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segunda-feira, janeiro 21, 2019

Frevo

O frevo é uma dança surgida em Recife (PE) a partir dos últimos anos do séc. XIX, com a progressiva multiplicação das síncopas e do gingado rítmico das músicas de bandas militares, a fim de propiciar desarticulações de corpo dos capoeiras, que exibiam sua agilidade, abrindo os desfiles militares, com passos improvisados ao som das marchas e dobrados.

Segundo Renato Almeida, citando Mário Melo, surgiu da polca-marcha e teve sua linha divisória estabelecida pelo capitão José Lourenço da Silva (Zuzinha), ensaiador das bandas da brigada militar de Pernambuco.

A marcha tem um ritmo frenético e contagiante, que lhe confere o caráter de uma dança de multidão. Seu compasso é binário e o andamento, semelhante à marcha carioca, mas o ritmo é tudo.

Ainda conforme Renato Almeida, divide-se em duas partes e seus motivos se apresentam sempre em diálogos de trombones e pistons com clarinetas e saxofones. O grande interesse está na sua coreografia, individual, improvisada: os dançarinos raramente repetem um gesto ou atitude, mantendo sempre uma feição pessoal e instintiva de improvisação - o passo - originado no gingar dos antigos capoeiras. O passo, vindo a ser feita com a ajuda rítmica de velhas sombrinhas e guarda-chuvas, dava à massa dos dançarinos que evoluíam pelas ruas apertadas uma impressão visual de fervura, o que originaria a palavra frevo, como deverbal de frever, por ferver.

Posteriormente a 1917, conforme Pereira da Costa, o frevo foi introduzido nos salões, nos clubes carnavalescos; aí, com freqüência os pares se desfazem em roda e, no centro, os dançarinos exibem seus passos individualmente.

Tipos de frevo

Na década de 30, surge a divisão do frevo em três tipos:

Pierre Verger - Frevo, Recife -1947.
Frevo de rua: É exclusivamente instrumental, sem letra. É tocado por orquestra instrumental, sem adição de nenhuma voz cancionando, feito unicamente para se dançar. Este estilo tem as modalidades de frevo de abafo (predominância de instrumentos de metal, com a finalidade de abafar o som da orquestra rival), frevo coqueiro (com notas agudas, curtas e andamento rápido. Uma variante do frevo de abafo), frevo ventania (semicolcheias, com linha melódica bem movimentada) e frevo de salão (um misto dos três outros tipos que, como o nome já diz, é próprio para o ambiente dos salões).

Conta-se ainda que a "Marcha Pernambucana" como era conhecida inicialmente nasceu do costume das bandas militares acompanharem os blocos de rua. O brabo, que puxava o povo, era treinado com passos de capoeira. Para acompanhar os passos da capoeira, as orquestras militares tocavam um ritmo mais rápido e dançante. Esta marcha pernambucana, depois de já ter sido chamada de marcha-frevo, evoluiu para o que conhecemos como frevo de rua.

Frevo-canção: É derivado da ária (composição musical escrita para um cantor solista), tem uma introdução orquestral e andamento melódico, típico dos frevos de rua. É seqüenciado por uma introdução forte de frevo, seguida de uma canção, concluindo novamente com frevo.

São vários os seus intérpretes. Os mais conhecidos são: Alceu Valença, Claudionor Germano entre outros grandes nomes. Entre os compositores de frevo-canção destacam-se: Capiba, Nelson Ferreira, J. Michilles, Alceu Valença, etc.

O frevo-canção foi tido como uma concessão provocada, segundo o jornalista Ruy Duarte. Em 1931, os compositores pernambucanos Raul e João Valença (Irmãos Valença), enviaram para a RCA, no Rio de Janeiro, seu frevo-canção com o estribilho "O teu cabelo não nega mulata...", o compositor carioca Lamartine Babo transformou-o em marchinha carnavalesca que venceu o carnaval de 1932, sob o nome de "O teu cabelo não nega". Os editores da música no Rio de Janeiro foram processados na justiça pelos Irmãos Valença e no selo do disco passou a constar: "Marcha - Motivos do norte - Arranjo de Lamartine Babo".

Os pernambucanos reagiram ao que os cariocas faziam com suas músicas e lhes mandavam de volta, e decidiram enviar ao Rio um maestro pernambucano para ensinar aos músicos cariocas como deveriam usar a matéria prima musical que seria logo transformada em produto industrial sob a forma de disco. Fervorosos do frevo do Recife pressentiram o perigo dessa concessão cultural.

Existiam os amantes do frevo ortodoxo que eram ligados a clubes carnavalescos tradicionais como o Vassourinhas, e que incorporaram o frevo-canção sob forma de marcha-regresso, um frevo lamentoso cantado nas madrugadas pelos passistas cansados quando voltavam para casa, como o belíssimo: "Se essa rua fosse minha / eu mandava ladrilhar / com pedrinhas de brilhante / para o meu amor passar...".

E foi um frevo-canção lamentoso, também chamado de frevo de bloco, que devolveu aos cariocas a invasão que fizeram no Recife com O teu cabelo não nega, quando em 1957 o maior sucesso no Rio de Janeiro foi o frevo-canção Evocação nr.1, de Nelson Ferreira.

Frevo de bloco: É executado por Orquestras de Pau e Corda. Suas letras e melodias, muitas vezes interpretadas por corais femininos, geralmente trazem um misto de saudade e evocação. Sua origem vem das serenatas no início do presente século. Sua orquestra é composta de Pau e Corda: violões, banjos, cavaquinhos, bandolins, violinos, além de instrumento de sopro e percussão. Nas últimas três décadas observou-se a introdução de clarinete, seguida da parte coral integrada por mulheres. É chamado pelos compositores mais tradicionais de "marcha de bloco". Frevos de bloco famosos: Valores do Passado de Edgar Moraes, Marcha da Folia de Raul Moraes, Relembrando o Passado de João Santiago, Saudade dos Irmãos Valença, entre outros.

O Frevo de Bloco é a música das agremiações tradicionalmente denominadas "Blocos Carnavalescos Mistos". Seu aparecimento no carnaval de Pernambuco faz alusão a um dado histórico e sociológico: o início da efetiva participação da mulher, principalmente da classe média, na folia de rua do Recife, nas primeiras décadas do século XX.

Há uma tendência atualmente de se adotar a denominação "Blocos Carnavalescos Líricos", que foi inscrita pela primeira vez no flabelo do bloco Cordas e Retalhos, fundado em 1998. Segundo Leonardo Dantas, no frevo de bloco está "a melhor parte da poesia do carnaval pernambucano" (1998).

Entre os compositores de frevo de bloco mais importantes estão os irmãos Raul Moraes (1891-1937) e Edgard Moraes (1904-1973), João Santiago (1928-1985), Luiz Faustino (1916-1984), Romero Amorim (1937-), Bráulio de Castro (1942-), Fátima de Castro, Cláudio Almeida (1950-) e Getúlio Cavalcanti (1942-).

Frevo em frente a Igreja do Carmo, Olinda, Pernambuco.
Tomando o país

De instrumental, o gênero ganhou letra no frevo canção e saiu do âmbito pernambucano para tomar o país. Basta dizer que O teu cabelo não nega , de 1932, considerada a composição que fixou o estilo da marchinha carnavalesca carioca, é na verdade uma adaptação do compositor Lamartine Babo do frevo Mulata, dos pernambucanos Irmãos Valença. A primeira gravação com o nome do gênero foi o Frevo Pernambucano (Luperce Miranda e Osvaldo Santiago) lançada por Francisco Alves no final de 1930. Um ano depois, Vamo se acabá, de Nelson Ferreira pela Orquestra Guanabara recebia a classificação de frevo. Dois anos antes, ainda com o codinome de "marcha nortista", saía do forno o pioneiro Não Puxa Maroca (Nelson Ferreira) pela orquestra Victor Brasileira comandada por Pixinguinha.

Ases da era de ouro do rádio como Almirante (numa adaptação do clássico Vassourinhas), Mário Reis (É de Amargar, de Capiba), Carlos Galhardo (Morena da Sapucaia, O Teu Lencinho, Vamos Cair no Frevo), Linda Batista (Criado com Vó), Nelson Gonçalves (Quando é Noite de Lua), Ciro Monteiro (Linda Flor da Madrugada), Dircinha Batista (Não é Vantagem), Gilberto Alves (Não Sou Eu Que Caio Lá, Não Faltava Mais Nada, Feitiço), Carmélia Alves (É de Maroca) incorporaram frevos a seus repertórios. Em 1950, inspirados na energia do frevo pernambucano, a bordo de uma pequena fobica, dedilhando um cepo de madeira eletrificado, os músicos Dodô & Osmar fincavam as bases do trio elétrico baiano que se tornaria conhecido em todo o país a partir de 1979, quando Caetano Veloso documentou o fenômeno em seu Atrás do Trio Elétrico.


Invasão no carnaval

Em 1957, o frevo Evocação No. 1, de Nelson Ferreira, gravado pelo Bloco Batutas de São José (o chamado frevo de bloco) invadiria o carnaval carioca derrotando a marchinha e o samba. O lançamento era da gravadora local, Mocambo, que se destacaria no registro de inúmeros frevos e em especial a obra de seus dois maiores compositores, Nelson (Heráclito Alves) Ferreira (1902-1976) e Capiba (Lourenço da Fonseca Barbosa, 1904-1997). Além de prosseguir até o número 7 da série Evocação, Nelson Ferreira teve êxitos como o frevo Veneza Brasileira, gravado pela sambista Aracy de Almeida e outros como No Passo, Carnaval da Vitória, Dedé, O Dia Vem Raiando, Borboleta Não É Ave, Frevo da Saudade. A exemplo de Nelson, Capiba também teve sucessos em outros estilos como o clássico samba canção Maria Bethânia gravado por Nelson Gonçalves em 1943, que inspiraria o nome da cantora. Depois do referido É de Amargar, de 1934, primeiro lugar no concurso do Diário de Pernambuco, Capiba emplacou Manda embora essa tristeza (Aracy de Almeida, 1936), e vários outros frevos que seriam regravados pelas gerações seguintes como De chapéu de sol aberto, Tenho uma coisa pra lhe dizer, Quem vai pra farol é o bonde de Olinda, Linda flor da madrugada, A pisada é essa, Gosto de te ver cantando.

Passista mirim dança frevo no Recife antigo
Cantores como Claudionor Germano e Expedito Baracho se transformariam em especialistas no ramo. Um dos principais autores do samba-canção de fossa, Antônio Maria (Araújo de Morais, 1921-1964) não negou suas origens pernambucanas na série de frevos (do número 1 ao 3) que dedicou ao Recife natal. O gênero esfuziante sensibilizou mesmo a intimista bossa nova. De Tom Jobim e Vinicius de Moraes (Frevo) a Marcos e Paulo Sérgio Valle (Pelas ruas do Recife) e Edu Lobo (No Cordão da Saideira) todos investiram no (com)passo acelerado que também contagiou Gilberto Gil a municiar de guitarras seu Frevo Rasgado em plena erupção tropicalista.

A baiana Gal Costa misturou frevo, dobrado e tintura funk (do arranjador Lincoln Olivetti) num de seus maiores sucessos, Festa do Interior (Moraes Moreira e Abel Silva) e a safra nordestina posterior não deixou a sombrinha cair. O pernambucano Carlos Fernando, autor do explosivo Banho de Cheiro, sucesso da paraibana Elba Ramalho, organizou uma série de discos intitulada Asas da América a partir do começo dos 80. Botou uma seleção de estrelas para frevar: de Chico Buarque, Alcione, Lulu Santos e Gilberto Gil a Jackson do Pandeiro, Elba e Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Fagner e Alceu Valença. Entre os citados, Alceu, Zé e Geraldo mais o Quinteto Violado, Lenine, o armorial Antonio Nóbrega e autores como J. Michiles, mantêm no ponto de fervura o frevo pernambucano. Mesmo competindo com os decibéis – e o poder de sedução – do congênere baiano.

                    Frevo por Heitor dos Prazeres, sem data , óleo sobre tela  (MARGS).
Músicas

Vassourinhas (Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas) – Orquestra de Frevos do Recife; Valores do passado (Edgar Moraes) – Grupo Romançal; Mulata (Irmãos Valença) – Expedito Baracho; É de amargar (Capiba) – Claudionor Germano; Evocação no. 1 (Nelson Ferreira) – Bloco Batutas de São José; Oh! Julia / Casinha pequenina / Gosto de te ver cantando / Linda flor da madrugada (Capiba) – Claudionor Germano; Relembrando o Norte (Severino Araújo) – Orquestra Tabajara; Come e dorme (Nelson Ferreira) – Nelson Ferreira e sua Orquestra; Frevo no.1 do Recife (Antonio Maria ) – Maria Bethânia; Frevo (Tom Jobim/ Vinicius de Moraes) – Chico Buarque; No Cordão da Saideira (Edu Lobo) – Edu Lobo; Pelas ruas do Recife (Marcos e Paulo Valle) – Marcos Valle; Frevo rasgado (Gilberto Gil/ Bruno Ferreira) – Gilberto Gil; Atrás do Trio Elétrico (Caetano Veloso) – Caetano Veloso; Banho de cheiro (Carlos Fernando) – Elba Ramalho; Festa do interior (Moraes Moreira/ Abel Silva) – Gal Costa; Frevo mulher (Zé Ramalho) – Amelinha; Chego já (Alceu Valença) – Alceu Valença; Madeira que cupim não roi (Capiba) – Antonio Nóbrega; Me segura que senão eu caio (J. Michilles) – Alceu Valença; Realeza linda (Carlos Fernando/ Geraldo Azevedo) – Geraldo Azevedo; Bom danado (Luis Bandeira/ Ernani Seve) – Lenine.

Fontes: Cliquemusic (Tarik de Souza); Enciclopédia Nordeste - Frevo; Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora e PubliFolha.

quinta-feira, junho 27, 2013

Clóvis Mamede

Clóvis Mamede - 1936
Clóvis Mamede, maestro, compositor e arranjador (1909 Santa Cruz do Rio Pardo, SP - circa 1990 Pernambuco), foi requisitado na música tradicional pernambucana, especialmente o frevo e marchas de carnaval.

Integrava, em 1936, o conjunto moderno da Rádio Record de São Paulo, como solista de piston.

Autor da clássicos como Na onda do frevo e Sonhei que estava em Pernambuco. Esta última foi inicialmente gravada em 1949 pelo próprio, com acompanhamento de sua orquestra e, posteriormente,  recebeu releituras de grandes nomes da música popular brasileira, como Alceu Valença, Lenine e Antônio Nóbrega.

Ainda em 1949, a cantora Carmen Costa já havia regravado esse frevo, pela gravadora Star. Já Na onda do frevo, também com o acompanhamento de sua orquestra,  foi gravada por Homero Marques.

Em 1951, o grupo Demônios da Garoa gravou as suas músicas Tenho razão para chorar (c/ José Roy e Gentil Castro) e Pobre colombina (c/ Maugéri Neto e Maugéri Sobrinho). No mesmo ano, a cantora Esterzinha de Souza gravou a sua marcha Galã de morte (c/ Borges Barros).

Compôs choros ao lado de Gilberto Gagliardi e Domingos Namone.  A orquestra sob sua direção fez gravações de músicas como Cabrocha Beatriz, de Homero Marques.

Playlist





Obra


Batuque de São João (c/ Capitão Furtado), Na onda do frevo, Pobre colombina (c/ Maugéri Neto e Maugéri Sobrinho), Princesa Isabel (c/ Capitão Furtado), Sonhei que estava em Pernambuco, Tenho razão para chorar (c/ José Roy e Gentil Castro).

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Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Revista "O Malho", de 20/08/1936.

sábado, junho 15, 2013

Aguinaldo

Aguinaldo (Aguinaldo Batista), compositor, ator e comediante, nasceu em Palmares, PE, em 03/03/1930, e faleceu em Recife, PE, em 23/8/1990. Ainda pequeno, mudou-se para viver na capital, onde cresceu no bairro de São José, historicamente, o berço do carnaval de rua do Recife.

Antes de encarar o brilho do mundo artístico, foi bicheiro, barbeiro, caixa de loja e vendedor de títulos de capitalização.

Na década de 1950 ingressou na Rádio Tamandaré no Recife e atuou como comediante ao lado de um elenco de prestígio, já famoso na época, como Aldemar Paiva, Rosa Maria, Djalma Torres, Luiz Queiroga, Mercedes Del Prado, Cezar Brasil, entre alguns outros.

Procurando não se intimidar entre os colegas famosos, criou um personagem que se popularizou por todo o Estado, o "Azarildo", que o colocou de imediato, na categoria dos bons comediantes.

No início da década de 60 foi contratado pela TV Rádio Clube e, algum tempo depois, veio o convite para atuar na TV Jornal do Commercio, como ator e produtor, participando, nessas emissoras, de suas grandes promoções, nos programas, os mais populares.

Paralelamente a esta atividade, foi letrista e compositor de diversas criações carnavalescas, algumas de sucesso.

Nessa atividade, teve como parceiros, nomes como o de Luiz Gonzaga e Genival Lacerda.

Trabalhou ainda, no sul do País, nas TVs Tupy, Record e Excelsior e atuou como ator em vários filmes, como Terra sem Deus, A Compadecida, da obra de Ariano Suassuna; A Vingança dos 12, O Cangaceiro do Vale da Morte, A Pele do Bicho, entre outros.

Veio a falecer no Recife, no dia 23 de agosto de 1990.

Algumas de suas obras musicais


Tadinha da Maroca, polca, 1963; Eu sou de você, frevo-canção, 1963; Títulos matrimoniais, frevo-canção, 1964; Tela de saudade no. 2, frevo-canção, 1974; Calorzinho de lascar, frevo-canção, 1980; Frevo do beijoqueiro, frevo-canção e Xote ecológico, 1989.
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Fonte: Enciclopédia do Nordeste.

quinta-feira, maio 23, 2013

Sebastião Lopes

Sebastião Lopes (Sebastião Odilon Lopes de Albuquerque), compositor e cantor, nasceu em Goiana, PE, em 01/01/1905, e faleceu em Recife, PE, em 19/12/1974. Destacou-se como compositor de frevos sendo considerado um dos grandes nomes do carnaval pernambucano.

Mudou-se para Recife na década de 1930, quando começou a carreira artística como cantor na Rádio Clube de Pernambuco.

Nesse período, começou também a compor e, como tal, consagraria sucessos como o frevo-canção Tô sentindo uma coisa, gravada em 1954 por Nelson Gonçalves na RCA Victor, Italiana, lançada também pelo mesmo cantor no ano seguinte, e Me dá um cheirinho, esta última, gravada por Jackson do Pandeiro em 1956. Nesse ano, gravou, pela gravadora pernambucana Mocambo o maracatu Cruz do patrão, de sua autoria, e Bumba-meu-boi, parceria com Ascenso Ferreira.

Em 1957, o frevo-canção Vegetariano foi gravado por José Orlando. No mesmo ano a dupla Céu e Mar gravou a marcha Pisei na fogueira, e Nerize Paiva gravou o frevo- canção Operação Macaco, parcerias com Nelson Ferreira.

Em 1958, Claudionor Germano gravou, também pela Mocambo, o frevo- canção Caiu a sopa no mel, parceria com Nelson Ferreira e Aldemar Paiva. Ainda no mesmo ano, o trio Os Três Boêmios gravou o coco Tirador de improviso, também com Nelson Ferreira.

Em 1962, Evaldo França gravou o frevo-canção Mesmo que queijo e a Turma dos frevolentos gravou o frevo-canção O amor vem da sorte e o maracatu Dona santa, enquanto Bianor Batista lançou o frevo-canção Chegou o Biu das moças, parceria com Nelson Ferreira.

Em 1964, Francisco de Assis gravou o frevo-canção Mariana. Seus maiores sucessos foram Operação Macaco, com Nelson Ferreira, Qual é o pó, Caiu a sopa no mel, com Nelson Ferreira, Mesmo que queijo, Olhe o dedinho, Mariana e Quem morre de véspera é peru.

Suas obras foram quase que exclusivamente dedicadas ao carnaval pernambucano, somando frevos-canções, maracatus, marchas, cocos e frevos-de bloco, entre outros ritmos característicos daquela região.

Obras

Bumba meu boi (c/Ascenso Ferreira), Caiu a sopa no mel (c/ Nelson Ferreira), Chegou o Biu das moças (c/ Nelson Ferreira), Cruz do patrão, Dona santa, Italiana, Mariana, Me dá um cheirinho, Mesmo que queijo, O amor vem da sorte, Olhe o dedinho, Operação Macaco (c/ Nelson Ferreira), Pisei na fogueira, Qual é o pó, Quem morre de véspera é peru, Tirador de improviso (c/ Nelson Ferreira), Tô sentindo uma coisa, Vegetariano.

Discografia

(1956) Cruz do patrão/Bumba meu boi • Mocambo • 78

Fontes: Enciclopédia Nordeste; Dicionário Cravo Albin da MPB; Revista do Rádio;

sábado, maio 18, 2013

Raul Morais

Raul Morais (Raul Corumila de Morais), compositor, instrumentista e regente, nasceu no Recife, PE, em 2/2/1891, e faleceu na mesma cidade em 7/9/1937. Era irmão do professor e compositor Edgar Morais. Com 15 anos foi aluno dos professores Marcelino Cleto e João Bandeira. Estudou piano com Arthur Marques.

Ainda jovem começou a se apresentar em diversas casas noturnas do Recife, entre as quais, o Café Chic Juventude e Cine Teatro Helvética. Em 1910 passou a atuar como pianista da dupla de cançonetistas Os Geraldos, que naquele ano, realizaram excursão ao norte e ao sul do país.

Apresentou-se em Porto Alegre, tendo sido na ocasião convidado a ministrar aulas na Academia de Canto Musical daquela cidade. Viveu por dez anos na cidade de Porto Alegre. Em 1920, retornou ao Recife.

Compôs marchas de carnaval para inúmeros blocos da cidade, tendo participado de inúmeros festivais de música. Trabalhou na Rádio Clube de Pernambuco como maestro. Em 1927, sua canção Na praia, foi gravada na Odeon pelos Turunas da Mauricéia, com Augusto Calheiros no vocal.

Em 1930 Francisco Alves gravou as marchas Cruzes...figa prá você e Aguenta quem pode. No mesmo ano, teve mais dez composições gravadas. Paraguassu e Zilda Morais gravaram o samba Meu bem vem cá, e o maxixe Tá tudo se acabando. Elsie Houston gravou a modinha Por teu amor, por ti, Januário de Oliveira gravou as marchas Eu só gosto é de você e Regresso, e Januário de Oliveira e Elsie Houston gravaram a marcha Tá zangadinha?.

Teve ainda a canção Rosa do sul gravada por Paraguassu, a marchinha Eu só digo a você lançada por Ildefonso Norat, a canção O beijo, por Abigail Parecis, e o coco Lenhadô, por Stefana de Macedo.

Apresentou-se em diversos países, entre os quais, Argentina, Alemanha e Portugal. Entre suas composições estão marchas, valsas, hinos religiosos, foxes, dobrados e marchas patrióticas.

Em 1974, foi lançado o disco Edgar e Raul Morais, pela gravadora Rozenblit, de Pernambuco, onde aparecem algumas obras de sua autoria, entre as quais, Marcha da folia, Adeus pirilampos, Despedida e Batutas brejeiros, esta feita em homenagem ao Bloco Batutas da Boa Vista.

Um de seus maiores sucesso foi a marcha Regresso, que foi evocada por Nelson Ferreira no clássico frevo Evocação nº 1, que também homenageia seu nome, Raul Morais, antecedendo-lhe pelo adjetivo "Velho".

Em 1999 teve a sua Marcha da folia gravada por Antônio Nóbrega no CD Na pancada do ganzá.

Em 2008, teve a música Valores do passado, de sua autoria, gravada pelo cantor e compositor André Rio, no CD Cem Carnavais, lançado através de produção independente.

Obra

Adeus pirilampos, Aguenta quem pode, Batutas brejeiros, Cruzes... figa pra você, Despedida, Eu só digo a você, Eu só gosto é de você, Lenhadô, Marcha da folia, Meu bem vem cá, Na praia, O beijo, Por teu amor, por ti, Regresso, Rosa do sul, Tá tudo se acabando, Tá zangadinha?, Valores do passado.

Fontes: www.onordeste.com; Dicionário Cravo Albin da MPB.

sexta-feira, novembro 09, 2012

Clóvis Pereira

Clóvis Pereira (Clóvis Pereira dos Santos), compositor, arranjador, pianista e regente, nasceu em Caruaru, PE, em 14 de maio de 1932. É autor de frevos, caboclinhos e maracatus, além de obras para coro e orquestra e de peças para a orquestra sinfônica. Filho do clarinetista Luiz Gonzaga Pereira dos Santos, da Banda Musical Nova Enterpe, mudou-se para o Recife em 1950, iniciando o estudo de piano no Conservatório Pernambucano de Música. Estudou também na Escola de Belas Artes da UFPE, complementando a formação com o maestro Guerra Peixe, com quem estudou harmonia, composição e orquestração.

Em 1964, ingressou na Orquestra Sinfônica do Recife. No mesmo ano, foi convidado para atuar como professor de Teoria Musical e Harmonia nas Universidades Federais do Rio Grande do Norte e da Paraíba.

Viajou aos Estados Unidos, em 1974, como regente do Coral Universitário da Paraíba, Formou-se pela Berklee College of Music (Boston) em Harmonia Moderna e Orquestração.

Representou o Brasil com o Coral Universitário da Paraíba, no Fourth International Choir Festival, em 1974, nos Estados Unidos, apresentando-se no Lincoln Center, em Nova York, e no Kennedy Center, em Washington.

Em 1970, participou ativamente da criação do Movimento Armorial. A convite de Ariano Suassuna, compôs as primeiras obras representativas do movimento.

Em 1980, transferiu-se da Universidade Federal da Paraíba, para a de Pernambuco, a fim de lecionar nos cursos superiores de graduação em música.

Assumiu, em 1983, o cargo de Diretor-Superintendente do Conservatório Pernambucano de Música, onde permaneceu por quatro anos. Participou do Music School Administrators, a convite do governo dos Estados Unidos.

Em 2000, sob sua regência, a Orquestra Sinfônica do Recife executou seu poema sinfônico Terra Brasilis, composto em homenagem aos 500 anos do descobrimento do Brasil.

Algumas obras

Terno de pífanos (1954); Cantiga de roda (1956); Lamento e dança brasileira (1957); Luisinho no frevo (1968); Capiba no frevo (1969); Clovinho no frevo (1970); Aninha no frevo (1971); Três peças nordestinas (1971); Aveloz (1980); Grande missa nordestina; Cantata de Natal; Sete peças breves para piano (1990); Quarteto nº 1 para cordas (1991); Peça para orquestra sinfônica (1991); Rapsódia de ritmos pernambucanos; Velame para quinteto de cordas (1993); Concertino para violoncelo e orquestra de cordas em sol maior (dedicado a Antonio Meneses).

Discografia

1958 - Ritmos Alucinantes - Repertório - LP
1961 - Gostoso de dançar - Clóvis Pereira e Seu Conjunto - Caravelle - LP
1979 - Grande Missa Nordestina - Orquestra de Clóvis Pereira e Coral da UFPB - Marcus Pereira -LP

Participação em entidades culturais

- Membro da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea;
- Membro da Academia Pernambucana de Música (cadeira 8).

Prêmios e homenagens

- Medalha do Mérito Educacional - Governo do Estado de Pernambuco;
- Troféu Cultura Cidade do Recife;
- Medalha de Honra ao Mérito Dezoito de Maio - Câmara Municipal de Caruaru;
- Diploma Memória Viva do Recife;
- Verbete na enciclopédia Who's who in Music (oitava edição).

Fontes: Wikipédia; Revivendo Biografias.

quinta-feira, outubro 04, 2012

Felinho

Felinho (Félix Lins de Albuquerque), regente e flautista, nasceu em Bonito-PE em 14/12/1895, e faleceu em Recife-PE em 09/01/1980. Logo cedo iniciou os estudos de solfejo com João Archelau Lins de Albuquerque, seu tio paterno, que possuía sólidos conhecimentos musicais e exigia do sobrinho, que lesse música em todas as claves.

Teve, assim, um profundo ensinamento musical, tanto que, aos quinze anos de idade, tornou-se regente de bandas de música de várias cidades, como Catende, Ribeirão, Barreiros e sua própria cidade natal.

Com Antônio de Holanda, clarinetista que viveu muitos anos no Rio de Janeiro-RJ, aprendeu clarinete e trombone.

Trocando o interior pela capital, Felinho começou a tocar clarinete em cassinos e cinemas.

A partir da década de 1920, teve inicio suas constantes viagens ao interior do Estado, onde retomou sua função de regente de banda e, ao mesmo tempo, passou a lecionar música aos filhos dos usineiros.

Em 1932, foi trabalhar na PRA 8, Rádio clube de Pernambuco, onde chefiou um regional, o famoso regional do felinho e criou o Quarteto de Saxofones Ladário Teixeira, em homenagem ao saxofonista mineiro.

Paralelamene, integrava a Orquestra de Concertos e inaugurou, como flautista, a Orquestra Sinfônica de Recife-PE.

Em meio a tanta agitação profissional, nunca lhe faltou tempo para as mais belas composições, como os choros Amoroso, Apaixonado, A Vida é um Choro e as valsas Olhos que Mentem, Silêncio e Triste Consolo, dedicada àquela que era sua namorada na época e que, depois, tornou-se sua esposa.

As variações para clarinete, introduzidas por ele no frevo Vassourinhas, tornaram-no conhecido e admirado. Veio a falecer no Recife, no dia 9 de janeiro de 1980, deixando uma vasta obra musical.

Outras obras

Formigão, Formigueiro, Pretensioso, Meu Choro a São João, Contemplando, Venha para o Choro, seu Paiva, Sacrifício por Amor, A Saudade Vive Comigo, Soluços, Suave Tortura, Delírio de Amor, Triste Consolo, valsa, resgatada no LP "Compositores Pernambucanos no 1",  da FUNDAJ, em 1987.

Fonte: Enciclopédia Nordeste in "MPB - Compositores Pernambucanos - Coletânea - 1920-1995", Renato Phaelante da Câmara, Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massanga, 1997.

terça-feira, abril 03, 2012

O frevo estreando no Rio

Alguns componentes do Misto Vassourinhas, quando de sua primeira saída, em 1935.
Pelo fato de haver dito que o moleque Ricardo “quando ouvia na rua um clube passando, caía no frevo, instigado sem saber por quem”, José Lins do Rêgo não merece a láurea de vanguardeiro. Fez pouco para ser apontado como “um dos maiores colaboradores na luta pela implantação do frevo no Brasil inteiro”.

O confrade Salvyano Cavalcante de Paiva ao fazer tal afirmativa em fevereiro de 1963, no Correio da Manhã exagerou. No Rio de Janeiro, ou dizendo melhor, no Carnaval carioca, o frevo entrou com sua música vibrante e seu passo (“chã de barriguinha”, “tesoura”, “dobradiça”, etc.) por iniciativa de pernambucanos de condição humilde. Foram eles, salvo qualquer omissão involuntária: um alfaiate, um sargento do Exército, dois marinheiros, um motorista e alguns mais de igual nível social.

A primeira mostra foi feita no alto da Rua Jogo da Bola, n.° 173, no antigo bairro da Saúde. Data do evento: domingo, 23 de dezembro de 1934, quase um mês após a fundação do Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas, em 27 de novembro. Ali, numa modesta casa, presente um único representante da imprensa, o do Diário Carioca — já que os demais jornais, embora convidados por Henrique Bonfim e Edgard Wanderley, iniciadores do movimento, fizeram-se ausentes — o frevo iniciava sua entrada no Carnaval carioca.

Com a participação de vários elementos da colônia pernambucana assistindo ao ensaio inicial, o contramestre da banda do Batalhão de Guardas, sargento Jacinto de Carvalho, regia a execução das músicas. Os metais atuavam uníssonos empolgando e dando o ritmo a uns POUCOS passistas que mostravam suas habilidades no pouco espaço da sala.

Pioneiro, o alfaiate Bonfim

Depois de muitas viagens como embarcadiço, nas quais foi seu companheiro em quase todas elas o conterrâneo João de Assis, decidiu Henrique Bonfim fixar-se no Rio de Janeiro e voltar à profissão de alfaiate. Exímio dançarino, freqüentador de bailes, resolveu um dia, como recreativo, participar de uma prova de resistência realizada no Grêmio Arthur Bernardes, em julho de 1926.

No entanto, depois de 51 horas, quando podia prosseguir por mais tempo, a competição foi encerrada, levando-o a protestar contra a resolução. Passou, então, a cuidar da organização de um clube carnavalesco que segundo declaração sua ao matutino A Nação, em 1935, “lançasse no grande Carnaval carioca o frevo do Carnaval pernambucano”.

Assim, em meados de 1934, tendo como companheiros o citado João de Assis; Edgard Maurício Wanderley, sargento-músico do Exército; Abdias e Alexandre, marinheiros; Júlio Ferreira, motorista, e outros pernambucanos de modesta condição social, Bonfim começou a convocar a colônia para o empreendimento.

Com um bonito livro de ouro, buscou e teve o auxílio de figuras naturais de Pernambuco e que aqui estavam em evidência: Pedro Ernesto, João Alberto, Conde Pereira Carneiro, etc. Com essa diligência conseguia o primeiro numerário para a fundação do Misto Vassourinhas cujo título transportava para o nosso Carnaval o famoso clube do Recife de igual nome. Ativo, sentindo a necessidade de ter um vulto de bom conceito financeiro engajado no lançamento do frevo, atraiu o conterrâneo Victorino Rios. Este, empolgado pela idéia, aceitou ser figura de proa, deu-lhe o seu prestígio.

O frevo começa na Saúde

Fundado o Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas, na Rua Jogo da Bola, no famoso Bairro da Saúde, onde já havia dois ranchos (o Recreio das Flores e o Gualemadas) predominando no Carnaval carioca, dali descia triunfante para o asfalto da planície.

Antes, no dia 29 de janeiro de 1935, com Momo na iminência de começar seu reinado, a agremiação, por gentileza do Cordão dos Laranjas, também debutante na folia, levava a efeito seu segundo ensaio em homenagem a Pedro Ernesto, governador da cidade. No amplo salão da Avenida Rio Branco, esquina da Rua da Assembléia, onde o Cordão presidido por João Canali se instalara, o frevo com o maestro Garrafinha dirigindo a orquestra, o Bonfim executando manobras (evoluções) e os componentes do clube desengonçando-se no passo para executar a exótica coreografia da dobradinha, da tesoura e do chã de barriguinha, o frevo assentava bases no Carnaval em que imperam o samba e a marchinha.

Finalmente, em fevereiro de 1935, já no tríduo carnavalesco, na segunda-feira, o Misto Vassourinhas fazia sua passeata de estréia apresentando ao povo carioca o Carnaval típico de Pernambuco. Com uma banda de 35 figuras onde se destacavam 9 trombones e 4 pistons, precedida por numeroso grupo de passistas e tendo à frente seu bonito estandarte ladeado por dois balizas vestidos à Luiz XV, o clube deslumbrava e, principalmente, arrastava na sua marcha avassalante quantos estavam no caminho.

Sem corda protegendo os fantasiados integrantes do cortejo, como é comum nos desfiles do Recife e das principais cidades pernambucanas, a onda do frevo ia carregando numa massa compacta, que se dismilinguia no empolgamento agitado, porém rítmica, pernambucanos e cariocas. O frevo impunha-se triunfalmente no Carnaval carioca.

Depois do Vassourinhas outros mais

Vitoriosa a trasladação de uma modalidade típica dos folguedos do reinado de Momo em sua terra para a cidade onde se domiciliaram, outros pernambucanos, e o próprio Bonfim, que mais tarde fundou o Prato Misterioso, organizaram novos clubes.

Desse modo, excluindo-se o Bola de Ouro, que durou apenas quatro anos (1938 a 1942), apesar de sua existência brilhante levando o frevo a salões elegantes, presentemente temos na Guanabara seis conjuntos exibindo no Rio a característica do Carnaval de Pernambuco. Competindo entre eles, aliando-se a alegóricas demonstrações feitas pelos ranchos, escolas de samba e grandes sociedades, os grêmios que arregimentam a gente do leão do norte tornaram-se em expressiva atração do Carnaval carioca.

Assim, apesar da restrição feita pelo colega Salvyano, expert do assunto, afirmando em sua Teoria e Prática do Frevo que “até hoje o frevo que se toca e dança no Rio não é o verdadeiro frevo pernambucano”, ele aí está agradando (ou enganando) ao carioca. E desse modo ficou consagrada a iniciativa de Henrique Bonfim, Edgard Wanderley, João de Assis, Abdias, Alexandre, Julio Ferreira, Victorino Rios e seus companheiros.

O frevo que em 1934 soltou os primeiros acordes de suas marchas no alto da íngreme Rua Jogo da Bola convidando o carioca ao passo, continua marcando sua presença em nosso folguedo momesco. Através dos metais de suas bandas junta aos nossos sambinhas e marchinhas (agora tão pífios) as composições de Capiba, de Nelson Ferreira, dos irmãos Raul e João Valença e de outros que os seguem. E com isto nos ajuda a manter o galardão de “o melhor Carnaval do mundo”.

(O Jornal, 21/02/1965)
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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

segunda-feira, maio 02, 2011

Edgar Morais

Edgar Morais (Edgar Ramos de Morais), compositor, arranjador e instrumentista, nasceu em Recife PE, em 1/11/1904, e faleceu na mesma cidade, em 31/3/1973. Começou a estudar música, ainda menino, com o irmão mais velho, Raul Morais, formado em música na Alemanha e também compositor de Carnaval.

Em 1923, quando já tocava violão, fez suas primeiras composições para Carnaval e, tendo sido um dos grandes foliões de Recife, fundou diversos blocos locais como o Pirilampos, Jacarandá, Turunas de São José e Corações Futuristas.

Destacou-se no Carnaval de 1935 com Furacão no frevo, frevo de rua, e Caí no frevo, morena, frevo- canção, ambos gravados em disco Victor. Quando morreu seu irmão Raul Morais, em 1937, passou a estudar música sozinho e, em 1939, classificou-se em segundo lugar no Concurso Oficial de Músicas de Carnaval, em Recife, com o frevo de rua Saudades de mano.

Fez ainda dois frevos de rua — Pinga fogo e Tempo quente —, antes de trocar esse gênero pela marcha de bloco e deixar a orquestra de metais, que dirigia, para formar uma orquestra de pau-e-corda, composta de violões, cavaquinhos, banjos, bandolins, reco-reco, tarol e surdo, e um coral feminino, que cantava suas composições.

Compôs marchas de bloco para quase todos os blocos de Recife, chegando, num só ano, a escrever 12 marchas para 12 blocos diferentes, que competiram na passarela camnavalesca, cada um cantando música de sua autoria.

Foi campeão do Carnaval recifense durante vários anos, e, entre as composições que lhe deram o título, foram gravadas em discos, de etiquetas diversas (RCA Victor, Copacabana, Philips, Chantecler, Continental, Odeon, CBS e Mocambo), as seguintes marchas de bloco: A dor de uma saudade, de 1961; Valores do passado, de 1962; Pra você recordar, de 1967; Velhos Carnavais, de 1968, e Saudosos foliões, de 1973.

Conhecido como General de Cinco Estrelas da Folia, deixou uma produção de cerca de 300 composições, na maioria frevos e marchas. Um ano depois de sua morte, foi editado, na etiqueta Rozenblit, o LP Edgar e Raul Morais, contendo entre outras, sua última composição, Velhos tempos de criança.

Obras 

Caí no frevo, morena, frevo-canção, 1935; A dor de uma saudade, marcha de bloco, 1961; Furacão no frevo, frevo de rua, 1935; Saudosos foliões, marcha de bloco, 1973; Valores do passado, marcha de bloco, 1962; Velhos Carnavais, marcha de bloco, 1968.

domingo, março 06, 2011

Zumba

Zumba (José Gonçalves Júnior), instrumentista e compositor, nasceu em Timbaúba PE, em 9/10/1889, e faleceu na cidade de Recife PE, em 7/3/1974. Filho de comerciante, cresceu em ambiente musical, pois a mãe era pianista e a irmã tocava bandolim.

Começou a aprender música com a mãe e aos 14 anos passou a estudar com mestre Guinga, regente da Banda Independência, de Limoeiro PE. Aos 17 anos integrou a Banda Independência, tocando clarineta e compôs sua primeira música, o dobrado Antônio Neto.

Mais tarde foi mestre da Banda Independência, posto em que permaneceu por dez anos. Transferindo-se depois para Recife, atuou como saxofonista na orquestra de danças Andrelson, organizada pelo violinista João Andrade e pelo maestro Nelson Ferreira.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

José Menezes (2)

Maestro José Menezes
José Menezes (José Xavier Menezes), instrumentista, arranjador e compositor, nasceu em Nazaré da Mata, PE, em 12/4/1923. Filho e neto de músicos, recebeu da família grande incentivo para sua carreira. Aos 13 anos iniciou estudos musicais com o maestro José Alves Cantalice, na banda de Nazaré da Mata.

Mudou-se para Recife em 1943, onde trabalhou como saxofonista e clarinetista, durante seis anos, na Jazz Band Acadêmica, sob a direção de Pádua Valfrido.

Em 1949 foi convidado pelo maestro Nelson Ferreira para integrar a orquestra da Rádio Clube de Pernambuco, como saxofonista, clarinetista e arranjador, passando a regente quatro anos depois. A partir daí, profissionalizou-se e intensificou seus estudos com os professores Severino Revoredo, Clóvis Pereira e padre Jaime Dinis.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Marambá

Marambá (José Mariano da Fonseca Barbosa), compositor e instrumentista, nasceu em Surubim, PE, em 22/5/1896, e faleceu na cidade do Recife, PE, em 2/9/1968.Membro de uma família de músicos de banda conhecida como os Capibas, estudou música com o pai. 

Entre 1908 e 1910, com um de seus sete irmãos, Sebastião, tocou na banda do Ginásio Pernambucano, onde estudavam de graça por sua atuação musical.

Na juventude, integrou diversas bandas de música dirigidas pelo pai, nas cidades pernambucanas de Carpina, Limoeiro e Nazaré da Mata, e nos municípios paraibanos de Taperoá e Campina Grande. 

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Gildo Moreno

Gildo Moreno (Rotílio Antônio dos Santos), compositor e cantor, nasceu em Recife, PE, em 22/8/1916—. Despertou para a música ainda garoto, participando de festinhas, como cantor, no bairro onde cresceu.

Aos 22 anos de idade, ingressou na Rádio Clube de Pernambuco, participando também dos conjuntos Garotos da Luz e Jazz Acadêmico, ainda com o nome de Rotílio Santos.

Autodidata, sua primeira música gravada data de 1940, o frevo Comércio. Adotou então o nome artístico Gildo Moreno. Em 1945 teve dois frevos seus, Pitiguari e Eu vou cair no frevo, gravados pela Odeon, na voz de Gilberto Alves.

Em 1947 gravou com a Orquestra Fon-Fon o frevo-canção Você não pensou, em selo Odeon, que obteve muito sucesso. No Carnaval do ano seguinte, o cantor Deo lançou o frevo Sai palhaço, gravado pela Continental, e Carlos Galhardo gravou pela RCA Victor o frevo-canção Eu sou assim.

Em 1949, Carlos Galhardo gravou outro de seus sucessos, o frevo-canção Conhece Recife?, também pela RCA Victor.

Obra

Comércio, 1940; Conhece Recife?, frevo-canção, 1949; Eu quero aquilo, frevo-canção, 1977; Eu sou assim, frevo-canção, 1948; Eu vou cair no frevo, frevo, 1945; Pitiguari, frevo, 1945; Sai, palhaço, frevo, 1948; Show no Municipal, frevo-canção, 1964; Você não pensou, frevo, 1947.

Fonte: Enciclopédia da música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 2a. Edição - 1998.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Maestro Formiga

Ademir de Souza Araújo
Maestro Formiga (Ademir de Sousa Araújo), compositor, instrumentista, arranjador e regente, nasceu em Recife, PE, em 15/10/1942. Estudou com José Otávio dos Prazeres, José Gonçalves Lima e com os padres Jaime Dinis e René Maria.

Foi regente titular da Banda Municipal do Recife de 1970 a 1977. Na categoria de maracatu, suas composições foram campeãs do Carnaval, no concurso da prefeitura municipal de Recife, nos anos de 1965, 1967, 1968, 1971 e 1978.

Também em 1971 venceu o festival de frevos dos Diários Associados com o frevo-de-rua Alô Recife.

Compõe tanto no gênero popular (maracatu, frevos, sambas etc) como no erudito (estudos para piano, flauta, oboé, poemas sinfônicos etc).

Em 1975 compôs a Grande abertura Diário de Pernambuco, para orquestra sinfônica, banda militar e coro, executada em primeira audição em 7 de novembro desse ano, na Praça da Independência, Recife, por ocasião das comemorações dos 150 anos do mais antigo jornal da América Latina.

Criou, em 1976, e regeu a Orquestra Popular do Recife.

No Carnaval de 1980, com a Orquestra Popular e o cantor Claudionor Germano, participou do lançamento da Frevioca (orquestra volante de frevos criada pelo pesquisador Leonardo Dantas Silva), que se mantém até hoje nas ruas do Recife como principal rival dos trios elétricos.

Em 1982 foi convidado para produzir o disco Carnaval do Nordeste n.° 2, selo Mocambo, distribuído pela Sudene em vários países. Foi o vencedor do Frevança — Encontro Nacional do Frevo e do Maracatu, promovido pela Fundação de Cultura Cidade do Recife e Rede Globo Nordeste, com as seguintes composições: Águia de ouro, 1980; Formiga está de volta, 1981; Tonico está de volta, 1982; Maracatu indiano (c/Romero Amorim), 1982; Andréa no frevo, 1989.

Obra

Acorda, gente, frevo-de-rua, s.d.; Águia de Ouro, maracatu-rural, 1980; Aí vêm os palhaços, frevo-de- rua, s.d.; Alegria do Norte, maracatu, 1978; Alô, Recife, frevo-de-rua, s.d.; Andréa no frevo, frevo-de-rua, 1989; Dia de festa, maracatu, 1975; Dona Santa (c/José Amaro da Silva), maracatu, 1976; Formiga está de volta, frevo-de-rua, 1981; Grande abertura sinfônica, 1975; Maracatu indiano (c/Romero Amorim), maracatu, 1982; Prelúdio de maracatu, 1983; Regresso de maracatu, 1983; Tonico está de volta, frevo-de-rua, 1982. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 2a. Edição - 1998

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Levino Ferreira, o Mestre Vivo

Levino Ferreira (Levino Ferreira da Silva), compositor e instrumentista, nasceu em Bom Jardim, PE, em 2/12/1890, e faleceu no Recife, PE, em 9/1/1970. Criado em Bom Jardim, onde fez o curso primário, iniciou-se em música com Pompeu Ferreira, mestre da Banda Vinte e Dois de Setembro.

Aos oito anos de idade, já integrava a banda, tocando trompa, e logo aprendeu a executar outros instrumentos de sopro, começando também a compor.

Em 1910, conhecido na região como exímio instrumentista, transferiu-se para Queimadas (hoje Orobó PE), como mestre da banda local. Mais tarde regressou a Bom Jardim, desempenhando com grande sucesso as funções de mestre da Banda Vinte e Dois de Setembro, o que lhe valeu muitos convites para organizar e dirigir bandas em localidades vizinhas. Nesse período, compôs suas primeiras músicas carnavalescas, ainda sem as influências do frevo, que conheceria somente em 1919, em Recife PE.

Durante vários anos, até 1935, percorreu a região a cavalo, apresentando-se em festas e dirigindo bandas, entre as quais a Independência, da cidade de Limoeiro PE.

Por volta de 1930 sua música já era ouvida em Recife, onde suas valsas eram editadas pela Casa de Música Azevedo Júnior.

Em 1935 a Orquestra Odeon gravou seu frevo Satanás na onda, que venceu o concurso de frevos de Recife. A convite do compositor Zumba (José Gonçalves Júnior), transferiu-se então definitivamente para a capital pernambucana. Passou a ser conhecido como Mestre Vivo, e suas composições eram cantadas por todos os blocos e clubes carnavalescos da cidade. Para o Carnaval de 1937 a Orquestra Diabos do Céu gravou na Victor seu frevo Diabinho de saia.

Teve grande atuação nas rádios recifenses, participando de várias orquestras e bandas: na Grande Orquestra PRA-8, da Rádio Clube de Pernambuco, tocava clarineta, saxofone, trombone de vara e pistom. Como saxofonista e trompetista, integrou o conjunto Ladário Teixeira, criado pelo músico Felinho.

Em 1951 ingressou na Rádio Tamandaré, atuando como chefe de orquestras e conjuntos. Já perto da aposentadoria, foi convidado pelo maestro Vicente Fittipaldi para fazer parte da Orquestra Sinfônica de Recife, tornando-se famoso como solista de fagote.

Em 1964 recebeu diploma do 1 Congresso de Frevo, realizado em Volta Redonda RJ. Em promoção da prefeitura de Recife e da Empresa Metropolitana de Turismo, foi criado em 1970 o Troféu Levino Ferreira, destinado a homenagear os clubes sociais de Recife.

Em 1971 foi homenageado postumamente com a medalha do mérito Cidade de Recife. Compôs ainda valsas, dobrados, maracatus, choros e música sacra. Seu poema sinfônico Cavalo marinho foi executado na França e na Inglaterra.

Obra

Alegria de Pompéia, frevo, 1955; Amália no frevo, frevo, 1960; A cobra está fumando, frevo, 1945; Comendo fogo, frevo, 1959; Diabinho de saia, frevo, 1938; Diabo solto, frevo, 1937; Lágrima de folião, frevo, s.d.; Mexe com tudo, frevo, 1941; Não adianta chorar, frevo, s.d.; Papa fila, frevo, s.d.; Retalhos de saudade, frevo, s.d.; Satanás na onda, frevo, 1935; Última troça, frevo, 1961; Último dia, frevo, 1951; Vassourinhas está no Rio, frevo, 1950.

terça-feira, dezembro 21, 2010

Maestro Duda

Maestro Duda
Maestro Duda (José Ursicino da Silva),regente, compositor, arranjador e instrumentistas, nasceu em Goiana, PE, em 23/12/1935. Começou a estudar música aos oito anos com Alberto Aurélio de Carvalho, regente da Banda Saboeira, de Goiana.

Dois anos depois passou a integrar a banda e fez sua primeira composição, o frevo Furacão. Aos 15 anos foi para Recife PE integrar a Jazz Band Acadêmica, sendo também contratado para a Orquestra Paraguari, da Rádio Jornal do Comércio.

No ano seguinte teve pela primeira vez uma música de sua autoria gravada, o frevo Taradinho, interpretado pela Jazz Band Acadêmica, trazendo do outro lado Cigana mentirosa (Genival Macedo), pela Copacabana.

Em 1953, já como arranjador e regente da Orquestra Paraguari, teve seu maracatu Homenagem à princesa Isabel classificado em segundo lugar no Festival de Música Carnavalesca promovido pela câmara municipal do Recife. No mesmo ano assumiu o departamento de música da TV Jornal do Comércio, fazendo, em 1960, cursos de música sacra e regência na Escola de Artes da Universidade Federal de Pernambuco.

No ano seguinte musicou para o teatro Um americano no Recife, direção de Graça Melo, além de outras peças dirigidas por Lúcio Mauro e Wilson Valença.

A partir de 1962, passou a integrar a Orquestra Sinfônica do Recife, como oboísta e corne-inglês, e no ano seguinte formou sua própria orquestra de bailes.

Em 1967 foi para São Paulo SP, contratado pela TV Bandeirantes, retornando a Recife em 1970. Organizou em 1971 nova orquestra para bailes carnavalescos, com a qual realizou algumas gravações e, no mesmo ano, obteve a classificação máxima do Festival do Frevo realizado pela Rede Tupi, com o frevo de rua Quinho.

Sua orquestra foi escolhida várias vezes como a melhor do ano e em 1975 gravou, para a Rozenblit, um álbum com vários trevos, em homenagem ao Diário Pernambucano.

Também compôs choros, gravados por Severino Araújo e sua Orquestra, e Osmar Milani e sua Orquestra, além de sambas, gravados por Jamelão. Compôs ainda a série de trevos que denominou Familiar (1970), a Suíte 2001, para quinteto de sopro, a Suíte pernambucana de bolso, a Suíte nordestina, para banda e orquestra e O poema sinfônico, para metais, freqüentemente incluídos em repertórios de bandas de todo o país. 

Recebeu o prêmio de melhor arranjador de música popular brasileira, em 1980, em concurso promovido pela TV Globo, Shell e Associação Brasileira de Produtores de Discos. Suíte Nordestina abriu o concerto oficial da Semana da Pátria, no dia 7 de setembro de 1982, transmitido para todos os Estados do Brasil pela TV Educativa, executado pela Orquestra do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, e a Banda Sinfônica do Estado da Guanabara. 

Em 1985, representou o Brasil com sua orquestra na Feira das Nações, em Miami, Flórida, EUA. Na comemoração dos 138 anos do Teatro Santa Isabel, em Recife, em 1988, apresentou sua obra Música para metais nr. 2, com a participação do trompetista Charles Schlueter, da Orquestra Sinfônica de Boston (EUA). 

Durante vários anos consecutivos foi eleito o melhor arranjador de música do Nordeste. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Quando é noite de lua

Quando é noite de lua (frevo, 1945) - Capiba - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Quando é noite de lua / Lourenço da Fonseca Barbosa (Capiba) (Compositor) / Nelson Gonçalves (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Nº do Álbum: 800352 / Nº da Matriz: S-078300-1 / Data de Gravação: 02/10/1945 / Data de Lançamento: Dezembro/1945 / Lado A / Gênero musical: Frevo / Carnaval.



Quando é noite de lua
Lá no bairro onde moro
Vou pra rua cantando
Para alguém que tanto adoro

Eu pensei que esse alguém
Ao ouvir meu cantar
Vem sozinha a janela
Para de perto me olhar

Esse alguém de quem falo
Partiu o meu coração
Chega e sai da janela
Sem me dar explicação

Mas um dia hei de ter
Tudo isso acaba
Ela então nos meus braços
Para eu de novo cantar

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Não aguento mais

Não aguento mais (frevo-canção, 1944) - Capiba - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Não aguento mais / Lourenço da Fonseca Barbosa (Capiba) (Compositor) / Nelson Gonçalves (Intérprete) / Orquestra Zaccarias (Acomp.) / Gravadora RCA Victor / Número do Álbum: 800234 / Data de Gravação: 19/09/1944 / Data de Lançamento: 12/1944 / Lado: A / Gênero musical: Frevo-canção / Carnaval



Morena que vem de outras terras
Porque tu não entra no frevo
É bom demais
E se tem bate-bate a onda
Começa pra frente, pra trás
Quando chega meia-noite
Não aguento mais!

Morena que vem de outras terras
Porque tu não entra no frevo
É bom demais
E se tem bate-bate a onda
Começa pra frente, pra trás
Quando chega meia-noite
Não aguento mais!

Não aguento mais
Frevo assim é bom
Mas já é demais
Quem quiser que eu fique
Nesta confusão
Me segure, me segure
Senão eu vou ao chão!

Morena que vem de outras terras
Porque tu não entra no frevo
É bom demais
E se tem bate-bate a onda
Começa pra frente, pra trás
Quando chega meia-noite
Não aguento mais!

quarta-feira, setembro 08, 2010

O Frevo

O frevo é uma dança surgida em Recife (PE) a partir dos últimos anos do séc. XIX, com a progressiva multiplicação das síncopas e do gingado rítmico das músicas de bandas militares, a fim de propiciar desarticulações de corpo dos capoeiras, que exibiam sua agilidade, abrindo os desfiles militares, com passos improvisados ao som das marchas e dobrados.

Segundo Renato Almeida, citando Mário Melo, surgiu da polca-marcha e teve sua linha divisória estabelecida pelo capitão José Lourenço da Silva (Zuzinha), ensaiador das bandas da brigada militar de Pernambuco.

A marcha tem um ritmo frenético e contagiante, que lhe confere o caráter de uma dança de multidão. Seu compasso é binário e o andamento, semelhante à marcha carioca, mas o ritmo é tudo.

Ainda conforme Renato Almeida, divide-se em duas partes e seus motivos se apresentam sempre em diálogos de trombones e pistons com clarinetas e saxofones. O grande interesse está na sua coreografia, individual, improvisada: os dançarinos raramente repetem um gesto ou atitude, mantendo sempre uma feição pessoal e instintiva de improvisação - o passo - originado no gingar dos antigos capoeiras. O passo, vindo a ser feita com a ajuda rítmica de velhas sombrinhas e guarda-chuvas, dava à massa dos dançarinos que evoluíam pelas ruas apertadas uma impressão visual de fervura, o que originaria a palavra frevo, como deverbal de frever, por ferver.

Posteriormente a 1917, conforme Pereira da Costa, o frevo foi introduzido nos salões, nos clubes carnavalescos; aí, com freqüência os pares se desfazem em roda e, no centro, os dançarinos exibem seus passos individualmente.

Tipos de frevo

Na década de 30, surge a divisão do frevo em três tipos:

Pierre Verger - Frevo, Recife -1947.
Frevo de rua: É exclusivamente instrumental, sem letra. É tocado por orquestra instrumental, sem adição de nenhuma voz cancionando, feito unicamente para se dançar. Este estilo tem as modalidades de frevo de abafo (predominância de instrumentos de metal, com a finalidade de abafar o som da orquestra rival), frevo coqueiro (com notas agudas, curtas e andamento rápido. Uma variante do frevo de abafo), frevo ventania (semicolcheias, com linha melódica bem movimentada) e frevo de salão (um misto dos três outros tipos que, como o nome já diz, é próprio para o ambiente dos salões).

Conta-se ainda que a "Marcha Pernambucana" como era conhecida inicialmente nasceu do costume das bandas militares acompanharem os blocos de rua. O brabo, que puxava o povo, era treinado com passos de capoeira. Para acompanhar os passos da capoeira, as orquestras militares tocavam um ritmo mais rápido e dançante. Esta marcha pernambucana, depois de já ter sido chamada de marcha-frevo, evoluiu para o que conhecemos como frevo de rua.

Frevo-canção: É derivado da ária (composição musical escrita para um cantor solista), tem uma introdução orquestral e andamento melódico, típico dos frevos de rua. É seqüenciado por uma introdução forte de frevo, seguida de uma canção, concluindo novamente com frevo.

São vários os seus intérpretes. Os mais conhecidos são: Alceu Valença, Claudionor Germano entre outros grandes nomes. Entre os compositores de frevo-canção destacam-se: Capiba, Nelson Ferreira, J. Michilles, Alceu Valença, etc.

O frevo-canção foi tido como uma concessão provocada, segundo o jornalista Ruy Duarte. Em 1931, os compositores pernambucanos Raul e João Valença (Irmãos Valença), enviaram para a RCA, no Rio de Janeiro, seu frevo-canção com o estribilho "O teu cabelo não nega mulata...", o compositor carioca Lamartine Babo transformou-o em marchinha carnavalesca que venceu o carnaval de 1932, sob o nome de "O teu cabelo não nega". Os editores da música no Rio de Janeiro foram processados na justiça pelos Irmãos Valença e no selo do disco passou a constar: "Marcha - Motivos do norte - Arranjo de Lamartine Babo".

Os pernambucanos reagiram ao que os cariocas faziam com suas músicas e lhes mandavam de volta, e decidiram enviar ao Rio um maestro pernambucano para ensinar aos músicos cariocas como deveriam usar a matéria prima musical que seria logo transformada em produto industrial sob a forma de disco. Fervorosos do frevo do Recife pressentiram o perigo dessa concessão cultural.

Existiam os amantes do frevo ortodoxo que eram ligados a clubes carnavalescos tradicionais como o Vassourinhas, e que incorporaram o frevo-canção sob forma de marcha-regresso, um frevo lamentoso cantado nas madrugadas pelos passistas cansados quando voltavam para casa, como o belíssimo: "Se essa rua fosse minha / eu mandava ladrilhar / com pedrinhas de brilhante / para o meu amor passar...".

E foi um frevo-canção lamentoso, também chamado de frevo de bloco, que devolveu aos cariocas a invasão que fizeram no Recife com O teu cabelo não nega, quando em 1957 o maior sucesso no Rio de Janeiro foi o frevo-canção Evocação nr.1, de Nelson Ferreira.

Frevo de bloco: É executado por Orquestras de Pau e Corda. Suas letras e melodias, muitas vezes interpretadas por corais femininos, geralmente trazem um misto de saudade e evocação. Sua origem vem das serenatas no início do presente século. Sua orquestra é composta de Pau e Corda: violões, banjos, cavaquinhos, bandolins, violinos, além de instrumento de sopro e percussão. Nas últimas três décadas observou-se a introdução de clarinete, seguida da parte coral integrada por mulheres. É chamado pelos compositores mais tradicionais de "marcha de bloco". Frevos de bloco famosos: Valores do Passado de Edgar Moraes, Marcha da Folia de Raul Moraes, Relembrando o Passado de João Santiago, Saudade dos Irmãos Valença, entre outros.

O Frevo de Bloco é a música das agremiações tradicionalmente denominadas "Blocos Carnavalescos Mistos". Seu aparecimento no carnaval de Pernambuco faz alusão a um dado histórico e sociológico: o início da efetiva participação da mulher, principalmente da classe média, na folia de rua do Recife, nas primeiras décadas do século XX.

Há uma tendência atualmente de se adotar a denominação "Blocos Carnavalescos Líricos", que foi inscrita pela primeira vez no flabelo do bloco Cordas e Retalhos, fundado em 1998. Segundo Leonardo Dantas, no frevo de bloco está "a melhor parte da poesia do carnaval pernambucano" (1998).

Entre os compositores de frevo de bloco mais importantes estão os irmãos Raul Moraes (1891-1937) e Edgard Moraes (1904-1973), João Santiago (1928-1985), Luiz Faustino (1916-1984), Romero Amorim (1937-), Bráulio de Castro (1942-), Fátima de Castro, Cláudio Almeida (1950-) e Getúlio Cavalcanti (1942-).

Frevo em frente a Igreja do Carmo, Olinda, Pernambuco.
Tomando o país

De instrumental, o gênero ganhou letra no frevo canção e saiu do âmbito pernambucano para tomar o país. Basta dizer que O teu cabelo não nega , de 1932, considerada a composição que fixou o estilo da marchinha carnavalesca carioca, é na verdade uma adaptação do compositor Lamartine Babo do frevo Mulata, dos pernambucanos Irmãos Valença. A primeira gravação com o nome do gênero foi o Frevo Pernambucano (Luperce Miranda e Osvaldo Santiago) lançada por Francisco Alves no final de 1930. Um ano depois, Vamo se acabá, de Nelson Ferreira pela Orquestra Guanabara recebia a classificação de frevo. Dois anos antes, ainda com o codinome de "marcha nortista", saía do forno o pioneiro Não Puxa Maroca (Nelson Ferreira) pela orquestra Victor Brasileira comandada por Pixinguinha.

Ases da era de ouro do rádio como Almirante (numa adaptação do clássico Vassourinhas), Mário Reis (É de Amargar, de Capiba), Carlos Galhardo (Morena da Sapucaia, O Teu Lencinho, Vamos Cair no Frevo), Linda Batista (Criado com Vó), Nelson Gonçalves (Quando é Noite de Lua), Ciro Monteiro (Linda Flor da Madrugada), Dircinha Batista (Não é Vantagem), Gilberto Alves (Não Sou Eu Que Caio Lá, Não Faltava Mais Nada, Feitiço), Carmélia Alves (É de Maroca) incorporaram frevos a seus repertórios. Em 1950, inspirados na energia do frevo pernambucano, a bordo de uma pequena fobica, dedilhando um cepo de madeira eletrificado, os músicos Dodô & Osmar fincavam as bases do trio elétrico baiano que se tornaria conhecido em todo o país a partir de 1979, quando Caetano Veloso documentou o fenômeno em seu Atrás do Trio Elétrico.


Invasão no carnaval

Em 1957, o frevo Evocação No. 1, de Nelson Ferreira, gravado pelo Bloco Batutas de São José (o chamado frevo de bloco) invadiria o carnaval carioca derrotando a marchinha e o samba. O lançamento era da gravadora local, Mocambo, que se destacaria no registro de inúmeros frevos e em especial a obra de seus dois maiores compositores, Nelson (Heráclito Alves) Ferreira (1902-1976) e Capiba (Lourenço da Fonseca Barbosa, 1904-1997). Além de prosseguir até o número 7 da série Evocação, Nelson Ferreira teve êxitos como o frevo Veneza Brasileira, gravado pela sambista Aracy de Almeida e outros como No Passo, Carnaval da Vitória, Dedé, O Dia Vem Raiando, Borboleta Não É Ave, Frevo da Saudade. A exemplo de Nelson, Capiba também teve sucessos em outros estilos como o clássico samba canção Maria Bethânia gravado por Nelson Gonçalves em 1943, que inspiraria o nome da cantora. Depois do referido É de Amargar, de 1934, primeiro lugar no concurso do Diário de Pernambuco, Capiba emplacou Manda embora essa tristeza (Aracy de Almeida, 1936), e vários outros frevos que seriam regravados pelas gerações seguintes como De chapéu de sol aberto, Tenho uma coisa pra lhe dizer, Quem vai pra farol é o bonde de Olinda, Linda flor da madrugada, A pisada é essa, Gosto de te ver cantando.

Passista mirim dança frevo no Recife antigo
Cantores como Claudionor Germano e Expedito Baracho se transformariam em especialistas no ramo. Um dos principais autores do samba-canção de fossa, Antônio Maria (Araújo de Morais, 1921-1964) não negou suas origens pernambucanas na série de frevos (do número 1 ao 3) que dedicou ao Recife natal. O gênero esfuziante sensibilizou mesmo a intimista bossa nova. De Tom Jobim e Vinicius de Moraes (Frevo) a Marcos e Paulo Sérgio Valle (Pelas ruas do Recife) e Edu Lobo (No Cordão da Saideira) todos investiram no (com)passo acelerado que também contagiou Gilberto Gil a municiar de guitarras seu Frevo Rasgado em plena erupção tropicalista.

A baiana Gal Costa misturou frevo, dobrado e tintura funk (do arranjador Lincoln Olivetti) num de seus maiores sucessos, Festa do Interior (Moraes Moreira e Abel Silva) e a safra nordestina posterior não deixou a sombrinha cair. O pernambucano Carlos Fernando, autor do explosivo Banho de Cheiro, sucesso da paraibana Elba Ramalho, organizou uma série de discos intitulada Asas da América a partir do começo dos 80. Botou uma seleção de estrelas para frevar: de Chico Buarque, Alcione, Lulu Santos e Gilberto Gil a Jackson do Pandeiro, Elba e Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Fagner e Alceu Valença. Entre os citados, Alceu, Zé e Geraldo mais o Quinteto Violado, Lenine, o armorial Antonio Nóbrega e autores como J. Michiles, mantêm no ponto de fervura o frevo pernambucano. Mesmo competindo com os decibéis – e o poder de sedução – do congênere baiano.

                    Frevo por Heitor dos Prazeres, sem data , óleo sobre tela  (MARGS).
Músicas

Vassourinhas (Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas) – Orquestra de Frevos do Recife; Valores do passado (Edgar Moraes) – Grupo Romançal; Mulata (Irmãos Valença) – Expedito Baracho; É de amargar (Capiba) – Claudionor Germano; Evocação no. 1 (Nelson Ferreira) – Bloco Batutas de São José; Oh! Julia / Casinha pequenina / Gosto de te ver cantando / Linda flor da madrugada (Capiba) – Claudionor Germano; Relembrando o Norte (Severino Araújo) – Orquestra Tabajara; Come e dorme (Nelson Ferreira) – Nelson Ferreira e sua Orquestra; Frevo no.1 do Recife (Antonio Maria ) – Maria Bethânia; Frevo (Tom Jobim/ Vinicius de Moraes) – Chico Buarque; No Cordão da Saideira (Edu Lobo) – Edu Lobo; Pelas ruas do Recife (Marcos e Paulo Valle) – Marcos Valle; Frevo rasgado (Gilberto Gil/ Bruno Ferreira) – Gilberto Gil; Atrás do Trio Elétrico (Caetano Veloso) – Caetano Veloso; Banho de cheiro (Carlos Fernando) – Elba Ramalho; Festa do interior (Moraes Moreira/ Abel Silva) – Gal Costa; Frevo mulher (Zé Ramalho) – Amelinha; Chego já (Alceu Valença) – Alceu Valença; Madeira que cupim não roi (Capiba) – Antonio Nóbrega; Me segura que senão eu caio (J. Michilles) – Alceu Valença; Realeza linda (Carlos Fernando/ Geraldo Azevedo) – Geraldo Azevedo; Bom danado (Luis Bandeira/ Ernani Seve) – Lenine.

Fontes: Cliquemusic (Tarik de Souza); Enciclopédia Nordeste - Frevo; Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora e PubliFolha.