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sexta-feira, setembro 17, 2010

Pierrô

Pierrô (tanguinho, 1918) - Marcelo Tupinambá - Intérprete: Mário Pinheiro

Disco selo: Odeon R / Título da música: Pierrot / Marcello Tupynambá [Música] (Compositor) / Biograph [Versos] (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Piano (Acomp.) / Nº do Álbum: 121355 / Data de Lançamento 1917 / Gênero musical: tanguinho / Coleção de Origem: Nirez


Vem pierrot, sem ti não há
Festas; e nosso esplendor triste será
Abre tua voz esse dulçor
Que para nós é canção d'amor

Oh! Pierrot, mito ideal
Vem para as ruas; chegou - O Carnaval!
Vem nos cantar tua canção
Que ao luar, tem fascinação

Canta, pulsa, sonha vive!
Esquece Colombina, o bem de teu amor
Vamos, segue outra busca,
Um outro coração, que tenha mais ardor

Vem pierrot, sem ti não há
Festas; e nosso esplendor triste será
Abre tua voz. esse dulçor
Que para nós é canção d'amor

Quanto ardor há na luz de teu olhar...
Pierrot, doce é teu amor
Faz sonhar, tua graça, sem igual
Pierrot - Oh! Visão lirical.

quinta-feira, setembro 16, 2010

Sou teu escravo

Mário Pinheiro
Neco (Manoel Ferreira Capellani, Niterói RJ, circa 1865 - 1940), violinista, cantor e compositor, participou intensamente da vida boêmia e musical de fins do século passado e início deste, tendo frequentado as mesmas rodas que Anacleto de Medeiros, Juca Kalut, Luís de Souza, Catulo Cearense, Irineu de Almeida, entre outros. Um dos primeiros acompanhadores de choro ao violão, era muito respeitado pelos chorões da época, dentre os quais, Quincas Laranjeiras, João Pernambuco, Zé Rabelo, Galdino, e outros.

Sou teu escravo (modinha, 1906) - Manoel Ferreira Capellani - Intérprete: Mário Pinheiro

Disco selo: Odeon Record / Título da música: Sou teu escravo / Manoel Ferreira Capellani (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 40526 / Lançamento: 1906 / Gênero musical: Cançoneta / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

Luís de Souza

Luís de Sousa (Joaquim Luís de Sousa - 1865 / 1920 - Rio de Janeiro, RJ), compositor, instrumentista e pistonista, começou a estudar trompete no Ceará, com o mestre de banda Soares Barbosa, e chegou a ser contramestre da Banda do 23º Batalhão de Caçadores de Fortaleza (CE).

Por volta de 1904, frequentava a casa Cavaquinho de Ouro, na Rua do Ouvidor, centro do Rio de Janeiro onde era acompanheiro de importantes chorões da época como Anacleto de Medeiros, Irineu de Almeida, Juca Kalut, e outros. Foi integrante do famoso Rancho Ameno Resedá. Foi diretor do Grupo Luís de Sousa, conjunto instrumental que gravou vários discos pela Odeon no começo do século passado.

Por volta de 1905, sua valsa Clélia, ainda sem a letra de Catulo da Paixão Cearense com a qual ficou conhecida, foi gravada na Odeon pela Banda da Casa Edson. Por volta de 1910, a mesma valsa foi gravada pela Banda da Casa Faulhaber & Cia. Recebeu ainda uma gravação da Banda da Força Policial em disco Columbia.

Por volta de 1907, a canção Missa de amor, com letra de Catulo da Paixão Cearense, foi gravada na Odeon pelo cantor Mário Pinheiro. Por essa época, fez várias gravações na Odeon com seu grupo incluindo o xote Nair, de Catulo da Paixão Cearense e Edmundo Otávio Ferreira, além de choros e valsas como A mulata e Iluminada, provavelmente de sua autoria já que não havia qualquer indicação de autores nos selos dos discos. Por essa época, sua valsa Clélia com letra de Catulo da Paixão Cearense, tornou-se a modinha Ao desfraldar da vela sendo gravada na Odeon por Mário Pinheiro.

Em 1913, voltou a gravar com seu grupo registrando os xotes Mercedes, de Luiz Faria, e Meu ideal, de Irineu de Almeida. Dirigiu também o Quarteto Luis de Souza que ainda em 1913, gravou a valsa Guiomar e as polcas Angelina e Enedina, de Artur Ayrão. Gravou também com seu grupo pela Columbia registrando a polca Isto não é vida, de Felisberto Marques, a valsa O regato, de Catulo da Paixão Cearense, as polcas Amenade e Jurandi, de Albertino Pimentel, e a valsa Em ti pensando, de J. Belizário.

Sobre ele, assim escreveu Alexandre Gonçalves Pinto:

"Pistom dos mais chorões que até hoje ainda ocupa o primeiro lugar entre todos os chorões. O seu pistom tinha a magia das grandes melodias, tocava com sentimento e perfeição de um sopro e mecanismo que só ele possuía, por isso era muito distinguido".

Já Catulo da Paixão Cearense assim o descreveu:

"Foi o mais gigantesco e mimoso pistonista que tive a glória de ouvir até o momento em que escrevo estas linhas. Anacleto de Medeiros no saxofone, Irineu de Almeida, oficlide, Lica, no bombardino, Pedro Augusto, no clarinete; e Luís de Sousa, no pistom, em uma serenata plenilunar, era a maior homenagem que a noite poderia receber de corações humanos."

Obras

Ao desfraldar da vela (c/ Catulo da Paixão Cearense); Carroca; Clélia (c/ Catulo da Paixão Cearense); Georgina; Mimo; Missa de amor (c/ Catulo da Paixão Cearense).

Fontes: Enciclopédia Crevo Albin da MPB; O Choro - Reminiscências dos chorões antigos - Rio de Janeiro, 1936 (Alexandre Gonçalves Pinto).

segunda-feira, setembro 13, 2010

Os boêmios

Os boêmios (tango, 1903) - Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense

Os boêmios, tango-cançoneta do maestro Anacleto de Medeiros cheio da efervescência rítmica do popular maxixe, traduz em sua melodia o ambiente boêmio da cidade do Rio de Janeiro, as rodas de choro nos bares e nas casas de família, os bailes populares e os encontros musicais nas festas religiosas.

A composição, interpretada pelo cantor da Casa Edison Mário Pinheiro, é, sem dúvida, uma homenagem ao meio cultural em que Anacleto construiu sua identidade como músico e compositor. Ele viveu intensamente a agitação do Rio de Janeiro na virada do século XIX para o XX. Ouça a gravação abaixo:

Disco selo: Odeon Record / Título da música: O Boêmio / Anacleto de Medeiros (Compositor) / Catulo Cearense (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Piano (Acomp.) / Nº do Álbum: 40486 / Lançamento: 1906 / Gênero musical: Tango Cançoneta / Coleção de Origem: IMS, Nirez


Os boêmios - Letra: Catulo da Paixão Cearense

Deus que viver, que prazer
Nesta vida que teço o senhor
Eu gozo só, sem tocar no
Duede travesso do amor!

Oh lé lé! Sou feliz! Uma pinga
De lieias, me faz entrever
O gozar nesta vida borida
É traze-la florida
Em alaere folgar

Mas, oh, que importa o sofrer
Se eu só conheço o prazer?
Eu sei desviar-me da dor
E leve o diabo ao amor!

Meu coração, não aceita
Os espinhos daninhos do amor
Se a mulher, veja ali
Vou passando
Brincando, folgando
A cantar, sou assim!

E que fuja a mulher
O demonio de mim!
Deus me deu esta vida
Por prêmio, serei o boêmio
Que ele quiser

Leve o diabo até inferno
Da vida, a este terreno
Ridente sofrer!
Num copo eu venço o amargor
Do viver!
Tem doçura ao beber! Oh!

Leve o diabo a este inferno
Da vida, este terreno
Cansado sofrer
Eu só encontro alegria no céu
Da folia, cantando a beber!

Oh, como é bom, como é boa
Esta vida que passo sem lar!
Não quero amar, só namoro
A natura que levo a cantar
Uma flor, o luar
Das estrelas, namoro

O divino fulgor
Que ao boêmio dão
Almas meiguices, sem essas
Pieguices do bobo do amor

O fadário (Medrosa)

O fadário - (Medrosa) (canção, 1902) - Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense

Mário Pinheiro ( circa 1880 Campos, RJ - 10/01/1923 Rio de Janeiro, RJ) foi um dos intérpretes mais populares da música brasileira em seu tempo. Estreou sem sucesso como palhaço de circo na Piedade, bairro do subúrbio carioca.

Apresentou-se depois como cantor no Passeio Público, acompanhando-se ao violão. Entre 1904 e 1909, gravou modinhas, lundus e cançonetas para a Casa Edison, introdutora no Brasil da gravação de discos de gramofone.

Esses discos, nos quais se apresentava apenas como Mário, obtiveram enorme vendagem, tornando-o conhecido em todo o Brasil. Devido à sua perfeita dicção, tornou-se o principal anunciador de discos da Casa Edison.

Provavelmente em 1905, gravou as clássicas modinhas Na casa branca da serra, de Guimarães Passos e Miguel Emídio Pestana, O talento e a formosura, de Catulo da Paixão Cearense e Edmundo Otávio Ferreira e O Fadário, de Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense, que se pode escutar abaixo:

Disco selo: Odeon Record / Título da música: O Fadário / Anacleto de Medeiros (Compositor) / Catulo Cearense (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 40165 / Nº da Matriz: Rx-157(15) / Lançamento: 1904 / Coleção de Origem: Nirez D




Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB; Instituto Moreira Salles.

domingo, fevereiro 17, 2008

Franqueza rude

Mário Pinheiro - Jornal de Theatro & Sport (1918)

Franqueza rude (modinha, 1917) - Belchior da Silveira (Caramuru) e João B. Fittipaldi - Intérprete: Mário Pinheiro

Disco selo: Odeon / Título da música: Franqueza Rude / Caramuru (Compositor) / João B. Fitipaldi (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Piano e Violão (Acomp.) / Nº Álbum 121328 / Lançamento: 1917 / Gênero musical: Canção / Coleção de Origem: IMS, Nirez



O teu olhar, tem tanto fogo e tanto ardor,
Que é bem capaz, de seduzir e de prender,
Mais é o efeito de um capricho e não de amor,
Porque em teu peito, amor não pode mais haver.


Tem conseguido, acorrentar aos olhos teus,
Os desditosos, que se deixam iludir,
Pois há mim, não prenderás, juro por deus,
Que aos teus ardís, eu hei de sempre resistir.


Eu não me iludo não,
Com teu olhar ardente,
Porque teu coração,
Pertence há muita gente.

Acostumada a seduzir e a dominar,
Julgaste fácil, dominar a mim também,
Mas nunca ao teu querer eu hei de me curvar,
Porque sou muito altivo e como eu sou ninguém,
Tiveste um dia, a vã idéia em me fitar,
Com toda a força de teus olhos de serpente,
Eu não me deixo fascinar, por teus olhares,
Eu não me prendo nos teus olhos, na corrente.

Mesmo que teu amor,
Seja um amor sincero,
Mil vezes quero a dor,
Mas teu amor, não quero !

Não quero amor,
De quem amando, todo mundo,
Não sabe amar,
Como a um só se deve amar,
Embora o meu penar,
Seja um penar profundo,
Não hei de amar-te um segundo,
E nunca, nunca te beijar,
Transformarei meu coração num baluarte,
Pra resistir, aos teus assaltos, infernais,
Hei este orgulho dominar,
Hei de mostrar-te,
Que tu só és,
Mulher, mulher e nada mais !

Não estejas a fitar,
Assim quem não te quer,
Quem nunca ás de domar,
Quem nunca ás de vencer !...

sábado, fevereiro 16, 2008

Estela

Estela (modinha, 1910) - Abdon Lyra e Adelmar Tavares - Intérprete: Mário Pinheiro

Disco selo: Odeon Record / Título da música: Stella / Abdon Lyra (Compositor) / Adelmar Tavares (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Nº do Álbum: 108281 / Nº da Matriz: xR841 / Lançamento: 1909 / Gênero musical: Modinha / Serenata / Obs.: No selo do disco o título da música consta como "Serenata" que deve ser apenas o gênero da música.



Interpretação de Paraguassu (1945) para esta modinha:

Disco 78 rpm / Título da música: Estela / Abdon Lyra (Compositor) / Adelmar Tavares (Compositor) / Paraguassu (Intérprete) / Rago e Seu Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Continental / Nº do Álbum: 15419-A / Nº da Matriz: 10445-1 / Gravação: 12/Julho/1945 / Lançamento: Setembro/1945 / Gênero musical: Modinha / Seresta / Serenata



De noite
O plenilúnio é como um sonho
Nasce tristonho
Olhando pelo céu
Beijando o mar
As estrelas no azul
Brilham sorrindo,
Estás dormindo
E eu venho, meu amor,
Te despertar


Ai, como beija o mar
O luar
E o mar suspira e geme
E treme
E no alto céu sorrindo lindo
Acorda, abre a janela
Estela


Desperta
Dorme toda a natureza
Que beleza
Venho unir tua voz
A minha voz
Entre lírios, violetas, crisantemos
Cantaremos
Como dois infelizes rouxinóis


Ai, como beija o mar
O luar
E o mar suspira e geme
E treme
E no alto céu sorrindo lindo
Acorda, abre a janela
Estela


No teu leito de seda
Dormes quieta
E o teu poeta
Canta para o teu sono suavizar
Dorme, que eu cantarei
Como é o suave canto de ave
Que gorjeia de amor
Fitando o luar


Ai, como beija o mar
O luar
E o mar suspira e geme
E treme
E no alto céu sorrindo lindo
Acorda, abre a janela
Estela


Canto
Embora amanhã
Encontres morta
À tua porta
A visão de quem te amava no abandono
Dirás ao ver Estela
Que sou eu o pombo correio
O rouxinol que te embalava os sonhos

Ai, como beija o mar
O luar
E o mar suspira e geme
E treme
E no alto céu sorrindo bonito
Não abras a janela
Estela



segunda-feira, abril 03, 2006

Fado Liró

Os Geraldos na revista "O Malho" - 1909

Fado Liró (fado, 1908) - Nicolino Milano - Interpretação: Os Geraldos

Disco selo: Odeon Record / Título da música: Fado Liró / Nicolino Milano (Compositor) / Os Geraldos (Intérprete) / Piano (Acomp.) / Nº Álbum: 108246 / Nº da matriz: xR783 / Lançamento: 1909 / Gênero musical: Fado



Guitarra, guitarra geme
Que o meu peito todo treme
Ao cantar ao meu amor
Passemos a vida unidos
A soltar nossos gemidos
Pra acalmar a nossa dor

Mas se a vida são dois dias

Procuremos alegrias
Gozar a vida é mister

Desprezamos a africana
Se ela nos é desumana

Busquemos outra mulher

Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!

Entre as verdes ramarias

Ouvem-se belas poesias
Entre os verdes do choupal

São versos cheios de dores
De quem sofre por amores

De quem sente um grande mal

domingo, abril 02, 2006

Na casa branca da serra

Segundo Almirante "se há uma modinha que se possa considerar tradicional no Brasil, esta é chamada “Na Casa Branca da Serra”, da autoria de Miguel Emílio Pestana, com versos de Guimarães Passos. Há dezenas de anos que “Na Casa Branca da Serra” tem sido ao mesmo tempo do repertório dos seresteiros de rua como das mais graciosas senhoritas nos elegantes saraus, já em desuso" (O Pessoal da Velha Guarda, 14-12-1950).

Na Casa Branca da Serra (modinha, 1880) - Guimarães Passos e Miguel E. Pestana

Interpretação de Mário Pinheiro em disco Odeon lançado em 1904:

Disco selo: Odeon Record / Título da música: A Casa Branca / Guimarães Passos (Compositor) / Miguel Emídio Pestana (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 40139 / Nº da Matriz: Rx-2 / Lançamento: 1904 / Gênero musical: Modinha / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Interpretação de Vicente Celestino em disco RCA Victor lançado em 1961:

Disco 78 rpm / Título da música: Casa Branca da Serra / Guimarães Passos (Compositor) / Miguel Emídio Pestana (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Nº do Álbum: 80-2295-a / Nº da Matriz: M2CAB-1170 / Gravação: 10/Janeiro/1961 / Lançamento: Fevereiro 1961 / Gênero musical: Valsa canção



---C --------G7--------- C -
Na casa branca da serra
Dm--------------------- C-- C#º
Onde eu ficava horas intei-ras
Bbº----------------- F7M-- F#º
Entre as esbeltas palmei- ras
G7--------------C ---C7
Ficaste calma e feliz
--F7M------------F#º------ C-- C#º
Tudo em meu peito me des- te
---Dm -----------------C-- C#º
Quando eu pisei na tua ter- ra
------F7M---- F#º-------- C--- C#º
Depois de mim te esqueces- te
------G7--------- G/B ----C-- C#º- Dm- G7
Quando eu deixei teu país.

---C---------- G7-------- C--
Nunca te visse oh! formo-sa
----Dm ---------C --C#º
Nunca contigo falas- se
------Bbº---- -------- F7M-- F#º
Antes nunca te encontras- se
----G7------------- C---- C7
Na minha vida enganosa
----F7M------------ F#º-- C-- C#º
Por que não se abriu a ter- ra
---Dm--------- ---------- C-- C#º
Por que os céus não me puni- ram
------F7M ------------F#º-- C-- C#º
Quando os meus olhos te vi- ram
---G7-------- G/B------ C ----C#º Dm G7
Na casa branca da serra.

(Instrumental)

-----C------ G7--- C--
Embora tudo bendi-go
----Dm---------- C-- C#º
Desta ditosa lembran- ça
Bbº------------------ F7M- F#º
Que sem me dar esperan- ça
---G7----------------- C---- C7
De unir-me ainda contigo
------F7M ----F#º--- C-- C#º
Bendigo a casa da ser- ra
------Dm----- ------- C--- C#º
Bendigo as horas faguei- ras
----F7M -------F#º----- C-- C#º
Bendigo as belas palmei- ras
------G7 -----G/B--- C----- C#º Dm G7 C
Queridas da tua terra.


Fontes: Instituto Moreira Salles; Discografia Brasileira.

terça-feira, março 28, 2006

Perdão, Emília

Primeira modinha gravada em 1902 pela Casa Edison. Almirante no programa "O Pessoal da Velha Guarda" de 13 de março de 1952 afirmava: "Entre as velhas e mais plangentes modinhas do Brasil figura a célebre “Perdão Emília”, soturna cantiga que foi [flor?] pelo Brasil afora no tempo das serenatas.

Jamais se apurou quem a escreveu. Aproveitando-se dessas circunstâncias, um cantor paulista apossou-se dela, gravando-a em discos com o seu nome. É uma desfaçatez, que foi uma nódoa na decência da profissão de autores e de cantores nessa terra.

“Perdão Emília”, segundo informação de antigos ouvintes, informações a que dão curso sem apoiar ou desapoiar, foi composta por um português chamado José Henrique da Silva, que residiu longo tempo em São João da Barra.

Foi escrita há 63 anos, em 1889, quando o seu autor contava 24 anos de idade. Isso, repito, é a informação de um ouvinte que nos deu por carta, e que jamais pudemos apurar."

Perdão, Emília (modinha, 1889) - José Henrique da Silva e Juca Pedaço

Interpretação de Mário Pinheiro em disco Odeon lançado em 1909:

Disco selo: Odeon Record / Título da música: Perdão Emília / Juca Pedaço (Compositor) / José Henrique da Silva (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 108261 / Nº da Matriz: xR821 / Lançamento: 1909 / Gênero musical: Modinha / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Interpretação de Paraguassu em disco Continental lançado em 1945:

Disco 78 rpm / Título da música: Perdão Emília / Juca Pedaço (Compositor) / José Henrique da Silva (Compositor) / Paraguassu (Intérprete) / Rago e Seu Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Continental / Nº do Álbum: 15411-a / Nº da Matriz: 10444-1 / Gravação: 12/Julho/1945 / Lançamento: Agosto/1945 / Gênero musical: Modinha / Coleção de Origem: Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi, IMS D


Já tudo dorme, vem a noite em meio, a turva lua se surgindo além: / Tudo é silêncio; só se vê nas campas, piar o mocho no cruel desdém. / Depois, um vulto de roupagem preta, no cemitério com vagar entrou. / Junto ao sepulcro, se curvando a medo, com triste frase nesta voz falou:

"Perdão, Emília, se roubei-te a vida, se fui impuro, fui cruel, ousado... / Perdão, Emília, se manchei teus lábios. / Perdão, Emília, para um desgraçado." / "Monstro tirano, por que vens agora, lembrar-me as mágoas que por ti passei? / Lá nesse mundo em que vivi chorando, desde o instante em que te vi e amei.

Chegou a hora de tomar vingança, mas tu, ingrato, não terás perdão... / Deus não perdoa as tuas culpas todas, / Castigo justo tu terás, então. / Perdi as flores da capela virgem, / Cedi ao crime, que perdão não tinha, mas, tu, manchaste a minha vida honesta, / Depois, zombaste da fraqueza minha...

Ai, quantas vezes, aos meus pés, curvado, davas-me prova de teu puro amor. / Quando eu julgava que fosses um anjo, não via fundo nesse olhar traidor. / Mas vês agora, que o corpo em terra tombou, de chofre, sobre a lousa fria."

E quando a hora despontou, na lousa um corpo inerte a dormitar se via: / "Perdão, Emília, se manchei-te a vida, se fui impuro, fui cruel, ousado... / Perdão, Emília, se manchei teus lábios. / Perdão, Emília, para um desgraçado."....



Fontes: Almirante - Programa "O Pessoal da Velha Guarda" de 13/03/1952; Instituto Moreira Salles; Discografia Brasileira.

sexta-feira, março 24, 2006

O matuto

A partir de meados dos anos dez, a música rural paulista saiu do âmbito regional, espalhando-se pelo país. Para isso foi decisivo o trabalho do compositor Marcelo Tupinambá, estilizador do gênero. Com toadas, cateretês e tanguinhos - preferia usar o diminutivo para diferenciar seus tangos dos de Ernesto Nazareth -, ele reinou no meio musical até o início da década de vinte.

Um de seus maiores sucessos é o cateretê O matuto, em que conta o desejo de um cearense desgarrado de voltar à sua terra: "Pro sertão do Ceará / tomara já vortá / tomara já vortá...". A escolha de um tema como este, ligado a outro estado, parece indicar uma aspiração do autor a se popularizar além das fronteiras paulistas.

Natural de Tietê, filho de uma família de músicos, Marcelo Tupinambá chamava-se realmente Fernando Lobo, tendo adotado o pseudônimo em razão dos preconceitos que existiam na época contra a música popular. A mudança de nome aconteceu por volta de 1915 em conseqüência do sucesso do maxixe São Paulo Futuro, de sua autoria. Ele contava que na ocasião, cursando a Escola Politécnica de São Paulo, onde se formou no ano seguinte, foi chamado ao gabinete do diretor Paula Souza, que o censurou: "Não permito que aluno meu ande fazendo maxixes. Quem vai confiar num engenheiro que faz maxixes?". Depois desta advertência, Fernando Lobo virou Marcelo Tupinambá.

O matuto (Canção Cearense) (cateretê, 1918) - versos de Cândido Costa e música de Marcelo Tupinambá

Interpretação pela dupla Os Geraldos em disco etiqueta "Gaúcho", lançado em 1916:

Disco selo: Gaúcho R / Título da música: O Matuto / Marcello Tupynambá (Compositor) / Cândido Costa (Compositor) / Os Geraldos (Intérprete) / Nº do Álbum: 4037 / Lançamento: 1916 / Gênero musical: Tango



Interpretação de Mário Pinheiro em disco Odeon lançado em 1917:

Disco selo: Odeon R / Título da música: O Matuto / Marcello Tupynambá (Compositor) / Claudino Costa (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Piano (Acomp.) / Nº do Álbum: 121354 / Lançamento: 1917 / Gênero musical: Cateretê / Coleção de Origem: Nirez



Quando foi da meia-noite para o dia, / que eu deixei com cortezia / minha terra, o Ceará / as foias véias já cabia pela estrada, / vim marchando na picada / só na seca a matutá:

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomára eu já vortá... (bis)

No cemiterio os mortos se alevantaram / uns aos outros perguntaram / que qu'eu havéra de querê? / nas catacumba os defunto té gemia / no céo as coruja ria / Eu mesmo não sei porquê...

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomára eu já vortá... (bis)

As santas fêmea, na igreja já chorava / os santos macho só me oiava / com cada ôio assim! / Até os gallo e as gallinha não sabia / de corrê p'ra onde havia / tudo com medo de mim!

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomára eu já vortá.... (bis)

Quando eu cheguei dessa viagem cá no Rio / foi qu'antão logo se viu / qu'é qu'eu vinha cá fazê: / eu fui chamado só p'ra sê o presidente / desta terra, desta gente / sê o rei de vosmucês

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomára eu já vortá... (bis)

Logo o povo, muito amavo, foi dizendo / o dote qu'eu ia tendo: / o Pará, França, o Japão, / um iscalé com doze remo e vinte peça / mas abanei co'a cabeça / dizendo "Não quero, não!"

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomára eu já vortá... (bis)

Agora vorto p'r'o meu ceará querido / sinão fico home perdido / é mió eu i p'ra lá! / Quero i m'imbora e hei de i até a nado / sinão fico avaccaiado / como todo mundo está!

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomara eu já vortá...


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

quarta-feira, março 22, 2006

Talento e formosura

A obra mais famosa de Edmundo Otávio Ferreira, foi o chótis Talento e formosura, que recebeu versos de Catulo da Paixão Cearense, sendo gravado, entre outros, pela Banda da Casa Edson e pela Banda do Corpo de Bombeiros, na Odeon; pelos cantores João Barros e Mário Pinheiro, já com versos de Catulo, na Victor Record e pelo Grupo Lulu o Cavaquinho, na Columbia, todas no início do século XX.

Em 1977, Talento e formosura foi regravada por Paulo Tapajós na série "Cantares brasileiros - vol. 1 - a modinha", distribuído pela Companhia Internacional de Seguros como brinde de Natal.

Talento e Formosura (modinha, 1905) - Edmundo Otávio Ferreira e Catulo da Paixão Cearense

Interpretação de Mário Pinheiro em disco da Casa Edison de 1904:

Disco selo: Odeon Record / Título da música: O talento e formosura / Edmundo Otávio Ferreira (Compositor) / Catulo Cearense (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 40151 / Nº da Matriz: Rx-8 / Lançamento: 1904 / Gênero musical: Modinha / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Interpretação de Francisco Alves em disco Odeon lançado em 1930:

Disco 78 rpm / Título da música: Talento e Formosura / Edmundo Otávio Ferreira (Compositor) / Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Tute [Violão] (Acomp.) / Luperce [Bandolim] (Acomp.) / Gravadora; Odeon / Nº do Álbum: 10709-a / Nº da Matriz: 3927 / Gravação: 28/Agosto/1930 / Lançamento: Novembro/1930 / Gênero musical: Modinha / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Interpretação de Vicente Celestino em disco da RCA Victor lançado em 1952:

Disco 78 rpm / Título da música: Talento e Formosura / Edmundo Otávio Ferreira (Compositor) / Catulo Cearense (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: RCA Victor / Nº do Álbum: 80-1021-b / Nº da Matriz: SB-093385 / Gravação: 6/Agosto/1952 / Lançamento: Novembro/1952 / Gênero musical: Canção



Talento e formosura (modinha)

Tu podes bem / Guardar os dons da formosura / Que o tempo um dia / Há de implacável trucidar / Tu podes bem / Viver ufana da ventura / Que a natureza / Cegamente quis te dar

Prossegue embora / Em flóreas sendas sempre ovante / De glórias cheia / No teu sólio triunfante / Que antes que a morte / Vibre em ti funéreo golpe seu / A natureza irá roubando / O que te deu

E quanto a mim / Irei cantando o meu ideal de amor / Que é sempre novo / No viçor da primavera / Na lira austera / Em que o Senhor me fez tão destro / Será meu estro / Só do que for imortal

Terei mais glória / Em conquistar com sentimento / Pensantes almas / De varões de alto saber / E com amor / E com pujança de talento / Fazer um bardo / Ternas lágrimas verter

Isto é mais nobre / É mais sublime e edificante / Do que vencer / Um coração ignorante / Porque a beleza é só matéria / E nada mais traduz / Mas o talento é só espírito / E só luz

Descantarei na minha lira / As obras-primas do Criador / O mago olor da flor / Desabrochando à luz do luar / O incenso d’água / Que nos olhos faz / A mágoa rutilar / Nuns olhos onde o amor / Tem seu altar

E o verde mar que se debruça / N’alva areia a espumejar / E a noite que soluça / E faz a lua soluçar / E a Estrela Dalva / E a Estrela Vésper languescente / Bastam somente / Para os bardos inspirar

Mas quando a morte / Conduzir-te à sepultura / O teu supremo orgulho / Em pó reduzirá / E após a morte / Profanar-te a formosura / Dos teus encantos / Mais ninguém se lembrará

Mas quando Deus / Fechar meus olhos sonhadores / Serei lembrado / Pelos bardos trovadores / Que os versos meus hão de na lira / Em magos tons gemer / Eu morto embora / Nas canções hei de viver



Fonte: A Canção no Tempo (Vol. 1) - Jairo Severiano, Zuza Homem de Mello - Editora 34

sábado, março 18, 2006

Os olhos dela

Mário Pinheiro
Os olhos dela (chótis, 1906) - Catulo da Paixão Cearense e Irineu de Almeida - Interpretação: Mário Pinheiro

Disco selo: Victor Record / Título da música: Os olhos d'ella / Irineu de Almeida (Compositor) / Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 98943 / Lançamento: 1910 / Gênero musical: Modinha / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Eu sou capaz de confessar / Aos pés de Deus / Que eu nunca vi em mundo algum / Uns olhos como os teus! / Eu não sei mesmo / Como os hei de comparar, não sei / Eu já tentei cantar / O teu divino olhar

Depois de tanto versejar / Debalde em vão / Depois de tanto apoquentar / A minha inspiração / Cheguei à triste conclusão / De que eu só sei sofrer / E o que teus olhos são / Não sei dizer

Deixa-te estar que quando eu morrer / Irei verter os prantos meus nos céus / Hei de contar em segredo a Deus / As travessuras desses olhos teus / Hei de mostrar ao Senhor Jesus / Ao Pai nos céus, apiedado / Meu coração crucificado / Nos braços teus de luz

Os olhos teus são lágrimas do amor / Os olhos teus são dois suspiros de uma flor / São dois soluços d’alma / São dois cupidos de poesia / Que sinfonia tem o teu olhar / Que até às vezes já nos faz chorar! / Ai, quem me dera me apagar assim / À luz do teu olhar!

Os olhos teus / Quando nos querem castigar / Parecem dois astros de gelo / Que nos vêm gelar / Mas quando querem nos ferir / Direito o coração / Eu não te digo não / O que os teus olhos são

Pois quando o mundo quiser / De vez findar / Basta acendê-lo com um raio / Desse teu olhar / Que os olhos todos das mulheres / Que mais lindas são / Dos olhos teus / Não têm a irradiação


Casinha Pequenina

A modinha, o gênero mais lírico e sentimental de nosso cancioneiro, é também o mais antigo, existindo desde o século XVIII. E entre todas as modinhas surgidas nesse longo espaço de tempo, nenhuma seria tão cantada e gravada como a "Casinha Pequenina".


Lançada em disco por Mário Pinheiro em 1906, teria dezenas de gravações figurando no repertório dos mais variados intérpretes, de Bidu Sayão e Beniamino Gigli a Cascatinha e Inhana, de Sílvio Caldas e Nara Leão aos maestros Radamés Gnattali, Lírio Panicali e Rogério Duprat.

Atribuída a autor desconhecido, a "Casinha Pequenina" teve a origem pesquisada pelo musicólogo Vicente Sales, que acredita ser seu criador o paraense Bernardino Belém de Souza. Carteiro e pianista, Bernardino tocou durante algum tempo em navios que faziam a linha Rio-Manaus, aproveitando as viagens para divulgar suas composições no sul do país. Outra autoria possível, mas não comprovada, seria a dos atores Leopoldo Fróes e Pedro Augusto. Segundo Íris Fróes, biógrafa do primeiro, Leopoldo teria recebido de Pedro a letra da "Casinha Pequenina" pronta, e composto a melodia em 1902. A verdade é que nenhum deles jamais reivindicou a paternidade da canção, apesar do sucesso.

Casinha Pequenina (modinha, 1906) - Folclore Popular - Algumas interpretações:

Disco selo: Odeon Record / Título da música: Casinha Pequenina / Tradicional; Foclore / Mário Pinheiro (Intérprete) / Nº do Álbum: 40.472 / Lançamento: 1906 / Gênero musical: Cançonetta / Coleção de Origem: IMS, Nirez



LP 10' Sílvio Caldas - Canta O Seresteiro (Vinyl) / Título da música: Casinha Pequenina / Tradicional; Folclore / Sílvio Caldas (Intérprete) / Gravadora: Columbia / Álbum: LPCB 35027 / Ano: 1956 / Tracklist: B3 / Gênero musical: Modinha



Tu não te lembras da casinha pequenina / Onde o nosso amor nasceu / Tu não te lembras da casinha pequenina / Onde o nosso amor nasceu / Tinha um coqueiro do lado / Que coitado de saudade já morreu / Tinha um coqueiro do lado / Que coitado de saudade já morreu

Tu não te lembras das juras e perjuras / Que fizeste com fervor / Tu não te lembras das juras e perjuras / Que fizeste com fervor / Do teu beijo demorado prolongado / Que selou o nosso amor / Do teu beijo demorado prolongado / Que selou o nosso amor

Tu não te lembras do olhar que a meu pesar / Dou-te o adeus da despedida / Tu não te lembras do olhar que a meu pesar / Dou-te o adeus da despedida / Eu ficava tu partias tu sorrias / E eu chorei por toda a vida / Eu ficava tu partias tu sorrias / E eu chorei por toda a vida

(Letra da música enviada em 24/06/2000 por: Sirley Thaumaturgo Siqueira. Email: sirley73@hotmail.com).

Versão cifrada da Nara Leão:
 Am                   E7 
  Tu não te lembras da casinha pequenina 
                  Am    
Onde o nosso amor   nasceu? 
                     E7 
Tu não te lembras da   casinha pequenina 
                  Am        A7 
Onde o nosso amor nasceu? 
Dm                    Am 
Tinha um coqueiro do lado 
                  E7 
Que coitado de saudade 
 Am    A7   
Já morreu! 
Dm                      Am 
Tinha um coqueiro do lado 
               E7 
Que coitado de saudade 
      Am     E7 
Já morreu! 

 Am                      E7 
Tu não te lembras das juras e perjuras 
                 Am 
Que fizeste com fervor? 
Am                      E7         
Tu não te lembras das juras e perjuras 
                 Am      A7 
Que fizeste com fervor? 
Dm                  Am 
Daquele beijo demorado, prolongado 
     E7 
Que selou 
          Am   A7 
O nosso amor? 
Dm                  Am           
Daquele beijo demorado, prolongado 
    E7 
Que selou 
         Am  E7 Am 
O nosso amor...


A Canção no Tempo - Vol.2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

quinta-feira, março 09, 2006

Nozinho


Nozinho (Carlos Vasquez), cantor, nasceu em Macau, Rio Grande do Norte, em 04/11/1887 e faleceu no Rio de Janeiro em 20/03/1962. Foi para o Rio de Janeiro em 1897, iniciando a carreira profissional como humorista. Gravou então, para a Casa Edison, o lundu cômico O Padre e o Sacristão.


Mais tarde, destacou-se entre os seresteiros por sua voz clara e emotiva, e passou a integrar o primeiro grupo de cantores profissionais da Casa Edison, ao lado de Mário Pinheiro, Eduardo das Neves, Cadete e Bahiano. Em 1917 foi nomeado oficial de justiça, tornando-se colega de Donga e Bororó.

Considerado um dos grandes intérpretes de Catulo da Paixão Cearense, possuía extenso repertório de modinhas dos fins do século XIX e inícios do século XX. Deixou algumas dezenas de discos gravados pela Odeon (Casa Edison), Faulhaber e Columbia. Afirmava ser um dos anunciadores das músicas nas gravações mecânicas da Odeon, mas na verdade a norma era cada cantor anunciar sua própria gravação.


Fonte: Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 2000

Mário Pinheiro


Mário Pinheiro, cantor, nasceu em Campos RJ (1880) e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 10/1 /1923. Estreou como palhaço de um circo do bairro carioca da Piedade. Passou depois a atuar como cantor, sendo logo contratado com exclusividade por Fred Figner, fundador e proprietário da Casa Edison, do Rio de Janeiro.


Com Bahiano, Cadete, Nozinho e Eduardo das Neves, formou o quadro de cantores profissionais que realizaram as primeiras gravações de discos de gramofone no Brasil, iniciadas em 1902.

Sua dicção impecável levou-o a tornar-se o principal anunciador de discos da Casa Edison. Contratado pela Victor norte-americana, esteve nos E.U.A. e Itália, onde estudou canto, chegando a cantar no Teatro Alla Scala, de Milão. Voltou ao Brasil como baixo-cantante de uma companhia lírica.

Representando Tapir na ópera Moema, de Delgado de Carvalho, fez parte do programa de inauguração do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, a 27 de julho de 1909.

Sua discografia, a mais extensa realizada por qualquer cantor de sua época, inclui gravações que vão de 1902 a 1919, para as etiquetas Odeon-Record, Columbia, Phonograph e Victor Record. Com o soprano Zola Amaro, cantou em 1920, no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, a ópera Condor (Carlos Gomes).

Detentor de grandes sucessos da música popular brasileira das duas primeiras décadas do século, entre suas interpretações destacam-se Ai, Maria (Edi Capua, versão de Russo), canção; Ao som da viola, desafio; O boêmio (Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense), tango; A brisa dizia à rosa, canção; Canção mineira, dueto; Na casa branca da serra (Miguel Emídio Pestana e Guimarães Passos), modinha; A casaca do homem, lundu; Casinha Pequenina (domínio público), canção; Clélia (Luís de Sousa e Catulo da Paixão Cearense), modinha; De Marília os lindos olhos, modinha; É loucura, meu anjo, modinha; Gentil Maria, modinha; Gondoleiro do Amor, modinha; As horas que passo, modinha; Isto é bom, lundu; Luar do Sertão (João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense), toada; Lundu infernal, lundu; Minha viola, toada; Mulata vaidosa, lundu; Nas horas mortas da noite, modinha; Ó pálida madona, modinha; Os olhos de Marília, modinha; Perdão Emília, modinha; Pierrot, canção; Pinica-pau, chula; Por um beijo, modinha; Primeiro amor, modinha; Quando morre o amor, valsa; Quando o meu peito, modinha; Quitutes, lundu; O rouxinol, modinha; Sertanejo enamorado, tango; Sô angu, lundu; Sou teu escravo, modinha; Stella, modinha; Talento e formosura (Edmundo Otávio Ferreira e Catulo da Paixão Cearense), modinha; e Teu pé, modinha.

Algumas interpretações












Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.