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quarta-feira, janeiro 31, 2018

Boa viagem - Aurora Miranda

Noel Rosa
Boa Viagem (samba, 1934) - Ismael Silva e Noel Rosa - Intérprete: Aurora Miranda

Disco 78 rpm / Título da música: Boa Viagem / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Silva, Ismael (Compositor) / Miranda, Aurora (Intérprete) / Turma da Serenata (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1934 / Nº Álbum 11187 / Lado B / Lançamento: Janeiro/1935 / Gênero musical: Samba.


C          A7         D7    
Se não mandei você embora, enfim,
G7                  C
foi porque me faltou a coragem
A7           Dm      F/A
Mas se você vai dar o fora, então,
Fm/Ab  C/G  A7 D7     C
passe  bem,   boa  viagem!
C          A7         D7
Se não mandei você embora,
G7                  C
enfim, foi porque me faltou a coragem
A7           Dm
Mas se você vai dar o fora,
F/A  Fm/Ab  C/G A7 D7 G7  C
então, passe  bem,   boa  viagem!

         A7     Dm             G7            C
O amor é como a chama, tem princípio, meio e fim
A7           Dm        G7           C/Bb
Se você já não me ama, para que fingir assim?
C7/E       F/A         Fm/Ab      C/G
Não mandei você embora porque sou  benevolente
A7        D7          G7       C    A7 D7 G7
Para que você agora quer sair ocultamente

C          A7         D7       
Se não mandei você embora, enfim,
G7                 C
foi porque me faltou a coragem
A7           Dm      F/A
Mas se você vai dar o fora, então,
Fm/Ab  C/G A7 D7 G7  C
passe  bem,   boa  viagem!

           A7      Dm          G7           C
Seu desejo não me assombra, ofereço o meu auxílio
A7           Dm         G7             C/Bb
Passa bem, vá pela sombra, acabou-se o nosso idílio
C7/E        F/A         Fm/Ab         C/G
Seu amor e o seu nome, eu também  vou esquecer
A7              D7            G7        C
Desta vez juntou-se a fome com a vontade de comer!


Fonte: Samuel Machado Filho - Youtube.

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

Aurora Miranda para os fãs do rádio

Aurora Miranda apareceu como satélite de Carmen Miranda e encorajada por Francisco Alves, que a lançou em músicas de São João, em discos, no rádio e no palco do Recreio, onde interpretou com sucesso uma das músicas premiadas no primeiro concurso de músicas de junho de "A Noite", intitulada "Cabôco do zóio grande".

Aurora Miranda cantou na Phillips, na Mayrink Veiga e, agora acompanhando sempre os passos da irmã, está na Rádio Tupy. Aurora esteve em Buenos Aires e conquistou aplausos cantando para o público portenho.


Fonte: CARIOCA, de 12/12/1936.

quinta-feira, janeiro 09, 2014

Carmen e Aurora Miranda

Carmen Miranda - 1936
“Acabaram de ouvir Carmen Miranda...” — anuncia César Ladeira, na PRA-9. “Escucharán em seguida Aurora Miranda...” — diz o “speaker” da LR-3 de Buenos Aires. E são assim as irmãs Miranda: conhecidas e queridas do público, no Rio e em Buenos Aires. Melhor, no Brasil e na Argentina.

E ao que se diz, brevemente, elas serão anunciadas da seguinte maneira: “Now listen Carmen Miranda...” e “Maintenaut vous allez entendre Aurora Miranda...”. É que a América do Sul já está se tornando pequena para as duas incansáveis estrelas cariocas.

Carmen Miranda é, hoje, a maior das nossas estrelas de rádio. É, também, a mais antiga, pois, desde 1928 que a sua voz é ouvida através os microfones da cidade.

Foi lançada pela Victor em parceria com Josué de Barros, quem primeiro a ensaiou e orientou. “Yayá Yoyô”, “Ta-hi”, “Vamos dar valor” e algumas outras músicas, foram das primeiras gravações de Carmen que já começava absoluta, isto é, sem rivais.

Neste tempo, pode-se dizer que a música popular era interpretada, exclusivamente, por cantores. Havia, é verdade, cantoras, mas estas, não se dedicavam ao samba e a marchinha. Limitavam-se a interpretar canções. Carmen Miranda foi, pois, uma revolução. Foi a luva que o samba jogou à canção. E o resultado não se fez esperar: a canção foi, fragorosamente, derrotada e o samba passou a dominar a cidade. As músicas que Carmen lançava e gravava eram conhecidas desde Ipanema até a Tijuca. Eram cantadas, assobiadas e cantaroladas.

Começou então, o segundo período de sua carreira, talvez o mais glorioso e que se prolonga até hoje: a imitação. Diante do sucesso de Carmen, as outras cantoras da cidade, não tardaram em imitá-la. Ao invés de procurarem criar estilos próprios, pessoais, limitavam-se a imitar a dona de um “jeito” todo especial de cantar e que possui, como ninguém, em alto grau, o senso da interpretação.

Aurora Miranda em 1936
Aurora Miranda, tem uma carreira mais curta. Apareceu em 1933. Logo de início, obteve grande sucesso com “Cai, cai, balão”, de Assis Valente. Daí por diante, tem tido grande sucesso, quer no Rio, quer em Buenos Aires.

Carmen e Aurora partem agora, novamente, para Buenos Aires. Terão, na capital portenha, uma estada de mês e meio. Levam, no seu repertório, as últimas novidades do Rio e todos os grandes sucessos do último carnaval — músicas lançadas por elas, ou por outros cantores.

— Levamos um repertório, inteiramente novo para Buenos Aires e esperamos agradar — disseram as duas encantadoras estrelas, a CARIOCA.

E assim, ficará o Rio, privado, por algum tempo, das duas vozes que ele mais admira. Na volta de Buenos Aires, após curta permanência nesta capital, pretendem, as duas, seguir para a Europa, visitando Lisboa, Paris e outras cidades.

CARIOCA prevê, desde já, para as irmãs que tanto têm feito pela nossa música, grandes êxitos. Habituados como estamos, a ver os sucessos no estrangeiro, de criaturas que aqui são autênticos fracassos, temos que esperar das Irmãs Miranda, uma brilhante atuação, pois, não lhes faltam qualidades para isso.

E, por certo, não estamos muito longe do dia em que ouviremos, numa “broadcasting” parisiense ou londrina, através das ondas curtas, as vozes simpáticas e amáveis das “Embaixatrizes do Samba”, que virão matar as saudades dos seus fãs do Rio, que são todos os habitantes da capital brasileira."


Fonte: CARIOCA, de 2/4/1936 (fotos e texto atualizado).

segunda-feira, junho 24, 2013

Paulo Werneck

Paulo Werneck - 1935
Paulo Werneck (Paulo de Frontin Werneck), cantor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 29 de setembro de 1918 e faleceu, na mesma cidade em 4 de outubro de 2001. Teve curta carreira artística, num momento em que a carreira de cantor ou compositor ainda engatinhava na profissionalização.

Iniciou a carreira artística no começo da década de 1930, apresentando-se em programas de Rádio. Em 1932, gravou pela Victor com acompanhamento do Grupo da Guarda Velha os sambas A neném é do amor, de J. Machado, e Meu coração está magoado, de sua autoria.

Em 1934, gravou na Odeon em dueto com João Petra de Barros, com acompanhamento da Orquestra Odeon, a marcha Noiva do meu coração e o samba Menina bonita, ambas de sua autoria.

Em 1935, seu samba Foi assim que morreu o nosso amor foi gravado na Odeon pelo cantor Mário Reis.

Em 1936, gravou em dueto com Aurora Miranda e acompanhamento do Grupo Odeon a marcha Janjão e Zabé, de Ary Barroso e Paulo Roberto, e o samba Minha existência está finando, de sua autoria e Lauro dos Santos Werneck. Nesse ano, seu samba Rancor, com A. Rocha, foi gravado em dueto por Carmen Miranda e Aurora Miranda na Odeon.

Durante os anos 40 e 50, segundo informações de um familiar, permaneceu trabalhando com o meio artístico musical em São Paulo, sendo um dos donos da legendária Boate Oásis, no subsolo do edifício Esther.

Em 2003, sua interpretação do samba Janjão e Zabé, de Ary Barroso e Paulo Roberto, em dueto com Aurora Miranda, foi incluída no volume 2 da coleção Nossa homenagem Ary Barroso 100 anos, lançada pelo selo Revivendo em homenagem ao centenário de nascimento de Ary Barroso.

De curta carreira, assim foi definido na revista O Malho pelo jornalista e compositor Osvaldo Santiago: "Os sambistas são tidos geralmente como sujeitos mal vestidos e mal encarados. Na realidade, porém, a classe está cada vez mais limpa e elegante. Paulo de Frontin Werneck, cantor e autor de sambas românticos, é o moço alinhado que o clichê indica. Ele acaba de gravar por Mário Reis o samba "Quando meu amor morreu", uma peça digna do êxito que está obtendo".

Cantor e autor


"Neto de conde, do conde de quem herdou o nome, Paulo de Frontin Werneck constitue, entre os elementos excessivamente democraticos do nosso broadcasting, um excepção de bom sangue e de boa educação. É um cantor de linha e um auctor de elite, apesar de actuar no genero predilcto das grandes massas do nosso publico, que é o samba, a marchinha, o fox-trot, a valsa e cousas assim.

Paulo de Frontin Werneck começou, como inteprete, no programa "Horas do Outro Mundo", que Renato Murce transmittia na Philips. E hoje já conta com uma legião de admiradores e admiradoras, estas, naturalmente, em muito maior numero, o que causa inveja a muito medalhão do radio carioca...

Como auctor, são varias as suas composições, salientando-se as que estão na ordem do dia carnavalesco: - "Menina bonita". samba, e "Noiva do meu coração", marcha, ambas gravadas por João Petra de Barros e elle proprio"  (O Malho, 31/01/1935).

Obras


Foi assim que morreu o nosso amor, Menina bonita, Meu coração está magoado, Minha existência está finando (c/ Lauro dos Santos Werneck), Noiva do meu coração, Rancor (c/ A. Rocha).

Playlist





Discografia


1932 A neném é do amor/Meu coração está magoado • Victor • 78
1934 Noiva do meu coração/Menina bonita • Odeon • 78
1936 Janjão e Zabé/Minha existência está finando • Odeon • 78

__________________________________________________________
Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Revista "O Malho"

quinta-feira, janeiro 24, 2013

Ronaldo Lupo

Ronaldo Lupo (Ronaldo Lupovici), cantor, compositor e ator, nasceu em São Paulo SP em 18/12/1913, e faleceu na mesma cidade em 18/8/2005. De origem judaica, chegou a ser considerado galã do cinema nacional em algumas chanchadas por ele interpretadas e produzidas, especialmente durante a década de 1950, começo dos anos 1960.

Iniciou a carreira como compositor em 1934 quando teve gravado por Gastão Formenti na Victor o samba-canção Samba da saudade e por Moacyr Bueno Rocha na Columbia a valsa-canção Feliz de quem vive na ilusão e a canção-blue Eu sonhei, parcerias com Saint-Clair Sena.

Em 1935, teve gravadas na Columbia a marcha Deixa essa gente falá e o samba Meu amor nunca foi da cidade, por Jaime Vogeler e a marcha Cuidado! e o samba Por causa da tua fantasia por Castro Barbosa, parcerias com Saint Clair Sena.

Em 1936, teve mais duas parcerias com Saint-Clair Sena gravadas por Gastão Formenti, a valsa Na minha terra e o samba-canção Traição. Nesse ano, Aurora Miranda gravou na Odeon a marcha Prometo lhe dar tudo e o samba Meu pecado é te querer, também parcerias com Sain Clair Sena. Em 1941, atuou no filme Entra na farra, de Luiz de Barros que contou ainda com as participações de Arnaldo Amaral, Batista Júnior, Abel Pera e Zezé Macedo, entre outros. Nesse período, atuou na Rádio Mayrink Veiga.

Em 1944, gravou seu primeiro disco, pela Continental, com os fox Suave melodia, de Nelson S. Ferreira e Por que mentir?, de sua autoria e Zélia Moreira. Em 1945, foi para a Odeon e gravou o samba O que é que ela tem?, parceria com Ari Brandão e o choro Zum-zum, de sua autoria. No ano seguinte, gravou a valsa Tic-tic-tac, de Sivan Castelo Neto e a cançoneta Tua carta, de sua parceria com Nestor Tangerini. Em 1947, retornou para a Continental e gravou a valsa O mundo dá tanta volta, de Raimundo Lopes e o fox-blue Capricho de mulher, de sua autoria e Alberto Ribeiro.

Em 1949, gravou a toada Morena, morena, parceria com Jair Amorim e o samba Moreninha carioca, parceria com Alberto Ribeiro. Durante toda a década de 1950, dedicou-se a fazer filmes, nos quais sempre cantava e interpretava.

Em 1950, lançou a cançoneta Vou desistir de namorar, parceria com Nestor Tangerini e o samba Linda cidade, de sua autoria. Nesse ano, transferiu-se para a Todamérica e lançou o Baião em Paris, parceria com o bailarino Duque e o fox Depois eu conto, parceria com Nestor Tangerini. Em 1952, gravou o bolero Foi você, de Oscar Bellandi e Paulo Gesta e o samba Manon, de Alice Alves e Nestor Tangerini. Nesse mesmo ano, gravou o samba Sem ti, de sua parceria com Jair Amorim e a Canção da viagem, de sua autoria.

Em 1953, gravou o beguine Beija-me, jura-me, de sua autoria e o samba Você nasceu pra mim, parceria com Oldemar Magalhães. Nesse ano, atuou no filme Era uma vez um vagabundo, com direção de Luiz de Barros, filme que produziu com recursos próprios, obtendo sucesso de crítica e de público. Em 1955, foi para a gravadora Columbia e lançou o samba-chamego Me dá, me dá, me dá!..., de sua autoria e o samba Não me convém..., parceria com Nestor Tangerini.

Em 1956, gravou o samba Olha um pouco para mim..., de sua autoria e Jair Amorim e que fez parte da trilha sonora do filme Genival é de morte. Nesse ano, gravou na Mocambo o fox-canção Cinco sentidos, com Nestor Tangerini e relançou o samba Você nasceu pra mim, com Oldemar Magalhães. Foi o responsável pelo lançamento do ator Zé Trindade na série de filmes com o personagem Genival: Trabalhou bem Genival e Genival é de morte. Ainda com Zé Trindade, atuou no filme Tem boi na linha, grande sucesso de público. Em 1958, gravou a canção Confissão, parceria com Lourival Faissal e o fox-humorístico Depois eu conto, parceria com Nestor Tangerine.

Nessa época, sua carreira entrou em declínio e ele parou de gravar discos. Trabalhou também com Dercy Gonçalves no filme Só naquela base. Foi distribuidor da Embrafilmes. Produziu ainda os filmes Briga, mulher e samba, Quero essa mulher assim mesmo, Hoje o galo sou eu, As aventuras de Chico Valente e Só naquela base. Atuou ainda com Procópio Ferreira no filme Titio não é sopa não.

Em 2003, como comemoração a seus 90 anos de idade, gravou o CD Ronaldo Lupo aos 90 - Para os amigos, CD no qual relembrou sucessos seus como Eu sonhei, Como um velho trovador, Morena. Morena, Confissão e Samba da saudade.

Obras
Baião em Paris (c/ Duque), Beija-me, jura-me, Canção da viagem, Capricho de mulher (c/ Alberto Ribeiro), Cinco sentidos (c/ Nestor Tangerini), Confissão (c/ Lourival Faissal), Depois eu conto (c/ Nestor Tangerini), Eu sonhei (c/ Saint-Clair Sena), Feliz de quem vive na ilusão (c/ Saint-Clair Sena), Linda cidade, Me dá, me dá, me dá!..., Meu pecado é te querer (c/ Saint-Clair Sena), Morena, morena (c/ Jair Amorim), Moreninha carioca (c/ Alberto Ribeiro), Na minha terra (c/ Saint-Clair Sena), Não me convém... (c/ Nestor Tangerini), O que é que ela tem? (c/ Ari Brandão), Olha um pouco para mim... (c/ Jair Amorim), Por que mentir? (c/ Zélia Moreira), Prometo lhe dar tudo (c/ Saint-Clair Sena), Samba da saudade (c/ Saint-Clair Sena), Sem ti (c/ Jair Amorim), Traição (c/ Saint-Clair Sena), Tua carta (c/ Nestor Tangerini), Você nasceu pra mim (c/ Oldemar Magalhães), Vou desistir de namorar (c/ Nestor Tangerini), Zum-zum.

Discografia
(1944) Suave melodia / Por que mentir? • Continental • 78
(1945) O que é que ela tem? / Zum-zum • Odeon • 78
(1946) Tic-tic-tac / Tua carta • Odeon • 78
(1947) O mundo dá tanta volta / Capricho de mulher • Continental • 78
(1949) Morena, morena / Moreninha carioca • Continental • 78
(1950) Vou desistir de namorar / Linda cidade • Continental • 78
(1950) Baião em Paris / Depois eu conto • Todamérica • 78
(1952) Foi você / Manon • Todamérica • 78
(1952) Sem ti / Canção da viagem • Todamérica • 78
(1953) Beija-me, jura-me / Você nasceu pra mim • Todamérica • 78
(1955) Me dá, me dá, me dá!... / Não me convém... • Columbia • 78
(1955) Cinco sentidos / Você nasceu pra mim • Mocambo • 78
(1956) Olha um pouco para mim... • Todamérica • 78
(1958) Confissão/Depois eu conto • Columbia • 78
(2003) Ronaldo Lupo aos 90 - Para os amigos • CD

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

sábado, março 24, 2012

Cidade Maravilhosa não nasceu hino

André Filho
Cidade Maravilhosa não nasceu hino nem com pretensão a tal. André Filho, o autor, compositor de música popular, já trazendo em sua bagagem alguns sucessos, concebeu-a, como se depreende da letra e ritmo, na característica apenas de alegre marchinha glorificante. O agrado que prontamente logrou, graças à espontaneidade de sua melodia e de seus versos, tornando-a popularíssima, acabou, no entanto, dando-lhe o galardão de hino. Não dentro da exegese de uma temática musical e poética, mas pelo seu exato sabor de glorificação simples, sem rebuscamentos, exaltando apenas a cidade que a inspirou.

Depois, consolidada pela preferência popular, a marchinha ganhava diploma legal, concedido pela vereança carioca, e que determina sua adoção “como marcha oficial da Cidade do Rio de Janeiro”. Conseqüentemente, embora não havendo rígido preceito obrigatório, dá cunho de solenidade à sua execução no início e término de bailes e festas, afora sua utilização como prefixo de programas de rádio e televisão. Havendo, ainda, acrescida ao seu sucesso local, a ampla divulgação que tem no exterior através de múltiplas gravações, inclusive na China, com a respectiva adaptação de seus versos.

Uma frase que “pega”

A rigor, no cotejo cronológico, não foi (como bem esclarece Almirante em No tempo de Noel Rosa) o compositor Antonio André de Sá Filho o criador da frase “cidade maravilhosa”. Paulo Coelho Netto, por justiça e direito, apontou e reivindicou para seu pai a paternidade da feliz denominação, pois ela é encontrada num artigo do consagrado escritor publicado por A Notícia em 1908. Mas, inegavelmente, quem a reviveu, em 1932 a 1934, foi o locutor César Ladeira quando lia diariamente, crônicas escritas por Genolino Amado focalizando aspectos do Rio e subordinadas à epígrafe Cidade Maravilhosa.

A cuidadosa dicção, a pronúncia propositadamente escandindo as sílabas da frase que dava motivo às apreciadas digressões literárias interpretadas por tão excelente speaker, fizeram a denominação correntia e usual. A denominação de maravilhosa dada ao Rio de Janeiro pegou de galho como se diz na gíria. Daí ocorrer a um musicista (no caso André Filho) que dedica as suas produções ao êxito popular, tomá-la como tema para uma marchinha alegre, despretensiosa, com o fito de exaltar a sua cidade “cheia de encantos mil!”. Feita com habilidade, tendo todos os predicados para ser apreendida facilmente, foi cantada por todo o povo e acabou obtendo as prerrogativas de um autêntico hino.

Pretendeu ser carnavalesca

Lançada em outubro de 1934, na interpretação de Aurora Miranda e do próprio autor, que além de tocar piano tinha boa voz, alcançou boa vendagem em discos da Odeon, promotora de sua gravação. André Filho achou, pois, oportuno destiná-la ao Carnaval de 1935. Inscreveu-a num concurso patrocinado pela Municipalidade, mas o júri desse certame deu a primeira colocação a Coração Ingrato, marchinha de parceria Nássara (Antonio) e Frazão (Erastótenes). Não obstante Cidade Maravilhosa apareceu com destaque na parada musical dos festejos de Momo e devido a seu espírito de exaltação do Rio continuou sendo muito executada e tendo novas roupagens orquestrais.

A princípio sua preferência era ditada apenas pela melodia convidativa, entusiástica, onde os versos entravam certinhos e puxados pelas rimas ricas, fáceis: “encantos mil” sugerindo logo “coração do meu Brasil”. Depois, seguindo um curso crescente de popularidade deixava de ser a marchinha que seria apenas carnavalesca como pretendeu seu autor, e tomava ares de uma canção glorificante muito grata aos cariocas. Não se impunha que a tocassem nos bailes, nas programações das emissoras de rádios ou se fizesse sua inclusão nas revistas teatrais, mas O agrado público e notório dava-lhe preferência clara intuitiva.

Furando as fronteiras

Vitoriosa na metrópole que a inspirou, entoada com ênfase para ter valorizada sua letra, a marchinha Cidade Maravilhosa despertava o interesse de arranjadores, de gravadoras, de editoras musicais. Um sem número de edições em discos e partituras foram surgindo e começaram a ser exportadas. Ao mesmo tempo, orquestras de outros países assimilavam a tessitura musical da marchinha e, mesmo sem alcançar a vivacidade do ritmo, o andamento brasileiro, faziam sua divulgação, davam-lhe foros de internacional.

Viajando para os Estados Unidos, onde triunfava sua irmã Carmen, Aurora Miranda ali encontrando o famoso Bando da Lua fez nova gravação da marchinha de André Filho, repetindo o êxito da primeira. Viu então propagar-se por toda a nação amiga, já bastante interessada pela música do Brasil, em adaptações várias que iam da Beautifull City à aportuguesada Cidade Morravilhóse, a canção onde o Rio era exaltado. Assim, quando uma das bem informadas press nos trouxe a notícia de que Cidade Maravilhosa havia sido gravada na China, não houve surpresa, mas apenas orgulho e vaidade pelo sucesso de nossa música.

Marcha Oficial e quase “hino”

Já consagrada, tendo adquirido pela popularidade o feitio de hino do Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa com a criação do Estado da Guanabara ganhava, em 1960, a honraria definitiva. Um decreto resultante de indicação do saudoso vereador Salles Neto determinava em seu artigo primeiro: “Fica adotada como marcha oficial da Cidade do Rio de Janeiro, respeitados os respectivos direitos autorais, ex vi da legislação em vigor, a marcha Cidade Maravilhosa de autoria do compositor André Filho.”

Na ocasião o musicista, como infelizmente ainda agora, encontrava- se enfermo. Um repórter do Diário da Noite levou-lhe a grata notícia de sua marchinha no Hospital da Ordem do Carmo e, jubiloso, é claro, mas humilde e sem vaidade, ele a recebeu. Disse que o ato o animava a prosseguir e anunciou já estar elaborando uma nova composição intitulada Brasil, coração da gente.

Não conseguiu, mesmo doente, esconder a emoção que sentiu ao ver a sua Cidade Maravilhosa obter o laurel de marcha oficial o que, reconheça-se é quase a mesma coisa que ser hino.

(O Jornal, 14/7/1964) 
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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

sábado, março 08, 2008

Balança coração

Balança coração (marcha, 1934) - André Filho - Intérprete: Aurora Miranda

Disco 78 rpm / Título da música: Balança coração / André Filho (Compositor) / Aurora Miranda (Intérprete) / Orquestra Odeon sob Direção de Simon Bountman (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 01/05/1934 / Lançamento: 05/1934 / Nº do Álbum: 11116 / Nº da Matriz: 4791 / Gênero musical: Marcha / Coleções de origem: IMS, Nirez


Meu coração balança
Entre o sonho e a ilusão
Na esperança de um dia
Suavizar a paixão
Deste amor que foi vida
Foi perfume de mel
E morreu ao luar
Bem pertinho do mar
No fim da primavera.

Balança entre o sonho e a ilusão
O sonho ilude
Faz a gente delirar
E a ilusão suaviza o seu penar

Balança coração, balança
Balança entre o sonho e a ilusão
O sonho ilude
Faz a gente delirar
E a ilusão suaviza o seu penar



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

terça-feira, abril 04, 2006

Aurora Miranda

Aurora Miranda

Aurora Miranda (Aurora Miranda da Cunha), cantora, nasceu no Rio de Janeiro RJ, em 20/4/1915 e faleceu em 22/12/2005. Cantava desde menina, em casa, com as irmãs Carmen e Cecília. A pedido do compositor e violonista Josué de Barros (lançador de Carmen Miranda), cantou, antes de completar 18 anos, um número na Rádio Mayrink Veiga. 


Com o sucesso, passou a apresentar- se no Programa Casé, na Rádio Philips, e, em 1933, gravou seu primeiro disco, pela Odeon, cantando em dupla com Francisco Alves a marcha Cai, cai, balão (Assis Valente) e o samba Toque de amor (Floriano Ribeiro de Pinho).

O disco fez muito sucesso; assim, no mês seguinte, novamente com Francisco Alves, lançou pela mesma etiqueta o fox-trot Você só... mente (Noel Rosa e Hélio Rosa), que se transformou também em grande êxito.

Sempre pela Odeon, gravou a seguir os sambas Fala R.S.C. (José Evangelista) e Alguém me ama (Benedito Lacerda), e a marcha Se a lua contasse (Custódio Mesquita). Começou, então, a cantar em dupla com Carmen Miranda, apresentando-se em 1934 com ela, João Petra de Barros, Jorge Murad e Custóquio Mesquita na Rádio Record e no Teatro Santana, em São Paulo SP.

Ainda em 1934, fez sucesso com o samba Sem você (Sílvio Caldas e Orestes Barbosa) e o samba- canção Moreno cor de bronze (Custódio Mesquita), e lançou seu maior êxito, a marcha de André Filho Cidade maravilhosa, em dueto com o autor, que obteve o segundo lugar no concurso oficial de Carnaval de 1935 e em 1960 se tornou o hino oficial do antigo Estado da Guanabara.

Estreou no cinema, em 1935, trabalhando no filme Alô, alô, Brasil, dirigido por Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro, no qual cantou Cidade maravilhosa, além de Ladrãozinho (Custódio Mesquita). Ainda nesse ano, gravou a marcha junina Onde está seu carneirinho? (de Custódio Mesquita, também cantada no filme Estudantes, de Wallace Downey, de 1935), e Nego, neguinho (Custódio Mesquita e Luiz Peixoto), e foi uma das primeiras cantoras a lançar em disco o novo gênero samba-choro (choro cantado), interpretando Fiz castelos de amores (Gadé e Valfrido Silva).

No filme Alô, alô, Carnaval, de 1936, dirigido por Ademar Gonzaga, cantou em dupla com Carmen Miranda, acompanhada pela Orquestra de Simon Bountman, a marcha Cantores de rádio (João de Barro, Lamartine Babo e Alberto Ribeiro) e sozinha, com acompanhamento do regional de Benedito Lacerda, o samba Molha o pano (Getúlio Marinho e A. Vasconcelos). Nesse mesmo ano, gravou com sucesso o samba Bibelô (André Filho) e fez seu único disco em dueto com Carmen Miranda, interpretando Cantores de rádio e o samba Rancor (Augusto Rocha e Paulo de Frontin Werneck).

Destacou-se, no Carnaval de 1937, com a marcha Trenzinho do amor (João de Barro e Alberto Ribeiro) e o samba Deixa a baiana sambar (Portelo Juno e Valdemar Pujol); e, em 1938, com os sambas Vem pro barracão (Nelson Petersen e Oliveira Freitas), Vai acabar (Nelson Petersen) e a marcha Dia sim, dia não (Alberto Ribeiro). Em 1937 excursionou com Carmen à Argentina e ao Uruguai, apresentando-se com o Bando da Lua.

Para o Carnaval de 1939, gravou pela Victor a marcha Menina do regimento (João de Barro e Alberto Ribeiro), que cantou também no filme Banana da terra, de J. Rui, do mesmo ano. Ainda em 1939, fez sucesso com o samba-canção Roubaram meu mulato (Claudionor Cruz), o samba-choro Teus olhos (Roberto Martins e Ataulfo Alves) e o samba Acarajé... ô (Ademar Santana e Leo Cardoso), em dueto com Carlos Galhardo. Com uma maneira própria de cantar um jeito contido, romântico e sentimental, foi a cantora que mais gravou no Brasil, na década de 1930, depois de Carmen Miranda.

Em 1940, em seu último disco na Victor, lançou o samba Paulo, Paulo (Gadé), em dupla com Grande Otelo (cujo nome não figura na etiqueta), e o maxixe Petisco do baile (Ciro de Sousa e Garcez). Casando-se no mesmo ano com Gabriel Richaid, fixou residência nos EUA deixando, com 25 anos de idade, sua carreira em segundo plano.

Desde então, passou a cantar esporadicamente, participando, em 1944, do filme Você já foi à Bahia?, de Walt Disney, no qual cantou Os quindins de Iaiá (Ary Barroso), fazendo seis gravações pela Decca norte-americana (quatro lançadas em 1941 e as outras duas apenas em 1975, em um LP da MCA no Brasil), apresentando-se no rádio ao lado de Rudy Valee e Orson Welles, e realizando espetáculos no Teatro Roxy e boate Copacabana, em New York.

Voltou para o Brasil em 1952, quando lançou em disco Risque (Ary Barroso). Em 1956 apresentou-se no show de Carlos Machado Mr. Samba, em homenagem a Ary Barroso. No mesmo ano, regravou em LP pela Sinter oito antigos sucessos seus, e lançou dois discos pela Odeon, encerrando sua marcante carreira, em que deixou gravados 81 discos e 161 músicas em 78 rotações.

Em 1990 cantou o fox Você só... mente, no filme Dias melhores virão, de Carlos Diegues. Em 1994 regravou com Sílvio Caldas o samba Quando eu penso na Bahia (Ary Barroso e Luís Peixoto), dueto lançado no CD Songbook Ary Barroso (Lumiar). Em 1995 apresentou-se em espetáculo em homenagem a Carmen promovido pelo Lincoln Center, em New York.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.