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domingo, fevereiro 11, 2018

Vai meu amor ao campo santo - Vicente Celestino

Catulo
Vai, ò Meu Amor, ao Campo Santo (canção, 1912) - Catulo da Paixão Cearense e Irineu de Almeida - Intérprete: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: Vai, Ò Meu Amor, ao Campo Santo / Cearense, Catullo da Paixão, 1863-1946 (Compositor) / Almeida, Irineu de (Compositor) / Celestino, Vicente (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 08/08/1952 / Nº Álbum 801023 / Gênero musical: Canção.



Tu, tu não queres crer como eu te quero!
Venero o teu amor, que é minha vida
Tudo nesta dor do mundo espero
Sou poeta e sou cantador, ó alma infinda!
Sobre o coração que me consome
A rutilar luz diamante do teu nome
Sei que o meu penar será infindo
Irei cumprindo o que Deus determinar

Hás de chorar a minha desventura
Quando eu repousar na gelidez da sepultura
Hás de lamentar os sofrimentos
Tantos tormentos que sofri
Enquanto vivo aqui por ti

Vai, vai ó meu amor ao campo santo
Verás a minha cruz lá num recanto!
Vai, que lá verás cheias de odores
Numa genuflexão algumas flores
Vai e uma por uma sem ter medo
Colhe essas flores – a meiguice de um segredo
São os versos d’alma que eu não disse
E enfim dizer, dizê-los só, quando eu morrer

Poeta do sertão - Paulo Tapajós


Outra versão de Caboca di Caxangá - a toada “U poeta du Sertão” - foi gravada em 1927 por Patrício Teixeira e novamente em 1936 por Paraguassu. Ela foi dedicada à memória do companheiro nordestino (Catulo veio do Maranhão) e homem de teatro Arthur Azevedo, que morreu em 1907. A gravação de Paulo Tapajós de 1957 foi relançada no CD da Revivendo "Catulo da Paixão Cearense nas vozes de Paulo Tapajós e Vicente Celestino".

Poeta Do Sertão (toada) - Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco - Interpretação: Paulo Tapajós

LP Catullo O Poeta Do Sertão - Na Interpretação De Paulo Tapajós / Título da música: Poeta Do Sertão / João Pernambuco (Compositor) /Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / Paulo Tapajós (Intérprete) / Gravadora: Sinter / Ano: 1957 / Nº Álbum: SLP 1709 / Lado A / Faixa 4 / Gênero musical: Toada.



Si chora o pinho
Im desafio gemedô
Não hai poeta cumo os fio
Du sertão sem sê doutô
Us óio quente
Da caboca faz a gente
Sê poeta di repente
Que a puisia vem do amor

Não há poeta, não há
Cumo os fio do Ceará!

Dotô fromado, home aletrado
Lá da Côrte
Se quisé mexê comigo
Muito intoncê tem qui vê
Us livro da intiligença
I dá sabença
Mas porém u mato virge
Tem puisia como quê!

Poeta eu sô sem sê dotô
Sou sertanejo
Eu sô fio lá dus brejo
Du sertão do Aracati
As minha trova
Nasce d’arma sem trabaio
Cumo nasce na coresma
Nu seu gaio a frô de Abri



Fonte: As Crônicas Bovinas, parte 17

Tu passaste por este jardim - Gilberto Alves


Alfredo Dutra (circa 1860 - 1920 Rio de Janeiro, RJ) é o autor da canção Tu passaste por esse jardim (composta como polca), que Catulo da Paixão Cearense pôs letra. Sabe-se que a canção foi apresentada pela primeira vez pelo próprio Catulo, em festa de casamento do sobrinho do compositor, de nome Oscar de Meneses Pamplona, realizada em 28 de setembro de 1905.

Em 1962, a canção "Tu passaste por este jardim", foi relançada em ritmo de maxixe, por Gilberto Alves no LP Gilberto Alves de sempre lançado pela gravadora Copacabana.

Tu Passaste Por Este Jardim (polca / maxixe, 1905) - Catulo da Paixão Cearense e Alfredo Dutra - Interpretação: Gilberto Alves

LP Gilberto Alves De Sempre / Título da música: Tu Passaste Por Este Jardim / Alfredo Dutra (Compositor) / Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / Gravadora: Copacabana / Ano: 1962 / Nº Álbum: CLP 11268 / Lado B / Faixa 4 / Gênero musical: Maxixe.



Tu passaste por este jardim!
Sinto aqui certo odor merencório
Desse branco e donoso jasmim
Num dilúvio de aromas pendeu
Os arcanjos choraram por mim
Sobre as folhas pendidas do galho
Que a luz de seus olhos brilhantes verteu

Tu passaste, que de quando em quando
Vejo as rosas no hastil lacrimado
Das corolas de todas as flores
As minhas angústias, abertas em flores
Neste ramo que ainda se agita
Uma roxa saudade palpita
E esse cravo, no ardor dos ciúmes
Derrama os perfumes num poema de amor

De um suspiro deixaste o calor
Neste cálix de neve, estrelado
Neste branco e gentil monsenhor
Vê-se o íris de um beijo esmaltado
Tu deixaste num halo de dor
Nas violetas magoadas, sombrias
A tristeza das ave-marias
Que rezam teus lábios à luz do Senhor

Vejo a imagem da minha ilusão
Nessa rosa prostrada no chão
Meus afetos descansam nos leitos
Destes lindos amores-perfeitos
Como chora o vernal jasmineiro
Que me lembra o candor de teu cheiro!
Este cravo sangüíneo é uma chaga
Que se alaga no rubor da cor

As gentis magnólias em vão
Muito invejam teu rosto odoroso
Rosto que tem a conformação
De um suspiro adejando saudoso
E esses lírios têm a presunção
De imitar em seus níveos brancores
Esses dois ramalhetes de amores
Andores de flores num seio em botão

Recorda-te de mim - Catulo da Peixão Cearense

Catulo da Paixão
Recorda-te de mim (modinha, 1912) - Catulo da Paixão Cearense - Interpretação: Orestes de Matos

Disco 78 rpm / Título da música: Recorda-te de Mim / Cearense, Catullo da Paixão, 1863-1946 (Compositor) / Matos, Orestes de (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1912 / Nº Álbum: 137006 / Lado único / Gênero musical: Modinha.



LP Catullo O Poeta Do Sertão - Na Interpretação De Paulo Tapajós / Título da música: Recorda-te de Mim / Anacleto de Medeiros (Compositor) /Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / Paulo Tapajós (Intérprete) / Gravadora: Sinter / Ano: 1957 / Nº Álbum: SLP 1709 / Lado B / Faixa 4 / Gênero musical: Modinha.



Recorda-te de mim quando de tarde
Gloriosa a morrer na luz do dia
E nos seios da noite a serrania
Em candores de neve se ocultar
Recorda-te de mim nesse momento
As estrelas saudosas do penar

Recorda-te de mim quando alta noite
Escutares um canto de tristeza
Descantado por toda a natureza
Nos formosos harpejos do luar
Recorda-te de mim quando acordares
E sentires no peito do adolescente
Um espírito em mágoa florescente
Uma hora em teu peito a suspirar

Recorda-te de mim quando no templo
Numa prece serena, doce e fina
Sob o altar florescido de Maria
Teus segredos à Virgem confiar
Recorda-te de mim nesse momento
Para que minha dor tenha um alento
E me deixe morrer com o pensamento
De que morro feliz só por te amar

Na aldeia - Patrício Teixeira

Catulo

Na Aldeia  (Quando Ela Passa) - Letra: Catulo da Paixão Cearense - Música: Mário Alvares - Interpretação: Patrício Teixeira

Disco 78 rpm / Título da música: Na Aldeia / Cearense, Catullo da Paixão, 1863-1946 (Compositor) / Alvares, Mário / Teixeira, Patrício (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1927 / Nº Álbum: 10084 / Gênero musical: Maxixe.



Quando ela passa
A caminho da choça do monte
Lá no horizonte
A ascensão do luar
Pela aldeia vem se derramar
Geme a fonte
E as minhas mágoas vêm vê-la passar
Passar cantando
Com a flor brincando
De quando em quando a suspirar

Vai bandoleira
A faceira que de mim se esquece
Até parece uma flor
Que ao luar, ao luar
Irrorada de orvalho
Do galho se desprendesse
E lá fosse a ondular
E ondulando fosse voando
De quando em quando a suspirar

Deixa em seu rastro o odor
Do rescendente sassafrás em flor
Deixa onde passa o olvido
O aroma de um coração ferido
Geme a viola então
Em meio da solidão do sertão calado
Um canto apaixonado, aveludado
De suspiros do coração

Se ao longe um lacrimal
Desliza sobre a areia de cristal
Descalça o pé dengoso
E o riozinho estremece airoso
E todo dia a se arrufar
Não quer mais deslizar
No planger fluente
Quer essa flor virente
Nas madeixas da corrente
Leva, levar

Quando amanhece
E à porta da choça aparece
Acorda a flor que umedece
O frescor que é tão grato
Acorda o regato e no mato
Acorda a rola em seu ninho de amor
Acorda a fonte, o horizonte
E lá no monte o trovador

Implorando

Catulo
Palma do Martírio (Implorando) - Letra: Catulo da Paixão Cearense - Música: Anacleto de Medeiros

Disco 76 rpm / Título da música: Implorando / Medeiros, Anacleto de, 1866-1907 (Compositor) / Banda do Corpo de Bombeiros (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1904-1907 / Nº Álbum 40574 / Gênero: Schottish.



LP Catullo O Poeta Do Sertão - Na Interpretação De Paulo Tapajós / Título da música: Implorando / Anacleto de Medeiros (Compositor) /Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / Paulo Tapajós (Intérprete) / Gravadora: Sinter / Ano: 1957 / Nº Álbum: SLP 1709 / Lado B / Faixa 6 / Gênero musical: Valsa.

Quando um deus cruento
Vem sangrar meu sentimento
E do meu tormento
Põe as cordas a vibrar
Solto o pensamento
Que se perde no infinito
Desse azul bendito
Que te luz no olhar

Se teu nome pulcro
Em devoção desfio em prece
Frio em seu sepulcro
Me estremece o coração
Pedras de cristal sentimental
Correm fugazes
Pelas minhas faces
A brilhar, rolar

Brilhas entre as gemas
Dos poemas dos meus prantos
Choras nos quebrantos
Destas lágrimas supremas
Tu sorris das rosas
Policromas nos aromas
Fulges no cismar
Da minha dor, do meu penar

Cantas nos enleios
Dos gorjeios mais insones
Corres pelos veios
Da campina esmeraldina
Gemes pelos seios
Esteríssimos das fontes
Pelos horizontes
No arrebol ao pôr-do-sol

Em vestes celestes
Nos ciprestes de minh’alma
Ergues uma palma
De martírio a meu penar
Brilhas como um círio
Iluminando sobre flores
Minhas agras dores
Cor do azul do mar

sexta-feira, fevereiro 09, 2018

Fechei meu jardim - Orestes de Matos

Catulo da Paixão
Fechei O Meu Jardim (modinha, 1912) - Catulo da Paixão Cearense - Interpretação: Orestes de Matos

Disco 78 rpm / Título da música: Fechei o Meu Jardim / Cearense, Catullo da Paixão, 1863-1946 (Compositor) / Matos, Orestes de (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1912-1914 / Nº Álbum: 137000 / Gênero musical: Modinha / Seresta.



Tu me perguntas por que, solitário
Inda mais vário sou que um beija-flor
Ai, quantas vezes cumprindo o fadário
Fui ao calvário do falsário amor!


Eu te respondo mesmo assim cantando
Exacerbando os sonhos meus de então:
Lágrimas frias, creias ou não creias
Tantas chorei-as que fiz um Jordão

Quando a primeira confessei que amava
E ela jurava eterno afeto a mim
Senti minh’alma tão feliz, vaidosa
Mais orgulhosa que a de um querubim
Para ofertar-lhe desprendi a rosa
A mais formosa do espiritual jardim

Rosas, camélias, dálias, açucenas
Lírios, verbenas, cravos, resedás
Íris, violetas, manacás, mil flores
Tantos primores dispensei em vão
Jardim não teve nenhuma rainha
Como a que eu tinha no meu coração

Vieste tarde! Nem agora existe
Um golvo triste de funéreo dó
De tantas flores que eram meus carinhos
Só vejo espinhos, folhas secas só

O amor-perfeito que eu tinha em meu peito
Perdeu a vida, emurcheceu por fim
Mas essa flor modou-se, emurchecida
Numa ferida que viceja em mim
Eis minha vida, a minha história é esta
Nada mais resta, fecho o meu jardim

Ao luar - Paulo Tapajós


Ao Luar (modinha, 1880) - Catulo da Paixão Cearense - Intérprete: Paulo Tapajós

LP Luar Do Sertão - Paulo Tapajós Com Orquestra E Coro Interpretando Catullo Da Paixão Cearense / Título da música: Ao Luar / Gravadora: Sinter / Ano: 1959 / Nº Álbum: SLP 1770 / Lado A / Faixa 5 / Gênero musical: Modinha.



Vê que amenidade,
que serenidade
tem a noite, em meio,
quando, em brando enleio,
vem lenir o seio
de algum trovador!
O luar albente
que do bardo a mente
no silêncio exalta,
chora a tua falta
rutilante estrela
de eteral candor!

Minha lira geme
no concento extreme
que a Saudade inspira!
Vem ouvir a lira,
que, sem ti, delira
nesta solidão!
Vem ouvir meu canto
no fluir do pranto,
com que a dor rorejo!
Lacinante harpejo,
que das fibras tanjo
deste coração!
nosso amor fanado,
quando, eu, a teu lado,
mais que aventurado
por te amar vivi!
Quero a fronte tua
ver à luz da lua
resplandente e bela!
Descerra a janela
que eu durmo as noites,
só pensando em ti!

Dá-me um teu conforto,
que este afeto é morto
que me consagravas...
quando protestavas,
quando me juravas
eviterno amor!
Vem um só momento
dar ao pensamento
radiosa imagem
depois, na miragem,
deixa, eu tua ausência,
cruciar-me a dor!

De saudade o dardo
vem ferir do bardo
o coração silente!
Esta dor latente
só na campa algente
poderá findar!
Mas se ainda o peito
palpitar no leito
de eternal abrigo,
hei de só, contigo,
sob a lousa, em sono
funeral, sonhar. 

domingo, agosto 25, 2013

A poesia de Catulo

Catulo da Paixão Cearense, denominado "o poeta popular do Brasil", recebeu todas as glórias, todas as honras e uma adoração popular enorme ainda em vida. Isso porque usou e abusou de toda a sonoridade que o sotaque nordestino lhe proporcionou e soube colocar em versos simples onde era o lugar de por versos simples.

Tinha faro. Sabia ouvir, como ninguém mais, o rumor de nossa terra. A foto ao lado é uma de suas últimas, extraída da Revista "O Malho". Abaixo algumas obras do nosso querido "Catullo Cearense":

Ai de mim!
Ao luar
Até as flores mentem
Caboca bunita
Caboca di Caxangá
Choro e poesia (Ontem ao luar)
Clélia (Ao desfraldar da vela)
Fechei meu jardim
Flor amorosa
Flor do mal
Iara (Rasga o coração)
Luar do sertão
Não vê-la mais (Só para moer)
O fadário (Medrosa)
O meu ideal
Os boêmios
Os olhos dela
Palma do martírio
Quando ela passa
Recorda-te de mim
Sertaneja
Sorrir dormindo
Talento e formosura
Templo ideal
Terna saudade (Por um beijo)
Três estrelinhas (O que tu és)
Tu passaste por este jardim
U poeta do sertão
Vai ò meu amor, ao campo santo

24 de outubro

Gastão Formenti 1930
Dia 24 de outubro o presidente Washington Luís foi deposto pela junta militar que assumiu o poder no Rio de Janeiro, transferindo-o depois para Getúlio Vargas. É considerado o dia da vitória da Revolução de 30. Os “florianos”, que rimam com “soberanos”, devem ser os herdeiros de Floriano Peixoto, que consolidou a República, enfrentando encarniçada oposição da elite rural.

24 de Outubro (hino, 1930) - Catulo da Paixão Cearense e Henrique Vogeler

Disco 78 rpm / Título da música: 24 de outubro / Autoria: Cearense, Catulo da Paixão, 1863-1946 (Compositor) / Vogeler, Henrique (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Orquestra Brusnwick (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Brunswick, 1930 / Nº Álbum 10124 / Gênero musical: Hino /

Cantemos um hino à Glória,
Pais e filhos de leões,
Que os pampas estão cantando
Abraçados com os sertões.

Vinde a nós, bravos Getulios,
Destemidos Florianos,
Vós, Juarezes soberanos,
Generais triunfadores.
Mas trazeis na vossa frente,
Conduzindo a cavalgada,
A liberdade montada
Num corcel cheio de flores.

Derribado o despotismo
Expulsai num grande exemplo
Esses vendilhões do templo
Da República altaneira
Até que venham de joelhos
Pedir-nos perdão um dia
Rezando uma Ave Maria
Aos pés de nossa bandeira

Vinde a nós, bravos Getulios,
Destemidos Florianos,
Vós, Juarezes soberanos,
Generais triunfadores.
Mas trazeis na vossa frente,
Conduzindo a cavalgada,
A liberdade montada
Num corcel cheio de flores.

De arma em punho, brasileiros,
Nesse ardoroso momento,
Ergamos o pensamento
Como quem reza uma missa,
Suplicando a Deus de joelhos
Que o Brasil reerguente
Seja o berço florescente
Do amor, da paz e justiça.


______________________________________________________________________ Fonte: Franklin Martins - Conexão Política - 24 de outubro

terça-feira, junho 11, 2013

A morte de Catulo

Catulo da Paixão Cearense, o autor de "Luar do Sertão" e "Caboca de Caxangá" com seu inseparável companheiro, o violão, que muito lhe deve o seu prestígio atual. (Foto: A Cena Muda, 21/Maio/1946)

Na madrugada friorenta de sexta-feira, 10 de maio de 1946, calou-se para sempre a voz do maior poeta popular do Brasil. Morreu Catulo da Paixão Cearense. A lua, que tinha nascido mais cedo, parece que se atrasara propositadamente para iluminar o caminho que aquele grande espírito deveria trilhar para a eternidade. E Catulo deve ter se sentido feliz em fazer a longa caminhada ao lado da que fora sempre a dedicada companheira de suas noitadas de seresta.


“Melodias para Você”, associando-se à profunda consternação causada pela perda do grande vate quer hoje exaltar aquela faceta do seu brilhante espírito criador a qual, em determinada época, colocou-o num plano até hoje não igualado. Queremos nos referir àquela sua incrível facilidade em compor um texto poético para as melodias da época, muitas delas vagamente conhecidas do público e que, de um momento para outro, se transformavam em verdadeiros sucessos populares, passando a figurar no repertório de todo seresteiro que se prezasse.

Catulo foi, por isso, um grande “letrista” e só uma grande alma de poeta pode ir a conseguir ver as suas “modinhas” entoadas, também, pela “granfinagem” da sisuda sociedade de então. Orgulhoso de ser um autêntico trovador, arrancando do seu querido “pinho” as harmonias que sublinhavam os versos que lhe jorravam do coração, escandalizava a todos, menos aos seus fieis companheiros de boemia, que não se cansavam de exaltar o seu valor de verdadeiro intérprete cio nosso cancioneiro popular. E, assim, se mesmo um trovador de sua força seria capaz de fazer com que o violão fosse admitido nos aristocráticos salões do Rio do começo desse século quando, então, não passava de “instrumento de vagabundos”.

Os seus inúmeros livros de modinhas são uma prova evidente da fecundidade do seu talento de letrista. As mais belas composições musicais de Irineu de Almeida, Anacleto de Medeiros, Edmundo Ferreira, João Pernambuco, Eduardo Velho, Ernesto Nazareth, Waldteufel e até célebres árias de óperas como: “La Favorita”, “Lucia de Larmemoor”, “Norma”, “Tanhauser”, “La Traviata” e outras, receberam os seus versos. Ficaram, por isso, popularíssimos em todo o Brasil:

“O meu ideal”:

Pudesse essa paixão
na dor cristalizar
e os ais do coração
em per’las congelar. 

“O talento e a formosura”:

Tu podes bem guardar os dons da formosura... 

“Ontem ao luar”:

Ontem ao luar
Nós dois numa conversação
Tu me perguntaste
o que era a dor de uma paixão...

“Caboca de Caxangá”:

Caboca de Caxangá,
minha caboca, vem cá!

E tantas outras. Entretanto, aquela que jamais deixará de tocar bem fundo os corações dos que já sentiram a grandeza, o esplendor e a magia de uma noite de luar em pleno sertão, “Luar do Sertão”, jóia bem rara do nosso cancioneiro popular, magnífica na pureza e ingenuidade de seus versos:

Não há, oh, gente, oh. não!
Luar como esse do sertão.

Naquela madrugada friorenta, depois de dizer que a vida lhe estava fugindo, fugindo, a sua voz se apagou para sempre. A um canto, o seu violão, velho companheiro de uma longa jornada, talvez houvesse desejado que aquelas mãos se tivessem crispado sobre suas cordas para lhe arrancar, também, o último acorde que traduzisse o seu ultimo adeus. Na sua canção “Talento e Formosura”, Catulo assim finalizou os seus versos:

E eu morto, embora, nas canções hei de ficar... 

Sim! O grande vate há de viver eternamente não apenas nas suas canções populares, mas em toda a sua obra poética, que é grande e fecunda como a terra brasileira que o inspirou.

(Texto de F. C. S.)

_____________________________________________________________________
Fonte: A Cena Muda - Melodias para  Você - 21/05/1946.

quarta-feira, dezembro 12, 2012

Diana Pequeno

Diana Pequeno, cantora e compositora, nasceu em Salvador, BA, em 25 de janeiro de 1958. Seu sobrenome realmente é Pequeno, morou na Saúde, no bairro de Nazaré (centro de Salvador) e estudou no famoso Colégio de Aplicação - um dos grandes referenciais em termos de educação nos anos 50 a 70, ganhou até canção dos Novos Baianos. Desse, partiu para a Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde foi estudar Engenharia Elétrica.

Em um determinado momento, um amigo de seu pai, Bila, que lidava com música, perguntou se ele poderia indicar três boas cantoras para fazerem testes na RCA-Victor. A esta altura, Diana Pequeno já era conhecida nos meios universitários e midiáticos baianos; assim, seu pai resolveu indicá-la, meio que sem acreditar, junto com outras duas cantoras. Diana foi a única escolhida pela RCA-Victor - uma das gravadoras que mais projetou cantoras nos anos 70 - e, aos 19 anos, entrava em estúdio para gravar o seu primeiro disco.

Trabalhou com teatro e música no interior da Bahia. Radicou-se em São Paulo em 1978, quando lançou-se como cantora. Seu primeiro disco, Diana Pequeno, teve como carro-chefe uma versão para Blowin' In The Wind, de Bob Dylan e foi muito bem recebido pela crítica.

Estudou Engenharia Elétrica, trabalhou com teatro e música no interior da Bahia. Radicou-se em São Paulo em 1978, quando lançou-se como cantora. Seu primeiro disco, Diana Pequeno, teve como carro-chefe uma versão para Blowin' In The Wind, de Bob Dylan e foi muito bem recebido pela crítica.

No seu último disco, Cantigas, ela se voltou para os primórdios da música brasileira. São músicas raras de Chiquinha Gonzaga, Heitor Villa-Lobos, Alberto Nepomuceno, Catulo da Paixão Cearense e algumas mais novas de Edu Lobo, Dorival Caymmi, que se integram perfeitamente às demais. Dizem que ficou mais de um ano pesquisando repertório.

Em fins dos anos 1970, quando ainda era estudante de Engenharia Elétrica, destacou-se como cantora nos palcos universitários. Passou nessa época a dedicar-se à música, buscando um repertório caracteristicamente brasileiro, misturado a baladas românticas, além das influências medievais, orientais e africanas. Musicou poetas como Mário Quintana e Cecília Meireles.

Gravou seu primeiro disco pela BMG em 1978, com direção de criação de Osmar Zan e direção artística e de estúdio de Dércio Marques, com as participações especiais de Osvaldinho do Acordeom, Gereba, Grupo Bendegó, Dorothy Marques e Dércio Marques. Entre outras composições, gravou Cuitelinho, tema folclórico, adaptado por Paulo Vanzolini, Acalanto de Elomar, Los caminos de Pablo Milanez, Relvas de Dercio Marques e Claudio Murilo e a clássica balada Blowin'in the wind, do cantor e compositor norte americano Bob Dylan, com versão de sua autoria e acompanhamento ao violão de Dercio Marques, e que tornou-se seu grande sucesso.

O sucesso dela foi de maneira que, um dos músicos participantes do seu primeiro disco, acabou namorando e casando com ela. Trata-se do Dercio Marques, que a auxiliou na produção do seu segundo disco, Eterno como areia (RCA-Victor, 1979).

Em 1979 classificou-se para as finais do festival de música da extinta TV Tupi com a música Facho de fogo de João Bá e Vital França. Nesse ano, lançou o LP Eterno como areia, com destaque para Facho de fogo, de João Bá e Vidal França; Esse mar vai dar na Bahia, de Hilton Acioli; Cantiga de amigo, de Elomar e Camaleão, do folclore pernambucano, além da música título, de José Maria Giroldo.

Em 1980 foi classificada no festival MPB-80 da TV Globo, com a música Diversidade de  Chico Maranhão. Apresentou-se, ao longo de seus mais de vinte anos de carreira, em diversos países, entre os quais, o Japão onde participou do 13º Festival Internacional da Canção Popular de Tóquio, onde recebeu o prêmio originalidade com a música Papagaio dos cajueiros. Naquele país oriental lançou os discos Sentimento meu e Mistérios.

Em 1981 lançou pela RCA o LP Sinal de amor, interpretando entre outras, as composições Busca-pé de João Bá e Vidal França, Vagando de Paulinho Morais, Regina tema folclórico com adaptação de sua autoria, As flores deste jardim de Ricardo Villas e Laura em pareceria com Luiz Llach. No ano seguinte,lançou o LP Sentimento meu, música título de Melão e Vladimir Diniz, além de Amor de índio, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, Paisagem (Canção da menina moça) e Missa da terra sem males, de sua autoria.

Em 1982 separou-se de Décio Marques.

Quando poderia ter se tornado uma das maiores cantoras do Brasil, Diana tomou a decisão de afastar-se do mainstream. Aproveitou o fim do seu contrato com a RCA-Victor e não o renovou. Voltou ao curso de engenharia. Graduou-se. Recomeçava a vida aos 27 anos. Sua última participação para o grande público foi com um tema de novela, algo que ela só havia feito uma vez, na Bandeirantes, com Amor de Índio, que foi usada na trilha-sonora da novela em Maçã do Amor: Haja Coração, que entrou na trilha da trama global De quina pra lua. Longe de ser uma canção ao estilo Diana Pequeno, só foi lançada no LP da novela.

Em 1989, com ajuda da irmã Eliana Pequeno, que sempre foi sua produtora particular, Diana Pequeno lançou um disco independente chamado Mistérios (erroneamente chamado de Acquarius por alguns - a confusão se dá pelo nome que aparece no rótulo do LP, na verdade "Acquarius" era a produtora da Eliana Pequeno). É um disco intimista, mezzo pop, mezzo regionalista. Lançou também Mulher rendeira. É o disco mais raro de Diana Pequeno, principalmente pelo fato de sua venda ter sido feita pelos correios. A capa é bastante simples, com a sua foto de perfil em preto e branco.

Para esse LP escreveu Serei teu bem, versão para You've Got a Friend, de Carole King. Em 1989, gravou de maneira independente o LP Acquarius, que tinha entre outras as músicas Olhos abertos, de Guarabyra e Zé Rodrix; As ilhas, de Joyce; Mulher rendeira, de Zé Martins e Zé do Norte; Mil melodias, de Guilherme Rondon e Paulo Simões e Tudo no olhar e Ser feliz é melhor que nada, de sua autoria.

Após isto, Diana não fez aparições durante os anos 90.

Em 2001, lançou seu sétimo disco, pelo selo Rádio Mec, com clássicos da música popular brasileira de autoria de Carlos Gomes, Villa-Lobos, Chiquinha Gonzaga e Guerra Peixe, além de canções folclóricas. Em 2002, apresentou-se na Sala Funarte no Rio de Janeiro onde interpretou entras músicas, Lua branca, de Catulo da Paixão Cearense e Canoeiro, de Dorival Caymmi. É chamada de "Joan Baez" brasileira, pela pesquisa de músicas engajadas, tanto latinas quanto de roda que incluiu em seu repertório.

No seu último disco, Cantigas, ela se voltou para os primórdios da música brasileira. São músicas raras de Chiquinha Gonzaga, Villa-Lobos, Alberto Nepomuceno, Catulo da Paixão Cearense e algumas mais novas de Edu Lobo, Dorival Caymmi, que se integram perfeitamente às demais. Dizem que ficou mais de um ano pesquisando repertório.

Diana Pequeno sempre encantou pelo seu jeito descontraído de cantar. Embora ela fosse séria e compenetrada na sua interpretação, a sua voz causava uma sensação de intimidade jamais percebida em outro artista da MPB. O seu sotaque dava à canção um verdadeiro meio-termo entre o urbano e o rural. Ela podia cantar tão bem uma canção pop como Serei teu bem (versão de "I've Got a Friend", de Carolyn King), quanto uma canção intimista como Cuitelinho.

Em 2003, apresentou-se no programa "A vida é um show", apresentado por Miéle na TVE, quando falou de sua vida e de sua carreira.

A última aparição pública conhecida de Diana Pequeno foi em sua terra natal, no ano de 2005. Mais precisamente no projeto "Pelourinho Dia e Noite". Desde então, ela fez aparições na mídia. Apenas pessoas como o percussionista Papete, o Zeca (moderador de sua comunidade no Orkut) e o Zé Roberto (presidente do fã-clube), ainda tiveram algum contato com ela. Alguns dizem que Dianna fechou-se como profissional de engenharia. Outros, que ela encontra-se em projetos futuros.

Discografia

Diana Pequeno (1978) RCA Victor LP
Eterno como areia (1979) RCA Victor LP
Sinal de amor (1981) RCA Victor LP
Sentimento meu (1982) RCA Victor LP
O mistério das estrelas (1985) RCA Victor LP
Mistérios (1989) Acquarius/Independente LP
Cantigas (2002) Selo Rádio MEC CD

Fonte: Wikipédia; Dicionário Cravo Albin da MPB.

terça-feira, outubro 12, 2010

Santos Coelho

Santos Coelho (Manoel dos Santos Coelho), violonista e compositor, nasceu em 1870 no Rio de Janeiro, RJ e faleceu na mesma cidade em 1927. Tocava também viola portuguesa. Segundo os poucos registros conhecidos sobre ele, nasceu, viveu e morreu nesta cidade (Foto ao lado: Revista Fon Fon, de 07 de maio de 1910).

Embora pouco se saiba sobre sua vida, acabou entrando para a história da música popular brasileira devido à celebre canção Saudade eterna, que recebeu letra do poeta Domingos Correia e passou a ser conhecida como Flor do mal, sendo gravada inicialmente por Vicente Celestino pela Odeon em 1916.

Essa composição, entretanto, já havia sido letrada por Catulo da Paixão Cearense com o título de Ó como a saudade dorme num luar de calma!, versão que ficou menos conhecida. Em 1908, tomou parte de um famoso recital promovido por Catulo da Paixão Cearense no Instituto Nacional de Música.

Em 1910, publicou, com prefácio dos maestros Francsico Braga e Henrique Oswald, o Método de guitarra portuguesa, em edições E. Bevilacqua. Por volta de 1913, teve gravadas na Odeon as valsas Esfolhada, pela Banda do Malaquias, e Lídia, pela Banda do Corpo de Bombeiros.

Em 1946, o pianista Mário de Azevedo gravou a valsa Flor do mal em disco Continental. Em 1980, sua canção Flor do mal (Saudade eterna) foi gravada pelo cantor Onéssimo Gomes no LP Serestas brasileiras da gravadora Musidisc.

Obras

Esfolhada, Flor do mal, Lídia.

Título da música: Lídia / Gênero musical: Valsa / Intérprete: Banda do Corpo de Bombeiros / Compositor: Coelho, Santos / Gravadora Odeon / Número do Álbum 120215 / Data de Gravação 1912-1913 / Data de Lançamento 00/1913 / Lado: único / Acervo Humberto Franceschi / Rotações: Disco 78 rpm:



Título da música: Flor do mal / Gênero musical: Seresta / Intérprete: Vicente Celestino / Compositores : Correia, Domingos - Coelho, Santos / Gravadora Odeon / Número do Álbum 121052 / Data de Gravação 1912-1915 / Data de lançamento 1912-1915 / Lado: único / Acervo Humberto Franceschi / Rotações: Disco 78 rpm:


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Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha; Dicionário da MPB; Revista Fon Fon, maio/1910.

quinta-feira, setembro 16, 2010

Sorrir dormindo

Gilberto Alves
Sorrir dormindo (Por que sorris?) (valsa, 1911) - Juca Kalut - Versos de: Catulo da Paixão Cearense

Disco selo: Favorite Record / Título da música: Sorrir dormindo (Por quê sorris?) / Juca Kalut (Compositor) / Banda da Casa Faulhaber / Cia. (Intérprete) / Nº do Álbum: 1-452131 / Nº da Matriz: 11353-o- / Data do lançamento: 1911 / Gênero musical: Valsa / Coleção de Origem: Nirez D



Em 1962, a canção Por que sorris?, foi relançada por Gilberto Alves no LP Gilberto Alves de Sempre, gravadora Copacabana (CLP 11268). Ainda em 1969 outra edição agora pela gravadora Som (SOLP 40162):

LP Gilberto Alves De Sempre / Título da música: Por Que Sorris / Juca Kalut (Compositor) / Catulo da Paixão Cearense (Compositor) /Gravadora: Copacabana / Álbum: CLP 11268 / Ano: 1962 / Gênero musical: Valsa



Mas por que sorris / De me ver assim chorando?
Sorris porque não sou feliz / E não mereço teu amor
Gostas de brincar com a dor / E gostas de zombar das dores
Ri de mim, assim / Com teus gestos sedutores
Podes rir assim de mim.

Mas do som, mas sabor / Tem sempre o amor
Demais amargor / Oooooh.... ri... ri de mim!
É uma glória viver / A rir desta dor
Que também, sorri / Que se sente prazer de feliz
Que vê, / Ri que tu és a pureza
É o anjo / A beleza / Não sabe gemer

Feliz quando / O trovador na lira chorando 
Tem o coração / Nos grilhões das prisões 
Do amor são as dores / a extrema 
A inspiração dos cantores / Desejo assim findar 
Cantando os meus amargores / com os teus primores rimar...

Ri de mim, assim / Com teus gestos sedutores
Podes rir assim... / De mim...


Luís de Souza

Luís de Sousa (Joaquim Luís de Sousa - 1865 / 1920 - Rio de Janeiro, RJ), compositor, instrumentista e pistonista, começou a estudar trompete no Ceará, com o mestre de banda Soares Barbosa, e chegou a ser contramestre da Banda do 23º Batalhão de Caçadores de Fortaleza (CE).

Por volta de 1904, frequentava a casa Cavaquinho de Ouro, na Rua do Ouvidor, centro do Rio de Janeiro onde era acompanheiro de importantes chorões da época como Anacleto de Medeiros, Irineu de Almeida, Juca Kalut, e outros. Foi integrante do famoso Rancho Ameno Resedá. Foi diretor do Grupo Luís de Sousa, conjunto instrumental que gravou vários discos pela Odeon no começo do século passado.

Por volta de 1905, sua valsa Clélia, ainda sem a letra de Catulo da Paixão Cearense com a qual ficou conhecida, foi gravada na Odeon pela Banda da Casa Edson. Por volta de 1910, a mesma valsa foi gravada pela Banda da Casa Faulhaber & Cia. Recebeu ainda uma gravação da Banda da Força Policial em disco Columbia.

Por volta de 1907, a canção Missa de amor, com letra de Catulo da Paixão Cearense, foi gravada na Odeon pelo cantor Mário Pinheiro. Por essa época, fez várias gravações na Odeon com seu grupo incluindo o xote Nair, de Catulo da Paixão Cearense e Edmundo Otávio Ferreira, além de choros e valsas como A mulata e Iluminada, provavelmente de sua autoria já que não havia qualquer indicação de autores nos selos dos discos. Por essa época, sua valsa Clélia com letra de Catulo da Paixão Cearense, tornou-se a modinha Ao desfraldar da vela sendo gravada na Odeon por Mário Pinheiro.

Em 1913, voltou a gravar com seu grupo registrando os xotes Mercedes, de Luiz Faria, e Meu ideal, de Irineu de Almeida. Dirigiu também o Quarteto Luis de Souza que ainda em 1913, gravou a valsa Guiomar e as polcas Angelina e Enedina, de Artur Ayrão. Gravou também com seu grupo pela Columbia registrando a polca Isto não é vida, de Felisberto Marques, a valsa O regato, de Catulo da Paixão Cearense, as polcas Amenade e Jurandi, de Albertino Pimentel, e a valsa Em ti pensando, de J. Belizário.

Sobre ele, assim escreveu Alexandre Gonçalves Pinto:

"Pistom dos mais chorões que até hoje ainda ocupa o primeiro lugar entre todos os chorões. O seu pistom tinha a magia das grandes melodias, tocava com sentimento e perfeição de um sopro e mecanismo que só ele possuía, por isso era muito distinguido".

Já Catulo da Paixão Cearense assim o descreveu:

"Foi o mais gigantesco e mimoso pistonista que tive a glória de ouvir até o momento em que escrevo estas linhas. Anacleto de Medeiros no saxofone, Irineu de Almeida, oficlide, Lica, no bombardino, Pedro Augusto, no clarinete; e Luís de Sousa, no pistom, em uma serenata plenilunar, era a maior homenagem que a noite poderia receber de corações humanos."

Obras

Ao desfraldar da vela (c/ Catulo da Paixão Cearense); Carroca; Clélia (c/ Catulo da Paixão Cearense); Georgina; Mimo; Missa de amor (c/ Catulo da Paixão Cearense).

Fontes: Enciclopédia Crevo Albin da MPB; O Choro - Reminiscências dos chorões antigos - Rio de Janeiro, 1936 (Alexandre Gonçalves Pinto).

segunda-feira, setembro 13, 2010

Os boêmios

Os boêmios (tango, 1903) - Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense

Os boêmios, tango-cançoneta do maestro Anacleto de Medeiros cheio da efervescência rítmica do popular maxixe, traduz em sua melodia o ambiente boêmio da cidade do Rio de Janeiro, as rodas de choro nos bares e nas casas de família, os bailes populares e os encontros musicais nas festas religiosas.

A composição, interpretada pelo cantor da Casa Edison Mário Pinheiro, é, sem dúvida, uma homenagem ao meio cultural em que Anacleto construiu sua identidade como músico e compositor. Ele viveu intensamente a agitação do Rio de Janeiro na virada do século XIX para o XX. Ouça a gravação abaixo:

Disco selo: Odeon Record / Título da música: O Boêmio / Anacleto de Medeiros (Compositor) / Catulo Cearense (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Piano (Acomp.) / Nº do Álbum: 40486 / Lançamento: 1906 / Gênero musical: Tango Cançoneta / Coleção de Origem: IMS, Nirez


Os boêmios - Letra: Catulo da Paixão Cearense

Deus que viver, que prazer
Nesta vida que teço o senhor
Eu gozo só, sem tocar no
Duede travesso do amor!

Oh lé lé! Sou feliz! Uma pinga
De lieias, me faz entrever
O gozar nesta vida borida
É traze-la florida
Em alaere folgar

Mas, oh, que importa o sofrer
Se eu só conheço o prazer?
Eu sei desviar-me da dor
E leve o diabo ao amor!

Meu coração, não aceita
Os espinhos daninhos do amor
Se a mulher, veja ali
Vou passando
Brincando, folgando
A cantar, sou assim!

E que fuja a mulher
O demonio de mim!
Deus me deu esta vida
Por prêmio, serei o boêmio
Que ele quiser

Leve o diabo até inferno
Da vida, a este terreno
Ridente sofrer!
Num copo eu venço o amargor
Do viver!
Tem doçura ao beber! Oh!

Leve o diabo a este inferno
Da vida, este terreno
Cansado sofrer
Eu só encontro alegria no céu
Da folia, cantando a beber!

Oh, como é bom, como é boa
Esta vida que passo sem lar!
Não quero amar, só namoro
A natura que levo a cantar
Uma flor, o luar
Das estrelas, namoro

O divino fulgor
Que ao boêmio dão
Almas meiguices, sem essas
Pieguices do bobo do amor

O fadário (Medrosa)

O fadário - (Medrosa) (canção, 1902) - Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense

Mário Pinheiro ( circa 1880 Campos, RJ - 10/01/1923 Rio de Janeiro, RJ) foi um dos intérpretes mais populares da música brasileira em seu tempo. Estreou sem sucesso como palhaço de circo na Piedade, bairro do subúrbio carioca.

Apresentou-se depois como cantor no Passeio Público, acompanhando-se ao violão. Entre 1904 e 1909, gravou modinhas, lundus e cançonetas para a Casa Edison, introdutora no Brasil da gravação de discos de gramofone.

Esses discos, nos quais se apresentava apenas como Mário, obtiveram enorme vendagem, tornando-o conhecido em todo o Brasil. Devido à sua perfeita dicção, tornou-se o principal anunciador de discos da Casa Edison.

Provavelmente em 1905, gravou as clássicas modinhas Na casa branca da serra, de Guimarães Passos e Miguel Emídio Pestana, O talento e a formosura, de Catulo da Paixão Cearense e Edmundo Otávio Ferreira e O Fadário, de Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense, que se pode escutar abaixo:

Disco selo: Odeon Record / Título da música: O Fadário / Anacleto de Medeiros (Compositor) / Catulo Cearense (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 40165 / Nº da Matriz: Rx-157(15) / Lançamento: 1904 / Coleção de Origem: Nirez D




Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB; Instituto Moreira Salles.

sábado, fevereiro 16, 2008

Bambino

Ernesto Nazareth - 1908

Bambino (tango, 1913) - Ernesto Nazareth

Dedicado ao bom amigo Cezar d’Araújo. Depois de mais de uma década sem ter obras publicadas pela Casa Arthur Napoleão (a última fora a valsa Genial, em 1900), Nazareth teve editado seu vigésimo sexto tango, Bambino, dedicado a um dos então proprietários desse tradicional estabelecimento.

Quanto ao título, trata-se do nome artístico do afamado caricaturista Arthur Lucas, responsável, inclusive, pelo desenho de algumas capas de partituras do compositor.

Disco selo: Columbia Record / Título da música: Bambino / Ernesto Nazareth (Compositor) / Grupo Bahianinho / Bandolim e violão (Acomp.) / Nº do Álbum: B-202 / Nº da matriz: 12095-1-1 / Lançamento: 1912 / Gênero musical: Tango / Coleção de Origem: Nirez, José Ramos Tinhorão



A seguir uma gravação de Bambino por Custódio Mesquita e orquestra em 1943:

Disco 78 rpm / Título da música: Bambino / Ernesto Nazareth, 1863-1934 (Compositor) / Custódio Mesquita e Sua Orquestra (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor / Nº Álbum: 80-0097-b / Nº da matriz: 052767-1 / Gravação: 6/Maio/1943 / Lançamento: Julho/1943 / Gênero musical: Choro



Entusiasmado com o grande êxito alcançado por Bambino, Catulo da Paixão Cearense, assim como fizera com Nenê, Bicyclette-club e Brejeiro, também resolveu dedicar-lhe versos e um novo título, Você não me dá!...:

Como tão linda está / Como tão linda está / Mas se um beijo eu pedir / Você não me dá / Você não me dá

Quem lhe implora é o amor / A inocência, o candor / Mas você é tão má / Que eu sei que você / não dá, não dá

Não tem pena de ver / Um poeta sofrer / Quem lhe implora é o amor / É a doida aflição
do meu coração

Se me promete dar / Eis-me aqui,a chorar / Mas você é tão má / Que eu sei que você / não dá, não dá

Sua boca é um primor / Uma abelha do amor / Sou capaz de jurar / Que o seu beijo / Há de Ter o sabor do luar

Sua boca é um altar / Onde eu quero rezar / E após confissão / Nos seus lábios rismar / Os meus lábios então

Sua boca cheirosa / é a essência da rosa / Mais bela e mais langue / É uma estrela , uma estrela de sangue / Um luar de sangrento rubor

Quem me dera um carinho / Deixar oscilando num terno cantinho / Desse mau pedacinho do inferno, do averno / Do céu mais azul

A minha alma voando do palmo da terra / Tão cheia de horrores / Nesse berço feliz dos amores / As minhas glórias pudera cantar

E se acaso duvida do que hora lhe diga / Venha, experimente / Que minh'alma ardente / Na sua boquinha deseja sonhar

Como tão linda está / Ai meu Deus, como está / Pra uma santa ficar / Devia um beijinho agora me dar

O seu beijo é o licor / Dos travores da dor / Há de ter o sabor da antera da flor / Do seu amor



Fontes: Choromusic; Agenda do Samba & Choro; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, março 24, 2006

Meu ideal

Meu Ideal - Música de Irineu de Almeida / Versos de Catulo da Paixão Cearense / Intérprete: Mário Pinheiro / Gênero: Canção / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1904-1907 / Álbum 40533 / Data da gravação 1904-1907 / Lançamento 1904-1907 / Lado A / Disco 78 rpm:



Pudesse esta paixão na dor cristalizar / E os ais do coração em pérolas congelar / De tudo o que sofreu na tela deste amor / Faria ao nome teu divino resplendor / Pudesse est’alma assim com a tua entrelaçar / E aos pés de Deus num surto ao fim voar / E as nossas almas transmutar / Numa só alma de um insonte querubim

Lá, lá nos céus então / Contigo ali / Do amor na pura e etérea floração / Lá, junto a Deus então / Cantar uma canção / De adoração a ti / Lá eu diria aos pés do Redentor / Perante os imortais: / Senhor, eu venero muito a ti / Mas confessor sem temor/ Que a ela eu amo mais

Minh’alma ascende além, que Deus já te esqueceu / E a terra não contém afeto igual ao teu / Procuras, mas em vão, na térrea solidão / Ouvir a pulsação do coração do amor / Num raio inspirador, no plaustro do luar / Percorre o céu, o inferno, a terra e o mar / Não acharás, não acharás amor igual / Que o teu amor é imortal

Ontem ao luar (Choro e poesia)

Ontem ao luar - Por sua semelhança com a canção "Love Story", do filme homônimo, a polca "Choro e Poesia" voltou a ser sucesso na década de 1970. Esse retorno rendeu-lhe mais de dez gravações, só que com um detalhe: todas traziam apenas o título "Ontem ao Luar", que recebeu de Catulo da Paixão Cearense quando, em 1913, o poeta lhe pôs uma letra, à revelia do autor.

E o que é pior, várias dessas gravações tal como edições da partitura, somente registravam o nome de Catulo, omitindo o de Pedro de Alcântara.

Em 1976, graças aos esforços de uma neta de Alcântara, sua autoria foi restabelecida através de uma decisão judicial. "Choro e Poesia" tem duas partes, ambas construídas com variações de um mesmo motivo, usado com muita engenhosidade especialmente na segunda parte, em tom maior.

Ontem ao Luar (Choro e Poesia) (polca, 1907) - Pedro de Alcântara e Catulo da P. Cearense - Interpretação: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: Ontem ao Luar / Pedro de Alcântara (Compositor) / Catulo Cearense (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: RCA Victor / Nº do Álbum: 80-1023-b / Nº da Matriz: SB-093389 / Gravação: 8/agosto/1952 / Lançamento: Novembro/1952 / Gênero musical: Canção



----Am-------------------------- B7
Ontem ao luar / Nós dois em plena solidão
E7
Tu me perguntaste
-----------------Am
O que era a dor de uma paixão
A7 -------------------Dm
Nada respondi, calmo assim fiquei
B7 -----------------------------------(E7)
Mas fitando o azul / Do azul do céu a lua azul
-------------Am---------------------------- B7
Eu te mostrei, mostrando a ti os olhos meus
------------------------E7--------------- Am
Correr sem ti uma nívea lágrima e assim te respondi
A7----------------- Dm-------------------- Am
Fiquei a sorrir por ter o prazer de ver a lágrima
---(B7)-- (E7)--- Am--- E7
Dos olhos a sofrer

A--------------------- B7
A dor da paixão, não tem explicação
E7------------------ A
Como definir o que só sei sentir
Dm ------------A ------------Gbm
É mister sofrer, para se saber
---------------Bm------ E7 ------A -----E7
O que no peito o coração não quer dizer
A---------------------- B7
Pergunta ao luar, travesso e tão taful
E7 -----------------------A
De noite a chorar na onda toda azul
-------Dm-------------- A-------- Gbm
Pergunta ao luar, do mar a canção
--------------B7------- E7---------- (A) (E7) (A) (E7)
Qual o mistério que há na dor de uma paixão
-----A----------- Gb7------------ Bm
Se tu desejas saber o que é o amor e sentir
----------E7------------------ A------------ Dbm7
O seu calor o amaríssimo travor do seu dulçor
------------------ E7
Sobe o monte a beira mar ao luar
------------E7-------- A
Ouve a onda sobre a areia lacrimar
--------------A------Gb7------ Bm------------------ E7
Ouve o silêncio a falar na solidão do calado coração
----------------A -----------A7
A pena a derramar os prantos seus
D ----------Dm -----A -----------Gb7------- Bm
Ouve o choro perenal / A dor silente universal
-------------E7---------------- A F A
E a dor maior que é a dor de Deus



Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora Publifolha; A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34