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domingo, setembro 04, 2022

Canção do abandono


Em 1932 a cantora e radiatriz Alda Verona gravou em dueto com César Pereira Braga "Canção do abandono" (Joubert de Carvalho e Olegário Mariano) e encerrou a carreira discográfica com as canções "Diga-me uma vez" (Gentner e Sivan) e "Tão fácil a felicidade" (Valdemar de Oliveira). Gravou um total de 21 discos com 40 músicas.

Canção do abandono (1932) / Compositores: Joubert de Carvalho e Olegário Mariano / Interpretações: Alda Verona e César Pereira Braga / Acompanhamento: Harry Kosarin e Seus Almirantes / Disco Victor 33584-b / Gravação: 14-Junho-1932 / Nº da matriz 65385-4 / Lançamento: Março 1933 / Gênero musical: Valsa.


quinta-feira, fevereiro 08, 2018

Silêncio do cantor - João Dias

João Dias
Silêncio do Cantor (canção, 1952) - Joubert de Carvalho e David Nasser - Intérprete: João Dias

Disco 78 rpm / Título da música: Silêncio do Cantor / David Nasser, 1917-1980 (Compositor) / Joubert de Carvalho (Compositor) / João Dias (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 13/01/1953 / Nº Álbum 13405 / Lado A / Gênero musical: Canção.



Quando eu deixar de cantar
Quando eu nunca mais gravar
Meus sambas, minhas canções,
Quando calar na garganta
Esta voz que hoje canta
Para os vossos corações.

Quando o meu canto esquecido
For pássaro ferido
Que já não pode voar
Tu, só tu, meu violão,
Amigo na solidão
Saberás me suportar.

Iremos lembrar juntinhos
Eu e tu, ambos velhinhos,
Nossos fracassos de amor
Tu, só tu, madeira fria
Sentirás toda a agonia
Do silêncio do cantor.

Maria Maria - Orlando Silva

Joubert
Maria Maria (valsa, 1940) - Joubert de Carvalho - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Maria Maria / Joubert de Carvalho (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Gravadora: Victor, 1940 / Nº Álbum: 34.621 / Lado A / Gênero musical: Valsa.



Eu sinto que em tua alma,
Há restos de amargura,
Um pingo d'agua brilha nos teus olhos,
É por que tu não tivestes,
Uma aventura.


O teu mal é acreditar,
Em palavras vãs de amor,
Maria Maria, não creias,
Em juras de eterno amor.

Sonho nasceste, na esperança
Sentirás o frio dos desenganos,
Maria, Maria, o mundo,
É uma felicidade,
Sonhar com ela, Maria,
Com ela, felicidade.

quarta-feira, dezembro 18, 2013

Dois apitos: Joubert de Carvalho

Vida do compositor e médico Joubert de Carvalho, e linda sua declaração sobre a "Medicina" e a "Música". Nasceu em Uberaba, MG, em 6/3/1900, nunca bebeu, nunca foi boêmio, bares e botequins jamais o atraíram. 

Homem culto e refinado, foi muito talentoso e um dos pioneiros no Brasil em Medicina Psicossomática. Como músico é autor de mais de setecentas composições. Morreu no dia 20/9/1977, vítima de pneumonia, deixando importante legado para a MPB. À seguir, uma reportagem da CARIOCA de 1935.

"Joubert de Carvalho anda agora um pouco esquivo no meio radiofônico. Consequência da avalanche de músicas carnavalescas? Ou será que o autor de “Volta para o meu amor” e “Ta-hi” anda brigado com a música? Joubert de Carvalho, além de compositor, é também médico. Dedica-se a uma especialidade interessante: pulmão e coração. De coração, já se sabe que ele entende mesmo. A prova:

Ta-hi,
Eu fiz tudo pra você gostar de mim,
O’ meu bem, não faz assim comigo, não,
Você tem, você tem,
Que me dar seu coração.

Joubert de Carvalho desde esse tempo mostrava sua predileção pelos segredos do músculo vital. Daí passar aos pulmões foi um nada. Ele faz parte, assim, dos que tocam “dois apitos”. Os seus dois apitos são igualmente nobres: a Medicina e a Música. Se uma doente rebelde não melhora com uma injeção de “digitalis”, o musicista entra em cena e aplica, ao piano, uma canção. . . E’ a conta.

CARIOCA procurou descobrir o segredo da atividade de Joubert de Carvalho. Entre duas consultas, conseguimos abordá-lo. Uma pergunta, duas, três. E as respostas foram surgindo.
Não, a fonte de produção de Joubert de Carvalho não estancou. Apenas o jovem compositor está se dedicando a um gênero mais esmerado de arte. Em vez de compor coisas de sabor acentuadamente popular, para as multidões, está agora fazendo canções de delicada inspiração, verdadeiros poemas musicados. São dessa fatura “Teu retrato”, “Entre nós dois”, “Fui eu o seu primeiro amor” e outras composições.

— A música lhe tem prejudicado o exercício da Medicina, ou tem a clínica perturbado sua atividade artística? — perguntamos.

Joubert, o médico
— Muito pelo contrário — respondeu Joubert de Carvalho. — O exercício da Medicina exige um complexo científico em que a observação e o tino clínico assentam base no desenvolvimento artístico e psicológico. A arte é a maneira mais eficiente de nos conduzirmos ao caminho da verdade. Por seu intermédio é que pressentimos as leis profundas que determinam a razão das coisas. E’ uma intuição que margeia todos os fenômenos da vida, para o seu desenvolvimento ideal, que atinge ao seu ponto culminante, quando a inteligência sublima as suas atividades nesse sentir.

Continua Joubert:

— A Música, por excelência, faculta-nos melhor compreensão da vida, porque dela se arrebata, para nos fazer senti-la numa forma espiritual elevada pelo sonho, eternizando-a pelas suas consequências. A vida de um Chopin, de um Beethoven, de um Mozart, de um Schubert sentimo-la pelas suas músicas de todos os dias e nos beneficiam para o encantamento da alma. Ela excita e educa a sensibilidade muitas vezes embotada pelas exigências materiais da vida. Sua influência para a sutileza da percepção na acuidade auditiva aperfeiçoa o ouvido do médico para penetrar na intimidade mais profunda dos fenômenos que acometem o coração e os pulmões, órgãos que acusam enfermidades por ruídos particulares. E’ por isso que dela não me afasto. E se de um lado me aproxima da verdade em um diagnóstico, pela audição acurada, de outro me afasta da matéria pelo transporte às regiões infindas e sublimes do sonho, que a melodia cria na magia dos sons.”


Fonte: CARIOCA, novembro de 1935.

sexta-feira, setembro 27, 2013

A vida é sempre a mesma coisa

Francisco Alves 1929

A vida é sempre a mesma coisa (canção, 1935) - Joubert de Carvalho - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: A Vida é Sempre a Mesma Coisa / Joubert de Cavalho (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Data da gravação: 03/07/1935 / Data de lançamento: Setembro/1935 / Nº Álbum 33971-A / Matriz: 79958 / Gênero musical: Canção/Blues



Embalei nos meu braços a vida
Quase, quase a loucura
Depois de uma noite sombria
Venho buscar minha alegria...

A vida é sempre a mesma coisa
A mesma luz brilhando em cada olhar
E eu sei das ilusões
Que vão se esconder no seu luar...

E o tempo passa
E vai com ele adormecer
Um sonho que viveu
E ainda quer viver!...

A vida é sempre mesma coisa
A mesma luz brilhando em cada olhar
E eu sei das ilusões
Que vão se esconder no seu luar...

E o tempo passa
E vai com ele adormecer
Um sonho que viveu
E ainda quer viver!...

quinta-feira, setembro 26, 2013

A casinha de meu bem

Gastão Formenti
A casinha de meu bem (canção, 1928) - Joubert de Carvalho - Intérprete: Gastão Formenti

Disco 78 rpm / Título da música: A Casinha do Meu Bem / Joubert de Carvalho (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Dois violões (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº Álbum: 10238-A / Data da gravação: Junho/1928 / Data de lançamento: Setembro/1928 / Gênero musical: Canção



Em cima do morro tem uma casinha
É meu bem que mora lá
Que é pobrezinha, tem muita riqueza
De amor como não há...

A casinha que o meu bem mandou fazer
Lá no alto, p'ra ficar longe de mim...
(Não... não é assim...)
A casinha lá no morro
É p'ra esconder o nosso amor!

E quando anoitece naquele colina
Vem a luz, nosso luar
No entanto, ilumina mais que uma candeia
Fulgurar de um altar...

A casinha que o meu bem mandou fazer
Lá no alto, p'ra ficar longe de mim...
(Não... não é assim...)
A casinha lá no morro
É p'ra esconder o nosso amor!

Existe no mundo a felicidade
Que vagueia sempre ao léu
Onde ela mora é naquele ranchinho
Bem pertinho, lá no céu!

A casinha que o meu bem mandou fazer
Lá no alto, p'ra ficar longe de mim...
(Não... não é assim...)
A casinha lá no morro
É p'ra esconder o nosso amor!

A carícia de um beijo

O cantor Floriano Belham (foto) durante dois anos apresentou-se em espetáculos teatrais, até que começou a gravar na Victor em 1930. Por ser de estatura pequena, magro e ter voz infantil, passava por ter menos idade, saindo nos selos dos discos como “menino Floriano Belham”. Em 1931, lançou o fox-canção A carícia de um beijo (Joubert de Carvalho e Olegário Mariano).

A carícia de um beijo (fox-canção, 1931) - Joubert de Carvalho e Olegário Mariano - Intérprete: Floriano Belham

Disco 78 rpm / Título da música: A Carícia de Um Beijo / Joubert de Carvalho (Compositor) / Olegário Mariano (Compositor) / Floriano Belham (Intérprete) / Gravadora: Victor / Nº Álbum: 33448-A / Matriz: 65029 / Data da gravação: 19//11/1930 / Data de lançamento: Julho/1931 / Gênero musical: Fox-canção



Aquele que perdeu o amor na vida
Que penas mil sofreu e renunciou
Tem um consolo quando fica a reportar...

A carícia de um beijo
Me faz voltar à ilusão
E ter de novo a primavera
Dentro d'alma
E todo em flor o coração!...

E a voz que emudeceu nos seus ouvidos
Parece me falar do antigo bem
E reviver por um momento
O amor de alguém...

A carícia de um beijo
Me faz voltar à ilusão
E ter de novo a primavera
Dentro d'alma
E todo em flor o coração!...

A carícia de suas mãos

Sylvinha Mello
A carícia de suas mãos (valsa, 1935) - Joubert de Carvalho - Intérprete: Sylvinha Mello

Disco 78 rpm / Título da música: A Carícia de Suas Mãos / Joubert de Carvalho (Compositor) / Sylvinha Mello (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Nº Álbum: 33272-A / Matriz: 79981 / Data da gravação: 15/07/1935 / Data de lançamento: Setembro/1935 / Gênero musical: Valsa



A carícia de tuas mãos
No charminho
Me desperta como um beijo
Para a aventura de um desejo...

Eu desejo quase tudo e talvez mais
No amor isso é realidade
É uma esperança em todas ilusões
A se embalar nos corações...

E as tuas mãos nervosas
Muito brancas, mãos de neve
Passando sobre as minhas
Tocando-as bem de leve

Dá-me um alento interior
No desejo que vive
As mãos, as suas mãos
De amor...

Dá-me um alento interior
No desejo que vive
As mãos, as suas mãos
De amor...

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Eurístenes Pires

Eurístenes Pires, cantor, nasceu em Barbacena, Minas Gerais, em 10/5/1905 e era filho de um famoso médico mineiro, o Dr. João Alves de Almeida Pires. Começou a carreira artística por volta de 1919.

Estreou em discos pela Parlophon em 1928 com as canções Lábios formosos e O olhar da brasileira, de Pedro de Sá Pereira, gravadas com acompanhamento da Orquestra Parlophon.

No mesmo ano, gravou também com acompanhamento da Orquestra Parlophon a canção Oração da viola, de Pedro de Sá Pereira e a valsa Castelo de luar, de Joubert de Carvalho e J. Resende. Ainda nesse ano, gravou com a Hotel Itajubá Orquestra o tango Sonhando amor, de Zequinha de Abreu; a valsa Patrícia, de Roque Vieira e a habanera Teu olhar, de Luiz Cantagalli.

Em 1929, foi para a gravadora Columbia e lançou três discos com a modinha Íntima lágrima, de Cândido das Neves; as canções Canção de amor, de William Gordon, do filme Mulher enigma e Meu ranchinho; Lamentos de minh'alma e a valsa Triste juriti, de Carlinhos de Almeida e a valsa Não sei se te amo ainda, de Pedro Cabral todas com acompanhamento do Trio Ghiraldini.

No mesmo ano, gravou as canções Afrodita, de J. Moreira de Aguiar e Teu olhar, de Rosina Mendonça; a valsa Porque fingiste não me ver, de José Francisco de Freitas e o samba-canção Só farta é você querê, de Xerém e Gilberto Andrade.

Em 1930, gravou o tango No arraiá, de Milton Amaral e a canção A casa da serra, de Rosina Mendonça, com acompanhamento do Trio Ghiraldini.

Gravou quatro discos pela Parlophon com sete músicas e oito discos pela Columbia com dezesseis músicas.

Discografia

(1928) Lábios formosos / O olhar da brasileira • Parlophon • 78
(1928) Oração da viola / Castelo de luar • Parlophon • 78
(1928) Sonhando amor / Patrícia • Parlophon • 78
(1928) Teu olhar • Parlophon • 78
(1929) Lamentos de minh'alma / Não sei se te amo ainda • Columbia • 78
(1929) Íntima lágrima / Canção de amor • Columbia • 78
(1929) Meu ranchinho / Triste juriti • Columbia • 78
(1929) Afrodita / Teu olhar • Columbia • 78
(1929) A luz do teu olhar / O querido das mulheres • Columbia • 78
(1929) Xodó da morena / Porque fingiste não me ver • Columbia • 78
(1929) Caboquinha do norte / Só farta é você querê • Columbia • 78
(1930) No arraiá / A casa da serra • Columbia • 78

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

domingo, abril 20, 2008

Geremoabo

Joubert de Carvalho
Geremoabo (canção, 1946) - Joubert de Carvalho - Intérprete: Gilberto Milfont

Disco 78 rpm / Título da música: Geremoabo / Joubert de Carvalho (Compositor) / Gilberto Milfont (Intérprete) / Gaó e Sua Orquestra de Concerto (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 22/05/1946 / Lançamento: 09/1946 / Nº do Álbum: 80-0434 / Nº da Matriz: S-078523-1 / Gênero musical: Canção


Vem rompendo a madrugada
Chico Gato destemido
Faz o cerco na calada
Procurando o boi valente
Foi chamado o corredor
Pra uma luta frente a frente

Chico Gato nesse dia
Prometeu a Ana Maria

No mais pura comovente
Sem temer nem mesmo a morte
De trazer pegado à unha
Esse boi alice e forte

Geremoabo
Que tem o rio Irapiranga
Pra molhar a terra seca do lugar
Geremoabo, jura eleitor
É a minha terra
É o meu amor!

Geremoabo
Que tem Maria
Pra um caboclo apaixonar
Por causa dela se matar
Geremoabo, jura eleitor
Aí deixei
O meu amor!

E tomada a posição
Chico Gato espera a hora
Pra arrancada estonteante
Eis que o boi que vive alerta
Rompe o cerco num instante
Pra escapar da pega certa

Desde aí Geremoabo
Conta a história desse boi
Corredor de triste sorte
Que no abismo se jogou
Não foi preso
Teve a morte que o vaqueiro acompanhou...

Geremoabo, que tem o rio....



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

segunda-feira, março 17, 2008

Por quanto tempo ainda

Joubert de Carvalho
Por quanto tempo ainda (valsa, 1939) - Joubert de Carvalho - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Por quanto tempo ainda... / Joubert de Carvalho (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 24/02/1939 / Lançamento: 04/1939 / Nº do Álbum: 34431 / Nº da Matriz: 33004-1 / Gênero musical: Valsa


Não sei
Por quanto tempo ainda
Esperarei
Por ti, pelos carinhos teus
Por tudo que me vem bailando
Tecendo os sonhos meus.

Talvez
Só por viver à sombra da ilusão
Envolto no silencio frio

Direi
Por quanto tempo ainda
Esperarei, o teu amor, em vão.

Nunca animaste com a fé
Aos que sofrem do mal de amor
Há no teu corpo gelado
A perfídia, do teu encanto
Nunca terás aos teus pés
A ventura da minha dor
Os teus joelhos dobrados um dia
Em pranto, hás de implorar
o Amor...



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

terça-feira, março 11, 2008

Lembro-me ainda

Joubert de Carvalho
Lembro-me ainda (valsa, 1936) - Joubert de Carvalho - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Lembro-me ainda / Joubert de Carvalho (Compositor) / Franciaco Alves (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 03/04/1936 / Lançamento: 05/1936 / Nº do Álbum: 34052 / Nº da Matriz: 80112-1 / Gênero musical: Valsa


O amor que desfolhei
Viveu na luz das madrugadas
As noites enluaradas
Que passam...
Levando em seu destino
Os nossos corações
Que se deixam levar à toa

Nas mais ingênuas ilusões
Que são um grande amor
Perdoa...

Lembro-me ainda
De um beijo que você me deu
Guardo na boca
Esse beijo que você esqueceu
No momento que mais desejava
Ter na boca
A boca que me atormentava
Amor...!

Lembro-me que ainda
Que foi por seus olhos bizarros
Que os meus olhos molhados
Por variaram pela noite adentro
E pelas madrugada
O amor e depois
Mais nada...



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Tutu Marambá

Em 1929 Joubert de Carvalho mostrou para Olegário Mariano as melodias para dois poemas seus, o Cai, cai, balão e Tutu Marambá, gravadas por Gastão Formenti, dando início a uma parceria de 24 composições.

Tutu Marambá (canção, 1929) - Joubert de Carvalho e Olegário Mariano

Disco 78 rpm / Título da música: Tutu Marambá / Joubert de Carvalho (Compositor) / Olegário Mariano, 1889-1958 (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10333 / Nº da Matriz: 2250 / Lançamento: Março/1929 / Gênero musical: Canção / Coleções: IMS, Nirez


Tutu Marambá não venhas mais cá
Que o pai do menino te manda matar...

No seu berço de renda
Com brocardo de oiro
Os olhinhos redondos
De espanto e alegria!
Ele olha a vida
Como quem olha um tesoiro
Meu filho
É o mais lindo dessa freguesia!

O filho da coruja
A boquinha em rosa
A mãozinha suja
Com os dedinhos gordos
Já dá adeus!

Fala uma língua que ninguém compreende
Toda a gente que o vê se surpreende
Tão bonitinho
Benza Deus!

É redondo
Como uma bola
O seu polichinelo
Como um grande riso
É a única cousa que o consola:
Meu filho é o meu melhor sorriso...

De noite clara
Anda lá fora
O luar entra no quarto mais lindo
Com a expressão angélica de beijar
Roça o berço
O menino está dormindo
Então a voz de maldizente
Vai cantando maquinalmente:

Tutu Marambá não venhas mais cá
Que o pai do menino te manda matar...

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Hula

Joubert de Carvalho
Hula (valsa, 1929) - Joubert de Carvalho e Olegário Mariano - Intérprete: Gastão Formenti

Disco 78 rpm / Título da música: Hula / Joubert de Carvalho (Compositor) / Olegário Mariano, 1889-1958 (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 12982-a / Nº da Matriz: 2689 / Gravação: Junho/1929 / Lançamento: Julho/1929 / Gênero musical: Valsa / Coleções: Nirez, Humberto Franceschi


Ao teu olhar meu coração se incendeia
Abrindo em luz as candeias do amor
Mas quem sabe se o tempo faz apagar
A maldição da minha dor ...

Hula, Hula
Fala baixinho
E deixa seguir meu caminho
Hula, Hula
Como padeço
Humilhado porque não te esqueço
Tudo na vida eu farei
Para dar-te um dia
Um beijo que nunca te dei ...

O meu perdão
Tu não terás nessa vida
Porque malvada és, fingida demais
O que punge mais fundo
É a recordação de um tempo bom
Que não vem mais ...

Hula, Hula
Tenho desfeito teu sonho
Cá dentro do peito
Hula, Hula
Quanta saudade
Meus olhos parados invade
Como eu seria feliz se esquecer pudesse
O bem que na vida te quis ...



Fonte: Discografia Brasileira - IMS.

sexta-feira, março 31, 2006

Joubert de Carvalho


Um dos treze filhos do fazendeiro Tobias de Carvalho e de Dona Francisca Gontijo de Carvalho, Joubert de Carvalho nasceu em Uberaba, Minas Gerais, no dia 06 de março de 1900. Tinha nove anos quando o pai comprou um piano, onde Joubert passou a tocar, de ouvido, os dobrados que ouvia na banda local.


Aos doze anos, tendo terminado o curso primário em Uberaba, Joubert mudou-se com a família para São Paulo, motivados pela preocupação do pai com a educação e formação dos filhos, que foram estudar no Ginásio São Bento. A primeira composição de Joubert, a valsa Cruz Vermelha, foi inspirada no hospital infantil do mesmo nome, que havia em São Paulo, e cujas primeiras notas haviam sido tiradas no piano da infância.

O pai permitiu a Joubert que vendesse as partituras, desde que o dinheiro revertesse em benefício do Hospital Cruz Vermelha. O relativo sucesso alcançado pela música animou Joubert a compor outras peças, que entregava à casa editora Compassi & Camin, com autorização de seu pai, desde que o pagamento se resumisse a alguns exemplares para Joubert distribuir aos amigos. Durante o curso ginasial Joubert foi se familiarizando com os clássicos, na casa de uma tia pianista.

Em 1919 Joubert foi para o Rio de Janeiro, onde o ensino era de melhor nível e, em 1920, entrou para a Faculdade de Medicina. Com uma mesada de 500 mil réis, Joubert continuava a compor e, durante uma de suas visitas a São Paulo, o editor fez novos pedidos, com a oferta de 600 mil réis mensais. Como o filho havia obtido êxito nos exames, o velho Tobias não só se rendeu, como manteve a mesada, propiciando ao jovem Joubert uma vida de estudante rico, que podia até mesmo morar em hotel.

Nessa época, influenciado por ritmos estrangeiros, Joubert compôs diversos tangos, como Cinco de Janeiro, dedicado ao sanitarista Osvaldo Cruz. Sua primeira composição gravada foi a canção Noivos, lançada em 1921. Mas seu primeiro grande sucesso viria em 1922 com O príncipe, composta por inspiração da chuva e que seria sua primeira composição gravada no exterior, em 1931. No ano seguinte, 1923, compôs o tango 'argentino' Lindos olhos.

Em 1924 Joubert compôs os sambas O jacaré e Não sou pamonha, os foxes Lira quebrada e Vieni a me, as marchas A nova Itália, Revelação e Vira a casaca, os tangos Pressentimento e Sonhos mortos e o maxixe Viva o coronel e, ainda, em parceria com Zirlá, compôs Aventureiro, Encanto de mulher e Tango venenoso e, em parceria com Zael, compôs O galo preto.

Em 1925 Joubert se formou em Medicina, com a tese intitulada "Sopros musicais do coração", tendo sido aprovado com distinção, embora o título da tese beirasse à pilhéria. Sabendo equacionar perfeitamente as atividades de médico e de músico, Joubert continuava a compor. Desse ano são suas composições Luxo asiático e Vem meu benzinho.

Em 1926, em parceria com Sadi Fonseca, Joubert compôs o maxixe Arrepiado e o tango Canção dos mares e, com Zael, compôs o maxixe Jaquetão. Ainda desse ano são as composições Manequinho, Mãos de neve, Pobrezinho, Prisioneiro do amor e Agonia, esta gravada por Pedro Celestino, irmão de Vicente Celestino.

Em 1927 Joubert casou-se com Elza Faria, que lhe daria o filho Fernando Antonio. Desse mesmo ano são suas composições Bigodinho, Boca pintada, Canarinho, Eu gosto de você, Juriti, Mal aventurado, Nhá Maria, Rio de Janeiro, Rolinha, Sabiá mimoso, Os teus olhos, Traição, As Valentinas e Viva Jaú.

Em 1928 Joubert musicou dois poemas de Olegário Mariano, Cai, cai balão e Tutu Marambá, dando início a uma parceria de mais de vinte músicas. Também de 1928 são as composições de Joubert de Carvalho Aquele cantinho, Caboquinha, O carinho de meu bem, A casinha do meu bem, Castelo de luar, Os dois caminhos, Os filhos da Candinha, O pardal, Saci-Pererê, Sombrinha azul e Um sorriso e um olhar, a maioria delas gravadas por Gastão Formenti.

Embora as composições de Joubert de Carvalho já viessem sendo gravadas por cantores de destaque na época, como Gastão Formenti e Francisco Alves, a novata Carmen Miranda é que foi a responsável pelo grande sucesso de Ta-hi, lançado em 1930 com o título "Prá você gostar de mim", que alcançou uma vendagem de 35.000 discos, numa época em que os grandes cantores vendiam, no máximo, até 1.000 discos.

Ainda em 1930 Joubert compôs Dá-se um jeitinho, É com você que eu queria, Escrita errada, Esta vida é muito engraçada, Gostinho diferente, Kalatan, Neguinho, Pelo teu pecado, Saudade danada, Vai recolher, Vestidinho novo e Vou recolher e, ainda, em parceria com M. Fonseca, compôs Cadeirinha; com Ana Amélia Carneiro de Mendonça, com os Canção do estudante e Tarde dourada; com Olegário Mariano, Loiras e morenas e com Gastão Penalva, Para o amor.

Em 1931, em parceria com Pascoal Carlos Magno, Joubert compôs Pierrô, um de seus maiores êxitos e que foi interpretado por Jorge Fernandes, na peça teatral de mesmo nome, de autoria de Pascoal Carlos Magno. Ainda, neste ano, compôs Amor, amor, Eu sou do barulho, Não me perguntes, Napoleão, Quero ficar mais um pouquinho, Quero ver você chorar, Se não me tens amor, Tem gente aí, Venenoso, História de uma flor, Monte Carlo; com Paulo Roberto, compôs a marcha Foi ... foi ela; com Criso Fontes, o samba-canção Gostar de alguém; com Luiz de Góngora, a canção Por que choro; com Célia Benatti, a marcha Que m'importa; com Osvaldo Orico, a canção Se ela te oferecer um grande amor; com Luiz Gonzaga, o baião Trovas de amor; e, com Olegário Mariano, compôs Absolutamente, A carícia de um beijo, De papo pro á (em algumas fontes 'De papo pro ar')" e Zíngara. De papo pro á foi lançado, com sucesso, por Formenti, em 1931, e revivido por Inezita Barroso, em seu LP 'Canto da saudade'.

Em 1932 Joubert compôs Cabecinha de vento, Coisas de amor, É de trampolim, O gatinho, A glória de São Paulo, Lenita e Lição de Cristo; e, ainda, em parceria com Osvaldo Orico, compôs Horas de amor; com Luiz Martins, O índio do Corcovado; com J. Távora, Teus olhos... o outono; com Olegário Mariano, compôs Beduíno, Caboclinho, Galanteria e Se você quer e com Cleómenes Campos, compôs Dor.

Mas o grande êxito de Joubert em 1932 foi a canção Maringá que, gravada por Gastão Formenti, fez sucesso também no exterior, rendendo direitos autorais a Joubert durante muito tempo. Como Joubert queria um lugar de médico dos Marítimos e, sendo amigo do ministro da Viação, José Américo de Almeida, fez, para agradá-lo, já que este era nordestino, a música "Maringá", que surgiu de 'Maria do Ingá'; Ingá era um município do nordeste, onde a seca havia sido mais rigorosa. "Maringá" era cantada por operários que construíam uma nova cidade no norte do Paraná e que, ao ser fundada oficialmente em 1947, recebeu o nome de Maringá. A canção "Maringá" é considerada uma das mais expressivas

Joubert de Carvalho - 1933
Em 1933 Joubert foi nomeado médico do Instituto dos Marítimos, onde fez carreira, chegando a ser diretor do hospital. Mas não deixou de compor e, nesse mesmo ano, surgiram as músicas Coisinha boa, melhor que há no mundo, Devolve os meus beijos, Estilizada, Ficou um beijo em minha boca, Flor que ninguém colheu, Foi você mesmo, Há nos teus olhos... um luar, Lágrimas de Pierrô, Marilena, Melhor amor, Meu amor chegou, Olá, Que bom que estava, Redenção e Sossega o teu corpo, sossega e, ainda, Arlequim, em parceria com Fortes Malta; Boca bonita, com Narbal Fontes; De madrugada, com Catulo da Paixão Cearense; A doce palidez de Maria, com A. Freitas; Bom dia, meu amor, Canção do abandono, Felicidade e Moreninha brasileira, com Olegário Mariano; C'est toi, l'amour e N'aimez que moi, com Maria Eugênia Celso; Eta caboclo mau e Garota errada, com Luiz Martins; Felicidade... é quase nada e Se um dia pudesse, com Gilberto de Andrade; A lenda das rosas vermelhas e Moleque sarará, com Murilo Fontes; e Tabuada, com Adelmar Tavares.

De 1934 são as composições de Joubert de Carvalho Deixa-me beber, Eu quero te dar um beijo, Um pouquinho de amor, Sapatinho da vida, Uma vezinha só e, também, Pela primeira vez. Em 1940 Joubert compôs as valsas Ainda hei de te beijar, Maria, Maria, Por quanto tempo ainda e Rosi e o fox-canção Em pleno luar. Maria, Maria e Em pleno luar foram gravadas por Orlando Silva, com grande sucesso. No ano de 1941 traz a marcha de Joubert de Carvalho, Avante, companheiros.

De 1943 são suas valsas Ninguém esquece..., A vida é um sonho e Visão de outro amor. O ano de 1946 foi o de maior sucesso para Joubert: Gilberto Milfont lançou a canção Geremoabo e Sílvio Caldas gravou a canção Minha casa e a valsa Nunca soubeste amar. Minha casa foi um dos últimos grandes sucessos de Joubert de Carvalho. O romântico seresteiro ainda lançaria outras composições, mas nenhum de seus trabalhos posteriores alcançou a projeção popular de Minha casa.

Em 1948 Joubert compôs a valsa Noite de estrelas; em 1949, em parceria com R. C. Lisboa, compôs a canção Reminiscência; em 1950, compôs Flor de esperança, Gostoso e Picadinho; em 1951, Baía da Guanabara, É carinho que falta, Felicidade... e nada mais, Um grande amor, Paris, Paris, Sabe lá o que é isso e Quando se vai o amor, esta última em parceria com T. Malta.

Em 1952 Joubert compôs Festa de formatura, Flamboyant, Fogueira, Mamãe Dolores, No tempo da valsa e Perto da lareira e, ainda, em parceria com David Nasser, compôs o bolero Silêncio do cantor, que era uma homenagem ao cantor Francisco Alves, morto nesse ano, em acidente automobilístico. Em 1953, com Adelmar Tavares, Joubert compôs Olha-me bem nos olhos. Ainda nesse ano compôs Mande um beijo, Quando eu partir, Tes yeux, A vida por um beijo e Feliz aniversário, com a qual venceu um concurso, sendo gravada por Neide Fraga.

De 1954 são as composições Apresse o passo, Dia feliz, Marcha das bandeiras, Viva São Paulo e Voltei, voltei. No período de 1955 a 1960, Joubert de Carvalho passou a dedicar-se a estudos filosóficos, não publicando nada e produzindo apenas para uso interno. Em 1959, foi homenageado pelo povo de Maringá, que deu seu nome a uma das ruas da cidade. Em 1961 Joubert compôs Hino ao Presidente e Marcha da vitória. Em 1962 o cantor Carlos Galhardo lançou novas composições de Joubert de Carvalho: O amor e o sol, Florista, Mundos afora, O tempo que ficou e Desde sempre, esta em parceria com Mário Rossi. De 1969 são suas composições Além da vida e Esta noite não e, ainda, Fragrância, em parceria com Mário Rossi e Sol na estrada, com I. Maria.

Em 1970, participou do V Festival Internacional da Canção da TV Globo, com a valsa A flor e a vida, composta em parceria com Ieda Fonseca, não conseguindo classificação. Pouco depois, venceu, com a mesma composição, interpretada por Antonio João, o Festival Brasileiro de Seresta. Em 1971 Joubert compôs O Rio é Carnaval; em 1972, A cidade que nasceu de uma canção e Hora de despedida; e, em 1973, A voz e o violão.

Joubert de Carvalho nunca bebeu, nunca foi boêmio; bares e botequins jamais o atraíram. Homem culto e refinado, chegou também a escrever um romance: Espírito e sexo, que se aproxima do ensaio social. Como médico, também foi muito talentoso e um dos pioneiros no Brasil em Medicina Psicossomática. Autor de mais de setecentas composições editadas, no final da vida Joubert se afastou do mundo musical, pois os novos estilos surgidos deixaram pouco espaço ao romantismo do seresteiro que, de certa forma, ele foi. Joubert de Carvalho morreu no dia 20 de setembro de 1977, vítima de pneumonia, deixando importante legado para a Música Popular Brasileira.

Algumas letras e cifras





















Fonte: memórias da mpb - Samira Prioli Jayme.