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terça-feira, dezembro 05, 2017

Elizeth Cardoso - Canção do amor demais


Canção Do Amor Demais (1958) - Tom Jobim e Vinícius de Moraes - Interpretação: Elizeth Cardoso

LP Canção Do Amor Demais / Título da música: Canção do Amor Demais / Vinícius de Moraes (Compositor) / Tom Jobim (Compositor) / Elizeth Cardoso (Intérprete) / Gravadora: Festa / Ano: 1958 / Nº Álbum: LDV 6002 / Lado B / Faixa 7 / Gênero musical: Canção / MPB / Obs.: Arranjos e Regência: Tom Jobim. Gravado no Estúdio da Odeon (três canais), no Rio de Janeiro, em janeiro de 1958.


Tom: Em

 Em       F#7     B7            Em     
Quero chorar  porque te amei demais  
         F#7 
Quero morrer 
  B7               E7(4)                   
porque me deste a vida  
E7        Am7           A#º           Bm7 
Oh! meu amor será que nunca hei de ter paz 
          A#º                     
Será que tudo que há em mim  
                Am7               F#7 
Só quer sentir saudade  E já nem sei 
   B7            Em      
o que vai ser de mim  
        F#7       B7            E7(4) E7 
Tudo me diz  que amar será meu fim   
       Am7            A#º       
Que desespero traz o amor  
         Em/B                  C 
Eu nem sabia      o que era o amor  
         F#m7(b5)       Cm6            Em 
Agora sei             porque não sou feliz 
Letra:

Quero chorar porque te amei demais
Quero morrer porque me deste a vida

Oh, meu amor, será que nunca hei de ter paz
Será que tudo que há em mim
Só quer sentir saudade

E já nem sei o que vai ser de mim
Tudo me diz que amar será meu fim

Que desespero traz o amor!
Eu nem sabia o que era o amor
Agora sei porque não sou feliz

sábado, março 24, 2012

Elizeth, campeã de “charleston”

Elizeth Cardoso
A famosa Kananga do Japão, sociedade recreativa e carnavalesca até hoje é relembrada, como o foi por Lamartine Babo na sua marcha-rancho Seja lá o que Deus quiser. Ali se disputavam quase sempre renhidos campeonatos de valsas e de maxixe figurado, pois era familiar. Ao ritmo, às vezes lento, outras vivo, vertiginoso, buliçoso, conduzido por Masson, Manoel-da-Harmonia, Bulhões, mais alguns pianistas dos melhores da época, os pares competiam em disputa de medalhas, taças ou diplomas. E incentivando os participantes havia sempre numerosa assistência aplaudindo, torcendo por seus favoritos.

Mas, naquela domingueira dançante levada a efeito no salão da desaparecida Rua Senador Euzébio, onde no número 44 a Kananga tinha sede, promoveu-se um concurso infantil de charleston. A dança norte- americana com sua coreografia exótica, agitada, estava em grande voga nos clubes e na cidade. Foi fácil, portanto, reunir um punhado de meninos e meninas para o torneio idealizado. Ao final, depois de uma exibição que empolgou a comissão julgadora e sob palmas de entusiasmo, foi proclamada vencedora a garota Elizeth, sobrinha do Juca (conhecido como Juca da Kananga), um dos dirigentes da agremiação.

A Kananga e sua fama

Adotando como denominação o nome que os dicionários de botânica informam ser o de uma árvore aromática da Ásia e pertencer à família das zingiberáceas, a Kananga do Japão passou logo a dominar entre suas co-irmãs. Surgiu como grêmio carnavalesco e desde seu início, quando na Rua Barão de São Felix, 189, arregimentou os mais denodados foilões. Um deles, o João Machado Guedes (João da Baiana), que em 1911 era o diretor de harmonia. Já os seus bailes naquele tempo atraíam vultosa concorrência e quando nos dias do reinado de Momo fazia as costumeiras passeatas, ou ia à lapinha no Largo de São Domingos, o povo não lhe regateava aplausos.

Sua fama, porém, que a tornou conhecida e fez sua tradição chegar ainda vigorosa ao presente 1964, mesmo depois de desaparecida há mais de vinte anos, vem, não há dúvida, do tempo da Rua Senador Euzébio, 44. Naquele modesto sobrado de salão amplo, tendo a dirigir suas festividades o Juca, o Paiva e o Julio Simões; 101 que verdadeiramente teve seu nome propalado tanto na zona norte como na sul da cidade. Por isso, os bailes que realizava, animados por pianistas exímios, inclusive o popularíssimo Sinhô, estendiam-se até 5 e 6 horas da manhã com a casa apinhada e em franca animação até o clássico galope final.

No baile com o titio

Morava em frente à Kananga onde o seu tio Juca era o maioral, a menina Elizeth. Já que — conforme declarou em recente entrevista — sempre foi “muito saliente”, pedia, e muitas vezes ia aos bailes, principalmente aos das tardes de domingos. Seu encantamento pela música, seu desembaraço mostravam, desde então, que ela poderia vir a ser, como aconteceu, uma das grandes intérpretes de nosso cancioneiro. Dançava com outras crianças e seu garbo, a correção dos passos, provocava elogios: “essa menina vai longe!”.

Às vezes, para mostrar a precocidade da sobrinha, Juca no intervalo das danças dessas domingueiras fazia-a cantar e Elizeth, sem acanhamento, exibia-se num recital cujo agrado chegava aos pedidos de bis. Cresceu, assim, no ambiente de música dos bailes da Kananga do Japão. Quando Jacob (do bandolim) a conheceu numa festa em casa de sua tia Ivone, na Rua do Resende, e a levou para a Rádio Guanabara, na Rua Primeiro de Março, 123, ela já tinha o aprendizado do salão da Rua Senador Euzébio.

Campeã de “charleston”

Originário da cidade da qual trouxe o nome, o charleston chegou ao Brasil e se adaptou como dança ao ritmo de nossas marchinhas brejeiras e carnavalescas. Na época em que a Kananga do Japão realizou o aludido campeonato infantil, José Francisco de Freitas já havia lançado a Zizinha. Foi pois, com essa música executada ao piano por Tojeiro, que a gurizada entrou em competição procurando cada qual executar com maior requinte os passos e espalhafatosos movimentos coreográficos Ao mesmo tempo que agitavam braços e pernas as crianças cantavam em conjunto: “Zizinha, Zizinha!, ò vem comigo, vem, minha santinha”.

Como em toda disputa deve haver um júri, comissão julgadora ou algo que se assemelhe na que se travou para ver qual a menina ou menino melhor dançarino de charleston isso não foi esquecido. Um grupo de adultos acompanhava atento a competição e proclamou vencedora a garota Elizeth, embora dona Délia, comadre do Juca, pretendesse ver vitoriosa sua filha Zaíra. O triunfo era incontestável e houve mesmo quem apontasse Elizeth como imitadora perfeita de Josephine Baker em todos os seus trejeitos da dança inventada pelos coloreds da Carolina do Sul.

Constância da Kananga

A menina que foi campeã de charleston é hoje um nome glorificado em nossa música popular sendo ora qualificada como a Divina, ora como a Magnífica. Elizeth Cardoso (que um jornalista disse “está para o samba como Ella Fitzgerald para o jazz, no grau de divindade, de monstro sagrado”), no entanto jamais esqueceu a famosa Kananga do Japão. A tradicional sociedade recreativa e carnavalesca onde foi campeã de charleston e foi madrinha de São Jorge — que entronizado no alto da escada, era o padroeiro da agremiação — traz-lhe sempre ternas recordações.

Quando um dia Lamartine Babo compôs essa bonita marcha-rancho intitulada Seja lá o que Deus quiser, Elizeth quis, com bastante interesse, incluí-la em seu repertório. Assim como a Canção do Amor tem lugar destacado entre as várias dezenas de suas interpretações primorosas, a do saudoso Lalá, falando das pastoras da Kananga do Japão, transporta-a ao salão da Rua Senador Euzébio.

Revive então, emocionada, a tarde de domingo em que com seu vestidinho curto, graciosa cantava: “Zizinha, Zizinha!, ò vem comigo, vem, minha santinha...”. E vencia um campeonato de charleston.

(O Jornal, 17/5/1964)
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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

quarta-feira, novembro 24, 2010

Dá-me tuas mãos

Elizeth Cardoso
Dá-me tuas mãos (samba-canção, 1951) - Erasmo Silva e Jorge de Castro

Título da música: Dá-me tuas mãos / Gênero musical: Samba canção / Intérprete: Elizeth Cardoso / Compositores: Silva, Erasmo - Castro, Jorge de / Gravadora Todamérica / Número do Álbum 5052 / Data de Gravação 00/1951 / Data de Lançamento 00/1951 / Lado A / Disco 78 rpm:


Dá-me tuas mãos
Os seus lábios eu quero beijar
Deixa que eu veja os meus olhos
Nos teus olhos
Para que eu possa sonhar

Dá-me tuas mãos
Meu olhar te procura em vão
Pois quanto mais tu te afastas
Mais padece o mei coração

Quero que os teus olhos
Me olhem
Como te olham os meus
Quero que eles sintam
Em meus olhos
Tudo que sinto nos teus

Dá-me tuas mãos
Fica perto de mim, por favor
Se tu fores embora
Outra vez, amor
Eu morrerei de dor...

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Folhas no ar


Folhas no ar (samba, 1965) - Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho - Intérprete: Elizeth Cardoso

LP Elizete Sobe o Morro / Título da música: Folhas no ar / Hermínio Bello de Carvalho (Compositor) / Elton Medeiros (Compositor) / Elizeth Cardoso (Intérprete) / Gravadora: Copacabana / Ano: 1965 / Álbum: CLP 11434 / Lado A / Faixa 3 / Gênero musical: Samba.



Vou buscar aquilo que foi meu
E que no mundo se perdeu
Qual folhas que o vento soltou no ar
Ter a mesma paz de antigamente
Sair cantando por cantar
Qualquer canção sob qualquer luar


Vou buscar aquele amor tão meu
Sair andando a perguntar
Qual o caminho por onde ele foi
E por onde for irei também
Até o coração achar
Que simplesmente não achou


E aí então vou entender
Que ao buscar eu me perdi
De tudo aquilo que eu sou 

quinta-feira, novembro 06, 2008

A canção dos seus olhos

Elizeth Cardoso
A canção dos seus olhos (samba-canção, 1960) - Pernambuco e Antônio Maria - Intérprete: Elizeth Cardoso

Disco 78 rpm / Título da música: A canção dos seus olhos / Maria, Antônio (Compositor) / Pernambuco (Compositor) / Cardoso, Elizeth (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Copacabana, 1960 / Nº Álbum 6141 / Gênero musical: Samba canção.



Ai, você foi embora, era hora de ir
Depois quem sabe que tristeza haveria
Ai, foi bom separar os meus sonhos dos seus
No meu olhar, o poder do seu olhar

Ai, não faz mal a distâcia
Ai, não faz mal a saudade
Hoje é melhor eu saber
Que você não sofreu
Se eu sofri não faz mal

Ai, nasceu no sofrimento
Na esperança e no amor
Nasceu de mim
A canção dos seus olhos

quarta-feira, abril 12, 2006

Elisete Cardoso


Elisete Moreira Cardoso, cantora, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 16/7/1920 e faleceu em 7/5/1990. Nasceu em São Francisco Xavier, perto do morro de Mangueira; o pai, seresteiro, tocava violão e a mãe gostava de cantar. Ao completar seis anos estreou cantando no rancho Kananga do Japão; aos oito já cobrava ingresso (10 tostões) da garotada da vizinhança para ouvi-la cantar os sucessos de Vicente Celestino. 


Cedo precisou trabalhar e, entre 1930 e 1935, foi balconista, peleteira, funcionária de uma fábrica de saponáceos e cabeleireira, até ser descoberta, na festa de seus 16 anos, por Jacó do Bandolim, que a convidou para fazer um teste na Rádio Guanabara.

Apesar da oposição inicial do pai, apresentou-se em 18/8/36 no Programa Suburbano, ao lado de Vicente Celestino, Araci de Almeida, Moreira da Silva, Marília Batista e Noel Rosa. Na semana seguinte foi contratada para um programa semanal da mesma rádio. Depois, passou pela Rádio Educadora, programa Samba e Outras Coisas, e por outras emissoras do Rio de Janeiro. Mas, como os salários eram baixos, no começo de 1939 começou a fazer shows em circos, clubes e cinemas, apresentando um quadro com Grande Otelo, que se repetiria por quase dez anos: Boneca de piche (Ary Barroso e Luís Iglésias). O sucesso das apresentações e seu talento de passista lhe valeram o convite para ingressar como sambista em uma companhia de revista, onde conheceu Ari Valdez, com quem se casou no final de 1939. O casamento durou pouco, resolveu então trabalhar em boates como taxi-girl, atividade que exerceria por muito tempo.

Em 1941, tornou-se crooner de orquestras, chegando a ser uma das atrações do dancing Avenida, que deixou em 1945, quando se mudou para São Paulo SP para cantar no Salão Verde e para apresentar-se na Rádio Cruzeiro do Sul, no programa Pescando Humoristas. Regressou ao Rio de Janeiro em meados de 1946 e voltou a atuar no Avenida como crooner da orquestra de Dedé, com quem rompeu rapidamente, passando a cantar em outros dancings.

Em 1948, foi contratada pela Rádio Mauá para o programa Alvorada da alegria; mas logo a seguir transferiu-se para a Rádio Guanabara. Em 1950, graças a Ataulfo Alves, gravou pela primeira vez na Star, cantando Braços vazios (Acir Alves e Edgard G. Alves) e Mensageiro da saudade (Ataulfo Alves e José Batista), mas não chegou a ter êxito: o disco foi logo tirado de circulação por defeitos técnicos. O sucesso veio na segunda gravação, realizada na Todamérica em 1950, com a música Canção de Amor (Chocolate e Elano de Paula), tendo no outro lado do disco O samba Complexo (Wilson Batista). O grande êxito de Canção de amor levou-a à Rádio Tupi e, em 1951, a uma participação no primeiro programa de televisão no Rio de Janeiro (TV Tupi) e nos filmes Coração materno, de Gilda de Abreu, e É fogo na roupa, de Watson Macedo. Ainda em 1951, foi contratada pela Rádio Mayrink Veiga e pela boate Vogue, e gravou um dos seus maiores sucessos, Barracão (Luís Antônio e Oldemar Magalhães).

Em 1952, além de atuar no filme O rei do samba, de Luís de Barros, gravou Maus tratos (Bororó e Díno Ferreira) e Nosso amor, nossa comédia (Erasmo Silva e Adolar Costa). Em 1953 participou do show Feitiço da Vila, na boate Casablanca, no Rio, estreando-o em São Paulo no ano seguinte, quando foi contratada pela Rádio e TV Record. Ainda em 1954, deixou a Rádio Tupi e foi para a TV Rio; logo depois gravou seu primeiro LP pela Todamérica e apresentou-se no Uruguai. No ano seguinte, trabalhou em outro filme, Carnaval em lá maior, de Ademar Gonzaga, e lançou seu primeiro LP, Canções à meia-luz com Elisete Cardoso (Continental).

Passou, em 1956, para a gravadora Copacabana, onde lançou a maior parte de seus grandes sucessos. Em 1957, lançou dois LPs pela Copacabana: Fim de noite e Noturno. Em 1958, trabalhou nos filmes Na corda bamba, de Eurides Ramos, Com a mão na massa, de Luís de Barros, e Pista de grama, de Haroldo Costa. Nesse mesmo ano, lançou na etiqueta Festa o LP Canção do amor demais, disco considerado inaugural da bossa nova, pois era todo dedicado às músicas de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, além do acompanhamento ao violão de João Gilberto em Chega de saudade e Outra vez.

Em 1959, gravou para o filme Orfeu do Carnaval, de Marcel Camus, as canções Manhã de Carnaval e Samba de Orfeu. No início da década de 1960, estreou o programa Nossa Elisete, na TV Continental, do Rio de Janeiro. Em fevereiro de 1960, após o lançar o disco Magnífica, foi contratada pela Rádio Nacional, no programa Cantando pelos Caminhos. Em seguida, lançou o disco Sax voz e apresentou-se em Buenos Aires e em Portugal; na volta lançou um dos LPs mais vendidos em toda sua carreira, Meiga Elizete.

Em 1961, aproveitando o sucesso dos discos anteriores, lançou Meiga Elizete n.2, e Sax voz n.2, sem muita repercussão se comparados ao LP Elisete interpreta Vinícius (1963). A 16 de novembro de 1964, após lançar o quinto disco da série Meiga Elisete, deu um importante recital no Teatro Municipal, de São Paulo, interpretando as Bachianas brasileiras n.5 (Villa-Lobos), e, em março do ano seguinte, participou do espetáculo Rosa de ouro, que deu origem ao LP Elisete sobe o morro, um marco da discografia brasileira. Ainda em 1965, em agosto, iniciou na TV Record, de São Paulo, o programa Bossaudade, que teve grande êxito por quase dois anos. Terminou o ano de 1965 participando do espetáculo Vinícius, poesia e canção, no Teatro Municipal de São Paulo.

Em 1966, participou da delegação brasileira ao Festival de Arte Negra, em Dacar, Senegal, e no ano seguinte lançou pela Copacabana o LP A enluarada Elisete, com participação especial de Pixinguinha, Cartola, Clementina de Jesus e Codó.

Em fevereiro de 1968 realizou no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, um espetáculo com o Zimbo Trio, Jacó do Bandolim e seu conjunto Época de Ouro; o show, produzido por Hermínio Belo de Carvalho para o Museu da Imagem e do Som, do Rio de Janeiro, foi gravado ao vivo em 2 LPs. Ainda em 1968, realizou com o Zimbo Trio uma longa excursão pela América Latina para divulgar a MPB. Um ano depois gravou Sei lá, Mangueira (Paulinho da Viola e Hermínio Belo de Carvalho), foi convidada pela OEA para participar, com o Zimbo Trio, do Festival Interamericano de Música Popular, em Buenos Aires, realizou shows nas boates Blow-Up, em São Paulo, e Sucata, no Rio de Janeiro, lançando o LP Elisete e Zimbo Trio balançam na Sucata, e, por fim, já no final do ano, estreou novo show no Sucata, com mais um disco gravado ao vivo: É de manhã.

Participou de uma tournée pelos E.U.A., em abril de 1970, junto com o Zimbo Trio e, no ano seguinte, lançou dois LPs com Sílvio Caldas, onde cada um canta alguns dos sucessos do outro. Em 1973, apresentou o programa Sambão, pela TV Record, de São Paulo, que ficou cerca de um ano e meio no ar. Em 1974 foi homenageada pela Escola de Samba Unidos de Lucas, que obteve o segundo lugar no desfile com o tema Mulata maior, a Divina, e teve sua interpretação de Carolina (Chico Buarque) incluída no filme francês O jogo com o fogo, de Alain Robbe-Grillet.

No início de 1975 apresentou-se com imenso sucesso em Paris, no Festival do Mercado Internacional de Discos e Editoras Musicais (MIDEM). No ano seguinte, passou a apresentar o programa Brasil Som 7, na TV Tupi de São Paulo, e lançou Elisete Cardoso, ainda pela Copacabana. Em setembro de 1977 fez uma tournée pelo Japão, onde gravou o LP Live in Japan (Global Records). Em 1978, realizou sua segunda excursão pelo Japão, gravando um LP duplo ao vivo, lançado apenas em 1982 pela Victor. De volta ao Brasil, lançou o álbum duplo A cantadeira do amor, o último pela Copacabana, gravadora na qual lançou 31 LPs e 25 discos 78 rpm.

Em 1979, na Som Livre, lançou O inverno de meu tempo. Ainda em 1979, em uma produção de Hermínio Belo de Carvalho, apresentou-se com a Camerata Carioca, dirigida por Radamés Gnattali; inaugurando uma parceria que se estenderia até suas últimas gravações. Em 1980, após excursionar pela Argentina, percorreu o Brasil com o Projeto Pixinguinha da Funarte, e em dezembro estreou, no Teatro João Caetano, o espetáculo Vida de artista, que deu origem ao LP Elisetíssima (Som Livre).

Em 1981 participou do Projeto Seis e Meia e do Projeto Pixinguinha. No início de 1982 lançou seu terceiro LP pela Som Livre: Outra vez. Em 1983 apresentou-se com a Orquestra de Câmara do Recife e, depois, com a Camerata Carioca, no show Uma rosa para Pixinguinha, na Funarte do Rio de Janeiro, o que lhe rendeu um LP, lançado poucos meses depois. No ano seguinte estreou no Rio de Janeiro o espetáculo Leva meu samba, promovido pela Funarte, em homenagem aos 15 anos da morte de Ataulfo Alves, levou o espetáculo para o Nordeste e, depois, para São Paulo, onde o show foi gravado pelo selo Eldorado, mas lançado apenas em maio de 1985.

Em 1986, em comemoração aos seus 50 anos de carreira, estreou no Scala do Rio de Janeiro o espetáculo Luz e esplendor e lançou um disco de mesmo nome, pela Arca Som. Em agosto de 1987, com o Zimbo Trio, o Choro Carioca e Altamiro Carrilho, realizou sua terceira e mais longa excursão pelo Japão, quando descobriu que estava com câncer. Em janeiro de 1988 participou da gravação de um disco com a obra de Herivelto Martins, lançado em 1993 pela Funarte: Que rei sou eu?. Ainda em 1988, foi a grande ovacionada no 1o. Prêmio Sharp de Música, e, depois, participou do projeto Som do meio-dia, ambos no Rio de Janeiro. Em 1989, ao lado de Rafael Rabelo, apresentou-se novamente no projeto Seis e meia, no Teatro João Caetano, e realizou suas últimas gravações: Ari amoroso (LP-brinde de uma fábrica de móveis) e Todo sentimento, lançado em 1991 pela Sony Music. Em 1994, Sérgio Cabral lançou Elisete Cardoso, uma vida, Ed. Lumiar, RJ.

Elisete Cardoso lançou mais de 40 LPs no Brasil e gravou vários outros em Portugal, Venezuela, Uruguai, Argentina e México. Durante quase sete décadas de vida artística, interpretou quase todos os gêneros, tendo-se fixado no samba, que cantava com extraordinária personalidade, o que lhe valeu vários apelidos como A Noiva do Samba-Canção, Lady do Samba (pelo seu donaire ao cantar) e outros como Machado de Assis da Seresta, Mulata Maior, A Magnífica (apelido dado por Mister Eco), a Enluarada (por Hermínio Belo de Carvalho). Nenhum desses títulos, porém, se iguala ao criado por Haroldo Costa e que permaneceu para sempre ligado ao seu nome - A Divina.

Veja também:



Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

domingo, abril 09, 2006

Chocolate

Chocolate (Dorival Silva), compositor e ator, nasceu no Rio de Janeiro RJ, em 20/12/1923 e faleceu em 27/6/1989. Alcançou grande popularidade nas décadas de 1950-1960, atuando como comediante no rádio e na televisão, em São Paulo SP e no Rio de Janeiro.


Como compositor, teve sua melhor fase nos anos de 1950, a quando criou as melodias de Canção de amor (com Elano de Paula), sucesso de Elizeth Cardoso que a tornou conhecida em todo o país, Vida de bailarina (com Américo Seixas), sucesso de Ângela Maria em 1954 e de Elis Regina em 1972, É tão gostoso, seu moço (com Mário Lago, seu parceiro mais assíduo), gravada por Nora Ney e Hino ao músico (com Nancy Wanderley), também conhecida como Hino à música, que seria por vários anos prefixo musical do Chico Anísio Show.

Obra

Bobagem gostosa (c/Mário Lago), baião, 1953; Canção de amor (c/Elano de Paula), samba-canção, 1950; É tão gostoso, seu moço (c/Mário Lago), samba, 1953; Faz de conta (c/Mário Lago), samba, s.d.; Hino ao músico (c/Nancy Wanderley), marcha, 1957; Mundo cego (c/Ricardo Galeno), samba-canção, s.d.; Triste melodia (c/Di Veras), samba-canção, 1954; Vamos falar de saudade (c/Mário Lago), toada, 1955; Vida de bailarina (c/Américo Seixas), samba-canção, 1954.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.