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terça-feira, fevereiro 20, 2018

Irmãs Pagãs - Biografia

Irmãs Pagãs - Revista Carioca - Edição de 25/07/1936.

Irmãs Pagãs - Dupla vocal formada pelas irmãs Rosina Pagã (Rosina Cozzolino), Itararé, SP - 1919 e Elvira Pagã (Elvira Cozzolino) Itararé, SP - 1920 - Rio de Janeiro, RJ - 8/5/2003.


As irmãs Cozzolino ainda na infância transferiram-se com a família para o Rio de Janeiro, onde passaram a estudar no colégio Imaculada Conceição, situado em Botafogo. Organizavam e participavam de muitas festas e, por intermédio de integrantes do Bando da Lua, passaram a conhecer alguns artistas da época.

Em 1935, apresentaram-se com os Anjos do Inferno na inauguração do Cine Ipanema, ocasião em que foram apresentadas por Heitor Beltrão como as Irmãs Pagãs. Foram levadas para a Rádio Mayrink Veiga pelo radialista César Ladeira, fazendo grande sucesso na década de 1930.

Em seu primeiro disco na Odeon, gravaram as marchas Não foi assim, de Antenógenes Silva e Osvaldo Santiago, e O carnaval é rei, também de Antenógenes em parceria com Ernâni Campos. Nesse mesmo ano, mais dois discos, dos quais se destaca a marcha Não beba tanto assim, de Geraldo Décourt, apresentada pela dupla no filme Alô, alô, carnaval, de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro.

Em 1936, participaram do filme Cidade mulher, de Humberto Porto, onde apresentaram a música título (de Noel Rosa), cantando com Orlando Silva. Em 1937, gravaram sambas de Assis Valente, dentre os quais Se você me deixar, Oba oba, Tristeza e O samba acabou. Foram contratadas pela Rádio Nacional e, neste período, excursionaram por quatro meses pela Argentina, Peru e Chile.

Em 1938, passaram a gravar na Columbia, destacando-se o grande sucesso carnavalesco Eu não te dou a chupeta, de Silvino Neto e Plínio Bretas. Dentre os êxitos da dupla estão os sambas Nobreza, de Assis Valente, e a marcha Água mole em pedra dura, de Sátiro de Melo e Manuel Moreira, sucesso de 1940.

Com o casamento de Elvira, a dupla chegou ao fim, deixando um total de 13 discos gravados. Rosina seguiu carreira solo, tendo gravado mais 11 discos até 1946, entre eles a versão Chiu... chiu... (N. Molinari e Oswaldo Santiago) e participado de vários filmes como atriz. Ainda nesse ano, seguiu turnê em Cuba, EUA e México, cidade onde se casou e passou a residir.

Elvira Pagã seguiu carreira como estrela do teatro de revista, tendo gravado mais de dez discos entre os anos de 1944 e 1953, tendo destque o samba Na feira do cais dourado (Nelson Teixeira e Nelson Trigueiro). Alcançou grande notoriedade, sobretudo por sua atuação como vedete, sendo considerada uma das mais belas mulheres de sua época - os anos 40, 50 e até começo dos 60.

A partir dos anos 70, Elvira começou a pintar, passando logo depois a realizar temas esotéricos em seus trabalhos. Em meados dos anos 1990, demonstrando grande instabilidade de comportamento, ao alterar momentos de euforia com rasgos de ira, recusou-se terminantemente a fazer depoimento para o Museu da Inglaterra. Em 1979 Elvira Pagã foi homenageada com um rock da cantora Rita Lee.




Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

Rosina Pagã - Biografia

Rosina Pagã (Rosina Cozzolino), cantora, nasceu em Itararé/SP em 1919. Irmã da também cantora Elvira Pagã com quem formou na década de 1930 o duo vocal Irmãs Pagãs. As irmãs Cozzolino ainda na infância transferiram-se com a família para o Rio de Janeiro, onde passaram a estudar no colégio Imaculada Conceição, situado em Botafogo.

Realizava com sua irmã inúmeras festas das quais participavam inúmeros artistas entre os quais os integrantes do Bando da Lua. Em 1935 cantaram com os Anjos do Inferno na inauguração do Cine Ipanema, sendo apresentadas por Heitor Beltrão como as Irmãs Pagãs.

Atuaram na Rádio Mayrink Veiga. Em 1935, participaram do filme Alô, alô, carnaval, de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro. Em 1936, no filme Cidade mulher, de Humberto Porto, onde apresentaram a música título (de Noel Rosa), cantando com Orlando Silva.

Em 1937, gravaram sambas de Assis Valente, dentre os quais Se você me deixar, Oba oba, Tristeza e O samba acabou. Foram contratadas pela Rádio Nacional e, neste período, excursionaram por quatro meses pela Argentina, Peru e Chile.

Em 1938, passaram a gravar na Columbia, destacando-se o grande sucesso carnavalesco Eu não te dou a chupeta, de Silvino Neto e Plínio Bretas. Dentre os êxitos da dupla estão os sambas Nobreza, de Assis Valente, e a marcha Água mole em pedra dura, de Sátiro de Melo e Manuel Moreira, sucesso de 1940.

Com o casamento de Elvira, a dupla chegou ao fim, deixando 13 discos gravados. Rosina seguiu carreira solo, tendo gravado mais 11 discos até 1946, entre eles a versão Chiu... chiu... (N. Molinari e O. Santiago) e participado de vários filmes como atriz. Ainda nesse ano, seguiu turnê em Cuba, EUA e México, cidade onde se casou e passou a residir.


Discografia

1941 Volta Horácio/Abana, baiana • Victor • 78
1941 Tabuleiro da ilusão/Oh! Juca • Columbia • 78
1941 Tem queme dar, me dá logo/As aparências enganam • Columbia • 78
1941 Firin-fin, fon-fon/Vai dormir, criança • Odeon • 78
1941 La canga/Pobreza não é defeito • Odeon • 78
1942 Desculpa de ocasião/Caroá • Odeon • 78
1942 Coco dendê/Gasparino • Odeon • 78
1943 Oh quitandeira!/Encontrei um amor • Odeon • 78
1944 Chiu...chiu.../Meu coração me diz • Continental • 78
1946 A volta de Suzana/Maria • Continental • 78


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

Elvira Pagã - Biografia


Elvira Pagã (Elvira Cozzolino), cantora, atriz, vedete e compositora, nasceu em Itararé/SP em 6/9/1920 e faleceu no Rio de Janeiro/RJ em 8/5/2003. Sua família mudou para o Rio de Janeiro quando ela ainda era criança. Estudou com a irmã, Rosina Pagã, no colégio Imaculada Conceição em Botafogo.


As Irmãs Pagãs

Realizava com sua irmã inúmeras festas das quais participavam inúmeros artistas entre os quais os integrantes do Bando da Lua. Em 1935 cantaram com os Anjos do Inferno na inauguração do Cine Ipanema, sendo apresentadas por Heitor Beltrão como as Irmãs Pagãs.

Atuaram na Rádio Mayrink Veiga. Ao todo Elvira gravou 13 discos com a irmã. Em 1935, atuaram no filme Alô, alô, carnaval, de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro. Em 1936, no filme Cidade mulher, de Humberto Porto, onde apresentaram a música título (de Noel Rosa), cantando com Orlando Silva. Ainda com a irmã, excursionou por quatro meses pela Argentina, Peru e Chile. Em 1940, casou-se e encerrou a dupla com a irmã.

A cantora e compositora

Em 1944, gravou seu primeiro disco solo, pela Continental, com acompanhamento do Conjunto Tocantins, interpretando os sambas Arrastando o pé, de Peterpan e Afonso Teixeira e Samburá, de Valfrido Silva e Gadé. No ano seguinte, gravou um disco com quatro músicas, fato raro na época, com as marchas E o mundo se distrai e Meu amor és tu, de Amado Régis, Gadé e Almanir Grego e Cabelo azul e Briga de peru, de Roberto Martins e Herivelto Martins. No mesmo ano, gravou os sambas Na feira do cais dourado, de Nelson Teixeira e Nelson Trigueiro e Um ranchinho na lua, de Babi de Oliveira com acompanhamento de Claudionor Cruz e seu regional.

Em 1949, transferiu-se para o selo Star e estreou com a Marcha do ré e o samba Sangue e areia, da dupla Sebastião Gomes e Nelson Teixeira com acompanhamento de Sílvio César e sua orquestra. Em 1950, gravou o samba jongo Batuca daqui, batuca de lá, primeira composição de sua autoria, parceria com Antônio Valentim. No mesmo ano, gravou os baiões Vamos pescar, de sua parceria com Antônio Valentim e Sururu de capote, de Ramiro Guará e José Cunha com acompanhamento do Quarteto Copacabana com Abel Ferreira no clarinete.

Em 1951, gravou mais duas composições de sua autoria, o baião Saudade que vive em mim, parceria com Antônio Valentim e o samba Cassetete, não! com acompanhamento do Conjunto Star. No mesmo ano, gravou no selo Carnaval a marcha A rainha da mata, de sua parceria com Antônio Valentim e a batucada Pau rolou, de Sátiro de Melo e Manoel Moreira.

Em 1953, foi para a gravadora Todamérica e lançou os sambas Reticências, de sua autoria e Sou feliz, parceria com M. Zamorano. Gravou ainda pelo selo Marajoara o samba Vela acesa, de sua autoria, Antônio Valentim e Orlando Gazzaneo e a marcha Viva los toros, parceria com Orlando Gazzaneo. Seu último disco foi pelo pequeno selo Ritmos onde registrou a marcha Marreta o bombo e o samba Condenada, de sua autoria.

O mito sexual

Seguiu carreira como vedete em teatros de revista na década de 50, tornand0-se um dos mitos sexuais do Rio de Janeiro. Foi das primeiras brasileiras a explorar o impacto do nudismo, nos anos 50 e 60, disputando com Luz del Fuego o espaço nos noticiários da época.

Com seu corpo perfeito para os padrões da época, Elvira Pagã mexeu com a cidade, promoveu Copacabana internacionalmente e foi a primeira Rainha do Carnaval Carioca. Elvira Olivieri Cozzolino expunha o corpo e idéias bastante avançadas para os anos 50 e veio a ser a primeira mulher a usar biquíni no Brasil.

Era uma figura muito divertida, como se pode ver ainda hoje nas chanchadas de que ela participou, algumas bem conhecidas como Carnaval no fogo, e, principalmente, ousadíssima pra época. Um dia, na praia de Copacabana, ela rasgou o maiô (pelo que consta, feito de um tecido de penugem dourada) e o adaptou ao modelo de duas peças, que só se usava no teatro rebolado, chegando a ficar conhecida fora do Brasil por causa disso.

Excursionando por todo o Brasil e conhecida no exterior como The Original Bikini Girl e The Brazilian Buzz Bomb, Elvira não desistia de afrontar a moral, provocando verdadeiras enchentes nos cabarés e teatros de rebolado. Depois de operar os seios, posou nua e distribuiu a fotografia como cartão de Natal, reafirmando-se como sinônimo de escândalo, atentado ao pudor, imoralidade.

Por seus atributos físicos e audácia provocou incontáveis e devastadoras paixões, confessando numa de suas últimas entrevistas: “Foi uma orgia só”. O perigoso bandido Carne Seca forrou a sua cela com fotos dela, e numa em que a vedete encosta-se numa pele de onça, lia-se a dedicatória: “Para Carne Seca, um consolo de Elvira Pagã”. Desesperado, o marginal tentou fugir da prisão inúmeras vezes.

Nos anos 60 ela se recolheu, como faria Odete Lara na década seguinte. Saiu da vida artística e da vida social. Dizia não precisar de amantes e se intitulava sacerdotisa, ligada a discos voadores e à Atlântida, criando uma seita, Doutrina da Verdade. Elvira faleceu aos 80 anos, em 8 de maio de 2003. Rita Lee fez, com Roberto de Carvalho, uma canção chamada Elvira Pagã:

Elvira Pagã
De: Rita Lee e Roberto de Carvalho
A
Todos os homens desse nosso planeta
D
Pensam que mulher é tal e qual um capeta
F                   E    D#        D
Conta a história que Eva inventou a maçã
A
Moça bonita, só de boca fechada,
D
Menina feia, um travesseiro na cara,
F                G       G#      A
Dona de casa só é bom no café da manhã

Então eu digo:
F#m    D     G          G#      A
Santa, santa, só a minha mãe (e olhe lá)
F#m     D
É canja-canja,
B7                E            (D E)
O resto põe na sopa pra temperar!
A
Dama da noite não dá pra confiar,
D
Cinderela quer um sapatão pra calçar,
F                E          D#    D
Noiva neurótica sonha com o noivo galã (um lixo!)
A
Amiga do peito fala mal pelas costas,
D
Namorada sempre dá a mesma resposta
F                    G         G#    A
Foi-se o tempo em que nua era Elvira Pagã

Então eu digo:
F#m    D     G          G#      A
Santa, santa, só a minha mãe (e olhe lá)
F#m     D
É canja-canja,
B7                E            (D E)
O resto põe na sopa pra temperar!


Fontes: Cine TV Brasil - Elvira Pagã; Dicionário Cravo Albin da MPB.

domingo, janeiro 19, 2014

As Pagãs cheias de juventude e charme


"Acabaram de ouvir as Irmãs Pagãs" ... — E logo o ouvinte dotado de imaginação, que nunca esteve em visita à PRA-9, pensa uma porção de coisas. Aparecem diante dele os quadros cinematográficos das ilhas dos Mares do Sul, cheias de "pequenas" morenas vestidas com uma tanga de palha e com uma coroa de flores na cabeça. Ao longe uma música dolente de guitarras tocadas por rapazes esbeltos e de alvos dentes completa a cena que o ouvinte imaginou ...

No entanto, os que conhecem os estúdios cariocas, sabem que o quadro é outro, embora tendo pontos de contato com aquele imaginado pelo ouvinte: as "Irmãs Pagãs" também são morenas. Queimadas não pelo sol do Havaí e sim pelo de Copacabana. Não usam, é verdade, tangas de palha, mas em compensação possuem uns maiôs que em nada ficam devendo às encantadas indumentárias das habitantes de Honolulu. As coroas de flores são substituídas pelos encantadores cabelos louros das duas, que, num maravilhado "negligè", formam quase coroas naturais.

Elvira Pagã
Mas, não está completo o quadro da realidade, que difere um pouco daquele imaginado pelo ouvinte. Faltam os rapazes bonitos, de alvos dentes, tocando guitarras. A ausência deles, para as Irmãs Pagãs, seria fatal se, por felicidade, não existissem substitutos à altura.

Eles existem e tem sobre os outros grandes a grande vantagem de usar gravata e se encontrarem organizados em "conjunto". Constituem o "Regional" da PRA-9.

Na realidade as Irmãs Pagãs não diferem muito da que imaginou o ouvinte. Embora civilizadas e usando vestidos compridos, cheios de botões e golas altas, sentem as duas garotas um imenso prazer no contexto com a Natureza.



As nossas praias imensas, cheias de ondas enormes e alvas areias, exercem sobre elas grande atração. As florestas onde se entrelaçam arbustos e árvores gigantescas são, dos seus passeios, os mais queridos. Conservam na Civilização em que vivemos um pouco do primitivismo que lhe empresta o nome. São "Pagãs", e, como tal, adoram a nossa Natureza Pagã, cheia de cores variadas e bonitas, no seu esplendor maravilhoso ...

Rosina Pagã
Elvira e Rosina não são do Havaí nem tampouco cariocas. Nasceram em São Paulo, numa cidadezinha que as revoluções se encarregaram de glorificar — Itararé. Estão, porém, habituadas ao nosso clima e à nossa vida e raramente lá vão.

A PRA-9 toma-lhes todo o tempo. Cantam à noite. Ensaiam de dia. Felizmente, porém, não raro elas são vistas na Cinelândia ou em Copacabana, pois seria muito triste que os fãs de rádio não pudessem ver, continuamente, aquelas duas figurinhas que enchem de alegria o estúdio da PRA-9. Mesmo porque as Irmãs Pagãs não são hoje apenas figuras de cidade.

Vão além. São símbolos: representando, na sua graça e jovialidade amável, não só o reflexo simpático de uma juventude vigorosa e cheia de esperanças, mas ainda constituem o símbolo vivo da cidade encantadora de onde são os principais ornamentos, cidade como elas queimada pelos raios solares e sempre disposta a entoar uma melodia bonita para a satisfação do público imenso de todo o Brasil ...


Fonte: CARIOCA, de 25/7/1936 (texto atualizado).

quinta-feira, dezembro 19, 2013

Paulistas de Itararé

Como sorriem Elvira e Rosina, as "Irmãs Pagãs" - Fotos de Edmond - Carioca, 1935.

Irmãs Pagãs, — serão pagãs mesmo? — É esse, sem dúvida, um dos mais originais e sugestivos pseudônimos adotados por gente do rádio. Esse duo que os leitores de CARIOCA tantas vezes têm admirado através do microfone da PRA-9, tanto fascina pela voz como encanta pela graça feminina e pela vibração do espírito. Foi o que pudemos constatar, quando as entrevistamos, na Mayrink Veiga.

— Como se chamam?

— Rosina.

— Elvira.

— Onde nasceram?

— No Estado de S. Paulo.

— Batizaram-se em...

As entrevistadas entreolharam-se. O sorriso e as sobrancelhas à Joan Blondell de Rosina cobriram de motejo o entrevistador. Este pensou aflitivamente e, levando de súbito a mão à testa, teve uma exclamação: — Ah são pagãs. As duas irmãs, então, o contemplaram com certa piedade cristã. E as perguntas prosseguiram.

—— Onde estrearam? Aqui no Rio?

— Sim. O público da cidade maravilhosa é muito gentil. Já somos cariocas de coração. No rádio, demos a nossa primeira audição na Cajuti. Cantamos também no Tijuca. Na Mayrink Veiga foi que nos tornamos de fato conhecidas.

—— Até onde vai o amor à arte a que se dedicam?

Desta pergunta em diante as respostas nem sempre andaram em dueto. Ambas sacrificam tudo para o aperfeiçoamento constante do gosto e da expressão. Mas... ambas, adoram o cinema. E, além dele, amam o canto, a natação, a dança, a leitura.

Na tela, Rosina aprecia imensamente Tarzan: “E’ um símbolo de força, inteligência espontânea e lealdade masculina. Acha que o artista revela a sua maior capacidade no beijo. O guarda-roupa feminino de Hollywood é sábio em estética sempre que não prejudica as linhas do corpo e a naturalidade das formas.

Elvira admira Ramon Novarro. Quando Ramon esteve no Rio pôde apertar-lhe a mão. Por isso guarda, até hoje, com o maior carinho, a luva que usava nesse dia.

— Qual o tipo de homem que mais apreciam?

Elvira: — O que se faz desejar.

Rosina: — Com ou sem bigode.

— Que pensam do amor?

— Julgado pela maior parte dos seus efeitos ele mais se parece ao ódio do que à amizade.

— E o ciúme?

— No ciúme há mais amor próprio do que amor.

— E o casamento?

— Ainda não tivemos tempo de tomá-lo na devida consideração.

São assim, as irmãs Pagãs: fascinantes, originais, inteligentes. Amam a Arte, mas acima da Arte a vida, que tudo enriquece, dá feitios novos e cria a simpatia entre o homem e a Natureza. Por isso, em tão pouco tempo, já são ídolos da “radiopolis”, estas paulistanazinhas de Itararé... Não se espantem. São legítimas, genuínas de Itararé.

Vitoriosas e gloriosas.

A batalha não houve, mas as Irmãs Pagãs, essas existem de fato e de verdade...


Fonte: CARIOCA, de 30/11/1935.

terça-feira, novembro 23, 2010

Sai coió!

Elvira e Rosina Pagã
Sai coió! (frevo, 1939) - J. Piedade e Sá Roris

Título da música: Sai coió ! / Gênero musical: Frevo / Intérpretes: Irmãs Pagãs / Compositores: Piedade, J - Sá Roris / Gravadora Columbia / Número do Álbum 55181 /Data de Gravação 00/1939 / Data de Lançamento 00/1939 / Lado B / Disco 78 rpm:


Sai, coió! / Dizem por aí
Que você é canário / De uma mudação
Você diz pra todo mundo / Que seu pai tem o dinheiro
Que você é um doutor / E seu tio é fazendeiro
(isto é farol!)

Sai, coió! / Dizem por aí
Que você é canário / De uma mudação
Você diz pra todo mundo / Que seu pai tem o dinheiro
Que você é um doutor / E seu tio é fazendeiro

Comigo não pega / Eu não vou nessa canoa
Conheço a sua prosa / Ora, essa é muito boa!
Você que não tem casa pra morar
Tem roupa pra vestir / Sapato pra calçar
(saí, coió!) / Como é que você quer me namorar?

Sai, coió! / Dizem por aí
Que você é canário / De uma mudação
Você diz pra todo mundo / Que seu pai tem o dinheiro
Que você é um doutor / E seu tio é fazendeiro

quinta-feira, setembro 14, 2006

Irmãs Pagãs

Irmãs Pagãs - Revista Carioca - Edição de 25/07/1936.

Irmãs Pagãs - Dupla vocal formada pelas irmãs Rosina Pagã (Rosina Cozzolino), Itararé, SP - 1919 e Elvira Pagã (Elvira Cozzolino) Itararé, SP - 1920 - Rio de Janeiro, RJ - 8/5/2003.


As irmãs Cozzolino ainda na infância transferiram-se com a família para o Rio de Janeiro, onde passaram a estudar no colégio Imaculada Conceição, situado em Botafogo. Organizavam e participavam de muitas festas e, por intermédio de integrantes do Bando da Lua, passaram a conhecer alguns artistas da época.

Em 1935, apresentaram-se com os Anjos do Inferno na inauguração do Cine Ipanema, ocasião em que foram apresentadas por Heitor Beltrão como as Irmãs Pagãs. Foram levadas para a Rádio Mayrink Veiga pelo radialista César Ladeira, fazendo grande sucesso na década de 1930.

Em seu primeiro disco na Odeon, gravaram as marchas Não foi assim, de Antenógenes Silva e Osvaldo Santiago, e O carnaval é rei, também de Antenógenes em parceria com Ernâni Campos. Nesse mesmo ano, mais dois discos, dos quais se destaca a marcha Não beba tanto assim, de Geraldo Décourt, apresentada pela dupla no filme Alô, alô, carnaval, de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro.

Em 1936, participaram do filme Cidade mulher, de Humberto Porto, onde apresentaram a música título (de Noel Rosa), cantando com Orlando Silva. Em 1937, gravaram sambas de Assis Valente, dentre os quais Se você me deixar, Oba oba, Tristeza e O samba acabou. Foram contratadas pela Rádio Nacional e, neste período, excursionaram por quatro meses pela Argentina, Peru e Chile.

Em 1938, passaram a gravar na Columbia, destacando-se o grande sucesso carnavalesco Eu não te dou a chupeta, de Silvino Neto e Plínio Bretas. Dentre os êxitos da dupla estão os sambas Nobreza, de Assis Valente, e a marcha Água mole em pedra dura, de Sátiro de Melo e Manuel Moreira, sucesso de 1940.

Com o casamento de Elvira, a dupla chegou ao fim, deixando um total de 13 discos gravados. Rosina seguiu carreira solo, tendo gravado mais 11 discos até 1946, entre eles a versão Chiu... chiu... (N. Molinari e Oswaldo Santiago) e participado de vários filmes como atriz. Ainda nesse ano, seguiu turnê em Cuba, EUA e México, cidade onde se casou e passou a residir.

Elvira Pagã seguiu carreira como estrela do teatro de revista, tendo gravado mais de dez discos entre os anos de 1944 e 1953, tendo destque o samba Na feira do cais dourado (Nelson Teixeira e Nelson Trigueiro). Alcançou grande notoriedade, sobretudo por sua atuação como vedete, sendo considerada uma das mais belas mulheres de sua época - os anos 40, 50 e até começo dos 60.

A partir dos anos 70, Elvira começou a pintar, passando logo depois a realizar temas esotéricos em seus trabalhos. Em meados dos anos 1990, demonstrando grande instabilidade de comportamento, ao alterar momentos de euforia com rasgos de ira, recusou-se terminantemente a fazer depoimento para o Museu da Inglaterra. Em 1979 Elvira Pagã foi homenageada com um rock da cantora Rita Lee.




Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

Rosina Pagã

Rosina Pagã (Rosina Cozzolino), cantora, nasceu em Itararé/SP em 1919. Irmã da também cantora Elvira Pagã com quem formou na década de 1930 o duo vocal Irmãs Pagãs. As irmãs Cozzolino ainda na infância transferiram-se com a família para o Rio de Janeiro, onde passaram a estudar no colégio Imaculada Conceição, situado em Botafogo.

Realizava com sua irmã inúmeras festas das quais participavam inúmeros artistas entre os quais os integrantes do Bando da Lua. Em 1935 cantaram com os Anjos do Inferno na inauguração do Cine Ipanema, sendo apresentadas por Heitor Beltrão como as Irmãs Pagãs.

Atuaram na Rádio Mayrink Veiga. Em 1935, participaram do filme Alô, alô, carnaval, de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro. Em 1936, no filme Cidade mulher, de Humberto Porto, onde apresentaram a música título (de Noel Rosa), cantando com Orlando Silva.

Em 1937, gravaram sambas de Assis Valente, dentre os quais Se você me deixar, Oba oba, Tristeza e O samba acabou. Foram contratadas pela Rádio Nacional e, neste período, excursionaram por quatro meses pela Argentina, Peru e Chile.

Em 1938, passaram a gravar na Columbia, destacando-se o grande sucesso carnavalesco Eu não te dou a chupeta, de Silvino Neto e Plínio Bretas. Dentre os êxitos da dupla estão os sambas Nobreza, de Assis Valente, e a marcha Água mole em pedra dura, de Sátiro de Melo e Manuel Moreira, sucesso de 1940.

Com o casamento de Elvira, a dupla chegou ao fim, deixando 13 discos gravados. Rosina seguiu carreira solo, tendo gravado mais 11 discos até 1946, entre eles a versão Chiu... chiu... (N. Molinari e O. Santiago) e participado de vários filmes como atriz. Ainda nesse ano, seguiu turnê em Cuba, EUA e México, cidade onde se casou e passou a residir.


Discografia

1941 Volta Horácio/Abana, baiana • Victor • 78
1941 Tabuleiro da ilusão/Oh! Juca • Columbia • 78
1941 Tem queme dar, me dá logo/As aparências enganam • Columbia • 78
1941 Firin-fin, fon-fon/Vai dormir, criança • Odeon • 78
1941 La canga/Pobreza não é defeito • Odeon • 78
1942 Desculpa de ocasião/Caroá • Odeon • 78
1942 Coco dendê/Gasparino • Odeon • 78
1943 Oh quitandeira!/Encontrei um amor • Odeon • 78
1944 Chiu...chiu.../Meu coração me diz • Continental • 78
1946 A volta de Suzana/Maria • Continental • 78


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.