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segunda-feira, dezembro 09, 2013

Mário de Azevedo

Mário de Azevedo, pianista, nasceu em Cachoeiro do Itapemirim, ES, em 18/1/1905, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, provavelmente em 1985. Iniciou a carreira artística, como era comum até o final da década de 1920, como pianista de casas de músicas como Pinquim, Viúva Guerreiro, Melodia, Carlos Gomes e Arthur Napoleão. Em 1933, fez a música do filme Onde a terra acaba, com direção de Octávio Gabus Mendes.

Estreou em disco em 1943, pela Columbia gravando ao piano quatro valsas de Eduardo Souto: Verão, Inverno, Outono e Primavera. No ano seguinte, gravou pela Continental o tango O despertar da montanha e as valsas A ternura do mar, de Eduardo Souto, Supremo mestre, da Viúva Guerreiro, e Subindo ao céu, de Aristides Borges.

Em 1945, gravou quatro composições de Eduardo Souto, o fado O pranto da fadista, a valsa Solidão, e os tangos Do sorriso das mulheres nasceram as flores, e O despertar de um sonho, além do lundu Os lundus da marquesa, de Francisco Braga, e as valsas Valsa-capricho, de F. Chiaffitelli, Destino, de Sidney Baynes, e Sonhando, de Joyce.

Em 1946, lançou mais três discos interpretando as valsas Sugestão de um olhar, de Eduardo Souto, Dolorosa, de Mário Penaforte, Quanto doi uma saudade, de Mariana da Silveira, Ao cair da tarde, de Pelágio Valentim, Valsa dos que sofrem, de Alfredo Gama, e Flor do mal, de Santos Coelho. Gravou ainda a valsa Quando penso em ti, da Viúva Guerreiro, e a canção Casinha pequenina, apresentada como de domínio público. Além da gravação de discos, continuou se apresentando com boa aceitação em programas pianísticos na Rádio Nacional, Tupi e outras.

Em 1948, gravou a valsas Sonhos azuis e Ciúmes sem razão, ambas de João de Barro e Alberto Ribeiro, a toada-canção Amargura, de Eduardo Souto, e a canção Nossa canção de amor, de Celso Cavalcanti e Fred Mello.

Em 1949, mudou de gravadora e passou a gravar pela Odeon, onde registrou o tango-brasileiro Sugestões de um sorriso, de Eduardo Souto, as valsas Quando dois destinos divergem, de Lauro Maia, Coração que sente, de Ernesto Nazareth, e Você, de Osmard de Andrade, a mazurca Saudade, de Graça Guardia, e o noturno Le Lac de Come, de G. Galos. Em 1950, gravou a canção Mágoas, de Eduardo Souto, o chótis Nas asas de um sonho, de Carlos T. de Carvalho, e as valsas Foi assim, de Eduardo Souto, e Sônia, de Mariana da Silveira.

Em 1954, contratado pela gravadora Sinter lançou com boa aceitação da crítica mais especializada o LP Música de Eduardo Souto na interpretação de Mário de Azevedo, um tributo ao compositor paulista Eduardo Souto no qual interpretou as obras Do sorriso das mulheres nasceram as flores, Divagações, Despertar da montanha, Primavera, E a pobre guitarra morreu, Evocação, e George Walsh.

Em 1955, lançou dois LPs pela Sinter, intitulados Mário de Azevedo ao piano e Valsas, onde interpretou ao piano dez valsas clássicas: Quero dizer-te adeus, de Ary Barroso, Como esquecer-te, de Airão Benjamin, Canducha, de Juraci Silveira, Revendo o passado, de Freire Júnior, Flor do mal, de Santos Coelho, Minha vida em tuas mãos, de Luís Bittencourt, Saudade de Iguape, de João B. Nascimento, Tardes de Lindóia, de Zequinha de Abreu e Pinto Martins, Quando sonho contigo, de Orestes Ciuff, e Dores d'alma, de Antônio Bittencourt.

Em 1956, gravou um tributo ao compositor paulista Marcelo Tupinambá no LP Música de Marcelo Tupinambá no qual tocou ao piano os tanguinhos Maricota, sai da chuva, Ai ai, Tristeza de caboclo e Viola cantadera, de Marcelo Tupinambá e Arlindo Leal, os maxixes Fandango e Balaio, de Marcelo Tupinambá e Castelo Neto, o tanguinho Pierrô, de Marcelo Tupinambá e Sotero de Souza, e o tanguinho Bambuí, de Marcelo Tupinambá.

Em 1958, gravou com seu conjunto um tributo a Ernesto Nazareth no LP A música de Ernesto Nazareth para você dançar - Mário de Azevedo e Seu Conjunto com doze obras do compositor carioca a saber: Matuto, Ameno Resedá, Espalhafatoso, Atrevido, Miosótis, Travesso, Nenê, Brejeiro, Escovado, Duvidoso, Bambino, e Mandinga.

Em 1959, gravou um novo tributo a Eduardo Souto no LP Música de Eduardo Souto na interpretação de Mário de Azevedo no qual interpretou as músicas Primavera, Do sorriso das mulheres nasceram as flores, Nuvens, A esperança, Tristeza, A saudade, Meditando, Despertar da montanha, Um beijo ao luar, E a pobre guitarra morreu, O pranto de um fadista, Sugestões de um sorriso, e Amargura, todas de Eduardo Souto. No mesmo ano, gravou o LP Tempos saudosos - Músicas de Ernesto Nazareth e Alfredo Gama - Mário de Azevedo e seu piano.

Em 1960, gravou o LP Subindo ao céu no qual interpretou as valsas Subindo ao céu, de Aristides Borges, Quando penso em ti, da Viúva Guerreiro, Saudade, de Graça Guardia, Supremo mestre, da Viúva Guerreiro, Folhas ao vento, de Milton Amaral, Flutuando, de Aurélio Cavalcanti, Rosa, de Pixinguinha, Só tu não sentes, de J. F. Fonseca Costa, Cascata de lágrimas, de Moacir Braga, Nas asas de um sonho, de C. T. Carvalho, Ao cair da tarde, de Pelagio Valentim, e Quanto dói uma saudade, de Mariana da Silveira.

Gravou mais de vinte discos em 78 rpm pelas gravadoras Continental, Columbia e Odeon e vários LPs pela gravadora Sinter. Foi um grande intérprete de Ernesto Nazareth e Eduardo Souto.


Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Carioca, de 07/03/1936.

segunda-feira, janeiro 14, 2013

Orquestra Pan American


A Orquestra Pan American foi criada por volta de 1927 pelo maestro, arranjador e violinista Simon Bountman, era integrada por I. Kolman, no saxofone e clarinete; Júlio Sammamede, no saxofone; D. Guimarães, no trompete; Caldeira Ramos, no trombone; J. Rondon, no piano; Amaro dos Santos, na tuba; Dermeval Neto, no banjo, e Aristides Prazeres, na bateria. Além de acompanhar dezenas de gravações na Odeon entre 1927 e 1930, a orquestra também gravou 47 músicas em 36 discos.

A orquestra estreou em disco em 1927 gravando o fox-trot Pergunte a ela, de autor desconhecido. No mesmo ano, gravou os fox-trot Pérola do Japão, de J. Fonseca Costa, o Costina, e Uma noite de farra, de Lúcio Chameck; as toadas-brasileiras Paulicéia como és formosa; Quebra-cabeças e Magnífico e o maxixe Proeminente, de Ernesto Nazareth, além do maxixe Mexe baiana, de José Francisco de Freitas.

Em 1928, a orquestra gravou o maxixe Só de cavaquinho, de Luís Nunes Sampaio, o Careca, e as toadas brasileiras Desengonçado; Jacaré; Tenebroso e Jangadeiro e a marcha Ipanema, de Ernesto Nazareth; o maxixe Cor de canela, Lúcio Chameck e a valsa Minha vida pela tua, de Marcelo Tupinambá.

Nesse ano, a orquestra fez acompanhamento para as primeiras gravações, acompanhando o cantor Vicente Celestino no registro do samba Que vale a nota sem o carinho da mulher?, de Sinhô. Em seguida, acompanhou Mário Reis nos sambas Jura, de Sinhô; Vou à Penha, de Ary Barroso e Dorinha, meu amor, de Freitinhas (José Francsico de Freitas), três gravações clássicas da música popular brasileira e Francisco Alves na canção Cabocla do sertão e no samba-sertanejo Rancho vazio, de Eduardo Souto; na marcha Seu Voronoff, de Lamartine Babo.

No ano seguinte, gravou os maxixes Uma noite em claro e Odeon e o samba Amanhã tem mais, de Mário Duprat Fiúza; o samba-canção Linda flor, de Henrique Vogeler; o samba Jura, de Sinhô; o maxixe Gosto assim, de I. Kolman e o choro Despresado, de Pixinguinha.

Ainda em 1929, a orquestra acompanhou o cantor Francisco Alves em mais de dez discos incluindo os sucessos Seu Julinho vem, marcha de Freire Júnior e Eu ouço falar (Seu Julinho), samba de Sinhô. Acompanhou ainda os cantores Alfredo Albuquerque; Raul Roulien; Oscar Gonçalves e Mário Reis, este, entre outras, no sucesso Vamos deixar de intimidades, de Ary Barroso, além da cantora Aracy Cortes no samba-canção A polícia já foi lá em casa, de Olegário Mariano e Júlio Cristóbal, e nos sambas Quem quiser ver?, de Eduardo Souto; Tu qué tomá meu nome, de Ary Barroso e Zomba, de Francisco Alves. Ainda em 1929, a orquestra acompanhou a atriz Margarida Max na gravação do samba-canção Por que foi?, de Pedro de Sá Pereira e Luiz Iglesias, e da marcha Olha a pomba, de Vantuil de Carvalho.

Em 1930, acompanhou Almirante na gravação dos sambas Tô t' estranhando, de Henrique Brito e Mário Faccini e Mulher exigente, de Almirante, além de acompanhar várias gravações de Mário Reis e Francisco Alves, destacando-se com esse último no acompanhamento da marcha Dá nela!, de Ary Barroso, grande sucesso no carnaval daquele ano. Ainda nesse ano, a orquestra acompanhou gravações de Augusto Calheiros, Gastão Formenti; Zaíra Cavalcânti; Aracy Côrtes; Luci Campos; Gilda de Abreu e Patrício Teixeira.

Em três anos de atuação a orquestra acompanhou mais de cem gravações de cantores como Francisco Alves, Mário Reis, Aracy Côrtes. Raul Roulien, Gilda de Abreu e outros.

Discografia

(1928) Só de cavaquinho • Odeon • 78
(1928) Desengonçado / Jacaré • Odeon • 78
(1928) Tenebroso / Jangadeiro • Odeon • 78
(1928) Ipanema • Odeon • 78
(1928) Saudades de Arlete • Odeon • 78
(1928) Cor de canela / Minha vida pela tua • Odeon • 78
(1928) Galo velho / Boêmia • Odeon • 78
(1928) Rayon D'Or • Odeon • 78
(1928) Canção do Volga / Negro pachola • Odeon • 78
(1929) Uma noite em claro • Odeon • 78
(1929) Alegria • Odeon • 78
(1929) Odeon • Odeon • 78
(1929) Jura • Odeon • 78
(1929) Rapsódia brasileira (I) / Rapsódia brasileira (II) • Odeon • 78
(1929) Iaiá (Linda flor) / Pìerrot 1950 • Odeon • 78
(1929) Amanhã tem mais • Odeon • 78
(1929) Fumaça branca • Odeon • 78
(1929) Gosto assim • Odeon • 78
(1929) Craddle of love • Odeon • 78
(1929) Cristina • Odeon • 78
(1929) Os boêmios • Odeon • 78
(1929) Camafeu / Despresado • Odeon • 78
(1930) A warbling booklet • Odeon • 78
(1930) If you believed in me / Noêmia • Odeon • 78
(1930) Conde Zeppelin • Odeon • 78
(1930) I'm on a diet of love / Mona • Odeon • 78
(1930) Charming / Red hot and blue rhythm • Odeon • 78
(1930) Hino Republicano Riograndense • Odeon • 78

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB

sexta-feira, abril 13, 2012

O maestro Eduardo Souto

Eduardo Souto
Embora seus biógrafos (entre eles Vasco Mariz e José Lino Grünewald) informem que Eduardo Souto “aos seis anos já tocava piano e possuía rudimentos de música”, o sucesso só começou a bafejá-lo muito mais tarde. Evidentemente, a revelação de magnífico compositor que ele acabou sendo veio desde cedo, e segundo informes conhecidos, logo aos quatorze anos a valsinha Amorosa, primeira da sua vasta e variada produção, foi expressivo marco. O garoto, apesar de descendente de nobre (Visconde do Souto) acabaria tornando-se figura representativa de nossa música popular.

Mas, o verdadeiro interesse pelas composições do jovem músico, o apelo à atenção ao futuroso maestrino, como o qualificaram, veio de Niterói, ou da Praia Grande, no dizer dos tradicionalistas. E, de modo mais exato, do "Éden", que não era aquele descrito no Gênesis, mas um grêmio dramático com essa denominação (Éden Clube) localizado na vizinha cidade.

O Rio, para onde Souto se transferiu com 11 anos de idade, ainda não o conhecia na sua pujança musical, pois o fato deu-se em 1906. Paulista, de Santos, nascido em abril de 1882, foi na terra de Araribóia que começou a brilhar.

Amadores teatrais ocupam Niterói

Em 1906 Niterói contava com um punhado de agremiações destinadas a incentivar as vocações teatrais. Numa rápida revista poderão ser citadas as seguintes: Grêmio Dramático, Escola Dramática Artur Azevedo, Niterói Clube, Clube Dramático Vasquez e Clube Dramático Dias Braga. Assim, com tantos palcos à disposição os amadores da arte dramática haviam, de fato, ocupado a capital do Estado do Rio. Alguns atravessavam a Guanabara à noitinha, depois de seus afazeres, para os ensaios semanais que precediam à representação. A maioria, porém, era residente no local.

Todos os sábados, domingos, vésperas de feriados e mesmo durante a semana realizavam-se espetáculos em alguns dos clubes aludidos ou em outros que não foram nominados. Quase sempre, terminada a récita mensal, feita de preferência com um dramalhão choroso ou farsa para “rir às bandeiras despregadas” (consoante informação do programa) iniciava-se um animado baile. Era a partida mensal, constante do estatuto e que tinha a animá-la, dando ritmo às danças (polcas, valsas, chótis, etc.), um exímio pianista ou “excelente orquestra de professores”.

Brilha o maestrino Souto

Transferida da noite de 9, a comédia A Receita dos Lacedemônios, imitada (sic) do francês por Carlos Borges, foi encenada dias depois, a 12 de junho de 1906, no Éden Clube, sob a direção do ensaiador Augusto Cruz. No segundo ato o tenor Santucci surgiu no palco e cantou a ária da Tosca acompanhado pela orquestra que tinha como regente Eduardo Souto. A perfeita afinação entre o cantor e o conjunto musical provocou demorada e calorosa salva de palmas na insistência do bis!, bis! prontamente concedido e recompensado com novos e pródigos aplausos. Santucci e Souto em curvaturas seguidas agradeciam a entusiástica ovação.

Presente ao espetáculo um redator do diário A Tribuna, que então integrava a imprensa carioca, na edição do dia 14 relatava-o aos leitores. Externava, então, todo seu entusiasmo: “... a orquestra foi dirigida pelo maestrino Eduardo Souto, um compositor que quando aparecer aqui no Rio, escrevendo músicas para uma opereta, há de conquistar de golpe um nome dos mais invejáveis.” Fazia o jornalista decisivo vaticínio com a confiança de vê-lo confirmado. Para alegria sua e da música brasileira, isso aconteceu. O jovem que empunhando a batuta fez vibrar toda a platéia do Éden Clube teve, como fora previsto, a merecida consagração de seu nome.

Fracassou o engenheiro, firmou-se o compositor

Fascinado pela música, absorvendo bem os ensinamentos que lhe ministrava “um vizinho alemão” (no informe de Vasco Mariz) e, supõe-se, o mesmo professor Derbelly, citado por Ary Vasconcelos em seu Panorama da Música Popular Brasileira, o jovem Eduardo Souto a ela se dedicou inteiramente. Quando foi compelido a deixar a Escola Politécnica, que cursava já no 3° ano, fazendo fracassar o futuro engenheiro, a necessidade do ganha-pão tornou-o em bancário e guarda-livros sem no entanto fazê-lo esquecer o piano. Foi dedilhando teclas brancas e pretas que compôs as bonitas músicas até hoje lembradas e de cujo rol ressalta invariavelmente O Despertar da Montanha.

Versátil, de farta inspiração, ao morrer no dia 18 de agosto de 1942, causou à música popular brasileira sensível perda. Teve tempo, porém, de deixar confirmado o vaticínio feito em 1906 quando um jornalista afirmou que ele, o maestrino Eduardo Souto, haveria “de conquistar de golpe um nome dos mais invejáveis”. Aquele seu primeiro brilhareco no Éden de Niterói, ou Praia Grande foi, de fato, o início de uma série consagradora que por ser tão evidente dispensa o desperdício de enumeração.

(O Jornal, 8/8/1965)

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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

terça-feira, outubro 18, 2011

Frederico Rocha

Frederico Rocha (circa 1900), cantor e barítono, desenvolveu a carreira artística na década de 1920 na cidade do Rio de Janeiro, RJ, e, como era comum na época, apresentou-se em teatros de revistas.

Gravou os primeiros discos em 1926, com acompanhamento da Orquestra Odeon, interpretando o samba-carnavalesco Voronoff, o cateretê Genipapo, a marcha-rancho Moreninha, e o samba Olhai, todas de Eduardo Souto.

No mesmo ano, gravou a marcha-carnavalesca Mamãe, eu vou com ele!, e os maxixes A gente se defende e Carnaval à noite, de Américo Jacomino, o Canhoto, a canção Dia de espiga, de Alves Coelho, o maxixe-carnavalesco Adeus Joana, de José Luiz de Nazareth, e a marcha-carnavalesca Já quebrou, de José Luiz de Morais, o afamado Caninha, considerado um dos pioneiros do samba nos saraus das tias baianas da antiga Praça Onze.

Ainda em 1926, fez grande sucesso, tanto na festa da Penha quanto no carnaval carioca com o samba Braço de cera, composição de Nestor Brandão. Também no mesmo ano, fez sucesso sua gravação da toada Paulista de Macaé, de Pedro de Sá Pereira, música que fez parte da revista Paulista de Macaé, de Marques Porto e Luiz Peixoto apresentada no Teatro Recreio.

Em 1927, gravou com sucesso a primeira composição de Lamartine Babo, a marcha Os calças largas, incluída na revista de mesmo nome, de Lamartine Babo e Freire Júnior, e que também obteve grande êxito no carnaval daquele ano.

Em sua curta carreira fonográfica, gravou vinte músicas pela Odeon, com destaque para Os calças largas, Braço de cera, e Paulista de Macaé.

Frederico Rocha, o anjo barítono

Na segunda metade dos anos 1920, o carnaval seguia ao som de Frederico Rocha, ídolo da Mocidade Alegre junto com Pedro Celestino. Nessa mesma época surgem novos tipos. O de maior sucesso foi a menina melindrosa, a ousada de cabelos e vestidos curtos. Frederico Rocha as descreve como sendo as mulheres que amedrontavam os homens com seus vestidos e comportamento livre.

Frederico Rocha ficou famoso no teatro de revista com sua voz de cantor de ópera; ele era um barítono bifronte. Para Luís Antonio Giron: “Frederico Rocha canta ao sabor das mudanças, como que impelido à praia do futuro por uma onda gigantesca de mudança, cantando virado para o alto-mar do passado”.

A Voz Popular com Frederico Rocha traz as canções O mundo é uma roleta, Moreninha e Mamãe, eu vou com ele.

Discografia

(1926) Voronoff • Odeon • 78
(1926) Genipapo • Odeon • 78
(1926) Moreninha • Odeon • 78
(1926) Olhai • Odeon • 78
(1926) Braço de cera • Odeon • 78
(1927) Os calças largas • Odeon • 78

Playlist




A gente se defende, Adeus Joana, Braço de cera, Carnaval à noite, Dia da espiga, És a minha assombração, Já quebrou, Mamãe eu vou com ele, Moreninha, Mulher de cueca, O mundo é uma roleta, Olhai, Paulista de Macaé, Saruê (todos de 1926).

Bibliografia Crítica

AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.

Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Cultura Brasil.

domingo, setembro 19, 2010

Quem quiser ver

Araci Côrtes
Quem quiser ver (samba, 1924) - Eduardo Souto - Intérprete: Araci Côrtes

Disco 78 rpm / Título da música: Quem quiser ver / Eduardo Souto (Compositor) / Araci Côrtes (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10426-b / Nº da Matriz: 2657 / Lançamento: Julho/1929 / Gênero musical: Samba / Coleções: IMS, Nirez


Quem quiser ver, quem quiser ver
Tem que pagar
Tem que mexer, tem que mexer
Não pode entrar (x2)

Eu sou mulata sabida
Sei mexer, sei dançar
Na perfeição
O meu prazer nesta vida
É machucar um bacanão...

Quem quiser ter, quem quiser ter...

sábado, setembro 18, 2010

Paixão de artista

Vicente Celestino
Paixão de artista (canção, 1921) - Eduardo Souto - Intérpretes: Vicente Celestino e Laís Arêda

Disco selo: Odeon R / Título da música: Paixão de artista / Eduardo Souto (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Laís Arêda (Intérprete) / Nº do Álbum: 122084 / Nº da Matriz: 122084-A-II / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Dueto / Coleção de fontes: IMS, Nirez



Do sorriso das mulheres nasceram as flores

Vicente Celestino
Do sorriso da mulher nasceram as flores (tango de salão, 1921) - Eduardo Souto e Lélio de Aragão / Intérprete: Vicente Celestino

Disco selo: Odeon R / Título da música: Do Sorriso da Mulher Nasceram as Flores / Eduardo Souto (Compositor) / Lélio de Aragão (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Nº do Álbum: 122041 / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Tango de Salão / Coleção de fontes: IMS



LP Saudade, Palavra Doce / Título da música: Do Sorriso da Mulher Nasceram As Flores / Eduardo Souto (Compositor) / Lélio de Aragão (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Nº do Álbum: BBL 1106 / Ano: 1960 / Gênero musical: Canção / Seresta


Mulher o teu sorriso parece um céu
Um grande altar do deus do amor
Onde as estrelas vem rezar, cantar, sonhar
Santificando a minha dor
No iluminar dos olhos teus
E um coração aberto em flor
Tens tu mulher toda fragrância
Das orquídeas cintilantes
Redolentes e gracis

A cintilar, a cintilar num céu de amor
Em que fala um poema
Feito de beijos ao luar
Um ninho de sincero afeto
Onde dois pombinhos
Vivem sempre a se arrolar e a se beijar
Quero a morte nos teus lábios
Num doce encanto de magia
Do aljôfar de um beijo teu
Do teu sorriso que fascina, inebria

Suspirar, soluçar com tristor e amargor
O carpir da desdita do amor
E adorar e crer 
Suplicar, implorar com ardor, e dulçor
O sorrir dos teus lábios em flor
E sentir o prazer de um ditoso e perenal amor

No iluminar dos olhos teus
E um coração aberto em flor
Tens tu mulher toda fragrância
Das orquídeas cintilantes
Redolentes e gracis
A cintilar, a cintilar um céu de amor.

quarta-feira, março 05, 2008

Gegê

Eduardo Souto
"Assim que assumiu o governo revolucionário, em 1930, Getúlio Vargas começou a receber inúmeros pedidos de empregos públicos. Para protelar e desacelerar a avalancha, passou a exigir requerimento estampilhado, com foto e selos. Uma das músicas que faz a crônica do episódio é justamente esta marcha-rancho do carnaval de 1932, gravada por Jayme Vogeler na Odeon em 24 de novembro de 31 e lançada um mês antes da folia, em janeiro, disco 10876-A, matriz 4369.

O Gegê da música, vale ressaltar, é um nome qualquer, e não ainda o apelido com o qual Getúlio ficaria conhecido, apenas coincidência. O curioso é que "Gegê" venceu um concurso do jornal carioca "Correio da Manhã" para escolher a melhor música de carnaval de 1932, por votação dos leitores através de cupons impressos no próprio periódico (18.703 votos), deixando em segundo lugar (11.461 votos) o clássico "Teu cabelo não nega", de Lamartine Babo e dos irmãos Valença".

Gegê (marcha/carnaval, 1932) - Eduardo Souto e Amor (Getúlio Marinho)

Disco 78 rpm / Título da música: Gegê / Eduardo Souto (Compositor) / Getúlio Marinho (compositor) / Jaime Vogeler (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10876-a / Nº da Matriz: 4369 / Gravação: 24/11/1931 / Lançamento: 1932 / Gênero musical: Marcha rancho / Coleções: IMS, Nirez


Tenha calma, Gegê
Tenha calma, Gegê
Vou ver se faço
Alguma coisa por você

Não se aborreça

Nem é preciso chorar
Güenta um pouco meu amor
Que as coisas vão melhorar

O seu pedido
Já foi, meu bem, despachado
O decreto já saiu
É na enxada e não no machado



Fontes: Discografia Brasileira - Instituto Moreira Salles; Samuel Machado Filho - YouTube

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Batucada

Eduardo Souto
Batucada (marcha/carnaval, 1931) - João de Barro e Eduardo Souto

Disco 78 rpm / Título da música: Batucada / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Eduardo Souto (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Bando de Tangarás, 1929-1931 (Intérprete) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 13256-a / Nº da Matriz: 3730 / Gravação: 02/08/1930 / Lançamento: Jan/1931 / Gênero musical: Marcha / Coleções: Robespierre Martins Teixeira, Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


Ô, ô
Nós semo é memo do amô (x2)

Mulatinha frajola
Entra aqui no cordão (cordão)
Que a fuzarca consola
As mágoa que a gente
Traz no coração

(refrão)

Mulata, benzinho
Vem pra mim de uma vez
Dou-te amor e carinho
Dinheiro não tenho
Não sou português

(refrão)

Vou comprá uma redoma
Nela eu vou te guardá (guardá)
Que os malandros te oiando
Meu bem, são capaz
De te profaná

(refrão)

Vem, meu bem, pro Salgueiro
Leblon não vale nada
Pois nos bairros de lá
Mulata, meu anjo
Não tem batucada

(refrão)



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

É sopa

A marchinha de Eduardo Souto (foto) recorre ao futebol para descrever as forças que iriam se defrontar na campanha de 1929/1930. De um lado, o combinado A, o time do continuísmo, tendo como capitão “Seu” Julinho Júlio Prestes, presidente da província de São Paulo; do outro, o combinado B, da oposição, capitaneado por “Seu Tonico” (Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, presidente da província de Minas Gerais).

O doutor Macaé, árbitro do jogo, era o próprio presidente da República, Washington Luís (embora paulista, nascera em Macaé, no Estado do Rio). Antônio Carlos briga com o juiz e é posto para fora do jogo. Vai se aliar com os gaúchos, liderados por Getúlio Vargas, e os paraibanos, comandados por João Pessoa, numa chapa dissidente, contra a maioria dos estados, chefiados pelo Catete.

Como os dois lados apregoavam que venceriam com facilidade, a marchinha fez do “É sopa, é sopa, é sopa” seu estribilho. Não se descobriu quem é o “seu Tomé” que aparece ao final da música, aquele que foi para o gol e levou uma bruta lavagem.

É sopa (17 a 3) (marcha, 1930) - Eduardo Souto - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: É sopa (17 a 3) / Eduardo Souto (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10484 / Nº da Matriz: 2986 / Gravação: Agosto/1929 / Lançamento: Novembro/1929 / Gênero musical: Marcha humorística / Coleções: IMS, Nirez


“Vai começar o grande jogo para a conquista da taça oferecida pelo Catete Futebol Clube (gritos)
Combinado B: “captain” Seu Tonico (gritos)
Combinado A: “captain” Seu Julinho (gritos)
Juiz: doutor Macaé, muito digno presidente do Catete Futebol Clube

Seu Tonico sem razão.
Ao juiz desatendeu,
E foi tal sua afobação,
Que a cabeça até perdeu.
O juiz, que é da barbada,
Seu Tonico pôs pra fora.
E gritou pra rapaziada:
Toca o bonde, tá na hora!

Pra vencer o combinado brasileiro.
Diz Getulinho: “É sopa, é sopa, é sopa”.
Paraibano com gaúcho e com mineiro.
Diz o Julinho: “É sopa, é sopa, é sopa”.

Foi pro gol o seu Tomé,
Bonde errado e sem coragem.
A torcida não fez fé.
Houve então bruta lavagem.
Pra jogar bem futebol
Só paulista e carioca.
Chova muito ou faça sol,
É no pau da tapioca.

Pra vencer o combinado brasileiro
Diz Getulinho: “É sopa, é sopa, é sopa”.
Paraibano com gaúcho e com mineiro,
Diz o Julinho: “É sopa, é sopa, é sopa.


Fonte: Franklin Martins - Site Oficial - Conexão Política

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Seu Doutor

Francisco Alves
Seu Doutor (marcha/carnaval, 1929) - Eduardo Souto - Intérprete: Francisco Alves

"A marchinha carnavalesca Seu Doutor foi cantada por Dimas Alonso no teatro de revista Que buraco, seu Luís!, encenada em 1928 no Teatro Carlos Gomes. Era mais uma música investindo contra o então presidente Washington Luís e seu "bom companheiro" Júlio Prestes de Albuquerque, candidato governista à sua sucessão, inclusive fazendo referência à não-implantação do cruzeiro como moeda nacional. O cruzeiro só seria adotado em 1942, durante o Estado Novo.

Em janeiro de 1929, saiu pela Odeon esta gravação de Francisco Alves, disco 10312-b, matriz 2148, com direito até a uma declamação debochada do estribilho, feita pelo próprio Chico. Na mesma sessão, ele fez outro registro de "Seu doutor", matriz 2148-1, lançado com o selo Parlophon sob número 12908-b, no qual um assobio substitui a declamação aqui ouvida".

Disco 78 rpm / Título da música: Seu Doutor / Eduardo Souto (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Álbum 10312-b / Nº da Matriz: 2148 / Lançamento: Janeiro/1929 / Gênero musical: Marcha / Coleções: IMS, Nirez


O pobre povo brasileiro
Não tem, não tem, não tem dinheiro
O ouro veio do estrangeiro
Mas ninguém vê o tal cruzeiro

Ó seu Doutor! Ó seu Doutor!
Não zangue não, nem dê o cavaco

Ó seu Doutor! Ó seu Doutor!
Viver assim é um buraco

Que sobe lá para o poleiro
Esquece cá do galinheiro
Só pensa num bom companheiro
A fim de ser o seu herdeiro



Fontes: a href="https://www.youtube.com/user/samuel63867">Samuel Machado Filho - YouTube, Discografia Brasileira - IMS; Instituto Memória Musical Brasileira.

É sim senhor

Francisco Alves
"É sim senhor", é um samba contra o presidente Washington Luís Pereira de Souza (1870-1957) e seu candidato Júlio Prestes (1882-1946). Washington era chamado, ironicamente, por seus adversários, de paulista de Macaé, por ser natural dessa cidade fluminense, portanto um paulista falsificado, mesmo tendo feito toda a sua carreira política em São Paulo. O jornal paulistano de oposição deliciar-se-ia com esse samba e de passagem pega no candidato de Washington Luís em muito bons versos, que rivalizam com as poesias líricas do sr. Júlio Prestes...

É sim senhor (samba/carnaval, 1929) - Eduardo Souto - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: É Sim Senhor / Eduardo Souto (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10312-a / Nº da Matriz: 2147 / Lançamento: Janeiro/1929 / Gênero musical: Samba / Coleções: IMS, Nirez


Ele é paulista?
É sim senhor
Falsificado?
É sim senhor
Cabra farrista?
É sim senhor
Matriculado?
É sim senhor

Ele é estradeiro?
É sim senhor
Habilitado?
É sim senhor
Mas o cruzeiro?
É sim senhor
Ovo gorado?
É sim senhor

Vem, vem, vem
Pra ganhar vintém
Vem, seu Julinho, vem
Aproveitar também



Fonte: Abel Cardoso Júnior - Francisco Alves: As mil canções do Rei da Voz, p. 138-139.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Quando me lembro

Eduardo Souto
Quando me lembro (marcha, 1925) - Eduardo Souto e João da Praia

A letra é de um certo João da Praia (¹), não creditado no selo - o que às vezes podia acontecer, pois o letrista naquele tempo não era considerado compositor musical. Gravação original de 1925, com Zaíra de Oliveira em dueto com Bahiano, disco Odeon 78 rpm 122.800. Relançado, como canção, pela Parlophon em junho de 1930, disco 13162-A, matriz 3485.

Lançamento de disco Odeon interpretado por Zaíra de Oliveira e Bahiano em 1925:

Disco selo: Odeon R / Título da música: Quando me lembro / Eduardo Souto (Compositor) / João da Praia (Compositor) / Zaíra de Oliveira (Intérprete) / Bahiano (Intérprete) / Nº do Álbum: 122800 / Lançamento: 1925 / Gênero musical: Marcha / Obs.: Sem mídia mp3 ainda

A dupla Tom Bill e Aloncito (²) relança, pela Parlophon, a canção em 1930:

Disco 78 rpm / Título da música: Quando me lembro / Eduardo Souto (Compositor) / Alonsito (Intérprete) / Tom Bill (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Parlophon / Nº Álbum 13162-a / Nº da Matriz: 3485 / Gravação: 1930 / Lançamento: Junho/1930 / Gênero musical: Canção / Coleções: Nirez, José Ramos Tinhorão



Quando eu me lembro do meu tempo antigo
Daquele tempo que eu passei contigo
Dos belos sonhos que não voltam mais
Ai, que saudade, ai, que saudade isso me faz

Viver! Viver sozinho
Sem teu carinho
Sem teu amor
Ó flor!

Viver, por bem querer
Hei de sofrer
Sofrer
Morrer!

Não posso crer que tu tenhas maldade
Seja capaz de tanta crueldade
Não posso crer na tua ingratidão
Se continua a ser só teu meu coração


(¹) Alcunha do compositor Filomeno Ribeiro; (²) Dupla gringa interpretando com sotaque.

Fontes: Samuel Machado Filho - Cantoras do Brasil).

Pai Adão

Eduardo Souto
Pai Adão (marcha/carnaval, 1924) - Eduardo Souto - Interpretações: Bahiano e Januário de Oliveira

Disco selo: Odeon R / Título da música: Pai Adão / Eduardo Souto (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Januário de Oliveira (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Nº do Álbum: 122660 / Lançamento: 1924 / Gênero musical: Marcha carnavalesca / Obs.: Ainda sem a música.

O Pai Adão lá na sua inocência
Comeu maçã que comer não devia
E desta sua falada imprudência
Foi que nasceu toda a nossa alegria

Você, seu Pai Adão
Com seu capricho
Foi mesmo um bicho
Com parte de inocente
Pôs toda a culpa
Na pobre serpente

Gozar, gozar
Gozar, gozar até cansar
Ai como é bom viver
Só a cantar
E como Adão, pecar
Pecar, pecar
Gozar, gozar
Gozar, gozar até cansar

Não vale a pena
A vida maldizer
Quem tem
Tão pouco tempo
De prazer, prazer

Não sei dizê

Eduardo Souto
Não sei dizê (marcha/carnaval, 1924) - Eduardo Souto - Intérpretes: Bahiano e Januário de Oliveira

Disco selo: Odeon R / Título da música: Não Sei Dizê / Eduardo Souto (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Januário de Oliveira (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Nº do Álbum: 122658 / Lançamento: 1924 / Gênero musical: Marcha / Coleção: Nirez D



Não sei dizê quem é
O meu amor
Que passarinho mau
Fugiu, voou (x2)

Ai se eu pudesse
Ser passarinho
Pra seguir
No seu caminho
Não tinha agora
Que amargurar
E nem viver a penar

Viver sempre a chorar
Sempre a sofrer
Por teu amor
É dura sorte
É grande dor
Não sei, não sei que fiz
Pra andar no mundo
Assim sozinho
Sem carinho
Infeliz

Amar sem ter ao menos a doçura
De um olhar
É dura sorte, é desventura
Nem sei como findar
O meu viver,
Como acabar
Este meu sofrer

Só teu amor

Bahiano - Revista Musical - 1924

Só teu amor (marcha-rancho, 1923) - Eduardo Souto - Interpretação: Bahiano

Disco selo: Odeon R / Título da música: Só Teu Amor / Eduardo Souto (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Nº do Álbum: 122334 / Lançamento: 1923 / Gênero musical: Marcha carnavalesca / Coleção: Nirez


Só teu amor me traz tanta alegria
E é toda a causa do meu viver
Só nele penso de noite e de dia
Porque só ele me dá prazer

Ai quem me dera viver assim
E no teu colo dormir, sonhar
Teu coração bem juntinho a mim
Contar segredos e palpitar

Que doce harmonia
Quanta alegria
Que paraíso
Traz o teu sorriso
Tanta ventura
Que me leva à loucura
Esse amor
Bendita esta calma
Que trago n'alma
Sempre contente
Pois só quem sente
Vive a sonhar
Vive a cantar
O seu amor

Mulheres raras e de mais fulgor
Não há no mundo, não pode haver
Não tem o encanto do teu casto amor
Porque só ele me dá prazer

Eu não lastimo viver na pobreza
E nem de glórias quero eu saber
O teu amor pra mim é riqueza
Porque só ele me dá prazer

Goiabada

Manuel Pedro dos Santos - Bahiano (1889-1944)

Goiabada (marcha/carnaval, 1923) - Eduardo Souto - Intérprete: Bahiano

Disco selo: Odeon R / Título da música: Goiabada / Eduardo Souto (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Nº do Álbum: 122332 / Lançamento: 1923 / Gênero musical: Marcha carnavalesca / Coleções: IMS, Nirez


Não há mais goiabada
Que seja boa para se comer
Ficou tão estragada
Que o português já não quer vender
Seu aquele
Pra que tanto estrilo
Foi você
Quem fez tudo aquilo

Meu benzinho
Caladinho escuta
A goiaba
Nunca foi boa fruta


Não há como o bom queijo
Que não puderam falsificar
Então com bom café
Ai que delícia! Que paladar!

O arroz de Pendotiba
Nunca chegou aqui ao mercado
Nem mesmo lá em riba
O tal arroz nunca foi achado

O queijo finalmente
Sempre foi bom, nunca foi bichado
E isso toda a gente
Já sabe bem, pois ficou aprovado

Eu só quero é beliscá

Eu só quero é beliscá (marcha/carnaval, 1922) - Eduardo Souto - Interpretação: Bahiano

Disco selo: Odeon R / Título da música: Eu só quero é beliscar / Eduardo Souto (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Coro (Acomp.)/ Nº do Álbum: 122127 / Lançamento 1922 / Gênero musical: Cateretê carnavalesco / Coleção: IMS


Ó Sá dona, não se zangue
Vancê pode assossegá
Eu não vim fazê barúiu
Eu só quero é beliscá

Ai, ai, ai
Com licença de Sinhá
Ai, ai, ai
Eu só quero é beliscá

Seu doutô, seu delegado
Dá licença pra passá
Eu não vim fazê barúiu
Eu só quero é beliscá

Me dissero que a puliça
Deixa a gente pandegá
Eu inté nem faço nada
Eu só quero é beliscá

Pemberê

Eduardo Souto
Pemberê (chula à moda baiana, 1921) - Eduardo Souto e Filomeno Ribeiro

Interpretação do Grupo do Moringa:

Disco selo: Odeon R / Título da música: Pemberê / Eduardo Souto (Compositor) / Grupo do Moringa (Intérprete) / Violão, Cavaquinho, Trambone, Clarineta, Pandeiro (Acomp.) / Nº do Álbum: 121989 / Nº da Matriz: 121989-2 / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Chula baiana / Coleções: IMS, Nirez



Interpretação do Bahiano da Casa Edison:

Disco selo: Odeon R / Título da música: Pemberê / Eduardo Souto (Compositor) / Filomeno Ribeiro "João da Praia" (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Nº do Álbum: 121994 / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Chula baiana / Coleções: Nirez



Pemberê / Pemberá
Pemberê / Pemberá
Menina que namora qué casá
Criança que chora qué mamá

Pemberê / Pemberá
Galinha no ninho que não botá
É logo agarrada pra ir chocá

Pemberê / Pemberá
Pemberê / Pemberá
A noite bonita que é de luá
Foi feita pra gente mais se gostá

Pemberê
Perna de fora é o que mais se vê, meu bem
Pemberá
Guarde essa perna se qué casá, Iaiá

Pemberê / Pemberá
Pemberê / Pemberá
Muié deste tempo véve a mostrá
O que era pecado só maginá

Pois não

Eduardo Souto
Pois não (marcha/carnaval, 1920) - Eduardo Souto e Filomeno Ribeiro - Interpretação do Grupo do Moringa em disco lançado em 1922:

Disco selo: Odeon R / Título da música: Pois não / Eduardo Souto (Compositor) / Grupo do Moringa (Intérprete) / Violão, Cavaquinho, Trombone, Clarineta, Pandeiro (Acomp.) / Nº do Álbum: 121991 / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Marcha / Coleção de fontes: Nirez D



Interpretação de Bahiano em disco Odeon lançado em 1922:

Disco selo: Odeon R / Título da música: Pois não / Eduardo Souto (Compositor) / João da Praia (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Nº do Álbum: 121999 / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Samba Cateretê (¹) / Coleção de fontes: Nirez D


Levanta o pé / Esconde a mão
Eu quero ver se tu gostas de mim
Ou não

Meu alecrim / Manjericão
Eu quero ver se tu não gostas não

Ó querubim / Ó tentação
Eu vou ver só se tu gostas de mim
Ou não

Perco o latim / Perco a razão
Porque não sei se tu não gostas não

O amor sem ser leal / Traz sedução
No carnaval / Pois não

E pode ser fatal / Ao coração
No carnaval / Pois não

É bem que nos faz mal / É tentação
Do carnaval / Pois não

Fiquei preso afinal / Por cavação
Do carnaval / Dar-te aqui vim
Um beliscão

Só quero ver se tu gostas de mim
Ou não

Picou? Doeu? / Ó coração
Não é por mal, meu anjo
Não é não

Chegado o fim / Desta paixão
Não mais terei dos lábios teus o sim
Ou não?

Melindrosinha / Almofadão
Eu sou teu mas tu minha
Não és não



Fonte: Instituto Moreira Salles - Discografia Brasileira. (¹) Na gravação o apresentador diz que é "samba carnavalesco". No site diz que é "samba cateretê". Mas escutando parece uma marchinha de Carnaval ...