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segunda-feira, agosto 27, 2018

Zé Carioca - Moreira da Silva

Zé Carioca(samba, 1959) - Zé da Zilda (José Gonçalves) e Zilda do Zé (Zilda Gonçalves) - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva - A Volta Do Malandro / Título da música: Zé Carioca / Zé da Zilda (Compositor) / Zilda do Zé (Compositora) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº Álbum: MOFB 3096 / Ano: 1959 / Lado B /Faixa 6 / Gênero musical: Samba / Samba-de-breque.



História de papagaio
Eu conheço bastante
Vou contar nesse instante uma bem interessante
Quando eu cheguei aqui
Fui tomar um café
Na Praça Tiradentes
No botequim do seu Vicente
Vi um pássaro verde
Em cima de um palanque
Que eu não conhecia
Eu perguntei a freguesia
Me disseram que era
O papagaio Zé Carioca
Professor de português
(Fala francês, italiano e até inglês, um bom freguês)
Ele ficou meu amigo,
E me levou consigo a uma gafieira
(Onde eu sambei a noite inteira)
De madrugada uma dama fuleira fez um tempo quente
E o papagaio pulou na frente
Deixa comigo que eu sou carne de pescoço
Quem mexer com meu amigo tem que mastigar um osso
Não tenha medo isso é café pequeno eu resolvo só
(Pulou pra trás e arrancou o paletó, meu Deus que nó
eu vou fugir, pra Maceió, com minha vó)*
E, mas de repente a polícia chegou e o baile acabou
E todo mundo se pirou
E o papagaio saiu debaixo da mesa todo rasgado
Completamente depenado
Os dançarinos ficaram com pena de ver seu estado
(Disseram: coitado)
Ele saiu gingando se rebolando todo cheio de visagem
É dos pelados que elas gostam mais
É dos depenados que elas gostam mais.

sábado, agosto 25, 2018

O sequestro de Ringo - Moreira da Silva


O ciclo mais notório de continuações na música brasileira foi o dos sambas de breque de Miguel Gustavo para Moreira da Silva, em que o cantor era apresentado inicialmente como um herói de faroeste (passando depois para agente secreto e até cangaceiro!), Kid Morengueira, em gravações que pareciam capítulos de radionovela, com atores, narrador e sonoplastia. São seis os sambas: O Rei do Gatilho (1962), O Último dos Moicanos (1963), Os Intocáveis (1968), Morengueira Contra 007 (1965), O Sequestro de Ringo (1970) e Rei do Cangaço (1973).

O Sequestro de Ringo (samba, 1970) - Miguel Gustavo - Interpretação: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva - Mo "Ringo" Eira / Título da música: O Sequestro de Ringo / Miguel Gustavo (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Continental / Nº Álbum: PPL 12466 / Ano: 1970 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.



Filme estrelado por: Moreira da Silva

Correu pela Itália o grito de guerra
O Ringo está preso, quem foi que prendeu
O Ringo famoso sofrendo torturas
Nas celas escuras, quase morreu

Mandaram uma carta pedindo resgate
Sua noiva tão linda tem que ser entregue
Exigem em troca montanhas de liras, procuram os tiras
E o filme prossegue

Ringo é aquele pão de ló
Que já esteve no Brasil
Dólar de prata que exibiu-se
Na buzina do Chacrinha
Criatura sem frescura
Meia porção de simpatia
Apaixonado pela Beth Faria.

Tá na Cecília aquela ilha
Onde a máfia predomina
Mão assassina, traição
Tem um canhão na sua boca
Comida pouca, sem bebida
A trinta dias maltratado
Pelos bandidos da Calábria
Mas não dá o recado.

Moreira da Silva embarcou pela Varig
Depois do apelo que o papa lhe fez
Prá ver se salvava o Ringo da morte
Cuidado Moreira!
Chegou tua vez.

Levou na garupa montanhas de liras
Falou com os bandidos na língua de gang
Salvou Juliano e já ia saindo
Com a cara feliz de quem está triunfante.

Mas os bandidos começaram a contar a dinheirama
E foram vendo que os pacotes estavam cheios de jornal
Foram no papo do Moreira e começou o tiroteio
Com estampido e ruído espacial
Tiro prá cá, tiro prá lá
Ringo só tinha uma bala
Mas não se cala é quando a bomba ia cruzando pelo ar
Atira certo, a bomba cai
Morremos todos na explosão
Esta é a razão porque eu não posso mais cantar.

Tá morto o Ringo
Grande herói
Com toda a Itália a soluçar.

Mas já no próximo domingo
Aguardem a volta de Ringo.

O último dos moicanos - Moreira da Silva

O Último dos Moicanos (samba, 1963) - Miguel Gustavo - Interpretação: Moreira da Silva

LP Moreira da Silva - O Último Dos Mohicanos / Título da música: O Último dos Moicanos / Miguel Gustavo (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº Álbum: MOFB 3351 / Ano: 1963 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.



Tinha jurado à minha mãe por toda vida
Não me meter em mais nenhuma trapalhada
Depois daquela do bandido em que o índio me salvara
Eu decidi levar a vida sossegada

Comprei um sítio e já ia criar galinhas
Quando a notícia no jornal me encheu de ódio
Um bandoleiro aprisionara aquele índio
Que me salvara no primeiro episódio
"Cuidado Moreiraaaaaaaa"

E tal viúva do bandido que eu matara
Com quem case perante o padre no local
Roubou meu sítio e fugiu para Nevada
Apaixonada por um velho marginal

E minha noiva por quem tanto eu lutara
Estava dançando em um saloon fora da linha
Como é que pode um pistoleiro aposentado
Comprar um sítio e querer criar galinhas

"pó, pó pó pó, pó ó "

Montei de novo num cavalo mais ligeiro
Em Hollywood Harry Stone me esperava
E Moacyr chamava os extras para a cena
Enquanto a câmera já me focalizava

A luta agora era com os índios Moicanos
Que pelos canos nos empurram devagar
Me disfarcei, pintei a cara e apanhei a machadinha
E com a princesa comecei a namorar

"Índio cara-pálida chamar Morengueira"
"Morengueira que não é mané vai dar no pé"

Voltei à vila e arrasei os inimigos
Salvei o índio, minha dívida paguei
Dei uma surra na viúva e minha noiva
Naquele mesmo cabaré a desposei

E assim termina mais um filme americano
Com Hollywood já meio desminliguida
Eu vou passar para o cinema italiano
Pra descansar eu vou filmar La Dolce Vita

Não filme agora que a censura está sendo proibida
Perto de mim o Mastroianni não dá nem pra partida
Sofia Loren vem chegando mas já estou de saída
Arrivederti Roma ...

Morengueira contra 007 - Moreira da Silva


O ciclo mais notório de continuações na música brasileira foi o dos sambas de breque de Miguel Gustavo para Moreira da Silva, em que o cantor era apresentado inicialmente como um herói de faroeste (passando depois para agente secreto e até cangaceiro!), Kid Morengueira, em gravações que pareciam capítulos de radionovela, com atores, narrador e sonoplastia.

São seis os sambas: O Rei do Gatilho (1962), O Último dos Moicanos (1963), Os Intocáveis (1968), Morengueira Contra 007 (1968), O Sequestro de Ringo (1970) e Rei do Cangaço (1973).

Em "Morengueira Contra 007", além de Moreira da Silva e o agente britânico, estrelam Pelé e Cláudia Cardinale. James Bond dá um flagrante em Pelé, que beijava a estrela italiana. Moreira dá um soco em Bond e livra a cara do rei. Mais tarde, ela confessa ser apaixonada pelo sambista e diz que só esteve no Brasil para sequestrar Pelé e evitar que ele jogasse contra a seleção inglesa.

Morengueira Contra 007 (samba, 1965 (sucesso em 1968) - Miguel Gustavo - Intérprete: Moreira da Silva

Primeira gravação: Compacto simples (7", vinil) Moreira Da Silva ‎– Morengueira Contra 007 / Título da música: Morengueira Contra 007 / Miguel Gustavo (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº Álbum: 7B-117 / Ano: 1965 / Lado A / Gênero musical: Samba / A gravação a seguir é de 1968.



Narrador (introdução):

"Moreira da Silva contra 007. Sexo e violência no mais espetacular filme de espionagem do famoso diretor americano Abelardo 'Chacrinha' Barbosa. Com James Bond, Cláudia Cardinale e Edson Arantes do Nascimento."

Começa o filme com o 007
Saltando em Santos com a Cláudia Cardinale
Com seu decote italiano ela é tão bela
Que ninguém vê o James Bond junto dela

Os dois se hospedam na concentração do Santos
E, entre tantos, ninguém sabe por que é
Que ela desfila de biquíni na piscina
E na maior intimidade com o Pelé

Breque:
A bonitinha não percebe a tabelinha que ele faz.
Pelé controla a Cardinale, dá-lhe um beijo e avança mais.
Gol do Brasil!
O temperamento latino é fogo!...

O James Bond nesse instante dá o flagrante
Diz que Pelé tem que pagar pelo que fez
Entram em luta corporal e o '07
Vai abater o jogador com um soco-inglês

Porém, Moreira, que assistia a toda a cena,
Entra sem pena, vai no '7 e manda o pé
Rabo-de-arraia e antes que caia dá-lhe um coco
Apara o soco e livra a cara do Pelé

Moreira leva James Bond para o DOPS
E na fofoca mais fofoca que eu já vi
Vem jornalista, embaixador inglês sem vida
E entra na fita todo o Itamaraty

Aí Moreira leva a Cláudia Cardinale
Para jogar um pif-paf em Guarujá
Vão no boliche e comem pizza lá no Braz
E cantam samba de Vinícius de Morais

Cláudia confessa o seu amor por Morengueira
Faz a besteira de dizer que o ama com fé
Só foi a Santos com o 007
Para ajudá-lo a raptar nosso Pelé.

Roubar Pelé pra não jogar contra a Inglaterra
Porque os ingleses sofrem de alucinação
E toda noite vêm um fantasma de chuteiras
Fazendo gol no gol da sua seleção

Breque:
E vem o time brasileiro se sagrando campeão
Termina o filme com Moreira dando um drible no espião
O James é derrotado e acabou sua missão.



Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo, 1998; Dicionário Cravo Albin da MPB; A Canção no Tempo - Volume 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Moreira da Silva - Discografia de vinil.

quinta-feira, agosto 23, 2018

Judia rara - Moreira da Silva

Moreira da Silva - 1938
De origem humilde, as polacas trabalhavam quase sempre no baixo meretrício - locais de prostituição frequentados por quem tinha poucos recursos. Nos cabarés e bordéis de luxo, a soberania era das francesas, que exerciam na época grande fascínio no imaginário masculino. Atentas a esse fato, algumas judias aprendiam palavras em francês para tentar melhorar de vida.

Motorista de lotação e sambista, o cantor Moreira da Silva namorou por 18 anos uma polaca: a russa Estera Gladkowicer, que chegou ao Brasil com 20 anos em 1927, foi dona de bordel no Mangue e se matou em 68, ingerindo barbitúricos.

Para ela, Moreira compôs Judia Rara: "A rosa não se compara / A essa judia rara / Criada no meu país / Rosa de amor sem espinhos / Diz que são meus seus carinhos / E eu sou um homem feliz" (Fonte: Homenagens em músicas e poemas - Aventuras na História ).

Judia Rara (samba, 1964) - Jorge Faraj e Moreira da Silva - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira da Silva - Morengueira 64 / Título da música: Judia rara / Jorge Faraj (Compositor) / Moreira da Silva (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1964 / Nº Álbum: MOFB 3385 / Lado B / Faixa 9 / Gênero musical: Samba.


Tom: C

Introd.: Dm   Am   E7   A7   Dm   Am   F7   E7   Am   

Bm7/5b    E7       Am   
A rosa não se compara   
A7         Dm   
A essa judia rara   
E7             Am     A7   
Criada no meu país   (virada)   
Dm                  C   
Rosa de amor sem espinhos   
C7                      Dm7   
Diz que são meus seus carinhos   
Bm7/5b       E7     Am   
E eu sou um homem feliz   
G7               C   
Nos olhos dessa judia,   
F7                Am   
Cheios de amor e poesia,   
Dm7                  Am   
Dorme o mistério da noite,   
E7                   Am   
Brilha o milagre do dia.   
G7             C   
A sua boca vermelha   
G7     F7      Am   
É uma flor singular.   
Dm7                   Am   
E o meu desejo, uma abelha   
Bm7/5b   E7       Am   
Ebm torno dela a bailar.   
G7                C   
Nos olhos dessa judia,   
F7                Am   
Cheios de amor e poesia,   
Dm7                  Am   
Dorme o mistério da noite,   
E7                  Am   
Brilha o milagre do dia.   
G7            C   
A sua boca vermelha   
G7     F7      Am   
É uma flor singular.   
Dm7                  Am   
E o meu desejo, uma abelha   
Bm7/5b   E7       Am   
Em torno dela a bailar   
Bm7/5b   E7       Am   
Em torno dela a bailar   
Bm7/5b   E7       Am   
Em torno dela a bailar. 

Esta noite eu tive um sonho - Moreira da Silva

De Wilson Batista é o samba-de-breque Esta noite eu tive um sonho, feita em parceria com Moreira da Silva. A composição, de 1941, foi lançado numa gravação antológica de Kid Morengueira, e ambienta o malandro em plena Alemanha da Segunda Guerra, entre Graaf Zeppelins e salsichas, com direito à possivelmente única citação do mundo do samba na língua de Goethe: Ich nag dich (Foto: Moreira da Silva em 1938).

Esta Noite Eu Tive Um Sonho (samba, 1941) - Wilson Batista e Moreira da Silva - Interpretação: Moreira da Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Esta Noite Eu Tive Um Sonho / Autoria: Silva, Moreira da (Compositor) / Batista, Wilson, 1913-1968 (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1941 / Nº Álbum 34754 / Lado A / Gênero musical: Samba.



Saltei em Berlim, entrei num botequim,
Pedi café, pão e manteiga pra mim,
O garçom respondeu: não pode ser não !
Fiquei furioso e fui "hablar" ao patrão,
Que me recebeu com duas pedras na mão,
E me disse quatro frases em Alemão,
Néris disso, sou doutor em samba,
Venho de outra nação !

Tive vontade de comer uns bifes,
Ich nag dich, seu Fritz,
Não se resolve assim não,
Venho do Brasil,
Trago um presente pro senhor,
Esta ganha e esta perde,
Na voltinha que eu dou,
Já tinha ganho todos os marcos para mim,
Quando ouvi o ruído de um Zeppelin,
Eu acordei, tinha caído no chão,
Salsicha à noite, não faz boa digestão.

terça-feira, agosto 21, 2018

Idade não é documento - Moreira da Silva

Idade Não é Documento (samba, 1979) - Ciro Aguiar e Moreira da Silva - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva - O Jovem Moreira / Título da música: Idade Não é Documento / Aguiar, Ciro (Compositor) / Silva, Moreira da (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Polydor, 1979 / Nº Álbum: 2451 138 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.



No domingo passado / eu fui tomar um banho
na Barra da Tijuca / Pra esfriar a minha cuca
puxei meu carango no buteco
eu fiz uma rango e mandei pendurar:
(-Escuta qui meu camarada eu estou escovando
no burro / chamando o pavão de meu louro)

Camisa listrada, piteira francesa e anel de doutor
pra dar mais pinta de credor
Calção rosa choque, chapéu de palinha
Que retirei do penhor
(estava dando uma de horror)

No meio da praia fui logo cercado por lindas garotas
umas gostosas outras marotas
enquanto os playboys de água na boca paqueravam de lado
(olhos de jacaré dopado)

E eu e seu Silva num papo avançado
com o seu Lapa sorrindo aquele grupo feminino
convidei a primeira para dar um mergulho na água gelada
(para acalmar minha vanguarda)

Enquanto na praia as outras pequenas se inspiravam
dizendo: -Esse Moreira é um veneno
Sai todo prosa convidei a segunda e depois a terceira
para entrar na brincadeira beijei todas elas peguei
meu carango e sai do local
(foi um tremendo carnaval)

Enquanto a moçada de longe me olhava
com água na boca
Deixei a turma quase louca
( muitos anos de vivência corpo limpo sem varizes
já enfrentei o leão da metro e com ele eu posso).

Cachorro de madame - Moreira da Silva

Cachorro de Madame (samba, 1961) - Moreira da Silva e Wilson Pires

LP Moreira Da Silva - Malandro Em Sinuca / Título da música: Cachorro de Madame / Moreira da Silva (Compositor) / Wilson Pires (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1961 / Nº Álbum: MOFB3207 / Lado B / Faixa 04 / Gênero: Samba de breque.



Há cachorro que tem
Vida melhor do que a minha
Enquanto eu tomo caldo de baleia
É, seu Zé, o seu menu é galinha

Há cachorro que tem
Para dormir no macio colchão
Enquanto eu trabalho no duro, Zé pão duro
E a noite vou dormir no chão

Há dias eu não tenho no bolso
Cinco cruzeiros pra tomar um bonde
E ao passo que um cachorro tem um automóvel
Para passear não sei aonde

É por isso que eu quero ser cachorro
Agora quero ser o meu patrão
Pra quando chegar as cinco horas
Eu vou lhe esperar com latido no portão

Eu quero ter o meu reclame... Au, au, au
Vou ser cachorro de madame... Au, au, au

quinta-feira, fevereiro 15, 2018

Olha o Padilha - Moreira da Silva

Moreira da Silva
Olha o Padilha (samba, 1952) - Ferreira Gomes, Bruno Gomes e Moreira da Silva - Intérprete: Moreira da Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Olha o Padilha / Bruno Gomes (Compositor) / Ferreira Gomes (Compositor) / Moreira da Silva (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Continental, 1952 / Nº Álbum: 16587 / Lado A / Gênero musical: Samba.


Tom: C  

Intr:  Ab  Fm  C  Am  D7  D79 Gaug C9+

                     C                   G7
Prá se topar numa encrenca, basta andar distraído,
               C                             C
Que ela um dia aparece - não adianta fazer prece.
                            C7                    F
Eu vinha anteontem, lá da gafieira, com minha nega Cecília.
- Quando gritaram - Olha o Padilha!
                                   Fm
Antes que eu me desguiasse, um tira forte e aborrecido
    C
Me abotoou, e disse: - Tu és o nonô! Heim?
                    Dm                    G7
“Mas eu me chamo Francisco, trabalho como mouro,
         C
Sou estivador - Posso provar ao senhor.”
                            E7
Nisso o moço de óculos 'Raibam’,
                       Am
Me deu um pescoção: - bati com a cara no chão.
      A7
E foi dizendo, “Eu só queria saber
                                  Dm
Quem disse que és trabalhador. - Tu és salafra, achacador
       F                               G6
Esta macaca ao teu lado, é uma mina mais forte
                      C
Que o Banco do Brasil - Eu manjo ao longe este tiziu”
              Dm                        G7
E jogou uma melancia, pela minha calça adentro,
                       C
A =      Que engasgou no funil, - Eu bambeei, ele sorriu.
             Dm               G7
Apanhou uma tesoura, e o resultado
          C
Desta operação: - É que a calça virou calção
        C7
Na chefatura um barbeiro sorridente
                F
Estava à minha espera. - Ele ordenou: “Raspa o cabelo desta fera”
           Fm
“Não está direito, seu Padilha, me deixar
                   C
Com o coco raspado - Eu já apanhei um resfriado
                Dm                       G7
Isto não é brincadeira, pois o meu apelido era
                  C
Chico Cabeleira.” - Não volto mais à gafieira.

(solo) C  G7  C  C7  F  Fm  C  B  Bb  A7  Dm  G7  C  (A)

(Ele quer ver minha caveira. Eu, heim? Se eu não me desguio a tempo
Ele me raspa até as axilas. O homem é de morte…)  Dm  G7  C9+

Na subida do morro - Moreira da Silva

Clássico do samba de breque, de autoria de Geraldo Pereira, que o compôs especialmente para uma peça teatral apresentada no Morro de Mangueira, onde Geraldo então morava, escrita, dirigida e interpretada por ele mesmo, como número de encerramento. Anos mais tarde, Moreira da Silva comprou de Geraldo Pereira os direitos autorais e de gravação da música por um conto e trezentos.

O lançamento se deu pela Continental, em maio-junho de 1952, disco 16553-B, matriz C-2816, mas no selo original e na edição impressa apareceram apenas os nomes de Moreira da Silva e Ribeiro Cunha (fabricante dos chapéus do cantor), sendo o de Geraldo Pereira omitido.

O próprio Moreira reconhecia ser Geraldo o verdadeiro e único autor de "Na subida do morro", e regravaria a música em outras oportunidades, além de interpretá-la no filme "Maria 38" (1959), de Watson Macedo, estrelado pela sobrinha do cineasta, Eliana (Fonte: Samuel Machado Filho - Youtube).

Na Subida do Morro (samba, 1952) - Moreira da Silva e Ribeiro Cunha - Intérprete: Moreira da Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Na Subida do Morro / Silva, Moreira da (Compositor) / Cunha, Ribeiro (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Orquestra Tabajara (Acomp.) / Araújo, Severino (Acomp.) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1951-1952 / Nº Álbum 16553 / Lado B / Lançamento: 1952 / Gênero musical: Samba de breque.


  (A)
Na subida do morro, me contaram   (breque)
  A         E7          A       
Que você bateu na minha nega  
             A7 
Isto não é direito
                        ( D )             
Bater numa mulher que não é sua  (breque) 
                   ( D )
Deixou a nega quase crua (breque)
             Dm                           ( A )
 No meio da rua / A nega quase que virou presunto (breque)
                       ( A )                             Bm
Eu não gostei daquele assunto (breque) / Hoje venho resolvido
                        E7        ( A )
Vou lhe mandar para a cidade de pé junto (breque) 
                      ( A ) 
Vou lhe tornar em um defunto
            Db7                          (Gbm) 
Você mesmo sabe que já fui um malandro malvado (breque)
                  (Gbm)                            Gb7
Somente estou regenerado (breque) /  Cheio de malícia
                           ( Bm )          
Dei trabalho à polícia pra cachorro (breque) 
                    (Bm)
Dei até no dono do morro(breque)
             Bm           Db7                  (Gbm)
Mas nunca abusei de uma mulher que fosse de um amigo (breque)
                   (Gbm)                         Bm  
Agora me zanguei consigo(breque) / Hoje venho animado  
                    E7                    ( A )
A lhe deixar todo cortado / Vou dar-lhe um castigo (breque)
Meto-lhe o aço no abdome e tiro fora
 o seu umbigo (breque)
 
“Aí meti-lhe o aço, hum! Quando ele ia caindo disse: 
Moringueira você me feriu; Eu então disse-lhe: É claro,
você me desrespeitou, mexeu com a minha nega. Você sabe 
quem em casa de vagabundo malandro não pede emprego; 
Como é que você vem com xavecada, está armado; eu quero 
é ver gordura que a banha está cara. Aí meti a mão lá 
na duana, na peixeira, é porque eu sou de Pernambuco, 
cidade pequena, porém decente, peguei o Vargolino 
pelo abdome, desci pelo duodeno, vesícula biliar e 
fiz-lhe uma tubagem; ele caiu, bum, todo ensanguentado; 
E as senhoras como sempre nervosas: Meu Deus esse homem 
morre, moço. Coitado olha aí está se esvaindo em
sangue; Ora minha senhora, dê-lhe óleo canforado, 
penicilina, estreptomicina crebiosa, engrazida e até
 vacina Salk; Mas o homem já estava frio; Agora o 
malandro que é malandro não denuncia o outro, espera 
para tirar a forra. Então diz o malandro:”
 
              Db7                                 (Gbm)
Vocês não se afobem que o homem desta vez não vai morrer (breque)
                       (Gbm)          
Se ele voltar dou pra valer (breque) 
              Gb7
Vocês botem terra nesse sangue
                     ( Bm )           
Não é guerra / É brincadeira (breque) 
                    ( Bm )
Vou desguiando na carreira (breque)
               Bm   
A jungusta já vem 
          Db7                  ( Gbm )
E vocês digam que eu estou me aprontando ( breque)
                     ( A )              
Enquanto eu vou me desguiando (breque) 
                  Bm
Vocês vão ao distrito
    E7            (  A )
Ao delerusca, se desculpando (breque)  
Foi um malandro apaixonado
                 ( A )
Que acabou se suicidando.

Chang-Lang - Moreira da Silva


Chang-Lang (samba, 1957) - Moreira da Silva e Ribeiro Cunha - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva - O Último Malandro / Título da música: Chang-Lang / Moreira da Silva (Compositor) / Ribeiro Cunha (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Odeon, 1958 / Nº Álbum: MOFB 3058 / Lado B / Faixa 06 / Gênero: Samba de breque.


Tom:F

Intr.: Bb  Bbm  F  D7  Gm  C7  F F7
Bb  Bbm  F  D7  Gm  C7  F  C7

      F                        
Eu fui ao restaurante chinês, 
                              F#°    Gm
e peguei o gordurame, sem ter o arame.
   C7                                     
E disse ao China, “prá semana pagarei” - 
                                    F
O Chang-Lang se queimou comigo sem ter razão.
                      D7                  
É, na durindana disse: “Aqui não é pensão, 
          Gm
se você quer comer de graça, você tem que trabalhar.
 Bb        B°           F/C          D7  
Ou deixe em depósito seu chapéu de palha. 
         Gm                      C7         F
Vá se embora por favor, que eu não sou seu pai”

A7                    Dm                D7      
Na alta roda de malandros sempre fui considerado, 
             Gm
  um batuqueiro respeitado.
                           Dm          
Me queimei com a ignorância do chinês, 
               E7                 A7
e dei-lhe uma fritada pra servir de lição.
 
E disse: “Chang, se aguenta. 
Vá por mim que eu sou direito.
   Dm               D7                    Gm
Se eu me agarro com você derrubo todas prateleiras. 
‘Time is money’ quer dizer 
          Dm     
Tempo é dinheiro, 
            E7                A7        Dm
o velho tempo é grana e eu estou na durindana.
 
Eu pago a conta prá semana. Agüenta aí”. 
     A7                          Dm       
Dificilmente o malandro perde o controle. 
                           D7
Eu disse: “Está bem, vou pagar”, 
        Gm              
Meti a mão lá na aduana. 
                                     Dm
Mas ao invés de grana puxei da minha navalha.
   E7                              A7
Tomei o meu chapéu de palha prá poder me desguiar
 
“Mas Chang, o que é que há? Tá desconfiando do seu camarada? 
     Dm           D7                     Gm
Se eu me agarro com você derrubo todas prateleiras. 
‘Time is money’ quer dizer 
          Dm     
Tempo é dinheiro, 
                E7          A7          Dm
o velho tempo é grana e eu estou na durindana.
 
Eu pago a conta prá semana. Agüenta aí”
 
(solo):  

F  F#°  Gm  C7   F  D7  Gm  Bb  B°  F/C  D7  Gm  C7  F

    A7                                  
Dificilmente o malandro perde o controle. 
     Dm                    D7
Eu disse: “Está bem, vou pagar”, 
        Gm                
Meti a mão lá na aduana. 
                                          Dm
Mas ao invés de grana puxei da minha navalha.
   E7                                   A7
Tomei o meu chapéu de palha prá poder me desguiar
 
E disse: 
“O Chang, o que é que há? Eu conheço a tua terra, hein? 
Dm                  D7                    Gm
Se eu me agarro com você derrubo todas prateleiras.
                              Dm              
 ‘Time is money’ quer dizer tempo é dinheiro, 
                 E7        A7           Dm
o velho tempo é grana e eu estou na durindana.
Eu pago a conta prá semana” - Neca.

Gm  A7 D

quarta-feira, fevereiro 14, 2018

Cassino de malandro - Moreira da Silva


Cassino de Malandro (samba, 1961) - Raul Marques e Tancredo da Silva - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva - Malandro Em Sinuca / Título da música: Cassino de Malandro / Raul Marques (Compositor) / Tancredo da Silva (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Odeon, 1961 / Nº Álbum: MOFB 3207 / Lado B / Faixa 07 / Gênero musical: Samba de breque.


Tonalidade: F

Intro:  Bb  Bo  F  Dm  Gm  C7  F

            F              Bo      
Lá no meu cassino, tipo mal acabado, 
F                     D7    Gm
  desengonçado pela ventania
      C7                       Gm     
Lá não cessa o vira-baixo noite e dia, 
            C7            F
    dando trabalho à delegacia
                 B°              F
Se o otário ganha, vai sair daquele jeito,
              D7                         Gm
Porque entre malandros isto é falta de respeito
      Bb            Bo        F
Tem peteleco, teco-teco, solinjada
    D7              Gm        C7         F
Quando a jungusta chega nunca houve nada
 
Aqui são todos camaradas 
- Pode entrar, doutor. A casa é sua.
São estivadores, trabalhadores da borracha -
             C7
Na ronda sou rei, vou lhe explicar porque falei,
          F
Muito considerado, escutem só o meu babado…
                            D7
Mata, tripa, esfolha, e assim fico 
            Gm                A°            Gm
Esperando o freguês, porque o otário não tem vez.
            Bbm
Tenho um bom golpe, e no baralho 
                  F           D7
Conheço todos os cortes. Não admito 
             Gm                    C7
Que algum Vargulino vá lá no meu cassino 
           F
Soltar o fricote - Eu pulo logo no cangote
              C7
Tenho bons parceiros, sempre cheios de dinheiro
               F
No meu famoso cassino, lá também dá bom grã-fino.
           D7
Promovo a bebida, e no final da partida 
                 Gm            F#°             Gm
O otário é quem perdeu, e quem ganhou tudo fui eu. 
       Bbm                                    F
Tenho licença, faço e desfaço tudo com inteligência. 
            D7                     Gm    
Tenho um criado, que fica a noite inteira 
               C7                 F
  no alto da pedreira fazendo o sinal:
 
“Fiiiii - Corre pessoal! E vem a turma da Central!”

Bb  Bo   F   D7   Gm  C7  F
Que quando chega baixa o pau.

sexta-feira, janeiro 19, 2018

Moreira da Silva - O Rei do Gatilho


O ciclo mais notório de continuações na música brasileira foi o dos sambas de breque de Miguel Gustavo para Moreira da Silva, em que o cantor era apresentado inicialmente como um herói de faroeste (passando depois para agente secreto e até cangaceiro!), Kid Morengueira, em gravações que pareciam capítulos de radionovela, com atores, narrador e sonoplastia.

São seis os sambas: O rei do gatilho (1962), O último dos moicanos (1963), Os Intocáveis (1968), Morengueira contra 007 (1968), O seqüestro de Ringo (1970) e Rei do Cangaço (1973).

O Rei do Gatilho (samba, 1962) - Miguel Gustavo - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva, O "Tal"... Malandro / Título da música: O Rei do Gatilho / Miguel Gustavo (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1962 / Nº Álbum: MOFB 3299 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba-de-breque.


"O rei do gatilho, o mais temido pistoleiro de Wichita.
Temido pelos bandidos pois só atirava em nome da lei.
O rei do gatilho". 

         Dm                          Gm
Começa o filme com um garoto me entregando
        A7                          Dm
Um telegrama do Arizona onde um bandido de lascar,
                                    Gm
Um bandoleiro transviado, que era o bamba lá da zona
         A7                   Dm   A7
E não deixava nem defunto descansar.
        Dm                             Gm
Pedia urgente que eu seguisse em seu socorro,
       A7                          Dm
A diligência do Oeste nesse dia ia levar
                                     Gm
Vinte mil dólares do Rancho Águia de Prata
         A7                   Dm   A7
Onde a mocinha costumava me encontrar. 

"Venha urgente pois estou morta de medo. Só tu poderá
salvar-nos. Beijos da tua Mary". 

         C7                            F
Botei na cinta os dois revólveres que atiram
              A7                       Dm
Sem que eu precise, nem ao menos, me coçar. "Fiiiuu!"
      Gm                      Dm
Assoviei para um cavalo que passava do outro lado
           A7                   Dm
E com o bandido mascarado fui lutar.
           C7                        F
Cheguei na Vila e nem dei bola pro xerife,
              A7                       Dm
Entrei direto no saloon, fui me encostando no balcão.
         Gm                            Dm
Com o chapéu em cima dos olhos nem dei conta
            A7                     Dm
De que o bandido me esperava à traição. 

"Cuidado, Moreira!" 

      Dm                         Gm
Era o índio, meu parceiro, que sabia
        A7                          Dm
Das intenções do bandoleiro contra mim
                             Gm
E advertia  seu amigo do perigo que corria
           A7                     Dm    A7
Devo-lhe a vida mas isto não fica assim.
         Dm                    Gm
À essa altura o cabaré em polvorosa
        A7                          Dm
Já tinha um cheiro de cadáver se espalhando.
                                  Gm
Houve um suspense de matar o Hitchcock
           A7                     Dm 
E eu em close-up pro bandido fui chegando.
        C7                        F
Parou o show e as bailarinas desmaiaram,
        A7                     Dm
Fugiram todos, só ficando ele e eu. 
      Gm                       Dm
Eu atirei, ele atirou e nós trocamos tanto tiro
        A7                       Dm
Que até hoje ninguém sabe quem morreu...

"Eu garanto que foi ele, ele garante que fui eu!"

         C7                             F
Só sei dizer que a mulher dele hoje é viúva
             A7                       Dm
Que eu nunca fui de dar refresco ao inimigo
       Gm                    Dm
E como filme bang-bang, bang-bang vale tudo,
      A7                   Dm
O casamento da viúva foi comigo. 

"Tem o final mas o final é meio impróprio e eu não digo,
volte na próxima semana se quiser ser meu amigo. Eu de
cow-boy fico gaiato mas não fujo do perigo". 

Final: Gm  Dm  A7  Dm (A7 Dm).

quinta-feira, julho 16, 2015

Minha palhoça

Minha Palhoça (samba, 1935) - J. Cascata - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira da Silva - Conversa de botequim / Título da música: Minha palhoça / Cascata, J, 1912-1961 (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon / Ano: 1966 / Nº Álbum: MOFB 3450 / Lado A / Faixa 3 / Gênero: Samba de breque


         D7M           A7             D7M
Mas se você quisesse, morar na minha palhoça
                          A7
 – Lá tem troça e se faz bossa –
     D7M     Eb°                  Em7
Fica lá na roça, à beira de um riachão 
– E à noite tem violão –
F#7                              Bm7
Uma roseira, cobre a banda da varanda e
       B7               E7          Db7
Ao romper da madrugada, vem a passarada, 
              A7
  abençoar nossa união.
   Em                               A7                           
Tem um cavalo, que eu comprei à prestação 
                         D
  e que não estranha a pista 
Tem jornal; lá tem revista.
  D7                            G
Uma Kodak para tirar nossas fotografias 
– Vai ter retrato todo dia –
 Gm                                 D7M
Um papagaio, que eu mandei vir do Pará.
Bm             Em7              A7               D7M
Um aparelho de rádio batata,  e um violão que desacata.
                           E7
Meu Deus do céu que bom seria…
 D7M      A7              D7M
Mas se você quisesse, morar na minha palhoça – 
                       A7
 Lá tem troça e se faz bossa –
    D7M      Eb°               Em7
Fica lá na roça, à beira de um riachão 
– E à noite tem violão –
F#7                            Bm7
Uma roseira, cobre a banda da varanda e 
   B7                   E7
Ao romper da madrugada, vem a passarada
   Db7             A7
   abençoar nossa união.
      Em                           A7
Tem um pomar, que é pequenino, é uma beleza 
                   D
   - É mesmo uma gracinha – Criação, lá tem galinha – 
   D7                                     G
Um rouxinol, que nos acorda ao amanhecer – 
Isso é verdade, podes crer – 
   Gm                       D7M
A patativa quando canta faz chorar,
Bm              Em7            A7             D7M
Há uma fonte na encosta do monte, a cantar – chuá… chuá…

Juracy

Juracy (samba, 1941) - Antônio Almeida e Ciro de Souza - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva – A Volta Do Malandro / Título da música: Juracy / Almeida, Antônio (Compositor) / Souza, Ciro de (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1959 / Nº Álbum: MOFB 3.096 / Lado B / Faixa 04 / Gênero: Samba


G                         D7
Desde o dia em que eu te vi Juracy
                     G
Nunca mais tive alegria
                           D7
Meu coração ficou daquele jeito
                             G
dando pinote dentro do meu peito
                              D7
Mas agora eu quero, eu quero saber
                G
qual a sua opinião
                      D7
Pra resolver nossa situação
             C     D7      G
pode ser ou tá difícil coração
D7
Eu trabalhei durante um ano inteiro
                               G
pra conseguir juntar algum dinheiro
                        D7
fiz uma casa que é um amor
                                G
pois tem rádio, geladeira e ventilador
D7                 D7
Nossa casinha lá na Marambaia
           B7                 Em
fica a dois passos da beira da praia
         C      C#7        D7
e se você achar que lhe convém
                    C        D7     G
eu lhe garanto tudo isso e o céu também

Gago apaixonado

Gago apaixonado (samba, 1931) - Noel Rosa - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva – A Volta Do Malandro / Título da música: Gago apaixonado / Noel Rosa (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1959 / Nº Álbum: MOFB 3.096 / Lado: A / Faixa: 1 / Gênero: Samba


Intr.:(  G/B E7/G# A7 D7/F# G G/F 
         G/B E7/G# A7 D7/F# G)

                G                A#°         G/B
Mu... mu... mulher, em mim fi... zeste um estrago
A#° G/B                           E7            Am
        Eu de nervoso esto... tou fi... ficando gago
E7/B Am     B7              B7/D#             Em
        Não po... posso com a     cru... crueldade
            A7/C#                A7
Da saudade, Que... que mal... maldade
      D7         D/C
Vi... vivo sem afago

    G
Tem tem... tem pe... pena 
D7                    G             Em
Deste mo... mo... moribundo, que... que já virou
B7                              Em     E7/G#
Va... va... va... va... ga... gabundo
      Am
Só... só... só... só...
     Cm6/Eb             C#°       G/D
Por ter     so... so... sofri... frido
                  E7
Tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu...
   A7                D7                 G
Tu tens um co... coração fi... fi... fingido

*Repete Introdução*

                G                A#°         G/B
Mu... mu... mulher, em mim fi... zeste um estrago
A#° G/B                           E7            Am
        Eu de nervoso esto... tou fi... ficando gago
E7/B Am     B7              B7/D#             Em
        Não po... posso com a     cru... crueldade
            A7/C#                A7
Da saudade, Que... que mal... maldade
      D7         D/C
Vi... vivo sem afago

    G             D7          G
Teu teu co... coração me entregaste
      Em
De... de... pois... pois... 
   B7                   Em     E7/G#  
De mim tu to... toma... maste
      Am                  Cm6/Eb              G/D
Tu... tua falsi... si... sidade  é pro... profunda
                  E7
Tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu...
    A7                 D7     G
Tua vais fi... fi... ficar corcunda!

Faustina

Faustina (samba-choro, 1937) - Gadé - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira da Silva - Conversa de botequim / Título da música: Faustina / Gadé, 1904-1969 (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon / Ano: 1966 / Nº Álbum: MOFB 3450 / Lado B / Faixa 6 / Gênero: Samba



------------Am
Xiii…Faustina
E7 -----------------Am
Faustina, corre aqui depressa,
E7 --------------A7
Olha quem está no portão.
Dm
É minha sogra com as malas
--------B7------------------------- E7----- Am
Ela vem resolvida a morar no porão.

-------E7------------ A7-------------------- Dm
Vai ser o diabo, vamos ter sururu com o vizinho.
-----------------Am
Não estou prá isto, eu vou dar o fora,
---------B7---------------- E7------- Am
Decididamente, eu vou morar sozinho.


Bis

-------G -----------G7 -----------C7M
É minha sogra, mas tenha paciência.
---------B7 --------------------------Am
Não há quem possa com essa jararaca.
---------Dm ----------Eb° ------Em7 ---Am
Meu sogro foi de maca prá assistên_cia,
------------D7--------------------- G
Com o corpo todo retalhado à faca.


----G7 ----------------C7M
Mas comigo é diferente,
--0-------B7 -------------------Am
Não tenho medo desta cara feia,
-----Dm ------------Eb°------- Em7 ---Am
Pego a pistola e desperdiço um pen_te,
D7------------------- G----------- C
Ela descansa e eu vou prá cadeia.
E7 Am A7 Dm Dm Am B7 E7 Am

domingo, julho 12, 2015

Conversa de botequim

Conversa de botequim (samba, 1935) - Noel Rosa e Vadico - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira da Silva - Conversa de botequim / Título da música: Conversa de botequim / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Vadico (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon / Ano: 1966 / Nº Álbum: MOFB 3450 / Lado: A / Faixa: 1 / Gênero: Samba de breque


Tom: F
       C              D7
Seu garçom, faça o favor
        G7   C
de me trazer depressa
     A7 Dm7 
Uma boa média
 G7 Gm C7
que não seja requentada
           F       E7 Am
Um pão bem quente com manteiga à beça
       D7              G7 
um guardanapo, um copo d'água bem gelada
             G7 
Fecha a porta da direita
      G7       C 
com muito cuidado
            A7       D7         G7     
Que eu não estou disposto a ficar
    GM   C7
exposto ao sol
 F        E7  Am
Vá perguntar ao seu freguês do lado
    A7  D7 G7    C
Qual foi o resultado do futebol
   F      A7         Dm7   F7  
Se você ficar limpando a mesa
  A#
Não me levanto
     A7
nem pago a despesa
     D7      G7 
Vá pedir ao seu patrão
 
uma caneta, um tinteiro
      C7 
um envelope, e um cartão
  F  A7         Dm   F7
Não se esqueça de me dar palito
 A#               A7  
e um cigarro pra espantar mosquito
     D7     G7   
vá dizer ao charuteiro
      C7
que me empreste uma revista
       F
um cinzeiro e um isqueiro
 ESTRIBILHO
  F     A7       Dm F7   
Telefone ao menos uma vez
     A#   A7 
Para 34-43-33
      D7   G7 
E ordene ao seu Osório
  
que me mande um guarda-chuva 
     C7 
aqui pro nosso escritório
  F      A7  Dm 
Seu garçom, me empreste algum dinheiro
       A#       A7 
que eu deixei o meu com o bicheiro
      D7    G7
vá dizer ao seu gerente
     C7
que pendure essa despesa
     F
no cabide ali em frente
      C        D7 
Seu garçom, faça o favor...

quinta-feira, maio 15, 2014

A volta de Ivete Canejo

Yvette Canejo - Carioca de 27/2/1937
"Ivete Canejo, uma das estrelinhas mais simpáticas do rádio carioca, dona de uma voz agradável e uma maneira de cantar original, rapidamente tem vencido no cenário radiofônico do Rio.

A sua ausência dos microfones cariocas que tanto vinha inquietando os seus fãs, parece que terá fim: Ivete chegou há dias do Sul, onde estava cantando na PRF-9 e voltará dentro de breves dias para uma das nossas emissoras.

Ivete gostou de Porto Alegre. Divertiu-se e cantou muito. Levou aos gaúchos o samba carioca que ela, como poucas, conhece.

Com Moreno da Silva, um dos cantores mais populares do Rio, apresentou alguns sucessos cariocas que se transformaram em autênticos êxitos locais. "Cadê o toucinho", foi a música que mais agradou ao público gaúcho:

— Diariamente — diz-nos Ivete, Moreira da Silva e eu, éramos obrigados a cantá-lo, pois os pedidos telefônicos e pessoais não paravam. A música de Nássara, conseguiu, pois, um autêntico e completo triunfo.

— Que impressão trouxe do Sul?

— Gostei imensamente. Porto Alegre é uma cidade moderna e encantadora. Em cada habitante encontramos um amigo. As gentilezas para conosco foram tantas, que se torna difícil enumerá-las.

— Sobre o ambiente radiofônico?

— Os colegas locais, bons camaradas. Sobre os valores, não há nomes a destacar. Direi apenas que há gente boa e capaz de fazer sucesso no Rio.

— Quem lhe agradou mais? — insistimos.

— Há uma menina que na minha opinião é a mais interessante das artistas de Porto Alegre. Chama-se Zilda Bueno e canta com muito jeito, os sambas e as marchinhas tão de gosto dos cariocas. Em palco ela é um autêntico sucesso e, nos festivais que realizamos, Zilda foi um dos elementos destacados: tem muita vida e muita cadência. Chamam-na de Shirley Temple brasileira.

— E, agora, quais são os seus projetos?

— Voltarei para uma das nossas emissoras, para o que já tenho propostas em estudo e talvez, em junho, realize outro passeio ao Sul — concluiu Ivete, sorridente."


Fonte: Revista Semanal CARIOCA, de 27/2/1937 (texto atualizado mais a foto).

domingo, maio 11, 2014

Moreira da Silva gostou do Sul ...

Foto: CARIOCA, 20/2/1937
"Arrasta a sandália, aí, morena!
Arrasta a sandália, aí, morena!

Quem não se recorda deste samba de grande sucesso de 1933? E mais tarde:

Implorar
Só a Deus
Mesmo assim
Às vezes não sou atendido ...

Dois autênticos sucessos do passado e as duas maiores criações de Moreira da Silva, um cantor conhecido do público carioca e que felizmente não figura nos calendários radiofônicos ao lado dos "medalhões" ...

Moreira da Silva é o mais carioca dos cantores da cidade. Como nenhum outro, através do ritmo de um samba, ele sabe contar a simplicidade da vida dos nossos morros e de seus habitantes.

Artista original, como poucos do nosso broadcasting, Moreira vai lançar uma série de sambas novos, tipo "Jogo proibido", todos ainda desconhecidos do público carioca.

Há muito, porém, ele não se apresenta frente aos microfones cariocas. Porto Alegre com seus encantos e o seu público sempre acolhedor, prendeu-o por mais de um mês. Lá, segundo o testemunho dos jornais locais, o seu sucesso foi grande. "Cadê o toucinho?", "Vara criminal", "Trabalho me deu o bolo" e outras músicas genuinamente cariocas e 100 por cento Moreira da Silva, foram verdadeiros sucessos na PRF-9, Rádio Difusora de Porto Alegre.

Moreira é amigo de CARIOCA. Chegando ao Rio, tivemos logo a primazia de sua visita. Mostra-se encantado com o que viu e com a recepção que teve:

— Porto Alegre é uma cidade linda. Tem passeios encantadores e uma população amabilíssima com os artistas cariocas. Tivemos, Joel e Gaúcho, Ivette Canejo e eu, uma recepção, sob todos os aspectos, magnífica. Tantas foram as gentilezas que, nem sei como agradecer. Apenas em Porto Alegre há uma coisa que não me agradou: os mosquitos ... No dia que a Prefeitura resolver acabar com eles, creio que a capital rio-grandense será uma verdadeira sucursal do Paraíso ...

— E o ambiente radiofônico?

— O "pessoal" é igual. Há um sambista interessantíssimo: Lupiscínio Gonçalves (1). Algumas composições dele já são conhecidas do Rio. Trago, porém, comigo, outras inéditas, que serão lançadas brevemente.

Fazia-se tarde. Moreira já de pé se retirava, quando lançamos a última pergunta:

— E agora, que vamos fazer?

— Voltar para o Sul dentro de breves dias ...”

(1) Equívoco da reportagem ou de Moreira? Ele provavelmente falava de Lupicínio Rodrigues ou de Alcides Gonçalves, a dupla de compositores gaúchos.


Fonte: Revista Semanal CARIOCA, de 20/02/1937.