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sexta-feira, fevereiro 16, 2018

Bidu Sayão - Biografia



Estava resoluto a colocar só figuras ilustres da Música Popular Brasileira neste blog. Mas existe um vulto elogiável e que não posso deixar de incluir aqui. Chama-se Bidu Sayão. Ela, na música lírica, mostrou que o nosso Brasil, além do samba, também é de Carlos Gomes, Villa-Lobos e etc. E além disso, mostrou um patriotismo elogiável: sempre brasileira. Leiam a pequena biografia dessa linda senhora.

Dona de uma voz límpida e delicada, a soprano brasileira Bidu Sayão foi uma das mais respeitadas artistas do Metropolitan Opera de Nova York. Seu prestígio pode ser observado no próprio hall do teatro, que ostenta um imenso quadro em sua homenagem. Ao longo de sua carreira, conviveu e trabalhou com as maiores personalidades artísticas deste século, como o maestro Arturo Toscanini, um de seus grandes admiradores — ele a chamava de "la piccola brasiliana" —, Maria Callas, a pianista Guiomar Novaes e Carmem Miranda.


Além disso, foi a parceira favorita de Villa-Lobos, numa carreira que durou 38 anos. Nesse período, emprestou sua voz e imortalizou a Bachiana n.º 5, das Bachianas Brasileiras, as peças mais conhecidas e mais amadas do compositor. Esta, que foi considerada pelo maestro como a mais perfeita gravação da obra, foi escolhida para o prêmio Hall of Fame, dado pela National Academy of Recording Arts and Sciences.

Clássico brasileiro mais conhecido no mundo, por dois anos seguidos foi o disco mais vendido nos Estados Unidos. Bidu Sayão iniciou seus estudos musicais no Rio de Janeiro e aos 18 anos fez sua estréia no Teatro Municipal da cidade. Iniciou sua carreira internacional na Romênia, e aperfeiçoou seu canto em Nice, na França, com Jean de Reszke, o mais famoso professor da época, adquirindo a técnica perfeita e a delicadeza que viriam a caracterizá-la.

Em Roma, cidade que a viu nascer para o teatro lírico, foi surpreendida por um convite para que abrisse a temporada do Teatro Constanzi. Sua interpretação de Rosina em O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, foi feita de forma tão admirável que lhe rendeu a entrada definitiva no rol dos grandes intérpretes líricos da Europa.

Em 1925, de volta ao Brasil, cantou novamente O Barbeiro de Sevilha antes de inaugurar outra temporada do Teatro Constanzi. Depois disso, atuou nos mais importantes teatros do Velho Mundo, como o Teatro São Paulo, em Portugal, Teatro Opera Comique de Paris e o Alla Scala de Milão, por exemplo.

Excelente atriz, sua força interpretativa garantiu-lhe viver 22 heroínas diferentes, entre elas, Ceci (O Guarani, Carlos Gomes), Gilda (Rigoletto, Verdi), Mimi (La Bohéme, Puccini), Suzana (Bodas de Fígaro, Mozart) e Violeta (La Traviata, Verdi).

Em 1936, a soprano brasileira Bidu Sayão fez sua grande estréia para o público norte-americano, cantando La Demoiselle Élue, de Debussy, em apresentação regida pelo maestro Toscanini no Carnegie Hall, em Nova York. Em 1937, estreou no Metropolitan Opera House de Nova York (onde foi grande figura por mais de 15 anos), cantando o papel título da ópera Manon, de Jules Massenet. O volume de convites que recebeu para cantar, na época, fez com que interpretasse 12 papéis diferentes em 13 temporadas.

Em fevereiro de 1938, cantou para o casal Roosevelt na Casa Branca. Na ocasião, o presidente chegou a oferecer-lhe a cidadania americana — rejeitada na hora por Bidu, que sempre cultivou o sonho de terminar a carreira e a vida como brasileira.

Encantados com Bidu Sayão, os americanos não a deixaram partir. Continuou a dar concertos através de todo o país, sempre colhendo triunfos, sendo, por isso, chamada pelos americanos de The Charming Singer. Em agosto de 1955, obteve um de seus maiores sucessos cantando no Hollywood Bowl. Com a Calgary Symphony Orchestra, foi chamada de "Glamorous Soprano Star".

Entre idas e vindas, o "Rouxinol Brasileiro" — apelido que ganhou do escritor Mário de Andrade — apresentou-se diversas vezes em palcos nacionais. Esteve no Rio de Janeiro em 1926, 1933, 1935 e 1936. Em São Paulo, apresentou-se nos anos de 1926, 1933, 1935, 1936, 1937, 1939, 1940 e 1946. Durante essas temporadas, cantou O Barbeiro de Sevilha, Rigoletto, Matrimônio Secreto, Um Caso Singular, Soror Madalena, O Guarani, Manon, Romeu e Julieta, I Puritani, La Traviata, La Bohéme e Lakmé.

Em 1957, Bidu Sayão decidiu encerrar sua carreira artística. Com a mesma La Demosele Élue com que entrou nos Estados Unidos, ela encerrou a carreira em 1958, ainda em perfeita forma e recebendo as maiores homenagens e melhores críticas dos jornais. Em 1959, mais de um ano após ter encerrado a carreira nos palcos e em público, fez uma gravação da Floresta Amazônica, de Villa-Lobos, atendendo ao pedido do compositor. Com ela, Bidu Sayão encerrou definitivamente a carreira, definindo este último trabalho com seu "canto do cisne".

Em 1995 veio ao Rio de Janeiro para ser homenageada pelo enredo da escola de samba Beija-Flor. Antes de ir embora, não escondeu sua vontade de retornar ao Brasil. Bidu Sayão morreu em 1999, aos 96 anos, no Estado do Maine, local onde viveu durante a maior parte do tempo, nos Estados Unidos. Seu maior desejo era visitar o Brasil pela última vez. Sonhava em ver a Baía de Guanabara antes de morrer e planejava isto para celebrar seu centenário. Após uma longa vida repleta de glórias e triunfos, a cantora não conseguiu realizar esse último desejo.


fontes: A melhor cantora lírica de todos os tempos - São Paulo ImagemData.

sábado, julho 13, 2013

Barrozo Neto

Gravura: "O Malho" - Abril de 1941
Barrozo Neto (Joaquim Antônio Barrozo Netto), pianista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 30/01/1881, e faleceu na mesma cidade em 01/09/1941. Sua atividade, como mestre dos mais competentes e pianista de grandes recursos técnicos, colocou-o em lugar de destaque na música brasileira. Usava o pseudônimo de William Gordon.

Seus primeiros estudos de música foram feitos com o objetivo de ser violinista, mas seu mestre, não encontrando no aluno qualidades que o fizessem um virtuose do instrumento de Paganini, o aconselhou que preferisse o piano.

À fim de aperfeiçoar os estudos e completar sua educação musical, ingressou no Instituto Nacional de Música, estudando teoria e solfejo com Arnaud Gouveia e Porto Alegre, piano com Alfredo Bevilacqua e harmonia com Frederico Nascimento.

Com Alberto Nepomuceno estudou contraponto, fuga, composição e órgão. Com 19 anos, já estava apto a enfrentar as plateias. Apresentando-se em concertos com grande sucesso, suas composições foram recebidas sempre com êxito e entusiasmo, até na Europa, onde efetuou várias tournées de propagação da nossa música.

Em 1906, ingressou no Instituto Nacional de Música, como professor de piano, exercendo esse cargo com excepcional relevo.

Em 1927, teve a canção Cantiga, com Luiz Guimarães, gravada na Odeon pela cantora Lulieta Teles de Menezes. No ano seguinte, duas modinhas foram registradas por Maria Emma na Odeon: A canção da felicidade, com Nosor Sanches, e Canção da saudade, em disco que teve seu acompanhamento ao piano. No mesmo ano, gravou na Odeon em interpretação ao piano duas obras de sua autoria, a Berceuse, em mi menor, e a peça característica No ferreiro - sinos de aldeia. Teve ainda em 1928, a modinha Canção da felicidade regravada na Odeon pelo cantor Gastão Formenti.

Em 1929, a valsa lenta "Canção do amor" foi gravada por Gastão Formenti na Odeon, e a modinha "Canção da felicidade" foi registrada na Victor por Cândido Botelho. Também pela Victor o cantor Eurístenes Pires gravou a Canção de amor.

Em 1930, o maxixe Candango, parceria com Marcelo Tupinambá, foi gravado na Brunswick pela cantora Ana de Albuquerque Melo.

Em 1932, motivado pelo trabalho desenvolvido por Heitor Villa-Lobos com o canto orfeônico nas escolas municipais do Rio de Janeiro, passou a desenvolver trabalho nesse sentido. Ficaram marcados os concertos realizados pelo "Coral Barrozo Netto" no Salão Leopoldo Miguez da Universidade do Brasil. Num desses concertos foi apresentada a Suite Vozes da Floresta para coro, solistas e orquestra.

Em 1933, sua modinha Canção da felicidade, e a canção Cantiga, ambas com Nósor Sanches, foram gravadas por Bidu Sayão na Victor.

Em 1958, a Canção da felicidade e Cantiga, com Luis Guimarães, foram regravadas por Lenita Bruno no LP Modinhas fora de moda, lançado por ela no selo Festa.

Em 1961, a Canção da felicidade deu título ao LP gravado por Vicente Celestino na RCA Victor no qual ele interpretou diversas modinhas entre as quais a Canção da felicidade.

Em 1970, Canção da Felicidade ganhou nova gravação, dessa vez na voz de Inezita Barroso no LP Modinhas da gravadora Copacabana, sendo também incluída no LP Uma voz e um violão em serenata - VOL. 4 lançado por Francisco Petrônio e Dilermando Reis pela Grand Prix/Continental.

Em 1980, a canção Tempos Idos foi gravada pelo pianista Roberto Szidon no LP Piano brasileiro 100 anos de sucesso lançado pela Kuarup. No ano seguinte, a Tarantella (Para canto e piano ou violino e piano) foi gravada no disco Brasil, piano e cordas - Roberto Szidon (Piano), Michel Bessler (Violino) e Márcio Mallard (Violoncelo) lançado pela Kuarup.

Entre suas obras para piano destacam-se Minha Terra, Cachimbando, e Choro e Galhofeira.

Obra


A canção da felicidade (c/ Nosor Sanches), A um coração, Cachimbando, Canção da saudade, Canção do amor, Cantiga (c/ Luiz Guimarães), Choro e Galhofeira, Coriscos, Danse des fantoches, Feux Follets, Minha terra, Movimento perpétuo, Olhos tristes, Rapsódia guerreira, Si eu morresse amanhã, Variações sobre um tema original

Discografia


1928 Berceuse/No ferreiro - sinos de aldeia • Odeon • 78

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Fontes: Os Mestres da Música - Alberto Montalvão; Revista "O Malho" - 1941; Dicionário da MPB.

sábado, junho 15, 2013

Agnelo França

Agnelo França (Agnelo Gonçalves Viana França), compositor, pianista, regente e professor, nasceu em Valença, RJ, em 14/12/1875, e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, RJ, em 12/07/1964. Músico autodidata, com 19 anos tornou-se diretor da banda do Colégio Cruzeiro, em sua cidade natal, onde fazia o curso secundário.

Escreveu em junho de 1895 um hino em homenagem a Santo Antônio que se tornou popular. Ainda em Valença dirigiu a pequena orquestra do Teatro Glória e em 1896 foi nomeado mestre-de-banda da Corporação Sete de Setembro.

Transferiu-se em 1897 para o Rio de Janeiro, onde passou a ganhar a vida como arranjador e instrumentador de banda (foi mestre-de-banda da Sociedade Recreio do Engenho Novo). Matriculou-se então no I.N.M., tendo estudado com Frederico Nascimento (harmonia), Alberto Nepomuceno (composição e órgão) e Francisco Braga (contraponto e fuga).

Em 1903 graduou em primeiro lugar no curso de harmonia superior, tendo sido nomeado a 11 de abril de 1904 professor catedrático daquela matéria no I.N.M., depois E.N.M.U.B.; exerceu a função durante meio século e teve como alunos Heitor Villa-Lobos, Walter Burle Marx, Radamés Gnattali, Assis Republicano, Frutuoso Viana, Helza Cameu e José Guerra Vicente.

Notabilizou-se como um dos melhores teóricos de ensino musical no Brasil, sendo defensor intransigente do método Durand. Publicou um tratado de harmonia, Arte Modular. A polifonia na arte moderna, Rio de Janeiro, 1940.

Em 1965 sua ópera de costumes brasileiros em um ato, As parasitas (com libreto de Alberto Guimarães), foi montada no Rio de Janeiro na atual E.M.U.F.R.J.

Obras


Música dramática: Kismé, opereta, s.d.; As parasitas, ópera, s.d.
Música orquestral: Cupido no convento, abertura, s.d.; Suíte, p/cordas, s.d.
Música instrumental: Suíte infantil, p/piano, s.d.
Música sacra: Ave Maria, s.d.; Ecce Sacerdos, s.d.; Missa a Nossa Senhora da Glória, s.d.

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Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Publifolha e Art Editora - 2a. Edição - 1998

quarta-feira, junho 05, 2013

Cristina Maristany


Cristina Maristany (Cristina Navarro de Andrade Costa), cantora lírica, nasceu na cidade do Porto, Portugal, em 11/08/1906, e faleceu em Rio Claro, SP, em 27/09/1966. Veio para o Brasil com poucos meses de vida indo morar no Rio de Janeiro. Foi um dos principais nomes do canto lírico ligeiro no Brasil tendo gravado várias obras de música popular. Estudou piano e canto, recebendo aulas da grande professora de canto Cândida Kendall e com Madame Poukine, na Europa. Foi casada com o jornalista paulista Breno Maristany.

Gravou seu primeiro disco em 1930, pela gravadora Odeon, cantando a canção Saudade sombria, de Bento Mossurunga e Silveira Neto e a valsa Solidão, de Eduardo Souto e Osvaldo Santiago com acompanhamento da Orquestra Guanabara. Nessa época, apresentava-se com o nome artístico de Cristina Costa.

Em seguida, com acompanhamento da mesma orquestra gravou os sambas-canção Violinha e O sorrir brasileiro, de Henrique Vogeler e a valsa Glorificação, de Peri Pirajá e Osvaldo Santiago. Nesse mesmo ano, transferiu-se para a gravadora Brunswick e lançou com acompanhamento da Orquestra Brunswick sob a direção de Henrique Vogeler a canção Passarinho cantador, de Henrique Vogeler e Iveta Ribeiro e o samba Pálida canção, de Henrique Vogeler e Josué de Barros. No ano seguinte, gravou com acompanhamento da mesma orquestra as canções A roceirinha, de Henrique Vogeler e É primavera, de M. C. Paim e Aratimbó.

Lançou pela Columbia em 1935 as serenatas Estrellita, de Ponce e El clavelito em tus lindos cabellos, de Francisco Mignone com o acompanhamento da Orquestra de Concertos Columbia. Em 1937, viajou para a Argentina e apresentou-se com sucesso durante dois meses na Rádio Splendid. Pouco depois, viajou por conta própria para a Europa onde permanceu por dois anos retornando ao Brasil devido ao começo da Segunda Guerra Mundial. Na Europa, apresentou-se nas cidades de Berlim, Londres, Paris, Haia e Hamburgo, entre outras.

Em 1940, gravou na Victor as canções Canção negra, de Clutsan e Francisco Galvão e Gaita, de Radamés Gnattali e Augusto Meyer. Nesse ano, foi contratada pela Rádio Tupi do Rio de Janeiro onde permaneceu por 16 anos. Em 1943, gravou uma série de três discos para a o acervo histórico-fonográfico da Discoteca Pública Municipal de São Paulo com as Treze Canções de Amor, de Camargo Guarnieri, que fez os acompanhamentos ao piano.

Em 1949, gravou na Continental as canção Canto de negros; Assombração; Toada número 3 e Refrão do mutm, de autores desconhecidos. Nessa época, participou com razoável frequencia dos programas radiofônicos especialmente as do radialista Renato Murce, que por ela nutria grande admiração.

Em 1950, voltou a cantar na Europa se apresentando em Paris e Roma. Em 1952, voltou a gravar na Odeon e registrou as canções Prenda minha e Casinha pequenina, de motivo popular com acompanhamento do quarteto de cordas de Célio Nogueira.

Em 1953, foi uma das fundadoras da Academia de Música Lorenzo Fernandes.

Em 1955, na Odeon, regravou a canção Estrelita, de M. Ponce e gravou a canção Oh! Doce mistério da vida, de Herbert, Rida Johnson e versão de Alberto Ribeiro. Nesse ano, gravou as modinhas Tormentos que eu padeço e Foi numa noite calmosa, com harmonias de Batista de Siqueira.

Em 1965, recebeu da Academia Brasileira de Música a medalha Carlos Gomes.

Foi considerada por muitos como a maior intérprete de Heitor Villa-Lobos e também a mais importante cantora brasileira de música de câmara.

Discografia

(1940) Canção negra / Gaita • Victor • 78
(1949) Canto de negros / Assombração / Toada número 3 /
           Refrão do mutm • Continental • 78
(1952) Prenda minha / Casinha pequenina • Odeon • 78
(1955) Estrelita / Oh! Doce mistério da vida • Odeon • 78
(1955) Tormentos que eu padeço / Foi numa noite calmosa • Odeon • 78
(2002) Cristina Maristany - Quem sabe? • Revivendo • CD

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Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.  

sábado, outubro 06, 2012

Eudóxia de Barros

Eudóxia de Barros, pianista e professora, nasceu em São Paulo, SP, em 18/09/1937. Inicialmente estudou piano com Matilde Frediani, em seguida com Nellie Braga e Karl Heim, diplomando-se em 1951 pelo Instituto Musical de São Paulo. 

Em 1953 executou em primeira audição no Brasil o Concerto nº 1 de Heitor Villa-Lobos, sob a regência de Eleazar de Carvalho, como uma das vencedoras do concurso para solista da Orquestra Sinfônica Brasileira. 

Entre 1954 e 1957 estudou particularmente com Magda Tagliaferro. De 1957 a 1958 fez cursos na França, com Pierre Kostanoff, Lazare Lévy (1882-1964), Pierre Sancan (do Conservatório de Paris), Cristianne Senart e Magda Tagliaferro.

Em 1959, de volta ao Brasil, fez cursos em São Paulo com Guilherme Fontainha, Camargo Guarnieri e Osvaldo Lacerda (harmonia, contraponto e composição). 

Em 1964 lecionou piano no Conservatório Santa Cecília, de Santos SP, e no Conservatório Jesus Maria José, de Franca SP. Viajou pelos EUA em 1965 e foi aluna de Olegna Fuschi e Howard Aibel até 1967. Nesse período foi catedrática de piano na Escola de Artes da Carolina do Norte, em Winston-Salem.

Em 1966 classificou-se em primeiro lugar, por unanimidade, em concurso para solista da orquestra sinfônica da Carolina do Norte. Sob a regência de Benjamin Swalin excursionou por várias cidades norte-americanas. Em 1966 ainda atuou em Washington D.C., na União Pan-Americana, e em 1967 na National Gallery of Art. Nesse mesmo ano, em Nova York, apresentou-se no Town Hall, sendo convidada para tocar no Carnegie Hall, em 1969. 

Esteve na República Federal da Alemanha, estudando com Walter Blankenheim, entre 1969 e 1970. De 1971 a 1975 lecionou piano no Conservatório Dr. Carlos de Campos, de Tatuí SP, e no Conservatório Maestro Julião, de Presidente Prudente SP.

Em 1979, publicou Técnica pianística: apontamentos sugeridos pela prática no magistério e concertos, pela Ricordi do Brasil. Foi eleita para a ABM, em 1989.

Em 1995, recebeu o Prêmio Nacional de Música da Funarte, na categoria intérprete.

Pianista premiada várias vezes no Brasil e no exterior, gravou 31 LPs ao longo de sua carreira e realizou recitais por todo o Brasil, diversos países da América Latina e República Federal da Alemanha.

É premiada várias vezes pela Associação Paulista de Críticos Teatrais e pela Associação Brasileira de Críticos Teatrais, do Rio de Janeiro RJ.  Ocupa a cadeira número 14 da Academia Brasileira de Música.

CD

Este Brasil que tanto amo - Comep-Edições Paulinas - 1995

Fontes: Revivendo Músicas - Biografias; Wikipédia; Dicionário Cravo Albin da MPB.

terça-feira, setembro 25, 2012

Mário Tavares

Mário Tavares, regente, violoncelista, compositor e professor, nasceu em Natal, RN, em 18/4/1928. Iniciou seus estudos de violoncelo aos sete anos, com Tommaso Babini. Em 1944 mudou-se para Recife e iniciou-se na composição. Estudante de violoncelo, composição, instrumentação e regência na E.N.M.U.B., do Rio de Janeiro, em 1947 ingressou, como violoncelo concertino, na O.S.B., onde ficou até 1960, participando ainda de sua comissão artística.

Em 1953 teve pela primeira vez uma composição sua executada no exterior, a Introdução e dança brasileira, pela Orquestra Sinfônica de Saint Louis, EUA, sob a direção de Vladimir Golschmann. Dois anos depois diplomou-se pela E.N.M.U.B., e de 1957 a 1968 foi regente fundador da orquestra de câmara da Rádio M.E.C. e membro do conselho federal da Ordem dos Músicos do Brasil, onde ocupou o cargo de primeiro secretário, sugestão da primeira diretoria provisória.

De 1958 a 1960 foi aluno do regente chileno Victor Tevah. Sua obra Ganguzama, de 1959, lhe valeu o primeiro lugar no concurso para o cinqüentenário do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro. No mesmo ano, recebeu o diploma de melhor compositor da Associação Brasileira de Críticos Teatrais.

Em 1960 tornou-se maestro titular da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro. Em 1961 foi o representante do Brasil no V Seminário de Música de Câmara de Zichron Yaacov, em Israel. Nessa ocasião, fez um curso de aperfeiçoamento em música de câmara com E. Houser, Oedoen Partos e Bertini, e de regência com Georg Singer.

Em 1964 foi o delegado oficial brasileiro no I Festival de Música de América y España, em Madrid, Espanha. De 1967 a 1975 atuou como regente principal, dirigindo os festivais internacionais da canção popular e a orquestra da TV Globo. Preparou e dirigiu a gravação oficial de todos os hinos patrióticos do Brasil, em 1974; esse disco mereceu a chancela da Deutsche Grammophon, pela qualidade de execução, com a Orquestra Sinfônica Nacional e o Coral da Rádio M.E.C.

Nas temporadas de 1974 e 1975, dirigiu a Orquestra Sinfônica de Porto Rico. Em março de 1975 foi reconhecido membro honorário e vitalício da Federação de Músicos de Porto Rico e, em maio do mesmo ano, membro honorário e vitalício da Orquestra Sinfônica do Chile. Exerceu ainda o cargo de diretor musical da Associação Brasileira de Violoncelistas.

Como intérprete sinfônico, apresentou primeiras audições de Ludwig van Beethoven (1770-1827), Heitor Villa-Lobos, Maurice Ravel (1875-1937), Béla Bartók (1881-1945), Radamés Gnattali, Camargo Guarnieri etc. Foi professor de harmonia, canto coral, celo, conjunto de câmara, composição e regência do Instituto Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, da orquestra juvenil do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro (1957-1958), do Conservatório de Música, de Niterói RJ, e dos seminários de música Pró-Arte, no Rio de Janeiro e em Teresópolis RJ.

Regeu várias primeiras audições mundiais de autores brasileiros, a exemplo das óperas O chalaça (1976) e Sargento de milícias (1978), de Francisco Mignone, Yerma, de Villa-Lobos, Rudá, poema sertanejo de Villa-Lobos, Gabriela, bailado de Ronaldo Miranda (1983), Romance de Santa Cecília, oratório de Edino Krieger etc. Além de membro honorário vitalício de várias orquestras estrangeiras, tornou-se membro da Academia Brasileira de Música em 1988, ocupando a cadeira 30, cujo patrono é Alberto Nepomuceno. Regeu a O.S.B. em vários eventos e concertos.

Recebeu em 1991 a medalha de comendador da Ordem do Rio Branco.

Obras

Música orquestral: Concerto para viola e orquestra, 1988; Concerto para violino e orquestra, 1987; Concerto para violoncelo e orquestra, 1981; Dualismo, bailado, 1963; Ganguzama, poema sinfônico-coral, 1959, Praiana, bailado, 1963; Primeira sinfonia (Guararapes), 1969; Segunda sinfonia, 1991; Suíte Copihue, 1975.

Música de câmara: Concertino, p/flauta, fagote e cordas, 1959; Divertimento, p/sopros, 1977; Quinteto de sopros, 1978; Trio em forma de choro, p/flauta, oboé e fagote, 1976

Música instrumental: Segunda sonata, p/violoncelo e piano, 1978; Sonata, p/violoncelo e piano, 1954.

Música vocal: Abertura "A Pátria", c/texto de Tancredo Neves, p/soprano, coro misto e orquestra, 1985; Maria in Celum, oratório p/soprano, barítono, coro e orquestra, 1992; Rio, a epopéia do morro, cantata p/coro e orquestra, 1965.

CD

Quinteto Villa-Lobos toca Mário Tavares, Radamés Gnattali e Ernst Widmer, 1997, Funarte/Atração Fonográfica ATR 32015 (Série Acervo Funarte de Música Brasileira, nº 8). 

Fonte: Revivendo Músicas - Biografias.

terça-feira, julho 31, 2012

Cacilda Borges Barbosa

Cacilda em 1932
Cacilda Borges Barbosa, maestrina, compositora, pianista e professora de música erudita e, no início de sua carreira, também de música popular, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 18 de maio de 1914, e faleceu na mesma cidade em 6 de agosto de 2010. Aluna de composição de Antônio Francisco Braga na Escola Nacional de Música, Cacilda pertenceu à geração de autores que estenderam sua produção entre 1940 e o início do século XXI.

Tendo integrado a equipe de músicos que participaram dos projetos educacionais de Heitor Villa-Lobos desde 1930, Cacilda chegou a dirigir o Serviço de Música do Rio de Janeiro, que Villa havia fundado, e foi a primeira diretora do atual Instituto Villa-Lobos do Estado do Rio de Janeiro.

Na década de 1950 foi professora de música de câmara da Escola Nacional de Música e, até os anos 1990 lecionou composição no Conservatório Brasileiro de Música, ritmoplastia na Escola de Dança do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e deu aulas em muitas outras escolas de música de todo Brasil.

Pioneira na utilização de música eletrônica no Brasil, sua obra inclui séries de Estudos Brasileiros para canto, para piano e acordeão, balés, peças orquestrais e música de câmara, assim como dezenas de fugas instrumentais. A coleção de dioramas, peças de cunho didático para piano, tem ampla divulgação.

Provavelmente sua peça mais conhecida é o coral Procissão da Chuva, com letra de Wilson Rodrigues, que integra o repertório de grande número de conjuntos vocais brasileiros. Seu estilo tem as peculiaridades da tradição carioca, com muita utilização do contraponto, e presença da melódica do chorinho.

Obras

Chibraseando, Cota zero, Lamentações onomatopaicas, Missa em fugas, Segunda missa brasileira, Uirapiranga, entre outras.

Fonte: Wikipédia.

quinta-feira, setembro 01, 2011

J. Otaviano

J. Otaviano (João Octaviano Gonçalves), compositor, pianista, regente e professor, nasceu em Porto Alegre, RS, em 22/4/1892, e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, RJ, em 19/2/1962. Ainda muito jovem, transferiu-se para o Rio de Janeiro, matriculando-se em 1911 no I.N.M., onde foi aluno de Henrique Oswald (piano) e Francisco Braga (harmonia, composição, contraponto e fuga, e instrumentação).

Em 1913 concluiu o curso de piano, obtendo o primeiro prêmio e medalha de ouro. Quando terminou o curso de composição em 1918, já havia estreado como compositor, apresentando, em 1914, um trio e um quarteto de cordas, além de peças para piano, violino e violoncelo.

Em 1922 foi premiado com uma viagem à Europa por sua ópera Poema da vida, encenada a 2 de novembro de 1923, no Teatro Lírico, do Rio de Janeiro. Sua ópera Iracema, com libreto de Tapajós Gomes, estreou a 16 de abril de 1937, sob a regência do próprio autor, no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro. 

Excursionou por várias cidades do Brasil, exibindo-se como pianista também em Buenos Aires, Argentina, e Montevidéu, Uruguai. Lecionou piano, harmonia superior e instrumentação. Foi docente livre da então E.N.M.U.B., sucedendo a Francisco Braga na cátedra de composição, quando este se aposentou em 1938. 

Colaborador de vários periódicos musicais, publicou ainda, entre outras obras didáticas, Pontos de teoria musical, 3 volumes, Rio de Janeiro, s.d.; Curso de análise harmônica e construção musical, 2 volumes, Rio de Janeiro, 1934; Técnica pianística, 2 volumes, Rio de Janeiro, 1934. 

Obras 

Música dramática: Fernão Dias, ópera, s.d.; Iracema, ópera, 1937; Poema da vida, ópera, 1923; Sonho de uma noite de luar, ópera, s.d. 

Música orquestral: Bailado geométrico, s.d.; A boneca do lixo, bailado, s.d.; Ondinas, bailado, s.d.; Primeira sinfonia, s.d.; O príncipe de duas máscaras, bailado, s.d.; A vitória, poema sinfônico, s.d. 

Música de câmara: Quarteto, s.d.; Trio, s.d. 

Música instrumental: Cenas brasileiras, p/piano, s.d.; Danças brasileiras, p/piano, s.d.; Estudos, p/piano, s.d.; As margens do Paraíba, p/piano, só.; Sonata, p/violino e piano, s.d.; Variações sobre um tema de Barroso Neto, p/piano, s.d. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.

domingo, abril 03, 2011

Darius Milhaud

Darius Milhaud
Darius Milhaud, compositor, nasceu em Marselha, França, em 4/9/1892, e faleceu em Genebra, Suíça, em 23/6/1974. Um dos mais notáveis músicos deste século, encabeçou até a morte importante setor da música contemporânea.

Integrou, com Arthur Honegger (1892—1955), Germaine Tailleferre (1892—), Francis Poulenc (1899—1963), Georges Auric (1899—) e Louis Durey (1888—), o Grupo dos Seis, formado em Paris, França, em 1920. Seu catálogo de obras inclui os mais variados gêneros da criação musical.

Com 25 anos de idade, foi designado adido cultural da Legação de França no Rio de Janeiro RJ, onde chegou acompanhando o chefe da representação diplomática da França no Brasil, o escritor e poeta Paul Claudel (1868—1955). A chegada ao Rio de Janeiro foi no sábado de Carnaval de 1917.

Nas suas notas biográficas (Notes sans musique, Paris, 1945), recorda a impressão chocante que lhe produziu o ritmo primitivo dos instrumentos de percussão dos cordões carnavalescos que desfilavam pela Avenida Rio Branco. 

Conheceu, em seguida, e passou a freqüentar, os compositores brasileiros da época — Henrique Oswald, Francisco Braga, Alberto Nepomuceno, Heitor Villa-Lobos, Luciano Gallet. Descobriu, por fim, a música popular brasileira, que lhe deixaria profunda e duradoura impressão, que descreve assim: 

“Os ritmos dessa música popular me intrigavam e me fascinavam. Havia, na síncopa, uma imperceptível suspensão, uma respiração molenga, uma sutil parada, que me era muito difícil captar. Comprei então uma grande quantidade de maxixes e de tangos; esforcei-me por tocá-los com suas síncopas, que passavam de mão para outra. Meus esforços foram recompensados, e pude, enfim, exprimir e analisar esse pequeno nada, tão tipicamente brasileiro. Um dos melhores compositores de música desse gênero, Nazareth tocava piano na entrada de um cinema da Avenida Rio Branco. Seu modo de tocar, fluido, inapreensível e triste, ajudou-me, igualmente, a melhor conhecer a alma brasileira”. 

Deixou o Brasil em 1919, de retorno à Europa. A partir de então, em inúmeras obras suas, repontam, como instantâneos sonoros, ritmos, motivos e temas da música popular brasileira: L’Homme et son désir (O homem e seu desejo), Deux poèmes tupis (Dois poemas tupis), La Création du monde (A criação do mundo), Trois chansons de négresse (Três canções de negra), Scaramouche, Danses de Jacaré-mirim (chorinho, tanguinho e sambinha), Salada (Salada), La Carnaval d’Aix, Globe-trotter, Saudades do Brasil (suíte que compreende doze títulos de bairros do Rio de Janeiro: Sorocaba, Botafogo, Leme, Copacabana, Ipanema, Gávea, Corcovado, Tijuca, Paineiras, Sumaré, Laranjeiras e Paiçandu), e Le Boeuf surle toit (O boi no telhado), cinema-sinfonia sobre uma farsa de Jean Cocteau, em que aparecem cerca de trinta temas e fragmentos melódicos de músicas cariocas em voga nos anos 1917-1918, cujo título foi extraído do tango O boi no telhado, de Zé Boiadeiro, pseudônimo do compositor popular José Monteiro. 

CD 

Brasil — Obras de Ernesto Nazaré e Darius Milhaud, Marcelo Bratke, 1996, Olympia 946062. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 2a. Edição - 1998 - São Paulo.

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Oscar Guanabarino

Oscar Guanabarino
Oscar Guanabarino (Oscar Guanabarino de Sousa e Silva), pianista, compositor e crítico, nasceu em Niterói, RJ, em 29/11/1851, e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, RJ, em 17/1/1937.

Aos seis anos iniciou-se no piano com Achille Arnaud, estreando como recitalista aos 15 anos de idade, em concerto realizado no Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro.

Aperfeiçoou-se em harmonia com Gioacchino Giannini, tendo recebido lições de piano de Louis Moreau Gottschalk. Ainda jovem, escreveu a comédia As filhas da titia, encenada no Coliseu Teatro, do Rio de Janeiro, de propriedade de seu pai, o escritor, historiador, poeta e comediógrafo Joaquim Norberto de Sousa e Silva.

Manteve durante muito tempo curso de piano numa das salas do antigo Teatro Lírico e exerceu durante vinte anos a crítica musical no Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro.

Publicou O professor de piano (coletânea de artigos para a Revista Musical), Rio de Janeiro, 1881.

Inimigos íntimos

Heitor Villa-Lobos sofreu ataques desde que começou a apresentar suas peças de vanguarda, no Rio, em 1918. Foi chamado de bárbaro, louco, petulante, autodidata. Esse professor de piano e folhetinista atuou como flagelo do modernismo e do nacionalismo.

Fã do canto lírico de Carlos Gomes, iniciou fama de mal-humorado por volta de 1890, ao atacar os primeiros músicos que usavam o folclore em suas peças. Quando Villa-Lobos apareceu com suas suítes sincopadas e dissonantes, o velho crítico fulminou-o com todo o seu arsenal de conceitos. Os dois chegaram a trocar bengaladas em um concerto nos anos 20. Guanabarino atacou-o até morrer.

Na coluna Pelo Mundo das Artes, do Jornal do Commercio (uma das últimas a levar a rubrica de 'folhetim'), em 1934, comentou uma festa orfeônica organizada pelo compositor informando que 'a concorrência foi diminutíssima - apenas 100 pessoas na platéia, se tanto, o que quer dizer que o público rejeita o sr. Villa-Lobos e a sua música, mesmo quando lhe é oferecida gratuitamente'.

Guanabarino inspirou novos rivais, como Gondim da Fonseca e Carlos Maul (1887-1971). Este último publicou, em 1962, o ensaio A Glória Escandalosa de Villa-Lobos. Ali, acusava o compositor de haver rapinado o folclore. Villa-Lobos achava graça das acusações. A posteridade não as levou a sério.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha- 2a. Edição - 1998; Revista Época on line.

domingo, dezembro 26, 2010

Lorenzo Fernandez

Oscar Lorenzo Fernandez
Lorenzo Fernandez (Oscar Lorenzo Fernandez), regente, professor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 4/11/1897, e faleceu na mesma cidade, em 27/8/1948. Filho de espanhóis, desde criança demonstrou vocação para a música, embora pretendesse seguir a carreira de médico.

Após concluir o curso secundário, entretanto, foi acometido de doença nervosa que o impediu de continuar os estudos, permanecendo inativo durante vários meses. Em 1917 decidiu ingressar no I.N.M., onde teve como principal orientador Frederico Nascimento. Estudou teoria e piano com J. Otaviano e em 1918 passou a freqüentar a classe de harmonia de Frederico Nascimento, enquanto seguia as aulas de piano de Henrique Oswald.

Mais tarde foi aluno de Francisco Braga, estudando contraponto, fuga, composição e instrumentação. Por essa época freqüentava com Luciano Gallet a casa de Frederico Nascimento, onde Alberto Nepomuceno passava seus últimos dias, para ouvir-lhe os conselhos, que muito o influenciaram.

Em 1920 foi um dos fundadores da Sociedade de Cultura Musical, onde ocupou diversos cargos, até sua extinção em 1926. Em 1922 começou a se destacar como compositor, participando de um concurso com as peças Noturno e Arabesca, para piano, e Cisnes e Ausência, para canto e orquestra. No ano seguinte substituiu interinamente Frederico Nascimento na cátedra de harmonia superior do I.N.M., sendo efetivado no posto dois anos depois.

Em 1924 obteve o primeiro lugar em concurso de composição da Sociedade de Cultura Musical, com o Trio brasileiro, sua primeira obra importante, que assinala o rumo definitivo de sua orientação nacionalista.

A 17 de novembro de 1925 estreou sua Suíte sinfônica (sobre três temas populares brasileiros), sua primeira obra orquestral, regida por Nicolino Milano, com a orquestra do I.N.M. Outro trabalho importante desse período é o Quinteto — Suíte para quinteto de sopro.

Nova versão da Suíte sinfônica, com a instrumentação completamente refeita, foi executada em 1929 nos Festivais íbero-Americanos de Barcelona, Espanha, onde alcançou êxito. Mas seu primeiro grande sucesso foi o bailado Imbapara, baseado em temas recolhidos por Roquete Pinto entre os índios Pareci da serra do Norte, no Mato Grosso, que estreou a 2 de setembro de 1929 sob a regência de Francisco Braga.

Dessa época são também os Três estudos em forma de sonatina, para piano. No ano seguinte compôs a suíte Reisado do pastoreio, cujo “Batuque” final se tornou autêntico clássico da música erudita brasileira, gravado por Hans Kindler (1892—1949) e a Sinfônica Nacional, de Washington D.C., EUA, com grande êxito comercial, e executado por regentes famosos.

Ainda em 1930 fundou a revista mensal Ilustração Musical, que durou até o oitavo número, de março de 1931. Sua ligação com os artistas do movimento modernista resultou na ópera Malasarte, com texto de Graça Aranha. Com a morte deste, teve apenas alguns de seus trechos executados a 21 de outubro de 1933, no I.N.M., e somente foi encenada a 30 de setembro de 1941, no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro.

Em 1935 regeu em São Paulo SP um concerto na Sociedade de Cultura Artística, e dois anos depois, sob regência de Villa-Lobos, estreou no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, seu poema coreográfico Amaya, inspirado em argumentos e temas musicais de caráter incaico.

Uma de suas maiores realizações foi a fundação, em 1936, do Conservatório Nacional de Música, no Rio de Janeiro, para o qual obteve, em 1940 uma sede própria no centro da cidade, com salão de concertos, sala de conferências, biblioteca etc. Foi diretor da entidade até a morte, promovendo recitais, concertos e cursos livres, e incentivando a aplicação da moderna pedagogia à iniciação musical infantil.

Em 1938 empreendeu sua primeira tournée como regente e conferencista pela América Latina (Colômbia, Panamá, Cuba, Peru, Chile, Argentina e Uruguai) divulgando, além de suas obras, as de autores brasileiros como Villa-Lobos, Alberto Nepomuceno e Henrique Oswald. Nesse mesmo ano, o “Batuque” extraído do final do primeiro ato de sua ópera Malasarte foi executado no festival comemorativo do IV Centenário de Bogotá, obtendo o primeiro prêmio, instituido pela New Music Association da Califórnia, EUA.

Foi em seguida convidado pelo prefeito da capital colombiana a musicar o Hino à raça, de Guillermo Valencia, executado simultaneamente a 12 de outubro no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, e no Teatro Colón, de Bogotá, com irradiação para todo o continente.

Em junho de 1940, o “Batuque” do Reisado do pastoreio foi executado em concerto no Rio de Janeiro pela orquestra da National Broadcasting Corporation, dos EUA., sob a regência de Arturo Toscanini (1867—1957).

Em 1941 participou em Santiago do Chile, com Aaron Copland e Honorio Siccardi, do júri de um concurso de composição, cujo resultado, anulado pelo governo chileno, provocou grande controvérsia na imprensa e nos círculos musicais chilenos.

Seu Primeiro concerto, para violino e orquestra, foi executado por Oscar Borgeth a 13 de junho de 1945, sob regência de Erich Kleiber (1890—1956). Nesse ano compôs a Primeira sinfonia, estreada em 1948 pela Orquestra Sinfônica Brasileira, sob a regência de Eleazar de Carvalho.

Em 1947 terminou de compor a Segunda sinfonia, inspirada em “O caçador de esmeraldas”, de Olavo Bilac, que não chegou a ser executada durante sua vida. Seu cinqüentenário foi comemorado em vários círculos musicais do país, tendo sido recebido festivamente em Curitiba PR pela Sociedade Brasílio ltiberê, regido a Orquestra Sinfônica do Recife PE e o Coral Villa-Lobos, em João Pessoa PB.

Sua última aparição em público ocorreu no dia de sua morte, a 27 de agosto de 1948, quando regeu um concerto sinfônico com a orquestra da E.N.M.U.B., no Rio de Janeiro.

Em 1997, em comemoração do centenário de nascimento do compositor, foi realizada uma série de concertos e um recital multimídia com o barítono Walter Weiszflog e o pianista Achille Picchi. Foi lançado também o livro Roteiro interior de amor e renúncia, uma seleção de poesias do compositor, organizada por Helena Lorenzo Fernandez.

Obra completa 

Música dramática
Ópera: Malasarte, 1931-1933.
Música orquestral
Amaya, poema coreográfico, 1930; Imbapara, bailado, 1928; Primeira sinfonia, 1945; Primeiro concerto, p/piano e orquestra, 1924; Primeiro concerto, p/viouno e orquestra, 1941-1942; Reisado do pastoreio, suíte, 1930; Segunda sinfonia, 1946-1947; Suíte do Malasarte (Malasartiana), 1941; Suíte sinfônica, 1925; Variações sinfônicas, p/piano e orquestra, 1948.
Música de câmara
Trios: Duas invenções seresteiras, p/flauta, clarineta e fagote, 1944; Idílio romântico, p/piano, violino e celo, 1924; Primeiro trio, p/piano, violino e cela, 1921; Trio brasileiro, p/piano, violino e celo, 1924.
Quartetos: Aquarelas, p/arcos, 1927; Primeiro quarteto, p/dois violinos, viola e cela, 1927; Segundo quarteto, p/dois violinos, viola e celo, 1946.
Quinteto: Quinteto —Suíte p/quinteto de sopro, 1926. Música instrumental
Solos p/piano: Acalanto da saudade, 1928; Arabesca, 1920; Bazar, 1933; Berceuse da boneca triste, 1926; Boneca Iaiá, 1944; Bonecas, 1932; Dança lânguida, 1927; Duas miniaturas, 1918; Folhas d’álbum, 1927; Historieta ingênua, 1925; Historietas maravilhosas, 1922; Marcha dos soldadinhos desafinados, 1927; Minhas férias, 1937; Miragem, 1919; Noturno, 1919; Pequena série infantil, 1937; Poemetos brasileiros — la série, 1926; Poemetos brasileiros — 2 série, 1928; Prelúdio fantástico, 1924; Prelúdios do crepúsculo, 1922; Presentes de Noel, 1927; Primeira brasiliana, 1927; Primeira suíte brasileira, 1936; Recordações da infância, 1935; Rêverie, 1923; Segunda suíte brasileira, 1938; Sonata breve, 1947; Suíte das cinco notas, 1942; Terceira suíte brasileira, 1938; Três estudos em forma de sonatina, 1929; Valsa exótica, 1927; Valsa suburbana, 1932; Visões infantis, 1923.
Solos p/violão: Ponteio, 1938; Saudosa seresta, 1938; Suave acalanto, 1938; Velha modinha, 1938.
Duos: Melodia, p/violino e piano, 1926; Moda, p/violino e piano, 1927; Noturnal, p/violino e piano, 1924; Noturno elegíaco, p/celo e piano, 1923; Romança, p/violino e piano, 1921; Romance elegíaco, p/celo e piano, 1924; Toada e dança, p/celo e piano, 1926. 
Música vocal
Canto e piano: Aveludados sonhos, 1947; Canção ao luar, 1933; A canção da fonte, 1936; Canção do berço, 1925; Canção do mar, 1934; Canção do violeiro, 1926; Canção sertaneja, 1924; Coração inquieto, 1938; Dentro da noite, 1946; Dois epigramas, 1925; Duas canções, 1922; Duas modinhas, 1928; Elegia da manhã, 1946; Essa negra fulô, 1934; O horizonte vazio, 1933; Macumba, 1926; Madrigal, 1943; Meu coração, 1926; Meu pensamento, 1934; Noite de junho, 1933; Ó vida de minha vida, 1923; Samaritana da floresta, 1936; A saudade, 1921; Serenata, 1930; Solidão, 1922; A sombra suave, 1929; Suave acalanto, 1936; Tapera, 1929; Toada para você, 1928; Toi, 1923; Trovas do amor, 1947; As tuas mãos, 1935; Vesperal, 1946.
Canto e orquestra: Ausência, 1922; Berceuse da onda, 1928; Canção do poço, 1931-1933; Cisnes, 1921; Do outro lado do mar, 1931-1933; As estrelas, 1923; Eu sou aquela que amam os homens, 1931-1933; Modinha de Malasarte, 1931-1933; Noturno, 1934; Quando eu era pequenino, 1931-1933; A samaritana, 1920; Seus olhos eram verdes, 1931-1933; Surdina, 1922; Um beijo, 1920; Velas ao mar, 1919.
Canto coral: Canção panteísta, 1933; Canções da infância, 1926; Cantigas de minha terra, 1935; Coros do Malasarte, 1931-1933; Os dois céus, 1944; Duas evocações, 1930; Duas noturnais, 1930; Epigramas matinais, 1936; Hino à raça, 1939; Motete, 1924; Noturno das folhas soltas, 1936; Ode a Santa Cecília, 1933; Oração ao sol, 1924; A tarde lenta, 1933; As tuas mãos, 1935. 

CDs

A obra de canto de Oscar Lorenzo Fernandez, Maria Lúcia Godoy e Talitha Peres, 1993, Conversatório Brasileiro de Música 107.224; Lorenzo Fernandez — Obras (2 CDs), 1997, Rádio M.E.C. 5011 e 5012.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha - 2a. Edição - 1998.

quarta-feira, março 07, 2007

Jaime Ovalle

Jaime Ovalle (Jaime Rojas de Aragón y Ovalle), compositor e poeta, nasceu em Belém PA em 5/8/1894 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 9/9/1955. Influenciado pela irmã, que estudava piano e bandolim com Eduardo Pierantoni, dedicou-se a esses instrumentos e, sempre como autodidata, mais tarde aprendeu violino e violão.

Ainda jovem, transferiu-se para o Rio de Janeiro, relacionando-se ali com intelectuais e músicos. Poeta, conhecedor da música popular brasileira e violonista de choros e serestas, foi freqüentador assíduo da casa de Heitor Villa-Lobos. Nomeado por concurso para a Fazenda Nacional, ocupou cargos em New York, EUA, e Londres, Inglaterra, onde escreveu grande parte de sua obra.

Regressando ao Rio de Janeiro, por volta de 1937 publicou, por conta própria, toda a sua obra musical, na Casa Artur Napoleão. Nunca realizou a apresentação pública dessas composições, mas exibiu-as em audição privada em casa do poeta Augusto Frederico Schmidt (1906—1 965), na interpretação do pianista Mário Neves.

Suas canções Azulão e Modinha, ambas com versos de seu grande amigo Manuel Bandeira, são consideradas suas obras mais importantes.

Membro fundador da Academia Brasileira de Música, teve sua obra apresentada formalmente pela primeira vez, em 1959, no programa Música e Músicos do Brasil, da Rádio MEC em palestra de Andrade Murici, ilustrada pelo soprano Gelsa Ribeiro da Costa e pela pianista Ana Cândida.

Não publicou livros, deixando uma obra inédita, The Foolish Bird (O pássaro tolo), poemas escritos em inglês.

Obras

Música orquestral: Pedro Álvares Cabral, opus 16, poema sinfônico, s.d.; Música de câmara: Dois improvisos, p/três clarinetas, s.d.; Música instrumental: Desafio, opus 6, n 2, p/plano, s.d.; Dois retratos: n° 1 — Manuel Bandeira; o 2— Maria do Carmo, opus 14, p/piano, s.d.; Noturno, opus 25, p/piano, s.d.; Scherzo, opus 9, n° 2, p/piano, s.d.; Música vocal: Azulão, opus 21, p/canto e piano, s. d.; Berimbau, opus 4, p/canto e piano, s.d.; Modinha, opus 5, p/canto e piano, s.d.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Violeta Cavalcanti



Violeta Cavalcanti, cantora, nasceu em 1/7/1923, em Manaus, Amazonas. Foi para o Rio de Janeiro, juntamente com a família, aos 9 anos. Estudava na Escola Paraná, no bairro carioca de Madureira, quando, com apenas 10 anos, conheceu Heitor Villa-Lobos, sendo selecionada pelo maestro para cantar no Conjunto Orfeônico Infantil organizado por ele, integrado por crianças das escolas públicas da capital, onde se apresentou no Teatro Municipal.


Em 1940, com apenas 14 anos, participou do programa de calouros de Ary Barroso, onde se apresentou cantando O samba e o tango, um sucesso de Carmen Miranda, cantora de quem era fã. A interpretação impecável, sem imitar Carmen, lhe garantiu o primeiro lugar, contestado pelo próprio Ary Barroso, que afirmou: "Ganhou, mas não leva. Você já é herdeira de Carmen Miranda, portanto, profissional, e o prêmio é para calouros." Foi grande a dificuldade para convencer Ary Barroso de que aquela era a primeira vez que a moça se apresentava no rádio.

A ida de Carmen Miranda para os Estados Unidos favoreceu o início de sua carreira no rádio, onde a jovem passou a cantar os sucessos da "Pequena Notável", compensando o espaço deixado e a saudade dos fãs de Carmen.

Trabalhou nas Rádios Tupi, Educadora, Ipanema, onde assinou seu primeiro contrato, consagrando-se principalmente pela interpretação original de Camisa listrada, outro sucesso de Carmen, de autoria de Assis Valente.

Gravou o primeiro disco em 1940, com Vou sair de Pai João, marcha de J. Cascata e Leonel Azevedo e Pulo do gato, de J. Cascata e Correia da Silva pela Victor. Assinou contrato com a Rádio Nacional em 1941, onde permaneceu até 1957.

Em 1955, fez sucesso com o samba-canção Cartas, composição de Antônio Maria, gravado pela Odeon, com arranjos do então jovem maestro Tom Jobim. Destacou-se como intérprete das canções de Dorival Caymmi, com destaque para o samba-canção Só louco, gravado em 1956 na Odeon. O maior sucesso veio com o samba "Fita meus olhos", de Peterpan, gravado no mesmo ano pela Odeon.

Abandonou a carreira em 1957, para casar-se. Depois de longo afastamento da vida artística, convidada por Albino Pinheiro para shows da série "Seis e meia", retomou a carreira 20 anos mais tarde, incentivada por Paulinho da Viola, se apresenando no projeto ao lado de Paulinho.

Em 1987, passou a integrar o grupo vocal As Cantoras do Rádio, juntamente com Nora Ney, Rosita Gonzalez, Zezé Gonzaga, Ellen de Lima, Carmélia Alves e Ademilde Fonseca. Gravou com outros cantores os Lps Velhos sambas - velhos bambas, Vols. 1 e 2 e Ary Barroso - 90 anos, em 1992, ambos editados pela Fenab.


No fim da década de 1980 e início da de 1990, com As Cantoras do Rádio, gravou dois CDs e fez vários shows pelo Brasil. Participou ainda em 1988 do LP duplo Há sempre um nome de mulher, produzido por Ricardo Cravo Albin e que alcançou a tiragem de 600 mil cópias, em benefício da Campanha do Aleitamento Materno (LBA/ Banco do Brasil).

Em 13 de junho de 2001, estreou, ao lado de Carmélia Alves, Carminha Mascarenhas e Ellen de Lima o show As Cantoras do Rádio: Estão voltando as flores, com roteiro e direção de Ricardo Cravo Albin, no Teatro-Café Arena, em Copacabana, no Rio. Nesse show, Violeta personificava Elizeth Cardoso, Aracy de Almeida, Nora Ney e Dalva de Oliveira, cantando alguns dos sucessos que marcaram as carreiras dessas cantoras, como Mulata Assanhada (Ataulfo Alves) e Não me diga adeus ( Paquito/ L. Soberano/ J.C. Silva).


Fontes: Cantoras do Brasil - Violeta Cavalcanti; Dicionário Cravo Albin da MPB.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Heitor Villa-Lobos


A 5 de março de 1887, nascia Heitor Villa-Lobos, na Rua Ipiranga, bairro de Laranjeiras, Rio de Janeiro. Sua mãe, Noêmia Villa-Lobos, cuidava dos filhos e da casa. Seu pai, Raul Villa-Lobos, era funcionário da Biblioteca Nacional e dedicava-se à música, como amador.

Na casa dos Villa-Lobos, todos os sábados, nomes respeitados da época reuniam-se para tocar até altas horas da madrugada. Esse hábito, que durou anos, influiu decisivamente na formação musical de Villa-Lobos que, logo cedo, iniciou-se na música. Aos seis anos de idade, aprendeu a tocar violoncelo com o pai, em uma viola especialmente adaptada.

Foi também nessa época - e graças à sua tia Fifinha que lhe apresentou os Prelúdios e Fugas do "Cravo Bem Temperado" - que "Tuhú" (seu apelido de infância) fascinou-se pela obra de Johann Sebastian Bach, compositor que acabou por lhe servir de fonte de inspiração para a criação de um de seus mais importantes ciclos, o das nove "Bachianas Brasileiras".

Além da cidade do Rio de Janeiro, Villa-Lobos residiu com a família em cidades do interior do Estado e também de Minas Gerais. Nessas viagens, entrou em contato com uma música diferente da que estava acostumado a ouvir: modas caipiras, tocadores de viola, enfim, uma parte do folclore musical brasileiro que, mais tarde, viria a universalizar-se através de suas obras.

Ao voltar ao Rio de Janeiro, a música praticada nas ruas e praças da cidade também passou a exercer-lhe um atrativo especial. Era o "choro", composto e executado pelos "chorões", músicos que se reuniam regularmente para tocar por prazer e, ainda, em festas e durante o carnaval. Tal interesse levou-o a estudar violão escondido de seus pais, que não aprovavam sua aproximação com os autores daquele gênero, pois eram considerados marginais.

Com a morte de Raul Villa-Lobos, em 1899, D. Noêmia não conseguiu mais conter o filho. No início dos anos 20, como conseqüência desse envolvimento com o choro, começaria a compor um ciclo de quatorze obras, para as mais diversas formações, intitulado "Choros"; nascia aí uma nova forma musical, onde aquela música urbana se mesclava as modernas técnicas de composição.

Em 1905, Villa-Lobos partiu em viagens pelo Brasil. Visitou os estados do Espírito Santo, Bahia e Pernambuco, passando temporadas em engenhos e fazendas do interior, em busca do folclore local. Tempos depois, seguia para outra viagem - uma excursão pelo interior dos estados do Norte e Nordeste - que se estenderia por mais de três anos. Foi nesse momento que teria conhecido a Amazônia - fato ainda não comprovado - o que teria marcado profundamente sua obra.

Por onde passava, Villa-Lobos ia recolhendo temas folclóricos que utilizaria em suas composições, como no "Uirapuru", e em seu futuro trabalho de educação musical, através da coleção "Guia Prático".

O ano de 1915 marca o início da apresentação oficial de Villa-Lobos como compositor, com uma série de concertos no Rio de Janeiro. Na época, casado com a pianista Lucília Guimarães, ganhava a vida tocando violoncelo nas orquestras dos teatros e cinemas cariocas, ao mesmo tempo em que escrevia suas obras. Os jornais publicavam críticas contra a modernidade de sua música. Anos mais tarde, o compositor fez questão de explicar:

"Não escrevo dissonante para ser moderno. De maneira nenhuma. O que escrevo é conseqüência cósmica dos estudos que fiz, da síntese a que cheguei para espelhar uma natureza como a do Brasil. Quando procurei formar a minha cultura, guiado pelo meu próprio instinto e tirocínio, verifiquei que só poderia chegar a uma conclusão de saber consciente, pesquisando, estudando obras que, à primeira vista, nada tinham de musicais. Assim, o meu primeiro livro foi o mapa do Brasil, o Brasil que eu palmilhei, cidade por cidade, estado por estado, floresta por floresta, perscrutando a alma de uma terra. Depois, o caráter dos homens dessa terra. Depois, as maravilhas naturais dessa terra. Prossegui, confrontando esses meus estudos com obras estrangeiras, e procurei um ponto de apoio para firmar o personalismo e a inalterabilidade das minhas idéias".

No Brasil do início do século, a influência européia e a permanência do espírito conservador do fim de século incomodavam a juventude, que começava a reagir a tudo isso. Surgiu, então, um movimento chamado Modernista que, em fevereiro de l922, foi oficializado em São Paulo, através da Semana de Arte Moderna. Atividades de vários campos da arte foram apresentadas no Teatro Municipal daquela cidade.

Convidado por Graça Aranha, Villa-Lobos aceitou participar dos três espetáculos da "Semana", apresentando, dentre outras obras, as "Danças Características Africanas".

Já bastante conhecido no meio musical brasileiro, alguns de seus amigos começaram a incentivá-lo a ir à Europa, e apresentaram à Câmara dos Deputados um projeto para financiar sua ida a Paris. A proposta foi aprovada e Villa-Lobos partiu, em 1923, para o que seria sua primeira viagem ao Velho Continente. Chegou com mentalidade própria e se impôs em menos de um ano. Um grupo de amigos ajudou-o nas despesas e apresentou-o aos editores Max-Eschig, enquanto o pianista Arthur Rubinstein - que já o conhecia do Brasil - e a soprano Vera Janacópulus divulgavam suas obras em recitais por vários países.

De volta ao Rio de Janeiro, em 1924, Villa-Lobos foi assim saudado pelo poeta Manuel Bandeira: "Villa-Lobos acaba de chegar de Paris. Quem chega de Paris espera-se que chegue cheio de Paris. Entretanto, Villa-Lobos chegou cheio de Villa-Lobos. Todavia uma coisa o abalou perigosamente: a "Sagração da Primavera", de Stravinsky. Foi, confessou-me ele, a maior emoção musical da sua vida.(...)".

Em 1927, o compositor retornou a Paris para organizar concertos e publicar várias obras. Fez amigos, e muitos artistas de renome freqüentavam sua casa e participavam das feijoadas dos domingos. A partir dessa segunda temporada na capital francesa, ganhou prestígio internacional, apresentando suas composições em recitais e regendo orquestras nas principais capitais européias, causando forte impressão, ao mesmo tempo em que provocava reações por suas ousadias musicais.

No segundo semestre de 1930, Villa-Lobos - a convite - retornava provisoriamente ao Brasil para a realização de um concerto em São Paulo. Contudo, não previa que, neste seu retorno, estaria inaugurando um novo capítulo em sua biografia.

Villa-Lobos preocupava-se com o descaso com que a música era tratada nas escolas brasileiras e acabou por apresentar um revolucionário plano de Educação Musical à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. A aprovação do seu projeto levou-o a mudar-se definitivamente para o Brasil.

Em 1931, reunindo representações de todas as classes sociais paulistas, organizou uma Concentração Orfeônica chamada "Exortação Cívica ", com a participação de cerca de 12 mil vozes.

Após dois anos de trabalho em São Paulo, Villa-Lobos foi convidado oficialmente pelo Secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro - Anísio Teixeira - para organizar e dirigir a Superintendência de Educação Musical e Artística (SEMA), que introduzia o ensino da Música e o Canto Coral nas escolas.

Como conseqüência do seu trabalho educativo, viajou de Zeppelin, em 1936, para a Europa, representando o Brasil no Congresso de Educação Musical em Praga.

Com o apoio do então Presidente da República, Getúlio Vargas, organizou Concentrações Orfeônicas grandiosas que chegaram a reunir, sob sua regência, até 40 mil escolares e, em 1942, terminou por criar o Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, cujo objetivo era formar candidatos ao magistério orfeônico nas escolas primárias e secundárias, estudar e elaborar diretrizes para o ensino do Canto Orfeônico no Brasil, promover trabalhos de musicologia brasileira, realizar gravações de discos, etc.

"Irei aos Estados Unidos somente quando os americanos quiserem me receber como eles recebem a um artista europeu, isto é, em razão das minhas próprias qualidades e não por considerações políticas..."

Apesar dessa resistência inicial (era o momento da chamada "política da boa vizinhança" praticada pelos EUA com aliados na 2ª Guerra Mundial), Villa-Lobos, convencido pelo Maestro Leopold Stokowski, seu amigo desde Paris, aceitou o convite do Maestro norte-americano Werner Janssen para uma turnê pelos EUA, em 1944.

A partir daí, retornou àquele país várias vezes, onde regeu e gravou suas obras, recebeu homenagens e encomendas de novas partituras, além de ter travado contato com grandes nomes da música norte-americana, fechando, assim, o ciclo de sua consagração internacional. Villa-Lobos morreu de câncer em 17 de novembro de 1959, no Rio de Janeiro.

Fonte: Museu Villa-Lobos