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quarta-feira, junho 05, 2013

Ascenso Ferreira

Ascenso Ferreira (Ascenso Carneiro Gonçalvez Ferreira), poeta e compositor, nasceu em Palmares, PE, em 09/05/1895, e faleceu em Recife, PE, em 05/05/1965. Considerado um dos grandes nomes da Literatura em Pernambuco, nasceu em uma família humilde e sua obra esteve ligado as coisas e tradições do Nordeste e principalmente ao retratar do povo nordestino e sua vida e costumes.

Filho de um comerciante e de uma professora, ficou órfão aos 13 anos de idade e começou a trabalhar na mercearia de um tio. Depois de iniciar a atividade literária escrevendo baladas, sonetos e madrigais, sofreu influência de Mário de Andrade, Guilherme de Almeida e Manoel Bandeira e passou a se dedicar a temas regionais.

Em 1911, veio à lume seu primeiro poemas Flor fenecida no Jornal A Notícia de Palmares. Em 1920, mudou-se para a cidade de Recife, onde tornou-se funcionário público. Na capital pernambucana, passou a colaborar com jornais como o Diário de Pernambuco, entre outros. A partir de 1925, passou a partcicipar do movimento modernista pernambucano.

Publicou seu primeiro livro de poesias, Catimbó, em 1927, e em seguida passou a viajar apresentando-se em recitais em vários estados brasileiros. Em 1929, a canção Maracatu e o poema Sertão, ambos com música de Valdemar de Oliveira, foram gravados na Odeon por Alda Verona. No ano seguinte, fez letra para o canto indígena Toré com música de Stefana de Macedo, que o gravou na Columbia.

Em 1931, Sylvinha Mello gravou na Victor a canção Chove chuva!, com música de Hekel Tavares. Em 1937, o maracatu Onde o sol descamba, foi musicado pelo músico Capiba e gravado na Columbia pela cantora  Laís Marival.

Em 1941, publicou Cana Caiana, seu segundo livro. Em 1950, teve duas canções gravadas por Jorge Fernandes na Odeon, Engenhos de minha terra, com música de Valdemar de Oliveira, e Trem de Alagoas (Impressão de viagem), com música de Valdemar Henrique. O poema Trem de Alagoas também seria musica por Heitor Villa-Lobos. Em 1951, teve a canção A chama, com Capiba, gravada pelo cantor Paulo Molin, com acompanhamento de Zimbres e sua orquestra, em disco da gravadora Continental.

Em 1955, participou da campanha de Juscelino Kubitschek à presidência da República tomando parte em diversos comícios. No ano seguinte, foi nomeado por Juscelino para a direção do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, no Recife, sendo porém sua nomeaçao suspensa dez dias depois uma vez que intelectuais pernambucanos não aceitaram sua nomeação devido à sua fama de poeta boêmio. Foi então nomeado assessor do Ministério da Educação, mas fazendo juz à sua fama, somente aparecia para receber os salários.

Em 1958, foi lançado pela gravadora pernambucana Mocambo o LP Ascenso Ferreira - 64 poemas e 3 histórias populares todos na própria voz do poeta, em disco que incluiu os poemas Engenhos de minha terra, O trem de Alagoas, Toré e Maracatu, anteriormente musicados.

Em 1962, o maracatu Chove chuva, com Hekel Tavares, foi gravado por Inezita Barroso no LP Recital de Inezita Barroso da gravadora Copacabana. Em 1975, seu poema Vou danado pra Catende foi musicado por Alceu Valença, que com ele concorreu e venceu o Festival Abertura da TV Globo.

Em 1982, seu poema Maracatu foi musicado e gravado por Alceu Valença. Em 1993, os poemas Trem de Alagoas e Reisado foram musicados por Marcelo Melo e Toinho Alves, e gravados pelo Quinteto Violado no LP Algaroba, da RGE.

Em 2001, a canção Meu boi Surubim foi incluída no CD A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes na voz de Inezita Barroso em gravação feita em 1988, no programa "Ensaio" da TV Educativa.

Foram publicados postumamente os livros Eu voltarei ao sol da primavera, em 1985, e O Maracatu, Presépios e Pastoris e O Bumba-Meu-Boi: Ensaios Folclóricos, em 1986. Sua marca registrada era o uso do chapéu de palha.

Obra

Chove chuva! (c/ Hekel Tavares), Engenhos de minha terra (c/ Valdemar de Oliveira), Maracatu (c/ Alceu Valença), Maracatu (c/ Valdemar de Oliveira), Meu boi Surubim, Onde o sol descamba (c/ Capiba), Reisado (c/ Marcelo Melo e Toinho Alves), Toré (c/ Stefana de Macedo), Trem de Alagoas (c/ Heitor Villa-Lobos), Trem de Alagoas (Impressão de viagem) (c/ Valdemar Henrique), Vou danado pra Catende (c/ Alceu Valença).

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Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

quarta-feira, maio 22, 2013

Paulo Molin

Paulo Molin (Paulo Fernando Monteiro Mollin), cantor e jornalista, nasceu em Recife, PE, em 02/01/1938, e faleceu em Guaxupé, MG, em 26/08/2004. Começou a cantar com apenas oito anos de idade.  Seu grande sucesso foi Olinda, cidade eterna. Vindo para o Rio de Janeiro, atuou na Rádio Tupi e posteriormente foi contratado pela Rádio Nacional.

Gravou seu primeiro disco em 1950, com apenas 12 anos de idade, registrando os sambas-canção Olinda, cidade eterna e Recife, cidade lendária, ambos de Capiba, em disco que contou com acompanhamento de Severino Araújo e sua Orquestra Tabajara.

Em 1951, gravou, com acompanhamento de Zimbres e sua orquestra, o samba-canção Igarassu, cidade do passado, de Capiba, e a canção A chama, de Capiba e Ascenço Ferreira.

Contratado pela Sinter, gravou, em 1953, o bolero Bem sabes, de Oldemar Magalhães e Rossini Pacheco, e o samba-canção Por que?, de Rossini, Morpheu e Heber Lobato. Em 1954, gravou, com acompanhamento de Lírio Panicalli e sua orquestra, o fox-canção Daqui para a eternidade, de Karger e Wells, com versão de Lourival Faissal, e o samba-canção Se você vai embora, de Luiz Fernando e Nelson Bastos. No mesmo ano, gravou o samba Não tenho lar, de Edson Menezes, Arsênio de Carvalho e Luiz Bandeira, e a marcha Não aguento este calor, de José Lima, Bené Alexandre e Petrus Paulus. Ainda no mesmo ano, participou da coletânea Carnaval 1955, da gravadora Sinter, com a marcha  Não aguento este calor, de José Lima, Bené Alexandre e Petrus Paulus.

Em 1955, participou do LP Feira de ritmos, da gravadora Sinter, interpretando o fox-canção Daqui para a eternidade, de Karger e Wells, com versão de Lourival Faissal. Em 1956, lançou, pela gravadora Mocambo, o tango Caminho errado, de Agnes de Aquino e Carlos Magno, e o samba Desligue este rádio, de Carolina Cardoso de Menezes e Armando Fernandes. No ano seguinte, gravou as baladas-rock Sereno, de Aloísio T. de Carvalho, e Como antes (Come prima), de Taccani, Di Paola e Panzeri, em versão de Júlio Nagib, o samba "Quem sabe", de Nazareno de Brito e Fernando César, os boleros Sinto que a vida se vai, de Alfredo Gil e Fernando César , e Prece do perdão, de Fernando Borges e Antenor Aroxa, e a guarânia Serenata suburbana, de Capiba.

Paulo Molin - Revista do Rádio de 1955
Em 1958, participando com assiduidade de programas da Rádio Nacional, gravou os rocks-balada Minha janela, de Fernando César e Ted Moreno, e Se aquela noite não tivesse fim, de Nelson Ferreira e Ziul Matos. Em 1959, gravou, pelo selo Califórnia, as marchas A vida é boa, de Henrique de Almeida, José Roy e Rômulo Paes, e Bebo sem parar, de Rômulo Paes, Nelson Malibau e José Roy. 

Em 1960, gravou o samba Estamos quites e o bolero Fui eu, ambos de Sebasto e Irmãos Venâncio. Nesse ano, lançou, pela Mocambo, o LP Surpresa com diferentes músicas gravadas em 78 rpm, além da balada És a luz do meu olhar, de sua autoria. Nesse ano ingressou na gravadora Copacabana e participou da coletânea Tudo é carnaval - Nº 1 interpretando a marcha Eu não sou doutor, de G. Nunes, B. Lobo e F. Favero.

Em 1961, gravou o fox Olhando estrelas, de M. Anthony e Paulo Rogério, e a guarânia A deusa da montanha, de Hilton Acioli e Marconi da Silva. Em 1962, participou da coletânea Tudo é carnaval - Nº 2 com a marcha Viva a cegonha, de Silvio Arduino e Ercilio Consoni. No mesmo ano, de volta à gravadora Continental, gravou a balada Chorando por você, de Roy Orbison e Noe Nelson, em versão de Romeu Nunes, e o samba É tua vez de sorrir, de Fernando César e Luiz Antônio. Ainda em 1962, ingressou na gravadora Philips e gravou, o bolero-mambo Teimosia e a Balada do desespero, ambas de Francisco de Pietro. No mesmo ano, gravou pela Mocambo o samba-canção "Inconstante", de Aloísio T. de Carvalho, e o samba Rosa do mato, de Sérgio Ricardo e Geraldo Serafim.

Em 1963, lançou, pela gravadora Philips, o LP Meu bom amigo Capiba, um tributo ao compositor Capiba, interpretando várias obras do compositor. Em 1964, gravou duas marchas para a coletânea Carnaval - Vol. 1, da gravadora Philips, Balzac disse, de Denis Brean e Osvaldo Guilherme, e Me leva, de Waldemar Camargo e Vicente Longo.

Transferiu-se depois para São Paulo. Fixou-se, enfim, em Guaxupé, MG, onde continuou sua carreira de cantor, exercendo, também, nessa cidade, a atividade jornalística, no jornal Folha do Povo.

Em 1976, sua interpretação para a balada-rock Sereno, de Aloizio T. de Carvalho, foi incluída na trilha sonora da novela Estúpido cupido, da TV Globo.

Obras

És a luz do meu olhar, Quem tem mulata (Vicente Longo e Waldemar Camargo).

Discografia

(1950) Olinda, cidade eterna/Recife, cidade lendária • Continental • 78
(1951) Igarassu, cidade do passado/A chama • Continental • 78
(1953) Bem sabes/Por que? • Sinter • 78
(1954) Carnaval 1955 - Participação • Sinter • LP
(1954) Daqui para a eternidade/Se você vai embora • Sinter • 78
(1955) Feira de ritmos • - Participação - Sinter • LP
(1956) Caminho errado/Desligue este rádio • Mocambo • 78
(1957) Sereno/Quem sabe • Mocambo • 78
(1957) Como antes (Come prima)/Sinto que a vida se vai • Mocambo • 78
(1957) Prece do perdão/Serenata suburbana • Mocambo • 78
(1958) Minha janela/Se aquela noite não tivesse fim • Mocambo • 78
(1959) A vida é boa/Bebo sem parar • Califórnia • 78
(1960) Tudo é carnaval - Nº 1 • Carnaval/Copacabana - Participação • LP
(1960) Estamos quites/Fui eu • Mocambo • 78
(1960) Surpresa • Mocambo • LP
(1961) Tudo é carnaval - Nº 2 - Carnaval/Copacabana - Participação • LP
(1961) Olhando estrelas/A deusa da montanha • Continental • 78
(1962) Inconstante/Rosa do mato • Inconstante/Rosa do mato • 78
(1962) Chorando por você/É tua vez de sorrir • Continental • 78
(1962) Teimosia/Balada do desespero • Philips • 78
(1963) Meu bom amigo Capiba • Philips • LP
(1963) Carnaval bossa nova - • - Participação - Fermata - • LP

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Fontes: Wikipédia; Dicionário Cravo Albin da MPB; Revista do Rádio.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Marambá

Marambá (José Mariano da Fonseca Barbosa), compositor e instrumentista, nasceu em Surubim, PE, em 22/5/1896, e faleceu na cidade do Recife, PE, em 2/9/1968.Membro de uma família de músicos de banda conhecida como os Capibas, estudou música com o pai. 

Entre 1908 e 1910, com um de seus sete irmãos, Sebastião, tocou na banda do Ginásio Pernambucano, onde estudavam de graça por sua atuação musical.

Na juventude, integrou diversas bandas de música dirigidas pelo pai, nas cidades pernambucanas de Carpina, Limoeiro e Nazaré da Mata, e nos municípios paraibanos de Taperoá e Campina Grande. 

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Claudionor Germano

Claudionor Germano
Claudionor Germano (Claudionor Germano da Hora), cantor, nasceu no Recife, PE, em 10/8/1932. Começou carreira em 1947, como crooner de conjunto vocal, passando a cantar sozinho na Rádio Clube de Pernambuco, da qual se transferiu por quatro meses para a Rádio Tamandaré e, finalmente, para a Rádio Jornal do Comércio, onde teve oportunidade de atuar sob a direção do maestro Guerra-Peixe.

Quando foi inaugurada a televisão desse grupo, integrou-se em sua equipe e conseguiu fama e prestígio sem sair do Nordeste. Durante vários anos, cantou com a Orquestra de Nelson Ferreira e, a partir do Carnaval de 1954, passou a integrar o elenco da Fábrica de Discos Rozenblít.

Em 1959 gravou dois LPs pela Rozenblit, 25 anos de frevo, com 25 frevos de Capiba, que bateu recordes de vendagem, e O que eu fiz e você gostou, com 22 músicas de Nelson Ferreira; seguiram-se, em 1961, Carnaval começa com C de Capiba e O que faltou e você pediu, de Nelson Ferreira, que o consagraram como o um dos mais importantes intérpretes do frevo-canção de todos os tempos. Ainda em 1961 lançou o LP Sambas de Capiba, pela Rozenblít, destacando-se A mesma rosa amarela (Capiba e Carlos Pena Filho).

Foi escolhido o melhor cantor de rádio e televisão de Recife, de 1961 a 1965.

Em 1966 participou do I FIC, da TV Rio, do Rio de Janeiro, com a música de Capiba Canção do amor que não vem, reapresentando-se nos festivais dos dois anos seguintes com São os do Norte que vêm (música de Capiba, letra de Ariano Suassuna), quinto lugar na fase nacional, e o samba-afro Por causa de um amor (Capiba).

Cantor favorito de Capiba, de quem gravou 124 músicas, e um dos mais requisitados intérpretes do Carnaval de Pernambuco, lançou dezenas de discos em 78 rpm, 11 compactos (45 rpm) e grande número de LPs, entre eles, além dos já citados, Dozinho e seu Carnaval, Cirandas (1972, Musicolor) e Nelson ferreira — Meio século de frevo-canção. Este último e 25 anos de frevo foram reeditados em CD pela Polydisc, em 1993.

Interpretou também as séries Baile da Saudade, vols. I e II, O bom do Carnaval (RCA, 1979-1980) e faixas dos discos Capital do frevo, produzidos anualmente pela Mocambo com músicas inéditas.

Presença constante em todos os festivais de música carnavalesca, principalmente no Frevança (1979-1989) e Recifrevo (1990-1995), participou, também, das excursões do Vôo do Frevo: duas vezes nos EUA (Miami e New York) e uma no Japão (Tóquio).

CDs

Carnaval de Capiba — 25 anos de frevo, Orquestra de Nelson Ferreira, 1993, Polydisc CD 470.020; Nelson Ferreira — Meio século de frevo canção, 1993, Polydisc 470.021; Vinte supersucessos — História do Carnaval — Claudionor Germano, 1997, Polydisc CD 470.281. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha - 2a. Edição - 1998.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Quando é noite de lua

Quando é noite de lua (frevo, 1945) - Capiba - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Quando é noite de lua / Lourenço da Fonseca Barbosa (Capiba) (Compositor) / Nelson Gonçalves (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Nº do Álbum: 800352 / Nº da Matriz: S-078300-1 / Data de Gravação: 02/10/1945 / Data de Lançamento: Dezembro/1945 / Lado A / Gênero musical: Frevo / Carnaval.



Quando é noite de lua
Lá no bairro onde moro
Vou pra rua cantando
Para alguém que tanto adoro

Eu pensei que esse alguém
Ao ouvir meu cantar
Vem sozinha a janela
Para de perto me olhar

Esse alguém de quem falo
Partiu o meu coração
Chega e sai da janela
Sem me dar explicação

Mas um dia hei de ter
Tudo isso acaba
Ela então nos meus braços
Para eu de novo cantar

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Não aguento mais

Não aguento mais (frevo-canção, 1944) - Capiba - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Não aguento mais / Lourenço da Fonseca Barbosa (Capiba) (Compositor) / Nelson Gonçalves (Intérprete) / Orquestra Zaccarias (Acomp.) / Gravadora RCA Victor / Número do Álbum: 800234 / Data de Gravação: 19/09/1944 / Data de Lançamento: 12/1944 / Lado: A / Gênero musical: Frevo-canção / Carnaval



Morena que vem de outras terras
Porque tu não entra no frevo
É bom demais
E se tem bate-bate a onda
Começa pra frente, pra trás
Quando chega meia-noite
Não aguento mais!

Morena que vem de outras terras
Porque tu não entra no frevo
É bom demais
E se tem bate-bate a onda
Começa pra frente, pra trás
Quando chega meia-noite
Não aguento mais!

Não aguento mais
Frevo assim é bom
Mas já é demais
Quem quiser que eu fique
Nesta confusão
Me segure, me segure
Senão eu vou ao chão!

Morena que vem de outras terras
Porque tu não entra no frevo
É bom demais
E se tem bate-bate a onda
Começa pra frente, pra trás
Quando chega meia-noite
Não aguento mais!

quarta-feira, setembro 29, 2010

Valsa verde

Capiba
Lourenço da Fonseca Barbosa, o Capiba (Surubim PE 28/10/1904 - Recife PE 31/12/1997), filho de um mestre de banda, viveu e respirou música desde a infância. Começou a trabalhar como pianista, ainda garoto em Campina Grande-PB. Depois de uns poucos anos em João Pessoa, onde completou o curso médio, e também trabalhou como músico.

Foi morar no Recife em 1930, quando passou num concurso para o Banco do Brasil, emprego que lhe daria segurança econômica para dar vazão ao seu enorme talento como compositor.

Em 1931 teve seu nome reconhecido como compositor, e músico da Jazz Band Acadêmica, na capital pernambucana, com Valsa verde (feita em parceria com Ferreira dos Santos).

Valsa verde (valsa, 1932) - Capiba (música) e Ferreira dos Santos (letra) - Interpretação: Sílvio Salema

Disco 78 rpm / Título da música: Valsa verde / Lourenço da Fonseca Barbosa "Capiba" (Compositor) / Ferreira dos Santos (Compositor) / Sílvio Salema (Intérprete) / Orquestra Guanabara (Acomp.) / Gravadora: Parlophon / Gravação: 1932 / Lançamento: 1932 / Nº do Álbum: 13392 / Nº da Matriz: 131359 / Gênero musical: Valsa / Coleção de origem: Nirez D



Interpretação de Paulinho da Viola e acompanhamento de Raphael Rabello


Não sei bem quem és
Mas sei que entraste em meu olhar
Como na sombra entra uma réstia
De excelsa luz
Pelos meus olhos tristes
Nunca percebia
Não sei quem és e te recordo
E te desejo tanto
Pra ilusão de minha vida...

Não sei bem quem és
Mas sei que entraste em meu olhar
Como na sombra entra uma réstia
De excelsa luz
Que o meu sonho de amor
De verde iluminou
Depois o anseio
Que em mim ficou...

E a minha vida desde então
Se transformou pela ilusão
Do teu olhar
Foste a quimera que fugiu
Deixando em mim como perfume
De um amor cruel
Que no meu tristonho coração
Fez palpitar a canção verde
Dessa ilusão que eu quis compor
Pensando em ti, pensando em ti
No meu amor, sim
No nosso amor...

Não sei bem quem és
Mas sei que entraste em meu olhar
Como na sombra entra uma réstia
De excelsa luz
Pelos meus olhos tristes
Nunca percebia
Não sei quem és
E te recordo
E te desejo tanto
Para a ilusão de minha vida...

Não sei bem quem és
Mas sei que entraste em meu olhar
Como na sombra entra uma réstia
De excelsa luz
Que o meu sonho de amor
De verde iluminou
Depois o anseio
Que em mim ficou...



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sábado, abril 08, 2006

Capiba

Lourenço da Fonseca Barbosa, o Capiba, compositor e instrumentista, nasceu em Surubim PE (28/10/1904) e faleceu no Recife (31/12/1997). Filho do maestro Severino Atanásio de Sousa Barbosa, que era compositor, cantor e diretor de várias bandas musicais, tinha doze irmãos, que, como ele, aprenderam com o pai, e dois dos quais também se tornariam compositores de frevos: José Mariano (Marambá) e Hermann Barbosa. No mesmo ano em que nasceu, a família mudou-se para Recife, depois para Carpina PE, e em 1913 para Taperoá PB.


Por essa época já se dedicava à música, tocando trompa e participando, junto com os irmãos, da banda Lira de Borborema, dirigida pelo pai. Um ano mais tarde, a família mudou-se novamente, instalando-se em Campina Grande PB, onde o maestro Severino foi dirigir a Charanga Afonso Campos. Nessa época, a família já era chamada pelo apelido de Capiba ("jumento", no Nordeste), que provavelmente se originou com o avô, conhecido por sua pequena estatura e teimosia.

Aos 16 anos, aprendeu rapidamente algumas valsas ao piano, para substituir sua irmã Josefa como pianista do Cine Fox, de Campina Grande. Daí em diante, passou a dividir seu tempo entre o piano e o futebol, no qual chegou a se destacar, integrando times profissionais da cidade (América e Campinense Clube). Aos 20 anos, foi obrigado pela família a trocar a música e o futebol pelos estudos, viajando para João Pessoa PB, onde se matriculou num liceu.

Enfrentando a opinião dos pais, no mesmo ano teve sua primeira composição editada, a valsa Meu destino, e em 1925 empregou-se como pianista do cinema Rio Branco. Depois de fundar uma orquestra de baile, para atuar no Clube Astréia, e um conjunto, o Jazz Independência, venceu em 1929, com o tango Flor das ingratas, um concurso patrocinado pela revista Vida Doméstica, do Rio de Janeiro, que o publicou em fevereiro do ano seguinte.

Em 1930 participou do concurso carnavalesco da Casa Edison, classificando-se em quarto lugar com seu samba Não quero mais (com João Santos Coelho Filho), gravado para o Carnaval desse ano por Francisco Alves. Foi sua primeira música gravada com o pseudônimo de José Pato. No mesmo ano, deixou João Pessoa, seguindo para Recife, onde havia entrado, por concurso, no Banco do Brasil; mas não deixou a música, fundando a Jazz-Band Acadêmica, formada por estudantes universitários, e que destinava à Casa do Estudante Pobre toda a renda auferida em bailes.

Em 1932 compôs a Valsa verde (com Ferreira dos Santos), apresentada pela Jazz-Band Acadêmica na festa de formatura dos alunos de medicina. A orquestra, da qual era regente e pianista, tornou-se uma das mais famosas de Recife, apresentando-se também em outros Estados. A experiência ao lado dos acadêmicos fez com que se interessasse em cursar direito, sem deixar de lado a música e o trabalho no banco. Ainda em 1932 compôs, com Ascenso Ferreira, o maracatu É de tororó, que, depois de se tornar um sucesso em Recife, foi levado para o Rio de Janeiro RJ, sendo incluído numa revista de Jardel Jércolis, que excursionou pelo Brasil, Espanha e Portugal. No ano seguinte, apresentado no Rio de Janeiro pela Jazz Band Acadêmica, esse maracatu transformou-se em sucesso carnavalesco.

Em 1934 lançou-se como compositor de frevos, com É de amargar, inscrito no concurso promovido pelo Diário de Pernambuco, em que obteve o primeiro lugar; gravado por Mário Reis, consagrou-se no gênero. Em 1936 seu frevo-canção Manda embora essa tristeza foi gravado na Victor por Araci de Almeida. Dois anos depois, formou-se na Faculdade de Direito de Recife e venceu um concurso de tangos na Paraíba. Em 1939, ainda na Paraíba, conquistou o primeiro lugar num concurso de frevos.

Em 1943 compôs a canção Maria Bethânia, feita para a peça Senhora de Engenho, de Mário Sette, dirigida por Hermógenes Viana e encenada pelo Teatro do Sindicato dos Bancários. No ano seguinte, a canção foi gravada por Nelson Gonçalves, na Victor, e se tornou conhecida em todo o país.

Por 1947-1948, compôs uma série de músicas para peças teatrais, na época em que os escritores Hermilo Borba Filho e Ariano Suassuna fundaram o Teatro de Estudantes de Pernambuco e, mais tarde, o Teatro Popular do Nordeste, do qual foi presidente.

Do final da década de 1940 até meados da década de 1960, compôs músicas para as peças Haja pau (de José de Morais Pinho) e Mãe da lua (de Hermilo Borba Filho), para o Teatro de Bonecos; Amor de dom Perlimpim com Belisa em seu jardim (de Federico García Lorca), para o Teatro de Estudantes de Pernambuco; A pena e a lei (de Ariano Suassuna), Mandrágora (de Maquiavel), Viola do Diabo (da pintora Ladjane), encenadas pelo Teatro Popular do Nordeste; e O coronel de Macambira (de Joaquim Cardoso), pelo Teatro do Ministério da Educação e Saúde. Também musicou vários poemas de autores brasileiros, como, em 1948, Garça triste, de Castro Alves.

Em 1949 conheceu o maestro Guerra-Peixe, quando este foi trabalhar na Rádio Clube do Recife. Com ele estudou harmonia e composição erudita, passando a compor um concerto para piano, outro para flauta, um trio para violão, violino e celo, e uma suíte para piano, orquestrada por Guerra-Peixe. Seu concerto para flauta, dedicado a Esteban Estter, foi executado pelo próprio flautista no Brasil, Uruguai, Chile, Argentina e França.

Em 1950, no concurso da prefeitura de Recife para a comemoração do primeiro centenário do Teatro Santa Isabel, vencido por Guerra-Peixe, obteve o segundo lugar com uma abertura solene para orquestra sinfônica. No mesmo ano compôs o Maracatu elefante, mais tarde gravado na França. Também musicou, cinco anos depois, os versos de Alphonsus de Guimaraens, Ismália.

Em 1957 compôs, para o Carnaval, o maracatu Nação Nagô. Por essa época, já se dedicava também à pintura, nas horas vagas. Em 1963 musicou os versos de Vinícius de Moraes, Soneto da fidelidade, e, em 1964, alcançou em todo o Brasil seu maior sucesso da década, com o samba-canção A mesma rosa amarela (letra do poeta pernambucano Carlos Pena Filho).

Dois anos depois, sua composição Dia de festa ficou entre as finalistas do I FIC, da TV-Rio, do Rio de Janeiro. No ano seguinte, no II FIC, da TV Globo, obteve o quinto lugar e medalha de ouro com seu samba-baião São os do Norte que vêm, com letra de Ariano Suassuna. No mesmo ano participou do II Festival de Músicas de Carnaval, patrocinado pela Secretaria de Turismo do Rio de Janeiro, com o frevo-canção Europa, França e Bahia.

Em 1968 concorreu no III FIC com A cantiga de Jesuíno (letra de Ariano Suassuna) e o samba-afro Por causa de um amor. Compôs ainda diversas canções e músicas para a Orquestra Armorial de Pernambuco, como Sem lei nem rei, e para o Quarteto Armorial, como Toada e desafio.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.