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domingo, fevereiro 11, 2018

Vai meu amor ao campo santo - Vicente Celestino

Catulo
Vai, ò Meu Amor, ao Campo Santo (canção, 1912) - Catulo da Paixão Cearense e Irineu de Almeida - Intérprete: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: Vai, Ò Meu Amor, ao Campo Santo / Cearense, Catullo da Paixão, 1863-1946 (Compositor) / Almeida, Irineu de (Compositor) / Celestino, Vicente (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 08/08/1952 / Nº Álbum 801023 / Gênero musical: Canção.



Tu, tu não queres crer como eu te quero!
Venero o teu amor, que é minha vida
Tudo nesta dor do mundo espero
Sou poeta e sou cantador, ó alma infinda!
Sobre o coração que me consome
A rutilar luz diamante do teu nome
Sei que o meu penar será infindo
Irei cumprindo o que Deus determinar

Hás de chorar a minha desventura
Quando eu repousar na gelidez da sepultura
Hás de lamentar os sofrimentos
Tantos tormentos que sofri
Enquanto vivo aqui por ti

Vai, vai ó meu amor ao campo santo
Verás a minha cruz lá num recanto!
Vai, que lá verás cheias de odores
Numa genuflexão algumas flores
Vai e uma por uma sem ter medo
Colhe essas flores – a meiguice de um segredo
São os versos d’alma que eu não disse
E enfim dizer, dizê-los só, quando eu morrer

terça-feira, janeiro 30, 2018

Vicente Celestino - Principais canções

Vicente Celestino (1946) cantando "Porta Aberta".















Sangue e areia - Vicente Celestino

Vicente Celestino
Sangue e areia (valsa, 1933) - Vicente Celestino e Mário Rossi - Intérprete: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título: Sangue e areia / Rossi, Mário, 1911-1981 (Compositor) / Celestino, Vicente (Compositor) / Celestino, Vicente (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 08/11/1933 / Nº Álbum 34738 / Dt. lançamento: Janeiro/1934 / Lado B / Gênero musical; Valsa.



Manolo quando entrou na arena,
Na tarde serena,
De sol e verão,
Sentiu um olhar,
Orvalhar !
As flores de sonho do seu coração.

Feliz, para a luta vivendo,
Guardando nos lábios um beijo de amor,
Não viu o destino tecendo:
A história sentida de mais uma dor,
Ao surgir o feroz animal,
Belo touro de muito valor,
Uma forte canção triunfal,
Envolveu o gentil toureador,
No balcão, na penumbra de um véu,
Um sorriso de amor e paixão,
Transportou para perto do céu,
Um amante e feliz coração.

Mas, a morte chegou numa flor,
Uma rosa vermelha e fatal,
Escrevendo um romance de dor,
Fim de festa cruel e mortal,
Pois, Manolo a rolar pelo chão,
Sobre a areia, sangrando ficou...

E no cofre da rosa em botão,
O seu último beijo guardou....

Rasguei o teu retrato - Vicente Celestino

Vicente Celestino, em 1935, após breve temporada lírica no Teatro Santana de São Paulo (onde se apresentava ao lado de Gilda de Abreu, sua esposa, na ópera "Aida", de Verdi), deixou a Columbia (na qual, ao todo, fizera cinco discos) ligando-se à RCA. A primeira gravação na nova fábrica foi "Ouvindo-te", de sua autoria e "Rasguei o Teu Retrato" (tango-canção de Cândido das Neves).

Rasguei o teu retrato (tango-canção, 1935) - Cândido das Neves

Disco 78 rpm / Título da música: Rasguei o teu retrato / Autoria: Neves, Cândido das, 1899-1934 (Compositor) / Celestino, Vicente (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1935 / Nº Álbum 33969 / Gênero musical: Tango canção


Tu disseste em juramento
Entre o véu do esquecimento
Que o meu nome é uma visão
Tu tiveste a impiedade
De sorrir desta saudade
Que me mata o coração !

Se um retrato, tu me deste
Foi zombando, tu disseste
Do amor que te ofertei.
E eu, em lágrimas desfeito
Quantas vezes, junto ao peito
Teu retrato conservei.

Eu sei também ser ingrato,
Meu coração, bem, vês, já não te quer:
Eu ontem, rasguei o teu retrato
Ajoelhado aos pés de outra mulher !

Eu que tanto te queria
Eu que tive a covardia
De chorar este amargor
Trago aqui despedaçado
O teu retrato, pois vingado
Hoje está, o meu amor


As sentenças, são extremas
Faço o mesmo, aos meus poemas
Rasgue os versos que te fiz
Não te comova, o meu pranto
Pois quem te amou, tanto e tanto,
Foi um doido, um infeliz !

sábado, junho 08, 2013

Laís Areda

Laís Areda, cantora, soprano e atriz, atuou no teatro de revistas no Rio de Janeiro e em outras cidades brasileiras na da década de 1920 e gravou composições de consagrados compositores como Henrique Vogeler, De Chocolat, Augusto Vasseur e Zeca Ivo.

Em 1920, estreou no Teatro Americano a opereta Loucuras de amor, de Adalberto de Carvalho, na qual atuou cantando em dueto com Vicente Celestino. No mesmo período fundou com o cantor Vicente Celestino uma companhia de operetas.

Em 1923, apresentou-se com a Companhia Vicente Celestino na revista Mademoiselle Cinema, na qual interpretou composições de Nelson Ferreira e Osvaldo Santiago. Nessa época, foi uma das atrações do Teatro Coliseu, em Santos, SP.

Contratada pela Odeon, estreou em discos em 1929 gravando com acompanhamento da Orquestra Pan American o maxixe Baianinha, de De Chocolat, e a canção Jambo cheiroso, de Henrique Vogeler. Em seguida, gravou com acompanhamento da Orquestra Rio Artists o samba Feijoada, de Henrique Vogeler, que teve Lamartine Babo como co-autor, mas cujo nome não apareceu no selo do disco, e a toada-brasileira Nossa canção, de João da Gente.

Também no mesmo ano, gravou com acompanhamento da Orquestra Rio Artists o choro Morena brasileira, de Augusto Vasseur, a toada-canção Orfã de amor, de Zeca Ivo, as canções Meu Brasil, de Jararaca, e Como gosto de você, de Sofonias Dornelas, a toada Eu bem sei que vancê vorta, de Eduardo Souto, e o samba Baiana, de Sofonias Dornelas. Ainda em 1929, atuou no filme Feijoada dirigido por Luiz de Barros.

Gravou ainda um disco pela Columbia em 1932, interpretando com acompanhamento da Orquestra de concertos Columbia o samba Meu coleirinho, de Henrique Vogeler e Milton Amaral, e a valsa Um passeio no parque, de Henrique Vogeler.

Embora de discreta carreira fonográfica, deixou seu nome marcado no teatro, especialmente de São Paulo.

Playlist




Discografia

(1929) Baianinha/Jambo cheiroso • Odeon • 78
(1929) Feijoada/Nossa canção • Odeon • 78
(1929) Morena brasileira/Orfã de amor • Odeon • 78
(1929) Meu Brasil/Eu bem sei que vancê vorta • Odeon • 78
(1929) Baiana/Como gosto de você • Odeon • 78
(1932) Meu coleirinho/Um passeio no parque • Columbia • 78

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Fonte: http://www.dicionariompb.com.br/

quinta-feira, maio 09, 2013

“Coração Materno” quase vira tragédia

Vicente Celestino
Em todas (pode-se afirmar com segurança, em todas) as canções de amor, sejam de concepção rebuscada ou popularesca, o coração aparece como figura simbólica e de grande efeito alegórico. Não o usam os poetas, os compositores, no prosaísmo gramatical, como simples substantivo comum masculino.

Muito menos — exceção talvez de Noel Rosa que assim procedeu — o apresentam laconicamente como “grande órgão propulsor, distribuidor do sangue venoso em arterial, tal qual está no “Samba anatômico” do poeta da Vila.

Os poetas, os compositores, mesmo os mais vulgares, que se valem da acentuação oxítona da palavra, aproveitando o punhado de rimas que ela oferece, jamais o deixam de dignificar no melhor simbolismo alegórico.

Assim sempre que o tema é amor, o coração implicitamente é focalizado com exaltação incontida. As vezes até raiando pelo absurdo, no desregramento a que têm direito os poetas em suas lucubrações fantasiosas. Jamais alguém pensou, ou quis se certificar, se existe coração de ouro, no sentido de seu portador ser bondoso ou se de fato as pessoas que se comovem facilmente têm coração mole.

Sabem todos, os que recitam os poetas, os que cantam suas canções, que o coração figura no desenvolvimento do tema, quer sendo objeto principal ou em alusão glorificante, tratando-se apenas de faz-de-conta. Nunca para valer, para ser aceito em termos positivos: no duro!

Vicente e o “Coração Materno”

Quando Vicente Celestino compôs o tango-canção Coração Materno, e com sua própria voz divulgou-o com grande sucesso em apresentações nas rádios e tevês, afora a vendagem de milhares de chapas fonográficas, por certo não esperava que a narrativa por ele feita musicalmente viesse a ser posta em termos reais.

O hipotético campônio que na canção se dispõe “a matar, a roubar”, se sua idolatrada o exigisse, era, apenas, um símbolo. Era a figura hipotética de um amante ingênuo, disposto a qualquer façanha, ainda que absurda, para demonstrar sua “louca paixão” à mulher amada. Nada mais que isso, como se depreende da versificação incapaz de impressionar, ou de pretender qualquer mérito.

Portanto, a "amada idolatrada", ao pôr em dúvida a paixão do campônio e ao dizer-lhe, “a brincar” (como Vicente esclarece na letra de seu tango-canção, que fosse buscar “de sua mãe, inteiro, o coração”, não o suportaria chegar ao realismo. 

Vicente fez uma canção despretensiosa, reconhecidamente de mau gosto e que, a despeito da vendagem de milhares de discos, os aplausos frenéticos dos seus fãs, não impressionou as pessoas de razoável discernimento intelectual. Isto sem se ir aos críticos que subestimaram, sem reservas, a história versejada e musicada de Coração Materno.

Um “campônio” vai ao realismo

Absurdo, estapafúrdio, coisa inconcebível a narrativa de Coração Materno, de Vicente Celestino, quase teve, no entanto, quem a levasse ao realismo, conforme relato encontrado nos jornais do dia 30 de novembro findo.

Procedente de Recife, a notícia conta que, na cidade pernambucana de Belo Jardim, o jovem Jesuíno Mourão, de 21 anos, foi surpreendido “amolando um punhal no quintal de sua casa”. Pretendia, como se veio a saber, atender ao pedido de sua namorada Carmelita que, por gracejo ou “a brincar” como está na letra de Coração Materno, queria que lhe provasse sua “louca paixão”,  como o fizera o campônio da canção.

Graças, porém, à suspeita de uma vizinha, a senhora Rosalina da Conceição, a mesma que flagrou Jesuíno afiando a arma com a qual se dispunha a tirar “do peito, sangrando, da velha mãezinha, o pobre coração”, a prova de amor exigida por Carmelita não foi atendida. A atenta vizinha, sempre vigiando o jovem que pretendia encarnar, ao real, o campônio, personagem do Coração Materno, no momento exato em que ele, à porta de uma capelinha existente no local, ia consumar a extravagante promessa, gritou alertando a quase-vítima.

O matricídio insuflado ou sugerido na canção que Vicente Celestino fizera e interpretava com a ênfase vocal de um tenor popularíssimo, não teve consumação.

Coração apenas no simbolismo

Há de parecer incrível, e até talvez seja tida como “coisa de jornal”, essa gorada façanha do moço Jesuíno Mourão, da cidade de Belo Jardim, no agreste de Pernambuco. Que sua namorada, a jovem Carmelita, como ela mesma declarou ao delegado local, houvesse feito tão absurdo pedido, brincando, imitando a “amada idolatrada” do Coração Materno, de Vicente Celestino, é fácil de compreender.

Gente humilde, na sua vida ingênua de uma cidade interiorana, a canção que a voz possante do intérprete ali tornara bem difundida, foi logo apreendida, popularizada e sugestionou quantos a ouviam. O campônio que não hesitou em “tirar do peito, sangrando, o coração da velha mãezinha”, provava assim, na vaidade de um nordestino humilde, que era, de fato, “home de palavra”, que era “cabra-macho”.

Para Jesuíno, o simbolismo, ainda que de mau gosto, pedia uma concepção real, exatamente como sua Carmelita queria para prova de grande amor. E assim Coração Materno, de Vicente Celestino, ia tendo, “no duro”, “pra valer”, um campônio de verdade, “ao vivo”, como protagonista.

O Globo, 11/12/1972


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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira - Volume 2 / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

domingo, setembro 26, 2010

As manhãs do Galeão

Vicente Celestino
As manhãs do Galeão (tango, 1928) - Freire Júnior - Intérprete: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: As Manhãs do Galeão / Freire Júnior (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra Rádio Central (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10272-a / Nº da Matriz: 1892 / Lançamento: Outubro/1928 / Gênero: Tango Canção / Coleções: IMS, Nirez


Surge ao sol, raios brilhantes / nas montanhas verdejantes
que contornam a Guanabara / Sua luz rompendo ao dia
mostra o fundo da baía / uma praia em pérola rara

Esta ponta de uma ilha / verdadeira maravilhosa
bem juntinho ao continente! / Deu-lhe encanto a natureza
Se anoitece com tristeza / amanhece alegremente

Os amantes deixam os ninhos / ao romper da alvorada
Trinam alegres os passarinhos  / a canção da madrugada
Num sentimento profundo / diz a gente com emoção:
Nada mais belo no mundo / que as manhãs do Galeão

Sobre areias cor de prata / lindas jovens à frescata
buscam o banho matinal  / Pescadores gente boa
tiram a pesca da canoa  /  no labor habitual

Ondas vêm e ondas vão / entoando uma canção
que em soluços canta o mar / É a canção triste do amor
Faz prazer e causa dor  / Nos faz rir e faz chorar

domingo, setembro 19, 2010

A vida é um jardim onde as mulheres são as flores

Vicente Celestino
A vida é um jardim onde as mulheres são as flores (fado-tango, 1924) - Zeca Ivo e Freitinhas (José Francisco de Freitas) - Intérprete: Vicente Celestino

Disco selo: Odeon R / Título da música: A vida é um jardim onde as mulheres são as flores / José Francisco de Freitas "Freitinhas" (Compositor) / Zeca Ivo (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Nº do Álbum: 122793 / Lançamento: 1925 / Gênero musical: Tango / Coleção: IMS


Ao ver o céu estrelas sem sapato
Ouvindo o mar tão belo tão profundo
Suponho ver num astro debruçado
Deus me apotento jóias deste mundo
Além a ponte triste romoreica
Cortando os ares cruzam passarinhos
Porém minh’alma que também dardeja
Enveredou feliz noutros caminhos

Deus por certo bem conhece
Uma jóia que floresce
Sem a luz do sol sequer
Sim eu juro com firmeza
Que o tesouro com certeza
Só no peito da mulher

Minh’alma segue triste na jornada
Pois necessita como quê sonhando
Gotas de luz que ficam pela estrada
Parecem flores pelo chão brotando
Precisa que a gente chama a vida
Sou jardineiro certo trovadores
Por onde o peito a jarra preferida
Onde as mulheres são mimosas flores




Caiuby (Canção da cabocla bonita)

Vicente Celestino
Caiuby (Canção da Cabocla Bonita) (canção, 1923) - Pedro de Sá Pereira - Interpretação: Vicente Celestino

Disco selo: Odeon R / Título da música: Caiuby (Canção da Cabocla Bonita) / Pedro de Sá Pereira (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Nº do Álbum: 122749 / Lançamento: 1924 / Gênero musical: Canção / Coleções: IMS, Nirez




Triste Carnaval

Canhoto
Triste carnaval (valsa, 1922) - Canhoto (Américo Jacomino) e Arlindo Leal - Intérprete: Vicente Celestino

Disco selo: Odeon R / Título da música: Triste Carnaval / Américo Jacomino "Canhoto" (Compositor) / Arlindo Leal (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Nº do Álbum: 122214 / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Valsa / Coleção: Nirez



Por tua causa Colombina
Tive um triste Carnaval
E o ciúme que me alucina
Roubou-me a calma afinal

E, em sonho, meu amor
Tu não soubeste guardar
E um ousado sedutor
Pode teus lábios beijar

Por capricho, por loucura
Num delírio de ternura
Tu cedeste ao meu rival
O teu amor ideal
O teu amor ideal!

No meu delirar, Colombina
Que a outro sorrias
E que sem corar, ò libertina
Teus beijos vendias

Depois, com horror
Vi meu rival teus carinhos gozar
E esse infame traidor
Sorridente alcançar teu amor!

sábado, setembro 18, 2010

Paixão de artista

Vicente Celestino
Paixão de artista (canção, 1921) - Eduardo Souto - Intérpretes: Vicente Celestino e Laís Arêda

Disco selo: Odeon R / Título da música: Paixão de artista / Eduardo Souto (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Laís Arêda (Intérprete) / Nº do Álbum: 122084 / Nº da Matriz: 122084-A-II / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Dueto / Coleção de fontes: IMS, Nirez



Do sorriso das mulheres nasceram as flores

Vicente Celestino
Do sorriso da mulher nasceram as flores (tango de salão, 1921) - Eduardo Souto e Lélio de Aragão / Intérprete: Vicente Celestino

Disco selo: Odeon R / Título da música: Do Sorriso da Mulher Nasceram as Flores / Eduardo Souto (Compositor) / Lélio de Aragão (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Nº do Álbum: 122041 / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Tango de Salão / Coleção de fontes: IMS



LP Saudade, Palavra Doce / Título da música: Do Sorriso da Mulher Nasceram As Flores / Eduardo Souto (Compositor) / Lélio de Aragão (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Nº do Álbum: BBL 1106 / Ano: 1960 / Gênero musical: Canção / Seresta


Mulher o teu sorriso parece um céu
Um grande altar do deus do amor
Onde as estrelas vem rezar, cantar, sonhar
Santificando a minha dor
No iluminar dos olhos teus
E um coração aberto em flor
Tens tu mulher toda fragrância
Das orquídeas cintilantes
Redolentes e gracis

A cintilar, a cintilar num céu de amor
Em que fala um poema
Feito de beijos ao luar
Um ninho de sincero afeto
Onde dois pombinhos
Vivem sempre a se arrolar e a se beijar
Quero a morte nos teus lábios
Num doce encanto de magia
Do aljôfar de um beijo teu
Do teu sorriso que fascina, inebria

Suspirar, soluçar com tristor e amargor
O carpir da desdita do amor
E adorar e crer 
Suplicar, implorar com ardor, e dulçor
O sorrir dos teus lábios em flor
E sentir o prazer de um ditoso e perenal amor

No iluminar dos olhos teus
E um coração aberto em flor
Tens tu mulher toda fragrância
Das orquídeas cintilantes
Redolentes e gracis
A cintilar, a cintilar um céu de amor.

sexta-feira, setembro 17, 2010

Os que sofrem

Vicente Celestino
Os que sofrem (Valsa dos que sofrem) (seresta, 1915) - Alfredo Gama e Armando Oliveira

Vicente Celestino (Antônio Vicente Filipe Celestino), cantor, compositor e ator, nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 12/9/1894 e faleceu em São Paulo, em 23/8/1968. Começou a cantar em festas, serenatas e casas de chope, abandonando o emprego em 1913 para dedicar-se somente à música.

Em 1915 gravou seu primeiro disco — Flor do mal e Os que sofrem (Alfredo Gama e Armando Oliveira) — na Casa Edison (Odeon), do Rio de Janeiro.

Disco selo: Odeon / Título da música: Os que soffrem / Alfredo Gama [Música] (Compositor) / Armando Oliveira [Versos] (Compositor) / Vicente Celestino [Tenor] (Intérprete) / Cavaquinho e Violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 121053 / Lançamento: 1915 / Gênero musical: Seresta / Coleção de Origem: IMS, Nirez



sábado, novembro 01, 2008

Pedro Celestino

Pedro Celestino, cantor e compositor, era o irmão mais novo de Vicente Celestino. Em 1928, fez sua estréia em disco gravando pela Odeon o samba Gosto de apanhá, de Duque e o maxixe Viva a Penha, de Tuiú. No mesmo ano, lançou o tango Caboquinha, de Alfredo Gama e o motivo popular Peixinhos do mar.

Em 1929, gravou a canção O guasca, de Zeca Ivo e o fado-toada A vida é um inferno onde as mulheres são os demônios, de Zeca Ivo e Lamartine Babo e ainda o coco Campineiro, de J. B. Silva, o conhecido Sinhô.

Em 1931, participou da opereta As pastorinhas, juntamente com Araci Cortes, apresentada no Teatro Recreio, no Rio de Janeiro.

Ficou mais de 10 anos sem gravar, retornando em 1941, quando lançou a valsa Pertinho do céu, de Vicente Paiva e Ariovaldo Pires e a canção História de circo, de Edgard Barroso e Paulo Mac Dowell.

Em 1947, gravou de sua autoria, Adolar e J. Francisco de Freitas a canção Confissão e, de Átila Yorio e Alberto Oliveira, a toada-canção O vagabundo.

Em 1948, foram gravadas a valsa Supremo adeus, de Belmácio Godinho e Benedito Costa e a canção Desespero, de René Bittencourt. São de 1953 as gravações, pela Todamérica do bolero Alma cigana, de René Bittencourt e do tango Guitarra de marfim, de Arlindo Pinto e J. M. Alves. No mesmo ano, gravou a toada-canção Olhos criminosos, de René Bittencourt e a canção Rua da saudade, de Arnaldo Pescuma.

Foi por essa época que Pedro Celestino apareceu na TV Tupi de São Paulo e, ao lado de Tersina Sarraceni fez uma temporada de operetas. Isso foi muito importante para a TV Tupi, pois eram encenadas operetas famosas, com grandes interpretes e grandes cantores.

Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Pró-TV - Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da TV Brasileira.

quarta-feira, março 19, 2008

Serenata

Vicente Celestino
Serenata (canção, 1940) - Vicente Celestino - Intérprete: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: Serenata / Vicente Celestino (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 27/02/1940 / Lançamento: 04/1940 / Nº do Álbum: 34592 / Nº da Matriz: 33333-1 / Gênero musical: Canção


Na Guanabara um barco a vela navegava
Dentro de um raio de luar franjado de prata
Em um bandolim, lá no barquinho alguém tocava
A mais sublime e deliciosa serenata

Segui o barco em outro barco para ver
Quem manejava o bandolim com tanto ardor
E uma sereia oiço cantando assim dizer:
- Onde estará meu grande amor ?


Meu bandolim, leva tua voz
Ao coração que não me quer
Chama-o de cruel e de atroz
Que quem te pede é uma mulher

Diga que o amo e que o adoro
Tu que conheces o meu padecer
Meu bandolim, vai com tua voz
Ao meu amor, falar por mim,
Porque sem ele eu vou morrer...

Do meu barquinho respondi:
Igual a ti eu vivo em solidão
E ela de lá me respondeu:
Se teu amor é igual ao meu
Te entrego inteiro, o coração.



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quarta-feira, março 05, 2008

Meu Brasil

Olegário Mariano
Meu Brasil (canção, 1932) - Pedro de Sá Pereira e Olegário Mariano - Intérprete: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: Meu Brasil / Olegário Mariano, 1889-1958 (Compositor) / Pedro de Sá Pereira, 1892-1955 (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra de Concertos Columbia (Acomp.) / Gravadora: Columbia / Data de lançamento: Abril/1932 / Nº do Álbum: 22105-b / Nº da Matriz: 381198-1 / Gênero musical: Canção patriótica / Coleções: Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


A minha terra,
Tesouros mil, no seio encerra
E linda e pura
Como no mundo não existe igual
Tanta fartura
A natureza, o céu a reflorir
Tem a ventura
Tem o condão de seduzir
Tem o condão de seduzir


A minha terra
Tesouros mil no seio encerra
Mulher amada
Abençoada por seu povo
No Mundo Novo
Não há quem tenha tal fulgor
Tanta riqueza
Tanto encanto e tanto amor

Diante de ti, Brasil
Meu céu azul, de anil
Não há no mundo alguém
Que não te queira bem
A natureza jogou em ti em luz
Tanta beleza
Que ninguém pode admirar
Sem se ajoelhar

Diante de ti, Brasil
Meu céu azul, de anil
Não há no mundo alguém
Que não te queira bem
A natureza jogou em ti sem ver
Tanta beleza
Que ninguém pode entender
Meu Brasil de um céu de anil



Fontes: Instituto Moreira Salles; Discografia Brasileira - IMS.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Meu casamento (Olhos de veludo)

Almirante: "Na memória dos mais antigos fixou um número bastante grande de músicas de seu tempo. Se pedirmos a alguém que já tenha passado dos 50 que nos lembre as músicas que mais o impressionaram em sua meninice, teremos uma enquete curiosa, revelando a predominância de certas melodias. Uma música que fatalmente há de aparecer em todas as respostas é a que se chamou inicialmente “Meu Casamento”.

Seu autor foi um modesto flautista que morreu tragicamente aí por 1929 sob as rodas de um trem na estação do Engenho Novo numa tarde em que se dirigia para casa depois de sair do seu emprego de tecelão na fábrica Confiança de Vila Isabel".

Aqui uma gravação de "Meu casamento" de 1912 pelo Pessoal do Bloco:

Disco selo: Favorite Record / Título da música: Meu casamento / Pedro Galdino (Compositor) / Pessoal do Bloco (Intérprete) / Nº do Álbum: 1-454047 / Nº da matriz: 7162-t+ / Gravação: 11/Dezembro/1912 / Lançamento: 1912 / Gênero musical: Schottisch / Coleção de fontes: IMS



Continua Almirante: "A música de Pedro Galdino, destinada inicialmente só à execução, recebeu, logo que ganhou popularidade, uns versos de Gutenberg Cruz.

E foram esses versos, ouvintes da velha guarda, que a fizeram chegar ao máximo da fama difundindo-a por todo o Brasil. E ainda mais, versos que tiveram a influência decisiva de mudar inteiramente o seu nome. Pois de “Meu Casamento”, passou a ser conhecida principalmente por Olhos de Veludo” (Programa O Pessoal da Velha Guarda - 22-11-1951).

Almirante: "A música que abriu este comentário aqui, aquela famosa “Flausina”, que tinha esses versos: Anda vem cá, vem ver meu pobre coração como está é o cartão de visitas do autor da peça que vai também abrir o programa de hoje. Mas se nós quiséssemos, nós poderíamos usar outro cartão de visitas para o mesmo autor, como a sua xótis que foi célebre, aquela que se cantava com os versos 'Quando na luz desses seus olhos de veludo', lembram? Pois o autor que produziu tais maravilhas nunca poderia ter sido medíocre na certa. Eis por quê vocês devem agora apreciar bem para sentir também bem toda a beleza de uma polca-choro daquele mesmo Pedro Galdino...." (Programa O Pessoal da Velha Guarda - 03/03/1948).

Vicente Celestino gravou um LP intitulado "Saudade palavra doce" (1960) e canta numa faixa "Olhos de Veludo" cuja autoria é creditada (neste disco) ao pianista e compositor Azevedo Lemos (Rio de Janeiro, 1860 - 1920). É a mesma melodia "Meu casamento", de Pedro Galdino, gravada e interpretada pelo Pessoal do Bloco em 1912.

Meu Casamento (Olhos de Veludo) (chótis, 1910) - Pedro Galdino e Guttenberg Cruz - Intérprete: Vicente Celestino

LP Saudade, Palavra Doce / Título da música: Olhos de Veludo / Azevedo Lemos (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Nº do Álbum: BBL 1106 / Ano: 1960.



Quando na luz destes teus olhos de veludo
Meus olhos tristes chorando ponho
Esqueço a dor que ando sofrendo
Esqueço tudo
E ao céu crescendo dentro de um sonho

Fazem sonhar estes teus olhos coloridos
Que andam perdidos
Numa saudade
Olhos magoados como os teus
São corações crucificados
Pelo amor na cruz imensa d'uma dor

Em meio desta vida para mim
Foram teus olhos dois escolhos
Eu não posso caminhar assim
Ai, meu Deus o que será de mim?

Não posso mais deixar
De adorar O teu olhar
Que me atormenta
E me prende, me seduz
Esse olhar que me acorrenta
Em criols de luz

Pensei que existe alguém
Que ama também
Os olhos teus
Não são os meus
Não são meus olhos espressados
Pelos teus magoados
Que o teu olhar aquece

Meu Deus, ouve esta prece
E me arranque esta paixão
Do coração
Que tu fizeste para o amor
Amar sem esperança
Antes morrer... Senhor!

sexta-feira, abril 07, 2006

Gilda de Abreu

Gilda de Abreu, cantora, compositora, escritora, cineasta e atriz nasceu em Paris, França (23/09/1904) e faleceu no Rio de Janeiro (04/06/1979). Filha da cantora Nícia Silva de Abreu, veio para o Brasil com quatro anos para ser batizada. 


Em 1914, com a Primeira Guerra Mundial, a mãe, que cumpria periodicamente contratos na Europa, instalou-se definitivamente no Rio de Janeiro. Aos 18 anos começou a estudar canto com a própria mãe, que se havia dedicado ao ensino, revelando-se excelente soprano ligeiro.

Principiou a cantar em festas de caridade e concertos, chegando a interpretar em 1920 (ano em que conheceu Vicente Celestino), no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, as óperas Les Contes d'Hoffmann, de Jacques Offenbach (1819-1880), Il Barbiere di Siviglia, de Gioacchino Rossini (1792-1868) e Lakmé, de Léo Delibes (1836-1891).

Em 1933 iniciou suas atividades no teatro musicado, participando da opereta A canção brasileira, de Luís Iglésias, Miguel Santos e Henrique Vogeler, trabalhando ao lado de Vicente Celestino, no Teatro Recreio, do Rio de Janeiro, com quem casou cinco meses após a estreia e passou a trabalhar em estreita colaboração. Ainda em 1933 escreveu todo um ato da opereta A princesa maltrapilha, levada à cena no mesmo ano.

Em 1935, estrelou o filme de Oduvaldo Viana Bonequinha de seda, baseado na valsa de mesmo nome, de sua autoria, um dos sucessos de Vicente Celestino. Nesse ano, compôs a opereta Aleluia, estreada em 1939, no Teatro Carlos Gomes, do Rio de Janeiro.

Em 1937 fez o filme Alegria, que não teve grande repercussão. Em 1942, escreveu a letra das canções Mestiça (música de Ary Barroso) e Ouvindo-te (música de Vicente Celestino).

Até 1944, esteve ligada a uma companhia de operetas, da qual Vicente também fazia parte, que realizou excursões por todo o Brasil. Em 1946 escreveu o roteiro e dirigiu o filme O ébrio, também inspirado em outra composição de sucesso do marido, que atuava no papel-título.

Em 1949 escreveu o roteiro e dirigiu o filme Pinguinho de gente e, em 1951 escreveu o roteiro, dirigiu e interpretou o papel principal do filme Coração materno, título de outro grande sucesso de Vicente Celestino.

Em 1950 compôs com Vicente Celestino e Ercole Varetto a opereta A patativa, e escreveu com Luís Iglésias o libreto da opereta Olhos de veludo (música de Vicente Celestino).

Autora de vários livros infantis e romances, publicou também A vida de Vicente Celestino, São Paulo, 1946.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Ed., 1977

Vicente Celestino


Vicente Celestino (Antônio Vicente Filipe Celestino), cantor, compositor a ator, nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 12/9/1894 e faleceu em São Paulo, em 23/8/1968. Filho de um casal de imigrantes calabreses chegados ao Brasil dois anos antes de seu nascimento, teve dez irmãos, quatro também artistas João, galã cômico; Pedro Celestino, tenor; Radamés, barítono; e Antônio, baixo. 


Começou a cantar aos oito anos, num grupo chamado Pastorinhas da Ladeira do Viana, e, ainda aluno de escola primaria publica, iniciou-se no ofício de sapateiro com o pai, entrando para o Liceu de Artes e Ofícios, para aprender desenho industrial, logo após terminar o primário.

Em 1903 participou do coro infantil da ópera Carmen (Georges Bizet, 1838—1875), no Teatro Lírico, e, notado pelo tenor italiano Enrico Caruso, recebeu convite para ir estudar canto na Itália, mas seu pai recusou-lhe autorização. Trabalhou numa fábrica de guarda chuvas, em 1905, foi servente de pedreiro no ano seguinte e, em 1910, voltou à sapataria do pai.

Cantou solo em público, pela primeira vez, na peça Vida de artista, encenada em 1912 pelo Grupo dos Cartolas, formado por amigos do bairro da Saúde. Depois, começou a cantar em festas, serenatas e casas de chope, abandonando o emprego em 1913 para dedicar-se somente à música. Numa dessas casas de chope, foi ouvido por Alvarenga Fonseca, que o levou para a Companhia Nacional de Revistas, do Teatro Sao José, da qual era diretor.

No dia 10 de julho de 1914, estreou na revista Chuá-Chuá, de Eustórgio Wanderley e J. Ribas, participando do coro e solando a valsa Flor do mal (Santos Coelho e Domingos Correia), com calorosos aplausos. Dois anos mais tarde, integrando a Companhia Leopoldo Fróis, foi cantar em São Paulo, sendo promovido a ator-cantor, apresentando-se depois em Porto Alegre e Pelotas RS, Pernambuco e Bahia.

Em 1915 ou 1916, gravou seu primeiro disco — Flor do mal e Os que sofrem (Alfredo Gama e Armando Oliveira) — na Casa Edison (Odeon), do Rio de laneiro. Deixou o Teatro São José em 1917, para se dedicar ao estudo do canto, no Teatro Municipal do Rio de laneiro.

Em 1919, voltou aos palcos, como ator de várias peças, começando, em março, no papel principal em Amor de bandido (Oduvaldo Viana e Adalberto de Carvalho), encenada pela Companhia de Pascoal Segreto, no Teatro São Pedro (hoje João Caetano). Seu maior sucesso nessa temporada foi a opereta Juriti, de Viriato Correia, com música de Chiquinha Gonzaga, apresentada no mesmo teatro.

Com a atriz e cantora Laís Areda, organizou sua própria companhia de operetas, em 1920, estreando com Loucuras de amor (Adalberto de Carvalho), no Teatro Americano. No ano seguinte trabalhou nas óperas Tosca, de Giacomo Puccini (1858 1924) e Aida, de Giuseppe Verdi (1813—1901), no Teatro Lírico, e em Carmen, no Teatro São Pedro.

Fundou nova companhia com a cantora Carmen Dora, em 1923, para excursionar pelo Brasil; nos anos seguintes continuou a percorrer o país de ponta a ponta. Gravou também vários discos, que lhe deram grande popularidade, entre eles Urubu subiu, em duo com Bahiano, para o Carnaval de 1917; Hino Nacional Brasileiro (Francisco Manuel da Silva e Osório Duque Estrada), em 1918; e O cigano (Marcelo Tupinambá e João do Sul), em 1924.

Na Odeon, já no processo elétrico, de abril de 1928 a outubro de 1930 lançou 19 discos com 35 músicas, alcançando sucesso com Santa (Freire Júnior), em 1928, e o tango-canção Nênias (Cândido das Neves, apelidado de Índio), 1929, entre outras.

Em 1932 passou para a Columbia, gravando no primeiro disco o tango-canção Noite cheia de estrelas (Cândido das Neves), que deu novo impulso a sua carreira discográfica. No ano seguinte, casou se com a cantora e atriz Gilda de Abreu.

Em 1933 Vicente Celestino trabalhava com Gilda de Abreu no Teatro Recreio do Rio de Janeiro, com quem casou cinco meses após a estreia da opereta "A canção brasileira", de Luís Iglésias, Miguel Santos e Henrique Vogeler e passaram a trabalhar em estreita colaboração.

Em 1935 começou a gravar na RCA Victor, obtendo dois êxitos já no primeiro disco: os tangos-canções Ouvindo-te (sua autoria), em duo com Gilda, e Rasguei o teu retrato (Índio). A partir desse momento, começou a se projetar tambem como compositor de grandes sucessos, como, por exemplo, O ébrio, 1936, Coração materno, 1937, Patativa, 1937, Sangue e areia (com Mário Rossi), 1941, Porta aberta, 1946.

Em 1937 interpretou, com Gilda, a ópera Lucia di Lammermoor, de Gaetano Donizetti (1797—1848), no Teatro São Pedro. Transformou a canção O ébrio em peça de teatro, com estréia no Teatro Carlos Gomes, em 1941, e sempre encenada em suas excursões; fez o mesmo com Coração materno, opereta estreada em 1946 no Teatro João Caetano. Ambas foram filmadas por Gilda de Abreu, respectivamente em 1946 e 1951, com ele nos papéis principais, alcançando grande sucesso de público.

Com sua poderosa voz de tenor, cantou tambem músicas modernas, como o samba Se todos fossem iguais a você (Tom Jobim e Vinícius de Moraes), em 1959, mantendo-se sempre fiel a seu estilo. Em 1965 recebeu o titulo de Cidadão Paulistano da Câmara dos Vereadores. Passou também a ser conhecido por um público mais jovem em 1968, quando Caetano Veloso gravou Coração materno (foto ao lado: Vicente Celestino e sua mulher, Gilda de Abreu, ladeiam Chiquinha Gonzaga. À direita, Viriato Correia).

Preparando-se para gravar um programa de televisão em que seria homenageado pelos componentes do Movimento Tropicalista, sentiu-se mal no quarto do hotel Normandie, em São Paulo, morrendo minutos depois do coração. No total, em todas as gravadoras, desde a fase mecânica, lançou cerca de 137 discos em 78 rpm com 265 musicas, mais dez compactos e 31 LPs, vários destes com relançamentos.

A Voz orgulho do Brasil

Possuidor de voz extraordinária, era chamado diariamente para cantar em festas de Igrejas, em reuniões sociais e em clubes. Nada recebia em troca, além de elogios, aplausos e lanche. Assim, pouco a pouco o jovem Celestino se tornava famoso no bairro e arredores.

No seu repertório já constavam trechos de óperas, valsas, canções, música sacra etc. Com sua voz possante e bela, as canções ganhavam nova roupagem devido a sua interpretação. Era ovacionado por todos os que o ouviam. Assistia a todas as companhias líricas que visitavam o Brasil, tendo como ídolo Enrico Caruso.

Aos dezoito anos começou a cantar nos chamados "Chopes" da época e, aos vinte anos, estreava profissionalmente no Teatro São José, onde levou a platéia ao delírio cantando a famosa cancão "Flor do Mal", que foi também a sua primeira gravação, em 1916, quando ganhou, por milhares de discos vendidos, a importância de dez mil réis.

O povo adorava aquele moço simpático e simples que se dava por inteiro quando cantava. Vicente Celestino cantava com a alma e o coração, sem economizar o que Deus lhe deu: sua voz preciosa. Os jovens que aplaudiam o cantor ensinaram a seus filhos e, depois, aos seus netos a gostar daquele que, orgulhosamente, cantou para quatro gerações.

Vicente estrelou dois filmes: "O Ébrio" e "Coração Materno". Um grande empresário da época, Walter Mochi, ao ouvi-lo, quis levá-lo para a Europa, a fim de projetar Vicente como um dos maiores tenores dramáticos do mundo. Mas Vicente não concordou e disse que jamais deixaria o Brasil, sua Pátria, declinando, assim, do honroso convite. Queria cantar para o seu povo. Poucos teriam resistido à tentação.

Vicente Celestino era um homem feliz. Cantou durante 65 anos sem parar. Era uma autêntica glória nacional. Foi cognominado "A voz orgulho do Brasil': e bem mereceu o título. Compôs várias cancões de grande sucesso: "O Ébrio", "Coração Materno", "Patativa", "Serenata", "Ouvindo-te" e inúmeras outras. Deu ao Brasil a sua voz, a sua alma e todo o seu amor de brasileiro. Recebeu muitas homenagens em vida e durante 33 anos foi contratado pela RCA-Victor, onde gravou centenas de discos.

Antonio Vicente Felippe Celestino (Vicente Celestino) estava cantando para a quarta geração e a última vez que se apresentou foi para uma pequena platéia de 200 pessoas, durante um ensaio em São Paulo, na triste tarde de 23 de agosto de 1968, onde artistas, músicos, cantores ensaiavam para um "show" que seria gravado às 23 horas. Cantou naquele ensaio (dito pelos colegas), talvez como nunca tenha cantado antes, a cancão "Mande uma Flor de Saudade" com letra de M. Ghiaroni e música de sua autoria. Mas aquele havia sido o Canto do Cisne da mais aplaudida e incompreendida voz do cancioneiro brasileiro. E, assim, às 22:30 horas daquela noite calou-se para sempre "A voz orgulho do Brasil".

Algumas músicas















Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha - São Paulo, 1998; www.vivabrazil.com/vcelestino.htm.

domingo, abril 02, 2006

Na casa branca da serra

Segundo Almirante "se há uma modinha que se possa considerar tradicional no Brasil, esta é chamada “Na Casa Branca da Serra”, da autoria de Miguel Emílio Pestana, com versos de Guimarães Passos. Há dezenas de anos que “Na Casa Branca da Serra” tem sido ao mesmo tempo do repertório dos seresteiros de rua como das mais graciosas senhoritas nos elegantes saraus, já em desuso" (O Pessoal da Velha Guarda, 14-12-1950).

Na Casa Branca da Serra (modinha, 1880) - Guimarães Passos e Miguel E. Pestana

Interpretação de Mário Pinheiro em disco Odeon lançado em 1904:

Disco selo: Odeon Record / Título da música: A Casa Branca / Guimarães Passos (Compositor) / Miguel Emídio Pestana (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 40139 / Nº da Matriz: Rx-2 / Lançamento: 1904 / Gênero musical: Modinha / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Interpretação de Vicente Celestino em disco RCA Victor lançado em 1961:

Disco 78 rpm / Título da música: Casa Branca da Serra / Guimarães Passos (Compositor) / Miguel Emídio Pestana (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Nº do Álbum: 80-2295-a / Nº da Matriz: M2CAB-1170 / Gravação: 10/Janeiro/1961 / Lançamento: Fevereiro 1961 / Gênero musical: Valsa canção



---C --------G7--------- C -
Na casa branca da serra
Dm--------------------- C-- C#º
Onde eu ficava horas intei-ras
Bbº----------------- F7M-- F#º
Entre as esbeltas palmei- ras
G7--------------C ---C7
Ficaste calma e feliz
--F7M------------F#º------ C-- C#º
Tudo em meu peito me des- te
---Dm -----------------C-- C#º
Quando eu pisei na tua ter- ra
------F7M---- F#º-------- C--- C#º
Depois de mim te esqueces- te
------G7--------- G/B ----C-- C#º- Dm- G7
Quando eu deixei teu país.

---C---------- G7-------- C--
Nunca te visse oh! formo-sa
----Dm ---------C --C#º
Nunca contigo falas- se
------Bbº---- -------- F7M-- F#º
Antes nunca te encontras- se
----G7------------- C---- C7
Na minha vida enganosa
----F7M------------ F#º-- C-- C#º
Por que não se abriu a ter- ra
---Dm--------- ---------- C-- C#º
Por que os céus não me puni- ram
------F7M ------------F#º-- C-- C#º
Quando os meus olhos te vi- ram
---G7-------- G/B------ C ----C#º Dm G7
Na casa branca da serra.

(Instrumental)

-----C------ G7--- C--
Embora tudo bendi-go
----Dm---------- C-- C#º
Desta ditosa lembran- ça
Bbº------------------ F7M- F#º
Que sem me dar esperan- ça
---G7----------------- C---- C7
De unir-me ainda contigo
------F7M ----F#º--- C-- C#º
Bendigo a casa da ser- ra
------Dm----- ------- C--- C#º
Bendigo as horas faguei- ras
----F7M -------F#º----- C-- C#º
Bendigo as belas palmei- ras
------G7 -----G/B--- C----- C#º Dm G7 C
Queridas da tua terra.


Fontes: Instituto Moreira Salles; Discografia Brasileira.