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segunda-feira, fevereiro 05, 2018

Ao ouvir esta canção hás de pensar em mim - Francisco Alves

Francisco Alves
Ao Ouvir Esta Canção Hás de Pensar em Mim (Fox, 1940) - Francisco Matoso e José Maria de Abreu - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Ao Ouvir Esta Canção Hás de Pensar em Mim / Matoso, Francisco (Compositor) / Abreu, José Maria de, 1911-1966 (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 20/03/1940 / Nº Álbum 55210 / Lado B / Lançamento: 04/1940 / Gênero musical: Fox.



Porque te foste agora
Quando eu mais te queria
Roubando alegria
Ao coração que chora
Eu fiquei só pensando
Cheio de nostalgia
Para o passado olhando
Fiz esta melodia:

Ao ouvir esta canção
Hás de pensar em mim, então
Quando a recordação
De um passado de esplendor
O romance que foi nosso amor
E também relembrarei
Do grande amor
Que eu te dei
Fiz castelo que sonhei
Colocando em sonhos vãos
Meu destino em tuas mãos

Sentirás a minha ausência
Em uma tarde fria
Hás de notar vazia
Sem amor tua existência
Nessa tarde voltarás
Realizando os ideais
E meu coração me diz
Que eu só serei feliz
Nesse dia ou nunca mais.

sábado, março 17, 2012

O pianista Zé Maria


A pudicícia da “prefeita” fez surgir o pianista Zé Maria - E de fato foi isso. Se a esposa do prefeito não houvesse se recusado, terminantemente, a tocar durante a exibição do filme no qual os problemas do sexo eram tratados de maneira muito clara, inclusive de suas possíveis doenças, o Zé Maria de Abreu não teria aparecido como pianista. Embaraçado com a negativa da componente da orquestra que mantinha em seu modesto cinema, Vadozinho, o empresário, recorreu ao rapaz do pistão e ele, cordato, sentou-se ao velho Pleyel resolvendo a situação.

Desse dia em diante, ficou dedilhando nas teclas brancas e pretas valsinhas lânguidas, quando as fitas eram românticas, ou chorinhos buliçosos nas comédias de corre-corre com arremesso de pastelões. O trompete e o violino, Instrumentos que executava com certa mestria, foram relegados. O primeiro dando descanso definitivo aos seus lábios, o segundo fazendo seu braço direito perder a destreza necessária ao bom manejo do arco.

Filho de músico é igual ao de peixe

Embora o ditério popular aponte o peixinho como único exemplo, quase sempre, ampliando o conceito, os pais influem nas preferências dos filhos. Assim, o menino José Maria, nascido (1911) em ambiente de música, já que o seu genitor era professor dessa arte, em Jacareí, no Estado de São Paulo, foi atraído para o estudo da pauta e dos sinais pendurados em suas cinco linhas. O “velho” Juvenal Roberto Abreu, mesmo contrariando o garoto, fê-lo segurar o violino e manejar o arco para tirar das cordas, observando nos compêndios, as primeiras lições.

A seguir, querendo dar versatilidade ao rebento, vencido na resistência demonstrada a princípio e recebendo com agrado os ensinamentos, iniciou-o no pistão e no piano. Dessa maneira, quando a família mudou-se para Botucatu e matriculou-o num colégio de padres, o menino Zé Maria foi aproveitado na banda tocando qualquer dos instrumentos que o mestre determinasse. Sobressaía-se também nas aulas de teoria, graças aos bons conhecimentos que lhe foram transmitidos pelo seu primeiro professor, o papai Juvenal.

Uma pianista pudica pede substituição

Em 1925, aos quatorze anos de idade, estudante em Itapetininga, sempre no Estado de São Paulo, conseguiu um emprego no Cinema Iris, onde o empresário Salvador, chamado por todos Vadozinho, incluiu-o na orquestra. Os filmes mudos eram acompanhados por pequenos conjuntos musicais onde era imprescindível o pianista, sua figura principal. Zé Maria, no cineminha em referência, tocava pistão e violino, revezando esses instrumentos conforme a ação da fita projetada e o fundo musical que lhe queriam dar.

Dando prosseguimento à programação anunciada com alguns dias de antecedência, deveria ser exibida a película Flagelo da Humanidade, na qual, advertindo à mocidade, eram mostrados, com bastante clareza, assuntos de natureza sexual. A esposa do prefeito local, que era a pianista da orquestra, ao ser informada do realismo do filme recusou-se a tocar durante sua exibição: “esse negócio é muito indecente”. Atrapalhado, mas aceitando a pudicícia da prefeita a quem não convinha contrariar por motivos óbvios, Vadozinho apelou para o Zé Maria. Desde então, o Cinema Íris, de Itapetininga, teve um pianista que, mais tarde, seria o famoso autor de um punhado de valsas de grande sucesso.

“Rei das Valsas”, mas sem mimeógrafo.

Compositor popular dos de maior produção, principalmente valsas, dentre as quais deve-se destacar a Boa noite, amor, popularizada pelo saudoso Francisco Alves, deram-lhe o título de Rei nesse gênero de música. Depois, em vista do número sempre crescente, somando um total superior a trezentos (cálculo feito por ele próprio) um de nossos humoristas, que se presume tenha sido o Jorge Murad, o Paulo Medeiros ou o Nestor de Holanda, disse; “o Zé Maria tem um mimeógrafo onde faz as suas valsas.” A piada, aceita esportivamente, glosava a quantidade, mas reconhecia a qualidade melódica de todas as valsas de José Maria de Abreu.

Rindo, contesta possuir tal máquina e prova sua fácil inspiração através da variedade de um grande repertório onde se contam, igualmente, bonitos sambas e canções. A citação precisa dos trabalhos musicais de tão fértil compositor, quanto exímio pianista, tomaria enorme espaço e é mesmo dispensável por serem os mesmos bastante conhecidos. Gravações inúmeras, feitas por Francisco Alves, Sylvio Caldas, João Dias, Carlos Galhardo, Linda e Dircinha Baptista, Dick Farney, Maria da Graça e tantos outros de nossos melhores cantores, atestam o êxito de todas as músicas do consagrado Rei Zé Maria.

Eternidade das valsas

Autor de centenas de valsas, José Maria de Abreu vê com ceticismo o surgimento de novos ritmos que após rápida voga são esquecidos enquanto as suas bonitas melodias, tais como as dos grandes mestres vienenses, continuam eternas. Não crê também na vitória da bossa nova, a despeito de sua intensa propaganda, por achá-la um simples artifício musical dentro da cadência positiva do samba. Músico autêntico e de boa formação teórica, zela igualmente pela qualidade das letras de suas produções buscando, quando ele mesmo não as faz, parceiros categorizados: Alberto Ribeiro, Oswaldo Santiago, Luiz Peixoto, Jair Amorim e outros do mesmo quilate.

A Canção de Aniversário, réplica brasileira ao Birthday to you que compôs em parceria com Alberto Ribeiro, embora apareça com constante grande vendagem através dos direitos autorais que recebe na UBC, da qual é fundador, dá-lhe, é exato, boa recompensa financeira. Artisticamente, no entanto, tem predileção por todas as suas valsas, pois foram elas, algumas ternas, suaves, outras alegres, festivas, que glorificaram o seu nome trazido humilde e desconhecido de um cineminha de Itapetininga onde a pudicícia de uma prefeita pianista botou-o diante de um teclado que hoje dedilha com virtuosismo.

(O Jornal, 19/5/1963)
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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

quarta-feira, outubro 06, 2010

Ser ou não ser

Dick Farney
Ser ou não ser (samba-canção, 1948) - José Maria de Abreu e Alberto Ribeiro - Intérprete: Dick Farney

Disco 78 rpm / Título da música: Ser ou não ser / Alberto Ribeiro, 1902-1971 (Compositor) / José Maria de Abreu, 1911-1966 (Compositor) / Dick Farney, 1921-1987 (Intérprete) / José Maria e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 24/05/1948 / Lançamento: 07/1948 / Nº do Álbum: 15916 / Nº da Matriz: 1858-R / Gênero musical: Samba canção / Coleções de origem: Robespierre Martins Teixeira, Nirez, Humberto Franceschi, IMS D


Ser ou não ser / Há de ser sempre, sempre / A questão
Ser ou não ser / Meu o teu coração...

Não vês que a indecisão / Me põe assim nesta aflição
E eu desejo conhecer / Se tu és minha ou não...

Ser ou não ser / Ó que dúvida minha, meu Deus
Ser ou não ser / E no entanto são teus

Os sonhos que vivi / E o meu coração
Ser ou não ser / Eis, amor, a questão...



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

terça-feira, setembro 16, 2008

Sempre teu

Dick Farney
Sempre teu (samba-canção, 1949) - José Maria de Abreu e Jair Amorim - Intérprete: Dick Farney

Disco LP 33 1/3 Alta Fidelidade / Título da música: Sempre teu / Jair Amorim (Compositor) / José Maria de Abreu, 1911-1966 (Compositor) / Dick Farney, 1921-1987 (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Gravação: 1959 / Álbum: Atendendo A Pedidos / Nº Álbum: MOFB-3048 / Lado A / Faixa 5 / Gênero musical: Samba-canção



Gravação original de 1949:

Disco 78 rpm / Título da música: Sempre teu / José Maria de Abreu (compositor) / Jair Amorim (compositor) / Dick Farney (Intérprete) / Cópia e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 1949 / Lançamento: 07/1949 / Nº do Álbum: 16083 / Nº da Matriz: 2099 / Gênero musical: Samba canção / Coleção de origem: Nirez

Sempre teu
Eternamente teu
Este amor
É sempre o mesmo amor
Longe, buscando-te aflito

Em pensamento a te chamar
Perto querendo encontrar
Nos olhos meus, teu olhar

Tu não ves, porque não sabes ver
Tu não cres, porque não queres crer
Que ele é teu, todo teu
Para sempre teu
Um desejo que vive em mim
Na saudade que não tem fim

Tu não ves, porque não sabes ver
Tu não cres, porque não queres crer
Que ele é teu, todo teu
Para sempre teu
Um desejo que vive em mim
Na saudade que não tem fim



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Ponto final

Dick Farney
Ponto final (samba-canção, 1949) - José Maria de Abreu e Jair Amorim - Intérprete: Dick Farney

Disco 78 rpm / Título da música: Ponto final / Jair Amorim (Compositor) / José Maria de Abreu, 1911-1966 (Compositor) / Dick Farney, 1921-1987 (Intérprete) / José Maria e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 24/05/1948 / Lançamento: 03/1949 / Nº do Álbum: 16008 / Nº da Matriz: 1857-R / Gênero musical: Samba canção / Coleções de origem: IMS, Nirez


Não me pergunte a razão
Não me atormente demais
Falo por meu coração
Tudo acabou... nada mais.

Sinto muito mulher, mas é tarde
Esta chama de amor, já não arde
Faça de conta que eu

Sou como alguém que morreu
Como a fumaça que passa e se esgarça no ar
No ar.

Uma história incolor foi aquela
Um capitulo a mais de novela
Nossa comédia acabou

Sem aplauso sequer
Quando o pano baixou
Numa cena banal
Pôs se um ponto final ...



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quarta-feira, julho 30, 2008

Um cantinho e você

Dick Farney
Um cantinho e você (samba-canção, 1948) - José Maria de Abreu e Jair Amorim - Intérprete: Dick Farney

Disco 78 rpm / Título da música: Um cantinho e você / Jair Amorim (Compositor) / José Maria de Abreu, 1911-1966 (Compositor) / Dick Farney, 1921-1987 (Intérprete) / José Maria e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 04/06/1948 / Lançamento: 07/1948 / Nº do Álbum: 15916 / Nº da Matriz: 1878 / Gênero musical: Samba canção


Um cantinho e você
Uma rede e o luar
Uma vela a correr
Num pedaço de mar...

Na paisagem tranqüila
Um sussurro
E um beijo depois
Para nós dois...

Basta isso somente
E o que a gente não diz
Para um quadro feliz.

Um sorriso... um olhar...
Um aperto de mão
Todo um sonho a vibrar
Numa linda canção

Felicidade afinal
Vive do pouco que tem
Um cantinho e você
E mais ninguém !

Felicidade afinal
Vive do pouco que tem
Um cantinho e você
E mais ninguém !



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quarta-feira, abril 02, 2008

Brigamos outra vez

Orlando Silva
Brigamos outra vez (fox-canção, 1945) - José Maria de Abreu e Jair Amorim - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Brigamos outra vez / Jair Amorim (Compositor) / José Maria de Abreu, 1911-1966 (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Fon-Fon e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 24/07/1945 / Lançamento: 09/1945 / Nº do Álbum: 12621 / Nº da Matriz: 7882 / Gênero musical: Fox cancão / Coleções de origem: IMS, Nirez


Brigamos outra vez
Já nada mais existe novamente
Brigamos outra vez
Meu sonho foi-se embora de repente

É triste, doloroso, confessar
Que sem a mínima razão
Sofre o coração
As brigas
Vem de intrigas
De quem sofre o mais ridículo rancor
Pelo nosso amor

Brigamos outra vez
Dois sonhos outra vez desmoronaram
Brigamos outra vez
Dois lábios novamente separados

Eu sei que o teu orgulho
Novamente é que nos faz
Viver assim brigando
Por motivos tão banais

Brigamos outra vez
Dos dois
Não sei quem sofre mais!...



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, março 14, 2008

Ainda uma vez

Francisco Alves
Ainda uma vez (fox-canção, 1938) - José Maria de Abreu e Francisco Matoso - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título: Ainda uma vez / Francisco Matoso (Compositor) / José Maria de Abreu, 1911-1966 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 26/08/1938 / Lançamento: 10/1938 / Nº do Álbum: 11645 / Nº da Matriz: 5904 / Gênero musical: Fox canção


Ainda uma vez
Procuro te encontrar
Só para te dizer
Que eu não posso
Que não quero e que não devo
Te olvidar...

Ainda uma vez
Quisera te beijar

Tal qual antigamente
Sob a luz suave
E meiga de um romântico luar

Ainda uma vez
Eu sei que hás de voltar
E então nós ficaremos
Para sempre
Para sempre bem juntinhos

A sonhar
Eu guardo a ilusão
Que ainda me crês
Meu coração alegre diz
Serei feliz
Ainda uma vez



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Solidão

Orlando Silva
Solidão (samba-canção, 1937) - José Maria de Abreu e Francisco Matoso - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Solidão / Francisco Matoso (Compositor) / José Maria de Abreu, 1911-1966 (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 30/06/1937 / Lançamento: 09/1937 / Nº do Álbum: 34202 / Nº da Matriz: 80505-1 / Gênero musical: Samba canção


Quando a caminho da cidade
Te vi
A dor cruel de uma saudade
Senti
E eu chorei na solidão
Sem ter a felicidade
Me alegrando o coração

Hoje vivo só
E triste
O nosso amor recordando

E depois que partiste
Nunca mais eu sonhando
Vi o romance que eu quis
Ser feliz

Quando a caminho da cidade
Te vi
A dor cruel de uma saudade
Senti
E eu chorei na solidão
Sem ter a felicidade
Me alegrando o coração

Dizem que hoje na cidade
Vives com luxo e dinheiro
Tendo a felicidade
De esquecer o Salgueiro
Deixando no meu coração
Solidão...



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quinta-feira, abril 06, 2006

José Maria de Abreu


José Maria de Abreu, compositor, instrumentista e regente, nasceu em Jacareí SP, em 12/11/1911, e faleceu no Rio de Janeiro em 15/11/1966. Iniciou-se na música com o pai, o maestro Juvenal Roberto de Abreu, que lhe ensinou os rudimentos musicais no violão, piano, trompete e violino.


Em 1917, mudou-se com a família para São Paulo SP, e em 1921 para Itapetininga SP. Em 1922 era o primeiro trompete da banda da escola, tendo nessa época composto sua primeira música, o Hino do grupo escolar.

Em 1926 começou a trabalhar na orquestra do Cine Íris, de Itapetininga, tocando trompete, violino e, logo depois, piano. No ano seguinte ingressou na Escola de Farmácia de Itapetininga, abandonando-a logo em seguida para substituir o maestro da companhia de revistas de Otília Amorim, Sebastião Arruda e Abílio Meneses. Ainda em 1927 atuou como maestro no Teatro Boa Vista, em São Paulo, onde passou a viver em 1928, trabalhando como pianista nas casas Sotero e Di Franco. Nesse mesmo ano apareceu uma de suas primeiras músicas gravadas - Recordando (com Salvador de Morais) -, valsa interpretada por Francisco Alves.

Por ocasião da revolução de 1932, compôs o hino Vencer ou morrer, com versos de Ari Kerner. Quando se transferiu para o Rio de Janeiro, em 1933, inscreveu Promessa (com Ari Kerner) num concurso de músicas juninas promovido pelo jornal A Noite, obtendo o primeiro lugar. Logo depois a canção foi gravada por Gastão Formenti.

De 1933 a 1938 atuou como pianista contratado da Rádio Mayrink Veiga e em 1934 escreveu a opereta Sonho Azul, com libreto de Ciro Ribeiro e Raul Sena. Ainda nesse ano tornou-se parceiro de Francisco Matoso, com quem fez alguns dos maiores clássicos do gênero romântico da década de 1930.

Seu primeiro êxito foi também a primeira música da dupla, Boa noite, amor, valsa gravada em 1936 por Francisco Alves, que mais tarde passou a ser prefixo do cantor na Rádio Nacional. Dessa parceria surgiriam ainda outros sucessos, como o samba-canção Fui feliz (1936), a canção Cancioneiro (1936) e as valsas Ao ouvir esta canção hás de pensar em mim (1940) e Horas iguais (1937).

Em 1938 ingressou na Rádio Clube (hoje Mundial) como pianista, tendo feito, nessa época, várias versões de música popular estrangeira. Com a morte de Francisco Matoso em 1941, tornou-se parceiro de Jair Amorim em 1942, com quem, durante dez anos, compôs seus sucessos mais conhecidos, como Um cantinho e você (1948), Ponto final (1949), Alguém como tu (1952) e Sempre teu. Grande melodista, seu slogan era "Rei da Valsa".

Algumas músicas


Obras

Ainda uma vez (c/Francisco Matoso), fox-canção, 1938; Alguém (c/Francisco Matoso), valsa, 1938; Alguém como tu (c/Jair Amorim), samba, 1952; Ao ouvir esta canção hás de pensar em mim (c/Francisco Matoso), valsa, 1940; Boa noite, amor (c/Francisco Matoso), valsa, 1936; Brigamos outra vez (c/Jair Amorim), fox-canção, 1946; Cancioneiro (c/Francisco Matoso), canção, 1936; Um cantinho e você (c/Jair Amorim), samba, 1948; Eu, você e mais ninguém (c/Saint-Clair Sena), fox-trot, 1942; Horas iguais (c/Francisco Matoso), valsa, 1937; Italiana (c/Paulo Barbosa e Osvaldo Santiago), valsa, 1936; Mais uma valsa, mais uma saudade (c/Lamartine Babo), valsa, 1937; Naná (c/Jair Amorim), fox-trot, 1946; Não me pergunte (c/Jair Amorim), samba, 1949; Pegando fogo (c/Francisco Matoso), marcha, 1939; Solidão (com Francisco Matoso), samba-canção, 1937; Torre de marfim (c/0svaldo Santiago e Paulo Barbosa), valsa, 1938; Uma valsa azul (c/Lamartine Babo), valsa, 1944; Valsa da formatura (c/Lamartine Babo), valsa, 1952; Vingança (c/Francisco Matoso), canção regional, 1936; Você de mim não tem dó, toada, 1949.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.