Fernando Lobo, antes de ser Fernando Lobo, era Castro Lobo, violinista e cantor, vejam vocês! Nasceu em Pernambuco, foi criado em Campina Grande e capinou para o Rio ainda mocinho, cidade onde viria a se tornar um dos mais populares autores do samba “Ninguém me ama”.
Compositor de música popular e produtor de programas de rádio, Fernando Lobo, também conhecido pelo apelido íntimo de “Bem-te-vi Maldito”, é dado à vida artística de diversas outras maneiras, tais como a pintura a óleo, a poesia espontânea, o desenho bissexto, etc., etc. Bebe em bar onde seja permitido tirar o paletó e já foi, noutros tempos, um dos mais temidos cronistas da noite. Neste setor foi mesmo um pioneiro, junto com Fred Chateaubriand— que era seu faixa — e Octávio Tyrso, que pertencia a equipe diferente.
Um dia Fernando Lobo se queimou com esse negócio de falar sempre dos mesmos calhordas e resolveu não escrever mais crônica noturna, declarando aos amigos que estava farto de seus personagens. Largou o jornalismo rebolativo e ficou sendo somente crítico. Mas, para provar ao mundo o seu ecletismo, organizou um “show” para determinado empresário, o mesmo a quem ensinara coma se fazia revistinha de “boate”. O empresário era ingrato e Lobinho era queimado, daí o caso formado e nosso biografado sair para outras bossas.
Vanja vai vanja vem, Fernando está se dedicando atualmente à pesca. Mandou vir um caniço muito bom da Suécia (caniço que o Lima Barreto viu e mentiu logo que tinha um igual) e foi pra Barra da Tijuca, esperar que o mar Incendeie para poder comer peixe assado. E lá fica, na areia, de caniço sueco em punho, aguardando os acontecimentos. Em tais ocasiões só atende as pessoas que chamarem, não de Fernando Lobo, mas de “O Lobo do mar”.
Fonte: Dicionário Ilustrado — Texto de Stanislaw Ponte Preta — Desenho de Lan — Jornal "Última Hora", de 23/01/1958.
Mostrando postagens com marcador fernando lobo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fernando lobo. Mostrar todas as postagens
domingo, dezembro 08, 2013
quarta-feira, maio 22, 2013
Belinha da Silva
![]() |
Belinha da Silva - 1949 |
Entre outros programas, participou do "Dicionário Toddy" produzido por Fernando Lobo onde, em um especial sobre o Nordeste, interpretou Nordeste e a música Macumbô.
Em 1950, atuou no programa "Poemas sonoros" apresentado na Rádio Nacional por Manoel Barcelos, com textos de Eurico Silva, e arranjos e orquestra dirigida pelo maestro Leo Peracchi. Apresentou-se também no programa "Gente que brilha", apresentado pelo radialista Paulo Roberto.
Estreou em discos em 1951, quando assinou contrato com a gravadora Elite Special, e gravou com acompanhamento de orquestra, o baião Bate o barro, de Ismael Neto e Nestor de Holanda Cavalcanti, e o samba-canção Dores iguais, de Ismael Neto e René Bittencourt. Em seguida, gravou com acompanhamento de conjunto regional o Baião na cidade, de Ismael Neto e Nestor de Holanda Cavalcanti, e o coco Piaba, de Rafael de Carvalho.
Sempre atuando com exclusividade em programas musicais da Nacional, em 1952 gravou com acompanhamento de regional o samba Não dei razão, de Bob Nelson e Sebastião Lima, e a Marcha do Sheik, de Dunga e José Batista. No mesmo ano, gravou os sambas-canção Não diga que isso é amor, de Anísio Bichara e F. Marchelli, João bilheteiro, de René Bittencourt, e A dor da saudade, de Luiz Antônio e Jota Jr., e os sambas Silêncio entre nós, de Luiz Bittencourt e Roberto Faissal, Baiana de Nazaré, de Ari Moreno, e Minha promessa, de Rubens Campos e Ari Rebelo.
Apesar de manter sempre uma atuação bastante discreta no cast de estrelas da Nacional, em 1953 lançou um último disco pela Elite Special com a Marcha da China, de Geraldo Queiroz e José Batista, e o samba Documento de operário, de Artur Vargas Jr, Manoel Moreira e Jones Dutra. No mesmo ano, foi contratada pela Odeon e lançou o baião De quem é meu coração e a polca Polquinha brejeira, ambas de Babi de Oliveira, com acompanhamento de conjunto regional.
No ano seguinte, gravou com acompanhamento de conjunto melódico o baião Oia o jeito, de Vargas Jr e Ubirajara Nesdan, e o samba-canção Eu abro mão, de Carolina Cardoso de Meneses e Armando Fernandes.
Em 1956, foi contratada pela gravadora pernambucana Mocambo, e no ano seguinte, lançou o samba-canção Não ser mãe, de René Bittencourt, e o xote Velhos tempos, de Altamiro Carrilho e Armando Nunes. Em seguida, gravou a marcha Cuidado papai, de Othon Russo, Castro Perret e Edson Santana, e o samba Sem teu amor, de Carvalhinho, Carrapeta e Osvaldinho.
Em 1960, gravou pelo pequeno selo CAM a marcha Eu vou pro Bola, de Blecaute e Antoninho exaltando o tradicional bloco carnavalesco carioca Cordão do Bola Preta, e o samba Dor de amor, de José Silva, Everton Correia e Jorge Costa. Lançou ainda pelo selo Ritmos, o samba Já chorei por você, de Petrus Paulus, José Silva e Jorge Gonçalves, e a marcha Tô jogado fora, de José Rosas, José Silva e Jorge Lemos.
Discografia
(1954) Óia o jeito/Eu abro mão • Odeon • 78
(1957) Não ser mãe/Velhos tempos • Mocambo • 78
(1957) Cuidado papai/Sem teu amor • Mocambo • 78
(1960) Eu vou pro Bola/Dor de amor • CAM • 78
(1961) Já chorei por você • Ritmos • 78
(1961) Tô jogado fora • Ritmos • 78
Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Revista do Rádio - Fevereiro de 1949.
sábado, novembro 15, 2008
Zum zum
Zum-zum (marcha/carnaval, 1951) - Paulo Soledade e Fernando Lobo - Interpretação de Dalva de Oliveira
Disco 78 rpm / Título da música: Zum-zum / Lobo, Fernando, 1915-1996 (Compositor) / Soledade, Paulo, 1919- (Compositor) / Oliveira, Dalva de (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Borba, Osvaldo (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1950 / Nº Álbum 13079 / Gênero musical: Marcha
Tá faltando um
[bis]
Bateu asa, foi embora, não apareceu
Nos vamos sair sem ele
Foi a ordem que ele deu
Oi zum, zum, zum, zum, zum, zum, zum
Tá faltando um
[bis]
Ele que era o porta-estandarte
E que fazia alaúza e zum-zum
Hoje o bloco sai mais triste sem ele
Tá faltando um
segunda-feira, outubro 27, 2008
Siga
Neusa Maria |
Disco 78 rpm / Título da música: Siga / Lobo, Fernando, 1915-1996 (Compositor) / Guimarães, Hélio (Compositor) / Neusa Maria (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Sinter, 1951-1956 / Nº Álbum 484 / Gênero musical: Samba canção.
Siga, vá seguindo, seu caminho
Vai, escolha o rumo que quiser
Quem sabe do mundo sou eu,
Vagabundo
Das estradas e do tempo eu sei
Passa, o tempo passa, a vida passa
Eu já não sei mais o que é que eu sou
Quem sabia do mundo era eu,
Vagabundo
Das estradas e do tempo cansei
terça-feira, setembro 16, 2008
Chofer de praça
![]() |
Luiz Gonzaga |
Chofer de praça (mazurca, 1950) - Fernando Lobo e Evaldo Rui - Intérprete: Luiz Gonzaga
Disco 78 rpm / Título da música: Chofer de praça / Evaldo Rui, 1913-1954 (Compositor) / Fernando Lobo, 1915-1996 (Compositor) / Luiz Gonzaga (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Gravadora: RCA Victor / Gravação: 10/07/1950 / Lançamento: 09/1950 / Nº do álbum: 80-0695 / Nº da matriz: S-092715 / Gênero musical: Mazurca
Disco 78 rpm / Título da música: Chofer de praça / Evaldo Rui, 1913-1954 (Compositor) / Fernando Lobo, 1915-1996 (Compositor) / Luiz Gonzaga (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Gravadora: RCA Victor / Gravação: 10/07/1950 / Lançamento: 09/1950 / Nº do álbum: 80-0695 / Nº da matriz: S-092715 / Gênero musical: Mazurca
Juntei dinheiro quase um ano inteiro,
Entrei pra escola para ser chofer,
Dessa maneira, sem fazer besteira,
Tirei a carteira, butei meu boné,
Bantendo pino sigo o meu destino
Caminhando para onde Deus quiser
A vida passa, eu vou fazendo a praça
Primeira, segunda, pisa em marcha ré
Se o freguês reclama que eu sou vagaroso
Que meu carro é velho e faz muita fumaça
Eu não me zango, não faço arruaça
Sou bem educado,
Sou chofer de praça,
Ai, ai, não nego a minha raça
Ai, ai, eu sou chofer de praça
Para casamento tenho um terno branco,
Para batizado tenho um terno azul,
Tiro o boné se vou pra zona norte,
Boto o boné se vou pra zona sul,
Se apanho um casal,
Pros lados do Neblon,
Sei que vou parar na gota da impresa,
Viro o espelho, não fale, não veja,
Vou dá meu cortejo, espero a recompensa
-Taxi...
-Tá Ocupado.
-Táxi!
-Oficina!
-Doutor,
-O senhor não leva a mal doutor, mas pra onde é que o senhor vai hein?
-Vou pra Jacarépaguá.
-Tá doido.
-O senhor vai pagar a ida e a volta.
-Pois não, doutor.
-Vamos nós!
-Doutor, trabalho a quilometro, tenho oito filho pra sustentar doutor
-Vamos nós doutor, o senhor foi madado de Deus, "vamu simbora"
-Táxi!
-Vou almoçar!
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
quinta-feira, agosto 28, 2008
Passarinho da lagoa
![]() |
Dircinha Batista |
Passarinho da lagoa (cateretê/toada, 1949) - Fernando Lobo e Evaldo Rui - Intérprete: Dircinha Batista
Disco 78 rpm / Título da música: Passarinho da lagoa / Evaldo Rui, 1913-1954 (Compositor) / Fernando Lobo, 1915-1996 (Compositor) / Dircinha Batista, 1922-1999 (Intérprete) / Dante Santoro e seu Regional (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 26/01/1949 / Lançamento: 03/1949 / Nº do Álbum: 12924 / Nº da Matriz: 8489 / Gênero musical: Toada / Coleções de origem: IMS, Nirez
Disco 78 rpm / Título da música: Passarinho da lagoa / Evaldo Rui, 1913-1954 (Compositor) / Fernando Lobo, 1915-1996 (Compositor) / Dircinha Batista, 1922-1999 (Intérprete) / Dante Santoro e seu Regional (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 26/01/1949 / Lançamento: 03/1949 / Nº do Álbum: 12924 / Nº da Matriz: 8489 / Gênero musical: Toada / Coleções de origem: IMS, Nirez
Passarinho da lagoa se tu queres avoá
Avoa avoa avoa agora já
Com o biquinho pelo chão e as asinhas pelo ar
Avoa avoa avoa agora já
Passarinho da lagoa se tu queres avoá
Avoa avoa avoa agora já
Com o biquinho pelo chão e as asinhas pelo ar
Avoa avoa avoa agora já
Passarinho da lagoa não despertes meu amor
Ainda é muito cedinho, madrugada nem chegou
Meu amor está na rede, a rede balançô
Passarinho, passarinho não despertes meu amor
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
terça-feira, julho 29, 2008
Saudade
![]() |
Orlando Silva |
Saudade (samba, 1948) - Dorival Caymmi e Fernando Lobo - Interpretação: Orlando Silva
Disco 78 rpm / Título da música: Saudade / Dorival Caymmi, 1914-2008 (Compositor) / Fernando Lobo, 1915-1996 (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Lírio Panicali [Direção], Orquestra Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 05/09/1947 / Lançamento: 11/1947 / Nº do Álbum: 12811 / Nº da Matriz: 8265 / Gênero musical: Samba canção / Coleções de origem: IMS, Nirez
Disco 78 rpm / Título da música: Saudade / Dorival Caymmi, 1914-2008 (Compositor) / Fernando Lobo, 1915-1996 (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Lírio Panicali [Direção], Orquestra Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 05/09/1947 / Lançamento: 11/1947 / Nº do Álbum: 12811 / Nº da Matriz: 8265 / Gênero musical: Samba canção / Coleções de origem: IMS, Nirez
Tudo acontece na vida
Tudo acontece a todos nós
Sempre uma dor, um ai de amor
E de um infeliz se ouve a voz, ai...
Sinto saudades, tristezas
Bem dentro de mim
Coisa passadas, já mortas
Que tiveram fim
Tenho olhos parados
Perdidos, distantes
Como se a vida me fora
O que era antes
Cartas, palavras, notícias
Não vem sequer
E a certeza me diz
Que ela era o meu bem.
O que dói profundamente
É saber que infelizmente
A vida é aquilo que a gente não quer.
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
sábado, abril 08, 2006
Fernando Lobo
Fernando Lobo (Fernando de Castro Lobo), compositor, nasceu em Recife PE em 26/7/1915 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 22/12/1996. A mãe tocava bandolim e a tia, piano. Criado em Campina Grande PB, onde começou a estudar piano com Capiba, pai do famoso compositor do mesmo nome, voltou para Recife para estudar direito e passou então a ter aulas de violino e a atuar como crooner e violinista da orquestra Jazz Band Acadêmica de Pernambuco, que logo deixou.
Como cantor, gravou uma única música: Pare, olhe, escute e goste, frevo-canção de Nelson Ferreira, na Victor, também em 1936. Compôs sua primeira música em 1936, o frevo-canção Alegria, gravado por Nuno Roland, na Odeon, em 1940. Trabalhou na imprensa pernambucana antes de se mudar, em 1939, para o Rio de Janeiro RJ, onde continuou a carreira jornalística nas redações das revistas Carioca, O Cruzeiro e A Cigarra, e chegou a ser diretor da Rádio Tamoio.
Viajou em 1945 para os E.U.A., trabalhando nas cadeias de rádio e televisão CBS e NBC.
Em 1947 obteve sucesso com o samba Saudade (com Dorival Caymmi), gravado por Orlando Silva.
De volta ao Brasil, em 1949, teve sua composição Chuvas de verão gravada por Francisco Alves. No mesmo ano, Araci de Almeida fez sucesso com sua versão da rumba Nasci para bailar.
Para o Carnaval de 1950, lançou com Evaldo Rui, na voz de Linda Batista, Nega maluca, considerado um dos clássicos carnavalescos.
Nessa época fez parte, com Paulo Soledade e Carlos Niemeyer, entre outros, de um grupo de rapazes alegres e turbulentos, conhecido como Clube dos Cafajestes, e foi em memória a um dos componentes do grupo, o comandante Carlos Eduardo de Oliveira, da Panair do Brasil, morto em um desastre de avião, que fez, com Paulo Soledade, Zum-zum, gravado com grande destaque por Dalva de Oliveira e grande sucesso no Carnaval de 1951. Nesse ano já exercia o cargo de redator da Rádio Nacional, sendo colega de Haroldo Barbosa, Evaldo Rui e Renato Murce.
Compôs também, na década de 1950, alguns baiões (gênero que se tornou popular nesse período), tendo como parceiro Manezinho Araújo em A primeira umbigada, entre outros sucessos. Considerado o autor, em parceria com Antônio Maria, de outro samba-canção de muito sucesso na época - Ninguém me ama - ele declarou que a composição era apenas de Antônio Maria, entrando seu nome na parceria por um acordo no qual cedera a parceria para Antônio Maria num outro samba - Preconceito - gravado na outra face de Ninguém me ama por Nora Ney.
Em 1957 passou a trabalhar na televisão, além de continuar escrevendo na imprensa carioca, e teve uma seleção de suas músicas gravadas num LP da Copacabana - Músicas e poesias de Fernando Lobo - que contou com a participação de vários intérpretes. Classificou Diana pastora, em 1967, entre as finalistas do III FMPB, da TV Record, de São Paulo SP, festival do qual saiu vencedor seu filho Edu Lobo, com Ponteio.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.
Assinar:
Postagens (Atom)