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quinta-feira, fevereiro 08, 2018
Obras raras sobre MPB
As obras a seguir estão disponíveis no formato "pdf":
O Choro (Reminiscências dos chorões antigos), 1936
- Alexandre Gonçalves Pinto
Samba - Orestes Barbosa
Na roda do samba - Francisco Guimarães - "Vagalume"
O cabrocha - Jota Efegê
Minha Vida - Francisco Alves
Mystérios do Violão, 1905 - Eduardo das Neves
domingo, fevereiro 04, 2018
A mulher que ficou na taça - Francisco Alves
A Mulher Que Ficou na Taça (valsa, 1934) - Francisco Alves e Orestes Barbosa - Intérprete: Francisco Alves
Disco 78 rpm / Título: A Mulher Que Ficou na Taça / Alves, Francisco, 1898-1952 (Compositor) / Barbosa, Orestes (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 17/03/1937 / Álbum 801050 / Gênero: Valsa.
Fugindo da nostalgia
Vou procurar alegria
Na ilusão dos cabarés
Sinto beijos no meu rosto
E bebo por meu desgosto
Relembrando o que tu és
E quando bebendo espio
Uma taça que esvazio
Vejo uma visão qualquer
Não distingo bem o vulto
Mas deve ser do meu culto
O vulto dessa mulher...
Quanto mais ponho bebida
Mais a sombra colorida
Aparece em meu olhar
Aumentando o sofrimento
No cristal em que, sedento
Quero a paixão sufocar
E no anseio da desgraça
Encho mais a minha taça
Para afogar a visão
Quanto mais bebida eu ponho
Mais cresce a mulher no sonho
Na taça, e no coração.
Disco 78 rpm / Título: A Mulher Que Ficou na Taça / Alves, Francisco, 1898-1952 (Compositor) / Barbosa, Orestes (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 17/03/1937 / Álbum 801050 / Gênero: Valsa.
Fugindo da nostalgia
Vou procurar alegria
Na ilusão dos cabarés
Sinto beijos no meu rosto
E bebo por meu desgosto
Relembrando o que tu és
E quando bebendo espio
Uma taça que esvazio
Vejo uma visão qualquer
Não distingo bem o vulto
Mas deve ser do meu culto
O vulto dessa mulher...
Quanto mais ponho bebida
Mais a sombra colorida
Aparece em meu olhar
Aumentando o sofrimento
No cristal em que, sedento
Quero a paixão sufocar
E no anseio da desgraça
Encho mais a minha taça
Para afogar a visão
Quanto mais bebida eu ponho
Mais cresce a mulher no sonho
Na taça, e no coração.
sábado, fevereiro 03, 2018
Meu erro - Sílvio Caldas
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Sílvio Caldas |
Disco 78 rpm / Título da música: Meu Erro / Caldas, Sílvio (Compositor) / Barbosa, Orestes (Compositor) / Caldas, Sílvio (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1936 / Nº Álbum 11378 / Gênero musical: Valsa.
Fiz mal, confesso o meu erro
Chorando no meu desterro
A alma não sabe o que quer
E a dor é que me suplanta
A voz de amor na garganta
Por causa desta mulher
Eu tento dizer no canto
A mágoa que fulge tanto
Que a minha vida mudou
E a frase mais linda e louca
Cortada fica na boca
Porque o soluço cortou
Tu tens no peito um castigo
Que eu tão triste imagino
As noites do teu fulgor
No meio das luzes loucas
Servindo de boca em boca
O vinho do teu amor
E ao ver a tua alegria
No cambio da hipocrisia
Mercadejando ilusão
Fico a pensar no que disse
Fico a pensar na tolice
Da gente ter coração
O nome dela não digo - Sílvio Caldas
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Sílvio Caldas |
Disco 78 rpm / Título da música: O Nome Dela Não Digo / Caldas, Sílvio (Compositor) / Barbosa, Orestes (Compositor) / Caldas, Sílvio (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1936 / Nº Álbum 11397 / Gênero musical: Valsa.
A mágoa não me abandona
Uma mulher telefona
Há de ser para indagar
Que grande paixão é esta
Que fez de um viver de festa
Esta tragédia sem par
A culpa foi do ciúme
A causa foi um perfume
Um beijo frio e depois
As discussões repetidas
Um drama de duas vidas
A culpa foi de nos dois
O nome dela eu não digo
O nome eu guardo comigo
Na urna do coração
Meu coração um bandido
Que até a mim tem traído
Na febre desta ilusão
E agora vivo mentindo
Como quem cresça não acha
Como que passa a borracha
Num lindo trecho que errou
O vestido das lágrimas - Floriano Belham
Floriano Belham |
Disco 78 rpm / Título da música: O Vestido das Lágrimas / Barbosa, Orestes (Compositor) / Caldas, Sílvio (Compositor) / Floriano Belham (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1935 / Nº Álbum 33964 / Gênero musical: Valsa / Seresta.
Vou me mudar soluçante
Do apartamento elegante
Que tem, do antigo fulgor
Lindos biombos ornados
De crisântemos doirados
Cenário do nosso amor
A nossa vida era calma
Más eu sentia em minh'alma
Um medo não sei de que
E um dia quanta tristeza
Achei a lâmpada acesa
E não achei mais você
Fechei a luz com vergonha
Da minha face tristonha
Para a mim mesmo enganar
Para não ver nos espelhos
Meus olhos muito vermelhos
De tanto e tanto chorar
E solucei, vou ser franco
Só o luar cisne branco
Ouviu o meu soluçar
Um soluçar comovido
Com que eu molhava o vestido
Que você deixou ficar
Soluços - Onéssimo Gomes
Soluços (valsa, 1935) - Orestes Barbosa e Sílvio Caldas - Intérprete: Onéssimo Gomes
LP Onéssimo Gomes - Serestas Do Brasil Nº 3 / Título da música: Soluços / Sílvio Caldas (Compositor) / Orestes Barbosa (Compositor) / Onéssimo Gomes (Intérprete) / Gravadora: Rádio / Ano: 1958 / Nº Álbum: 0070-GV / Lado B / Faixa 3 / Gênero musical: Valsa.
Amei tantas mulheres loucamente
Tantas bocas beijei no meu desejo
Sem pensar que deixava, ingenuamente,
Um pouco de mim mesmo em cada beijo.
Bem fez o meu soluço
É de saudade
A mágoa em meu sentir
Tudo suplanta
Este canto por ti, diz a verdade
Cortando as minhas frases na garganta
Lua - lâmpada acesa da tristeza
Magnólia do céu, que aqui ouvís
Ilumina com a tua singeleza
A casa da mulher que não me quis.
Quisera na amargura deste canto
Cristalizar as lágrimas de dor
E ver lá no cristal deste meu pranto,
Sorrindo, o funeral do meu amor !
quarta-feira, janeiro 31, 2018
Araruta - Coisas Nossas
Araruta (samba, 1932) - Orestes Barbosa e Noel Rosa - Intérprete: Conjunto Coisas Nossas
LP Noel Rosa - Inédito e Desconhecido / Título: Araruta / Barbosa, Orestes (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Conjunto Coisas Nossas (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Estudio Eldorado, 1983 / Nº Álbum: LP 79.83.0408 / Lado B / Faixa 5 / Gênero musical: Samba.
LP Noel Rosa - Inédito e Desconhecido / Título: Araruta / Barbosa, Orestes (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Conjunto Coisas Nossas (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Estudio Eldorado, 1983 / Nº Álbum: LP 79.83.0408 / Lado B / Faixa 5 / Gênero musical: Samba.
Intr.: Ab / / C / A7 A/G D7/F# D/C G7/B G7 A7 Bb7 A7 / Ab / / C / A7 A/G D7/F# D/C G7/B G7 C G7 C C C/E G7 C A7 Bb7 Tu pedes mandando, "faça o favor" A7 Dm A7 a tua boca nunca diz Dm G7 Tu cedes negando, com esses olhos que pra mim são dois fuzis C C/E G7 C Sou mole, ma_nhoso A7 Bb7 A7 Dm Teus impropérios retribuo com brandura C7 F Fm/Ab C/G A7 Pois água mole D7 G7 C G7 C na pedra dura tanto bate até que fura! Ab / / C / A7 A/G D7/F# D/C G7/B G7 A7 Bb7 A7 / Ab / / C / A7 A/G D7/F# D/C G7/B G7 C G7 C C/E G7 C A7 Bb7 Tu beijas mentindo, a tua boca A7 Dm A7 beija e mente sem sentir Dm G7 Desejas sorrindo que o teu perdão humildemente eu vá pedir C C/E G7 C A7 Bb7 A7 Dm Não peço, es_pero ainda ver-te entre lágrimas bem mal C7 F Fm/Ab C/G A7 Meu bem, escuta: D7 G7 C A araruta tem seu dia de mingau!
Positivismo - Noel Rosa
Positivismo (samba, 1933) - Noel Rosa e Orestes Barbosa - Intérprete: Noel Rosa
Disco 78 rpm / Título da música: Positivismo / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Barbosa, Orestes (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Pixinguinha (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Columbia, Setembro/1933 / Nº Álbum 22240 / Lado A / Gênero musical: Samba.
Disco 78 rpm / Título da música: Positivismo / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Barbosa, Orestes (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Pixinguinha (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Columbia, Setembro/1933 / Nº Álbum 22240 / Lado A / Gênero musical: Samba.
D A7 D D7 A verdade meu amor mora num poço G D7 G É Pilatos, lá na Bíblia, quem nos diz Gm D C E também faleceu por ter pescoço B E7 O (infeliz) autor A7 D G D da guilhotina de Paris
D7
Vai orgulhosa, querida
G
Mais aceita esta lição
Gm D B7
No câmbio incerto da vida
E7 A7 D G D
A libra sempre é o coração
D A7 D D7
O amor vem por princípio, a ordem por base.
G D7 G
Bis O progresso é que deve vir por fim
Gm D C B
Desprezastes esta lei de Augusto Conté
E7 A7 D G D
E fostes ser feliz longe de mim
D7
Vai coração que não vibra
G
Com teu juro exorbitante
Gm D B7
Transformar mais outra libra
E7 A7 D G D
Em dívida flutuante
D A7 D D7
A intriga nasce num café pequeno
G D7 G
Bis Que se toma para ver quem vai pagar
Gm D C B
Para não sentir mais o teu veneno
E7 A7 D G D
Foi que eu já resolvi me envenenar
domingo, junho 30, 2013
Gastão Bueno Lobo
Gastão Bueno Lobo, compositor e instrumentista (guitarra havaiana), nasceu na cidade de Campos, interior do Estado do Rio, em 1891, e faleceu no Rio de Janeiro em 03/06/1939. Supostamente aprendeu a tocar a guitarra havaiana no próprio Havaí.
O primeiro registro de sua carreira artística é de 1925, quando formou um duo com o argentino Oscar Alemán denominado "Os Lobos" (posteriormente "Los Lobos"), ano em que foram contratados pela companhia do ator cômico Pablo Palitos para shows em Buenos Aires.
Em 1929, a dupla, juntamente com o bailarino Harry Fleming realizam uma turnê à Europa, se apresentando em cidades da Grécia, Itália, Alemanha, Bélgica, Holanda e Portugal e Espanha. Oscar Alemán permanece em Madrid, Espanha, fazendo carreira solo, acabando, assim, o duo.
No começo da década de 1930, foi contratado pela Columbia, gravadora na qual lançou o primeiro disco em 1932, interpretando os tangos Confesión , de E. S. Discépolo e L. C. Amadori, e La cumparsita, de G. H. M. Rodrigues, P. Contursi e E. Maroni.
No mesmo ano, gravou mais três discos pela Columbia interpretando a valsa Noite azul, de sua autoria e Valdo Abreu, que contou com vocal de Fernando de Castro Barbosa, o choro Macio, de sua autoria, o fox-canção Olhos passionais, de sua autoria e De Chocolat, e a valsa A abelha e a flor, de Guilherme Pereira e Orestes Barbosa, com vocais de Moacir Bueno Rocha, e que contou com o acompanhamento do grupo Quatro Ases, além da valsa Sonho que passou, parceria com Jaci Pereira, e o choro Luizinha, de Henrique Vogeler.
Em 1938, gravou pela Odeon o choro Inspiração, de Laurindo de Almeida.
Em 03 de junho de 1939, deprimido pela escassez de trabalho e do pouco reconhecimento do público nos anos posteriores ao seu afastamento de Oscar Alemán, ingere veneno (ácido clorídrico) e falece.
Foi citado por Orestes Barbosa no livro Samba como sendo uma das estrelas que abrilhantavam o samba do Rio de Janeiro.
Macio, Noite azul (c/ Valdo Abreu), Olhos passionais (c/ De Chocolat), Se recordar é viver (c/ Laurindo Almeida), Sonho que passou (c/ Jaci Pereira).
1932 Sonho que passou/Luizinha • Columbia • 78
1932 Confesión/La cumparsita • Columbia • 78
1932 Noite azul/Macio • Columbia • 78
1932 Olhos passionais/A abelha e a flor • Columbia • 78
1938 Inspiração • Odeon • 78
______________________________________________________________________
Fontes: Todo Tango (www.todotango.com); Musica Brasiliensis - Gastão Bueno Lobo (daniellathompson.com); Dicionário da MPB; Wikipedia.
O primeiro registro de sua carreira artística é de 1925, quando formou um duo com o argentino Oscar Alemán denominado "Os Lobos" (posteriormente "Los Lobos"), ano em que foram contratados pela companhia do ator cômico Pablo Palitos para shows em Buenos Aires.
Em 1929, a dupla, juntamente com o bailarino Harry Fleming realizam uma turnê à Europa, se apresentando em cidades da Grécia, Itália, Alemanha, Bélgica, Holanda e Portugal e Espanha. Oscar Alemán permanece em Madrid, Espanha, fazendo carreira solo, acabando, assim, o duo.
No começo da década de 1930, foi contratado pela Columbia, gravadora na qual lançou o primeiro disco em 1932, interpretando os tangos Confesión , de E. S. Discépolo e L. C. Amadori, e La cumparsita, de G. H. M. Rodrigues, P. Contursi e E. Maroni.
No mesmo ano, gravou mais três discos pela Columbia interpretando a valsa Noite azul, de sua autoria e Valdo Abreu, que contou com vocal de Fernando de Castro Barbosa, o choro Macio, de sua autoria, o fox-canção Olhos passionais, de sua autoria e De Chocolat, e a valsa A abelha e a flor, de Guilherme Pereira e Orestes Barbosa, com vocais de Moacir Bueno Rocha, e que contou com o acompanhamento do grupo Quatro Ases, além da valsa Sonho que passou, parceria com Jaci Pereira, e o choro Luizinha, de Henrique Vogeler.
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Os Lobos: Oscar Alemán e Gastão Bueno. |
Em 03 de junho de 1939, deprimido pela escassez de trabalho e do pouco reconhecimento do público nos anos posteriores ao seu afastamento de Oscar Alemán, ingere veneno (ácido clorídrico) e falece.
Foi citado por Orestes Barbosa no livro Samba como sendo uma das estrelas que abrilhantavam o samba do Rio de Janeiro.
Obras
Macio, Noite azul (c/ Valdo Abreu), Olhos passionais (c/ De Chocolat), Se recordar é viver (c/ Laurindo Almeida), Sonho que passou (c/ Jaci Pereira).
Discografia
1932 Sonho que passou/Luizinha • Columbia • 78
1932 Confesión/La cumparsita • Columbia • 78
1932 Noite azul/Macio • Columbia • 78
1932 Olhos passionais/A abelha e a flor • Columbia • 78
1938 Inspiração • Odeon • 78
______________________________________________________________________
Fontes: Todo Tango (www.todotango.com); Musica Brasiliensis - Gastão Bueno Lobo (daniellathompson.com); Dicionário da MPB; Wikipedia.
terça-feira, março 06, 2012
Orestes Barbosa veio do morro
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Orestes Barbosa |
Naquele tempo os sambas dos morros não desciam para a cidade. Não havia, ainda, as escolas, os blocos. Apenas os ranchos e os cordões mostravam por ocasião do Carnaval um pouco da música simples, bonita quase sempre, que nascia lá em cima onde os barracos de latas de banha, desengonçados, pareciam remexer-se, sambar também.
Um dia, já moço, jornalista, quis mostrar à cidade a poesia e a música pobre e espontânea que alegra a gente humilde dos morros com quem ele convivera, e trouxe para as colunas dos jornais, em reportagens vivas, bem fiéis, os flagrantes das favelas que se espalham pela cidade, trepadas nos morros, espiando as avenidas onde os automóveis correm, onde as lâmpadas fazem uma féerie deslumbrante.
Foram ele e Carlos Pimentel os primeiros cronistas dos morros. E, hoje, quando um sem número de jornalistas e grã-finos arroga a primazia de ter iniciado a popularização, na cidade e nos grills dos cassinos, dos sambas, das batucadas e das escolas que os lançam, Orestes no seu linguajar pitoresco exclama com ironia: “É! Agora o vagão desce do morro cheio de incentivadores, mas vem rodando nos trilhos que eu coloquei!”
É desse cronista, criado no morro, amigo dos morros, que vamos relembrar algo de sua meninice, do seu tempo do “tasca balão” e da bola de meia.
O Filho do Capitão Orestes
No Morro do Arrelia havia um garoto esperto, ladino. Sabia ler e escrever. Freqüentava a escola do bairro e, nas horas de folga, empinava sua pipa, participava duma pelada, colaborava na confecção dos sambas que ali eram cantados.
Ao lado de Flávio Costa, dos irmãos Cavada, de Bráulio Monteiro e outros, martelava o tamborim, batia pandeiro, fazia gemer a cuíca e um samba saía, entoado, coeso, para encher o silêncio da noite no morro da gente pobre do Andaraí.
As letras dos sambas tinham, todas, a sua revisão. E os sambistas aceitavam as emendas, os retoques que o filho do Capitão Orestes, “menino preparado”, fazia nas suas produções.
— Eu botei: “os coração amargurado chorando suas mágoa” — dizia um sambista — e ele emendou. Disse que é corações porque tem um negócio de plural que eu não sei o que é. Mas deve ter porque ele entende disso.
— Mete lá o plural que Orestes mandou porque tá certo! — respondia o outro, também sem entender, mas confiando na corrigenda que o filho do capitão fizera.
E assim o garoto, tido como sabichão entre os compositores, sentia prazer em estudar para ensinar, remendar a inspiração dos sambistas e, desse modo, ia se afeiçoando aos musicistas e poetas toscos que nada entendiam de plurais, que não sabiam porque os verbos tinham tempos e modos, mas conseguiam alinhavar, mesmo “ingramaticalmente”, um hino exaltando a fidelidade de sua cabrocha ou versejar um lamento para chorar a malvada a quem ele queria bem e se “foi prum outro alguém”.
A primeira Escola
Aquelas rodas de samba e de batucada que se formavam no terreiro, mesmo nas noites em que as nuvens vedavam o clarão da lua, lançaram a semente, prepararam os mestres das escolas que mais tarde desceriam as encostas do morro para virem à Praça Onze de Junho mostrar os seus corpos docente e discente e daí, anos após, entrarem nos salões chiques que escancaravam suas portas para recebê-las festivamente.
O Bloco Depois te Explico, cujo sucesso no tríduo de Momo foi dos maiores, apresentou-se nas pugnas carnavalescas como a primeira escola que descia o morro com a sua bateria e o seu coro “cantando numa boca só” os sambas do Arrelia.
Um outro bloco, uma outra escola — Braço é Braço — trazia depois, em outros carnavais, as melodias daquele populoso morro do Andaraí para as ruas asfaltadas da urbe maravilhante.
Esses grupos tiveram como seus iniciadores Orestes Barbosa, Flávio Costa, Euzébio, Reynaldo de Oliveira e mais alguns que participavam das rodas de samba do Arrelia. Os mestres, os “bacharéis” fundaram as primeiras escolas e os alunos acorreram pressurosos ao chamado dos tamborins.
Orestes não desceu com as escolas. Ele desceu primeiro, muito antes delas, para a cidade onde iniciou uma nova vida. As escolas vieram depois trazidas pelo reclame que ele, dedicado aluno e mestre, a um só tempo, fazia pelos jornais, pelo rádio, de todos os modos.
Propagando o samba
Já no jornalismo, com várias obras nas mostras das livrarias, Orestes não esqueceu o samba, a gente simples de sua meninice.
Subiu aos morros. Não só o do Arrelia, onde de calças curtas entoava as batucadas. Galgou outros, com tiras de papel na mão fazendo anotações para depois vir desenvolvê-las em letra de forma nas colunas da imprensa. Favela, Mangueira, Salgueiro, todos tiveram um pouco da história de suas escolas transmitido a muitas centenas de leitores pela pena do “filho do Capitão Orestes”.
Seus livros: Na Prisão, Bam-bam-bam, Samba, escritos em linguagem simples, sem artifícios, mostraram facetas, revelaram ainda o garoto que foi criado no morro e que fazia de mestre-escola entre os poetas rudes, enfeitando as produções desses vates rústicos com vírgulas e pontos que a eles parecia bobagem mas que o menino dizia ser tão necessários quanto os plurais e as concordâncias, também pelos sambistas dos morros julgados pernosticismo dos “seus dotôres da cidade”.
O amigo dos morros
Muitos anos são passados. Mais de duas dezenas de dúzias de meses empurraram para muito longe esse tempo em que no morro havia um garoto esperto, traquinas — “o filho do Capitão Orestes”.
As fábricas de tecidos do bairro do Andarai, que então apitavam como locomotivas anunciando o princípio e o fim do trabalho diário, têm agora sirenes que levam mais longe, bem lá em cima do Morro do Arrelia onde moram os seus operários, esse mesmo aviso.
Outros sujos, outros blocos, outras escolas, descem agora o morro.
O menino Orestes hoje está na redação de um jornal. Palestra no Nice com os sambistas e cançonetistas da cidade, mas não esqueceu o morro. Dele fala com orgulho. Com saudade recorda a sua gente.
Quando já moço voltou ao Arrelia para fazer uma reportagem ainda encontrou, envelhecido embora, o Seu Candinho, o Flávio Costa e poucos outros guris do tempo em que ele fazia parte da bateria que dava ritmo e “enfezava” o samba.
O “filho do Capitão Orestes” guarda da sua infância vivida entre aquela gente pobre, humilde, a mais grata recordação. Os barracos de latas velhas que o vento facilmente põe em perigo no seu equilíbrio, falam-lhe mais ao espírito que os sólidos arranha-céus da cidade.
E, por isso, Orestes jamais esqueceu o Morro do Arrelia. Fez-se amigo também dos outros morros porque eles devem ter uma história igual à daquele onde foi garoto, onde tascou balões, onde soltou papagaios, onde foi sambista...
(Revista da Semana, 12/10/1940)
______________________________________________________________________Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.
sexta-feira, dezembro 10, 2010
Valsa do amor
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Nelson Gonçalves |
Valsa do amor (valsa, 1946) - Orestes Barbosa e Roberto Martins - Intérprete: Nelson Gonçalves
Disco 78 rpm / Título da música: Valsa do amor / Orestes Barbosa (Compositor) / Roberto Martins (Compositor) / Nelson Gonçalves (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Nº do Álbum: 800444-a / Nº da Matriz: S-078545-1 / Gravação: 17/06/1946 / Lançamento: Setembro/1946 / Gênero musical: Valsa
Disco 78 rpm / Título da música: Valsa do amor / Orestes Barbosa (Compositor) / Roberto Martins (Compositor) / Nelson Gonçalves (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Nº do Álbum: 800444-a / Nº da Matriz: S-078545-1 / Gravação: 17/06/1946 / Lançamento: Setembro/1946 / Gênero musical: Valsa
Amor é ânsia incontida
É sonho, é sol, é luar
É o claro-escuro da vida
É borboleta a voar
É beija-flor que não sabe
Quantas traições tem a flor
E beija-flor da saudade
Pensando que beija o amor
Amor, amor, amor
Amor que me fez triste assim
Amor que me fez colorida esta vida
E agora não gosta de mim
Amor, amor, amor
Amor que me fez triste assim
Amor que me fez colorida esta vida
E agora não gosta de mim
Amor as vezes parece
Que esquece seu bem-querer
Parece, mas não esquece
Porque não pode esquecer
Amor não vê os defeitos
Amor não sabe o que diz
Na luta dos preconceitos
O coração é o juíz
Amor, amor, amor
Amor que me fez triste assim
Amor que me fez colorida esta vida
E agora não gosta de mim
Amor, amor, amor
Amor que me fez triste assim
Amor que me fez colorida esta vida
E agora não gosta de mim
quinta-feira, março 06, 2008
Dona da minha vontade
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Francisco Alves |
Dona da minha vontade (valsa, 1933) - Francisco Alves e Orestes Barbosa - Intérprete: Francisco Alves
Disco 78 rpm / Título da música: Dona da minha vontade / Francisco Alves (Compositor) / Orestes Barbosa (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Gravação: 24/07/1933 / Lançamento: 08/1933 / Nº do Álbum: 11043 / Nº da Matriz: 4700 / Gênero musical: Valsa / Coleções de origem: IMS, Nirez
Disco 78 rpm / Título da música: Dona da minha vontade / Francisco Alves (Compositor) / Orestes Barbosa (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Gravação: 24/07/1933 / Lançamento: 08/1933 / Nº do Álbum: 11043 / Nº da Matriz: 4700 / Gênero musical: Valsa / Coleções de origem: IMS, Nirez
Saudade
De quando em quando
Passarinhos segredando
Voam tontos, rente ao chão
Felizes na primavera
Na busca da paz sincera
Do ninho do coração.
Ela, distante, sorrindo
Talvez esteja me ouvindo
Mas me ouvindo sem saber
Que o canto que eu solto, há medo
É o nostálgico segredo
Do que eu não posso dizer.
Coração
Ninho de penas
No arminho de almas serenas
Tem perfume, tem calor
Pobre de mim, ave tonta
A lua, triste, desponta
E eu vou ficar sem amor.
Dona da minha vontade
Escravo da ansiedade
Serei o que ela quiser
Coração, porque preferes
Amar todas as mulheres
No amor de uma só mulher...
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
sexta-feira, abril 07, 2006
Orestes Barbosa
Orestes Barbosa , compositor, escritor e jornalista, nasceu no Rio de Janeiro RJ, em 7/5/1893 e faleceu em 15/8/1966. Filho do major Caetano Lourenço da Silva Barbosa e de Maria Angélica Bragança Dias Barbosa, nasceu em Aldeia Campista, bairro perto de Vila Isabel. A família morou na ilha de Paquetá e, quando ele tinha sete anos, foi para o bairro da Gávea.
Aprendeu a ler, nos jornais e letreiros de bonde, com Clodoaldo Pereira de Moraes, pai de Vinícius de Moraes. Nessa época começou a se interessar por violão e com dez anos já sabia tocar. Durante a infância, a família viveu em dificuldades financeiras e somente aos doze anos entrou numa escola, o Liceu de Artes e Ofícios, onde aprendeu o ofício de revisor.
Em 1907 o menino, que já fazia alguns versos, conseguiu seu primeiro emprego como revisor no jornal O Século, dirigido por Rui Barbosa. Depois de algum tempo, deu início a uma longa militância jornalística, que se estenderia ao Diário de Notícias, O Imparcial, A Folha, A Crítica, A Manhã, A Gazeta e A Notícia. Estreou como poeta em 1917 com o livro de versos Penumbra sagrada.
Em 1920 foi a Portugal, onde entrevistou Teófilo Braga, estando também com Guerra Junqueiro pouco antes da morte deste. Como jornalista, incluía-se entre os que criticavam os acontecimentos e as autoridades da época, com destemor e ironia. Seus artigos levaram-no várias vezes à prisão, sendo que a primeira ocorreu em 1921, por haver denunciado o Grêmio Euclides da Cunha como aproveitador dos direitos autorais do patrono. Nesse mesmo ano publicou seu primeiro livro de crônicas-reportagens, Na prisão, que contava histórias de dentro do cárcere. Ainda em 1921 apareceu Água-marinha, seu segundo livro de poesias.
Mais ou menos em 1925, quando ainda existiam só três rádios no Rio de Janeiro - rádios Sociedade, Clube do Brasil e Mayrink Veiga -, foi um dos primeiros a manter uma coluna radiofônica no jornal A Manhã. Durante a presidência Artur Bernardes (1922-1926), esteve novamente preso, mas escrevendo sempre: Bam-bam-bam, 1923; Portugal de perto!, 1923; O português no Brasil, 1925; O pato preto, 1927; todos em prosa.
Estreou como letrista em 1930, com a música Bangalô (com Osvaldo Santiago), gravada por Alvinho, na Odeon, 1931. Nesse mesmo ano, duas músicas suas, em parceria com J. Tomás, foram gravadas na Victor: o fox Flor do asfalto e o samba Carioca, por Castro Barbosa. Ainda em 1931, cantou pela primeira vez em disco, Nega, meu bem (Heitor dos Prazeres), na Parlophon, e em 1933 sua marchinha As lavadeiras (com Nássara), na Columbia.
Por essa época, com a colaboração de Nássara, fundou A Jornada, jornal que durou seis meses e que tinha como epígrafe "Não quero saber quem descobriu o Brasil; quero saber quem é que bota água no leite". As pautas mais constantes eram da língua brasileira e campanhas contra a Light. Foi influenciado por suas críticas que Noel Rosa compôs o samba Não tem tradução (1933), em que faz referência às particularidades próprias do idioma falado no Brasil.
Em 1933, com Noel Rosa, fez o samba Positivismo, gravado pelo próprio Noel na Columbia; com Nássara fez Caixa Econômica, samba, gravado por João Petra de Barros e Luís Barbosa, na Victor. Ainda nesse ano a Livraria Educadora, do Rio de Janeiro, editou Samba, livro de crônicas que, em estilo telegráfico, registra a ascensão do samba urbano. Assíduo freqüentador do Café Nice, foi parceiro de grandes compositores, como Custódio Mesquita, Nonô, Noel Rosa, Francisco Alves, Wilson Batista e, seu parceiro mais constante, Sílvio Caldas, com quem compôs valsas e canções que marcaram época na música popular e firmaram a fama de seresteiro do cantor.
Francisco Alves gravou em 1934, na Odeon, a marcha Há uma forte corrente contra você, e na Victor a valsa-canção A mulher que ficou na taça, a valsa Romance e a canção Adeus (todas em parceria com Francisco Alves). Nesse mesmo ano, compôs com Nonô a canção Olga, gravada por Castro Barbosa na Odeon. Ainda em 1934, Sílvio Caldas gravou na Victor Serenata e, no ano seguinte, na Odeon, a valsa-canção Quase que eu disse (ambas com o cantor). De 1934 é Santa dos meus amores, valsa registrada na Victor por Sílvio Caldas, que no ano seguinte gravou na Odeon Torturante ironia.
Em 1937 gravou, também na Odeon, Arranha-céu e a canção Chão de estrelas, hoje antológica. Em 1938 Sílvio Caldas gravou pela Columbia a valsa-canção Suburbana, outra grande criação da dupla. Ainda nesse ano compuseram A única rima, gravada mais tarde por Sílvio Caldas. Além das letras para valsas e canções, ponto forte de sua obra, fez ainda letras para sambas de outros parceiros: com Ataulfo Alves fez O negro e o café, que o próprio Ataulfo gravou na Victor em 1945; com Custódio Mesquita, o samba-choro Flauta, cavaquinho e violão, gravado por Araci de Almeida na Odeon em 1946; com Wilson Batista, Cabelo branco, gravado por Carlos Galhardo na Victor em 1946, e Abigail, gravado por Orlando Silva na Odeon em 1947; com Valzinho compôs Óculos escuros, gravado em 1955 por Zezé Gonzaga.
Na década de 1970 foi relembrado por Paulinho da Viola, que, no LP Paulinho da Viola, gravado na Odeon em 1971, regravou Óculos escuros. Em 1974 Macalé gravou Imagens (com Valzinho), em seu LP Aprender a nadar, pela Philips.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.
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