Mostrando postagens com marcador dolores duran. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dolores duran. Mostrar todas as postagens

domingo, janeiro 21, 2018

Se papai fosse eleito - Dolores Duran


Se Papai Fosse Eleito (samba, 1957) - Billy Blanco - Intérprete: Dolores Duran

LP Dolores Duran ‎– Canta Para Você Dançar / Título da música: Se Papai Fosse Eleito / Billy Blanco (Compositor) / Dolores Duran (Intérprete) / Gravadora: Copacabana / Ano: 1957 / Nº Álbum: CLP-11011 / Lado B / Faixa 3 / Gênero musical: Samba.


Tom: F

Intro: G7  G7 G7 Dm7 G7 C

                    C
Ainda hei de ser bacana
      Cmaj7            C6
Ainda hei de andar de carro
          Am7      Dm7  G7
Com a plaquinha do cd
                  G7
Motocicletas na frente
                   Dm7
Assustando toda a gente
       G7         Cmaj7 Am7 Dm7 G7 C6
Pondo banca com você
   Dm7       G7    C
Já pensou papai eleito
  Cmaj7         C6
Vereador ou prefeito
       A7         Dm Gm7 C7 F
Dessa grande capital?

        F#dim7 B7        Em7
Aí vai haver   disse-me-disse
     A7           Dm7
Uma nega vai ser vice
             G7
Com faixa, coroa
            Cmaj7 C6
Com tudo legal

Am7    Dm6
Quero ver
       G7         Cmaj7
Lá no morro o alvoroço
            Am7                Dm7
As negas brigando por causa do moço
         G7           Cmaj7 Bb7 A7
Nessa altura um bom rapaz

      Dm7
Até você, risoleta
D#dim7         C
Que não me dá bola
        Am7         Dm7
Me enxergando de cartola
          G7       Cmaj7
Vai cair dura pra trás

(Instrumental)

Am7    Dm6
Quero ver
       G7         Cmaj7
Lá no morro o alvoroço
            Am7                Dm7
As negas brigando por causa do moço
         G7           Cmaj7 Bb7 A7
Nessa altura um bom rapaz

      Dm7
Até você, risoleta
D#dim7         C
Que não me dá bola
        Am7         Dm7
Me enxergando de cartola
          G7       Cmaj7
Vai cair dura pra trás

sábado, janeiro 20, 2018

Estatuto de boite - Dolores Duran


Estatuto de Boite (samba, 1957) - Billy Blanco - Intérprete: Dolores Duran

LP Dolores Duran ‎– Canta Para Você Dançar / Título da música: Estatuto de Boite (Boate) / Billy Blanco (Compositor) / Dolores Duran (Intérprete) / Gravadora: Copacabana / Ano: 1957 / Nº Álbum: CLP-11011 / Lado B / Faixa 7 / Gênero musical: Samba.


Tom: C

Intro: Cmaj7 D#dim7 Dm7 G7

   Cmaj7(9)       D#dim7   Dm7
Gafieira de gente bem, é boate,
       G7                Dm7       G7   Cmaj7 Dm7 G7
Onde a noite esconde a bobagem que acontece,
        C              Em7  A7   Dm7  G7
Onde o whysky lava qualquer disparate,
    Dm7            G7              C6  D#dim7 Dm7
Amanhã, um sal de fruta a gente esquece.

G7 Cmaj7          D#dim7  Dm7
Gafieira de gente bem, é boate,
      G7                Dm7       G7   Cmaj7 Dm7 G7
Onde a noite esconde a bobagem que acontece,
        C              Em7  A7   Dm7  G7
Onde o whysky lava qualquer disparate,
    Dm7            G7              C6  Em7
Amanhã, um sal de fruta a gente esquece.

  A7      Dm7   G7
Vamos com calma,
           Cmaj7 C6
Olha o respeito,
          F#m7
Cuida do corpo,
         B7               Em   A7
Que a alma, não tem mais jeito,
      Dm        D#dim7
O estatuto não prevê,
            C
Mas eu lhe digo,
         Am7           Dm7
Traga a sua mulher de casa,
            G7        Cmaj7
E deixa em paz a do amigo.

(Instrumental)

 Dm7   G7
Vamos com calma,
           Cmaj7 C6
Olha o respeito,
          F#m7
Cuida do corpo,
         B7               Em   A7
Que a alma, não tem mais jeito,
      Dm        D#dim7
O estatuto não prevê,
            C
Mas eu lhe digo,
         Am7           Dm7
Traga a sua mulher de casa,
            G7        Cmaj7
E deixa em paz a do amigo.

A banca do distinto - Dolores Duran


A Banca do Distinto (samba, 1959) - Billy Blanco - Intérprete: Dolores Duran

Compacto duplo EP 45 rpm / Dolores Duran No Michel De São Paulo / Título da música: A Banca do Distinto / Billy Blanco (Compositor) / Dolores Duran (Intérprete) / Gravadora: Copacabana / Ano: 1959 / Nº Álbum: CEP-4568 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba / Obs.: Embora o título sugira, não foi gravado ao vivo.


Intr.: A7+ D/E A7+ G7+ A7+ G#m7
       C#7/9 F#m7 E7+ D7+ D/E

D/E            Bm7                E7/9
Não fala com pobre, não dá mão a preto
                A7+
Não carrega embrulho
               Bm7
Pra que tanta pose, doutor
E7/9            A7+
Pra que esse orgulho
Bb/C C7/9     Bm7              E7/9
A bruxa que é cega esbarra na gente
            A7+
E a vida estanca
               Bm7
O enfarte lhe pega, doutor
E7/9          A7+
E acaba essa banca
Eb7/9         D7+                 G#5+/7
A vaidade é assim, põe o bobo no alto
              G7/13
E retira a escada
              F#5+/7            Bm7/9
Mas fica por perto esperando sentada
      F7/9         E7/9              F#/G#
Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão
A7+             D7+              D#°            A7+
Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco afinal
                F#7/13       F#5+/7 Bm7/9
Todo mundo é igual quando a vida termina
              E7/9           A7+
Com terra em cima e na horizontal

Pano legal - Dolores Duran

Billy Blanco
Pano Legal (samba, 1956) - Billy Blanco - Intérprete: Dolores Duran

Disco 78 rpm / Título da música: Pano Legal / Billy Blanco (Compositor) / Dolores Duran (Intérprete) / Gravadora: Copacabana / Ano: 1956 / Nº Álbum: 5.654 / Lado B / Gênero musical: Samba.



Certo dia, fui levada,
A um samba diferente,
Entre a gente da gravata e do plastrom, ai, ai,
Bebida servida em taça,
Champanha em vez de cachaça,
Mesmo assim, o samba lá é bom.

Certo dia, fui levada,
A um samba diferente,
Entre a gente da gravata e do plastrom, ai, ai,
Bebida servida em taça,
Champanha em vez de cachaça,
Mesmo assim, o samba lá é bom.

Eu vi muita grã-fina, rebolando, sambado,
Não sabia que as distintas eram assim,
Se eu soubesse também, como era o ambiente, decente,
Jogava um pano legal, por cima de mim.

Eu vi muita grã-fina, rebolando, sambado,
Não sabia que as distintas eram assim,
Se eu soubesse também, como era o ambiente, decente,
Jogava um pano legal, por cima de mim....

Dolores Duran - Letras, cifras e canções


Que é que eu faço - Isaura Garcia

Samba da parceria José Ribamar – Dolores Duran, cuja primeira gravação apareceu somente dois anos após a morte da compositora de “A noite do meu bem” (1961), na voz de Isaura Garcia, integrando o LP “A pedida é samba” que podemos ouvir abaixo. Em junho de 1962, saiu pela gravadora Chantecler o registro de Leila Silva, disco 78-0612-B, matriz C8P-1224, incluído também no LP “Novamente Leila”, do ano seguinte (Extraído de Samuel Machado Filho).

O que é que eu faço (samba, 1962) - Ribamar e Dolores Duran - Interpretação: Isaura Garcia

LP A Pedida é Samba / Título da música: Que é que eu faço / Dolores Duran (Compositora) / José Ribamar (Compositor) / Isaura Garcia (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1961 / Álbum: MOFB 3237 / Lado B / Faixa 2 / Gênero musical: Samba.



Se não é amor
Por que é que eu sinto esta vontade de chorar
Se não é amor
Por que é que eu sinto
Esta saudade sem parar
Se não é amor
Por que só tu vens alegrar o meu viver
Com velhas palavras
Lindas palavras que só tu sabes dizer

Se não é amor
Por que é que eu tinha
De escrever essa canção
Se não é amor
Por que é que eu fico
Assim feliz quando te abraço
Mas se for amor, responde coração
Responde meu amor que é que eu faço

Não me culpe - Dolores Duran


Não me Culpe (samba-canção, 1958) - Dolores Duran - Intérprete: Dolores Duran

LP Dolores Duran Canta para Você Dançar Nº 2 / Título da música: Não Me Culpe / Gravadora: Copacabana / Ano: 1958 / Nº Álbum: CLP-11039 / Lado A / Faixa 4 / Gênero musical: Samba-canção.


Tom: Eb

Introdução: Fm6 Bb7 Eb Fm Bb7 Eb Bb7 

       Fm7 
Não me culpe  
       C7/9-          Fm7    Bb7 
Se eu ficar meio sem graça 
     Eb       Bb7           Eb 
Toda vez que você passa por mim 
         G7 
Não me culpe 
           D7        G7     C7 
Se os meus olhos o seguirem 
       Fm7                      Bb7 
Mesmo quando você nem olhar pra mim 
          Fm7         C7/9-           Fm7  Bb7 
É que eu tenho muito amor, muita saudade 
          Eb           Ab          D7/A  G7  C7 
E essas coisas custam muito pra passar 
       Fm7    
Não me culpe, não 
Bb7      Eb 
Pois vai ser assim 
     Fm7       Bb7           Gm7 C7/9- 
Toda vez que você passar por mim 
       Fm7    
Não me culpe, não 
Bb7      Eb 
Pois vai ser assim 
     Fm7       Bb7           Eb   Abm  Eb 
Toda vez que você passar por mim 

sexta-feira, janeiro 19, 2018

Quem foi - Núbia Lafayette


Quem Foi? (samba-canção, 1958) - J. Ribamar e Dolores Duran - Intérprete: Núbia Lafayette

LP Solidão / Título da música: Quem Foi / Dolores Duran (Compositora) / J. Ribamar (Compositor) / Núbia Lafayette (Intérprete) / Gravadora: RCA Camden / Ano: 1961 / Nº Álbum: CALB 5024 / Lado A / Faixa 2 / Gênero musical: Samba-canção.



Quem foi, que entristeceu este sorriso ?
Quem foi, que fez sofrer o meu amor ?
Quem foi, que pôs a sombra da amargura ?
Nos olhos, tão queridos, do meu bem ?
Quem foi, que te ensinou o que é chorar ?
A morte, da primeira ilusão ?
Quem foi, que te a caminhar ?
Perdida, na mais triste, solidão ?

Tu deste, aquele amor que eu tanto quis,
A quem, nada te deu e nem te amou,
Enquanto, eu te esperava e sou feliz,
De amar ainda em ti, o que restou.

Enquanto, eu te esperava e sou feliz,
De amar ainda em ti, o que restou....

Noite de Paz - Maysa


Samba-canção sub intitulado "Dá-me, Senhor", assinado por Dolores Duran com o pseudônimo de Durando. A gravação de Maysa saiu em maio de 1959 pela RGE, no LP "Convite Para Ouvir Maysa nº 4" e no 78 rpm 10157-B, matriz RGO-1093. Houve também gravações por Roberto Audi e Ted Moreno (Samuel Machado Filho, no Youtube).

Noite de Paz (samba-canção, 1958) - Dolores Duran - Interpretação: Maysa

LP Convite Para Ouvir Maysa nº 4 / Título da música: Noite de Paz (Dá-me, Senhor) / Dolores Duran (Compositora) / Maysa (Intérprete) / Gravadora: RGE / Ano: 1959 / Nº Álbum: XRLP 5045 / Lado A / Faixa 3 / Gênero musical: Samba-canção.



Dai-me, Senhor, uma noite sem pensar
Dai-me, Senhor, uma noite bem comum
Uma só noite em que eu possa descansar
Sem esperança e sem sonho nenhum.

Por uma só noite assim posso trocar
O que eu tiver de mais puro e mais sincero
Uma só noite de paz
Pra não lembrar
Que eu não devia esperar
E ainda espero !!!!

Solidão - Dolores Duran


Solidão (samba-canção, 1958) - Dolores Duran - Intérprete: Dolores Duran

LP Dolores Duran Canta para Você Dançar Nº 2 / Título da música: Solidão / Gravadora: Copacabana / Ano: 1958 / Nº Álbum: CLP-11039 / Lado B / Faixa 6 / Gênero musical: Samba-canção.


Tom: Am

Am     Am6   Dm6      E7      Am    Am/C   D   E7 
Ai, a soli- dão vai acabar comigo 
Am     Am/C      Dm6       E7           Am    Am/C   Dm6 
Ai,   eu já nem sei o que faço e o que digo 
   A          C#m/G#        G7      F#7 
Vivendo na esperança de encontrar 
    Bm      Bm/A         E/G# 
Um dia um amor sem sofrimento 
   A            C#m/G#       G7   F#7 
Vivendo para o sonho de esperar 
  Bm              Bm/A          E/G#    E7 
Alguém que ponha fim ao meu tormento 
    F#m                       A7 
Eu quero qualquer coisa verdadeira 
    D 
Um amor, uma saudade, 
     Dm                  Am 
Uma lágrima, um amigo 
Am     Am6   Dm6      E7      Am    F9   Am 
Ai, a soli- dão vai acabar comigo 

Tome continha de você

Dolores Duran
Tome continha de você (composta em 1959 - samba, 1960) - Edson Borges e Dolores Duran - Interpretação de Alda Perdigão

Disco 78 rpm / Título da música: Tome continha de você / Duran, Dolores (Compositor) / Borges, Edson (Compositor) / Perdigão, Alda (Intérprete) / Conjunto (Acompanhante) / Wanderley, Walter (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 15/02/1960 / Nº Álbum 14596 / Gênero musical: Samba.


Tome continha de você meu bem,
Não deixe,
Essas mulheres me roubar você,
É perigoso, eu tenho medo,
Que elas descubram o amor que você é,
Se aparecer uma mulher assim,
Com essa boca de mistério assim,
Lembre dos conselhos tão certinhos,
Que eu lhe dou,
E tome continha de você.

Sei que a tentação anda soltinha por aí,
Cuidado meu bem,
É bom se prevenir,
E vai ser preciso muita fé, muito amor,
Pra você resistir, e assim,
Tome continha, tome por favor,
Guarde pra mim, todinho o seu amor,
Lembre desta vida,
Tão bonita que eu lhe dou,
E tome continha de você, meu bem,
Que eu sei tomar conta de mim, de mim,
Que eu sei tomar, conta de mim, também...

Pela rua

Dolores Duran
Pela rua (canção, 1959) - J. Ribamar e Dolores Duran - Intérprete: Tito Madi

Disco 78 rpm / Título da música: Pela rua / Duran, Dolores (Compositora) / Ribamar, J (Compositor) / Madi, Tito (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1959 / Nº Álbum 17712 / Lado B / Gênero musical: Canção.


Tom: Bm

  G7      Cm      Fm        G7 
No ar parado passou um lamento 
         Cm              Fm 
Riscou a noite e desapareceu 
         G7               Cm 
Depois a lua ficou mais sozinha 
             Cm/Bb     G#           G7 
Foi ficando triste e também se escondeu 
          Cm               F#dim 
Na minha vida uma saudade negra 
          Fm    
Soluçou baixinho  
        Fm7 
No meu olhar  
                 G7             Cm 
Um mundo de tristeza veio se aninhar 
                               Fm 
Minha canção ficou assim sem jeito 
            Cm 
Cheia de desejos  
            Fm              G7 
E eu fui andando pela rua escura 
              Cm  G7/13- G7 
Pra poder chorar 
          Cm               F#dim 
Na minha vida uma saudade negra 
          Fm    
Soluçou baixinho  
        Fm7 
No meu olhar  
                 G7             Cm 
Um mundo de tristeza veio se aninhar 
                               Fm 
Minha canção ficou assim sem jeito 
            Cm 
Cheia de desejos  
            Fm              G7 
E eu fui andando pela rua escura 
              Cm   
Pra poder chorar ... 

Olhe o tempo passando


Olhe o Tempo Passando (samba-canção, 1959) - Dolores Duran e Edson Borges - Intérprete: Marisa Gata Mansa

LP A Suave Mariza / Título da música: Olhe o Tempo Passando / Dolores Duran (Compositora) / Edson Borges (Compositor) / Marisa Gata Mansa (Intérprete) / Gravadora: Copacabana / Ano: 1959 / Nº Álbum: CLP 11089 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Samba-canção.


Tom: F

Int.: (F7+ Bb/C) 2x

F7+   F#º        Gm7
Olha, você vai embora
              Am7  F/Eb
Não me quer agora
             D4/7 D7
Promete voltar
 Am7   D7        Gm7  C7
Hoje você faz pirraça
          Am7  Dm7         Gm7
Até acha graça se me vê chorar
  C7                        F/C
A vida acaba um pouco todo dia
    C7   Bb6/7            Am7 Gm7 F7+
Eu sei e você finge não saber
Am7 D7                       Bm7 Em7
E pode ser que quando você volte
    Am7           F/Eb       D7  C7
Já seja um pouco tarde pra viver
F7+  F#º         Gm7  G#º
Olha o tempo passando
           Am7   F/Eb         D4/7 D7
Você me perdendo com medo de amar
Am7   D7         Gm7  C7
Olha, se fico sozinha
          Am7  Abm7  Gm7  C7 F7+
Acabo cansando de tanto esperar

quinta-feira, junho 13, 2013

Denise Duran

Irley da Silva Rocha é o seu nome real. Mas não significaria quase nada, se não envolvesse um mito da nossa MPB: é a irmã mais nova de Dolores Duran. 

 

Toda a sua família demonstrava inclinação para o canto. E com Lela, seu apelido desde pequena, não poderia ser diferente, embora não tivesse interesse em seguir carreira como cantora.

Ela e Dolores Duran costumavam ir ao cinema juntas e ensaiar peças de teatro para as crianças do bairro. Com a morte da irmã mais velha, em 24 de outubro de 1959, a cantora Marisa Gata Mansa, que era muito amiga de Dolores, insistia quase que diariamente para que Lela começasse a cantar.

A insistência foi tanta, que ela acabou indo, com Marisa, fazer um teste na gravadora Copacabana. Uma vez aprovada, adotou o nome artístico ‘Denise Duran’ e gravou o LP Canções e Saudades de Dolores, com quatro músicas gravadas por ela e oito por Marisa. .

Em 1962, Djalma Ferreira, proprietário da casa “Drink”, convida Denise para inaugurar a boate “Djalma’s”, que seria aberta em São Paulo. Assim, ela fixa residência na cidade e, neste mesmo ano, casa-se com o cantor Dave Gordon.

Casamento não impedirá a carreira


"Até o dia do falecimento de Dolores Duran, a sua irmã Irley apenas cantava... em casa. Marisa e Ribamar, que a conheciam muito bem, insistiram para que ela tentasse o rádio. E com a morte de Dolores, ela julgou que deveria ocupar o lugar da irmã. Justificou-se:

— Dolores, ao falecer, deixou um nome feito na historia do rádio brasileiro. Suas composições, cantadas e aplaudidas, mostraram que tão cedo ela não seria esquecida. Porém, vim para o rádio, certa de que, ao ver-me, todos lembrariam a minha, irmã.

Coube à Marisa dar o nome artístico à Irley. Ela foi para uma gravadora como Denise Duran, fez um teste e aprovou plenamente. Agora está preparando um LP. E Denise Duran, que tem uma alegria contagiante, salientou:

Nelson Gonçalves ensina segredos de como empolgar o público à Denise (Revista do Rádio, 1960)
— O que eu fazia antes de cantar? Ainda faço. Sou secretária, escrevo à máquina e trabalho com centenas de anotações.

— Queria mesmo ser cantora?

— Nunca simpatizei com a minha voz. Em vida, Dolores insistia para que eu tentasse o rádio. Só a sua morte convenceu-me a abraçar a carreira de cantoras.

— Dolores e você sempre foram unidas?

— Quando criança, nós brigávamos muito. Toda vez que mamãe saia, havia sempre um “caso” entre Dolores e eu. Ela, que era mais velha do que eu oito anos, tinha pena de bater em mim. Eu aproveitava isso para bater nela...

— Diga sinceramente: está gostando de ser cantora?

— Estou. Vamos ver se estão gostando de mim.

Denise Duran insistiu em dizer que tem uma vida atarefada. Trabalha em dois expedientes. Por isso, falta-lhe tempo para inspirações poéticas. Contudo, pretende também ser compositora. E, diante de uma das nossas indagações, respondeu com muita graça:

— Não vou à praia. Tenho medo de morrer afogada. Para mim, nadar é a coisa mais difícil do mundo. Em se falando de natação, nasci para ser prego...

— De que, finalmente, você gosta?

— Gosto de cinema e adoro o teatro. Se eu pudesse também seria atriz. 

— O que você acha do casamento?

— É essencial, para a mulher. No meu caso, pode escrever, não deixarei o casamento pela vida artística.

— Seu casamento está por perto?

— Está sim. E já devia ter acontecido.

— No caso, deixará de ser cantora?

— Não. O meu casamento não prejudicará a carreira que agora tento. Vou conciliando o amor com a vida de cantora.

Denise não quis declarar qual o nome do seu noivo. Mas, garantiu, no seu casamento, deixará que os fotógrafos compareçam para fixar flagrantes do dia mais feliz da sua vida."

Algumas gravações  

 

A noite chorou também (Jurandir Chamusca) Denise Duran 1961 Samba; Agradeço a Deus (Hianto de Almeida e Macedo Neto) Denise Duran 1961 Samba; Céu particular (Dolores Duran e Billy Blanco) Denise Duran 1960 Samba-canção; Noite de paz (Dolores Duran) Denise Duran 1960 Samba-canção; Olhe o tempo passando (Dolores Duran e Edson Borges) Denise Duran 1960 Samba-canção; Quem foi (Ribamar e Dolores Duran) Denise Duran 1960 Samba-canção.

______________________________________________________________________
Fontes: Chiadofone; Revista do Rádio n° 565, de 1960; Gravações raras - Denise Duran.

terça-feira, maio 21, 2013

As estrelas morrem sozinhas

Dolores Duran
"Quem não se lembra de como morreu Dolores Duran? Sozinha. Foi se deitar, boa, sem nada sentir, sem se queixar de coisa alguma. Como custasse a despertar, sua empregada se assustou. Chamou. E como Dolores não abrisse a porta do quarto, nem respondesse, a empregada foi encontrá-la morta, na cama, como se estivesse dormindo. Durante o sono, Dolores Duran faleceu. Sozinha.

E Carmen Miranda, lembram-se? Só que a Carmen querida estava doente. Tinha melhorado muito, depois de visitar o Brasil. Mas já voltara ao trabalho. E, recolhendo-se tarde da noite, à sua residência, foi para seu quarto separado, enquanto seu esposo descansava em outro. Pela madrugada, Carmen levantou-se, passando mal, deu dois ou três passos, sem poder chamar pelo marido e... caiu morta, sozinha.

Carmen Miranda
Só horas mais tarde seu esposo veio a encontrá-la. A grande estrela nem pudera ser socorrida. Morreu só. Sozinha, naquela casa grande e luxuosa de Hollywood.

Agora, recentemente, foi Zezé Fonseca. Estava só, em seu apartamento pequeno de Copacabana. Preparava o almoço, já tarde, quando explodiu o fogão a gás. Morreu Zezé, carbonizada, sem que alguém a pudesse socorrer. Morreu só. Sozinha.

Será isso um desígnio? Será uma coincidência? Por que morrem as estrelas sozinhas?

Zezé Fonseca
A morte é sempre um ato triste, incompreensível na maioria das vezes. Mas muito mais triste e menos se compreende e se aceita que alguém possa morrer sem alguém perto. Mas foi assim que morreram três estrelas queridas do público brasileiro: Dolores Duran, Carmen Miranda, Zezé Fonseca. As duas primeiras estavam no auge da glória, da consagração.

Coincidência? Fatalidade? Ninguém entende a morte...

Dirão que muita gente já ter morrido assim. É certo. Que outras estrelas também tenham dormido o sono eterno e que seus nomes não estão aqui. Mas não é o que importa, agora. Mas o que os fãs tem em memória são esses três, de Dolores, de Carmen, de Zezé. Morreram sem um adeus, sem uma mão amiga de alguém ao seu lado, sem a prece de um ente querido, sem nada.

Mas há um consolo e a ele nos devemos agarrar: nada neste mundo acontece sem ser por vontade de Deus. E Deus sabe o que faz."

______________________________________________________________________
Fonte: Revista do Rádio - 29 de Setembro de 1962.

sábado, março 10, 2012

No princípio era Adiléia Silva


Meninota, ainda na sua primeira dúzia de anos, já Adiléia Silva, que mais tarde sob o pseudônimo de Dolores Duran, se tornou compositora famosa, assim como uma das mais expressivas intérpretes de nossa música popular, conquistava seu primeiro triunfo.

Cantando Primavera, uma bonita valsa de autoria do maestro Afonso Henriques, autor da música da opereta-fantasia “O Príncipe do Limo Verde”, de Alda Pereira Pinto, a menina Adiléia, uma das principais figuras do Teatro Infantil da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, empolgava o numeroso público presente ao espetáculo que esse brilhante conjunto mirim realizava na manhã (10 horas) de 15 de novembro de 1942 no Teatro Carlos Gomes.

Palmas calorosas e demoradas exigiram bis e a garota Adiléia, graciosa, no desembaraço que já prenunciava a sua futura glória, cantou duas vezes seguidas, com os espectadores acompanhando-a no coro:

Primavera gentil, / um sorriso que a vida nos dá / Flor mais linda e sutil, / neste mundo não há.”

Estrela do Teatro Infantil

Quando em 1941, Olavo de Barros criou na Rádio Tupi o Teatro do Guri para dar a um grupo de crianças a oportunidade de interpretar poesias, monólogos e pequenas peças ao microfone, já esse conhecido diretor teatral tinha em mira levar tal meninada a um palco para representação direta em presença de público.

Foi assim que, com o apoio da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, e sob os auspícios do Serviço Nacional de Teatro do Ministério da Educação, organizou o Teatro Infantil da referida entidade de jornalistas especializados e, no ano seguinte, em 1942, o elenco mirim estreava auspiciosamente no Teatro Carlos Gomes com a peça “A Gata Borralheira”, de Teófilo de Barros Filho, musicada por Afonso Henriques.

E, dentre os intérpretes estavam Adiléia Silva, Diva Pieranti, Natália Tinberg, Daisy Lúcidi, Gerdal dos Santos, Eugênia Levi, Yvette Magdalena, Arlete Saraiva, Bila Manganelli, Artur Costa Filho, Domingos Martins, Lourdes Nazareth e vários outros, garotos e garotas que, hoje (verifiquem bem a relação), têm lugar de destaque no teatro, no rádio, no balé e na música, confirmando os dotes então revelados.

O sucesso do espetáculo de estréia animou os criadores do Teatro Infantil e, sempre logrando grande êxito, prestigiado por numeroso público que lotava os teatros (Carlos Gomes e República) onde o conjunto de crianças se apresentava, encenaram novas peças no grupo das quais figuraram “Aladim ou a Lâmpada Maravilhosa”, “A Bela Adormecida no Bosque”, interessantes adaptações das conhecidas lendas, feitas, respectivamente, por Teófilo de Barros Filho e Alda Pereira Pinto, com números musicais, ambas de Afonso Henriques, além da participação do balé infantil do Teatro Municipal, dirigido por Maria Olenewa e com a orientação coreográfica de Yuco Lindberg. Houve, também, a apresentação de “O Menino Jesus”, adaptação de um conto de Coelho Netto por Silvia Autuori, musicado por Jerônimo Cabral.

Em todos os espetáculos estava presente Adiléia Silva e sempre dando aos papéis que lhe cabiam, com perfeita intuição, a exata característica da personagem. Representava e cantava com o desembaraço de uma autêntica estrela de dez ou doze anos de idade, fazendo adivinhar a grande Dolores Duran que ela seria mais tarde.

A primeira canção

Muito embora em todas as peças apresentadas pelo Teatro Infantil da Associação Brasileira de Críticos Teatrais a menina Adiléia atuasse com destaque, o seu maior sucesso foi, sem dúvida, na opereta-fantasia “O Príncipe do Limo Verde”.

Coube-lhe na distribuição dos papéis representar a Primavera, o que lhe dava ensejo de interpretar uma bonita valsa de Afonso Henriques, cuja letra é a seguinte:

Queres saber dos sonhos, dos amores,
Dos castelos feitos de quimera?
Corre aos jardins, aos verdes campos,
Pois somente as flores
Poderão falar de mim, assim:
A Primavera.

Coro

Primavera gentil,
Um sorriso que a vida nos dá.
Flor mais linda e sutil
Neste mundo não há.
Trazes no olhar sonhador
Todo um poema de amor.
Primavera gentil,
Primavera em flor!”.

O sentimento que a garota Adiléia deu à interpretação dos versos, assim como a suavidade com que cantou a linda melodia, permitiram-lhe dar um esplêndido realce à canção. E dessa maneira, com toda a platéia aplaudindo-a entusiasticamente, pedindo insistentemente bis, Adiléia cantou pela segunda vez o seu bonito número, tornando-se a vedete do espetáculo.

Sua primeira e vitoriosa canção, aquela que verdadeiramente marcou o início da brilhante carreira artística de Dolores Duran, o pseudônimo que continuou no rádio e nos discos, a precocidade de Adiléia Silva, bem merecia ser revivida numa gravação para a alegria dos milhares de fãs que a saudosa cantora e compositora, ainda hoje tão lembrada, têm por todo o Brasil.

Confirmação de vaticínios

A garotada que integrava o Teatro Infantil da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, sempre teve nos comentários que seus espetáculos mereciam da imprensa, amplos louvores. E, como seria de esperar, tais elogios dos críticos teatrais de então (Mário Nunes, Astério de Campos, Brício de Abreu, João de Deus Falcão, José Lyra, Heitor Muniz, Luiz Palhano, Geysa Bôscoli, Bandeira Duarte e muitos outros) vaticinavam o sucesso futuro de tais crianças.

Relendo-se, hoje, aqueles elogios e os vaticínios, vemos que eles foram merecidos e se confirmaram. Afora Adiléia Silva, que se tornou artisticamente Dolores Duran e consagrou o pseudônimo que adotou como compositora e cantora, suas colegas de elenco também triunfaram no teatro, no rádio, na televisão e no balé.

Basta que se leia na lista citada linhas acima os nomes das figuras componentes de tão magnífica troupe de garotos e garotas para se constatar que os críticos da época vaticinaram certo.

Dolores Duran, continuação da menina Adiléia Silva, que numa manhã de domingo (15 de novembro de 1942) empolgou o numeroso público que foi vê-la na opereta “O Príncipe do Limo Verde”, no Teatro Carlos Gomes, não ficou no registro dos jornais de então como simples “menina-prodígio” iniciou-se, isto sim, como autêntica vedete e como tal permaneceu ainda hoje, nas muitas e bonitas canções que escreveu e interpretou.

(Singra, 25-31/3/1960)
______________________________________________________________________
Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

quinta-feira, novembro 25, 2010

Tião

Dolores Duran

Título da música: Tião / Gênero musical: Samba / Intérprete: Dolores Duran / Compositores: Castro, Jorge de - Batista, Wilson / Gravadora Copacabana / Número do Álbum 5760 / Data de Gravação 00/1956 / Data de Lançamento 1956-1957 / Lado A / Disco 78 rpm:



Qualquer dia um valentão
Veste o paletó do Tião
Foi o que disse o mais velho
Jogando os pontos no chão

Qualquer dia um valentão
Veste o paletó do Tião
Foi o que disse o mais velho
Jogando os pontos no chão

Dá um jeito sai do morro
Pra esquecer a Conceição
Apague o nome dela
Da madeira do seu violão

Senão, Tião / Você não chega
Aos trinta não!
Senão, Tião / Você não chega
Aos trinta não!

Qualquer dia um valentão
Veste o paletó do Tião
Foi o que disse o mais velho
Jogando os pontos no chão

Qualquer dia um valentão
Veste o paletó do Tião
Foi o que disse o mais velho
Jogando os pontos no chão

quinta-feira, novembro 06, 2008

Leva-me contigo


Leva-me contigo (samba-canção, 1960) - Dolores Duran - Interpretação: Vera Lúcia

LP Leva-me Contigo / Título da música: Leva-me contigo / Duran, Dolores (Compositor) / Lúcia, Vera (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Philips, 1960 / Nº Álbum P 630.405 L / Lado B / Faixa 2 / Gênero musical: Samba-canção.


Tom: C  

(intro) CM7  Dm7  G7

CM7             Am7            Dm7                G7
Ai, leva-me contigo pela noite eterna da tua amargura
CM7                Am7                Dm7
Deixa que eu te ofereça, todo este carinho
              G7
Toda esta ternura
      CM7              A7
Não me deixe chorar novamente
Dm7                  G7
No tormento desta solidão
          Am7                              Dm7
Não me deixe todas as coisas que foram tão nossas
            G7
Dê-me a tua mão

 CM7            Am7              Dm7
Ai, leva-me contigo e perde a minha vida
              G7
Quando te perderes
       CM7              Am7
Deixa que eu te dê meus olhos
            Dm7                  G7
Para que tu chores sempre que sofrer
           Cm7         E7
Segue o teu sonho impossível
           FM7
Nгo tentes fugir
           E7                 Am7
O que eu quero é ficar a teu lado
Dm7                 G7              CM7
E te amar sempre, sempre, sem nada pedir

(instrumental)

  Am7                  E7
Segue o teu sonho impossível
           FM7
Não tentes fugir
          E7                 Am7
O que eu quero é ficar a teu lado
Dm7                 G7              CM7
E te amar sempre, sempre, sem nada pedir

terça-feira, novembro 04, 2008

Ideias erradas

Dolores Duran
Ideias erradas (samba, 1959) - Ribamar e Dolores Duran - Interpretação da Trio Irakitan

Disco 78 rpm / Título da música: Ideias erradas / Duran, Dolores (Compositor) / Ribamar (Compositor) / Trio Irakitan (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1959 / Nº Álbum 14501 / Lado B / Gênero musical: Samba.


Tom: Em7

  (intro) Em7 C7  F#m7 B7 

     Em7                   D7  C#7 
Não faça ideias erradas de mim 
     F#m7                         B7 
Só porque eu quero você tanto assim 
   Em7        Gm7              F#m7 
Eu gosto de você, mas não me esqueço 
F#m7                     F#m7  B7 D7 
De tudo quanto valho e mereço 
Gm7              Bm7 Bbm7  Am7 
Não pense que se você me deixar 
D7                    F#m7  B7 
A dor será capaz de me matar 
     Em7                        D7  C#7 
E um verdadeiro amor não se aproveita 
  F#m7                G#7           D7  C#7 
E não se faz senão aquilo que enobrece 
  F#m7            D7              Em7  C#7 
Depois, se ele se vai, a gente aceita 
        F#m7             B7          Em7 
A gente bebe, a gente chora, mas esquece 

domingo, abril 09, 2006

Dolores Duran


Terceira dos quatro filhos do Sargento da Marinha Armindo José da Rocha e de Josefa Silva da Rocha, Adiléia Silva da Rocha, verdadeiro nome de Dolores, nasceu no dia 7 de junho de 1930, no Rio de Janeiro. Morando nos subúrbios de Irajá e de Pilares, cantava desde os 3 anos de idade. Aos 5 já participava das tradicionais festas do Rio, como reisados desfile das pastorinhas Adiléia ia vestida de anjo: era o anjo cantor. Aos seis anos, durante uma festa de Natal promovida por uma fábrica de louças no subúrbio de Pilares, Adiléia venceu um concurso de calouros e ganhou o prêmio revelação.


Aos dez anos apresentou-se no programa Calouros em Desfile , comandado por Ary Barroso, aos domingos, na Rádio Tupi, onde, interpretando Vereda tropical, de Gonzalo Curiel, não só conseguiu a nota máxima, dividindo o primeiro lugar com o conjunto Nativos da Lua, como também recebeu elogios do temido animador. Em seguida, Adiléia apresentou-se no programa Escada de Jacó, comandado pelo Professor Bacurau e passou a integrar a equipe, cantando todos os domingos em shows de bairro, cinemas, teatros e circos.

Nos doze anos, a morte do pai agravou a situação financeira da família, que já era precária. Nessa época Adiléia participava de radiotetatro, na Rádio Tupi, num programa de histórias infantis chamado Teatro da Tia Chiquinha. Apoiada pela mãe, passou também a integrar o elenco, que apresentava peças infantis no Teatro Carlos Gomes, onde trabalhou nas peças 'Mãe d'água' , 'Aladim e a Lâmpada Maravilhosa', 'O gaúcho' e 'O príncipe do limo verde', na qual cantava a valsa Primavera de Afonso Henriques.

Autodidata, muito cedo também começou seu processo de aprender línguas: ouvia discos em inglês, francês, castelhano e italiano e praticamente dominava esses idiomas. Em virtude disso, inscreveu-se no concurso 'À Procura de uma cantora de boleros', organizado por Renato Murce, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, em que a vencedora foi Rosita González. Esse episódio não desanimou Adiléia, que continuou frequentando a Rádio Nacional, conhecendo e sendo conhecida pelos artistas e participando de alguns programas.

Numa dessas apresentações, aos 16 anos de idade, estava presente o Barão Von Stuckart, proprietário da Boate Vogue, frequentada pelos colunáveis da época. O Barão fez um teste com Adiléia, que cantou em inglês, francês e espanhol e ele resolveu contratá-la para a boate. Começando uma prematura carreira profissional de crooner de casa noturna, desaparecia o anjo Adiléia. Em seu lugar, surgia a cantora Dolores Duran.

Logo que começou a cantar na Vogue, Dolores foi ouvida pelo radialista César Alencar, que a contratou para o seu programa na Rádio Nacional, onde Dolores cantava músicas internacionais. Já com um bom salário, Dolores deixou a casa materna e foi dividir um apartamento com uma amiga, a cantora Julie Joy, no mesmo bairro de Ipanema, onde morava sua mãe.

Com um vasto repertório internacional, Dolores cantou nas mais famosas boates do Rio de Janeiro, conquistando vários amigos, como Sérgio Porto, Antônio Maria, Nestor de Holanda e Mister Eco, famosos cronistas da noite carioca.

A estréia de Dolores, em disco, aconteceu em 1952, quando gravou dois sambas para o Carnaval de 1953: Que bom será de Ailce Chaves, Salvador Miceli e Paulo Marques e Já não interessa de Domício Costa e Roberto Faissal.

Em 1953 Dolores gravou Outono, de Billy Blanco e Lama, de Paulo Marques e Ailce Chaves. Mas só começou a se tornar conhecida do grande público em 1954, quando gravou Tradição, de Ismael Silva; Bom é querer bem, de Fernando Lobo; O amor acontece, de Celso Cavalcanti e Flávio Cavalcanti; e, principalmente, Canção da volta, de Antonio Maria e Ismael Neto, música que deu uma maior dimensão à nova cantora.

Em 1955 Dolores apresentou-se em Punta Del Este, no Uruguai. Neste mesmo ano gravou Praça Mauá, de Billy Blanco; Carioca 1954, de Antonio Maria e Ismael Neto; Manias, dos irmãos Celso e Flávio Cavalcanti; e Prá que falar de mim, de Ismael e Macedo Neto, cuja gravação acabou aproximando Dolores de Macedo Neto. Após um rápido namoro, acabaram se casando no dia 8 de julho de 1955. Ainda de 1955 é a primeira composição de Dolores, feita em parceria com Tom Jobim: Se é por falta de adeus, que foi gravada por Dóris Monteiro.

De 1956 é um dos maiores sucessos de Dolores como intérprete: Filha de Chico Brito, de Chico Anísio. Mesmo fazendo sucesso, Dolores parecia insatisfeita e resolveu dar novo rumo à sua carreira, trocando a boate pelo circo. Assim, passou a integrar a Caravana Paulo Gracindo, que atuava nos pavilhões armados nos subúrbios cariocas e onde atuou junto com Adelaide Chiozzo, Blecaute, Rui Rei, Carmen Costa e Carlos Matos, entre outros. Neste ano Dolores viajou para a Argentina, com o violonista Bola Sete e seu Conjunto e para o Uruguai, onde se apresentou na Rádio Carve e na Boate Club de Paris.

Em 1957, Tom Jobim, que ainda era praticamente desconhecido do grande público, mostrou a Dolores uma composição feita em parceria com Vinícius de Moraes. Entusiasmada com a melodia, Dolores fez uma letra, à qual Vinícius se rendeu, rasgando, humildemente, a própria letra; assim surgiu Por causa de você.

Ainda em 1957 Dolores compôs, em parceria com Fernando César, a toada Só ficou a saudade e, em parceria com Tom Jobim, o samba-canção Estrada do sol, a composição mais original da dupla, principalmente pela música de Tom Jobim, que prenunciava o que ele faria na bossa nova. "Estrada do sol" pode ser considerada um dos primeiros impulsos em direção à esse movimento.

Em 1958 Dolores separou-se de Macedo Neto. Nesse mesmo ano, junto com Jorge Goulart, Nora Ney, Conjunto Farroupilha e outros artistas, excursionou pela União Soviética. O sucesso foi tão grande que eles foram convidados a ir à China. Mas, em virtude de desentendimentos, Dolores separou-se do grupo e foi para Paris, onde permaneceu um mês, apresentando-se num barzinho freqüentado por brasileiros. De volta ao Rio de Janeiro, Dolores pediu ao pianista Ribamar que musicasse Quem sou eu? que Dolores havia escrito durante a viagem Moscou-Paris.

Também de 1958 é a composição de Dolores, Castigo, uma de suas músicas de maior destaque do chamado "estilo fossa" e que foi um dos maiores sucessos da década de 50, transformando-se em clássico da música romântica.

Em 1959, em parceria com Edson Borges, Dolores compôs Canção da Tristeza, Deus me perdoe, Tome continha de você e Olha o tempo passando. O samba-canção Pela rua foi gravado por Marisa Gata Mansa e incluído em seu primeiro e histórico LP.

Muitas vezes Dolores escrevia os versos e guardava a melodia na memória, para depois cantarolá-la para um eventual parceiro. Assim foram feitas algumas de suas melhores obras, como é o caso do samba-canção Solidão. Embora seja uma das composições mais famosas de Dolores Duran e tenha sido gravado por muitos intérpretes que o transformaram em sucesso, o samba-canção abolerado Fim de caso passou praticamente despercebido quando da sua primeira gravação, feita pela própria Dolores, em setembro de 1959. A letra é de um sentido poético notável e a música acompanha com perfeição o crescente desconsolo dos versos.

Outra composição de Dolores, que só veio a fazer sucesso mais tarde, foi o samba-canção A noite do meu bem, também gravado por Dolores em setembro de 1959, não obtendo, na época, grande repercussão.

Desde menina Dolores apresentava problemas de saúde, provocados por reumatismo infeccioso. Dolores Duran morreu dormindo, no dia 23 de outubro de 1959, depois de ter cantado na boate Little Club e de ter dado um "esticada", junto com amigos, no Clube da Aeronáutica e no Kilt Club. Não se sabe se sua morte foi provocada por distúrbios cardíacos ou por dose excessiva de barbitúricos.

Naquela mesma noite de 23 de outubro, Marisa Gata Mansa, amiga íntima de Dolores, tinha estréia marcada no Bom Gourmet, onde iria mostrar a mais recente composição de Dolores: Noite de paz. Com Marisa Gata Mansa haviam ficado alguns versos de Dolores, que foram musicados por Ribamar após a morte da compositora, como é o caso de Ternura antiga e Quem foi?.

Algumas músicas e cifras



Veja também


Fonte: memórias da mpb - Samira Prioli Jayme.