Mostrando postagens com marcador vagalume. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vagalume. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, fevereiro 08, 2018
Obras raras sobre MPB
As obras a seguir estão disponíveis no formato "pdf":
O Choro (Reminiscências dos chorões antigos), 1936
- Alexandre Gonçalves Pinto
Samba - Orestes Barbosa
Na roda do samba - Francisco Guimarães - "Vagalume"
O cabrocha - Jota Efegê
Minha Vida - Francisco Alves
Mystérios do Violão, 1905 - Eduardo das Neves
domingo, abril 01, 2012
Vagalume: capitão do samba e do carnaval
Mais do que o seu nome prevalecia o pseudônimo: "Vagalume". Com ele assinava as reportagens policiais e as seções carnavalescas nos vários jornais em que trabalhou na imprensa carioca. Vez por outra, no entanto, antes ou após o apelido, reforçando-o, pespegava o seu jamegão solene: Capitão Francisco Guimarães. Com qualquer das duas identidades, a legítima — constante do documento civil — ou a que criara no jornalismo, gozava, reconhecidamente, de sólido prestígio entre a gente do samba e os adeptos de Momo.
Tido como o pioneiro do colunismo dedicado ao Carnaval, freqüentando os seus redutos e as agremiações que lhe davam contribuição precípua e ostensiva, Vagalume acabou sendo um autêntico expert. Além da amizade que o ligava aos mais destacados foliões, estava a par de todos os acontecimentos relacionados com a nossa festa máxima e, como sempre acontecia, furava no seu noticioso todos os colegas. Até mesmo a confecção dos préstitos das alegorias dos grandes clubes e os enredos dos ranchos, realizados sob segredo que supunham impenetrável, o Capitão Guimarães os desvendava e trazia-os para sua seção carnavalesca.
De ferroviário a jornalista
O primeiro emprego de Francisco Guimarães logo que saiu do Instituto Profissional, foi o de auxiliar de trem, em 1877, na antiga Estrada de Ferro D. Pedro II. Pouco depois, porém, por intermédio de Luiz Gama, iniciava-se no jornalismo com o encargo de noticiar os fatos ocorridos não só na ferrovia onde fora trabalhar, mas, igualmente, na Rio Douro e na Leopoldina Railway.
Passou a ser o que hoje, no escalonamento profissional jornalístico, chama-se “repórter de setor”. Ativo, integrando-se rapidamente naquilo que era sua vocação, não se demorou preso por muito tempo a tal incumbência e tornava-se repórter policial e de assuntos gerais, ou seja, todos os de interesse dos leitores.
Já integrado na redação do Jornal do Brasil, numa época em que apenas a imprensa escrita era o único veículo informativo, Guimarães ganhava destaque para suas matérias e recebia, então, convites de outros periódicos. Aceitou o de A Tribuna e ali começou a assinar uma seção intitulada “Vagalume” que acabou sendo o pseudônimo com o qual se popularizou em toda a cidade e dominou nas rodas dos sambistas e dos carnavalescos. Foi com essa alcunha que no Jornal do Brasil tendo a seu dispor toda uma página (às vezes duas) passou a dar amplo incentivo ao Carnaval e atingiu à liderança entre os cronistas surgidos em outras folhas.
Um Capitão a serviço de Momo
Francisco Guimarães que se alistou como voluntário no Batalhão Tiradentes e nele, em 1893, participou da revolta chefiada por Custódio de Mello defendendo a legalidade, mereceu de Floriano Peixoto excepcional distinção. O Marechal de Ferro “cingiu-lhe ao punho o galão de ouro de Alferes Honorário do Exército”, segundo o escrito de um relato da época. Militarizado por deferência especial, o jornalista ganhou, passados alguns anos, uma promoção, pois, em nova homenagem, o governo lhe dava o posto de capitão de um dos batalhões da Guarda Nacional. Orgulhoso dessa patente, embora — supõe-se — jamais houvesse envergado a farda da corporação, gostava que a declinassem quando a ele se referiam.
Assim, portanto, como capitão e jornalista, Vagalume foi um denodado entusiasta do samba e do Carnaval, setores nos quais conviveu durante toda sua vida de imprensa. Pôde por isso, quando morreu a 10 de janeiro de 1947, deixar valiosos subsídios, apreciável contribuição para investigações que se venham a fazer a respeito do folclore carioca.
Seu livro Na Roda do Samba, de pequena edição e hoje raro, sem ser erudito ou de grande apuro de escrita, tem reconhecido valor como documentário. Do mesmo modo, o folhear das coleções dos jornais (Diário Carioca, Crítica, Diário de Notícias, Rio Jornal, etc. inclusive os já citados) onde Francisco Guimarães foi cronista carnavalesco, atestará a assertiva aqui feita.
Ligado aos pretos e às suas religiões
Fiel à sua cor, Vagalume sempre se incorporava aos movimentos que visassem a elevar os pretos e dar-lhes dignificação social. Dentro desse propósito fez parte de várias associações destinadas a tal fim. E quando o jornalista negro norte-americano Robert Abott, em 1913, visitou o Brasi!, realizando uma campanha anti-segregacionista, Guimarães foi um de seus recepcionistas. Incorporou-se também a todas as homenagens que lhe prestaram.
Posteriormente (1933) além de dedicar o seu livro a dois famosos pais-de-santo, como o foram Henrique Assumano Mina do Brasil e Tenente Hilário Jovino Ferreira, escreveu na Crítica uma série de reportagens intitulada Mistérios da Mandinga. No seu estilo leve, despreocupado, contou coisas interessantíssimas falando dos terreiros que freqüentou e de seus contatos com alufás e feiticeiros alquimistas de despachos e ebós os mais exóticos.
Resta ainda muito a ser escrito rememorando-se o cronista carnavalesco que tanto serviu à maior festa do povo carioca. E para que não paire dúvida de exagero transportemos aos nossos dias os termos com que o Clube dos Zuavos, na noite de 3 de fevereiro de 1918, dedicou-lhe “farandólico guizantíssimo e poli-desengonçadérrimo baile à fantasia”. Recorrendo a tão estranha adjetivação chegavam ao motivo da homenagem que era o de “profundo tributo aos incomensuráveis préstimos do mais lídimo apóstolo da propaganda ao Deus da Troça, o jornalista Capitão Francisco Guimarães, o Vagalume”.
Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.
Tido como o pioneiro do colunismo dedicado ao Carnaval, freqüentando os seus redutos e as agremiações que lhe davam contribuição precípua e ostensiva, Vagalume acabou sendo um autêntico expert. Além da amizade que o ligava aos mais destacados foliões, estava a par de todos os acontecimentos relacionados com a nossa festa máxima e, como sempre acontecia, furava no seu noticioso todos os colegas. Até mesmo a confecção dos préstitos das alegorias dos grandes clubes e os enredos dos ranchos, realizados sob segredo que supunham impenetrável, o Capitão Guimarães os desvendava e trazia-os para sua seção carnavalesca.
De ferroviário a jornalista
O primeiro emprego de Francisco Guimarães logo que saiu do Instituto Profissional, foi o de auxiliar de trem, em 1877, na antiga Estrada de Ferro D. Pedro II. Pouco depois, porém, por intermédio de Luiz Gama, iniciava-se no jornalismo com o encargo de noticiar os fatos ocorridos não só na ferrovia onde fora trabalhar, mas, igualmente, na Rio Douro e na Leopoldina Railway.
Passou a ser o que hoje, no escalonamento profissional jornalístico, chama-se “repórter de setor”. Ativo, integrando-se rapidamente naquilo que era sua vocação, não se demorou preso por muito tempo a tal incumbência e tornava-se repórter policial e de assuntos gerais, ou seja, todos os de interesse dos leitores.
Já integrado na redação do Jornal do Brasil, numa época em que apenas a imprensa escrita era o único veículo informativo, Guimarães ganhava destaque para suas matérias e recebia, então, convites de outros periódicos. Aceitou o de A Tribuna e ali começou a assinar uma seção intitulada “Vagalume” que acabou sendo o pseudônimo com o qual se popularizou em toda a cidade e dominou nas rodas dos sambistas e dos carnavalescos. Foi com essa alcunha que no Jornal do Brasil tendo a seu dispor toda uma página (às vezes duas) passou a dar amplo incentivo ao Carnaval e atingiu à liderança entre os cronistas surgidos em outras folhas.
Um Capitão a serviço de Momo
Francisco Guimarães que se alistou como voluntário no Batalhão Tiradentes e nele, em 1893, participou da revolta chefiada por Custódio de Mello defendendo a legalidade, mereceu de Floriano Peixoto excepcional distinção. O Marechal de Ferro “cingiu-lhe ao punho o galão de ouro de Alferes Honorário do Exército”, segundo o escrito de um relato da época. Militarizado por deferência especial, o jornalista ganhou, passados alguns anos, uma promoção, pois, em nova homenagem, o governo lhe dava o posto de capitão de um dos batalhões da Guarda Nacional. Orgulhoso dessa patente, embora — supõe-se — jamais houvesse envergado a farda da corporação, gostava que a declinassem quando a ele se referiam.
Assim, portanto, como capitão e jornalista, Vagalume foi um denodado entusiasta do samba e do Carnaval, setores nos quais conviveu durante toda sua vida de imprensa. Pôde por isso, quando morreu a 10 de janeiro de 1947, deixar valiosos subsídios, apreciável contribuição para investigações que se venham a fazer a respeito do folclore carioca.
Seu livro Na Roda do Samba, de pequena edição e hoje raro, sem ser erudito ou de grande apuro de escrita, tem reconhecido valor como documentário. Do mesmo modo, o folhear das coleções dos jornais (Diário Carioca, Crítica, Diário de Notícias, Rio Jornal, etc. inclusive os já citados) onde Francisco Guimarães foi cronista carnavalesco, atestará a assertiva aqui feita.
Ligado aos pretos e às suas religiões
Fiel à sua cor, Vagalume sempre se incorporava aos movimentos que visassem a elevar os pretos e dar-lhes dignificação social. Dentro desse propósito fez parte de várias associações destinadas a tal fim. E quando o jornalista negro norte-americano Robert Abott, em 1913, visitou o Brasi!, realizando uma campanha anti-segregacionista, Guimarães foi um de seus recepcionistas. Incorporou-se também a todas as homenagens que lhe prestaram.
Posteriormente (1933) além de dedicar o seu livro a dois famosos pais-de-santo, como o foram Henrique Assumano Mina do Brasil e Tenente Hilário Jovino Ferreira, escreveu na Crítica uma série de reportagens intitulada Mistérios da Mandinga. No seu estilo leve, despreocupado, contou coisas interessantíssimas falando dos terreiros que freqüentou e de seus contatos com alufás e feiticeiros alquimistas de despachos e ebós os mais exóticos.
Resta ainda muito a ser escrito rememorando-se o cronista carnavalesco que tanto serviu à maior festa do povo carioca. E para que não paire dúvida de exagero transportemos aos nossos dias os termos com que o Clube dos Zuavos, na noite de 3 de fevereiro de 1918, dedicou-lhe “farandólico guizantíssimo e poli-desengonçadérrimo baile à fantasia”. Recorrendo a tão estranha adjetivação chegavam ao motivo da homenagem que era o de “profundo tributo aos incomensuráveis préstimos do mais lídimo apóstolo da propaganda ao Deus da Troça, o jornalista Capitão Francisco Guimarães, o Vagalume”.
(O Jornal, 10/01/1965)
______________________________________________________________________Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.
sexta-feira, março 30, 2012
Vagalume
Vagalume (Francisco Guimarães), jornalista e cronista, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 1875, e faleceu na mesma cidade, em 9 de janeiro de 1946.
Filho de família pobre estudou e em 1887 tornou-se funcionário da Estrada de Ferro Dom Pedro II, onde começou suas atividades de jornalista, comentando os fatos ocorridos nas linhas.
Trabalhou em diversos jornais cariocas durante cerca de 50 anos. Foi pioneiro ao criar uma coluna sobre notícias carnavalescas no Jornal do Brasil, logo imitada por outros jornais, no qual assinava com o pseudônimo de Vagalume.
Publicou "Na roda do samba" (Rio de Janeiro: Tipografia São Benedito) em 1933, no qual contou a história do samba, de seus criadores e intérpretes mais importantes. O livro foi reeditado várias vezes pela Funarte.
Fontes: História e Historiadores da Música Popular Urbana no Brasil - José Geraldo Vinci de Moraes (USP); Dicionário Cravo Albin da MPB.
Filho de família pobre estudou e em 1887 tornou-se funcionário da Estrada de Ferro Dom Pedro II, onde começou suas atividades de jornalista, comentando os fatos ocorridos nas linhas.
Trabalhou em diversos jornais cariocas durante cerca de 50 anos. Foi pioneiro ao criar uma coluna sobre notícias carnavalescas no Jornal do Brasil, logo imitada por outros jornais, no qual assinava com o pseudônimo de Vagalume.
Publicou "Na roda do samba" (Rio de Janeiro: Tipografia São Benedito) em 1933, no qual contou a história do samba, de seus criadores e intérpretes mais importantes. O livro foi reeditado várias vezes pela Funarte.
Fontes: História e Historiadores da Música Popular Urbana no Brasil - José Geraldo Vinci de Moraes (USP); Dicionário Cravo Albin da MPB.
sábado, outubro 02, 2010
Assinar:
Postagens (Atom)



