Dann Mallio Carneiro, compositor e funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 1907, e faleceu na mesma cidade em 27/9/1937. Teve sua primeira composição gravada em 1930, o samba No Grajaú, Iaiá, com José Francisco de Freitas, lançado por Mário Reis na Odeon.
Em 1931, a marcha Boa roupa, com Pedro Cabral, foi registrada por Iolanda Osório na Brunswick. Em 1932, fez com Pedro Cabral o samba Eu já chorei e a valsa Falso juramento, gravadas por Jaime Vogeler na Odeon. No mesmo ano, teve três parcerias com J. Cabral gravadas na Columbia: o samba Você é o homem do meu peito na voz de Araci Cortes, e o samba Não foi desprezo e a marcha Não lhe faço mais carinhos na de Madelou de Assis.
Em 1935, a marcha Dois luares pequeninos, com Alcebiades Barcelos, foi gravado por Aurora Miranda na Odeon. No mesmo ano, Carmen Miranda gravou pela Victor a marcha Moreno, parceria com Alcebíades Barcelos. Fez com Custódio Mesquita em 1936 o samba Exaltação da favela gravado pelas Irmãs Pagãs na Odeon. No mesmo ano, a valsa Dor oculta, com Francisco Alves, foi gravada na Victor por Francisco Alves.
Embora não tenha tido uma carreira muito longa até porque, na época em que atuou poucas carreiras conseguiam esse feito, teve músicas gravadas por nomes como Francisco Alves, Mário Reis, Iolanda Osório, Jaime Vogeler, Aracy Cortes, Madelou de Assis, Aurora Miranda, Carmen Miranda e Irmãs Pagãs, com músicas lançadas nas gravadoras Brunswick, Odeon, Columbia e Victor.
Compôs marchas, sambas e valsas e foi parceiro de nomes como Alcebíades Barcelos e Custódio Mesquita.
Faleceu em 27/09/1937 no Hospital Nacional de Alienados aos 30 anos de idade e solteiro, filho de Américo Vespucio Mallio Carneiro e Alvarina Mallio Carneiro. Causa mortis: "neso seffiles malaria caqueixa".
Obras
Boa roupa (c/ Pedro Cabral), Dois luares pequeninos (c/ Alcebíades Barcelos), Dor oculta (c/ Francisco Alves), Eu já chorei (com Pedro Cabral), Exaltação da favela (com Custódio Mesquita), Falso juramento (com Pedro Cabral), Não foi desprezo (c/ J. Cabral), Não lhe faço mais carinhos (c/ J. Cabral), No Grajaú, Iaiá (c/ J. Francisco de Freitas), Você é o homem do meu peito (c/ J. Cabral).
Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Orkut.
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terça-feira, janeiro 22, 2013
Rio de Janeiro em versos de samba
Eu nasci em Catumbi / Em Catumbi, em Catumbi / Mas sou filho de Oxalá / Oxalá, Oxalá
Esta quadrinha gostosa é de um samba que J. B. Silva apresentou em 1924, chamado Cabeça de promessa. Dá a mesma medida exata do que tem feito os sambistas cariocas mais autênticos no canto de louvor a sua cidade, no geral, e no seu bairro, de modo especial. Loas e exaltações que tem o seu tanto – e natural – de vaidade, mas de modo aberto, sem o caráter agressivo de outros povos do Brasil e/ou do estrangeiro.
Certo, o Rio tem sido cantado em bloco, como cidade do amor e ventura / que tem mais doçura. Cânticos que têm chegado até a declaração de amor: Rio de Janeiro / gosto de você… Mas é na poesia do bairro que o letrista tem-se excedido, mais como um camelô das virtudes dos seus vizinhos do que, propriamente raciocinando. Grita as vantagens dos seus bairros por gritar, porque lhe faz bem assim proceder. Ou em resposta, responso coral quase, às proclamações de rivais – responso que toma o caráter de peça em detrimento dos rivais.
Assim, José Francisco de Freitas e D. M. Carneiro não faziam, em 1930, mais do que responder a Almirante e Candoca da Anunciação, quando escreveram: No Grajaú, Iaiá / No Grajaú. O seu bairro mais venturoso e mais aventuroso, mesmo, do que a mais longínqua e desértica Pavuna da gente reúna. Afinal, para a Pavuna o convite era:
Vem pra batucada
Que de samba na Pavuna
tem doutor
Que de samba na Pavuna
tem doutor
Ao otimismo malandro dos pavunenses (e isto não quer dizer que os autores do samba, bairrista fossem, necessariamente, seus habitantes), opunham o burguesismo do Grajaú, já então, talvez mais do que hoje, bairro metido a besta. O convite para ida à Pavuna não parecia sensibilizar ao autor da Dondoca e da Zizinha.
As origens das canções de exaltação aos bairros se perdem nos anos imperiais, talvez na própria e minguada cidade colonial. Neste século, entretanto, tais canções se tornaram mais constantes, acompanhando o progresso e o crescimento horizontal e vertical da metrópole. Às vezes, é uma fuga ao bulício do centro comercial o que leva um Hermes Fontes e um Freire Júnior a juntos compor uma coisa tão linda como aquela que declara: Paquetá é céu profundo / Que começa neste mundo / E não sabe onde acabar. É preciso cantar, cantar sempre – como diz a inimitável Nara Leão – e Paquetá era o recanto para a fuga às canseiras do crescente e barulhento Rio de Janeiro. Como um quarto de século depois seria (apenas idealmente) aquele samba bossa-novista primitivo que idolatrava Copacaba / Princesinha do mar…
E a oposição Zona Norte-Zona Sul? Já era tão forte no tempo de Noel Rosa que este antepunha à areia dos piratas de Ary Barroso, das moreninhas sapecas de João de Barro e de Lamartine Babo, uma palmeira de mangue: e o Mangue – que o montanhista Idalicio Manuel de Oliveira Filho sempre soube escalar como ninguém, sendo o dono do assunto nos últimos trinta anos – convenhamos, o Mangue era, por aquela época, puro fogaréu.
O Mangue e toda a Zona Norte. Em 1930, por exemplo, Teobaldo M. Gama lançava na voz de Sílvio Caldas Um Samba no Rocha, descrevendo as vantagens dessa estação da central. Não esqueçamos que
A primeira escola de samba
Nasceu no Estácio de Sá
Nasceu no Estácio de Sá
Aliás, mestre Idalício – bem o sabe o Cony, o Jotaefegê e outros bambas – é cidadão nativo e com muita honra do Estácio. Perto do Estácio, a grande zona do samba, o berço e talvez o túmulo – se o simonal e outros comprimidos favoráveis à dor de cabeça resolverem se abancar por ali. Pois o Rio inteiro cantou quase chorando, já em 1942:
Vão acabar com a praça Onze
Não vai haver mais
Escola de samba, não vai!
Não vai haver mais
Escola de samba, não vai!
Não resta dúvida que o grande samba do Grande Otelo fez história: evitou que a praça Onze se transformasse em simples trecho da avenida Presidente Vargas, conservando um pouco que fosse, das suas tradições. Contudo, amigos da Zona Norte existe a Vila, imortalizada por Noel e Vadico, a Vila Isabel heróica:
Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Idalício não nasceu na Vila, mas sambista mais autêntico não existe – e por isso tem sido visto muitas vezes passeando pela praça Barão de Drummond. Não admira, a Vila, do ponto de vista do samba, atrai, prende, escraviza, mesmo considerando os outros bairros: Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira / Osvaldo Cruz e Matriz…
Mas a Zona Sul – ao contrário do que podem pensar os adventícios, os neófitos e os beócios reunidos – não foi descoberta pela brotoeja bossa-novista. Muito antes, já em 1936, Carmem Miranda e Sílvio Caldas entoavam um sambinha gostoso que dizia:
Quando passarmos
Lá no Leblon
Pra turma ver
Vou fazer assim
Lá no Leblon
Pra turma ver
Vou fazer assim
O tema do samba? Na batida tradicional, no telecoteco, um passeio de automóvel com buzina Fon-Fon – antecipando de muitos anos Il Sorpasso…
No mesmo ano, Ari, mineiro de Ubá, apaixonado pela orla marítima, fazia um samba-comentário indagando:
Será você a tal Suzana
A casta Suzana
Do Posto Seis?
A casta Suzana
Do Posto Seis?
Porém, é evidente – e está o José Lino Grünewald, testemunha auricular dos 78 rpm, para confirmar – que a Zona Norte sempre surrou a Zona Sul em matéria de samba bairrista. Exemplo frisante é aquela marchinha de carnaval: Por um carinho teu / Minha cabrocha / Eu vou até o Irajá / Que me importa que a mula manque. Ou aquele sambinha cantando, simultaneamente, um bairro e sua estréia, minha falecida amiga Zaquia Jorge: Madureira chorou / Madureira chorou de dor. Ou aquele clássico: Vou à Penha / Vou pedir à padroeira.
Naturalmente, de vez em quando os que preferiam aparecer como geógrafos, distribuindo simpatia a vários bairros, se espalhavam. Um deles, em 1937, cantou simultaneamente o bonde e o seu itinerário (Din-Din ou Seu condutor):
O bonde Uruguai
É duzentos que vai
O bonde Tijuca
Me deixa em sinuca
E o Praça Tiradentes
Não serve pra gente
É duzentos que vai
O bonde Tijuca
Me deixa em sinuca
E o Praça Tiradentes
Não serve pra gente
Lamartine, nos idos de 1931, na base da gozação carioca, acabou citando a comunidade que hoje se distribui na rua André Cavalcanti, e então tomava o bonde Silva Manoel, e foi além, brincando com o inglês (idioma) que se chegava (motivo de troça, como todos se lembram, de músicas de Noel e Assis Valente):
I love you
Forget sciaine
Mine Itapiru
Forget sciaine
Mine Itapiru
Acima, uma prova concreta de que a Zona Norte e até a meia Zona Norte ganharam sempre da Zona Sul. Mas há um reduto invencível – e o Estácio, garante o Idalício, é centro, centríssimo! – e este reduto, já o falecido Benedito Lacerda, com sua flauta e sua inspiração, encarregou-se de proclamar o maior ao gritar que A Lapa / está voltando a ser / a Lapa!.
______________________________________________________________________
Paiva. Salviano Cavalcanti de. “Rio de Janeiro em versos de samba”. Correio da Manhã. Rio de Janeiro, 16 de maio de 1965
segunda-feira, janeiro 14, 2013
Orquestra Pan American
A Orquestra Pan American foi criada por volta de 1927 pelo maestro, arranjador e violinista Simon Bountman, era integrada por I. Kolman, no saxofone e clarinete; Júlio Sammamede, no saxofone; D. Guimarães, no trompete; Caldeira Ramos, no trombone; J. Rondon, no piano; Amaro dos Santos, na tuba; Dermeval Neto, no banjo, e Aristides Prazeres, na bateria. Além de acompanhar dezenas de gravações na Odeon entre 1927 e 1930, a orquestra também gravou 47 músicas em 36 discos.
A orquestra estreou em disco em 1927 gravando o fox-trot Pergunte a ela, de autor desconhecido. No mesmo ano, gravou os fox-trot Pérola do Japão, de J. Fonseca Costa, o Costina, e Uma noite de farra, de Lúcio Chameck; as toadas-brasileiras Paulicéia como és formosa; Quebra-cabeças e Magnífico e o maxixe Proeminente, de Ernesto Nazareth, além do maxixe Mexe baiana, de José Francisco de Freitas.
Em 1928, a orquestra gravou o maxixe Só de cavaquinho, de Luís Nunes Sampaio, o Careca, e as toadas brasileiras Desengonçado; Jacaré; Tenebroso e Jangadeiro e a marcha Ipanema, de Ernesto Nazareth; o maxixe Cor de canela, Lúcio Chameck e a valsa Minha vida pela tua, de Marcelo Tupinambá.
Nesse ano, a orquestra fez acompanhamento para as primeiras gravações, acompanhando o cantor Vicente Celestino no registro do samba Que vale a nota sem o carinho da mulher?, de Sinhô. Em seguida, acompanhou Mário Reis nos sambas Jura, de Sinhô; Vou à Penha, de Ary Barroso e Dorinha, meu amor, de Freitinhas (José Francsico de Freitas), três gravações clássicas da música popular brasileira e Francisco Alves na canção Cabocla do sertão e no samba-sertanejo Rancho vazio, de Eduardo Souto; na marcha Seu Voronoff, de Lamartine Babo.
No ano seguinte, gravou os maxixes Uma noite em claro e Odeon e o samba Amanhã tem mais, de Mário Duprat Fiúza; o samba-canção Linda flor, de Henrique Vogeler; o samba Jura, de Sinhô; o maxixe Gosto assim, de I. Kolman e o choro Despresado, de Pixinguinha.
Ainda em 1929, a orquestra acompanhou o cantor Francisco Alves em mais de dez discos incluindo os sucessos Seu Julinho vem, marcha de Freire Júnior e Eu ouço falar (Seu Julinho), samba de Sinhô. Acompanhou ainda os cantores Alfredo Albuquerque; Raul Roulien; Oscar Gonçalves e Mário Reis, este, entre outras, no sucesso Vamos deixar de intimidades, de Ary Barroso, além da cantora Aracy Cortes no samba-canção A polícia já foi lá em casa, de Olegário Mariano e Júlio Cristóbal, e nos sambas Quem quiser ver?, de Eduardo Souto; Tu qué tomá meu nome, de Ary Barroso e Zomba, de Francisco Alves. Ainda em 1929, a orquestra acompanhou a atriz Margarida Max na gravação do samba-canção Por que foi?, de Pedro de Sá Pereira e Luiz Iglesias, e da marcha Olha a pomba, de Vantuil de Carvalho.
Em 1930, acompanhou Almirante na gravação dos sambas Tô t' estranhando, de Henrique Brito e Mário Faccini e Mulher exigente, de Almirante, além de acompanhar várias gravações de Mário Reis e Francisco Alves, destacando-se com esse último no acompanhamento da marcha Dá nela!, de Ary Barroso, grande sucesso no carnaval daquele ano. Ainda nesse ano, a orquestra acompanhou gravações de Augusto Calheiros, Gastão Formenti; Zaíra Cavalcânti; Aracy Côrtes; Luci Campos; Gilda de Abreu e Patrício Teixeira.
Em três anos de atuação a orquestra acompanhou mais de cem gravações de cantores como Francisco Alves, Mário Reis, Aracy Côrtes. Raul Roulien, Gilda de Abreu e outros.
Discografia
(1928) Só de cavaquinho • Odeon • 78
(1928) Desengonçado / Jacaré • Odeon • 78
(1928) Tenebroso / Jangadeiro • Odeon • 78
(1928) Ipanema • Odeon • 78
(1928) Saudades de Arlete • Odeon • 78
(1928) Cor de canela / Minha vida pela tua • Odeon • 78
(1928) Galo velho / Boêmia • Odeon • 78
(1928) Rayon D'Or • Odeon • 78
(1928) Canção do Volga / Negro pachola • Odeon • 78
(1929) Uma noite em claro • Odeon • 78
(1929) Alegria • Odeon • 78
(1929) Odeon • Odeon • 78
(1929) Jura • Odeon • 78
(1929) Rapsódia brasileira (I) / Rapsódia brasileira (II) • Odeon • 78
(1929) Iaiá (Linda flor) / Pìerrot 1950 • Odeon • 78
(1929) Amanhã tem mais • Odeon • 78
(1929) Fumaça branca • Odeon • 78
(1929) Gosto assim • Odeon • 78
(1929) Craddle of love • Odeon • 78
(1929) Cristina • Odeon • 78
(1929) Os boêmios • Odeon • 78
(1929) Camafeu / Despresado • Odeon • 78
(1930) A warbling booklet • Odeon • 78
(1930) If you believed in me / Noêmia • Odeon • 78
(1930) Conde Zeppelin • Odeon • 78
(1930) I'm on a diet of love / Mona • Odeon • 78
(1930) Charming / Red hot and blue rhythm • Odeon • 78
(1930) Hino Republicano Riograndense • Odeon • 78
Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB
quarta-feira, março 14, 2012
Zizinha, Lili, Dondoca e Dorinha
José Francisco de Freitas |
Já com a Dondoca, a que devia apressar o passo ameaçada por um beliscão na “pernoca”, a coisa foi diferente. Essa existia, e embora popularizada no Carnaval de 1927 sob a suposição de tratar-se de alguma melindrosa (hoje dir-se-ia brotinho), era uma cadelinha a quem José Francisco de Freitas tinha grande estima. Emprestou, pois, o nome pelo qual atendia para uma nova marchinha alegre, brejeira. Música que toda a gente cantou nos três dias do reinado de Momo enriquecendo a bagagem musical de seu dono e ensejando-o ser mais uma vez vitorioso na competição musical carnavalesca.
Passos, o prefeito, ajuda Freitas
Mostrando seus pendores musicais logo nos primeiros anos de idade, aos dez, precisamente, José Francisco de Freitas compunha a primeira música à qual deu o título Pereira Passos. Prestava desse modo sua homenagem ao operoso prefeito que modernizava o Rio rasgando novas ruas, fazendo surgir amplas avenidas. Teve então o pronto reconhecimento do governador da cidade que lhe proporcionou matrícula gratuita no Instituto Profissional Marcolino como gratidão ao garoto pobre e em cuja produção artística deixava nítida sua vocação musical.
No referido estabelecimento de ensino, a par do aprendizado da tipografia que lhe permitiu depois ingressar na imprensa Nacional e do estudo das matérias ali lecionadas, aprimorou-se no conhecimento da música. Seu professor, o consagrado maestro Francisco Braga, transmitiu-lhe um amplo cabedal de noções graças ás quais se tornou não só apreciável compositor, mas, ao mesmo tempo, exímio executante ao piano. Podia, por isso, divulgar em toda a expressão do que lançava na pauta as muitas composições de seu apreciado repertório.
Um pianista na Rua da Carioca
Dominando com muita técnica o teclado alvinegro, Freitinhas, como o tratavam nas rodas dos musicistas de sua época, ligou-se à Casa Carlos Wehrs, editora de todas (ou quase todas) suas composições. Passou a ser o pianista oficial do antiqüíssimo estabelecimento da Rua da Carioca, Ali, antes e depois de atender ao seu horário na Imprensa Nacional, era sempre encontrado “passando” partituras para os fregueses que as queriam conhecer antes de comprá-las, ou executando suas próprias músicas que já eram de franco sucesso.
Na temporada carnavalesca, principalmente, era mais assíduo. Quando ainda não havia o rádio e a divulgação das canções carnavalescas se fazia através das revistas teatrais ou executada pelos seus autores nas casas vendedoras de músicas, Freitas pontificava todas as tardes na Carlos Wehrs. Sentado ao piano colocado bem próximo à porta, dedilhava com mestria o instrumento e suas marchinhas buliçosas, saltitantes, faziam parar os passantes que formavam uma audiência numerosa e entusiasta. Essa mesma gente, já impregnada do vírus momesco, formava então um coral improvisado que entoava alto, sem cerimônia, a letra da composição que estava ouvindo.
Zizinha, Lili, Dondoca e Dorinha consagram o “marchista”
Quando José Francisco de Freitas, no Carnaval de 1925, lançou sua marcha Zizinha viu-a dominante com toda a cidade cantando: “Zizinha!,/ Zizinha!,/ Ó vem comigo, vem, minha santinha,/ Também quero tirar minha casquinha.” Estava iniciado o desfile de suas personagens fictícias. No ano seguinte era a Lili quem tinha sua vez de se popularizar, pois, por toda a parte, durante o tríduo foliônico todos afirmavam: “Eu vi!,/ Eu vi!,/ Você bolinar Lili, Lili/ Quando beliscava assim,/ Ela nervosa, enfim,/ Ficou ao ver-me ali.”
O êxito das duas marchas e, conseqüentemente, das “moças” que as intitulavam, levou Freitas a pensar numa terceira. E sua cachorrinha cujo nome apontava um punhado de rimas ficou sendo, por suposição do povo, a nova protagonista. Surgiu, pois, em 1927 a advertência: “Dondoca!,/ Dondoca!,/ Anda depressa! Que eu belisco essa pernoca.”
Acompanhou-as, mais tarde (1929), registrando o mesmo sucesso de suas antecessoras Dorinha, cujos versos suplicavam: “Dorinha, meu amor.! Por que me fazes chorar?/ Eu sou um pecador/ Que vive só pra te amar.” Tinha-se, portanto, através de quatro mulheres não identificadas a consagração do “marchista” Freitinhas.
Perenidade do mito e da música
Tornando perene o mito de suas personagens, posto que até hoje, vencidos mais de trinta anos, Zizinha, Lili, Dondoca e Dorinha, ainda são evocadas e tornaram-se popularíssimas, José Francisco de Freitas viu consagradas também suas músicas. As regravações que delas vêm sendo feitas (principalmente as devidas a Altamiro Carrilho e sua bandinha) trouxeram-nas até nossos dias para seus contemporâneos e para a nova geração.
Formaram o documentário do farto e magnífico repertório de um autêntico compositor popular. Produções que, como acertadamente as definiu o cronista carnavalesco K. Noa (Antônio Veloso) em comentário no Diário de Notícias, nos dias de 1931: “. . . são harmoniosas e brejeiras, de música leve, saltitante e letra cuidadosamente escrita, sem pornografia ou ofensas diretas ou indiretas à educação do povo.”
Hoje, quando imperam em nossa música popular falsos valores à força de divulgação comercializada ou da “caetutagem” (divulgadores profissionais) desabrida, Freitinhas bem merece que se recorde seu nome e suas marchinhas. Todas elas com muito sabor de graciosidade e leva- das à preferência do povo em suas primeiras execuções feitas pelo autor no piano da tradicional Casa Carlos Wehrs ou nas noitadas dançantes do famoso rancho Ameno Rosedá.
Bailes que eram, desde 1924, sempre animados pela “excelente jazz-band do Maestro Freitas” como frisavam nos convites e nas notícias enviadas aos jornais.
(O Jornal, 17/3/1963)
______________________________________________________________________Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.
domingo, setembro 19, 2010
A vida é um jardim onde as mulheres são as flores
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Vicente Celestino |
Disco selo: Odeon R / Título da música: A vida é um jardim onde as mulheres são as flores / José Francisco de Freitas "Freitinhas" (Compositor) / Zeca Ivo (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Nº do Álbum: 122793 / Lançamento: 1925 / Gênero musical: Tango / Coleção: IMS
Ao ver o céu estrelas sem sapato
Ouvindo o mar tão belo tão profundo
Suponho ver num astro debruçado
Deus me apotento jóias deste mundo
Além a ponte triste romoreica
Cortando os ares cruzam passarinhos
Porém minh’alma que também dardeja
Enveredou feliz noutros caminhos
Deus por certo bem conhece
Uma jóia que floresce
Sem a luz do sol sequer
Sim eu juro com firmeza
Que o tesouro com certeza
Só no peito da mulher
Minh’alma segue triste na jornada
Pois necessita como quê sonhando
Gotas de luz que ficam pela estrada
Parecem flores pelo chão brotando
Precisa que a gente chama a vida
Sou jardineiro certo trovadores
Por onde o peito a jarra preferida
Onde as mulheres são mimosas flores
Vênus
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Zezé Leone (Santos - SP), a primeira Miss Brasil - Abril/1923 |
Vênus (fox-trot, 1923) - Freitinhas (José Francisco de Freitas) - Intérprete: Carlos Lima
Por volta de 1920, o compositor e pianista José Francisco de Freitas, (1897 - 13/2/1956 Rio de Janeiro, RJ), também conhecido como Freitinhas, teve suas primeiras composições gravadas - os tangos "A vida é um sonho" e "Suspiram que sangram" - pelo cantor Brandão na Odeon.
Em 1923, conheceu seu primeiro grande sucesso, o fox-trot "Vênus", gravado por Carlos Lima na Odeon. Desse fox-trot a casa Wehrs editou um número recorde de 50 mil partituras em todo o Brasil e foi dedicada pelo autor a santista Zezé Leone, vencedora do primeiro concurso de beleza no Brasil.
Disco selo: Odeon R / Título da música: Venus / José Francisco de Freitas "Freitinhas" (Compositor) / Carlos Lima (Intérprete) / Nº do Álbum: 122474 / Lançamento 1923 / Gênero musical: Fox-Trot / Coleção: IMS
Oh! Movei sem ânsia palpitar
E no sonho divinal em flor
Risonha vida
Feliz beijar
O teu jardim, amor
O azul etéreo e precioso
Qual o éter suave e cristalino
Veio no astro o sorriso
E dolorosa divina
Caiu ao chão
Total solidão
Em atenção
A soluçar
Um triste pranto
Pois afinal já vi chorar uma só flor
Prega o excelente
O vinho tinto
Por encanto
És carinhosa suave rosa, meiga flor
Pálida lua pôs-se a rir
Raio orvalhado
Seus verdes olhos derramavam com ternura
A tua luz a implorar
Em beijos ternos prolongar
E orvalhava-se a teus pés a formosura
Com a luz serena do luar
Foi que comecei comprender
A salsa pena, salsa de apanhar
Agora seu sofrer
Na ilusão celeste do mistério
Qual um éter suave e cristalino
Foi no abandono etéreo
E com fito divino
Para a flor descer do andor
Vem aceitando a soluçar
Um triste pranto
Em lacrimosa decorar uma só flor
E mais além tinha sofrido
Por engano
E carinhosa suavizou a meiga flor
Pálida lua pôs-se a rir
Raio orvalhado
Seus verdes olhos derramavam com ternura
A tua luz a implorar
Em beijos ternos prolongar
E orvalhava-se a teus pés a formosura
Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.
Por volta de 1920, o compositor e pianista José Francisco de Freitas, (1897 - 13/2/1956 Rio de Janeiro, RJ), também conhecido como Freitinhas, teve suas primeiras composições gravadas - os tangos "A vida é um sonho" e "Suspiram que sangram" - pelo cantor Brandão na Odeon.
Em 1923, conheceu seu primeiro grande sucesso, o fox-trot "Vênus", gravado por Carlos Lima na Odeon. Desse fox-trot a casa Wehrs editou um número recorde de 50 mil partituras em todo o Brasil e foi dedicada pelo autor a santista Zezé Leone, vencedora do primeiro concurso de beleza no Brasil.
Disco selo: Odeon R / Título da música: Venus / José Francisco de Freitas "Freitinhas" (Compositor) / Carlos Lima (Intérprete) / Nº do Álbum: 122474 / Lançamento 1923 / Gênero musical: Fox-Trot / Coleção: IMS
Oh! Movei sem ânsia palpitar
E no sonho divinal em flor
Risonha vida
Feliz beijar
O teu jardim, amor
O azul etéreo e precioso
Qual o éter suave e cristalino
Veio no astro o sorriso
E dolorosa divina
Caiu ao chão
Total solidão
Em atenção
A soluçar
Um triste pranto
Pois afinal já vi chorar uma só flor
Prega o excelente
O vinho tinto
Por encanto
És carinhosa suave rosa, meiga flor
Pálida lua pôs-se a rir
Raio orvalhado
Seus verdes olhos derramavam com ternura
A tua luz a implorar
Em beijos ternos prolongar
E orvalhava-se a teus pés a formosura
Com a luz serena do luar
Foi que comecei comprender
A salsa pena, salsa de apanhar
Agora seu sofrer
Na ilusão celeste do mistério
Qual um éter suave e cristalino
Foi no abandono etéreo
E com fito divino
Para a flor descer do andor
Vem aceitando a soluçar
Um triste pranto
Em lacrimosa decorar uma só flor
E mais além tinha sofrido
Por engano
E carinhosa suavizou a meiga flor
Pálida lua pôs-se a rir
Raio orvalhado
Seus verdes olhos derramavam com ternura
A tua luz a implorar
Em beijos ternos prolongar
E orvalhava-se a teus pés a formosura
Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Dondoca
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Zaíra de Oliveira |
Disco selo: Odeon R / Título da música: Dondóca / José Francisco de Freitas "Freitinhas" (Compositor) / J. Gomes Júnior (Intérprete) / Zaíra de Oliveira (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Nº do Álbum: 123250 / Nº da Matriz: 1095 / Lançamento: 1927 / Gênero: Marcha carnavalesca / Coleções: IMS, Nirez
Meu Deus! Meu Deus!
Que triste vida
Todos me chamam de comida
Porque eu ando só!
Não treme tanto a gelatina
Que o caldo entorna da terrina
Eu viro pão-de-ló
Dondoca, Dondoca
Anda depressa
Que eu belisco essa pernoca
Minha Dondoca, Dondoquinha
Tu és de fato, és da pontinha
Tem pena do tatu
Eu ando sempre envergonhada
A toda hora beliscada
Que praga de urubu
Vou dar o fora, vou pra casa
Estou nervosa, estou em brasa
Ó céus, que maldição
Eu vou a pé a Cascadura
Vou espiar na fechadura
O teu velho babão
Eu vi Lili
Eu vi Lili (fox/carnaval, 1926) - Freitinhas (José Francisco de Freitas) - Intérprete: Pedro Celestino
Disco selo: Odeon R / Título da música: Eu vi Lili.../ José Francisco de Freitas "Freitinhas" (Compositor) / Pedro Celestino (Intérprete) / Jazz Band Sul-Americano Romeu Silva (Acomp.) / Nº do Álbum: 122977 / Lançamento: 1926 / Gênero musical: Marcha Canção / Coleções: IMS, Nirez
Disco selo: Odeon R / Título da música: Eu vi Lili.../ José Francisco de Freitas "Freitinhas" (Compositor) / Pedro Celestino (Intérprete) / Jazz Band Sul-Americano Romeu Silva (Acomp.) / Nº do Álbum: 122977 / Lançamento: 1926 / Gênero musical: Marcha Canção / Coleções: IMS, Nirez
Em teus olhinhos vejo
Que tu tens o desejo
Quando desinquieto ele estava
Junto a uma zinha
Toda gente assim cantava: (x2)
Eu vi / Eu vi
Você bolinar
Lili / Lili
Quando beliscava assim
Ela nervosa, enfim
Ficou ao ver-me ali (x2)
Quando ele pisca, pisca
A zinha pega a isca
Quando no escuro escutava
Sua risadinha
A gente assim cantava: (x2)
Eu vi / Eu vi
Você bolinar
Lili / Lili
Quando beliscava assim
Ela nervosa, enfim
Ficou ao ver-me ali
terça-feira, fevereiro 19, 2008
Miserê
Em Miserê, o compositor e pianista José Francisco de Freitas, mais conhecido como Freitinhas faz um jogo com a palavra miséria e a frase "Miserere nobis" (tende piedade de nós), entoada pelo padre na missa. Dá a entender que, ao pobre, resta crer em Deus e esperar Dele a piedade. Além disso, a canção faz menção a religiosidade plural do brasileiro que crê nas entidades de religiões diversas.
O sincretismo pode ser interpretado como uma consequência da miséria – embora, como é sabido, tenha origem muito antes, na mistura das culturas jesuíticas, indígenas e africanas. O carioca, ao se ver miserável, apela para todas as religiões.
Miserê (samba, 1924) - Freitinhas
O padre diz miserê
Meserere nobis
Miserê
Fui na igreja
E rezei com muita fé
No espiritismo
Eu acredito em Pai André
Na lei da Bíblia
Eu cantei com muita fé
Fui na macumba
Mas adotei o candomblé
Fonte: Fernando Satt - Crônicas Musicadas de Uma Cidade - Representações do Rio de Janeiro
O sincretismo pode ser interpretado como uma consequência da miséria – embora, como é sabido, tenha origem muito antes, na mistura das culturas jesuíticas, indígenas e africanas. O carioca, ao se ver miserável, apela para todas as religiões.
Miserê (samba, 1924) - Freitinhas
O padre diz miserê
Meserere nobis
Miserê
Fui na igreja
E rezei com muita fé
No espiritismo
Eu acredito em Pai André
Na lei da Bíblia
Eu cantei com muita fé
Fui na macumba
Mas adotei o candomblé
Fonte: Fernando Satt - Crônicas Musicadas de Uma Cidade - Representações do Rio de Janeiro
domingo, abril 16, 2006
Dorinha, meu amor
Depois de obter vários sucessos em tempo de marcha - todos com nomes femininos: "Zizinha", "Dondoca", "Lili" -, José Francisco de Freitas resolveu mudar de gênero, apresentando em ritmo de samba "Dorinha, Meu Amor", sua heroína para o carnaval de 29.
E tal como as antecessoras, "Dorinha" foi grande sucesso, com um detalhe a mais: ressuscitou vinte e oito anos depois, numa reedição da gravação original, entrando por algumas semanas na relação das mais tocadas nas rádios.
Além de usar o teatro de revista, Freitinhas tinha um método muito eficaz para divulgar suas composições: percorria o corso e as batalhas de confete da cidade, com uma bandinha executando as músicas e distribuindo as letras aos foliões.
Dorinha, meu amor (samba/carnaval, 1929) - José Francisco de Freitas (Freitinhas) - Intérprete: Mário Reis
Disco 78 rpm / Título da música: Dorinha!... meu amor / José Francisco de Freitas "Freitinhas" (Compositor) / Mário Reis (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10299-a / Nº da Matriz: 2126 / Gravação: Outubro/1928 / Lançamento: Dezembro/1928 / Gênero musical: Samba apaixonado / Coleções: IMS, Nirez
E tal como as antecessoras, "Dorinha" foi grande sucesso, com um detalhe a mais: ressuscitou vinte e oito anos depois, numa reedição da gravação original, entrando por algumas semanas na relação das mais tocadas nas rádios.
Além de usar o teatro de revista, Freitinhas tinha um método muito eficaz para divulgar suas composições: percorria o corso e as batalhas de confete da cidade, com uma bandinha executando as músicas e distribuindo as letras aos foliões.
Dorinha, meu amor (samba/carnaval, 1929) - José Francisco de Freitas (Freitinhas) - Intérprete: Mário Reis
Disco 78 rpm / Título da música: Dorinha!... meu amor / José Francisco de Freitas "Freitinhas" (Compositor) / Mário Reis (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10299-a / Nº da Matriz: 2126 / Gravação: Outubro/1928 / Lançamento: Dezembro/1928 / Gênero musical: Samba apaixonado / Coleções: IMS, Nirez
------C
Dorinha meu amor
---------------C/E---Ebº-- Dm
Porque me fazes cho...rar?
E sou um pecador
------------G7---------C
E sofro só por te amar
------------G7---------C
E sofro só por te amar
--------- E7
Não sei qual a razão
----------------- Am
Que eu sofro tanto assim
--------- E7-----------Am
Castigo sim, castigo sim
--------E7
Imploro a Deus
------------------ Am
Para vencer o teu amor
-----------E7------ Am
O teu amor, amor
------- E7
Dorinha juro que
------------Am
Só pensarei em ti
------- E7
Somente em ti
-----Am
Somente em ti
-------E7
Só tu que podes dar
-------- Am
Alívio a esta dor
-----------E7----------Am
Ao teu cantor, cantor
Não sei qual a razão
----------------- Am
Que eu sofro tanto assim
--------- E7-----------Am
Castigo sim, castigo sim
--------E7
Imploro a Deus
------------------ Am
Para vencer o teu amor
-----------E7------ Am
O teu amor, amor
------- E7
Dorinha juro que
------------Am
Só pensarei em ti
------- E7
Somente em ti
-----Am
Somente em ti
-------E7
Só tu que podes dar
-------- Am
Alívio a esta dor
-----------E7----------Am
Ao teu cantor, cantor
Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34
segunda-feira, abril 03, 2006
Zizinha
![]() |
Carmen Lobato na revista Ai! Zizinha |
De diferente mesmo das marchas que vieram nas décadas seguintes, pode-se notar somente uma certa analogia rítmica com o fox-trote e o charleston. Zizinha tem entre seus autores José Francisco de Freitas, um dos principais responsáveis pela fixação da marchinha.
Zizinha (marcha / carnaval, 1926) - José Francisco de Freitas - Intérprete: Fernando
Disco selo: Odeon R / Título da música: Zizinha / José Francisco de Freitas "Freitinhas" (Compositor) / Fernando (Intérprete) / Coro do Jazz Band Sul Americano Romeu Silva (Acomp.) / Nº do Álbum: 122942 / Lançamento: 1926 / Gênero musical: Marcha da Folia / Coleções: IMS, Nirez
Por ser deveras conhecida / palavra, eu ando aborrecida
em qualquer lugar / quando passear
sou muito perseguida / o meu tormento não tem fim
nunca pensei sofrer assim / velhos e mocinhos
pedem-me beijinhos / dizendo, enfim , prá mim
Zizinha, Zizinha / Zizinha, Zizinha
ó, vem comigo, vem / minha santinha
também quero tirar uma casquinha
Noutro dia num bondinho / um coronel muito velhinho
deu-me um beliscão / pegou-me na mão
tais coisas fez enfim / que quando olhei admirada
até parece caçoada / ainda suspirou
os olhos revirou / dizendo assim prá mim
Zizinha, Zizinha...
Fontes: A Canção no Tempo - 85 anos de Música Brasileira Vol. 1: 1901-1957, 1a edição, 1997, editora 34; Instituto Moreira Salles; Discografia Brasileira - IMS.
sexta-feira, março 31, 2006
Freitinhas
Freitinhas |
José Francisco de Freitas, o Freitinhas, foi compositor e instrumentista. Nasceu no Rio de Janeiro no ano de 1897 e faleceu em 13 de fevereiro de 1956. Estudou piano e teve aulas iniciais de composição com Francisco Braga, compondo sua primeira música aos oito anos, a valsa Treze de Setembro. Em 1912 publicou a valsa Tarde e, dois anos depois, Amor que engana, despertando atenção como autor.
A partir de 1918 começou a escrever partituras para revistas e burletas do teatro musicado, compondo para a revista Zé dos Pacotes, de Miguel Santos, que marcou sua estréia no gênero. Aos 21 anos começou a atuar também como pianista, na Casa Carlos Wehrs.
Em 1923 já havia editado nessa casa 64 composições. No mesmo ano obteve seu primeiro grande sucesso, com o fox-trot Vênus, dedicado a Zezé Leone, vencedora de concurso nacional de beleza. Três anos depois, lançou-se como compositor de músicas para o Carnaval, com a marcha Zizinha (com Carlos Bittencourt e Cardoso de Meneses), lançada na burleta de Freire Júnior Ai, Zizinha. Obteve sucesso também com outras músicas, grandemente influenciadas pelo charleston, entre as quais Eu vi Lili. Por essa época, animava bailes, regendo uma pequena orquestra, no estilo jazz band, com um repertório que incluía suas composições carnavalescas. Para divulgá-las, mandava imprimir folhetos com a letra e a partitura, que distribuía gratuitamente.
Em 1927, sua marcha Dondoca obteve sucesso tão grande que seus editores, a Casa Carlos Wehrs, lhe deram uma medalha de ouro. A marcha foi lançada pela atriz Margarida Max na revista Sol nascente, de Carlos Bittencourt, Cardoso de Meneses e Alfredo Pujol. Dois anos depois, apesar do sucesso de Dorinha, meu amor, sua popularidade começou a declinar pelo surgimento de nova geração de compositores carnavalescos.
No Carnaval de 1933 ainda obteve prêmio da prefeitura carioca com Não faço questão de cor, desaparecendo do cenário carnavalesco e limitando-se a novas apresentações em revistas de teatro.
Principais obras
Dorinha, meu amor, marcha, 1929; Eu vi Lili, marcha, 1926; Miserê, samba, 1924; Vênus, fox-trot, 1923; Zizinha (com Carlos Bittencourt e Cardoso de Meneses), marcha, 1926.
Letras de músicas no site
Algumas obras
01 Canção da mocidade (marcha) - Intérprete: Banda do Corpo de Bombeiros - Gravadora Odeon - Álbum 112619 - Gravação 1915-1921 - Lançamento 1915-1921 - Lado único - Disco 78 rpm; 02 O sabiá (canção sertaneja) - Intérprete: Bahiano - Gravadora Odeon - Álbum 121532 - Gravação 1915-1921 - Lançamento 1915-1921 - Lado indefinido - Disco 76 rpm; 03 Baú enferrujado (samba) - Intérprete: Fernando - Acompanhamento Coro - Gravadora Odeon - Álbum 122852 - Gravação 1921-1926 - Lançamento 1921-1926 - Lado único - Disco 78 rpm; 04 Pra que você tem (samba) - Intérprete: Fernando - Composição com Orlando Vieira - Acompanhamento Coro e Jazz Band Sul Americano Romeu Silva - Gravadora Odeon - Álbum 122850 - Gravação 1921-1926 - Lançamento 1921-1926 - Lado indefinido - Disco 76 rpm; 05 Suspiros que sangram (tango) - Intérprete: Herócles Brandão - Gravadora Odeon - Álbum 122454 - Gravação 1921-1926 - Lançamento 1921-1926 - Lado indefinido - Disco 76 rpm; 06 A bola preta (marcha carnavalesca) - Intérprete: Grupo do Moringa - Gravadora Odeon - Álbum 122003 - Gravação 1921-1926 - Lançamento 1921-1926 - Lado indefinido - Disco 76 rpm; 07 Não chora neném (maxixe) - Intérpretes: American Jazz Band - Sílvio de Souza - Gravadora Odeon - Álbum 123045 - Gravação 1925-1927 - Lançamento 1925-1927 - Lado único - Disco 78 rpm; 08 Salomé, meu bem (maxixe) - Intérprete: American Jazz Band de Sílvio de Souza - Gravadora Odeon - Álbum 123038 - Gravação 12/1925 - Lançamento 07/1927 - Lado indefinido - Disco 76 rpm; 09 És a minha assombração (samba) - Intérprete: Frederico Rocha - Gravadora Odeon - Álbum 123256 - Gravação 1925-1927 - Lançamento: 1925-1927 - Lado indefinido - Disco 76 rpm; 10 Salve a rainha (valsa lenta) - Intérprete:Pedro Celestino - Acompanhamento Orquestra Pan American do Cassino Copacabana - Gravadora Odeon - Álbum 123308 - Gravação 1925-1927 - Lançamento 1925-1927 - Lado indefinido - Disco 76 rpm; 11 Mexe baiana (maxixe) - Intérprete: Orquestra Pan American - Gravadora Odeon - Álbum 10034 - Gravação 00/1927 - Lançamento 00/1927 - Lado B - Disco 78 rpm; 12 Sempre a chorar (modinha) - Intérprete: Augusto Calheiros - Gravadora Odeon - Álbum 10075 - Gravação 00/1927 - Lançamento 00/1927 - Lado B - Disco 78 rpm; 13 Revivendo o passado (valsa) - Intérprete: Pedro Celestino - Gravadora Odeon - Álbum 123309 - Gravação 00/1927 - Lançamento 00/1927 - Lado único - Disco 78 rpm; 14 Lulu... acende a luz (canção) - Intérprete: Francisco Alves - Composição com Luiz Iglesias - Gravadora Odeon - Álbum 10251 - Gravação 00/1928 - Lançamento 00/1928 - Lado A - Disco 78 rpm; 15 Que pequena levada (charleston) - Intérprete: Francisco Alves e Rosa Negra - Gravadora Odeon - Álbum 10154 - Gravação 00/1928 - Lançamento 00/1928 - Lado B - Disco 78 rpm; 16 Meu suquinho (marcha) - Intérprete: Francisco Alves - Composição com Lamartine Babo - Gravadora Odeon - Álbum 10154 - Gravação 00/1928 - Lançamento 00/1928 - Lado A - Disco 78 rpm; 17 Loló (marcha) - Intérprete: Francisco Alves - Gravadora Odeon - Álbum 10179 - Gravação 00/1928 - Lançamento 00/1928 - Lado A - Disco 78 rpm; 18 O gaúcho (canção) - Intérprete: Francisco Alves - Gravadora Parlophon - Álbum 12816 - Gravação 00/1928 - Lançamento 00/1928 - Lado A - Disco 78 rpm; 19 Uma noite de serenata (seresta) - Intérprete: Francisco Alves - Gravadora Parlophon - Álbum 12816 - Gravação 00/1928 - Lançamento 00/1928 - Lado B - Disco 78 rpm; 20 Não dou palpite (marcha) - Intérprete: Francisco Alves - Gravadora Odeon - Álbum 10353 - Gravação 00/1929 - Lançamento 00/1929 - Lado A - Disco 78 rpm; 21 No grajaú, Iaiá (samba de elite) - Intérprete: Mário Reis - Composta com Dan Malio Carneiro - Gravadora Odeon - Álbum 10576 - Gravação 1929-1930 - Lançamento 03/1930 - Lado A - Disco 78 rpm; 22 Capricho de mulher (samba) - Intérprete: Mário Reis - Gravadora Odeon - Álbum 10539 - Gravação 00/1930 - Lançamento 00/1930 - Lado A - Disco 78 rpm; 23 Gueishinha (samba) - Intérprete: Sebastião Rufino - Gravadora Brunswick - Álbum 10130 - Gravação 00/1930 - Lançamento 00/1931 - Lado B - Disco 78 rpm; 24 Eu não posso perder pra você (marcha) - Intérprete: Gastão Formenti - Gravadora Brunswick - Álbum 10136 - Gravação 00/1930 - Lançamento 00/1931 - Lado B - Disco 78 rpm; 25 O retrato da mulher que a gente gosta (samba) - Intérprete: Januário de Oliveira - Gravadora Columbia - Álbum 5185 - Gravação 00/1930 - Lançamento 1930-1931 - Lado B - Disco 78 rpm; 26 Eu sou é ulio (marcha) - Intérprete: Sílvio Salema / Gravadora Victor - Álbum 33257 - Gravação 00/1930 - Lançamento 00/1930 - Lado A - Disco 78 rpm; 27 Beijo azul (tango) - Intérprete: Sônia Barreto - Composta com Osvaldo Santiago - Gravadora Victor - Álbum 33474 - Gravação 00/1931 - Lançamento 00/1931 - Lado A - Disco 78 rpm; 28 Alma perversa (tango) - Intérprete: Francisco Alves - Composto com João Rossi - Acompanhamento Orquestra Copacabana - Gravadora Odeon - Álbum 10815 - Gravação 10/06/1931 - Lançamento 1931/1931 - Lado B - Disco 78 rpm; 29 Sapeca (marcha carnavalesca) Intérprete: Celeste Leal Borges - Acompanhamento Orquestra Copacabana - Gravadora Odeon - Álbum 10741 - Lançamento 01/1931 - Lado A - Disco 78 rpm; 30 Mulata macumbeira (samba) - Intérprete: Celeste Leal Borges - Composta com Domingos Magarinos - Acompanhamento Orquestra Copacabana - Gravadora Odeon - Álbum 10741 - Lançamento 01/1931 - Lado B - Disco 78 rpm; 31 Não faço questão de cor (marcha) - Intérprete: Castro Barbosa - Gravadora Odeon - Álbum 10954 - Gravação 00/1932 - Lançamento 00/1933 - Lado A - Disco 78 rpm; 32 Flor do mato (canção) - Intérprete: Augusto Calheiros - Composição com Zeca Ivo - Gravadora Odeon - Álbum 11021 - Gravação 00/1933 - Lançamento 00/1933 - Lado B - Disco 78 rpm; 33 Mal de amor (marcha) - Intérprete: Leonel Faria - Álbum 11103 - Gravação 00/1934 - Lançamento 00/1934 - Lado B - Disco 78 rpm; 34 Questão de raça (marcha) - Intérprete: Arnaldo Amaral - Composta com Zeca Ivo - Gravadora Columbia - Álbum 22260 - Lançamento 01/1934 - Lado indefinido - Disco 78 rpm; 35 Teu passarinho (marcha) - Intérprete: Almirante - Composta com José B. de Abreu - Gravadora Odeon - Álbum 11304 - Gravação 00/1935 - Lançamento 00/1936 - Lado A - Disco 78 rpm; 36 Boquinha de carmin (marcha) -Intérprete: Carlos Galhardo - Composta com Marco Antonio - Gravadora Odeon - Álbum 11451 - Gravação 00/1936 - Lançamento 00/1937 - Lado B - Disco 78 rpm; 37 Um minuto de felicidade (valsa) - Intérprete: Gastão Formenti - Composta com Valfrido Silva - Gravadora Odeon - Álbum 11590 - Gravação 00/1938 - Lançamento 00/1938 - Lado A - Disco 78 rpm; 38 Confissão (canção) - Intérprete: Pedro Celestino - Composta com Adollar e Pedro Celestino - Gravadora Odeon - Álbum 12791 - Gravação 00/1947 - Lançamento 00/1947 - Lado A - Disco 78 rpm.
Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha - São Paulo, 1998.
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