Mostrando postagens com marcador impressao musical no brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador impressao musical no brasil. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, maio 09, 2013

Viúva Guerreiro

Viúva Guerreiro
Viúva Guerreiro (Serafina Augusta Mourão do Vale), pianista e compositora, nasceu em Rio Bonito, RJ, em 09/09/1858, e faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 11/08/1936. Filha do fazendeiro Lino Machado do Vale e de Guilhermina Alves Mourão do Vale, foi criada na Fazenda do Barreado, a maior de Rio Bonito. Começou a estudar piano aos 10 anos de idade.

Em 1883, conhece o português João S. de Oliveira Barreto, comerciante e afinador de pianos, estabelecido na Travessa São Francisco de Paula, hoje Rua Ramalho Ortigão. Pouco tempo depois, casam-se e transferem-se para o Rio de Janeiro.

Dirigiu ao lado do marido a casa Ao Piano de Cristal, loja de pianos, músicas e águas minerais Vichy. Em fins de 1895, o casal viajou para a Europa e, chegando a Nice em pleno carnaval, conheceu o confete prateado e o dourado, que encomendou e lançou no Rio de Janeiro, no carnaval de 1896, com enorme sucesso. Os confetes eram distribuídos em saquinhos vendidos a dois e três vinténs.

Com a morte do marido em março de 1900, assumiu a direção do estabelecimento, começando também a compor e editar suas músicas: valsas, polcas, xotes e mazurcas. Pouco mais tarde, passou a executar para os fregueses composições suas e de outros músicos.

Apresentada por seu irmão Cândido ao magistrado Joaquim Augusto Guerreiro Lima, casaram-se em 1902 e passou a assinar-se Serafina Augusta do Vale Guerreiro Lima. Seguiu administrando Ao Piano de Cristal, compondo e tocando músicas para os fregueses. Por volta de 1909/1910, seu marido veio a falecer, e assim, tornou-se conhecida por Viúva Guerreiro, nome que deu a seu estabelecimento comercial agora situado na Rua Sete de Setembro.

Em 1915, escreveu aquela que se tornaria sua mais célebre composição, a valsa Penso em ti. Dedicou a Rui Barbosa a valsa Supremo mestre, enviando-lhe 100 exemplares em papel acetinado. Rui enviou-lhe um telegrama, agradecendo a homenagem, indo visitá-la pessoalmente alguns dias depois. A Casa Viúva Guerreiro tornou-se ponto de encontro de famosos pianistas e compositores populares como Aristides Borges, Sinhô, Gastão Lamounier, Osvaldo Cardoso de Menezes, Pedro de Sá Pereira, entre outros.

Em meados da década de 1930, a pianista passou a residir em Santa Teresa, onde veio a falecer.

Em 1944, teve a valsa Supremo mestre gravada ao piano por Mário Azevedo na Continental. Em 1946, sua valsa Quando penso em ti foi gravada na Continental pelo pianista Mário de Azevedo.

A Casa Viúva Guerreiro continuou sob a direção de seu sobrinho Fileto Moura, até o fechamento definitivo em setembro de 1962.

Obras

Alma diplomata, Amor tudo vence, Bacurau,Boas festas, Cismando, Coração magoado, Dêem asas ao Brasil, Entre flores, Era uma vez uma menina, Fúlgidas esperanças, Gage d'amour, Meu coração é teu, Minha queridinha, Não te esqueças de mim, Olhar de Maria, Quando penso em ti, Quatro de outubro, Reino dos encantos, Rodolfo Valentino, Secret du Coeur, Sinhá, Sonho das flores, Supremo mestre, Vertigem da paixão, Visão divina.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

sábado, outubro 01, 2011

A impressão musical no Brasil - Última Parte

Rua Henrique Martins - Manaus, Amazonas - 1901/1902.
Belém - Vicente Sales, em artigo publicado na Revista Brasileira de Cultura, nr. 12 (1972), estudou, de forma exaustiva, as “Editoras de música no Pará”, sendo fonte das informações aqui fornecidas.

Deve-se a Carlos Wiegandt, de nacionalidade alemã, a introdução da litografia na capital paraense. Em 1871 abriu oficina que se incumbia, entre outros trabalhos, de gravar também música. O estabelecimento progrediu rapidamente, tornando-se dos mais importantes no Estado.

Outra oficina, contemporânea de Wiegandt, foi a Imprensa Musical de Francisco Costa Júnior, na Travessa Sete de Setembro, mas imprimindo em muito menor escala.

M. J. da Costa e Silva, estabelecido desde cerca de 1860, na Rua dos Mercadores, 458B, começou a publicar música por volta de 1869, mantendo-se até o final do século, foi editor de Henrique Eulálio Gurjão, Clemente Ferreira Júnior e outros compositores paraenses; as peças eram em geral impressas na Alemanha, com chapas numeradas (C.&S. ..).

Em 1886, José Mendes Leite inaugurava Loja na Rua da Imperatriz (depois Rua Quinze de Novembro), 18, e por volta de 1895 já tinha casa editora. Como seu colega Costa e Silva, mandava imprimir em Leipzig, obras de compositores conterrâneos, chegando a publicar, na primeira década deste século, quase duas centenas de peças, todas numeradas (J.M.L. ...). Com o falecimento de Mendes Leite, seu genro, Abílio Antônio da Fonseca, conhecido fabricante de instrumentos de corda, constituiu nova firma, dando à casa o nome de Empório Musical, Travessa Sete de Setembro, 7, loja essa que até hoje se mantém ativa com o filho, Ernâni Leite da Fonseca. Continuou publicando, mas as peças passaram a ser impressas em São Paulo, algumas com chapas numeradas (A. ... F.).

O Bazar Ideal, de L. Santos & Cia., na Travessa de São Mateus (hoje Padre Eutíquio), 4, vendia artigos diversos e imprimiu também na Alemanha quase uma centena de peças com chapas numeradas (Bazar Ideal).

A Livraria Universal, de Tavares Cardoso & Cia., já funcionando em 1868, só começou a publicar músicas no começo do século XX obras de autores paraenses, mandadas imprimir em Leipzig, com chapas numeradas (L.U. ...).

Data da última década do século passado a Livraria Bittencourt, de R. L. Bittencourt & Cia., Rua 15 de Novembro, 15. Como a maioria, publicou principalmente obras de compositores paraenses, sendo as peças impressas em Leipzig e, mais tarde, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Por volta de 1903, já apresentava, na contracapa de suas edições, um Catálogo das obras publicadas pela casa, período de maior produtividade. Alguns anos depois, a firma passou para Bernardino Leite Bittencourt, filho do fundador (nas somente a indicação de Liv. Bittencourt), sempre no mesmo endereço, até quase meados deste século.

Manaus - João Donizetti Gondim, pertencente a conhecida família de músicos cearenses, abriu em Manaus, por volta de 1917, a Casa Editora Donizettí, na Rua Henrique Martins, 6. Publicou até cerca de 1930 principalmente música de salão, inclusive obras suas e de seu irmão Francisco. As peças eram impressas em São Paulo.

Salvador - Várias oficinas litográficas de Salvador imprimiam música em fins do século passado, entre elas Litografia de M. I. D’Araújo, Litografia Jourdan &Wirz, Litografia Moura (Rua do Julião, 13) e a Tipografia de Camilo de Lélis Masson & Cia. (Rua de Santa Bárbara, 3), que publicou em 1863 o Compêndio breve de música teórica, de Manuel Antônio Justo.

A Loja Leão, de Jesuíno Sobrinho & Cia., instalada inicialmente na Praça do Comércio, 39, mudou-se cerca de 1921 para a Rua Conselheiro Dantas, 12, e publicou também música de salão durante toda a década de 1920, mandando imprimir em São Paulo.

Fortaleza - A Casa Editora Ceará Musical, propriedade do professor de música Antônio Mouta, publicou muita música de dança, por volta de 1920, impressa em São Paulo.

Belo Horizonte - Destacam-se o Estabelecimento Musical Carlos Gomes, de Luís Cantagalli, na Avenida Afonso Pena, 769, e, nessa mesma avenida nr. 791, a Casa Faria, ambas publicando música de salão impressa em São Paulo. Na Rua Espírito Santo, 477, há a Casa das Músicas, de Manuel Evaristo de Paula Xavier.

Curitiba - As Edições Attilio D’Aló, na Rua Marechal Floriano Peixoto, publicaram algumas peças de salão entre 1918 e 1921. Hertel Irmãos, na Praça Municipal, 9, tiveram uma produção bem maior, desde cerca de 1919 até 1927.

Porto Alegre - Mariano Mariante & Irmão, estabelecidos na Rua dos Andradas, 465, publicaram também alguma música, entre 1919 e 1927, sempre impressa em São Paulo.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.

domingo, setembro 25, 2011

A impressão musical no Brasil - Parte 7

Ruas 1º de Março e Duque de Caxias - Recife (Pernambuco) - Últimas décadas do séc. XIX.
Recife - Segundo Pereira da Costa (em Estudo sobre as artes em Pernambuco, Revista do Instituto Arqueológico e Geográfico de Pernambuco, nr. 54, 1900), existia, em 1852, uma Imprensa de Música na Rua Bela, 28, que publicou as valsas Madrugada, para piano, Salto, para flauta, e Luisada, para violão. Na mesma época foram publicadas em Recife várias obras didáticas sobre música.

Em 1843 a Tipografia Santos & Cia. imprimia o Tratado científico metódico-prático de contraponto, de Joseph Fachinetti, e da Tipografia Imparcial da Viúva Roma, na Rua da Praia, 55 (calcografia do padre E. J. de Azevedo), saía em1851 o Indicador dos acordos para violão, de Miguel José Rodrigues Vieira. Seis anos depois, Tomás da Cunha Lima Cantuária, músico e compositor, publicava sua Pequena arte de música. Antônio José d’Azevedo, com oficina litográfica na Rua Nova, 11, imprimiu também, nas últimas décadas do século passado, alguma música de salão.

Ainda no final do século XIX, Victor Préalle, que até 1870 tivera loja de música no Rio de Janeiro, deixou o negócio com Henri Préalle e transferiu-se para Recife, abrindo loja na Rua do Imperador, 55. Continuou imprimindo músicas com chapas numeradas (cerca de 260), em grande maioria peças de Misael Domingues, compositor alagoano. A firma passou então para Préalle & Cia. suc. de Victor Préalle, no mesmo endereço, mudando-se mais tarde para Rua Barão da Vitória, 59.

Em 1899 já tinham imprimido cerca de 390 chapas, na maioria de compositores brasileiros, além de Misael Domingues, Euclides Fonseca, Antônio Rayol, Antônio Henrique Albertazzi, Francisco Libânio Colás e outros. No final da década de 1910 estavam com loja na Rua Floriano Peixoto, 115.

Eduardo Paiva abriu Loja de Pianos, Instrumentos, Músicas e Artigos Diversos, na Rua Nova (hoje Rua Barão da Vitória), 13. Em 1913 iniciou a publicação de músicas, muitas delas impressas em Leipzig, Alemanha, e mais tarde em Recife e São Paulo. As primeiras peças eram todas de Alfredo Gama. Na década de 1920, mudou-se para a Rua das Laranjeiras, 58, como Casa Paiva, imprimindo muito pouco.

Em 1916 abriu-se a Casa Ribas de Artur & Ribas, na Rua da Imperatriz, 173. Três anos depois Artur Aroxa estava sozinho na firma e publicando muita música de salão de compositores brasileiros, que mandava imprimir em São Paulo. As edições não eram numeradas, mas a produção era abundante. Em 1920, eram representantes da Casa Bevilacqua do Rio de Janeiro, e até 1930 continuavam publicando.

Azevedo Júnior & Cia., com Casa de Música na Rua da Imperatriz, 185, imprimiu muita música de salão na década de 1920 até cerca de 1935. Em 1940 a casa continuava no mesmo endereço, mas a firma passara a Cirne & Irmãs.

A Secção de Música, de Dantas Bastos & Cia., na Rua Sigismundo Gonçalves, 95, iniciou por volta de 1929 a publicação da Edição musical mauricéia, sob a direção do compositor Nelson Ferreira, autor da maioria das obras publicadas. No ano seguinte, foi comprada pela Casa Parlophon, de M. G. Martins, continuando no mesmo endereço.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.

A impressão musical no Brasil - Parte 6

Casa Levy Pianos em uma foto de 1870  - Rua XV de Novembro - São Paulo
São Paulo - Em meados do século passado, começaram a surgir em São Paulo as primeiras músicas impressas nas oficinas de Gaspar & Guimarães (1863), Henrique Schroeder (1865), José Maria dos Santos (1869) e Jules Martin (Rua São Bento, 37), mas só mais tarde, no final do século, surgiu um serviço regular de impressão de músicas, com a firma Levy Filhos.

Henrique Luís Levy, francês de nascimento, vendedor de jóias e clarinetista, veio para o Brasil em 1848 e, em sua vida de vendedor, fizera amizade com a família de Carlos Gomes, em Campinas SP, participando de vários concertos e tendo mesmo acompanhado o compositor em sua primeira viagem à capital do Estado, em 1859. No ano seguinte abriu loja para venda de jóias, na Rua do Rosário, 2, passando logo a vender também músicas. Foi precursor nesse ramo de negócios com Jean-Jacques Oswald, que em 1857 abriu o Depósito de Pianos e Músicas da Rua da Casa Santa (hoje Rua Riachuelo), 10.

Em 1868, porém, Oswald retirou-se com a família para a Europa, onde seu filho Henrique Oswald deveria completar seus estudos de música. Henrique Luís Levy associou-se, em 1864, ao compositor Emílio Eutiquiano Correia do lago, mas quatro anos depois estava desfeita a sociedade, continuando ele com o Depósito de Pianos, Músicas e Instrumentos, até 1891, na Rua da Imperatriz (hoje Rua Quinze de Novembro). A firma passou então para seus dois filhos, Luís Levy e Alexandre Levy, ambos pianistas e compositores. Levy Filhos começaram a publicar regularmente música, com chapas numeradas (L. ... F.). Não tinham chegado ainda a uma centena, quando a firma mudou para L. Levy & Irmão, com chapas (L. I).

Em 1892, morreu prematuramente Alexandre, o mais talentoso como compositor, sendo que seu pai sobreviveu a ele ainda quatro anos. Com a morte do irmão, Luís assumiu a direção da Casa Levy, continuando a publicar principalmente obras suas e de seu irmão Alexandre, música sertaneja, de dança, hinos, marchas etc., sempre na Rua da Imperatriz, atingindo mais de 400 as peças publicadas até o final da década de 1920. A casa Levy funciona até hoje, mas só para venda de músicas e instrumentos, tendo-se mudado da Rua da Consolação, 381, onde se achava até 1974, para a Rua Azpilcueta, 547, sendo de propriedade dos Irmãos Vitale.

Antônio Di Franco, italiano, tinha, no início da década de 1910, um estabelecimento musical na Rua São Bento, 59, com representação de várias editoras européias, entre elas Schott Frères (Bruxelas, Bélgica) e A. Gaizelli (Paris, França), e imprimia músicas em oficina própria, com chapas numeradas (A.D.F. ...). Publicou um Catálogo e por volta de 1919 já contava com mais de 700 peças impressas.

Em 1921 comprou, com o sócio Francesconi (Di Franco & Francesconi), o Estabelecimento Musical Santa Cecília, na Rua Sebastião Pereira, 21, que vendia, principalmente, instrumentos, e pertencera de 1918 a 1920 a Castagnoli & França. Este imprimia também uma dezena de peças numeradas (C ... F.), sendo sucedido por José França, que continuou a imprimir (J. ... F). A sociedade Di Franco & Francesconi teve pouca duração, continuando com Di Franco & Cia. Por volta de 1922, com a morte do proprietário, encerrava suas atividades.

João Campassi, gravador italiano que viera para o Brasil a chamado de A. Di Franco, estabeleceu com o sócio Pedro Angelo Camin a firma Campassi & Camin — Casa Editora Musical Brasileira (C.E.M.B.), na Avenida Brigadeiro Luís Antônio (1914). Em 1919 adquiriu a Casa Sotero, então localizada na rua Líbero Badaró. Mudaram pouco depois para a rua Direita e mais tarde para a rua São Bento. Fundaram filiais em Santos SP, Rio de Janeiro RJ e Araraquara SP, mas a crise de 1929 obrigou a liquidação desses estabelecimentos. Posteriormente, um grande desfalque praticado por empregados de confiança provocou a concordata da firma em 1933.

Com o objetivo de ajudar a viúva de Di Franco, de quem era parente, constituiu, com parte do acervo original, a Casa A. Di Franco, na Rua São Bento, 50, para venda de instrumentos e músicas, funcionando como redação da revista ilustrada Anel (1923-1929), dirigida inicialmente por Antônio de Sá Pereira, periódico informativo e noticioso sobre o movimento, não apenas musical, mas também de “teatro, arte, literatura e atualidades sociais”.

Contemporâneo de A. Di Franco, o Estabelecimento Musical Sotero de Sousa Ed., na Rua Libero Badaró, 135, iniciou, por volta de 1915, a publicação de músicas, com acentuada preferência pela música sertaneja, canções populares, operetas etc., todas as peças com chapas numeradas (S. ... S.), quase 200. Em 1920, a casa entrou em liquidação e foi em parte comprada por Campassi & Camin — Grande Estabelecimento Musical Campassi & Camin (antigo Sotero de Sousa), mantendo-se depois o nome de Casa Sotero, na Rua Direita, 47. Quatro anos mais tarde já tinha filial em Santos.

Em outubro de 1928 publicaram o 22 Catálogo de música (peças com chapas numeradas até 3.530). Entre 1927 e 1929 tiveram uma filial no Rio de Janeiro, na antiga Rua República do Peru, da qual foi gerente Eduardo Souto. Publicaram, além de métodos e obras didáticas, vasto repertório de música para piano, violino, canto, música de dança, as conhecidas coleções Cine-orquestra e Brasil-orquestra, com repertório para pequenos conjuntos instrumentais, e a Biblioteca pianística, coleção de peças para piano revistas por Luigi Chiaffarelli, Agostino Cantú e Outros.

Em 1920 a firma enfrentou sérias dificuldades financeiras, passando a ser propriedade de Agostino Cantú. No ano seguinte os endereços eram Rua Direita, 37, e São Bento, 42. Em 1932 o Catálogo C.E.M.B. passou para as Edições Musicais Derosa — Rua Álvaro de Carvalho, SA. Continuaram a publicação de peças, seguindo a mesma numeração, primeiro com as iniciais (E.d.R. ...) e mais tarde (D. ... R.). Em 1934 a numeração das chapas era cerca de 5.100 e em 1937 ia a té cerca de 5.280. Por volta de 1940 passou para Impressora Moderna Ltda.— IML., no mesmo endereço, continuando a impressão de músicas, com obras de Agostino Cantú, Fabiano Rodrigues Lozano, Francisco Mignone e outros, atingindo por volta de 5.500 peças. Vendida depois para a Editora Lítero-Musical Tupi 5/A — Rua Sete de Abril, 176, hoje é propriedade das Casas Editoras Musicais Brasileiras Reunidas CEMBRA Ltda., na qual os Irmãos Vitale têm participação.

Em meados da década de 1910, o compositor Francisco Russo imprimia alguma música em sua loja, Casa Ítala, na Rua do Arouche, 30. Por volta de 1919 instalou-se na Rua General Carneiro, 30, mudando o nome da loja para Casa Mignon, como sucessora do Estabelecimento Musical Pietro Mascagni, de propriedade de Attilio Izzo (imprimira cerca de 10 peças numeradas A. ... I.). Em 1920 mudou-se para a Rua Libero Badaró, onde vendia instrumentos e música. Em 1921 mudou o nome da firma para Francisco Giunta Russo e no ano seguinte montou oficina própria para impressão de músicas, mudando novamente o nome da casa para Casa Wagner (antiga Casa Mignon). As peças eram numeradas (C. ... W.). De 1951 em diante, a firma passou para Evaldo Mário Russo — Casa Wagner, e de 1954 até hoje Casa Wagner Ed. Ltda., tendo-se mudado em 1960 para a Rua Barão de Itapetininga, 207/2 andar. Imprimem principalmente material didático, peças para piano (principiantes), acordeão, violão e cantos escolares.

A Casa Manon de Facchini & Zanni, na Rua do Carmo, 20, imprimia desde 1918 alguma música de salão. Em 1920 mudaram-se para a Rua Boa Vista, 48. De 1948 em diante, têm publicado principalmente música para acordeão e métodos para instrumentos. De 1955 em diante o endereço passou a ser Rua Vinte e Quatro de Maio, 242.

Pedro Tommasi, com Estabelecimento Musical na Rua Boa Vista, 55, desde 1918, começou a publicar música em 1920, mantendo-se durante alguns anos, mas com produção reduzida.

Em setembro de 1923 Vicente Vitale iniciou atividades em São Paulo, começando no ano seguinte a publicação de música popular nacional e estrangeira. Associando-se a seu irmão Emllio, logo depois incorporaram-se os outros irmãos: João, Afonso e José, formando a Empresa Editora Musical Irmãos Vitale, na Rua Conselheiro Ramalho, 187. Em 1931, estenderam o âmbito de suas publicações com a compra da Edição Brasília de Nicollini e Pó, incluindo obras de Johann Sebastian Bach (1685—1750), Ludwig van Beethoven (1770—1827), Frédéric Chopin (1810—1849) etc. Tiveram inicialmente como orientador musical o compositor Lorenzo Fernandez, responsável pela Edição cosmos — com finalidade didática, compreendendo obras de compositores brasileiros e estrangeiros, Edição Panamérica e Edição Orfeu — uma seleção de obras corais de autores brasileiros.

Atualmente a direção artística da editora está entregue ao maestro Sousa Lima, e o Catálogo da empresa compreende obras de compositores estrangeiros, mas com acentuada preferência pelos autores brasileiros, dentre eles Heitor Villa-Lobos, Francisco Mignone, Lorenzo Fernandez, Barroso Neto, os irmãos Levy, Sousa Lima, Dinorá de Carvalho, Osvaldo Lacerda, Manos Nobre, Almeida Prado e outros.

Outras séries publicadas: Edição métodos, Edição álbuns, Edição orfeão, Edição violão, Edição musarmônio etc. Cada série com numeração independente: Música popular do nr. 1 até 1.000 e depois de 2.000 até aprox. 20.000. Em 1970 publicaram um Catálogo geral de música popular brasileira (125 p.), tendo incorporados os catálogos: Brasil-ritmos Vitale e Catálogo Ernesto Augusto de Matos, com obras de Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Pixinguinha, Patápio Silva etc. O repertório de música estrangeira e obras de Villa-Lobos, Mignone etc.: do nr. 1.000 até 2.000, continuando de 20.000 em diante.

Periodicamente publicam um Guia temático com as peças dos programas dos conservatórios, classificadas por ordem de dificuldade, e em 1973, comemorando 50 anos de atividade editorial, publicaram um Suplemento Vitale, além dos catálogos de material didático, instrumental etc., publicados regularmente. Desde 1942 dispõem de loja para venda das Edições Vitale na Rua Direita, 115 — Casa Bevilacqua, adquirida da firma J. Carvalho & Cia., que havia sido representante das Ed. Bevilacqua em São Paulo.

Em 1926 a Ed. Ricordi, de Milão, Itália, abriu filial em São Paulo, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio — G. Ricordi & Cia., pondo à disposição do público vários catálogos, notando-se a predominância de material didático. Em Catálogo publicado em abril de 1929, já figuravam os seguintes compositores brasileiros: Barroso Neto, Agostino Cantú, Lorenzo Fernandez, Paulo Florence, Luciano Gallet e Henrique Oswald.

Criada a Ricordi Americana, na Argentina, voltaram- se para o Brasil no intuito de desenvolver a produção do país, fundando em 1943 a Ricordi Brasileira S/A— E.C., atualmente com endereço na Rua Conselheiro Nébias, 1.136. A orientação da editora continua a mesma, como se observa do Extrato do catálogo geral de 1973 (102 p.), com predominância de compositores brasileiros contemporâneos, entre os quais Francisco Mignone, Osvaldo Lacerda, Ernst Mahle, Almeida Prado, Camargo Guarnieri, Rufo Herrera, Gilberto Mendes, Guerra-Peixe, José Siqueira, Ernst Widmer, Cláudio Santoro, Kilza Setti, Breno Blauth, Marlos Nobre e Bruno Kiefer.

Por volta de 1928, I. Chiarato & Cia. Ed., na Rua Santa Efigênia, 28, iniciaram a publicação de peças para piano, canto e violino (Biblioteca violinística brasileira), na maioria de compositores paulistas ou radicados em São Paulo, cerca de uma centena de peças numeradas (I.C. ...). Em 1930 L. G. Miranda comprou a firma mantendo o nome de Casa Chiarato (mesmo endereço), ano quem que já haviam publicado pelo menos três pequenos folhetos, como catálogos. Responsáveis pelo lançamento da quase totalidade das obras sobre música de Mário de Andrade, demonstravam grande interesse também pela produção musical contemporânea, tendo em estoque, para venda, obras de Darius Milhaud (1892—1974), Paul Hindemith (1895—1963), Igor Stravinsky (1882—1971), Vittorio Rieti (1898—), entre outros. Em 1931 mudaram-se para a Avenida São João, onde continuaram publicando música até cerca de 1935.

Estevam Sciangula Mangione, de nacionalidade italiana, chegou ao Rio de Janeiro em 1927, vindo da Argentina. Iniciou atividades com um balcão para venda de músicas em conjunto com André Barbosa & Cia., associando-se depois a Luís Gonzaga (filho de Chiquinha Gonzaga), no primeiro andar da Rua da Carioca, 55, com a firma Estevam S. Mangione, que iniciou a publicação de músicas, mas ainda sem oficina própria. Em 1930 tentaram, sem sucesso, a instalação de uma gráfica, e desde 1927 possuíam a loja A Melodia, na Rua Gonçalves Dias, 40. O endereço passou a ser depois Rua do Ouvidor, 160/1o. andar.

Nessa ocasião vieram para São Paulo, onde se instalaram na Rua da Liberdade, 96, com escritório, residência e oficina. Francisco Mignone foi o primeiro orientador e conselheiro musical da firma, além de se incumbir da revisão das peças. A firma, então E. S. Mangione, assim se manteve até 1944, quando passou a Editorial Mangione Ltda. Música popular brasileira foi o que predominou inicialmente na produção da editora, além de material didático, algumas obras de Francisco Mignone, João Baptista Julião, Radamés Mosca etc. Em São Paulo alugaram loja de música com J. Paulo Cristóval — Casa Beethoven — Rua Direita, 25 (de 1935 a 1942), para venda do material publicado.

Desde 1934 são os editores autorizados, mediante contrato, para impressão das obras do Catálogo E. Bevilacqua, mantendo idêntica situação com o Catálogo da Casa Viúva Guerreiro. De 1952 a 1968 passaram a Sociedade Anônima Mangione e depois Mangione e Filho Sociedade Coletiva. A produção da casa até hoje atinge cerca de 2.600 peças (numeração iniciada em 10.000, portanto 12.600), mais o acervo de música popular — cerca de 6.400 peças.

Bandeirante Editora Musical Ltda., Rua do Seminário, 165 / 2o. andar, iniciou atividades por volta de 1945, publicando música popular brasileira, repertório de acordeão e material didático, orientação que manteve até 1972, quando passou à propriedade da Fermata do Brasil. A produção ultrapassa 6.000 peças.

Enrique Lebendiguer, de nacionalidade polonesa, chegou ao Rio de Janeiro, vindo de Buenos Aires, Argentina, onde era sócio de Brenner nas Ediciones Internacionales Fermata — FBA. Colaborou inicialmente com as Edições Musicais Rio, Praça Marechal Floriano, 55, entrando mais tarde de sócio e acabando proprietário da editora. Em 1950 veio para São Paulo, iniciando publicação de música popular brasileira e estrangeira. Em 1966 comprou a Editora Santos Dumont, de Mário Zan, e em 1968 tornou-se proprietário do Catálogo Ed. Artur Napoleão, publicando, nesse mesmo ano, um extrato do referido catálogo, com as obras de autores brasileiros. 

Em 1972 comprou a Bandeirante Editora Musical Ltda., formando, com várias outras editoras menores de música popular, o Grupo Editorial Fermata. A aquisição do Catálogo Ed. Artur Napoleão constituiu para a editora um apreciável enriquecimento de acervo, pois até então dedicavam-se quase exclusivamente à publicação de música popular. 

 Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.

quinta-feira, setembro 01, 2011

A impressão musical no Brasil - Parte 3

Rua Direita - Rio de Janeiro (RJ) - Segunda metade do século XIX
Com vinte e pouco anos, chegava ao Brasil, na década de 1830, Rafael Coelho Machado, português do arquipélago dos Açores, compositor e professor, que teria participação de destaque no meio musical, desenvolvendo intensa atividade. Diante da escassez de obras didáticas de música, passou a traduzir vários métodos para os instrumentos mais em voga na época: Hünten (piano), Devienne (flauta), Alard (violino), Carcassi (guitarra).

Em 1842 publicou o primeiro Dicionário musical em português (Tipografia Francesa), com uma segunda edição aumentada em 1855 (Tipografia Brito e Braga), e no ano seguinte o Método de afinar piano. Em 1851 um Tratado d’harmonia e logo a seguir o ABC musical tornaram-se muito populares, com inúmeras edições. Em 1847 era dono de um depósito de pianos, com oficina, afinador etc., na Rua da Ajuda, 16, e no sobrado n 25, anteriormente ocupado por H. Vaguer Frion.

De 1849 a 1853, instalou-se na Rua dos Ourives, 43, com a firma Rafael & Cia., sucursal de Schmidt, na loja que havia pertencido ao antigo e conhecido fabricante de pianos na corte e que entre 1835 e 1838 funcionava na Rua do Ouvidor, 162. Foram publicadas, entre outras, as coleções Bouquet dos pianistas, Saudades da Norma, Recordações italianas e Álbum de canto.

Em 1854, associou-se a H. Vaguer Frion, estabelecido na Rua dos Ourives, 61, mas a sociedade (Frion e Rafael) se desfez dois anos depois, com a saída de Rafael. Em outubro de 1856, abriu o Novo Depósito de Música e Pianos, na Rua da Quitanda, 43, onde ficou até 1867.

Em 1869, Narciso José Pinto Braga arrematou seu acervo, a essa época instalado na Rua do Ouvidor, 33. Na fase final, publicou ainda Ilustração dos pianistas, Bouquet dos bailes, Grinalda brasílica  — álbum de modinhas com poesias de Gonçalves Dias e outros (1859), Urânia ou Os amores de um poeta   — álbum com poesias de Gonçalves de Magalhães (1863), e Periódico de Música Marcial (1865). A Rafael Coelho Machado deve-se ainda a publicação da primeira ópera de Carlos Gomes, A noite do castelo, em reduções de sua autoria, para canto-piano e piano só.

Honório Vaguer Frion foi representante de pianos ingleses, com loja e oficina de consertos no sobrado da Rua do Cano, 54, e a partir de 1848, na Rua dos Ourives, 61. Depois de desfeita a sociedade com Rafael Coelho Machado, em 1857 embarcou para a Europa, para tratar dos interesses da firma, deixando como responsável Auguste Baguet, conhecido diretor de orquestra de dança e compositor de música ligeira, que já tivera loja de música na Rua do Cano, 146 (1844- 1856).

Com a volta de Frion em 1859, Baguet foi despedido da firma e abriu por conta própria, na Rua da Ajuda, 6 (1861-1878), uma Imprensa Musical dos Artistas, com o repertório de famosa casa de espetáculos da Rua da Vala, Alcázar Lírico. A loja da Rua dos Ourives passou depois para Maximiliano von Sydow, professor de piano. Em 1869, Sydow & Cia., suc. de H. V. Frion, mudaram-se para a Rua da Ajuda, 42, continuando a publicar entre outros, Pérolas e diamantes (1859), Álbum de modinhas (1867) etc.

Bento Fernandes das Mercês, conhecido copista e cantor da Capela Imperial, foi professor e diretor de um conservatório de música, tendo sido responsável pela preservação de parte do patrimônio musical legado pelo padre José Maurício Nunes Garcia, de quem foi um dos mais assíduos copistas e colecionador de obras.

Desde 1848, vendia música em sua residência, na Praça da Constituição, 15, “em frente ao Teatro”, e em 1852 instalou-se no na 19 da mesma praça, com a firma Mercês & Cia. — Impressores de Música e Editores. Nesse mesmo ano publicou o romance de João Vítor Ribas Guanabara e associou- se a Salmon, mudando-se para a Rua da Assembléia, 86, com o nome de Imprensa Salmon & Cia. e Copistaria de Música, de curta duração, pois logo em 1853 a firma passou a Salmon & Cia. Sucessores de P. Laforge, na Rua dos Ourives, 60.

Teotônio Borges Dinis, cantor da Capela Imperial, com copistaria instalada, em 1854, na Rua de São José, 42, mudou-se para a Praça da Constituição, 34 (depois para o na 11), onde continuou imprimindo música até 1858, tendo publicado As flores da primavera (1854- 1855), Nova coleção de valsas, polcas e schottischs e Aurora das pianistas (ambas de 1855), Divertimento noturno (1856), Lira do trovador (1856-1857), da qual saíram mais de 70 peças, com frontispício em belo trabalho litográfico, Ilustração musical (1857-1858) e outras.

Em 1858 a loja passou para os sucessores de T. B. Dinis, com o nome de Imperial Estabelecimento de João Pereira da Silva, que a manteve até 1862, quando José Maria Alves da Rocha a adquiriu, formando com um sócio a firma Rocha & Correia, que durou apenas um ano. Rocha continuou os negócios sozinho de 1865 a 1868, sempre no mesmo endereço, e formou nova sociedade em 1869, Rocha & Othon Frederico.

Todas as peças impressas por T. B. Dinis levavam número de chapa (T.B.D. ...) e muitas delas eram datadas, o que era novo na época. J. M. Alves da Rocha continuou a numeração, apenas retirando as iniciais. Entre as coleções publicadas figuram Lira brasileira (1863-1864), Folhas e flores e Flores do baile.

Em 1853, Severino, Magallar & Banchieri instalaram-se na Rua do Ouvidor, 116, antiga Casa Luraghi, que funcionara nesse endereço desde 1843, com comércio de música. A nova firma especializou-se em instrumentos de música para banda e orquestra, bem como instrumentos de óptica, física e matemática. Em 1855 Banchieri saiu da firma, ficando Severino & Magallar.

Nessa época, iniciaram a publicação de uma coleção de escalas e vários métodos para instrumentos de sopro: Niessel (cometa e pistões), Schiltz (saxhorne) e ainda outro para oficlide, todos em tradução e impressão da casa, com chapas numeradas (S.& M. ...). Alexandre Magailar era professor de trompa, trompete e trombone, e com sua morte em 1857 a firma passou a se chamar Severino e Sousa, em 1863 Moreira e Severino e de 1864 a 1869 João de Sousa Moreira.

Na loja de Salmon & Cia., na Rua dos Ourives, 60, João Jacques Soland de Chirol, “professor do Conservatório de Paris”, dava aulas de piano desde 1853. Em 1857 já possuía loja com sobrado na Rua do Ouvidor, 92, e em 1860 iniciou a publicação da Gazeta Musical do Brasil jornal científico, crítico e literário, com correspondentes do Rio Grande do Sul, Bahia e Pernambuco. Segundo anúncios publicados no Jornal do Comércio, saia aos domingos e vendia-se a princípio em sua Loja de Música e Piano Depósito Geral da França e da Itália, na Rua da Ajuda, 16, e depois na Praça da Constituição, 58, para onde se mudou em setembro do mesmo ano.

Além da parte musical, com peças para piano e para canto — transcrições de trechos de óperas, música de dança etc. — cada número vinha acompanhado de noticiário e crítica sobre o movimento musical na Europa, incluindo comentários sobre a vida musical no Rio de Janeiro, as companhias líricas atuantes e, na edição de 29 de julho de 1860, uma biografia do padre José Maurício Nunes Garcia, seguida, em outro número, de uma notícia sobre Carlos Gomes. Em 1862 a loja passou para Lagos & Cia., no mesmo endereço, e J. C. Meireles, de 1864 a 1869, quando Narciso José Pinto Braga adquiriu o acervo.

Januário da Silva Arvelos, “filho de um dos mais célebres compositores de música, mestre de S.M. o Sr. D. Pedro I”, como ele freqüentemente se intitulava em anúncios publicados nos jornais, tinha o mesmo nome do pai, compositor de grande prestígio no tempo de D. João. Arvelos (filho), nascido em 1836, foi compositor de música de salão, com vasto repertório de modinhas e lundus. Dedicou-se também ao magistério e em 1859 publicou um Novo método repentino dos primeiros elementos musicais

Em princípios da década de 1860, na Rua da Assembléia, 1258, começou a imprimir música, inclusive suas próprias composições. Foram publicadas, entre outras, as coleções Conselheiro das damas (1 série — 1861-1862, 2 série — 1869), especializada em modinhas brasileiras e música de salão, Recreio das famílias, A ninfa do Amazonas (1865-1866) e As flores da Pátria (1869), quando encerrou suas atividades como editor de música, vendendo o acervo para Narciso José Pinto Braga. 

Victor Préalle, estabelecido de 1851 a 1859 com oficina de consertar e afinar pianos na Rua de São José, 21, em 1860 abriu loja na Rua da Ajuda, 6, que passou a ser ocupada no ano seguinte por Auguste Baguet. De 1861 a 1870, em seu novo endereço na Rua do teatro, 17, Préalle publicou peças com chapas numeradas (V.P. ...). Em 1871 seguiu para Recife, onde abriu loja no mesmo ramo, deixando no Rio de Janeiro Henri Préalle, que o substituiu na loja, estendendo o negócio também ao n. 15 da mesma rua (de 1878 a 1887) e continuando a numeração do antecessor com suas iniciais (H.R ...) ultrapassou uma centena de peças publicadas, muitas de autores brasileiros. 

Tiago Henrique Canongia, com duas gerações de antepassados músicos (pai português e avô catalão), foi professor de música e diretor de orquestra de salão. Em 1866 inaugurou uma loja de pianos e música, Lira d’Apoio, na Rua do Ouvidor, 111, “com distribuição da polca do mesmo nome no recém-aberto estabelecimento”. Publicou mais de 400 peças, com chapas numeradas. 

Com a morte de Canongia, a firma em 1872 passou para a Viúva Canongia & Cia. — Estabelecimento de Músicas, Águas Minerais, Roupas etc., no mesmo endereço. Em 1877 transferiu-se para o n 103 da mesma rua e em 1881 passava a Viúva Canongia & Filho. Até 1872 publicou Éden musical, Novo álbum de piano e canto e Estrelas de ouro. Pela Viúva Canongia, foram editadas Flores brasileiras, Álbum de música de piano, Coleção de tangos e havaneras etc. Henrique Alves de Mesquita, Joaquim Antônio da Silva Callado, Manuel Joaquim Maria, Aníbal Napoleão e Chiquinha Gonzaga foram alguns dos compositores com obras publicadas. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.

A impressão musical no Brasil - Parte 4

Casa Narciso & Arthur Napoleão. Rio de Janeiro, 1878.
Em 1835 chegou ao Brasil, vindo de Gênova, Itália, Isidoro Bevilacqua, e a 7 de setembro de 1846 abriu com Milliet-Chesnay um Armazém de Pianos e Música, na Rua dos Ourives, 52, e sobrado do n. 53, onde morava, dedicando-se ao ensino de piano e canto e também vendendo músicas.

Em 1848 tinha instalado uma oficina no sobrado, “dirigida pelo hábil fabricante de pianos José Estêvão Napoleão Le Breton”, que se dizia discípulo de Ignaz Joseph Pleyel (1757—1831). No ano seguinte tentou instalar indústria de pianos na Rua Princesa dos Cajueiros, com a ajuda de técnicos estrangeiros, mas o projeto fracassou e ele continuou com o Armazém até 1857, quando deu sociedade a seu antigo empregado, Narciso José Pinto Braga.

Bevilacqua & Narciso começaram a imprimir modinhas, lundus e música de salão de autores da época, como Joseph Ascher (1829—1869), Ignace Leybach (1817—1891), Alexandre Édouard Gloria etc, em coleções intituladas As brasileiras — coleção de modinhas, Álbum de modinhas, Lundus para piano e canto, Lira dos compositores e outras, com chapas numeradas (B.& N. ...). Datam dessa época, entre outras, as edições das primeiras composições de Artur Napoleão, que, como jovem pianista, visitava freqüentemente o Brasil e de quem Narciso era grande amigo, bem como os ensaios em composição de Francisco Alfredo, filho primogênito de Isidoro, que veio a ser professor de piano do então I.N.M.

Desfeita a sociedade com Narciso em 1865, com um total de uma centena de peças publicadas, Isidoro continuou imprimindo (I. Bevilacqua), mas já sem numeração, e em 1875 mudou-se para o n. 43 da mesma rua. Continuou as coleções iniciadas e mais Novo álbum de modinhas brasileiras, Álbum de canto italiano, Álbum de canto francês, Choix de romances françaises et italiennes, Colar de pérolas, Flores do baile, Pérolas e diamantes, Sucesso da dança etc.

Em 1879 o filho caçula Eugênio, assessorado pelo primo Ângelo Bevilacqua, assumiu a gerência do estabelecimento, dando grande impulso à imprensa de música, equipando as oficinas, tanto a de impressão como a de consertos de piano, com a mais moderna aparelhagem. Por volta de 1890, começaram a numerar novamente suas edições, partindo de 1.000, tendo sido republicadas e numeradas muitas das peças anteriormente impressas.

Em setembro de 1880, inauguraram o Salão Bevilacqua com uma festa a Carlos Gomes, concerto do qual participaram Alfredo Bevilacqua, Vincenzo Cernicchiaro e Marengo. Em 1888 publicaram um folheto em tiras desdobráveis, Miniatura musical, com seis peças para piano de compositores nacionais e estrangeiros e uma relação de obras impressas pela editora, uma espécie de prévia ao Catálogo geral das publicações musicais de E. Bevilacqua & Cia. (62 p.), que editaram em 1900, com as obras classificadas por instrumentos e por gêneros, inclusive obras didáticas, métodos etc., cada item acompanhado do respectivo número de chapa, num total de 4.446 peças.

Em 1890 haviam aberto filial em São Paulo, na Rua São Bento, 14A, e em 1892 Eugênio e Ângelo entraram como sócios da firma, que, por morte de Isidoro, em 24 de janeiro de 1897, passou a E. Bevilacqua & Cia., com o lema “Labor omnia vincit”.

De 1904 a 1908 publicaram A Renascençarevista mensal de letras, ciências e artes, tendo por diretores Rodrigo Otávio e Henrique Bernardelli, e apresentando um suplemento musical com peças só de compositores brasileiros (saíram 52 números). Em 1905, com a abertura da Avenida Rio Branco, mudaram-se para a Rua do Ouvidor, 151, e dois anos depois morreu Eugênio Bevilacqua.

Em 1911 a firma passou para o n. 187 da mesma rua e em 1913 para o n. 145, quando foi publicado mais um Catálogo das edições Bevilacqua (82 p.), reunindo cerca de 7.000 peças. Além da filial em São Paulo, possuíam agências em Juiz de Fora MG, Porto Alegre RS e Recife PE.

Em 1912, a filial de São Paulo mudara-se para a Rua Direita, 17, e em 1924 foi vendida a J. Carvalho & Cia., continuando a loja até hoje com o nome de Casa Bevilacqua, mas desde 1941 de propriedade dos Irmãos Vitale. A matriz do Rio de Janeiro, que passara por sérias dificuldades, sob a direção de Eduardo, filho de Eugênio, em 1925 estava com a Viúva Bevilacqua no n. 115 da Rua do Ouvidor, tendo encerrado suas atividades em 1929. No ano seguinte o Catálogo Bevilacqua foi vendido a A. Tisi Neto, que o arrendou a E. S. Mangione, para continuar a impressão das peças.

Em 1941 Adélia Bevilacqua, filha de Eugênio, recuperou a propriedade do Catálogo, mantendo Mangione & Filhos como editores autorizados. No referido Catálogo, constata-se uma presença equilibrada de compositores estrangeiros e brasileiros, entre os quais Carlos Gomes, Leopoldo Miguez, Ábdon Milanez, Alberto Nepomuceno, Henrique Oswald, Francisco Braga, Barroso Neto, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e outros autores de música popular, num total de mais de 70.

Eis a concordância aproximada das chapas das edições Bevilacqua com as respectivas datas (chapas 1.000 a 2.499, com muitos números rasurados, substituídos (dificultando a identificação das datas). de 1890 em diante:

2.500 a 2.655 (1890) 5.965 a 6.136 (1906)
2.656 a 2.797 (1891) 6.137 a 6.324 (1907)
2.798 a 2.955 (1892) 6.325 a 6.489 (1908)
2.956 a 3.116 (1893) 6.490 a 6.604 (1909)
3.117 a 3.244 (1894) 6.605 a 6.670 (1910)
3.245 a 3.432 (1895) 6.671 a 6.861 (1911)
3.433 a 3.681 (1896) 6.862 a 7.059 (1912)
3.682 a 3.896 (1897) 7.060 a 7.240 (1913)
3.897 a 4.190 (1898) 7.241 a 7.425 (1914)
4.191 a 4.472 (1899) 7.426 a 7.519 (1915)
4.473 a 4.779 (1900) 7.520 a 7.808 (1916)
4.780 a 5.025 (1901) 7.809 a 7.753 (1917)
5.026 a 5.265 (1902) 7.754 a 7.942 (1918)
5.266 a 5.526 (1903) 7.943 a 8.170 (1919)
5.527 a 5.746 (1904) 8.171 a 8.362 (1920)
5.747 a 5.964 (1905) 8.363 a 8.512 (1921)

De 1921 a 1929 não é possível a separação por ano, tendo a numeração atingido cerca de 9.400 peças.

Narciso José Pinto Braga, que fora sócio de Isidoro Bevilacqua (1857-1865), abriu em 1866 uma loja própria, na Rua dos Ourives, 62, vendendo pianos e músicas. Em 1867 recomeçou a impressão, com chapas numeradas, de composições de seu amigo Artur Napoleão: fantasias sobre óperas e operetas, bem ao gosto da época, inclusive algumas também de Alfredo, irmão do pianista, música de salão e várias peças para piano de Louis Moreau Gottschalk, pianista norte- americano que em 1869 realizou no Rio de Janeiro temporada de concertos.

Em fevereiro de 1869, Narciso comprou o acervo de cinco imprensas de música do Rio de Janeiro: Sucessores de Laforge, J. C. Meireles, Rafael Coelho Machado, Januário da Silva Arvelos e N. Garcia, enriquecendo assim seu patrimônio, que já atingia cerca de 1.540 peças, e estendendo a loja ao n. 60 da mesma rua.

Em março do mesmo ano, Artur Napoleão resolveu se fixar definitivamente no Rio de Janeiro e abriu um Grande Depósito de Pianos, na Rua dos Ourives, 54-56. Passados poucos meses, os dois amigos entraram em sociedade, inaugurando em setembro de 1869 a loja, na Rua dos Ourives, 60-62, Narciso & A. Napoleão. A loja existiu até 1877, tendo mudado, cerca de dois anos antes, para a Rua dos Ourives, 56-58. Publicaram nesse período por volta de 2.000 peças de autores nacionais e estrangeiros, todas com chapa (N.&A.N. ...).

Em 1871 apresentavam um Catálogo das músicas impressas no imperial estabelecimento de pianos e músicas de Narciso & A. Napoleão (55 p.), talvez o primeiro a ser publicado por casa editora no Brasil. Em 1877, A. Napoleão deixou a firma, instalando-se, em setembro de 1878, em prédio que pertencera ao Diário do Rio, na Rua do Ouvidor, 89, que sofrera reforma geral para instalação, não só da loja e oficinas de impressão, mas ainda de um salão de concertos. Leopoldo Miguez, que iniciava sua carreira de musicista, era seu novo sócio, e logo no ano seguinte começaram a publicação de um “semanário artístico” intitulado Revista Musical e de Belas Artes.

Com esplêndida colaboração, muito noticiosa e com longos artigos sobre história da música e de instrumentos musicais, biografias de compositores etc., teve, entretanto, curta duração (de janeiro de 1879 a dezembro de 1880), publicando ainda, em suplemento, umas poucas peças musicais. Foram colaboradores da Revista André Rebouças, o visconde de Taunay, Oscar Guanabarino e o crítico Alfredo Camarate, entre outros. Narciso continuara imprimindo música, em sua loja da Rua dos Ourives, 56-58, até março de 1880, quando resolveram reunir-se novamente em sociedade, agora com o nome Narciso, A. Napoleão & Miguez. Dois anos mais tarde, Miguez deixou a firma, ficando a casa com Narciso & A. Napoleão até 1889, quando Narciso morreu.

Em 1890 seu único proprietário era A. Napoleão, mas sérias dificuldades econômicas fizeram-no transformar a firma em sociedade anônima — Cia. de Música e Pianos, Sucessora de A. Napoleão, com dois diretores, o próprio Napoleão e Francisco Coelho Sampaio. Em 1893, porém, conseguiram superar a crise e formar a firma A. Napoleão & Cia., sempre na Rua do Ouvidor, 89, com acervo de mais de 7.000 peças publicadas.

Em 1911 mudaram-se para a Avenida Central, 122 (no ano seguinte denominada Avenida Rio Branco), e em 1913 Sampaio, Araújo & Cia. tomavam conta da Casa Artur Napoleão — Estabelecimento de Pianos e Músicas. Em 1915, publicaram o Catálogo geral da Casa A. Napoleão de Sampaio, Araújo & Cia., impresso na Tipografia Leuzinger. São 209 páginas relacionando obras classificadas por instrumentos, gêneros, métodos etc., com predominância de compositores estrangeiros e, entre os brasileiros, Henrique Alves de mesquita, Carlos Gomes, Leopoldo Miguez, Ábdon Milanez, Chiquinha Gonzaga, Antônio Cardoso de Meneses, os irmãos Napoleão e outros. Claude Debussy (1862—1918) já figurava com suas Arabesques, bem como toda a série Les classiques du piano, editada por Félix Le Couppey (1811—1887); muitas coleções para principiantes de piano; inúmeras fantasias sobre óperas (só de Il Guarany, de Carlos Gomes, mais de 30); canto em português, francês, italiano e espanhol; vasto repertório de música de dança e peças para violino, violoncelo, flauta e bandolim.

Em 1936 foi publicado o sexto de uma série de suplementos, atualizando o Catálogo. Foram os editores das primeiras composições de Villa-Lobos (década de 1920), na sua maioria obras para piano solo, canto e piano, e violoncelo. Durante a atuação do compositor como chefe do Serviço de Educação Musical e Artística (SEMA), iniciaram, sob sua direção, a publicação da Coleção escolar, com numeração independente, uma parte da que se constituiu mais tarde no conhecido Guia prático, de Villa-Lobos.

Na década de 1950 a firma foi comprada por Hélio Mota e passou para Casa A. Napoleão Músicas S/A., na Rua Evaristo da Veiga, 73, e Rua das Marrecas, 46 (durante curto período chamada Rua Juan Pablo Duarte), e por volta de 1961 para Ed. A. Napoleão Ltda. Em 1968 a editora Fermata do Brasil comprou o Catálogo da Ed. A. Napoleão Ltda., sendo atualmente únicos distribuidores do mesmo. Nesse mesmo ano, publicaram um Catálogo de obras nacionais da Ed. A. Napoleão (35 p.).

Concordância, aproximada, dos números de chapas da editora Narciso & A. Napoleão (e sucessores) com as respectivas datas:

1 a aprox. 1.750 (1 869-1875), Rua dos Ourives, 60-62;
1.751 a 1.960 (1875-1877), Rua dos Ourives, 56-58;
2.030 a 3.360 (1880-1893), Rua do Ouvidor, 89;
3.361 a 7.010 (1893-1913), Rua do Ouvidor, 89;
7.011 a 7.620 (1913-1915), Avenida Rio Branco, 122;
7.621 a 8.300 (191 5-1925), Avenida Rio Branco, 122;
8.301 a 9.150 (1925-1935), Avenida Rio Branco, 122;
9.151 a 9.500 (1 935-1945), Avenida Rio Branco, 122.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.

A impressão musical no Brasil - Parte 5

Rua do Ouvidor - Rio de Janeiro - Foto de 1890.
Pedro Guigon, professor e fabricante de órgãos, instalado desde 1837, quando chegou ao Rio de Janeiro, vindo da França, com oficina na Rua da Ajuda, abriu loja em 1849 na Rua São José, 62, onde ficou até morrer em 1862. A viúva Guigon continuou com a loja na mesma rua, 62-64, e iniciou publicação de músicas com chapas numeradas (V.G. ...), passando, no ano seguinte, a firma para seu filho Frederico Guigon. Continuaram a publicar música (F.G.&Cia. ...), em pequena escala, e em 1880 mudaram-se para a Rua dos Ourives, 9, onde ficaram até 1889.

Com a morte de Frederico, a firma entrou em liquidação em 1901, sob a gerência dos dois filhos: Frederico Júnior e Augusto. Em 1904 abriram nova sociedade, A. Guigon & Cia. ED., na Rua Sete de Setembro, 141, como sucessores de Frederico Guigon, e reiniciaram a publicação de músicas de salão. Com a morte da viúva de Frederico, em 1906, Augusto associou-se a Carlos do Nascimento e Silva, mudando-se para o n2 106 da mesma rua. Até 1909 tinham publicado uma centena de peças. A firma passou à propriedade de Castro Lima & Cia. — Casa Guigon, n. 134 da mesma rua, onde permaneceu cerca de dez anos, tendo publicado mais de 300 peças.

Eduardo e Francisco Buschmann, afinadores de piano, anunciando desde 1869 no Jornal do Comércio e no Almanaque Laemmert, em 1873 abriram loja de pianos e oficina de consertos na Rua dos Ourives. Em 1881, Manuel Antônio Gomes Guimarães, que também possuia, já há alguns anos, loja de música, a eles se associou, formando a firma Buschmann & Guimarães, estabelecida na Rua dos Ourives, 52.

Iniciaram a publicação de músicas com chapas numeradas, que atingiam mais de 3.500 quando a firma passou, por volta de 1897, para Buschmann, Guimarães & Irmão. Entre as obras, predominavam a música de salão e o teatro musicado, de compositores brasileiros como Henrique Alves de Mesquita, Chiquinha Gonzaga, Ernesto NazarethCardoso de Menezes, Júlio Reis, Anacleto de Medeiros, Paulino Sacramento, Aurélio Cavalcanti, Leocádio Rayol, J. Garcia Cristo, Costa Júnior, Assis Pacheco, Nicolino Milano etc.

Foram publicadas diversas coleções, entre as quais Divertimento musical, Proezas musicais, Recreio dos salões, Flores do baile, Aurora dos pianistas, Pérolas dos salões, Arpejos da saudade, Noites alegres, Novidades musicais e Sucesso dos salões. No início do século, Manuel Antônio Gomes Guimarães tomou conta da firma, como sucessor de Buschmann, Guimarães & Irmão, sempre na Rua dos Ourives, 50-52. Mais tarde, transferiu-se para a Travessa do Ouvidor, 25, e Rua dos Ourives (hoje Rua Rodrigo Silva), 10, até cerca de 1916, quando encerrou as atividades, tendo publicado mais de 5.500 peças numeradas.

Fontes & Cia. Novo Empório Musical imprimiam música em 1891, na Rua dos Ourives, 51. Em 1893, passaram para Vieira Machado & Cia., editora que publicou quase exclusivamente música brasileira. Além dos compositores mencionados anteriormente, é responsável por toda a obra impressa de Glauco Velásquez. Em 1908 estavam na Rua do Ouvidor, 147, e em 1911 no n. 179 da mesma rua. Até 1922, suas edições com chapas numeradas (V.M.&Cia. ...) chegavam a cerca de 1.800, muitas delas datadas.

Guilherme Fontainha, professor de piano, assumiu a direção da casa de 1925 a 1926, recomeçando a numeração das chapas, que não chegaram à segunda centena. No ano seguinte, a casa era propriedade de Fortunato Alves Pereira, que continuou a numeração de Fontainha, usando suas iniciais (F.A.P. ...) e não ultrapassando 800 peças.

Hekel Tavares, J. Otaviano, Assis Republicano, Cardoso de Meneses foram alguns dos compositores com obras aí publicadas, incluindo-se ainda primeiras composições de Heitor Villa-Lobos e muita música popular. Sebastião Lima & Cia. Compraram a firma por volta de 1934, mas pouco fizeram, e o Catálogo das Ed. Vieira Machado e suc. passou à propriedade de Ernesto Augusto de Matos que, mediante contrato, mantém os Irmãos Vitale como editores autorizados.

Alfredo Fertin de Vasconcelos publicou com Inácio Francisco de Araújo Porto Alegre, na última década do século passado (1891-1893), uma Gazeta Musical, com artigos sobre teoria da música, história, biografias e noticiário musical. Com loja na Rua do Carmo, 25, A. Fertin de Vasconcelos & Cia. iniciaram a impressão de música em oficina própria, com uma coleção intitulada Terpsícore. Fertin de Vasconcelos & Morand, na Rua da Quitanda, 42, continuaram publicando música de salão com chapas numeradas (E ... M.), chegando a quase 400 peças. Mudaram-se depois para a Rua do Ouvidor, 147, onde ainda funcionavam no início do século XX.

Lino José Barbosa estabeleceu-se em 1905 com uma Secção Mozart na Rua do Ouvidor, 97, publicando músicas com chapas numeradas (L.J.B. ...). No mesmo ano mudou-se para o n. 127 da Avenida Central, já como Casa Mozart. Publicou, principalmente nas duas primeiras décadas deste século, obras de Ernesto Nazareth, J. Garcia Cristo, Chiquinha Gonzaga, Anacleto de Medeiros, Paulino Sacramento e outros. Teve loja funcionando até a década de 1940, na Rua Sete de Setembro, mas só para venda de músicas.

Carlos do Nascimento e Silva, que estivera associado a Augusto Guigon até 1909, abriu, nesse mesmo ano, loja própria na Rua do Ouvidor, 175, com o nome Casa Beethoven — Nascimento Silva & Cia. Publicaram principalmente música popular, com chapas numeradas (N.S.&Cia. ...) chegando a pouco mais de 200 peças, por volta de 1920. Em 1912 tinham publicado Catálogo de músicas para pianolas e pianos-pianola.

Em 1899 os irmãos Cristiano Carlos João Wehrs e Cristiano Guilherme Augusto Wehrs assumiram a direção da casa, que, de modesta oficina de João Schlegel, em 1851, desenvolvida por seu pai, Cristiano Carlos Frederico Wehrs, na então Rua do Cano, 217, se transformara em importante fábrica de pianos do pais. Em 1879, haviam-se transferido para o n. 175 da mesma rua. Criada a Casa Editora Brasileira Carlos Wehrs nos primeiros anos deste século, na década de 1910 já estava só com um dos irmãos C. Carlos J. Wehrs (antiga Casa Ed. Brasileira C. Wehrs) — tendo-se mudado para a Rua da Carioca, 47. As peças já atingiam mais de mil, numeradas (C. ... W.), quando, em 1925, admitiram como sócio Gustavo Eulestein e como interessado na firma o filho Carlos H. F. Wehrs, passando a Carlos Wehrs & Cia. Iniciaram publicando quase que só música de salão brasileira e, mais tarde, publicaram obras de Luciano Gallet, Barroso Neto (responsável pela coleção didática Ed. Euterpe), Francisco Braga, Alberto Nepomuceno e Francisco Mignone entre outros, tendo publicado muito material didático.

José Francisco de Freitas (Freitinhas) foi pianista oficial da casa, como era hábito na época, incumbido de executar as músicas a serem escolhidas pelos clientes, tendo também muitas de suas obras impressas pela editora, bem como Ary Barroso, Lamartine Babo e outros. Passaram a editores exclusivos da Casa Carlos Gomes, quando já tinham impressas mais de 5.000 peças, e acabaram transformando-a em filial da Casa Carlos Wehrs, na Rua do Ouvidor, 153. Publicaram pelo menos dois Catálogos com o acervo da editora e uma revista de vida e cultura musical — Weco (de novembro de 1928 a abril de 1931), tendo por diretor artístico Luciano Gallet, secretários Djalma de Vicenzi e Arnaldo Estrela, e colaboração de Mário de Andrade, Luis Heitor e o próprio Gallet, em artigos sobre história, pedagogia e folclore, além de amplo noticiário dobre a vida musical. Em 1932 passaram a Ed. Carlos Wehrs & Cia. até 1975, quando fecharam a loja.

Em 1920 Eduardo Souto, conhecido compositor de música popular, abria a Casa Carlos Gomes — Eduardo Souto & Cia. Na Rua Gonçalves Dias, 75. Imprimiram de início quase que exclusivamente obras do proprietário da casa, com chapas numeradas (E.S ), abrangendo depois outros compositores de música de salão. Em 1922 mudaram-se para a Rua do Ouvidor, 153, e no final dessa mesma década passaram a filial da Casa Carlos Wehrs.

A Casa Viúva Guerreiro, pertencente à compositora Serafina Mourão do Vale, desde 1920 publicava música, imprimindo grande número de peças da proprietária da casa e muita música de dança, mantendo-se durante quase trinta anos no mesmo endereço, na Rua Sete de Setembro, 169.

Secção Chopin, estabelecimento que funcionava na mesma rua da casa Viúva Guerreiro, mas no nr. 141, era propriedade da firma Faria & Pinheiro e publicou músicas de dança a partir de 1914, em edições numeradas (F.P. ...). Em 1915 Manuel de Faria ficou sozinho na firma e continuou imprimindo, iniciando nova numeração (M.F. ...). No final da década de 1920, a casa foi comprada por Porfírio Martins, proprietário, desde 1903, da loja A Guitarra de Prata, na Rua da Carioca, 37. Especialista no fabrico de instrumentos de corda, ramo em que se mantém até hoje, iniciara também publicação de músicas em 1918, com edições numeradas (P.M. ...). Publicou vários métodos para violão, bandolim, cavaquinho etc., e alguma música de dança.

Duas outras editoras merecem ainda menção, embora não se dediquem exclusivamente à música, a Editora Vozes Ltda., de Petrópolis, que publicou de 1910 a 1957 muita música sacra, predominando as obras de frei Pedro Sinzig e frei Basílio Röwer, ambos religiosos franciscanos, responsáveis pela redação da revista Música Sacra (1941 a 1959), durante muitos anos a única revista musical publicada no país. Acompanhava cada número um Suplemento Musical, com obras (muitos arranjos) para coro e para órgão. A Casa Publicadora Batista, desde 1931 até nossos dias, vem publicando muita música religiosa, álbuns de cânticos etc. 

A impressão de música nos outros Estados só apareceu nas últimas décadas do século XIX, e apenas em alguns deles: São Paulo, Pará, Pernambuco e Bahia. Em outros só se iniciou no século XX, dependendo das oficinas gráficas de São Paulo e do Rio de Janeiro para impressão das peças. Muitas vezes eram enviadas para serem impressas por editores franceses e alemães, principalmente os do grande centro tipográfico de Leipzig, Alemanha, que tanto imprimiu para o Estado do Pará, prática, aliás, também adotada, embora esporadicamente, por algumas editoras do Rio de Janeiro. 

Em meados do século XX, já entravam em declínio as atividades das editoras nos Estados, com exceção de São Paulo, onde se deu o inverso, transformando-se em centro impressor para todo o país, inclusive para o Rio de Janeiro, onde progressivamente se vem processando um esvaziamento do parque gráfico de música. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.

segunda-feira, agosto 01, 2011

A impressão musical no Brasil - Parte 1

O Príncipe regente Dom João
Até a criação da Imprensa Régia, por decreto do príncipe regente Dom João, a 13 de maio de 1808, era proibida a instalação de tipografias no Brasil. Mas já em princípios do século XVIII surgia em Recife PE uma pequena tipografia, logo confiscada, e em 1747 houve a tentativa, também fracassada, de A. Isidoro da Fonseca, no Rio de Janeiro RJ.

As primeiras oficinas imprimindo música no Rio de Janeiro surgiram no início do séc. XIX; alguns desses estabelecimentos se incumbiam de editar e vender músicas.

John Ferguson & Charles Crokaat, com loja na Rua da Quitanda, 41, em 1824 anunciavam no Diário do Rio de Janeiro o que parece ser a mais remota referência a obra musical impressa no país, o “Hino Imperial e Constitucional de S. M. Imperial (Pedro I), para piano e cantoria, recentemente gravado e estampado nesta corte”.

Na mesma loja vendia-se a “Notícia da vida e das Obras de J. Haydn, por Joachin Le Breton” (Imprensa Régia, 1820), considerada a mais antiga obra sobre música impressa no Brasil, e ainda a “Arte de música para uso da mocidade brasileira, por um seu patrício”, impressa por Silva Porto & Cia. em 1823.

Entre os pioneiros destacam-se Francisco Chenot, estabelecido em 1830 como “abridor e estampador” na Rua dos Latoeiros, 126, e depois na Rua da Ajuda, 89, e, na mesma época, H. Furcy, “livreiro e editor de música”, com oficina de gravação na Rua do Cano (hoje Rua Sete de Setembro), 73.

O mais antigo exemplar de peça musical gravada é de cerca de 1833, “Uma saudade para sempre", composta por [M. Pimenta Chaves] um criado da Casa Imperial dedicada à Princesa "Dona Paula Mariana”, publicada pela Oficina Litográfica do Arquivo Militar (Higino José Lopes de Almeida), pertencente, como outras peças da mesma oficina, à seção de música da Biblioteca Nacional, Coleção Teresa Cristina Maria.

João Cristiano Müller, de origem dinamarquesa, estabeleceu-se em 1828, como negociante de pianos e música, na Lapa do Desterro, 76, contando em sua loja com um variado repertório nacional e estrangeiro, para venda e empréstimo. Em 1837, associou-se a H. E. Heinen, sendo ambos nomeados “fornecedores de música de S.M.I.”, com endereço na Rua Nova do Ouvidor, 1 e 36, e no mesmo ano foi elaborado o Catálogo da biblioteca musical de 1. C. Müller e H. E. Heinen, talvez o primeiro no gênero impresso no Brasil, do qual é conhecido um único exemplar, ricamente encadernado, que pertenceu à imperatriz Teresa Cristina Maria.

Em março de 1828 chegou ao Rio de Janeiro o clarinetista João Bartolomeu Klier, natural de Bremen, Alemanha, estabelecendo-se inicialmente como professor de música e, mais tarde, instrumentista da Capela Imperial. Três anos depois, abriu uma loja de música na Rua do Cano, 189, transferindo-se em 1832 para a Rua Detrás do Hospício (hoje Rua Buenos Aies), 95.

Em 1834 anunciou que mandara imprimir, com propriedade exclusiva, modinhas de Gabriel Fernandes da Trindade, e em 1836 já possuía uma imprensa própria de música, anunciando no ano seguinte a publicação de Terpsícore brasileira, coleção de valsas, contradanças etc. Após sua morte em 1855, teve como sucessores na firma suas filhas Francisca Klier & Irmã (1856-1859) e por fim A. J. Klier, sucessor de seu pai J. B. Klier.

A impressão regular de peças musicais no Rio de Janeiro teve início com Pierre Laforge, músico francês estabelecido por volta de 1834 com “estamparia de música” na Rua do Ouvidor, 149, que teria sido o responsável pela gravação das modinhas de Gabriel Fernandes da Trindade para J. B. Klier.

Em 1837 instalou-se na Rua da Cadeia (depois Rua da Assembléia), 89, onde funcionou até 1851, tendo gravado inúmeras peças, em sua maioria de pequeno formato (28 por 18 cm) e sem qualquer capa ou folha de rosto, apenas com as indicações necessárias na cabeça da própria música. Sua produção era constituída principalmente de modinhas, lundus e árias de óperas, de compositores como o padre José Maurício Nunes Garcia, Cândido Inácio da Silva, Gabriel Fernandes da Trindade, Pedro I, Francisco Manuel da Silva, Januário da Silva Arvelos, M. A. de Sousa Queirós, Francisco da Luz Pinto, Joseph Fachinetti, Antônio Tornaghi e outros.

Em 1850 iniciou a publicação de coletâneas para piano e canto, como Delícias da jovem pianista, Recreação da jovem fluminense, Progresso da jovem pianista, Ramalhete dos principiantes, Grinalda da jovem pianista etc.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.

A impressão musical no Brasil - Parte 2

Joseph Alfred Martinet - Botafogo, Rio de Janeiro - 1846
No ano seguinte, a firma foi comprada por Salmon & Cia. — Sucursal de R. Laforge, mudando-se para a Rua dos Ourives, 60, onde funcionou até 1853. Salmon & Cia., anteriormente instalados na Rua da Assembléia, 86, haviam iniciado a publicação de uma série de seis variações para piano, intitulada Flores guanabarenses (1842-1857). 

Como sucessores de R. Laforge reimprimiram várias peças dessa oficina, passando a numerar as chapas até 1869, quando a firma foi adquirida, juntamente com outras, por Narciso José Pinto Braga. Dentre as muitas coleções publicadas, destacam-se Progresso musical (1853-1857), O livro de ouro dos pianistas (1854-1857), Recreio dos flautistas (1856-1857), Abelha musical (1858-1859).

Em 1856 publicaram Rio de Janeiro — álbum pitoresco musical, com sete peças para piano de compositores brasileiros, impresso “em papel da China”, com litografias e desenhos de Martinet. Um fac-símile desse álbum foi lançado em 1958 pela Livraria Kosmos Editora.

Entre as oficinas litográficas que na primeira metade do século passado imprimiram material musical de relativa importância, está ainda a firma Heaton & Rensburg. 

George Mathias Heaton, pintor inglês, e Eduardo Rensburg, litógrafo holandês, chegaram juntos ao Brasil em 1840, estabelecendo-se na Rua do Hospício, 103, passando depois por outros endereços, até se fixarem, em 1842, na Rua da Ajuda, 68, quando iniciaram a publicação da coleção Ramalhete das damas, inicialmente sob orientação de Rafael Coelho Machado e interrompida oito anos depois. Constituída de peças para piano e canto, era ilustrada com retratos de compositores, e alguns números acompanhados de um texto sobre assuntos musicais, segundo os anúncios publicados no Jornal do Comércio da época

Em 1851 foram nomeados “litógrafos da Casa Imperial”. Da mesma oficina, em edições muito bem cuidadas, saíram ainda a Coleção de doze valsas, de Francisco Xavier Bontempo (1847); Harpa do trovador (1846), romances de Rafael Coelho Machado, dedicados à imperatriz, e Mauricinas (1849), peças para canto compostas pelo Dr. José Maurício Nunes Garcia, em homenagem a seu pai, o compositor do mesmo nome. Em 1856 dissolveram a sociedade, e E. Rensburg prosseguiu sozinho durante ainda muitos anos.

Na mesma Rua da Ajuda, 21, funcionava a Litografia de J. J. do Rego, responsável pela publicação do periódico Filo-Harmônico (1842), com peças de Francisco Manuel da Silva, João José Ferreira de Freitas, Cândido José de Araújo Viana Júnior etc. Conhecido como litógrafo no Rio de Janeiro desde 1832, Frederico Briggs funcionou na Rua do Ouvidor, 130, entre 1840 e 1843, e depois na Rua da Lampadosa, 6, quando deve ter iniciado atividades no campo da música, publicando obras de Rafael Coelho Machado (1840) e Antônio Tornaghi (1843).

No final desse ano, associou-se a Pedro Ludwig, que, por sua vez, dissolvera a sociedade que mantivera com Victor Larée, na Rua do Ouvidor, 66, este também impressor de música. A nova firma Ludwig & Briggs passou a funcionar na Rua do Carmo, 55 (1843), depois na Rua dos Pescadores (1846-1 849), e até 1870 na Rua dos Ourives, 142. Na década de 1830, com Pierre Laforge, o Rio de Janeiro ganhara a primeira imprensa de música da corte. Anteriormente, eram oficinas de gravadores, abridores e estampadores, na sua maioria franceses que, ocasionalmente, gravavam também música.

Com a instalação, em 1846, da Casa de Filippone e Cia., Abridores e Impressores, na Rua dos latoeiros (hoje Rua Gonçalves Dias), 59, no ano seguinte denominada Ed. Filippone e Cia. e por fim Imperial Imprensa de Música de Filippone e Cia. constituiu-se a primeira editora musical da cidade. 

Em 1847 foi aberta subscrição para a publicação de O Brasil Musical — periódico dedicado a Sua Majestade a Imperatriz do Brasil, que lançou mais de 500 peças entre 1848 e 1875, saindo duas por mês, uma para piano, outra para canto.

Desde o início foram precursores na impressão com chapas numeradas (Brasil Musical número 1 — Ch. Número 33), e no número 20 já declaravam possuir depósitos em Porto Alegre RS, Bahia, Pernambuco e Buenos Aires, Argentina. Foram também precursores na publicação de catálogos nas contracapas das peças que imprimiam, de frontispícios com belos trabalhos de gravação. O repertório apresentado, segundo o gosto da época, era quase exclusivamente de árias, cavatinas, transcrições para piano, para flauta, para violão e trechos de óperas italianas.

Em 1853 mudaram-se para a Rua do Ouvidor, 101, e dois anos mais tarde a firma admitiu como sócio Antônio Tornaghi (Filippone e Tornaghi), conhecido compositor e professor de canto e piano, que chegara ao Brasil em 1841 e do qual o próprio Filippone já publicara várias peças. Até então haviam lançado, entre outras coleções, Melodias celestes (1847), Tesouro da mocidade (1847), As ninfas brasileiras (1848), Pensamentos italianos (1848), Saudades de Bellini (1848), Choix de romances françaises (1851), Divertimento noturno (1850-1852), Noite do Rio de Janeiro (1850-1852), Saudades de Botafogo (1852), Brincadeira musical (1853), Ilustração musical (1854), Coleção de peças para concertina (1854), Novo álbum de modinhas brasileiras (1853) etc.

Por volta de 1862 mudaram-se para a Rua do Ouvidor, 93, entrando gradativamente em declínio as atividades da casa, que tivera seu período áureo na Rua do Ouvidor, 101. Outras coleções foram publicadas mais tarde: O Vesúvio (1859), Família imperial (1862), Estátua eqüestre (1862) e Soirées fluminenses

Domenico Filippone foi responsável pela editora entre 1873 e 1874; no ano seguinte, seus herdeiros assumiram a direção, e logo depois a firma passava à Viúva Filippone (1875-1884). A editora já não dispunha de oficina própria. Em 1884 o Estabelecimento de Músicas e Águas Minerais da Viúva Filippone & Filha publicava algumas peças de Ernesto Nazareth (Cruz, perigo!, Beija-flor, Não me fujas assim), e J. Filippone Ed., Rua Moreira César, 93 (nome da Rua do Ouvidor de 1897 a 1916), publicou ainda alguma música popular. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.