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terça-feira, janeiro 22, 2013

Rio de Janeiro em versos de samba

Eu nasci em Catumbi / Em Catumbi, em Catumbi / Mas sou filho de Oxalá / Oxalá, Oxalá

Esta quadrinha gostosa é de um samba que J. B. Silva apresentou em 1924, chamado Cabeça de promessa. Dá a mesma medida exata do que tem feito os sambistas cariocas mais autênticos no canto de louvor a sua cidade, no geral, e no seu bairro, de modo especial. Loas e exaltações que tem o seu tanto – e natural – de vaidade, mas de modo aberto, sem o caráter agressivo de outros povos do Brasil e/ou do estrangeiro.

Certo, o Rio tem sido cantado em bloco, como cidade do amor e ventura / que tem mais doçura. Cânticos que têm chegado até a declaração de amor: Rio de Janeiro / gosto de você… Mas é na poesia do bairro que o letrista tem-se excedido, mais como um camelô das virtudes dos seus vizinhos do que, propriamente raciocinando. Grita as vantagens dos seus bairros por gritar, porque lhe faz bem assim proceder. Ou em resposta, responso coral quase, às proclamações de rivais – responso que toma o caráter de peça em detrimento dos rivais.

Assim, José Francisco de Freitas e D. M. Carneiro não faziam, em 1930, mais do que responder a Almirante e Candoca da Anunciação, quando escreveram: No Grajaú, Iaiá / No Grajaú. O seu bairro mais venturoso e mais aventuroso, mesmo, do que a mais longínqua e desértica Pavuna da gente reúna. Afinal, para a Pavuna o convite era:

Vem pra batucada
Que de samba na Pavuna
tem doutor


Ao otimismo malandro dos pavunenses (e isto não quer dizer que os autores do samba, bairrista fossem, necessariamente, seus habitantes), opunham o burguesismo do Grajaú, já então, talvez mais do que hoje, bairro metido a besta. O convite para ida à Pavuna não parecia sensibilizar ao autor da Dondoca e da Zizinha.

As origens das canções de exaltação aos bairros se perdem nos anos imperiais, talvez na própria e minguada cidade colonial. Neste século, entretanto, tais canções se tornaram mais constantes, acompanhando o progresso e o crescimento horizontal e vertical da metrópole. Às vezes, é uma fuga ao bulício do centro comercial o que leva um Hermes Fontes e um Freire Júnior a juntos compor uma coisa tão linda como aquela que declara: Paquetá é céu profundo / Que começa neste mundo / E não sabe onde acabar. É preciso cantar, cantar sempre – como diz a inimitável Nara Leão – e Paquetá era o recanto para a fuga às canseiras do crescente e barulhento Rio de Janeiro. Como um quarto de século depois seria (apenas idealmente) aquele samba bossa-novista primitivo que idolatrava Copacaba / Princesinha do mar…

E a oposição Zona Norte-Zona Sul? Já era tão forte no tempo de Noel Rosa que este antepunha à areia dos piratas de Ary Barroso, das moreninhas sapecas de João de Barro e de  Lamartine Babo, uma palmeira de mangue: e o Mangue – que o montanhista Idalicio Manuel de Oliveira Filho sempre soube escalar como ninguém, sendo o dono do assunto nos últimos trinta anos – convenhamos, o Mangue era, por aquela época, puro fogaréu.

O Mangue e toda a Zona Norte. Em 1930, por exemplo, Teobaldo M. Gama lançava na voz de Sílvio Caldas Um Samba no Rocha, descrevendo as vantagens dessa estação da central. Não esqueçamos que

A primeira escola de samba
Nasceu no Estácio de Sá

Aliás, mestre Idalício – bem o sabe o Cony, o Jotaefegê e outros bambas – é cidadão nativo e com muita honra do Estácio. Perto do Estácio, a grande zona do samba, o berço e talvez o túmulo – se o simonal e outros comprimidos favoráveis à dor de cabeça resolverem se abancar por ali. Pois o Rio inteiro cantou quase chorando, já em 1942:

Vão acabar com a praça Onze
Não vai haver mais
Escola de samba, não vai!

Não resta dúvida que o grande samba do Grande Otelo fez história: evitou que a praça Onze se transformasse em simples trecho da avenida Presidente Vargas, conservando um pouco que fosse, das suas tradições. Contudo, amigos da Zona Norte existe a Vila, imortalizada por Noel e Vadico, a Vila Isabel heróica:

Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba


Idalício não nasceu na Vila, mas sambista mais autêntico não existe – e por isso tem sido visto muitas vezes passeando pela praça Barão de Drummond. Não admira, a Vila, do ponto de vista do samba, atrai, prende, escraviza, mesmo considerando os outros bairros: Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira / Osvaldo Cruz e Matriz…

Mas a Zona Sul – ao contrário do que podem pensar os adventícios, os neófitos e os beócios reunidos – não foi descoberta pela brotoeja bossa-novista. Muito antes, já em 1936, Carmem Miranda e Sílvio Caldas entoavam um sambinha gostoso que dizia:

Quando passarmos
Lá no Leblon
Pra turma ver
Vou fazer assim

O tema do samba? Na batida tradicional, no telecoteco, um passeio de automóvel com buzina Fon-Fon – antecipando de muitos anos Il Sorpasso

No mesmo ano, Ari, mineiro de Ubá, apaixonado pela orla marítima, fazia um samba-comentário indagando:

Será você a tal Suzana
A casta Suzana
Do Posto Seis?

Porém, é evidente – e está o José Lino Grünewald, testemunha auricular dos 78 rpm, para confirmar – que a Zona Norte sempre surrou a Zona Sul em matéria de samba bairrista. Exemplo frisante é aquela marchinha de carnaval: Por um carinho teu / Minha cabrocha / Eu vou até o Irajá / Que me importa que a mula manque. Ou aquele sambinha cantando, simultaneamente, um bairro e sua estréia, minha falecida amiga Zaquia Jorge: Madureira chorou / Madureira chorou de dor. Ou aquele clássico: Vou à Penha / Vou pedir à padroeira.

Naturalmente, de vez em quando os que preferiam aparecer como geógrafos, distribuindo simpatia a vários bairros, se espalhavam. Um deles, em 1937, cantou simultaneamente o bonde e o seu itinerário (Din-Din ou Seu condutor):

O bonde Uruguai
É duzentos que vai
O bonde Tijuca
Me deixa em sinuca
E o Praça Tiradentes
Não serve pra gente

Lamartine, nos idos de 1931, na base da gozação carioca, acabou citando a comunidade que hoje se distribui na rua André Cavalcanti, e então tomava o bonde Silva Manoel, e foi além, brincando com o inglês (idioma) que se chegava (motivo de troça, como todos se lembram, de músicas de Noel e Assis Valente):

I love you
Forget sciaine
Mine Itapiru

Acima, uma prova concreta de que a Zona Norte e até a meia Zona Norte ganharam sempre da Zona Sul. Mas há um reduto invencível – e o Estácio, garante o Idalício, é centro, centríssimo! – e este reduto, já o falecido Benedito Lacerda, com sua flauta e sua inspiração, encarregou-se de proclamar o maior ao gritar que A Lapa / está voltando a ser / a Lapa!.

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Paiva. Salviano Cavalcanti de. “Rio de Janeiro em versos de samba”. Correio da Manhã. Rio de Janeiro, 16 de maio de 1965

terça-feira, outubro 18, 2011

Frederico Rocha

Frederico Rocha (circa 1900), cantor e barítono, desenvolveu a carreira artística na década de 1920 na cidade do Rio de Janeiro, RJ, e, como era comum na época, apresentou-se em teatros de revistas.

Gravou os primeiros discos em 1926, com acompanhamento da Orquestra Odeon, interpretando o samba-carnavalesco Voronoff, o cateretê Genipapo, a marcha-rancho Moreninha, e o samba Olhai, todas de Eduardo Souto.

No mesmo ano, gravou a marcha-carnavalesca Mamãe, eu vou com ele!, e os maxixes A gente se defende e Carnaval à noite, de Américo Jacomino, o Canhoto, a canção Dia de espiga, de Alves Coelho, o maxixe-carnavalesco Adeus Joana, de José Luiz de Nazareth, e a marcha-carnavalesca Já quebrou, de José Luiz de Morais, o afamado Caninha, considerado um dos pioneiros do samba nos saraus das tias baianas da antiga Praça Onze.

Ainda em 1926, fez grande sucesso, tanto na festa da Penha quanto no carnaval carioca com o samba Braço de cera, composição de Nestor Brandão. Também no mesmo ano, fez sucesso sua gravação da toada Paulista de Macaé, de Pedro de Sá Pereira, música que fez parte da revista Paulista de Macaé, de Marques Porto e Luiz Peixoto apresentada no Teatro Recreio.

Em 1927, gravou com sucesso a primeira composição de Lamartine Babo, a marcha Os calças largas, incluída na revista de mesmo nome, de Lamartine Babo e Freire Júnior, e que também obteve grande êxito no carnaval daquele ano.

Em sua curta carreira fonográfica, gravou vinte músicas pela Odeon, com destaque para Os calças largas, Braço de cera, e Paulista de Macaé.

Frederico Rocha, o anjo barítono

Na segunda metade dos anos 1920, o carnaval seguia ao som de Frederico Rocha, ídolo da Mocidade Alegre junto com Pedro Celestino. Nessa mesma época surgem novos tipos. O de maior sucesso foi a menina melindrosa, a ousada de cabelos e vestidos curtos. Frederico Rocha as descreve como sendo as mulheres que amedrontavam os homens com seus vestidos e comportamento livre.

Frederico Rocha ficou famoso no teatro de revista com sua voz de cantor de ópera; ele era um barítono bifronte. Para Luís Antonio Giron: “Frederico Rocha canta ao sabor das mudanças, como que impelido à praia do futuro por uma onda gigantesca de mudança, cantando virado para o alto-mar do passado”.

A Voz Popular com Frederico Rocha traz as canções O mundo é uma roleta, Moreninha e Mamãe, eu vou com ele.

Discografia

(1926) Voronoff • Odeon • 78
(1926) Genipapo • Odeon • 78
(1926) Moreninha • Odeon • 78
(1926) Olhai • Odeon • 78
(1926) Braço de cera • Odeon • 78
(1927) Os calças largas • Odeon • 78

Playlist




A gente se defende, Adeus Joana, Braço de cera, Carnaval à noite, Dia da espiga, És a minha assombração, Já quebrou, Mamãe eu vou com ele, Moreninha, Mulher de cueca, O mundo é uma roleta, Olhai, Paulista de Macaé, Saruê (todos de 1926).

Bibliografia Crítica

AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.

Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Cultura Brasil.

domingo, setembro 26, 2010

Olhos japoneses

Francisco Alves
Olhos japoneses (valsa, 1928) - Freire Júnior - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Olhos japoneses / Freire Júnior (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Hotel Itabuja Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 12812-a / Nº da Matriz: 1998-2 / Gravação: 13/Março/1928 / Lançamento: Agosto/1928 / Gênero musical: Valsa / Coleções: Nirez, José Ramos Tinhorão


Olhos pequeninos / Olhos japoneses
Olhos que ferinos / Matam muitas vezes
De paixão a gente / Olhos que seduzem
Que me põem doente / Olhos que traduzem
Um amor ardente

Olhos buliçosos / Olhos tentadores
Olhos que maldosos / Ligam dois amores
Num só coração / Olhos delicados
Cheios de emoção / Só são encontrados
Mesmo no Japão

Caprichos da moda / Nossa alta roda
Faz imitação / São olhos pintados
De negro tarjeados / Causa sensação
A sua sedução / A influência do amor
O olhar da gueisha / Louco a gente deixa

Na raça amarela / A mulher que é bela
Esses olhos tem / Olhos desviados
Meigos, delicados / Os olhos pequenos
Em rostos morenos / Se encontram somente
Lá no Oriente




As manhãs do Galeão

Vicente Celestino
As manhãs do Galeão (tango, 1928) - Freire Júnior - Intérprete: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: As Manhãs do Galeão / Freire Júnior (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra Rádio Central (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10272-a / Nº da Matriz: 1892 / Lançamento: Outubro/1928 / Gênero: Tango Canção / Coleções: IMS, Nirez


Surge ao sol, raios brilhantes / nas montanhas verdejantes
que contornam a Guanabara / Sua luz rompendo ao dia
mostra o fundo da baía / uma praia em pérola rara

Esta ponta de uma ilha / verdadeira maravilhosa
bem juntinho ao continente! / Deu-lhe encanto a natureza
Se anoitece com tristeza / amanhece alegremente

Os amantes deixam os ninhos / ao romper da alvorada
Trinam alegres os passarinhos  / a canção da madrugada
Num sentimento profundo / diz a gente com emoção:
Nada mais belo no mundo / que as manhãs do Galeão

Sobre areias cor de prata / lindas jovens à frescata
buscam o banho matinal  / Pescadores gente boa
tiram a pesca da canoa  /  no labor habitual

Ondas vêm e ondas vão / entoando uma canção
que em soluços canta o mar / É a canção triste do amor
Faz prazer e causa dor  / Nos faz rir e faz chorar

segunda-feira, setembro 20, 2010

Revendo o passado

Augusto Calheiros
Revendo o passado (valsa, 1926) - Freire Júnior - Intérprete: Augusto Calheiros

Disco 78 rpm / Título da música: Revendo o passado / Freire Júnior (Compositor) / Augusto Calheiros (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 11021-a / Nº da Matriz: 4662-1 / Gravação: 30/Maio/1933 / Lançamento: Agosto/1933 / Gênero musical: Valsa / Coleções: IMS, Nirez


Recordar é viver / Diz o velho ditado
Recordar é sofrer / Saudades do passado
Um sonho que viveu / Em nosso coração
Um amor que morreu / Deixando uma cruel paixão

Crer num sonho de ilusão / Ver na imaginação
A imagem do primeiro amor / Que tal qual uma flor
Murchou ao relento / No chão... secou...

Quem na estrada do viver / Não encontrou alguém
Alguém que o fez sofrer / A quem se dedicou
Talvez, quem saber amor...

Quem não teve uma paixão / A mesma ainda tem
E vive na ilusão / De ainda de ser feliz
Só o destino não quis...

Quem não tem no seu passado / A vida do seu bem
No túmulo guardado / O seu amor primeiro
Talvez o derradeiro...

Sim...
Somos todos iguais / A vida é mesmo assim
Desilusões e nada mais...

quinta-feira, março 06, 2008

Pálida morena

Francisco Alves
Pálida morena (tango-canção, 1933) - Freire Júnior - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Pálida morena / Freire Júnior (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 31/08/1933 / Lançamento: 11/1933 / Nº do Álbum: 11067 / Nº da Matriz: 4717 / Gênero musical: Tango canção / Coleções de origem: IMS, Nirez


Beijei
A tua boca e adormeci
Sonhei
Que era feliz junto de ti
Eu vi nos teus olhos
Linda criança
A cor que simboliza a esperança.

Pensei

Que fosse minha, ó ilusão
Julguei
Me pertencer teu coração
Momento de prazer e felicidade
Eu a sonhar na realidade.

Ó sonho de ilusão
Que se desfaz
Aquela de olhar meigo
Tão tristonho
Mulher, é uma mulher
Igual às mais...

Ó pálida morena
Dos meus sonhos
Adeus
Não quero ver-te nunca mais
Os teus
Olhos me ferem, são punhais
Teu beijo, é um veneno
Que tortura
E manda um mortal pra sepultura.

Porém
Triste consolo de paixão
Ninguém
Conquistará teu coração
Tu dás o teu amor
A quem quiser, e a quem quiser
O teu amor, mulher....



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Deusa

Francisco Alves
Deusa (canção-modinha, 1931) - Freire Júnior

Disco 78 rpm / Título da música: Deusa / Autoria: Freire Junior (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acompanhante) / Gravadora: Odeon / Gravação: 12/06/1931 / Nº do Álbum: 10815 / Nº da Matriz: 4250 / Gênero musical: Modinha / Coleções de origem: IMS, Nirez


Deusa
Visão no céu que me domina
Luz de uma estrela que ilumina
Um coração pobre de amor
Teu trovador
Chorando as mágoas ao luar
Vem aos teus pés para implorar
As tuas graças divinais
Consolação e nada mais


Deusa
Anjo do céu, meu protetor
Nas alegrias e na dor
Sagrado ser a quem venero
Nada mais quero
Se não puder esquecer
Alguém que não mais quero ver
Visão fatal, que foi meu ideal

Deusa
Inspiração celestial
Sincera musa divinal
A quem confio meu segredo
Eu tenho medo
De não poder me dominar
Alguém no mundo ainda amar
Para evitar tal traição
Deixo contigo o coração

Deusa
Eu tenho em ti a minha esperança
Tu és a paz, és a bonança
A minha Santa Padroeira
Dá-me a cegueira
Não quero ver a mais ninguém
Nas trevas só me sinto bem
Na escuridão
Viver sem coração

Mas ó mulher
Pensas talvez que me enganavas
Quando a sorrir tu me beijavas
Dizendo, só me pertencer
A mim somente até morrer
Todas iguais
Tu és mulher, e nada mais
Não amarei no mundo, a mais ninguém
A ti somente eu quero bem



Fonte: Discografia Brasileira - IMS

sábado, fevereiro 23, 2008

Seu Julinho vem

Freire Jr.
A marchinha é quase uma peça de campanha de Júlio Prestes, candidato oficial a presidente da República, mas nem por isso deixa de ser saborosíssima. Fez grande sucesso no carnaval de 1929, e foi cantada numa revista teatral de abril do mesmo ano.

"Seu Toninho" é Antônio Carlos de Andrada, presidente de Minas Gerais (“terra do leite grosso”), que se recusava a aceitar a indicação de “Seu Julinho”, de São Paulo, rompendo com a política do café-com-leite - um mandato no Palácio do Catete para a elite paulista, outro para elite mineira -, que vigorou durante quase toda a República Velha. A referência ao Rio de Janeiro explica-se: o Rio era a capital do país, a sede do poder.

Seu Julinho vem (marcha, 1930) - Freire Júnior - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Seu Julinho vem / Freire Junior (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum 10373 / Nº da Matriz: 2556 / Lançamento: Maio/1929 / Gênero musical: Marcha / Coleções: IMS, Nirez


Ó Seu Toninho
Da terra do leite grosso
Bota cerca no caminho
Que o paulista é um colosso
Puxa a garrucha
Finca o pé firme na estrada
Se começa o puxa-puxa
Faz do seu leite coalhada

Seu Julinho vem, Seu Julinho vem
Se o mineiro lá de cima descuidar
Seu Julinho vem, Seu Julinho vem
Vem, mas custa, muita gente há de chorar

Ó Seu Julinho, tua terra é do café
Fique lá sossegadinho
Creia em Deus e tenha fé
Pois o mineiro
Não conhece a malandragem
Cá no Rio de Janeiro
Ele não leva vantagem



Fontes: Franklin Martins - Site Oficial - Conexão Política; Discografia Brasileira - Instituto Moreira Salles.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

De cartola e bengalinha

Freire Júnior
De cartola e bengalinha (maxixe, 1925) - Freire Júnior - Intérpretes: Bahiano e Fernando

Disco selo: Odeon R / Título da música: De cartola e bengalinha / Freire Júnior (Compositor) / Fernando (Intérprete) / Bahiano (Intérprete) / Jazz Band Sul Americano Romeu Silva (Acomp.) / Coro (Acomp.) / Nº do Álbum: 122782 / Lançamento: 1925 / Gênero musical: Maxixe / Coleções: IMS, Nirez



Ela antigamente
Era tão sossegadinha
Hoje, ai minha gente
De cartola e bengalinha (x2)

refrão:

Isto não é sério
Isto assim não é decente
Foi-se embora, deu o fora
Sem dizer adeus à gente (x2)

Trança é desmazelo
Moça não se impressione
Corte o seu cabelo
Pela moda à la garçonne (x2)

Boca bem fechada
Olha a mosca varejeira
Eu não sou coalhada
Pra dormir na geladeira (x2)

Não olhe assim

Não olhe assim (marcha/carnaval, 1923) - Freire Júnior - Intérprete: Orquestra Eduardo Souto

Disco selo: Odeon R / Título da música: Não olhe assim / Freire Júnior (Compositor) / Orquestra Eduardo Souto (Intérprete) / Nº do Álbum: 122356 / 122357 / Lançamento: 1923 / Gênero musical: Marcha carnavalesca / Coleção: Nirez D



Ó menina, venha cá
Ula lá, ula lá
Creia em mim e tenha fé
Ole lé, ole lé
Meu amor é para ti
Bem te vi, bem te vi
Não sou coió
Bem te vi só...

Não olhe assim
Que me maltrata
O teu xodó
Ai meu bem, meu coração,
É que me mata

Meu amor de quem será?
Ula lá, ula, lá
Quem quiser que bata o pé
Ole lé, ole lé
Eu nasci em Catumbi
Bem te vi, bem te vi
Espia só
Não sou caicó

Ai amor

Bahiano
Ai amor (marcha/carnaval, 1921) - Freire Júnior - Intérprete: Bahiano

Disco selo: Odeon R / Título da música: Ai Amor / Freire Júnior (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Conjunto e Coro (Acomp.) / Nº do Álbum: 121974 / Nº da Matriz: 121974-2 / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Marcha Carnavalesca / Coleção de fontes: IMS, Nirez



Almofadinha
Gente pronta sem vintém
Anda chique bem na linha
Não diz donde o cobre vem

É arrojado
Só tem lábias
E cantigas
Sem vergonha, malcriado
Não respeita as raparigas

Ai amor
Ai ó flor
Não me faças sofrer assim
Este mal que não tem mais fim

Melindrosinha
Moça chique e vaporosa
Elegante e bonitinha
Perfumada como a rosa

Namoradeira
Com vontade de casar
Os botões de laranjeira
Nos dão muito que pensar

Moço bonito
É rapaz descolocado
Que por processo esquisito
Anda chique e perfumado

Este tratante
Dó, ré, mi sabe tocar
Intitula-se estudante
Para as moças embrulhar

terça-feira, janeiro 01, 2008

Os Garridos

Os Garridos - Dupla formada pelos atores de teatro de revista Alda Palm Garrido (São Paulo SP 1896 - Rio de Janeiro RJ 1970) e seu marido, Américo Garrido, fazendo duetos até 1920, em São Paulo.

Mudam-se para o Rio de Janeiro e organizam uma companhia para o Teatro América, estreando com Luar de Paquetá, de Freire Júnior, 1924, que permanece seis meses em cartaz com sucesso.

A dupla recebe convite para trabalhar com o empresário Pascoal Segreto, e na sua companhia atuam, entre outras, em Ilha dos amores, Quem paga é o Coronel, ambas de Freire Júnior, Francesinha do Bataclan, de Gastão Tojeiro, todas em 1926.

A temporada projeta Alda Garrido, que é contratada pelo empresário de teatro de revista Manoel Pinto, pai de Walter Pinto, para atuar na Companhia Nacional de Revistas, no Teatro Recreio.

O sucesso que a atriz obtém no gênero a faz manter desde então uma dupla atuação profissional - de um lado as comédias de costume que monta em sua própria companhia com produção do marido, de outro, os contratos com os empresários do teatro de revista.

Mas aos poucos os espetáculos de sua companhia acabam se rendendo ao sucesso do teatro musicado, como em Brasil pandeiro, 1941, com texto de seu autor favorito, Freire Júnior, em parceria com Luiz Peixoto, uma dupla das mais requisitadas no gênero revisteiro.

Em 1939, o empresário Walter Pinto faz com que, no espetáculo Tem marmelada, de Carlos Bittencourt e Cardoso de Meneses, Garrido e Araci Cortes dividam o palco pela primeira e última vez, no Teatro Recreio.

Entre as revistas de maior sucesso de sua carreira estão Maria Gasogênio - sátira à falta de gasolina nos anos da Segunda Guerra - e Da Favela ao Catete, de Freire Júnior e Joubert de Carvalho, 1935.

domingo, abril 16, 2006

Amor de malandro

Amor de malandro (samba, 1929) - Ismael Silva, Francisco Alves e Freire Júnior - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Amor de malandro / Francisco Alves (Compositor) / Freire Júnior (Compositor) / Ismael Silva (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10424 / Nº da Matriz: 2633 / Lançamento: Julho/1929 / Gênero musical: Samba / Coleções: IMS, Nirez


F#m----- C#7
Vem, vem
--------------------------------F#m----- F#7
Que eu dou tudo a você
---Bm------------ A
Menos vaidade
--------------F#7---- Bm
Tenho vontade
---------------E7-------- A----C#7
Mas é que não pode ser

-------F#m ------------G#7
O amor é o do malandro
Oh! Meu bem
-------C#7---------------- F#m---- F#7
Melhor do que ele ninguém
-------------Bm
Se ele te bate
----------------------F#m
É porque gosta de ti
Pois bater-se em quem
------------G#7
Não se gosta
----C#7---- F#m
Eu nunca vi




segunda-feira, abril 03, 2006

Malandrinha

Freire Júnior
Malandrinha (canção, 1927) - Freire Júnior - Intérprete: Francisco Alves

Disco selo: Odeon / Título da música: Malandrinha / Freire Júnior (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Violões (Acomp.) / Nº do Álbum: 10159 / Nº da Matriz: 1592 / Lancamento: Abril/1928 / Gênero musical: Modinha Brasileira / Coleções: IMS, Nirez



(Am)------E7------------------- Am
A lua vem surgindo cor de prata
---------A7--------------------- Dm
No alto da montanha verdejante
-------------------Dm6---------- Am
A lira de um cantor em serenata
--------B7--------------------- E7
Reclama na janela a sua amante
------------------------------Am
Ao som da melodia apaixonada
-----------A7------------------- Dm
Das cordas de um sonoro violão
---------------------Dm6---------- Am
Confessa um seresteiro à sua amada
-------B7 --------E7 ----------Am (E) (Am)
O que dentro lhe dita o coração

--------------Am------------------------ E7
Ò linda imagem de mulher que me seduz
-------------------------------------- Am
Ah se eu pudesse tu estarias num altar
-----------A7------------------------- Dm
És a rainha dos meus sonhos, és a luz
---------- Am-------------------- E7-- Am
És malandrinha não precisas trabalhar

--------E7-------------------- Am
Acorda minha bela namorada
----A7------------------- Dm
A lua nos convida a passear
-------------------Dm6------------ Am
Seus raios iluminam toda a estrada
----------B7-------------------- E7
Por onde nós havemos de passar
---------------------------------Am
A rua está deserta, ò vem querida
--------A7------------------------------ Dm
Ouvir bem junto a mim, o som do pinho
-----------------------Dm6------- Am
E quando a madrugada, já surgida
--------B7----------- E7 -------------Am-- E7
Os pombos voltarão para seus ninhos

--------------Am
Ò linda imagem de mulher . . . . . . . .


Pinta, pinta melindrosa

Freire Jr.
Pinta, pinta melindrosa (marcha/carnaval, 1926) - Freire Júnior - Intérprete: Fernando

Disco selo: Odeon R / Título da música: Pinta, Pinta, Melindrosa / Freire Júnior (Compositor) / Fernando (Intérprete) / Jazz Band Sul Americano Romeu Silva (Acomp.) / Nº do Álbum: 122983 / Lançamento: 1926 / Gênero musical: Marcha Carnavalesca / Coleções: IMS, Nirez / Obs.: Inscrição no selo do disco: "Cantado per Fornando"



A pintura está na moda hoje em dia
Bem resolve os caprichos da mulher
Dá-lhe o sangue que lhe rouba a anemia
Dá-lhe o novo que a beleza lhe requer

Pinta, pinta, pinta, pinta melindrosa
Pinta, pinta, pinta, pinta , pinta bem
Quem não torna suas faces cor-de-rosa
Pinta o sete lá na rua com alguém

Olhos negros, lábios rubros, tez rosada
Predicados exigidos pra beleza
Uns beijinhos numa boca bem pintada
Põe da gente para sempre a alma presa

Quem não gosta de uma boca bem corada
Quem não gosta de nas tintas carregar
Se procuras das velhotas as fachadas
Hoje em dia a pintura reformar



Fontes: Discografia Brasileira, Instituto Moreira Salles

Café com leite

Freire Júnior
Poucos textos políticos seriam capazes de explicar de modo tão claro e com tanto talento como eram armadas as eleições para presidente na República Velha como "Café com Leite", música da peça de teatro de revista do mesmo nome que foi encenada no início de 1926.

O mestre cuca, ou seja, o ocupante do Palácio do Catete, convocava os chefes dos executivos estaduais ao Distrito Federal ou mandava emissários aos estados, propunha os nomes dos candidatos a presidente a vice e, ao final desse processo, indicava a chapa oficial.

Geralmente, ela era vitoriosa. Apenas em algumas oportunidades, cozinheiros dissidentes opuseram-se frontalmente ao esquema do “café com leite” (São Paulo com Minas) e lançaram chapas alternativas.

Café com leite (maxixe, 1926) - Freire Júnior - Intérprete: Fernando

Disco selo: Odeon R / Título da música: Café com leite / Freire Júnior (Compositor) / Fernando (Intérprete) / Jazz Band Sul Americano Romeu Silva (Acomp.) / Nº do Álbum: 122984 / Lançamento: 1926 / Gênero musical: Maxixe / Coleções: IMS, Nirez


Nosso Mestre Cuca movimentou / O Brasil inteiro,
Pois cada um Estado pra cá mandou / O seu cozinheiro.
Mexeu-se a panela, fez-se a comida / Com perfeição.
Assim foi a bóia, bem escolhida / Com precaução

Café paulista, / Leite mineiro,
Nacionalista / Bem brasileiro.

Preto com branco, / Café-com-leite,
Cor democrata , / É preto com branco, meu bem, aceite.
Cor da mulata / O leite é bem grosso, café é forte
Agüenta a mão. / As novas comidas têm que dar sorte
Na situação”.



Fonte: Franklin Martins - Site Oficial

Luar de Paquetá

"Luar de Paquetá" é a mais conhecida das composições sobre a bucólica ilha, que inspirou tantas outras canções e até um romance célebre, A Moreninha, de Joaquim Manoel de Macedo. E merece essa popularidade muito mais pela melodia de Freire Júnior do que pelos versos de Hermes Fontes.

Um exagerado simbolista, o poeta impregnou a canção de imagens afetadas como "nereidas incessantes", "hóstia azul fervendo em chamas", "noites olorosas"... Aliás, a propósito desta imagem, há algumas gravações em que os intérpretes - entre os quais Francisco Alves - trocam o adjetivo e cantam "nessas noites dolorosas". Lançado em 1922, "Luar de Paquetá" estendeu seu sucesso ao ano seguinte, quando deu nome a uma revista teatral.

Luar de Paquetá (tango / fado, 1922) - Freire Jr. e Hermes Fontes

Interpretação de Bahiano em disco Odeon lançado em 1922:

Disco selo: Odeon R / Título da música: Luar de Paquetá / Freire Júnior (Compositor) / Hermes Fontes (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Nº do Álbum: 122064 / 122065 / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Tango Fado / Coleção: Nirez D



Intepretação de Déo com Dircinha Batista em disco Continental lançado em 1943:

Disco 78 rpm / Título da música: Luar de Paquetá / Freire Júnior (Compositor) / Hermes Fontes (Compositor) / Déo (Intérprete) / Dircinha Batista, 1922-1999 (Intérprete) / Benedito Lacerda e Seu Conjunto (Acomp.) / Imprenta [S.l.]: Continental / Nº Álbum 15105-a / Nº Matriz: 688-1 / Lançamento: Dezembro/1943 Gênero musical: Marcha-rancho



Nestas noites olorosas, / Quando o mar desfeito em rosas,
Se desfolha à lua cheia, / Lembra a ilha um ninho oculto,
Onde o amor celebra em culto, / Todo o encanto que a rodeia.


Nos canteiros ondulantes, / As nereidas incessantes,
Abrem lírios ao luar, / A água em prece burburinha,
Em redor da capelinha / E vai rezando o verbo amar.


Jardim de afetos, pombal de amores, / Humildes tetos de pescadores,
Se a lua brilha - que bem nos dá - / Amar na Ilha de Paquetá !


Pensamento de quem ama / Hóstia azul fervente em chamas
Entre lábios separados, / Pensamento de quem ama,
Leva o meu radiograma / Ao jardim dos namorados,
Onde é esse paraíso / O caminho que idealizo,

Na ascensão para este altar, / Paquetá é um céu profundo
Que começa neste mundo / Mas não sabe onde acabar...


Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34

Ai, seu Mé

Freire Jr.
No final de 1921, a campanha eleitoral para a sucessão do presidente Epitácio Pessoa empolgava o país. Eram candidatos Artur Bernardes, pela situação, e o dissidente Nilo Peçanha, pela oposição. Vítima de uma calúnia jornalística, Bernardes cairia na antipatia do povo, que passou a chamá-lo de "Carneiro", "Rolinha" e "Seu Mé". A razão dos apelidos era sua suposta passividade diante das maquinações políticas, defeito que lhe atribuíam os adversários.

Acreditando numa derrota do candidato oficial, os compositores Freire Júnior e Careca (Luís Nunes Sampaio) decidiram, então, participar da campanha ridicularizando-o na marchinha "Ai Seu Mé":

"Ai Seu Mé / ai Seu Mé / lá no Palácio das Águias, olé / não hás de pôr o pé (...) Rolinha desista / abaixe esta crista (...) a cacete / não vais ao Catete / não vais ao Catete...".

Na realidade um plágio, uma espécie de colagem de três sucessos da época - o fox "Salomé" (de R. Stolz e E. Neri, que teve uma versão em português com o título de "Abajur" ); a canção "Mimosa" (de Leopoldo Fróes); e a marcha "Ai Amor" (do próprio Freire Júnior) - o "Ai Seu Mé" caiu imediatamente nas graças do público, tornando-se o grande sucesso do carnaval de 1922, apesar da proibição da polícia, que chegou a recolher os discos gravados pelo Baiano e a Orquestra Augusto Lima.

Contrariando o prognóstico dos autores, "Seu Mé" foi eleito, empossado e passou quatro anos no Palácio das Águias, governando sob estado de sítio. E de nada valeu a precaução de assinarem a composição com o pseudônimo de "Canalha das Ruas", pois Freire Júnior acabou sendo "preso e recolhido à solitária por duas ou três vezes" (segundo o historiador Ary Vasconcelos), enquanto Careca, mais esperto, passava uma temporada escondido, fora do Rio. Se Mário de Andrade fosse comentar esta história, diria certamente: "mas isso é tão Brasil...".

Ai Seu Mé (marcha, 1922) - Freire Júnior e Careca

"Canalha das Ruas" lança disco selo Popular em 1920:

Disco selo: Popular R / Título da música: Ai Seu Mé / Freire Júnior (Compositor) / Careca (Compositor) / Canalha das Ruas (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Nº do Álbum: 4054 / Nº da Matriz: #4054 / Lançamento: 1920 / Gênero musical: Marcha / Coleção: Nirez D



Cantor Bahiano lança disco selo Odeon em 1922:

Disco selo: Odeon R / Título da música: Ai Seu Mé / Freire Júnior (Compositor) / Careca (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Orquestra do Chico Boia (Acomp.) / Coro (Acomp.) / Nº do Álbum: 122115 / Nº da Matriz: #122115-5 / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Marcha / Coleções: IMS, Nirez



Interpretação de Francisco Alves em disco Odeon lançado em 1927:

Disco selo: Odeonette / Título da música: Ai Seu Mé / Freire Júnior (Compositor) / Careca (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Nº do Álbum: 103-uma / Nº da Matriz: 109 / Lançamento: 1927 / Gênero musical: Marcha



O Zé Povo quer a goiabada Campista
Rolinha desista / Abaixe esta crista
Embora se faça uma "bernarda"
A cacete / Não vais ao Catete
Não vais ao Catete

Ai seu Mé / Ai Mé Mé
Lá no Palácio das Águias, olé
Não hás de pôr o pé

O queijo de Minas tá bichado
Seu Zé / Não sei porque é
Não sei porque é
Prefira bastante apimentado, Yayá
O bom vatapá / O bom vatapá



Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34

sexta-feira, março 31, 2006

Freire Júnior

Francisco José Freire Júnior, revistógrafo, pianista, compositor, nasceu em Santa Maria Madalena, RJ, no dia 4 de agosto de 1881 e morreu no Rio de Janeiro em 6 de outubro de 1956.


Aos oito anos, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. Aos 14 anos, morando no bairro de Santa Teresa, começou a compor (tocando piano de ouvido) para um grupo de teatro amador.

Sua primeira composição foi para a peça O primo da Califórnia, de França Júnior. Em uma das apresentações, tocando ao piano, conhece Chiquinha Gonzaga, que o incentiva a estudar o instrumento. Assim o fez com o maestro Agnelo França, no Instituto Nacional de Música. Morou e estudou odontologia na ilha de Paquetá. Exerceu a profissão em escolas e consultórios particulares.

Ali também, durante anos, dirigiu o Paquetá Jornal. Sua primeira composição para o teatro profissional foi em 1917 para a revista Tudo dança, de Alvarenga Fonseca e J. Miranda, encenado no Teatro Carlos Gomes. Estreou como autor teatral em 1919 com a burleta Flor do Mal.

No período de 1919 até 1956, escreveu e encenou 172 peças teatrais. Tornou-se um dos maiores autores de revistas musicais do Brasil. Em 1934, tornando-se empresário do Teatro Recreio, ainda assume a direção do Teatro Cômico da Empresa Pascoal Segreto. Mais tarde dirige outras companhias teatrais. Em 1952 ganha medalha pela produção de Eu quero sassaricá, campeã de bilheteria de 1951.

Seus principais sucessos foram: Ai amor (1921), Ai, seu mé (1922), Luar de Paquetá (1923), Não olhe assim (1923), De cartola e bengalinha (1925), Malandrinha (1927), Amor de malandro e Seu Julinho vem (1929), Deusa (1931), Pálida morena e Revendo o Passado (1933), Hei de ver-te um dia (1935).

Seus últimos anos foram de declínio. Aplicou tudo que tinha para empresariar suas novas peças, mas não obteve sucesso algum. Morreu com problemas do desequilíbrio nervoso.

Algumas músicas

















Fonte: História do Samba - Fascículos - Editora Globo.