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sábado, janeiro 04, 2014

Amaro Silva

Amaro Silva (Circa 1910 Pernambuco), flautista e compositor, teve sua primeira composição gravada, quando Aurora Miranda lançou seu samba Não tem rival, em 1934, na Odeon.

Em 1937, teve os sambas Triste fim de um coração e Respeita a cadência gravados por Odete Amaral na Columbia. No ano seguinte,
Ciro Monteiro gravou pela Victor o samba Ela não compreende.

Em 1940, o samba Com você e sem você, com Nelson Teixeira, foi gravado por Arnaldo Amaral na Columbia.

Em 1941, foram gravadas a marcha Tinha gente assim, com Raul Longras, pela dupla caipira Alvarenga e Ranchinho, e o samba Confessa, com Ary Barroso, pelo cantor Deo, ambos em discos Odeon.

Em 1942, Odete Amaral gravou na Odeon a marcha Vitaminas, com Djalma Mafra e Domício Augusto. No ano seguinte, os sambas Desta vez vou ser feliz e Réu primário, com Djalma Mafra, foram gravados por Marilu na Victor. Em 1944, a marcha Salve o inventor da mulher, com Djalma Mafra, foi gravada na Odeon por Odete Amaral.

Em 1987, seus sambas Triste fim de um coração e Respeita a cadência, na interpretação de Odete Amaral e acompanhamento musical do Conjunto Regional Cruzeiro do Sul, foram incluídas no LP "Grandes cantoras", que o selo Revivendo lançou com gravações de Odete Amaral, Laís Marival, Araci Cortes e Carmen Barbosa.

Em 1985, o samba Mulher bonita, com Domício Alves Magalhães, foi gravado pelo Trio Palestina. Em 1991, o samba Vitaminas, com Djalma Mafra e Domício Augusto, na interpretação de Odete Amaral foi incluído no LP "A coroa do Rei", que o selo Revivendo lançou com gravações de Francisco Alves, Rosina Pagã, Dircinha Batista e Odete Amaral.

Em 2004, o samba Confessa, com Ary Barroso, em gravação de Deo foi relançado pelo selo Revivendo no CD triplo "Ary Barroso - Nossa Homenagem", em homenagem ao centenário de Ary Barroso.

Começando a compor aos dez anos de idade

Quando Amaro Silva começou a rabiscar as primeiras letras num caderno escolar, fez um samba. Um samba onde havia muito de frevo e maracatu nortista. Ele nasceu em Pernambuco. Chegando ao Rio, garoto de calças curtas, começou a compor melodias inspiradas ao som de uma pequena flauta. Alicinha de Archambeau ouviu o novo Pan precoce e levou-o a presença de Joaquim Medina, o saudoso violonista falecido. Assim Amaro Silva ingressou no ambiente radiofônico. Logo depois, Carmen Miranda lançou um samba seu que obteve sucesso: “Artigo brasileiro”.

Falando à CARIOCA, Amaro diz:

— Cecília Miranda de Carvalho foi, no entanto, a verdadeira madrinha e pioneira de todas as minhas composições musicais. Hoje a irmãzinha de Carmen e Aurora Miranda encontra-se afastada do microfone, aguardando a chegada de um encantador bebê ao seu lar feliz.

Madame Abílio de Carvalho deixou Amaro Silva às voltas com Dircinha Batista. A deliciosa garota tomou a si o encargo de espalhar as músicas do jovem compositor, alcançando grande êxito com a interpretação de “Mocidade brasileira”, inegavelmente uma das melhores composições de Amaro Silva.

— Os meus sambas e marchas quase sempre exploram de preferência motivos patrióticos e coisas da nacionalidade — informa ele.

À exceção do seu primeiro samba, feito aos 10 anos de idade e intitulado: “Se fosses minha...”, o qual foi indiscutivelmente um verdadeiro caso de precocidade. Hoje, Amaro Silva dedica-se também a compor músicas para o teatro. Custódio Mesquita, notando o seu valor, levou-o para abrilhantar, musicalmente, as peças da Casa de Caboclo.

— Já estou escrevendo em “Alma de violão”, a nova peça de Duque e Miranda. Confesso que me desinteressei das gravações e edições musicais ao notar a desarmonia reinante no meio. Sinto-me bem no teatro.

Amaro Silva não deixará, no entanto, os estúdios radiofônicos e declara:

— Acho que não há um compositor melhor que outro: depende tudo da oportunidade da sua inspiração. Lamartine Babo tem tantos sucessos como Ary Barroso ou Assis Valente.

As suas artistas prediletas são: Carmen e Aurora Miranda, Dyrcinha Baptista e Aracy de Almeida, no rádio. Martha Eggerth, no cinema. Dulcina, no teatro.

— Também admiro profundamente Sylvio Caldas que é, sem favor, a voz do Brasil. César Ladeira — “speaker” absoluto e Cristóvão de Alencar — que anda seguindo de perto os valores do primeiro. Gosto de Procópio e admiro Bing Crosby.

Amaro Silva tem uma porção de composições musicais inéditas e várias gravadas, “Sem carinho”, samba, e “Canção de inverno” foram algumas das suas últimas produções lançadas, respectivamente, por Dircinha e Moacyr Montenegro, na PRA-9.

— O meu último samba intitula-se “Noite de São João” e destina-se ao concurso “Da Noite”, tendo sido feito de parceria com Salomão Suissa — termina Amaro Silva.

CARIOCA, de 06/06/1936

Algumas obras

Artigo brasileiro, Com você e sem você (c/ Nelson Teixeira), Confessa (c/ Ary Barroso), Desta vez vou ser feliz (c/ Djalma Mafra), Ela não compreende, Mocidade brasileira, Mulher bonita (c/ Domício Alves Magalhães), Não tem rival, Respeita a cadência, Réu primário (c/ Djalma Mafra), Salve o inventor da mulher (c/ Djalma Mafra), Tinha gente assim (c/ Raul Longras), Triste fim de um coração, Vitaminas (c/ Djalma Mafra e Domício Augusto).


Fontes: CARIOCA, de 22/2/1936 e 06/06/1936; Dicionário da MPB.

domingo, julho 07, 2013

Baptista Júnior

Baptista Júnior alcançou em nossos meios artísticos, grande prestígio e admiração. Especialmente no ambiente da ribalta a popularidade que desfrutou esse grande artista foi quase sem precedente. Iniciou sua difícil arte de fazer rir nos palcos de São Paulo, de onde o seu nome propagou-se com rapidez pelo Brasil inteiro. Foi considerado o maior ventríloquo do Brasil, conquistando em diversos concursos medalhas e diplomas de honra.


João Baptista de Oliveira Júnior, cantor, ventríloquo, comediante e compositor, nasceu em São Paulo, SP, em 15/01/1894, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 24/5/1943. Pai das cantoras Linda e Dircinha Batista, era casado com D. Emília Grandino de Oliveira, de tradicional família paulista e conhecida no meio artístico como D. Neném, com quem teve três filhas. Transferiu-se com a família para o Rio de Janeiro na década de 1920, em busca de melhores condições de trabalho, morando no bairro carioca do Catete.

Trabalhou como comediante, ventríloquo (imitava mais de 22 vozes sem abrir os lábios) e cançonetista. Conseguia a atuar com 18 bonecos e fazer as vozes para todos. Atuou no rádio, teatro e cinema e foi autor de várias cançonetas, cenas cômicas, lundus, valsas e sambas, muitos deles gravados pela Odeon e Columbia.

Gravou mais de 25 discos nos anos 1920 e 1930. Começou fazendo um tipo caipira. Seu primeiro disco foi Quadrilha do pé espaiado e o lundu Porque me enganou, numa fase em que a indústria de discos dava muita ênfase nas gravações de cômicos e cançonetistas, como Bahiano, Eduardo das Neves e outros.

Em 1928 gravou pela Odeon o samba Um adeus por despedida, de José Francisco de Freitas, além da cançoneta Chic-chic e a marcha Não vai chorar, de sua autoria.

Em 1929, foi contratado pela Columbia, estreando com uma série de três discos, que incluíam entre outras composições de sua autoria, a valsa Convencida, a toada Chuvinha e a cançoneta Futebol, uma das pioneiras a tratar do assunto. Nesse mesmo período, gravou diversas composições com motivos sertanejos como a prosa sertaneja Ó de casa e a canção sertaneja Mágoas de carreiro, ambas de sua autoria.

Em 1930, gravou as cenas cômicas Casamento na roça; Hotel dos viajantes e Na quitanda. No mesmo ano, gravou de Sátiro de Melo o cateretê Rela coco e a embolada Sacode a saia, caboca!. No mesmo ano, sua filha Dircinha Batista, então com oito anos de idade, iniciou-se na vida artísitca lançando um disco com duas composições de sua autoria, Borboleta azul e a a canção Dircinha.

Em 1931, gravou as canções cômicas Reflexos de um concurso de beleza e Apuros do chorão no dentista, de sua autoria. Nesse mesmo ano, participou do primeiro filme sonoro nacional, o Coisas nossas, produzido por Wallace Downey.

Em 1934, gravou na Odeon de sua autoria a cena cômica Infantilidade e a embolada Sururu.

Em 1936, retornou para a Columbia onde lançou mais dois discos com, entre outras, a Quadrilha da família chorão.

Teve importante papel na introdução de suas filhas, Linda e Dircinha, na carreira artística.

Batista Júnior e seus bonecos, com suas filhas Linda e Dircinha (Revista da Semana, de 17/4/1937)


Obra


A aldeiazinha, A boiada, A feira, A minha vida é viajar, A roseira, Adeus Momo, Agonizando, Apuros do chorão no dentista, Borboleta azul, Casamento na roça, Chic-chic, Chuvinha, Ciganinha, Convencida, El adios final, El collar, Futebol, Geraldo aviador, Hotel dos viajantes, Infantilidade, Infeliz nos amores, Jaboti, jatobá, Linda loira, Linda morena, Mágoas de carreiro, Marcha dos caixeiros viajantes, Me quieres matar, Miss Brasil, Monólogo caipira, Na delegacia, Na quitanda, Não estou embriagado, Não vai chorar, O barbeiro do arrabalde, O chorão, Ó de casa!, O professor de canto, O relógio carrilon, P. R. C...bola, Pai João, Passadas as eleições, Pinta meu bem, Porque sonhar?, Problemas dos empregados, Quadrilha da família Chorão, Quadrilha do pé espaiado, Reflexos do concurso de beleza, Rugidos da mata virgem, Saudades da minha infância, Sogra versus genro, Sonhei, Sururu, Te conheço Simplício, Trem Cruzeiro, Uma festa de São João na roça, Vancê já foi, Vasco X Corintians, Visita de um caipira paulista.

Playlist














Discografia


1918 Monólogo caipira • Phoenix • 78
1918 Visita de um caipira paulista • Phoenix • 78
1921 Quadrilha do pé espaiado • Odeon • 78
1921 Porque me enganou • Odeon • 78
1921 Linda morena • Odeon • 78
1921 Linda loira • Odeon • 78
1921 O espelho e a mulher • Odeon • 78
1921 A gauchada • Odeon • 78
1921 A roseira • Odeon • 78
1921 Porque sonhar? • Odeon • 78
1928 Independência/Um adeus por despedida • Odeon • 78
1928 Chic-chic/Não vai chorar • Odeon • 78
1928 Jaboti, jatobá/Borboleta azul • Odeon • 78
1929 Convencida/Saudades de minha infância • Columbia • 78
1929 O relógio carrilon/Pinta, meu bem • Columbia • 78
1929 Futebol/Chuvinha • Columbia • 78
1929 Me quieres matar/A feira • Columbia • 78
1929 El collar/El adios final • Columbia • 78
1929 Constantinopla/Adeus Momo • Columbia • 78
1929 Não estou embriagado/Ó de casa! • Columbia • 78
1929 Mágoas de carreiro/Uma festa de São João na roça • Columbia • 78
1929 Infeliz nos amores/Ciganinha • Columbia • 78
1929 Vancê já foi/Miss Brasil • Columbia • 78
1929 Vasco x Corinthians/A aldeiazinha • Columbia • 78
1929 Problemas dos empregados/Sonhei • Columbia • 78
1929 Sogra versus genro/Linda morena • Columbia • 78
1930 Na quitanda/Rugidos da mata virgem • Columbia • 78
1930 Casamento na roça/Hotel dos viajantes • Columbia • 78
1930 Pai João/Quadrilha do pé espaiado • Columbia • 78
1930 Linda loira/Passadas as eleições • Columbia • 78
1930 O chorão/Agonizando • Columbia • 78
1930 Te conheço Simplício/Trem Cruzeiro • Columbia • 78
1930 O professor de canto/Marcha dos caixeiros viajantes • Columbia • 78
1930 Rela coco/Sacode a saia, caboca! • Columbia • 78
1931 Reflexos do concurso de beleza/Apuros do chorão dentista • Columbia • 78
1931 A boiada/O barbeiro do arrabalde • Columbia • 78
1934 Infantilidade/Sururu • Odeon • 78
1936 Quadrilha da família chorão/P.R.C...bola • Columbia • 78
1936 A minha vida é viajar/Na delegacia • Columbia • 78

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Fontes: Revista da Semana, de 17/04/1937; Dicionário Cravo Albin da MPB; officinadosradios.blogspot.com.

sexta-feira, junho 21, 2013

O dom da família Batista

Batista Júnior e seus bonecos, com suas filhas Linda e Dircinha (Revista da Semana, de 17/4/1937)
“É difícil encontrar-se no meio artístico, qualquer que seja elementos da mesma família que se destaquem igualmente, sem que um, seja ofuscado pela fama do outro, do mais antigo. Há, não resta dúvida, exceções. Na América do Norte, a família Barrymore tem obtido grande sucesso, enquanto que aqui, no Brasil, a família Batista já se tornou famosa.

O primeiro nome a aparecer foi o de Batista Júnior, figura que alcançou nos nossos meios artísticos, grande prestígio e admiração. Especialmente no ambiente da ribalta a popularidade que desfrutou esse grande artista foi quase sem precedente. Iniciou sua difícil arte de fazer rir nos palcos de São Paulo, de onde o seu nome propagou-se com rapidez pelo Brasil inteiro. Considerado o maior ventríloquo do Brasil, conquistou em diversos concursos medalhas e diplomas de honra.

O seu nome cresceu... e sua fama espalhou-se com extraordinária facilidade, mesmo além fronteiras. Recebeu então convite para levar até os palcos argentinos e uruguaios, os seus já famosos bonecos falantes. E nestas duas repúblicas amigas, como em outros países sul-americanos os seus triunfos se sucederam. Voltando ao Brasil, percorreu quase todos os Estados colhendo os mais calorosos aplausos.

Pelo cenário radiofônico sua passagem foi também das mais brilhantes. Mesmo como compositor musical o seu nome obteve sucesso. Aliás, o primeiro disco gravado por Dircinha Batista, com apenas oito anos, foi a valsa de sua autoria: “Borboleta Azul”.  Sua última atuação no rádio deu-se na Nacional. Em princípios quase de 1943 quando preparava nova série de espetáculos radiofônicos faleceu. Legando, porém à Dircinha e Linda o seu nome e fibra de grande artista que foi.

Dircinha Batista, embora mais moça, é mais antiga no meio radiofônico do que Linda. Sua primeira atuação perante um microfone deu-se na Rádio Educadora Paulista. Mas seu primeiro contrato foi firmado com o Rádio Clube do Brasil, aos onze anos. E a garotaque fora a princesinha do rádio foi lançando uma série enorme de sucessos: “Pirata da areia”, “Periquitinho verde”, “Tirolesa”, “Upa, upa”, “Eu gosto de samba”, “Bem-te-vi”, “Música maestro” etc.

Como o do pai, seu nome projetou-se além fronteiras, culminando com uma temporada de relevo em Buenos Aires. Cantando com especialidade o samba e a marchinha brasileira, Dircinha interpreta com destaque o bolero mexicano, o tango portenho, dolente e nostálgico, as canções cubanas, e as próprias valsas brasileiras. Também no cinema nacional a “linda” Batista, tem emprestado o seu concurso, já tendo trabalhado em diversos filmes, entre os quais o famoso “Futebol em família”, tendo por gala Arnaldo Amaral.

O terceiro nome desta família em que o valor artístico pontificou é o de Linda Batista. Como Dircinha, foi levada ao microfone pela mão de Batista Junior.

Atuando, de início, em diversas estações simultaneamente o seu nome foi logo se tornando conhecido. Seu primeiro grande sucesso foi a marchinha “Bis Maestro”, sendo até hoje, um dos seus discos, que obteve maior venda. Em 1936, foi eleita pela primeira vez “rainha do rádio”, e desde então nunca mais perdeu o posto supremo. Seu primeiro contrato de exclusividade foi firmado com a Rádio Nacional, onde permaneceu durante alguns anos, transferindo-se no ano passado para a PRG3 Tupi do Rio.

Não só no rádio, mas também nos principais cassinos da cidade, de Belo Horizonte e de São Paulo, atuando ao lado de Grande Otelo, Linda Batista tem conquistado os mais frementes aplausos. No cinema o seu último grande sucesso foi conquistado em "Não adianta chorar", onde interpretou suas últimas grandes criações carnavalescas.

Como vêem os prezados leitores, três nomes da mesma família que obtiveram igual sucesso. "A força revolucionária da nossa música", Dircinha Batista e a "Rainha do Rádio", Linda Batista, são legítimas continuadoras dos sucessos de Batista júnior, sucessos que levaram aos grandes centros da América do Sul, o nome glorioso do Brasil artístico.”

(Reportagem de Batira Brasil)

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Fontes: Revista da Semana de Abril/1937; A Cena Muda de 06/03/1945.

terça-feira, janeiro 15, 2013

Chianca de Garcia

Chianca de Garcia (Eduardo Chianca de Garcia), compositor, teatrólogo e cineasta, nasceu em Lisboa, Portugal, em  14/05/1898, e faleceu no Rio de Janeiro em 28/01/1983. Ainda criança veio para o Brasil com a família, mas voltou periodicamente para Portugal.

Sua estréia em teatro foi em 1923, em Portugal, no Teatro Politeama, na peça A Filha do Lázaro, escrita por ele e por Norberto Lopes. Em 1937, escreveu com Tomás Ribeiro Colaço,  a revista Água vai!, grande sucesso no Teatro  da Trindade. Já era conhecido no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, quando resolveu entrar também para o cinema.

Seu começo cinematográfico, porém, não foi prazeroso, pois foi com o filme Ver e amar, que não foi bem recebido. Mas Chianca não desanimou. E continuou fazendo filmes e apareceu em inúmeros. Ficou conhecido por seu grande sucesso A Aldeia da Roupa Branca, que foi realizado em 1938, com argumento seu, planificação de José Gomes Ferreira e diálogos de Ramada Curto. Em 1936, já havia feito o filme O Trevo de Quatro Folhas. E em 38 fez também A Rosa do Adro.

Em 1940, já então radicado definitivamente no Brasil, fez o filme Purezas e em 41 24 Horas de Sonho. No Brasil era a época dos grandes cassinos e nos teatros de revista. E foi nesse ramo que Chianca mais se salientou. Foi responsável por montagem e direção de inúmeros shows do famoso Cassino da Urca, que era o mais importante na cidade do Rio de Janeiro e onde se apresentavam os grandes cantores e humoristas da época.

Em 1945, como compositor, teve duas parcerias em composições musicais com Vicente Paiva gravadas com sucesso pela cantora Dircinha Costa: os sambas Calendário e Não tens a lua. Ainda no mesmo ano, Heleninha Costa gravou com sucesso o hoje clássico samba Exaltação à Bahia, parceria com Vicente Paiva.

Em 1947, sua companhia estreou o espetáculo Um milhão de mulheres, escrito por J. Maia e Humberto Cunha, estrelado entre outros, por Grande Otelo e Salomé Parísio. Em 1948, o grupo Quatro Ases e um Coringa lançou o samba Bahia de todos os Santos, parceria com Vicente Paiva, pela Odeon.

Em 1950, escreveu com Hélio Ribeiro e produziu a superprodução Escândalos que marcou a estréia de Bibi Ferreira no teatro de revistas. No mesmo ano, fez grande sucesso o samba A Bahia te espera, parceria com Herivelto Martins, e lançado pelo Trio de Ouro.

Em 1951, quando da inauguração da TV Tupi, lá trabalhou como diretor em diversos programas. Em 1952, foi o roteirista do filme Appassionata de Fernando Barros. Em 1955, o fox-trot Aquilo que eu vejo, com Vicente Paiva, foi gravado na Continental por Linda Rodrigues.

Em 1962, teve as composições Exaltação à Bahia e Bahia de todos os santos, com Vicente Paiva, e A Bahia te espera, com Herivelto Martins, regravadas por Lana Bittencourt no LP Exaltação à Bahia, da Columbia. O samba A Bahia te espera, com Herivelto Martins, receberia ainda diversas gravações: em 1956, no LP Calendário páginas brasileiras - Henrique Simonetti com Orquestra e Conjunto da gravadora Polydor; em 1965, por Dalva de Oliveira no LP Rancho da Praça Onze da Odeon; no mesmo ano no LP Rio de 400 janeiros a trilha sonora do musical de Carlos Machado, apresentado no Golden Room do Copacabana Palace - Rio de Janeiro, e gravado em LP do selo Elenco com direção do maestro Lindolfo Gaya; por Maria Bethânea no LP Pássaro proibido de 1976, da Philips; pelo Trio de Ouro em sua terceira formação com Herivelto Martins, Raul Sampaio e Shirley Dom, para o LP Herivelto Martins - Que Rei sou eu?, de 1993, um tributo da Funarte a Herivelto Martins, e pelo grupo Fundo de Quintal no LP Carta musicada lançado em  1994 pela RGE. 

A importância de Chianca de Garcia  foi principalmente fazer a transição do teatro português para o brasileiro. Foi um batalhador dessa união e um grande representante dessa fusão, da qual nasceram os grandes ídolos artísticos da primeira metade do século vinte, no Brasil. Batalhador incansável e ardente admirador da arte dos dois mundos.

Fontes: Museu da TV Brasileira; Dicionário Cravo Albin da MPB.

domingo, novembro 28, 2010

Quem vive de vento

Dircinha Batista
Quem vive de vento (marcha, 1958) - Arnô Provenzano, William Duba e Otolindo Lopes

Disco 78 rpm / Título da música: Quem vive de vento / Autoria: Provenzano, Arnô (Compositor) / Lopes, Otolindo (Compositor) / Duba, William (Compositor) / Dircinha Batista, 1922-1999 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 18/09/1957 / Nº Álbum 801890 / Lado B / Lançamento: 01/1958 / Gênero musical: Marcha /

Mulher de toda parte / Seja o tipo que ela for
Precisa ter um protetor / Que importa se o tipo
É feio ou careca / O bolo recheado
É o que interessa!

Mulher de toda parte / Seja o tipo que ela for
Precisa ter um protetor / Que importa se o tipo
É feio ou careca / O bolo recheado
É o que interessa!

Sem carta
Ninguém é Romeu
Quem vive de vento
É pneu

Mamãe, eu levei bomba

Dircinha Batista
Mamãe, eu levei bomba (marcha, 1958) - Oldemar Magalhães e Jota Júnior

Disco 78 rpm / Título da música: Mamãe, eu levei bomba / Autoria: Jota Júnior (Compositor) / Magalhães, Oldemar (Compositor) / Dircinha Batista, 1922-1999 (Intérprete) / Coro (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta[S.l.]: RCA Victor, 18/09/1957 / Nº Álbum 801899 / Lado A / Lançamento: 01/1958 / Gênero musical: Marcha /

Mamãe, mamãe / Mamãe, eu levei bomba
Mamãe eu levei bomba / Pela primeira vez
Filhinha, filhinha / Filhinha queridinha
Foi francês? / Foi português?
Nem sei, mamãe / Nem sei
A prova foi tão dura, mamãe
Que eu naufraguei!

Mamãe, mamãe / Mamãe, eu levei bomba
Mamãe eu levei bomba / Pela primeira vez
Filhinha, filhinha / Filhinha queridinha
Foi francês? / Foi português?
Nem sei, mamãe / Nem sei
A prova foi tão dura, mamãe
Que eu naufraguei!

Agora
Não adianta chorar
O remédio é estudar...

Mamãe, mamãe / Mamãe, eu levei bomba
Mamãe eu levei bomba / Pela primeira vez
Filhinha, filhinha / Filhinha queridinha
Foi francês? / Foi português?
Nem sei, mamãe / Nem sei
A prova foi tão dura, mamãe
Que eu naufraguei!

Topada

Dircinha Batista
Topada (samba, 1958) - Oldemar Magalhães e Jota Júnior

Disco 78 rpm / Título: Topada / Autoria: Jota Júnior (Compositor) / Magalhães, Oldemar (Compositor) / Dircinha Batista, 1922-1999 (Intérprete) / Coro (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 25/09/1957 / Nº Álbum 801890 / Lado A / Lançamento: 01/1958 / Gênero: Samba /

É quando a vida / Está difícil de viver
Quando a panela / Está vazia no fogão
É quando água / Sai pingando na torneira
Eu peço a Deus / Pela sua proteção
Laiá / Não há de ser nada
Quem bota pobre pra frente / É topada!
(Laiá / Não há de ser nada
Quem bota pobre pra frente / É topada!)

É quando a vida / Está difícil de viver
Quando a panela / Está vazia no fogão
É quando água / Sai pingando na torneira
Eu peço a Deus / Pela sua proteção
Laiá / Não há de ser nada
Quem bota pobre pra frente / É topada!
Laiá / Não há de ser nada
Quem bota pobre pra frente / É topada!

Ela foi fundada

Dircinha Batista
Ela foi fundada (marcha, 1956) - Oldemar Magalhães, Otolindo Lopes e Arnô Provenzano

Disco 78 rpm / Título da música: Ela foi fundada / Autoria: Provenzano, Arnô (Compositor) / Magalhães, Oldemar (Compositor) / Lopes, Otolindo (Compositor) / Dircinha Batista, 1922-1999 (Intérprete) / Coro (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1956 / Nº Álbum 801692 / Lado B / Gênero musical: Marcha /

Conheço uma dona / Que se diz soçaite
Que passa dos sessenta / Não sai dos trinta e dois
Coitada, está cansada / De ficar no espelho
Tapando seus buracos / Com creme, pó-de-arroz
Ela foi fundada / Em 1882 !

Conheço uma dona / Que se diz soçaite
Que passa dos sessenta / Não sai dos trinta e dois
Coitada, está cansada / De ficar no espelho
Tapando seus buracos / Com creme, pó-de-arroz
Ela foi fundada / Em 1882 !

Ela foi fundada / Em 1882 !

Conheço uma dona / Que se diz soçaite
Que passa dos sessenta / Não sai dos trinta e dois
Coitada, está cansada / De ficar no espelho
Tapando seus buracos / Com creme, pó-de-arroz
Ela foi fundada / Em 1882 !

sexta-feira, novembro 14, 2008

A índia vai ter neném

Dircinha Batista
A índia vai ter neném (marcha/carnaval, 1964) - Haroldo Lobo e Milton de Oliveira - Interpretação: Dircinha Batista.

Disco 78 rpm / Título da música: A índia vai ter neném / Autoria: Lobo, Haroldo (Compositor) / Oliveira, Milton de, 1919-1986 (Compositor) / Batista, Dircinha, 1922-1999 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Mocambo, Indefinida / Nº Álbum 15543 / Lado B / Lançamento: Janeiro/1964 / Gênero musical: Marcha.


A índia vai ter neném!
Mais um, mais um
Mais um que vem! (bis)

Depois que vem o "baby",
Chefe pinta "baby" de urucum,
E fica a tribo toda só na boca:
Mais um, mais um, mais um!

terça-feira, setembro 16, 2008

A coroa do rei

Dircinha Batista
A coroa do rei (samba/carnaval, 1950) - Haroldo Lobo e David Nasser - Intérprete: Dircinha Batista

Disco 78 rpm / Título da música: A coroa do rei / David Nasser, 1917-1980 (Compositor) / Haroldo Lobo (Compositor) / Dircinha Batista, 1922-1999 (Intérprete) / Carioca e Sua Orquestra com Coro (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 30/09/1949 / Lançamento: 12/1949 / Nº do Álbum: 12962 / Nº da Matriz: 8564 / Gênero: Batucada / Coleções de origem: IMS, Nirez


A coroa do Rei,
Não é ouro nem de prata,
Eu também já usei,
E sei que ela é de lata.

A coroa do Rei,
Não é de ouro nem de prata,
Eu também já usei,
E sei que ela é de lata.

Não é ouro nem nunca foi
A coroa que o Rei usou
É de lata barata
E olhe lá... borocochô

Na cabeça do Rei andou
E na minha andou também
É por isso que eu digo
Que não vale um vintém.



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quinta-feira, agosto 28, 2008

Passarinho da lagoa

Dircinha Batista
Passarinho da lagoa (cateretê/toada, 1949) - Fernando Lobo e Evaldo Rui - Intérprete: Dircinha Batista

Disco 78 rpm / Título da música: Passarinho da lagoa / Evaldo Rui, 1913-1954 (Compositor) / Fernando Lobo, 1915-1996 (Compositor) / Dircinha Batista, 1922-1999 (Intérprete) / Dante Santoro e seu Regional (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 26/01/1949 / Lançamento: 03/1949 / Nº do Álbum: 12924 / Nº da Matriz: 8489 / Gênero musical: Toada / Coleções de origem: IMS, Nirez


Passarinho da lagoa se tu queres avoá
Avoa avoa avoa agora já
Com o biquinho pelo chão e as asinhas pelo ar
Avoa avoa avoa agora já

Passarinho da lagoa se tu queres avoá
Avoa avoa avoa agora já
Com o biquinho pelo chão e as asinhas pelo ar
Avoa avoa avoa agora já

Passarinho da lagoa não despertes meu amor
Ainda é muito cedinho, madrugada nem chegou
Meu amor está na rede, a rede balançô
Passarinho, passarinho não despertes meu amor



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

terça-feira, julho 29, 2008

Rio

Dircinha Batista
Rio (samba, 1948) - Ary Barroso - Intérprete: Dircinha Batista

Disco 78 rpm / Título da música: Rio / Ary Barroso (Compositor) / Dircinha Batista, 1922-1999 (Intérprete) / Guari [Direção], Orquestra Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 02/07/1948 / Lançamento: 09/1948 / Nº do Álbum: 12877 / Nº da Matriz: 8391 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: IMS, Nirez


Rio,
Barulho de rodas rangendo
Barulho de gente correndo
Que vai pro trabalho e é feliz

Rio
Batida de bumbo e pandeiro
Batuque do bom no terreiro
Cabrochas gingando seus quadris

Rio
Que conta anedota no bar
Que vai pros estádios gritar
Canta samba de improviso

Rio
Copacabana feiticeira
Jóia da terra brasileira
Pedaço do paraíso

Bate tamborim
Oi, baticum lelê
Rio de Janeiro
Rio, Rio
Céu azul
Verdes montanhas
E o mar de águas verdes
Praias inundadas de sol

Pra Iaiá, Iaiá
Pra Ioiô, Ioiô
Pra Sinhá, sinhá
E pra Sinhô
Terra de amor
De luz
De vida
E de resplendor



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

terça-feira, março 18, 2008

Inimigo do batente

Dircinha Batista
Inimigo do batente (samba, 1940) - Wilson Batista e Germano Augusto - Intérprete: Dircinha Batista

Disco 78 rpm / Título da música: Inimigo do batente / Germano Augusto (Compositor) / Wilson Batista, 1913-1968 (Compositor) / Dircinha Batista, 1922-1999 (Intérprete) / Orquestra Odeon sob Direção de Simon Bountman (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 05/10/1939 / Lançamento: 05/1940 / Nº do Álbum: 11834 / Nº da Matriz: 6214 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: IMS, Nirez


Eu já não posso mais
A minha vida não é brincadeira, é
Estou me desmilinguindo
Igual a sabão na mão de lavadeira
Se ele ficasse em casa
Ouvia a vizinhança toda falando
Só por me ver lá no tanque, lesco, lesco
Lesco, lesco, me acabando.

Se eu lhe arranjo trabalho
Ele vai de manhã
De tarde, pede a conta

Eu já estou cansada de dar
Murro, em faca de ponta
Ele disse pra mim
Que está esperando ser Presidente
(tirar patente)
Do Sindicato dos Inimigos do Batente
(ai, ai, meu Deus)

Ele dá muita sorte
É um moreno forte
Ele é mesmo um atleta
Mas tem um grande defeito
Ele diz que é poeta
Ele tem muita bossa e compôs um samba
E quer abafar, é de amargar
Não posso mais
Não me dá forra, vou desguiar....



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Eu gosto do samba

Dircinha Batista
Eu gosto do samba (samba, 1940) - Ary Barroso - Intérprete: Dircinha Batista

Disco 78 rpm / Título da música: Eu gosto do samba / Ary Barroso (Compositor) / Dircinha Batista, 1922-1999 (Intérprete) / Louis Cole e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 29/07/1940 / Lançamento: 09/1940 / Nº do Álbum: 11890 / Nº da Matriz: 6443 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: IMS, Nirez


Eu gosto de samba
Até parece moamba
Feitiço, despacho ou mandiga,
Eu estremeço toda
Num samba de roda
Que ginga, que ginga
Ai, ai
Eu nasci tropical
Nesta terra ideal
Eu sou brasileira
Enfezada.

E no meu corpo moreno
Circula o veneno
Da batucada
Oi a cuíca: hum, hum, hum, hum
Oi o pandeiro: tche, tche, tche, tche
O tamborim: pa, pa, pa, pa.

Brasil
Quem fala
Fala de mágoa
Por que o samba mexe com a gente
Ou não mexe
Deliciosamente, ai!
Malevolentemente, ai!
Maliciosamente, ai!
Assustadoramente, ai!



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

segunda-feira, março 17, 2008

Tirolesa

Tirolesa (marcha/carnaval, 1939) - Paulo Barbosa e Osvaldo Santiago - Intérprete: Dircinha Batista

Disco 78 rpm / Título da música: Tirolesa / Osvaldo Santiago, 1902-1976 (Compositor) / Paulo Barbosa, 1900-1955 (Compositor) / Dircinha Batista, 1922-1999 (Intérprete) / Orquestra Odeon (Acomp.) / Simon Bountman [Regente] (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 20/10/1938 / Lançamento: 12/1938 / Nº do Álbum: 11671 / Nº da Matriz: 5948 / Gênero musical: Marcha carnavalesca


Ò tirolesa, ò tirolesa
Sei que tu moras
No subúrbio da Central
Ò tirolesa, ò tiroleza
Eu te conheço
Desde o outro carnaval

Eu já peguei um touro à unha
Na Catalunha, na Catalunha
E venho agora farrear
Com uma peninha no chapéu
Pra atrapalhar



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quinta-feira, abril 06, 2006

Dircinha Batista


Dircinha Batista (Dirce Grandino de Oliveira), cantora e compositora, nasceu em São Paulo SP em 7/4/1922. Filha do ventríloquo e humorista Batista Júnior (João Batista de Oliveira), de quem adotou o sobrenome artístico, e irmã da cantora Linda Batista, sua família já morava no Rio de Janeiro RJ, no bairro do Catete.


Aos quatro anos, começou a ser alfabetizada num grupo escolar da Praça José de Alencar, cursando os dois anos seguintes, respectivamente, nos colégios Sion e São Marcelo. Já aos seis anos fez sua estréia, cantando Morena cor de canela (Ari Kerner), em um espetáculo organizado por Raul Roulien, no Teatro Santana, em São Paulo, para o qual o pai tinha sido convidado. Passou então a apresentar-se como cantora, acompanhando o pai em suas apresentações.

Ainda em 1928, cantou com sucesso no Cine Boulevard, em Vila Isabel, Rio de Janeiro. No ano seguinte ingressou no Colégio Divina Providência, onde terminou o curso primário. Em 1930, com oito anos, gravou seu primeiro disco, na Columbia, com o nome de Dircinha de Oliveira. As duas primeiras músicas gravadas, Borboleta azul e Dircinha, eram de autoria de seu pai, e o acompanhamento foi feito por Gaó, Jonas e Zezinho (Zé Carioca).

Em 1933 gravou pela Odeon seu segundo disco, cantando A órfã e Anjo enfermo (Cândido das Neves), que, junto com Tute, a acompanhou no violão. Um ano mais tarde, estreou na Rádio Cajuti (hoje Vera Cruz), participando do programa de Francisco Alves; aí ficou apenas um ano, passando em seguida para a Rádio Clube (hoje Mundial).

Em 1935, quando cursava o ginásio no Ateneu São Luís, estreou no cinema, cantando Eu vi você no posto três (João de Barro), no filme Alô, alô, Brasil, de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro. No ano seguinte, já com o nome de Dircinha Batista, cantou e dançou no filme de Ademar Gonzaga Alô, alô, Carnaval, interpretando as marchas Pirata e Muito riso, pouco siso (ambas de João de Barro e Alberto Ribeiro), gravadas no mesmo ano em disco Victor, da mesma forma que as marchinhas Meu sonho foi balão (Alberto Ribeiro) e Meu moreno (Hervé Cordovil).

A marchinha Periquitinho verde (Nássara e Sá Róris), seu primeiro grande sucesso, no Carnaval de 1938, aconteceu quase que por acaso: em 1937, Benedito Lacerda convidou-a para gravar na Columbia Não chora, música de sua autoria e de Darci de Oliveira, e, como não houvesse música para o outro lado do disco, Nássara terminou a segunda parte de Periquitinho verde no próprio estúdio, a tempo de ser incluída na gravação.

Em 1938, participou de três filmes: Bombonzinho, de Mesquitinha, e Banana da terra e Futebol em família, ambos de J. Rui. No final desse ano, gravou pela Columbia a marcha Tirolesa (Osvaldo Santiago e Paulo Barbosa), muito cantada no Carnaval seguinte. O ano de 1939 trouxe vários sucessos para a intérprete, contratada pela Columbia até 1953: entre eles, o chorinho Moleque teimoso (Roberto Martins e Jorge Faraj) e a marcha Barba Azul (Osvaldo Santiago).

Com a marcha Upa, upa (Meu trolinho) (Ary Barroso), marcou com êxito sua presença no Carnaval de 1940. Ainda nesse ano, foi escolhida como A Cantora da Cidade pelo jornal carioca O Globo, participou do filme Laranja da china, de J. Rui, e passou a pertencer, após curto período, ao elenco da Rádio Ipanema.

Sua primeira viagem artística ao exterior foi realizada também em 1940, quando se apresentou na Rádio Municipal e no Teatro Colón, de Buenos Aires, Argentina, em programas mantidos pelo governo brasileiro para propaganda do café.

A partir de 1943 seus discos passam a sair com o selo Continental (até 1948), e no mesmo ano começou a trabalhar na Rádio Tupi. Fez parte do elenco do filme Abacaxi azul, de J. Rui, em 1944, gravando outro sucesso para o Carnaval de 1945, o samba Eu quero é sambar (Peterpan e Alberto Ribeiro).

Em 1947, participou do filme Fogo na canjica, de Luís de Barros, e no ano seguinte foi a primeira artista a ser eleita Rainha do Rádio pela Associação Brasileira de Rádio. Fez sua estréia como radioatriz na novela Meu amor, de Hélio do Soveral, e gravou Nunca (Lupicínio Rodrigues), em 1951, ano em que também fez parte da Companhia Teatral de Derci Gonçalves, apresentando-se no Teatro Glória, do Rio de Janeiro. No final desse mesmo ano, assinou contrato com as rádios Nacional e Clube. Nesta última fez o programa Recepção, escrito por Eugênio Lira Francisco e dirigido musicalmente pelo maestro Alceu Bocchino. Quando a Rádio Clube fechou, permaneceu apenas na Rádio Nacional, onde fazia o programa Galeria Musical, escrito por Paulo Roberto e com direção musical de Leo Peracchi.

O ano de 1953 marcou sua segunda experiência teatral, também no Teatro Glória, desta vez com a Companhia Barreto Pinto, além de sua transferência para a gravadora Victor, onde gravou um de seus maiores êxitos, o samba-canção Se eu morresse amanhã de manhã (Antônio Maria). Nos seis anos seguintes participou de sete filmes: Carnaval em Caxias, de Paulo Wanderley, em 1954; Guerra ao samba, de Carlos Manga, em 1955; Tira a mão daí, de J. Rui, e Depois eu conto, de José Carlos Burle, em 1956; Metido a bacana, de J. B. Tanko, em 1957; É de xuá, de Vítor Lima, em 1958; e Mulheres à vista, de J. B. Tanko, em 1959.

No Carnaval de 1958, fez sucesso com a música Mamãe, eu levei bomba (J. Júnior e Oldemar Magalhães). Como repórter e animadora de programas, passou a trabalhar na TV Tupi, em 1961. Para o Carnaval de 1963, gravou, pela Mocambo, a marchinha O último a saber, de Klécius Caldas e Brasinha, a mesma dupla de Casa de sapé, que foi seu sucesso no Carnaval de 1965.

Em 1964 lançou A índia vai ter neném (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira). Na década de 1970 encerrou sua carreira, depois de mais de 40 anos de atividades artísticas e mais de 300 gravações em 78 rpm.

Algumas músicas


















Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.