essência da rosa / Mais bela e mais langue / É uma estrela , uma estrela de sangue / Um luar de sangrento rubor

Quem me dera um carinho / Deixar oscilando num terno cantinho / Desse mau pedacinho do inferno, do averno / Do céu mais azul

A minha alma voando do palmo da terra / Tão cheia de horrores / Nesse berço feliz dos amores / As minhas glórias pudera cantar

E se acaso duvida do que hora lhe diga / Venha, experimente / Que minh'alma ardente / Na sua boquinha deseja sonhar

Como tão linda está / Ai meu Deus, como está / Pra uma santa ficar / Devia um beijinho agora me dar

O seu beijo é o licor / Dos travores da dor / Há de ter o sabor da antera da flor / Do seu amor



Fontes: Choromusic; Agenda do Samba & Choro; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Favorito

O tango "Favorito" (1895) foi gravado em 1912 na Odeon pelo seu autor, Ernesto Nazareth, que ao piano foi acompanhado por Pedro de Alcântara em solo de flautim. No entanto há registros de gravações anteriores como a do cantor Mário Pinheiro que interpretou “Favorito” em 1908 (provavelmente), com letra atribuída a Catulo da Paixão.

Em 1915, o palhaço-cantor Eduardo das Neves grava na Odeon (álbum número 121026) a canção intitulada "Amor avacalhado" com versos de letrista anônimo e música do tango de Nazareth. Em 1929, Francisco Alves viria a gravar uma versão modificada da mesma letra sob o título de “Favorito” (álbum número 10518).

Disco selo: Odeon Record / Título da música: Amor Avacalhado / Ernesto Nazareth (Compositor) / Eduardo das Neves (Intérprete) / Grupo do Louro (Acomp.) / Nº do Álbum: 121026 / Nº da Matriz: #N-6 / Lançamento: 1915 / Gênero musical: Canção / Coleção de fontes: IMS



Meu amor se tu queres saber
Qual a razão deste meu padecer
Por que motivo me ausento de ti
Vem me escutar aqui
Não é medo meu bem, qual o que!
Eu te digo qual é a razão
Eu gosto muito de você
Mas dou o fora nesta ocasião.

Tens um pai que é de tremer
E é quem me faz sofrer
Perder o tempo até
Bem sabes como ele é...
Se descobre que eu vou lá
Tenho mesmo que fugir
Pois não dou pra fubá
Na porta não posso ir.

Esse seu pai é uma fera
Se você ainda espera
Que eu caia nesse arrastão
Mas eu não vou nisso não
Nestas contas, eu vou por mim
Pois não tem graça, meu bem
Eu perder o meu latim
Nestas contas, vou por mim.

Tua mãe, ai Jesus, não tem mais!
Porque eu hei de dizer de teus pais
Tem por mãe uma víbora feroz
Que do inferno caiu entre nós!
É maldosa, cruel, é um azar
Pois não me dá uma folga sequer
Que [viro], que paixão, que contrariedade!
Isto não é mulher!

Tens um pai que é de tremer...

Teus maninhos me pedem tostões
Sujam-me a roupa, me arrancam os botões
Tu achas isso muito natural
Eu sei que não é por mal!
Mas não posso, a despesa é demais
Cair no Mangue é melhor, minha flor
Crio alma nova, me vou para embora
Saúde e fica, [Deusinho] meu amor

Tens um pai que é de tremer...


Fontes: As Crônicas Bovinas - Amor Avacalhado; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora; Instituto Moreira Sales.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Ameno Resedá

Primeiramente publicada pela Casa Arthur Napoleão (Sampaio, Araújo & Cia.), a vigésima sexta polca editada por Ernesto Nazareth recebeu o título de Ameno Resedá e foi dedicada a um rancho carnavalesco com o mesmo nome a pedido de um de seus diretores, o carteiro Napoleão de Oliveira.

O rancho "Ameno Resedá" foi o mais famoso de todos os ranchos carnavalescos da cidade do Rio de Janeiro. Criado em 1907 por um grupo de funcionários públicos cariocas, após um piquenique em Paquetá, tinha sua sede no bairro do Catete.

Disco selo: Odeon Record / Título da música: Ameno Resedá / Ernesto Nazareth, 1863-1934 (Compositor) / Grupo do Louro (Intérprete) / Nº Álbum: 120828 / Gravação: 28/Outubro/1913 / Lançamento: 1914 / Gênero musical: Choro / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Fontes: Instituto Moreira Sales; A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; História do Samba - Ed. Globo.

Escovado

Ernesto Nazareth "Escovado" é uma gíria comum que significa "astuto". Ary Vasconcelos nos conta em seu livro Panorama da Música Popular Brasileira que Ernesto Nazareth era um “homem devotado à família que dava geralmente, às músicas que compunha, títulos com que homenageava ora um filho, ora a espôsa, ora um outro parente.” “Travesso” foi dedicado a seu filho Ernesto, “Marieta” e “Eulina” a suas duas filhas, “Dora” a sua esposa Teodora, “Brejeiro” a seu sobrinho Gilberto, etc.

O tango Escovado entra na categoria acima. Em seu CD-ROM Ernesto Nazareth, Rei do Choro, Luiz Antônio de Almeida oferece a seguinte informação sobre a música:"Tango primeiramente editado pela Casa Vieira Machado & Cia. e dedicado a Fernando, irmão caçula do compositor". Tornou-se um dos grande sucessos de Nazareth, tendo sido o seu tema principal posteriormente aproveitado pelo compositor francês Darius Milhaud em Le Boeuf sur le Toit (1919), bailado de sua autoria. Em setembro de 1930, aceitando convite feito por Eduardo Souto, então diretor artístico da Odeon-Parlophon, Nazareth gravou esta peça em disco, recebendo entusiástica acolhida da imprensa.

Disco 78 rpm / Título da música: Escovado / Ernesto Nazareth (Compositor) / Ernesto Nazareth [Piano] (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10718-b / Nº da Matriz: 3939 / Gravação: 10/Setembro/1930 / Lançamento: Dezembro/1930 / Gênero musical: Tango Brasileiro / Coleção de Origem: IMS, Nirez




Fonte: As Crônicas Bovinas - Escovado.

terça-feira, março 21, 2006

Odeon

Ernesto Nazareth ouviu os sons que vinham da rua, tocados por nossos músicos populares, e os levou para o piano, dando-lhes roupagem requintada. Sua obra se situa, assim, na fronteira do popular com o erudito, transitando à vontade pelas duas áreas. Em nada destoa se interpretada por um concertista, como Arthur Moreira Lima, ou um chorão como Jacó do Bandolim.

O espírito do choro estará sempre presente, estilizado nas teclas do primeiro ou voltando às origens nas cordas do segundo. E é esse espírito, essa síntese da própria música de choro, que marca a série de seus quase cem tangos-brasileiros, à qual pertence "Odeon". Obra-prima no gênero, este tango é apenas mais uma das inúmeras peças de Nazareth em que "melodia, harmonia e ritmo se entrosam de maneira quase espontânea, com refinamento de expressão", como opina o pianista-musicólogo Aloysio de Alencar Pinto.

"Odeon" é dedicado à empresa Zambelli & Cia., dona do cinema homenageado no título, onde o autor tocou na sala de espera. Localizado na Avenida Rio Branco 137, possuía duas salas de projeção e considerado um dos "mais chics cinematógraphos do Rio de Janeiro".

Disco selo: Odeon Record / Título da música: Odeon / Ernesto Nazareth (Compositor) / Pedro de Alcântara (Intérprete) / Ernesto Nazareth (piano) / Pedro de Alcântara (flauta) / Nº do Álbum: 108791 / Nº da Matriz: xR1464 / Lançamento: 1913 / Gênero musical: Tango-choro



Em 1968, a pedido de Nara Leão, Vinícius de Moraes fez uma letra para "Odeon":

LP Nara Leão / Título da música: Odeon / Ernesto Nazareth (Compositor) / Vinícius de Moraes (Adaptação / Letra) / Gravadora: Philips / Álbum: R 765.051 L / Ano: 1968 / Tracklist: B2 / Gênero musical: Chorinho



Ai, quem me dera / O meu chorinho / Tanto tempo abandonado / E a melancolia que eu sentia / Quando ouvia / Ele fazer tanto chorar / Ai, nem me lembro / Há tanto, tanto / Todo o encanto / De um passado / Que era lindo / Era triste, era bom / Igualzinho a um chorinho/ Chamado Odeon.

Terçando flauta e cavaquinho / Meu chorinho se desata / Tira da canção do violão / Esse bordão / Que me dá vida / Que me mata / É só carinho / O meu chorinho / Quando pega e chega / Assim devagarzinho / Meia-luz, meia-voz, meio tom / Meu chorinho chamado Odeon

Ah, vem depressa / Chorinho querido, vem / Mostrar a graça / Que o choro sentido tem / Quanto tempo passou / Quanta coisa mudou / Já ninguém chora mais por ninguém / Ah, quem diria que um dia / Chorinho meu, você viria / Com a graça que o amor lhe deu / Pra dizer "não faz mal / Tanto faz, tanto fez / Eu voltei pra chorar com vocês"

Chora bastante meu chorinho / Teu chorinho de saudade / Diz ao bandolim pra não tocar / Tão lindo assim / Porque parece até maldade / Ai, meu chorinho / Eu só queria / Transformar em realidade / A poesia / Ai, que lindo, ai, que triste, ai, que bom / De um chorinho chamado Odeon

Chorinho antigo, chorinho amigo / Eu até hoje ainda percebo essa ilusão / Essa saudade que vai comigo / E até parece aquela prece / Que sai só do coração / Se eu pudesse recordar / E ser criança / Se eu pudesse renovar / Minha esperança / Se eu pudesse me lembrar / Como se dança / Esse chorinho / Que hoje em dia Ninguém sabe mais.


Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Apanhei-te cavaquinho

Ernesto Nazareth

A polca "Apanhei-te Cavaquinho" é a segunda composição mais gravada de Ernesto Nazareth, perdendo apenas para "Odeon". De andamento rápido (o autor recomendava semínima = 100 para as polcas e semínima = 80 para os tangos) é muitas vezes executada em velocidade vertiginosa por músicos exibicionistas, que presumem assim mostrar habilidade virtuosística.

Composta em 1915 e gravada no mesmo ano pelo grupo O Passos no Choro, "Apanhei-Te Cavaquinho" foi dedicada a Mário Cavaquinho (Mário Álvares da Conceição), um exímio cavaquinista, amigo de Nazareth (segundo Ary Vasconcelos, ele inventou o cavaquinho de cinco cordas e a bandurra de 14 cordas).

Em 1930 o autor gravou esta composição em disco de grande valor documental, que passou a servir de referência para novas execuções. Já classificado como choro, ganhou letra de Darci de Oliveira, em 1943, para ser gravado por Ademilde Fonseca:

Disco 78 rpm / Título da música: Apanhei-te Cavaquinho / Ernesto Nazareth (Compositor) / Darci de Oliveira (Compositor) / Ademilde Fonseca (Intérprete) / Benedito Lacerda (Acomp.) / Benedito Lacerda e Seu Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Columbia / Nº do Álbum: 55432-a / Nº da Matriz: 630-2-M / Gravação: 20/Abril/1943 / Lançamento: Maio/1943 / Gênero musical: Choro / Coleção de Origem: Nirez, Humberto Franceschi


Ainda me lembro, / Do meu tempo de criança, / Quando entrava numa dança, / Toda cheia de esperança, / De chinelinho e de trança, / Com Mané e o Zé da França, / Nunca tive na lembrança, / De rever esse chorinho.

E hoje ouvindo, / Neste choro a voz do pinho, / Relembrando o bom tempinho, / Da mamãe e do maninho, / Hoje sou ave sem ninho, / Sem família, sem carinho, / Mas sou bem feliz ouvindo, / O "Apanhei-te Cavaquinho"!

Hoje cantando o "Apanhei-te Cavaquinho", / Fico louca, fico quente, / Fico como um passarinho, / Sinto vontade de cantar a vida inteira, / Esta vida, eu levo de qualquer maneira, / Ouvindo a flauta, o cavaquinho e o violão, / Eu sinto que o meu coração, / Tem a cadência de um pandeiro, / Esqueço tudo e vou cantando com jeitinho, / Este chorinho, / Que é muito Brasileiro !

Hoje cantando o "Apanhei-te Cavaquinho", / Fico louca, fico quente, /Fico como um passarinho, / Sinto vontade de cantar a vida inteira, / Esta vida, eu levo de qualquer maneira, / Ouvindo a flauta, o cavaquinho e o violão, / Eu sinto que o meu coração, / Tem a cadência de um pandeiro, / Esqueço tudo e vou cantando com jeitinho, / Este chorinho, / Que é muito Brasileiro !...


Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

terça-feira, março 14, 2006

Ernesto Nazareth


"Seu jogo fluido, desconcertante e triste ajudou-me a compreender melhor a alma brasileira", disse o compositor francês Darius Milhaud sobre Ernesto Nazareth, carioca que fixou o "tango brasileiro" e outros gêneros musicais do Rio de Janeiro de seu tempo.


Ernesto Júlio de Nazareth nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 20 de março de 1863, e estudou música com os professores Eduardo Madeira e Lucien Lambert. Intérprete constante de suas próprias composições, apresentava-se como "pianeiro em salas de cinema, bailes, reuniões e cerimônias sociais.

Entre 1920 e 1924, muitos personagens ilustres iam ao cinema Odeon apenas para ouvi-lo. Compunha, lecionava e vivia do piano. Suas partituras era vendidas aos milhares, mas não lhe garantiam a sobrevivência, pela falta de ordenamento dos direitos autorais. Em 14 de julho de 1886, casou-se com Teodora Amália de Meireles, e a ela dedicou a valsa Dora, inédita até então.

Brejeiro, composto em 1893, uma de suas composições mais famosas, é considerado o marco do tango brasileiro. Em razão de dificuldades financeiras, Nazareth vendeu os direitos dessa peça para a Editora Fontes e Cia. por 50.000 réis, o qual chegou a ser gravado pela banda da Guarda Republicana de Paris.

Embora tenha composto obras as quais denominou de tango-brasileiro, Nazareth fazia uma diferenciação entre o choro e o tango-brasileiro, esta por ele considerada música pura. Seus tangos-brasileiros têm a indicação metronômica de M.M. semínima igual a 80 batidas, já no choro, a indicação é de 100 batidas. Para mostrar essa diferença, Nazareth compôs o choro Apanhei-te cavaquinho. Foi uma das únicas composições que ele considerou como choro. O mesmo entendimento tinham Chiquinha Gonzaga, Callado, Alexandre Levy e outros.

Em 1898 realizou seu primeiro concerto no salão nobre da Intendência de Guerra, por iniciativa do Clube São Cristóvão, do Rio de Janeiro. Trabalhou no Tesouro Nacional, como escriturário. Em 1917 morre sua filha, Maria de Lourdes, considerado o primeiro abalo dos inúmeros pelos quais passou em sua vida. Nesse mesmo ano, atuou como pianista na sala de espera do Cine Odeon, que foi por ele inaugurado. As pessoas lotavam para ouvi-lo tocar, mais do que propriamente para ver o filme. Em 1910 já compusera o tango-brasileiro Odeon, inspirado naquele cinema. Em 1919 começou a trabalhar na Casa Carlos Gomes (mais tarde Carlos Wehrs). Executava as partituras que os fregueses se interessavam em comprar.

Compôs fox-trots, sambas e até marchas de carnaval, por um breve período, em 1920. Em 1922 interpretou Brejeiro, Nene, Bambino e Turuna no Instituto Nacional de Música, por iniciativa de Luciano Gallet. Participou como pianista, em 1923 da inauguração da Rádio M.E.C. (antiga Rádio Sociedade do Rio de Janeiro).

Durante quase todo o ano de 1926 apresentou-se em São Paulo, capital e interior. Seus admiradores se uniram e deram-lhe um piano italiano de cauda Sanzin, que faz parte do acervo do Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro. Nessa ocasião, Mário de Andrade fez uma conferência sobre sua obra na Sociedade de Cultura Artística, de São Paulo, SP. Retornou ao Rio de Janeiro em 1927, já apresentando sinais da surdez.

Em 1929, morre sua mulher, o que lhe provocou profundo abalo.

Gravou para a fábrica Odeon, em 1930, o tango-brasileiro Escovado e o choro Apanhei-te Cavaquinho. Em 1932, fez várias excursões, principalmente para o sul do Brasil. Com o agravamento da surdez, tocava debruçado sobre o piano para conseguir ouvir sua própria música. Em 1933, apresentou graves perturbações mentais e foi internado no Instituto Neurosifilis da Praia Vermelha, sendo posteriormente transferido para a Colônia Juliano Moreira.

No ano seguinte fugiu e foi encontrado, 4 dias depois, afogado em uma represa. Há uma lenda segundo a qual ele teria sido encontrado morto debaixo de uma cachoeira. A sua postura era impressionante. Estava sentado, com a água lhe correndo por cima, com as mãos estendidas, como se estivesse tocando algum choro novo, que nunca mais poderemos ouvir... (Juvenal Fernandes, in Ernesto Nazareth, Antologia, Ed. Arthur Napoleão Ltda. AN-2087/88). Dele, disse Villa-Lobos: "Suas tendencias eram francamente para a composição romântica, pois Nazareth era um fervoroso entusiasta de Chopin." Querendo compor à maneira do mestre polonês e não possuindo a capacidade necessária para uma perfeita assimilação técnica, fez, sem o querer, coisa bem diferente e que nada mais é do que o incontestável padrão rítmico da música social brasileira. De qualquer maneira, Nazareth é uma das mais notáveis figuras da nossa música.

Entre os grandes admiradores da obra e da atuação como intérprete de Ernesto Nazareth, citam-se Arthur Rubinstein, o russo Miercio Orsowspk, Schelling (que levou suas composições, exibindo-as nos Estados Unidos e Europa), Henrique Oswald e Francisco Braga. Serviu de tema e de inspiração a Luciano Gallet, Darius Milhaud, Enani Braga, Villa-Lobos, Lorenzo Fernandez, Francisco Mignone e Radamés Gnatalli.

Faz parte do repertório de Eudóxia de Barros, Arnaldo Rebelo, Homero Magalhães, Ana Stella Schic, Roberto Szidon e Artur Moreira Lima, cujas interpretações eruditas dão à sua obra uma nova dimensão. Maria Tereza Madeira (piano) e Pedro Amorim (bandolim), lançaram, em 1997 o CD Sempre Nazareth, pela Kuarup. Ainda nesse ano foi lançado o CD-Rom Ernesto Nazaré, o Rei do Choro (selo CD-Arte), com mais de 300 imagens do compositor, depoimentos, notas, discografia, músicas, além de um álbum com 11 partituras para piano das suas principais obras.

Ernesto Nazareth significa uma caso raro de ligação entre o erudito e o popular: não é um erudito, na acepção da palavra, nem é um compositor apenas popular. Ora se percebe em sua obra um toque chopiniano, especialmente nas valsas, ora a vibração de uma polca ou de um choro entranhados do espírito brasileiro.

Somente uma pequena parte das mais de 200 peças para piano compostas por Ernesto Nazareth foi gravada. Suas composições mais conhecidas são: Apanhei-te cavaquinho, Ameno Resedá (polcas), Confidências, Coração que sente, Expansiva, Turbilhão de beijos (valsas), Bambino, Brejeiro, Odeon e Duvidoso (tangos brasileiros).

Algumas músicas








Obra completa

Adieu, romance sem palavras, 1898; Adorável, valsa, inédita, s.d.; Alaor Prata, hino, inédito (com letra de Maria Mercedes Mendes Teixeira), 1924; Albíngia, valsa, inédita, s.d.; Alerta, polca, 1909; O alvorecer, tango de salão (no manuscrito original figura o título Ensimesmado), 1925; Ameno Resedá, polca, 1912; Apanhei-te, cavaquinho, polca, 1915; Arreliado, tango, inédito, s.d.; Arrojado, samba, 1920; Arrufos, xótis, anterior a 1900; Até que enfim, fox-trot, s.d.; Atlântico, tango, 1921; Atrevidinha, polca, 1889; Atrevido, tango, 1912; Bambino, tango, anterior a 1909; Batuque, tango característico, 1906; Beija-flor, polca, 1884; Beija-flor, tango brasileiro (com letra do autor), s.d.; Beijinho de moça, tango, inédito, s.d.; A bela Melusina, polca, 1888; Bernardo de Vasconcelos (Escola), hino, inédito, s.d.; Bicyclette Club, tango, 1899; Bom-bom, polca, anterior a 1900; Brejeira, valsa brasileira, inédita (extraída do tango Brejeiro), s.d.; Brejeiro, tango, 1893; Caçadora, polca, s.d.; Cacique, tango, 1899; Capricho, fantasia, inédito, s.d.; Cardosina, valsa, inédita, s.d.; Carioca, tango, 1913; Carneiro Leão (dr.), hino, inédito (com letra de Maria Mercedes Mendes Teixeira), 1924; Catrapuz, tango, 1910; Cavaquinho, por que choras?, choro, 1926; Celestial, valsa, s.d.; Chave de ouro, tango, s.d.; Chile-Brasil, quadrilha, 1889; Comigo é na madeira, tango, inédito, 1930; Confidências, valsa, 1910; Coração que sente, valsa, 1905; Corbeille de fleurs, gavotte, 1889; Correta, polca, s.d.; Crê e espera, valsa, 1896; Crises em penca, samba brasileiro carnavalesco, inédito (letra e música de Toneser, anagrama de Ernesto), 1930; Cruz, perigo!!, polca, 1879; Cruzeiro, tango, inédito, s.d.; Cubanos, tango, inédito, s.d.; Cuera, polca-tango, 1913; Cutuba, tango, 1912; Cuiubinha, polca-lundu, 1893; De tarde, canção, inédita, (com versos de Augusto de Lima), s.d.; Delícia (Delight-fulness), fox-trot, 1925; Dengoso, maxixe, 1912; Desengonçado, tango, s.d.; Digo, tango característico, 1902; Dirce, valsa capricho, s.d.; Divina, valsa, 1910; Dor secreta, valsa, inédita, s.d.; Dora, valsa, inédita, 1900; Duvidoso, tango, anterior a 1910; Elegantíssima, valsa capricho; anterior a 1926; Elegia, morceau de salon para mão esquerda, inédita, s.d.; Elétrica, valsa rápida, 1913; Elite Club, valsa brilhante, 1900; Encantada, xótis, 1901; Encantador, tango brasileiro, inédito, s.d.; Eponina, valsa, anterior a 1912; Escorregando, tango brasileiro, s.d.; Escovado, tango, 1904; Espalhafatoso, tango, 1912; Españolita, valsa espanhola, s.d.; Está chumbado, tango, 1898; Ester Pereira de Melo (Escola), hino, inédito, s.d.; Eulina, polca, 1887-1888; Expansiva, valsa, 1912, Êxtase, romance, 1926; Exuberante, marcha carnavalesca, inédita, 1930; Faceira, valsa, 1920-1925; Fado brasileiro, inédito, 1925-1930; Famoso, tango, 1910; Fantástica, valsa brilhante, inédita, s.d.; Favorito, tango, anterior a 1909; Feitiço, tango, s.d.; Feitiço não mata, , chorinho carioca (letra de Ari Kerner), s.d.; Ferramenta, tango-fado português, 1905; Fidalga, valsa lenta, 1910; A flor dos meus sonhos, quadrilha, s.d.; Floraux, tango, 1909; Floriano Peixoto (Escola), hino, inédito (com letra de Maria Mercedes Mendes Teixeira), 1922; A florista, cançoneta (com letra de Francisco Teles), 1909; Fon-fon, tango, anterior a 1910; A fonte de Lambari, polca, 1887; Fonte do suspiro, polca, 1882; Fora dos eixos, tango carnavalesco, 1926; Fraternidade, hino infantil, inédito, s.d.; Furinga, tango, 1898; O futurista, tango,1922; Garoto, tango, 1916; Gaúcho, tango (no manuscrito original figura o título São Paulo-Minas), s.d.; Gemendo, rindo e pulando, tango, 1921; Genial, valsa, 1900; Gentes, o imposto pegou?, polca, 1880; Gentil, xótis, 1898; Gotas de ouro, valsa, 1916; Gracietta, polca, 1880; As gracinhas de Nhonhô, polca, anterior a 1910; Guerreiro, tango, 1917; Helena, valsa, 1896; Henriette, valsa, 1901; Ideal, tango, 1905; If I Am not Mistaken, fox-trot, inédito, s.d.; Improviso, estudo para concerto, 1931; Insuperável, tango, 1919; Iolanda, valsa, 1925; Ipanema, marcha brasileira, s.d.; Íris, valsa, 1899; Jacaré, tango carnavalesco, 1921; Jangadeiro, tango, s.d.; Janota, choro brasileiro, s.d.; Julieta, quadrilha, anterior a 1910; Julieta, valsa, anterior a 1910; Julita, valsa, 1889; Labirinto, tango, 1917; Laço azul, valsa, anterior a 1910; Lamentos, meditação sentimental, inédita, s.d.; Magnífico, tango brasileiro, s.d.; Máguas, meditação, inédita, s.d.; Maly, tango-habanera, inédito, s.d.; Mandinga, tango, s.d.; Marcha fúnebre, 1927; Marcha heróica aos 18 do Forte, marcha, inédita, 1922; Mariazinha sentada na pedra, samba carnavalesco, inédito (com letra de Ernesto Nazareth), s.d.; Marieta, polca, anterior a 1889; Matuto, tango, 1917; Meigo, tango, 1921; Menino de ouro, tango, s.d.; Mercedes, mazurca de expressão, 1917; Mesquitinha, tango característico, 1910; 1922, tango brasileiro (no original manuscrito Samba para o Carnaval), 1922; Miosótis, tango, 1895; Não caio noutra!!!, polca, 1881; Não me fujas assim, polca, 1884; Nazaré, polca, anterior a 1900; Nenê, tango, 1895; No jardim, marcha infantil, inédita (1. A caminho, 2. Preparando a terra, 3. A semente, 4. O plantio, inacabado), s.d.; Noêmia, valsa, 1911; O nome dela, grande valsa brilhante, 1878; Noturno, inédito, 1914; Noturno, inédito, 1920; Nove de Julho, tango argentino, 1917; Nove de Maio, fox-trot, inédito, s.d.; O que há?, tango, 1921; Odeon, tango (com letra de Vinicius de Moraes, 1968), 1910; Onze de Maio, quadrilha, anterior a 1908; Orminda, valsa, 1897; Ouro sobre azul, tango, 1916; Pairando, tango, 1920; Paraíso, tango (estilo milonga), inédito, 1926; Pássaros em festa, valsa lenta, 1922; Paulicéia, como és formosa!, tango, 1921; Pedro II (Escola), hino, inédito (com letra de Maria Mercedes Mendes Teixeira), 1920; Pereira Passos (Escola), hino, inédito (com letra de Leôncio Correia), s.d.; Perigoso, tango brasileiro, anterior a 1909; Pierrot, tango, 1915; Pingüim, tango brasileiro, inédito (sua última composição), 1932; Pipoca, polca, 1895; Pirilampo, tango, 1903; Plangente, tango brasileiro, 1925; Plus ultra, fox-trot, inédito, s.d.; Podia ser pior, tango, 1916; Polca para mão esquerda (vide Tango para mão esquerda); Polonaise, inédita, 1908; Por que sofre?, tango meditativo, 19211; Primo-rosa, valsa, inédita, s.d.; Proeminente, tango brasileiro, s.d.; Quebra-cabeças, tango, s.d.; Quebradinha, polca, 1899; Ramirinho, tango, 1896; Ranzinza, tango, 1917; Rayon d'or, polca-tango, anterior a 1889, Rebuliço, tango, 1912; Recordações do passado, valsa, inédita, s.d.; Remando, tango, 1896; Resignação, valsa lenta, inédita, 1930; Respingando, tango, inédito, s.d.; Ressaca, tango, inédito, s.d.; Retumbante, tango, 1910; Rio de Janeiro, canção cívica (in Canto orfeônico, 1o. volume) (com letra de Leôncio Correia), arranjada para três vozes por Villa-Lobos, s.d.; Rosa Maria, valsa lenta, inédita, 1930; Sagaz, tango brasileiro, 1914; Salve, nações reunidas, hino (in Brasil cantando, por frei Pedro Sinzig) (com letra de Maria Mercedes Mendes Teixeira), s.d.; Samba carnavalesco, peça manuscrita não identificada, s.d.; Sarambeque, tango, 1916; Saudade, valsa, 1913; Saudades dos pagos, marcha-canção, inédita (com letra de Maria Mercedes Mendes Teixeira), s.d.; Saudades e saudades, marcha, 1921; Segredo, tango, 1896; Segredos de infância, valsa, inédita, s.d.; Sentimentos d'alma, valsa, inédita, s.d.; Soberano, tango, 1912; Suculento, samba brasileiro (com letra de Netuno) (no riginal Tango carnavalesco), 1919; Sustenta a nota, tango, 1919; Sutil, tango brasileiro, s.d.; Talismã, tango, 1914; Tango-habanera, peça manuscrita não identificada, s.d.; Tango para mão esquerda, inédito (no original, figura na 1a. parte a designação Polca para mão esquerda), s.d.; Tenebroso, tango, 1908; Os teus olhos cativam, polca, 1883; Thierry, tango, 1912; Time is Money, fox-trot, inédito, s.d.; Topázio líquido, tango, 1914; Travesso, tango, anterior a 1910; Tudo sobe, tango carnavalesco (com letra de Ernesto Nazareth), s.d.; Tupinambá, tango, 1916; Turbilhão de beijos, valsa lenta, 1908; Turuna, grande tango característico, 1899; Vem cá, Branquinha, tango, 1910; Vésper, valsa, 1901; Vitória, marcha aos aliados, inédita (com letra de José Moniz de Aragão), 1918; Vitorioso, tango, 1913; Você bem sabe, polca-lundu (sua primeira composição), 1877; Xangô, tango, 1921; Zica, valsa, 1899; Zizinha, polca, 1899.


Fonte: Encyclopaedia Britannica do Brasil; Enciclopédia da Música Brasileira, Art Editora-PubliFolha, 1998; Ernesto Nazareth, Antologia, Ed. Arthur Napoleão Ltda; Nova História da Música Popular Brasileira, Abril Cultural, 1977.