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quarta-feira, fevereiro 07, 2018
Caixinha de música - Sílvio Caldas
Caixinha de Música (valsa, 1939) - Custódio Mesquita - Intérprete: Sílvio Caldas
Disco 78 rpm / Título da música: Caixinha de Música / Mesquita, Custódio, 1910-1945 (Compositor) / Caldas, Sílvio (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1941 / Nº Álbum 34756 / lado A / Gênero: Valsa.
No meu tempo de criança
Mamãezinha me embalava
Com a música de uma caixinha
Eu dormia, eu sonhava
Com princesas encantadas
Feiticeiras e gigantes
Eu dormia e acordava
Enquanto a caixinha tocava
Passaram-se os dias e os anos
Cruéis desenganos
Vieram em meu peito morar
A caixinha já não existe mais
Só ficou a saudade do seu trá-lá-lá
Trá-lá-lá
segunda-feira, janeiro 29, 2018
A valsa de Maria - Nelson Gonçalves
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Nelson Gonçalves |
Disco 78 rpm / Título: A Valsa de Maria / Autoria: Mesquita, Custódio, 1910-1945 (Compositor) / Nasser, David, 1917-1980 (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1943 / Nº Álbum 800066 / Lado A / Gênero: Valsa
Eu encontrei,
Em teu olhar Maria,
Tanta ternura,
Que eu nem sabia,
Se falava, se cantava, se sorria,
Ou se no beijo deste olhar.
Eu dava,
A própria luz,
Que a lua derramava,
A própria luz,
Que a lua refletia,
E agora que partiste,
Que estas longe.
Ouço minh'alma dizer: Maria,
Maria, Maria, Maria,
Volte e me traz alegria,
Maria, Maria, Maria,
E o eco ao longe,
Repetia: Maria....
quinta-feira, janeiro 09, 2014
Custódio Mesquita é assim...
Custódio com sua mãe - 1936 |
— Os jornalistas são grandes diplomatas — disse Custódio quando CARIOCA foi bisbilhotar a sua vida — sempre dizem coisas amáveis, quando não fazem inteiramente o contrário.
Custódio é o homem das frases imprevistas.
— Nasci precisamente no dia em que vim ao mundo — isso há vinte e tantos anos. Se vocês virem pelas ruas um guri chorão, amigo da mamadeira e de fazer grandes pirraças, podem fotografá-lo e publicar como sendo eu... Fui igual a todas as crianças assim. As minhas maiores originalidades foram estudar piano com fúria, já crescidinho, e servir de sacristão numa igreja. Depois mudei de hábitos — comecei a fazer coisas banais: namorar pequenas bonitas, sonhar alto com um amor verdadeiro e alimentar a esperança de guardar a felicidade nas mãos. Quem alimenta a esperança morre de fome. Descri da felicidade e fiquei com os momentos alegres.
Custódio é muito loquaz. Sozinho entretém um auditório inteiro, fazendo “blagues” e mudando constantemente de assunto. Custódio fez amizade com Ramon Novarro, que cantou aqui no Palácio sua marcha “Se a lua contasse” ... Ramon escreve, de quando em quando, para Custódio Mesquita e, agora mesmo, de Londres, desmente a notícia de seu fracasso e miséria. Vai muito bem, trabalhando no teatro com Doris Kenyon, e agora vai filmar na Inglaterra. Mas, passemos sobre isto, o que interessa, agora, é Custódio.
— Quem vive sempre na cidade acaba intoxicado — diz ele — pela poeira das ruas, pelo movimento humano que parece intervir no próprio ar. Eu passei esses últimos meses longe do Rio.
Olhamos o novo Custódio Mesquita — legítimo Tarzan, como o classificou Cesar Ladeira.
— Trouxe músicas novas?
Custodio sorriu.
— Aponte canções para Elisa Coelho: “No tempo do imperador”, “Porque”, “Lamento”, “Canção de uns olhos tristes”. Compus para João Petra de Barros: “Se eu pudesse falar”, “Conheço um lugar onde se sonha”, “Almofada de cetim”. Para Aurora Miranda: “Juntei meus trapinhos”, “Passe bem”, “Quem te fez assim tão prosa” e “É noite”, sambas e marchas. Carmen Miranda lançará: “Cuíca e tamborim”, “Pretinho” e “O que os olhos não veem...”.
Custódio Mesquita durante os oito meses em que esteve afastado do meio radiofônico deu inteira expansão aos seus instintos artísticos.
— No meio do mato, um plano, um cachorro.
— E a vida aqui, Custódio?
— É simples. Café pela manhã, durante o dia... quanta coisa a gente faz num dia?!
Custodio até certo tempo dormia quase de manhã. Acordava às 13 horas e até essa hora não existia para ninguém.
— Não gosto de atender telefones. Às vezes são criaturas que inventam coisas incríveis: imaginam até traçar o programa dos nossos atos durante a tarde ou à noite.
Ele preza a liberdade acima de tudo.
— Um homem livre vale por uma população inteira. Atualmente só tenho um compromisso: o meu contrato com a Mayrink Veiga, com a nova PRA-9. Estrearei na estação moderna.
Uma originalidade. Custodio prefere passear, conversando com amigos — O “Bando da Lua”, etc. — a contemplar a natureza ou fazer declarações apaixonadas.
— Por que? — perguntamos.
— Porque já passei da idade das ilusões pueris. Porque sou um cidadão desencantado que procura fugir da vida para criar um mundo próprio, interior. Porque...
Ele ia explicar mais. Depois mudou de assunto.
— Gosto de cinema mas somente os filmes de boa música. Prefiro, porém, os “desenhos animados”. Não gosto de cores berrantes. Prefiro a tristeza do lilás, a nostalgia de uma cor sem opinião.
— Mas você é alegre ou triste?
Ele teve um sorriso de esfinge.
Custódio é secretário da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais e vice-presidente da Casa dos Artistas. Por esse motivo não quis referir-se as suas recentes composições musicais para o teatro. Podemos adiantar que são duas.
O pianista das composições tristes ou alegres, mas todas bonitas, não conhece o Custódio Mesquita que anda por aí. Este é um cidadão paradoxal: que não crê na ilusão, mas procura fugir da vida. Prefere a alegria e vive sempre com os olhos cheios de sonhos. Tem outra particularidade: dedica um carinho imenso a sua mãe e é inteiramente devotado ao lar.
— No entanto gosto da liberdade das ruas. Prefiro viver sempre preso dentro da minha liberdade...
Fonte: CARIOCA, de 11/04/1936 (fotos e texto atualizado).
sexta-feira, março 23, 2012
O tema escravatura na música popular
Escravatura: tema de poesia condoreira e de música popular. Se a escravatura teve entre os que a combatiam a lira de Castro Alves anatemizando-a numa poética solene, faustosa, por isso mesmo classificada de épica e condoreira, contou também com bardos menores engajados na causa.
O cantor de Navio Negreiro, no entanto, por ser o mais vigoroso, o de maior destaque, deixou o seu nome solidamente ligado à campanha abolicionista. E, até hoje, vencido mais de meio século após a assinatura da Lei Áurea, seus versos ainda repontam em constantes evocações.
Mas o desaparecimento das senzalas, a libertação do trabalhador negro, não encerrou um tema, não matou um assunto capaz de inspirar, como vem inspirando, poemas e mesmo simples poemetos. Conseqüentemente, acabou sendo mote inesgotável para os cultores da música popular. Não só da de característica pura, sem burilamento, mas, do mesmo modo, dessa que, embora com algum revestimento de erudição, não perde sua marca para o povo. Daí muitos de nossos bons compositores: Ary Barroso, Heckel Tavares, Custódio Mesquita e tantos outros, terem explorado com bastante brilho tão rico e farto filão.
Castro Alves, o condoreiro
Poeta alegórico, de versos flamejantes, pomposos, recorrendo comumente a figuras de grande efeito literário, Castro Alves, a quem se deu a classificação de condoreiro para significar a altura de seus poemas, legou à posteridade sugestiva gama de aspectos da escravatura. A simples, mesmo despreocupada leitura de Navio Negreiro, Canção do Africano, Vozes d’África, etc., sugere caminhos, ilações para novos cantares. Sugestões que não passaram despercebidas e foram sabiamente utilizadas pelos compositores do gênero popular.
O vate baiano ferreteando a escravatura descrevia também, clara e precisamente, a sua ambiência: “... Lá na úmida senzala,/ Sentado na estreita sala,/ Junto ao braseiro, no chão,/ Entoa o escravo o seu canto,/ E ao cantar correm-lhe em pranto/ Saudades do seu torrão.” Evidentemente que tão nítido e exato quadro poderia ser tornado em canção popularesca acompanhando mesmo ipsis litteris versos e rimas, os quais, embora da lavra de um poeta de vôo alto, símile ao do condor, se ofereciam ao alcance de qualquer um.
A descendência fiel à origem
Trazida do continente afro pelas “legiões de homens negros como a noite”, a música entoada pelos escravos (a qual se deu a denominação genérica de samba) fixou-se em definitivo no Brasil. Isto se deveu em boa e notória parte aos descendentes próximos e mesmo um pouco distantes daquela gente tida como “alimária do universo”. Foram eles, negros brasileiros, depois mesclados em cafusos e mulatos, que continuaram cantando e dançando a moda de seus antecessores com quem aprenderam ou simplesmente espiaram como e o modo de o fazer.
Comprovação fácil e abundante do que acima ficou dito é encontrada no cancioneiro popular, mesmo o citadino, de fins do século dezenove e ainda no dos primeiros decênios do atual. Os sambistas da chamada velha guarda não só procuravam ser fiéis ao ritmo com o instrumental primitivo de percussão (ganzá, puita, tabaque, reco-reco, etc.) mas, igualmente, conservando a linha melódica. Afora isso, como querendo marcar bem a origem de seus cantares, punham em seus ver- sos termos e refrãos verdadeiros ou assimilados dos dialetos africanos: “Ocubábá gelê”, “quequê-quêrequê... ô gânga”, e o “ojô, ojô, cocorô”, usado por Donga e Pixinguinha em O Malhador; samba nascido em 1913 e revivido no Carnaval de 1963.
Escravos, tema sempre válido
Sucedendo à geração dos velhos sambistas, filhos, netos ou ligados a escravos e seus descendentes, uma outra, já rotulada de compositores populares, mas que ainda vinha nas pegadas da antecessora, sentiu a validez do tema escravatura. Alguns de seus componentes, com iniciação cultural e mesmo ralando pelo erudito, não deixaram morrer um assunto capaz de sempre ser trazido à tona em muitos de seus aspectos. Cantar-se-ia o sofrimento, o labor, a dedicação, o amor, a vida enfim do preto escravizado, juntando-se música e letra que a um só tempo retratasse e até alcandorasse o negro escravo.
Uma após outra, desfrutando a era da fonografia, encontrando campo propício à divulgação, foram surgindo sob várias formas canções populares em que a escravatura era o mote. Algumas, mesmo bem feitas, não lograram êxito que as consagrasse, outras, porém, aí estão dominantes, ouvidas em muitas audições das rádios e tevês, esgotando também os sucessivos lançamentos das chapas de diversas rotações onde são gravadas. Citar-se-á para simples e sucinto exemplo: Terra Seca (“Trabalha, negro, trabalha.”) de Ary Barroso, Algodão (“nêgo num cantava não...“), de Custódio Mesquita e David Nasser, e Mãe Preta, (“velha, encarquilhada, carapinha branca...“) de Caco Velho e Piratini.
Símbolos que as canções consagraram
Claro está que ao cantar das ruas, à música fácil de ser entoada e retida não se deve a consagração da mãe preta e do pai João, símbolos venerados e representativos da escravatura. Mais do que as histórias relatadas nos versos das composições populares glorificando o negro prevalece o documentário que Ruy Barbosa, em 1890, pedia fosse destruído para apagar a triste mancha de nossa história. Impõe-se também, ainda vigorosa e solene, a poesia épica, condoreira, de Castro Alves trazida até aos nossos dias e inapelavelmente revivida ao ensejo das comemorações do 13 de maio.
Tema inspirador de um sem número de canções, a escravatura no seu imenso drama que só veio a findar em 1888 com o gesto heróico e resoluto de Isabel, a Redentora, ele aí está ainda pedindo e sugerindo novos poemas nos quais música e versos despretensiosos revigorem sua eternidade. Manancial inesgotável dará sempre aos poetas — quer sejam condoreiros ou de vôo rasante o ensejo de bonitas e ternas composições na mesma trilha glorificante do negro, isto é, exaltando sua humildade, seu trabalho, sua dedicação.
Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.
O cantor de Navio Negreiro, no entanto, por ser o mais vigoroso, o de maior destaque, deixou o seu nome solidamente ligado à campanha abolicionista. E, até hoje, vencido mais de meio século após a assinatura da Lei Áurea, seus versos ainda repontam em constantes evocações.
Mas o desaparecimento das senzalas, a libertação do trabalhador negro, não encerrou um tema, não matou um assunto capaz de inspirar, como vem inspirando, poemas e mesmo simples poemetos. Conseqüentemente, acabou sendo mote inesgotável para os cultores da música popular. Não só da de característica pura, sem burilamento, mas, do mesmo modo, dessa que, embora com algum revestimento de erudição, não perde sua marca para o povo. Daí muitos de nossos bons compositores: Ary Barroso, Heckel Tavares, Custódio Mesquita e tantos outros, terem explorado com bastante brilho tão rico e farto filão.
Castro Alves, o condoreiro
Poeta alegórico, de versos flamejantes, pomposos, recorrendo comumente a figuras de grande efeito literário, Castro Alves, a quem se deu a classificação de condoreiro para significar a altura de seus poemas, legou à posteridade sugestiva gama de aspectos da escravatura. A simples, mesmo despreocupada leitura de Navio Negreiro, Canção do Africano, Vozes d’África, etc., sugere caminhos, ilações para novos cantares. Sugestões que não passaram despercebidas e foram sabiamente utilizadas pelos compositores do gênero popular.
O vate baiano ferreteando a escravatura descrevia também, clara e precisamente, a sua ambiência: “... Lá na úmida senzala,/ Sentado na estreita sala,/ Junto ao braseiro, no chão,/ Entoa o escravo o seu canto,/ E ao cantar correm-lhe em pranto/ Saudades do seu torrão.” Evidentemente que tão nítido e exato quadro poderia ser tornado em canção popularesca acompanhando mesmo ipsis litteris versos e rimas, os quais, embora da lavra de um poeta de vôo alto, símile ao do condor, se ofereciam ao alcance de qualquer um.
A descendência fiel à origem
Trazida do continente afro pelas “legiões de homens negros como a noite”, a música entoada pelos escravos (a qual se deu a denominação genérica de samba) fixou-se em definitivo no Brasil. Isto se deveu em boa e notória parte aos descendentes próximos e mesmo um pouco distantes daquela gente tida como “alimária do universo”. Foram eles, negros brasileiros, depois mesclados em cafusos e mulatos, que continuaram cantando e dançando a moda de seus antecessores com quem aprenderam ou simplesmente espiaram como e o modo de o fazer.
Comprovação fácil e abundante do que acima ficou dito é encontrada no cancioneiro popular, mesmo o citadino, de fins do século dezenove e ainda no dos primeiros decênios do atual. Os sambistas da chamada velha guarda não só procuravam ser fiéis ao ritmo com o instrumental primitivo de percussão (ganzá, puita, tabaque, reco-reco, etc.) mas, igualmente, conservando a linha melódica. Afora isso, como querendo marcar bem a origem de seus cantares, punham em seus ver- sos termos e refrãos verdadeiros ou assimilados dos dialetos africanos: “Ocubábá gelê”, “quequê-quêrequê... ô gânga”, e o “ojô, ojô, cocorô”, usado por Donga e Pixinguinha em O Malhador; samba nascido em 1913 e revivido no Carnaval de 1963.
Escravos, tema sempre válido
Sucedendo à geração dos velhos sambistas, filhos, netos ou ligados a escravos e seus descendentes, uma outra, já rotulada de compositores populares, mas que ainda vinha nas pegadas da antecessora, sentiu a validez do tema escravatura. Alguns de seus componentes, com iniciação cultural e mesmo ralando pelo erudito, não deixaram morrer um assunto capaz de sempre ser trazido à tona em muitos de seus aspectos. Cantar-se-ia o sofrimento, o labor, a dedicação, o amor, a vida enfim do preto escravizado, juntando-se música e letra que a um só tempo retratasse e até alcandorasse o negro escravo.
Uma após outra, desfrutando a era da fonografia, encontrando campo propício à divulgação, foram surgindo sob várias formas canções populares em que a escravatura era o mote. Algumas, mesmo bem feitas, não lograram êxito que as consagrasse, outras, porém, aí estão dominantes, ouvidas em muitas audições das rádios e tevês, esgotando também os sucessivos lançamentos das chapas de diversas rotações onde são gravadas. Citar-se-á para simples e sucinto exemplo: Terra Seca (“Trabalha, negro, trabalha.”) de Ary Barroso, Algodão (“nêgo num cantava não...“), de Custódio Mesquita e David Nasser, e Mãe Preta, (“velha, encarquilhada, carapinha branca...“) de Caco Velho e Piratini.
Símbolos que as canções consagraram
Claro está que ao cantar das ruas, à música fácil de ser entoada e retida não se deve a consagração da mãe preta e do pai João, símbolos venerados e representativos da escravatura. Mais do que as histórias relatadas nos versos das composições populares glorificando o negro prevalece o documentário que Ruy Barbosa, em 1890, pedia fosse destruído para apagar a triste mancha de nossa história. Impõe-se também, ainda vigorosa e solene, a poesia épica, condoreira, de Castro Alves trazida até aos nossos dias e inapelavelmente revivida ao ensejo das comemorações do 13 de maio.
Tema inspirador de um sem número de canções, a escravatura no seu imenso drama que só veio a findar em 1888 com o gesto heróico e resoluto de Isabel, a Redentora, ele aí está ainda pedindo e sugerindo novos poemas nos quais música e versos despretensiosos revigorem sua eternidade. Manancial inesgotável dará sempre aos poetas — quer sejam condoreiros ou de vôo rasante o ensejo de bonitas e ternas composições na mesma trilha glorificante do negro, isto é, exaltando sua humildade, seu trabalho, sua dedicação.
(O Jornal, 10/5/1964)
______________________________________________________________________Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.
terça-feira, dezembro 07, 2010
A valsa de quem não tem amor
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Custódio Mesquita |
A valsa de quem não tem amor (valsa, 1945) - Custódio Mesquita e Evaldo Rui - Intérprete: Nelson Gonçalves
Disco 78 rpm / Título da música: A valsa de quem não tem amor / Autoria: Mesquita, Custódio, 1910-1945 (Compositor) / Rui, Evaldo, 1913-1954 (Compositor) / Gonçalves, Nelson, 1919-1998 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1945 / Nº Álbum 800270 / Lado B / Lançamento: 1945 / Gênero musical: Valsa
Disco 78 rpm / Título da música: A valsa de quem não tem amor / Autoria: Mesquita, Custódio, 1910-1945 (Compositor) / Rui, Evaldo, 1913-1954 (Compositor) / Gonçalves, Nelson, 1919-1998 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1945 / Nº Álbum 800270 / Lado B / Lançamento: 1945 / Gênero musical: Valsa
Sem ninguém, sem ter confidente
Pra contar os meus desenganos
Passam-se os dias e os anos
Sem ninguém, sem sonhos, sem amor
Sem beijos, sem calor
Dos braços de quem se quer bem
Minhas noites são fatais
Meus dias são iguais
Tão só sem ter ninguém
Minha imaginação distrai meu coração
Que vive na ilusão
De um dia amar alguém
Nesta imensa solidão
A minha confissão ecoa tristemente
Cantarei sozinho imerso em minha dor
A volta de quem não tem amor
Nesta imensa solidão
A minha confissão ecoa tristemente
Cantarei sozinho imerso em minha dor
A volta de quem não tem amor
sábado, dezembro 04, 2010
Olhos negros
Olhos negros (fox, 1943) - Ari Monteiro e Custódio Mesquita - Intérprete: Nelson Gonçalves
Disco 78 rpm / Título da música: Olhos negros / Ari Monteiro (Compositor) / Custódio Mesquita, 1910-1945 (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Custódio Mesquita e Sua Orquestra (Acomp.) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor / Nº Álbum: 800066 / Nº Matriz: S-052707 / Gravação: 28/01/1943 / Lançamento: Abril/1943 / Lado: B / Gênero musical: Fox.
LP Nelson Gonçalves - Dos Meus Braços Tu Não Sairás / Título da música: Olhos negros / Ari Monteiro (Compositor) / Custódio Mesquita, 1910-1945 (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Custódio Mesquita e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: RCA Camden / Nº Álbum: CALB 5070 / 107.0007 / Ano: 1963 / Lado: / Faixa: / Gênero musical: Fox / Obs.: Coletânea extraida de 78 rpm.
Disco 78 rpm / Título da música: Olhos negros / Ari Monteiro (Compositor) / Custódio Mesquita, 1910-1945 (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Custódio Mesquita e Sua Orquestra (Acomp.) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor / Nº Álbum: 800066 / Nº Matriz: S-052707 / Gravação: 28/01/1943 / Lançamento: Abril/1943 / Lado: B / Gênero musical: Fox.
LP Nelson Gonçalves - Dos Meus Braços Tu Não Sairás / Título da música: Olhos negros / Ari Monteiro (Compositor) / Custódio Mesquita, 1910-1945 (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Custódio Mesquita e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: RCA Camden / Nº Álbum: CALB 5070 / 107.0007 / Ano: 1963 / Lado: / Faixa: / Gênero musical: Fox / Obs.: Coletânea extraida de 78 rpm.
Olhos negros, lindos olhos
São como escolhos na tormenta de um coração
Olhos negros, perdição
Faróis traiçoeiros fizeram prisioneiros
Meus olhos cheios de paixão
Olhos negros
Tão tristes como o teu olhar
Só existe as noites tristes sem luar
Olhos negros, que de paixão
Me fazem morrer
E mesma assim são toda a razão
Do meu viver
Olhos negros, que de paixão
Me fazem morrer
E mesma assim são toda a razão
Do meu viver
segunda-feira, outubro 04, 2010
Voltarás
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Nelson Gonçalves |
Voltarás (fox-canção, 1945) - Custódio Mesquita e Evaldo Rui - Intérprete: Nelson Gonçalves
Disco 78 rpm / Título da música: Voltarás / Custódio Mesquita, 1910-1945 (Compositor) / Evaldo Rui, 1913-1954 (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Pernambuco e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 19/02/1945/ Lançamento: 04/1945 / Nº do Álbum: 80-0270 / Nº da Matriz: S-078132-1 / Gênero musical: Fox.
Disco 78 rpm / Título da música: Voltarás / Custódio Mesquita, 1910-1945 (Compositor) / Evaldo Rui, 1913-1954 (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Pernambuco e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 19/02/1945/ Lançamento: 04/1945 / Nº do Álbum: 80-0270 / Nº da Matriz: S-078132-1 / Gênero musical: Fox.
Voltarás
Hás de voltar um dia...
Esquecerás
A louca fantasia
Que afastou teu amor
Pra tão longe de mim
Que roubou-me o calor
Do teu peito sem fim...
São meus os teus momentos
De nostalgia
São teus meus pensamentos
E a minha alegria
A tempestadade há de passar
Não vês que o sol já se anuncia...
Voltarás
Hás de voltar um dia...
São meus os teus momentos
De nostalgia
São teus meus pensamentos
E a minha alegria
A tempestadade há de passar
Não vês que o sol já se anuncia...
Voltarás
Hás de voltar um dia...
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
sábado, agosto 01, 2009
A MPB e o fox-trot dos anos 30 e 40
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Custódio Mesquita |
"O samba se tornou mais samba depois que Noel Rosa criou algumas das suas originais melodias. Era no tempo em que o nosso conjunto regional constituía uma esperança de organização instrumental típica, ou seja, um anseio de realização para aqueles que viam como bom aquilo que poderia não ser compreendido pelos outros povos e capaz de se tornar exótico (...).
Contribuía para a dificuldade (foto: Custódio Mesquita) de aceitação, o fato de ser o nosso ritmo difícil para os executantes de outras terras, acrescentando-se ainda que não se chegou a escrever instrumentações para o referido agrupamento (...).
Se a possibilidade contrapontística desta espécie de conjunto era enorme, a sua harmonia era relativamente pobre – se levarmos em conta a invasão da música americana de após 1914, em todos os países, bem orquestrada e com certo ritmo mais ou menos acessível, facilitando a sua execução.
Ora, o fato de assimilar-se o estilo de música de um país estranho, por qualquer que seja a sua música popular, constitui sempre um problema. Os ianques por questões de seu poderio econômico (editoras, fonógrafos, orquestras oficiosas e, posteriormente, cinema e rádio) impuseram sua música ao mundo e, mais recentemente, a música de outros povos (...)"
(Trecho de um artigo de Guerra Peixe para a revista Música Viva, 1947)
A música americana começou a entrar de maneira mais abundante no Brasil a partir da segunda década do século XX . A relação dessa produção artística com a música brasileira, cremos, tem sido tratada de maneira superficial pela historiografia e musicologia brasileira e, entretanto foram muitos os compositores daqui que escreveram foxes principalmente nos anos 30 e a primeira metade dos anos 40. Esses autores ora explicitavam a forma no subtítulo em inglês, fox-trot, fox, fox-blue, canção blue ora "nacionalizavam" a subtitulação indicando fox-canção ou simplesmente foxe a denotar o correspondente brasileiro.
Contribuía para a dificuldade (foto: Custódio Mesquita) de aceitação, o fato de ser o nosso ritmo difícil para os executantes de outras terras, acrescentando-se ainda que não se chegou a escrever instrumentações para o referido agrupamento (...).
Se a possibilidade contrapontística desta espécie de conjunto era enorme, a sua harmonia era relativamente pobre – se levarmos em conta a invasão da música americana de após 1914, em todos os países, bem orquestrada e com certo ritmo mais ou menos acessível, facilitando a sua execução.
Ora, o fato de assimilar-se o estilo de música de um país estranho, por qualquer que seja a sua música popular, constitui sempre um problema. Os ianques por questões de seu poderio econômico (editoras, fonógrafos, orquestras oficiosas e, posteriormente, cinema e rádio) impuseram sua música ao mundo e, mais recentemente, a música de outros povos (...)"
(Trecho de um artigo de Guerra Peixe para a revista Música Viva, 1947)
A música americana começou a entrar de maneira mais abundante no Brasil a partir da segunda década do século XX . A relação dessa produção artística com a música brasileira, cremos, tem sido tratada de maneira superficial pela historiografia e musicologia brasileira e, entretanto foram muitos os compositores daqui que escreveram foxes principalmente nos anos 30 e a primeira metade dos anos 40. Esses autores ora explicitavam a forma no subtítulo em inglês, fox-trot, fox, fox-blue, canção blue ora "nacionalizavam" a subtitulação indicando fox-canção ou simplesmente foxe a denotar o correspondente brasileiro.
No seu livro A canção no tempo, volume I, Jairo Severiano inclui como sucesso de 1923 o fox Vênus, de José Francisco de Freitas e, em 1924, o Cigano, fox-canção de Marcelo Tupinambá e João do Sul, esta composição, como a outra, seguia "a moda de músicas sobre motivos exóticos, que imperava na época". Vale a pena nos determos um pouco, ainda que ilustrativamente, nesta composição.
Melodia de Marcelo Tupinambá (nome artístico do compositor paulista Fernando Lobo), é feita em "estilo andaluz", tendo sido regravada por Francisco Alves em 1946. Tupinambá ululava sobre o indubitável sucesso da melodia desde que fora lançada: 100.000 partes de piano entre 1924 e1946 (Severiano, 1997: 66).
Ressalta de imediato nesta gravação o fato de que ela muito pouco ou nada faz lembrar o estilo de dança que vulgarmente identificamos como foxetrote. A explicação possível poderia ater-se a alguns vários argumentos. Mas à primeira audição somos levados a pensar que o estilo ainda não tinha sido devidamente absorvido pelos músicos, mormente os acompanhadores. O fato é que o esquema do acompanhamento do piano é nitidamente devedor da fórmula típica de acompanhamento da polca. A comparação com aquela outra gravação, 23 anos depois, por Francisco Alves, em 1946, parece não deixar margem para dúvidas. Uma outra explicação pode ser de razão editorial porquanto sabidamente este período é fortemente marcado por uma certa busca do exótico. Severiano tem toda razão quando alude ao seu "estilo andaluz" e não é à toa que Tupinambá ufanava-se do sucesso de vendas de partituras.
Formalmente o Cigano tem forma [A][B] com quadratura regular fraseológica sendo a primeira parte em menor com modulação para o relativo maior da parte B. O arranjo, se é que assim podemos chamá-lo, consiste de um monótono uníssono entre flauta, clarinete e a melodia cantada por Vicente Celestino. Resta lembrar que esta gravação pertence à fase mecânica do registro em discos no Brasil. Indubitavelmente todas essas peculiaridades apontam para condições embrionárias de desenvolvimento desse estilo na composição popular brasileira.
Talvez o foxe canção Cantor do Rádio de Custódio Mesquita com letra do "Dr. J. Marques" resuma um pouco o quadro de aportes com os quais poderiam ter dialogado os nossos autores. Era 1933.
"Eu sou o cantor do rádio / Cantor que nunca viste / E que não verás jamais / Sou a melodia triste / Os tangos sentimentais / O blue, o samba-canção / Que vêm do espaço / Pela estrada da amplidão / Emocionar os teus sentidos / Acarinhar os teus ouvidos / Fazer vibrar teu coração
Mulher amada, fantasiada / Pelo meu sonho emocional / Ouve o tristonho cantor do rádio / Nesta balada sentimental / De onde és tu? / Lyon, Corrientes? / Talvez do Leme, de Honolulu... / Mas yo te quiero, moi je táime / Amo-te muito, I love you"
As presunções a respeito de uma possível "influência" do fox-trot sobre a música popular brasileira é contemporânea da maior disseminação do estilo no Brasil. É assim que, por exemplo, o choro-canção Carinhoso, de Pixinguinha, gravado em dezembro de 1928 pela Orquestra Típica Pixinguinha-Donga, na gravadora Parlophon, recebeu uma crítica nada abonadora dos comentaristas da revista PhonoArte:
"parece que o nosso popular compositor anda sendo influenciado pelos ritmos e melodias do jazz. É o que temos notado desde algum tempo e mais uma vez neste seu choro, cuja introdução é um verdadeiro fox-trot e que, no seu decorrer, apresenta combinações de música popular yankee. Não nos agradou"
Jairo Severiano, a propósito do comentário que faz para Dor de recordar (foxe-canção, 1930) de Joubert de Carvalho e do "imortal" e compositor bissexto Olegário Mariano, afirma que a música americana invadiu "nossas lojas de discos no final dos anos 20, implantando a moda do fox-trot". O "nacional" Dor de recordar nada ficava a dever, diz ele, aos melhores foxes americanos da época como My blue heaven e You were meant for me (Severiano, 1997: 99).
Segundo Eric Hobsbawm sem o fox-trot , "o triunfo do jazz híbrido na música pop teria sido impossível" numa medida semelhante ao avanço de ritmos latino-americanos respaldados no tango por ocasião da Primeira Grande Guerra. Nesse sentido deveremos considerar a presença do foxetrote entre nós como a presença mesmo da música americana de jazz e mesmo que seja na forma de música de jazz híbrido como a classifica o historiador inglês (Hobsbawm, 1996: 63-83). Justificamos tal consideração recorrendo à didática divisão que este autor apresenta ao analisar a expansão do jazz. Para ele, a primeira fase do jazz vai de 1900 a 1917, quando se tornou a linguagem musical da música popular negra em toda a América do Norte; daí até 1929, sua forma "estrita" se expandiu pouco, mas é "quando uma infusão de jazz altamente diluída se tornou a linguagem dominante na música de dança ocidental urbana e nas canções populares"; de 1929 até 1941 o jazz conquista a Europa (embora um público ainda minoritário) e músicos de avant-garde e "uma forma bem mais diluída de jazz (swing) entrou para a música pop de maneira permanente." É somente depois de 1941 que ocorre o verdadeiro "triunfo internacional" do jazz e a "penetração de linguagens ainda mais puras de jazz na música pop – jazz de N. Orleans, jazz moderno avant-garde e os blues country e gospel." (Hobsbawm, 1997: 63)
De sorte que o escopo temporal da pesquisa concorre, em relação à música de jazz, com aquilo que Hobsbawm descreve como "fase antiga" e "período médio". O "antigo" refere-se ao jazz no estilos New Orleans, Dixieland, Chicago e Nova York, "música de pequenos conjuntos de improvisação, com arranjos rudimentares de cantores de blues e pianistas". No período médio tem-se uma música essencialmente "para orquestras comerciais maiores, com os virtuoses a que deram ensejo". Essa divisão está de acordo com Bellest e Malson para os quais "os agrupamentos maiores se impuseram (...) no final dos anos 20, preparando assim a época das grandes orquestras –e dos arranjadores – que atingiu seu auge com Basie" (Bellest,1989:59). Conforme se sabe, é exatamente a partir do final dos anos 20 que apelos reivindicatórios com vistas a "orquestração da nossa música popular" se tornam mais freqüentes (Braga, 2002).
Compor foxes foi uma atividade bastante significativa na produção do compositor popular brasileiro e como tal necessita de um estudo abrangente porquanto cremos que essa relação foi importante no desenvolvimento geral da composição urbana brasileira que dominava na "indústria cultural" do tempo. Recentemente tivemos oportunidade de ler uma pequena biografia do músico Custódio Mesquita por Bruno F Gomes e um trabalho de doutorado de Orlando Barros no qual a figura do compositor de Rosa de maio é enfatizada. Em ambos, por um motivo ou por outro, se é considerada a importância das possíveis contribuições da música americana e em particular do fox-trot para a música brasileira, isto é feito apenas ilustrativamente.
Discografia brasileira do fox-trot
Segundo o comentarista/apresentador da coleção No tempo do Fox da gravadora Revivendo, o "apogeu do fox-trot no Brasil se deu no final dos anos 30 e já possuía nitidamente características bem brasileiras." Destacamos as 42 peças componentes da coleção, algumas delas retumbantes "sucessos".
RVCD-041 - No Tempo do Fox - Vários Intérpretes
1. HEI DE VER-TE UM DIA - Francisco Alves - 3'22"
2. RENÚNCIA - Nelson Gonçalves - 2'44"
3. MEU GRANDE AMOR - Castro Barbosa e Dircinha Batista - 2'59"
4. DÁ-ME TUAS MÃOS... - Orlando Silva - 2'52"
5. TUDO CABE NUM BEIJO - Manoel Reis - 2'29"
6. MULHER - Sylvio Caldas - 2'48"
7. SEGREDOS - Carlos Galhardo - 2'56"
8. QUERES MENTIR - Gilberto Alves - 3'01"
9. EMCONTRI-TE AFINAL - Sebastião Pinto - 3'02"
10. VOCÊ SÓ... MENTE - Aurora Miranda e Francisco Alves - 3'06"
11. NÃO TROQUEMOS DE MAL - Newton Teixeira - 3'07"
12. ZÍNGARO - Orlado Silva - 2'53"
13. LOURA OU MORENA - Paulo e Haroldo Tapajós - 2'53"
14. AUSÊNCIA - Sylvio Caldas - 2'49"
15. INCERTEZA - Carlos Galhardo - 3'04"
16. ADEUS - Gilberto Alves - 3'07"
17. BISAREI ESTA CANÇÂO - Moraes Neto - 2'43"
18. MARILENA - Francisco Alves - 2'47"
19. NOITE DE LUA - Nelson Gonçalves - 2'43"
20. ERA UMA VEZ... - Arnaldo Amaral e Neide Martins 3'02"
21. NADA ALÉM - Orlando Silva - 3'34"
TOTAL: 62'01"
RVCD-085
NO TEMPO DO FOX Vol. 2
Vários Intérpretes
1. DOR DE RECORDAR - (Joubert de Carvalho e Olegário Mariano) - Francisco Alves - 2'47"
2. QUININHA - (J. M. de Abreu e Castelo Neto) - Moacyr Bueno Rocha - 2'35"
3. TENS NO OLHAR A MINHA INSPIRAÇÃO - (Nelson L. Pereira) - Carlos Roberto - 2'57"
4. MINHA CONSOLAÇÃO - (Gomes Júnior e J. Oliveira) - Jayme Vogeler - 2'58"
5. VOLTA - (Custódio Mesquita) - Orlando Silva - 3'04"
6. O DIA EM QUE CONHECI - (Aloysio da Silva Araújo) - Jorge Fernandes e Domanar - 3'09"
7. APAIXONEI-ME OUTRA VEZ - (Georges Moran e O. Santiago) - Roberto Paiva - 3'06"
8. VEM AMOR! - (Saint-Clair Senna) - Gastão Formenti - 3'05"
9. NOSSA COMÉDIA - (Custódio Mesquita e Ewaldo Ruy) - Nelson Gonçalves - 2'54"
10. PRÍNCIPE - (Joubert de Carvalho e Hélio Silveira) - Francisco Alves - 2'35"
11. NÃO POSSO TE DIZER ADEUS - (Silvino Neto) - Nuno Roland - 2'53"
12. PERFIL - (Roberto Martins e Mário Rossi) - Carlos Galhardo - 2'14"
13. CHOREI - (Newton Teixeira e Mário Rossi) - Newton Teixeira - 2'58"
14. QUANTO CUSTA UMA ILUSÃO - (Oswaldo Santiago e M. de Oliveira) - Nilton Paz - 3'12"
15. TUDO EM VÃO - (Roberto Martins e David Násser) - Nelson Gonçalves - 2'44"
16. AI! SE EU PUDESSE! - (Glauco Viana) - Castro Barbosa - 2'57"
17. SIM OU NÃO - (Custódio Mesquita e Ewaldo Ruy) - Sylvio Caldas - 3'00"
18. CANTOR DO RÁDIO - (Custódio Mesquita e Paulo Roberto) - João Petra - 2'54"
19. DESPEDIDA - (Tito Ramos) - Gilberto Alves - 2'57"
20. NOSSA MELODIA - (Carolina Cardoso de Menezes e J. C. Lisboa) - Francisco Alves - 3'16"
21. NANÁ - (Custódio Mesquita/Jardel e Geysa Bôscoli) - Orlando Silva - 2'54"
TOTAL: 61'09"
Fonte: http://www.domain.adm.br/dem/pesquisa/braga/foxtrot.html
domingo, março 30, 2008
Pretinho
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Isaura Garcia |
Pretinho (samba, 1944) - Custódio Mesquita e Evaldo Rui - Intérprete: Isaura Garcia
Disco 78 rpm / Título: Pretinho / Custódio Mesquita, 1910-1945 (Compositor) / Evaldo Rui, 1913-1954 (Compositor) / Isaura Garcia (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 22/12/1943 / Lançamento: 07/1944 / Nº do Álbum: 80-0178 / Nº da Matriz: S-052916-1 / Gênero musical: Samba
Disco 78 rpm / Título: Pretinho / Custódio Mesquita, 1910-1945 (Compositor) / Evaldo Rui, 1913-1954 (Compositor) / Isaura Garcia (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 22/12/1943 / Lançamento: 07/1944 / Nº do Álbum: 80-0178 / Nº da Matriz: S-052916-1 / Gênero musical: Samba
Pretinho não é gente
Vergonha da raça da gente de cor
E acha que a vida é um brinquedo
E usa no dedo um anel de doutor
Seu passo tem ginga de bamba
Na roda do samba
Tem fã pra xuxu
Nasceu lá no Largo do Estácio
É fã do pedaço
Não perde um Fla x Flu
Deixa essa gente andar falando
Você tem ponto de vista
Você tem opinião
Canta Pretinho, só mesmo cantando
Você desabafa e pra seu coração
Pretinho, farrapo de gente...
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
Gira, gira, gira
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Carlos Galhardo |
Gira, gira, gira (valsa, 1944) - Custódio Mesquita e Evaldo Rui - Intérprete: Carlos Galhardo
Disco 78 rpm / Título da música: Gira... gira... gira... / Custódio Mesquita, 1910-1945 (Compositor) / Evaldo Rui, 1913-1954 (Compositor) / Carlos Galhardo, 1913-1985 (Intérprete) / Custódio Mesquita e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 18/02/1944 / Lançamento: 04/1944 / Nº do Álbum: 80-0175 / Nº da Matriz: S-052933-1 / Gênero musical: Valsa
Disco 78 rpm / Título da música: Gira... gira... gira... / Custódio Mesquita, 1910-1945 (Compositor) / Evaldo Rui, 1913-1954 (Compositor) / Carlos Galhardo, 1913-1985 (Intérprete) / Custódio Mesquita e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 18/02/1944 / Lançamento: 04/1944 / Nº do Álbum: 80-0175 / Nº da Matriz: S-052933-1 / Gênero musical: Valsa
Foste embora, me deixaste
Nem sequer tua ausência senti
Não chorei, nem choraste
Tu não sofres e eu pouco sofri
Porque o mundo
Gira, gira, gira, gira, gira, gira, gira...
Anda o mundo a girar
Gira, gira, gira, gira, gira, gira, gira...
Tenho outra em teu lugar
Tantas voltas deu o mundo
Que eu cansei de tanto amar
( bis )
Nosso amor foi tão breve
Passageira, foi nossa ilusão
Não ficou, nem de leve
A saudade no meu coração
Porque o mundo
Gira, gira, gira, gira, gira, gira, gira...
Anda o mundo a girar
Gira, gira, gira, gira, gira, gira, gira...
Tenho outra em teu lugar
Tantas voltas deu o mundo
Que eu cansei de tanto amar
(bis)
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
quarta-feira, março 26, 2008
Algodão
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Sílvio Caldas |
Algodão (samba, 1944) - Custódio Mesquita e David Nasser - Intérprete: Sílvio Caldas
Disco 78 rpm / Título da música: Algodão / Custódio Mesquita, 1910-1945 (Compositor) / David Nasser, 1917-1980 (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Custódio Mesquita e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 07/06/1944 / Lançamento: 08/1944 / Nº do Álbum: 80-0200 / Nº da Matriz: S-052972-1 / Gênero musical: Samba
Disco 78 rpm / Título da música: Algodão / Custódio Mesquita, 1910-1945 (Compositor) / David Nasser, 1917-1980 (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Custódio Mesquita e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 07/06/1944 / Lançamento: 08/1944 / Nº do Álbum: 80-0200 / Nº da Matriz: S-052972-1 / Gênero musical: Samba
Nego não cantava não
Canto de nego é mandinga
Nego não chorava não
Choro de nego é suor
Nego não rezava não
Reza de nego é função
Nego não amava não
Amor de nego é perdição
Que é que nego fazia?
Tirava da terra fria
Dia e noite, noite e dia
Algodão, mais algodão
Ai, sai o branco
De onde vem os agasalho
Pra frieza dos reumatismo
Pras manias da Sinhá
De onde vem os lenço branco
Pra Sinhá moça chorá
De onde vem os pano preto
Pro Sinhô véio morrê
E os pano das bandeira
Pros sordado guerreá
De onde vem as renda branca
Pra fazê os enchová
Nego véio trabaiô
Dia e noite, noite e dia
Tirando da terra fria
Algodão mais algodão
Pra Nhô branco sê dotô
"E você, Preto Velho,
O que foi que ganhou?"
Eu consegui essa cabeça branca
Branca como o algodão
Que Preto véio prantô.
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
terça-feira, março 25, 2008
A vida em quatro tempos
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Sílvio Caldas |
A vida em quatro tempos (samba, 1943) - Paulo Orlando e Custódio Mesquita - Intérprete: Sílvio Caldas
Disco 78 rpm / Título da música: A vida em quatro tempos / Custódio Mesquita, 1910-1945 (Compositor) / Paulo Orlando (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Custódio Mesquita e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 06/07/1943 / Lançamento: 10/1943 / Nº do Álbum: 80-0118 / Nº da Matriz: S-052809-1 / Gênero musical: Samba
Disco 78 rpm / Título da música: A vida em quatro tempos / Custódio Mesquita, 1910-1945 (Compositor) / Paulo Orlando (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Custódio Mesquita e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 06/07/1943 / Lançamento: 10/1943 / Nº do Álbum: 80-0118 / Nº da Matriz: S-052809-1 / Gênero musical: Samba
Namorados numa rua
Sozinhos pela calçada
No céu, estrelas a lua
Na terra nós dois, mais nada.
Noivos em casa, anoitece
Beijos, abraços, ninguém
Voa o tempo e a gente esquece
O tempo que o tempo tem.
Casados. Igreja, abraços
Papai, Mamãe, despedida
Enfim sós, mil embaraços
Parou de repente a vida.
Depois a realidade
O tempo a correr... bebês...
Dez anos depois, nós dois
Não somos dois, somos dez !
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
sábado, fevereiro 16, 2008
Bambino
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Ernesto Nazareth - 1908 |
Bambino (tango, 1913) - Ernesto Nazareth
Dedicado ao bom amigo Cezar d’Araújo. Depois de mais de uma década sem ter obras publicadas pela Casa Arthur Napoleão (a última fora a valsa Genial, em 1900), Nazareth teve editado seu vigésimo sexto tango, Bambino, dedicado a um dos então proprietários desse tradicional estabelecimento.
Quanto ao título, trata-se do nome artístico do afamado caricaturista Arthur Lucas, responsável, inclusive, pelo desenho de algumas capas de partituras do compositor.
Disco selo: Columbia Record / Título da música: Bambino / Ernesto Nazareth (Compositor) / Grupo Bahianinho / Bandolim e violão (Acomp.) / Nº do Álbum: B-202 / Nº da matriz: 12095-1-1 / Lançamento: 1912 / Gênero musical: Tango / Coleção de Origem: Nirez, José Ramos Tinhorão
A seguir uma gravação de Bambino por Custódio Mesquita e orquestra em 1943:
Disco 78 rpm / Título da música: Bambino / Ernesto Nazareth, 1863-1934 (Compositor) / Custódio Mesquita e Sua Orquestra (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor / Nº Álbum: 80-0097-b / Nº da matriz: 052767-1 / Gravação: 6/Maio/1943 / Lançamento: Julho/1943 / Gênero musical: Choro
Entusiasmado com o grande êxito alcançado por Bambino, Catulo da Paixão Cearense, assim como fizera com Nenê, Bicyclette-club e Brejeiro, também resolveu dedicar-lhe versos e um novo título, Você não me dá!...:
Como tão linda está / Como tão linda está / Mas se um beijo eu pedir / Você não me dá / Você não me dá
Quem lhe implora é o amor / A inocência, o candor / Mas você é tão má / Que eu sei que você / não dá, não dá
Não tem pena de ver / Um poeta sofrer / Quem lhe implora é o amor / É a doida aflição
do meu coração
Se me promete dar / Eis-me aqui,a chorar / Mas você é tão má / Que eu sei que você / não dá, não dá
Sua boca é um primor / Uma abelha do amor / Sou capaz de jurar / Que o seu beijo / Há de Ter o sabor do luar
Sua boca é um altar / Onde eu quero rezar / E após confissão / Nos seus lábios rismar / Os meus lábios então
Sua boca cheirosa / é a essência da rosa / Mais bela e mais langue / É uma estrela , uma estrela de sangue / Um luar de sangrento rubor
Quem me dera um carinho / Deixar oscilando num terno cantinho / Desse mau pedacinho do inferno, do averno / Do céu mais azul
A minha alma voando do palmo da terra / Tão cheia de horrores / Nesse berço feliz dos amores / As minhas glórias pudera cantar
E se acaso duvida do que hora lhe diga / Venha, experimente / Que minh'alma ardente / Na sua boquinha deseja sonhar
Como tão linda está / Ai meu Deus, como está / Pra uma santa ficar / Devia um beijinho agora me dar
O seu beijo é o licor / Dos travores da dor / Há de ter o sabor da antera da flor / Do seu amor
Fontes: Choromusic; Agenda do Samba & Choro; Instituto Moreira Salles.
Dedicado ao bom amigo Cezar d’Araújo. Depois de mais de uma década sem ter obras publicadas pela Casa Arthur Napoleão (a última fora a valsa Genial, em 1900), Nazareth teve editado seu vigésimo sexto tango, Bambino, dedicado a um dos então proprietários desse tradicional estabelecimento.
Quanto ao título, trata-se do nome artístico do afamado caricaturista Arthur Lucas, responsável, inclusive, pelo desenho de algumas capas de partituras do compositor.
Disco selo: Columbia Record / Título da música: Bambino / Ernesto Nazareth (Compositor) / Grupo Bahianinho / Bandolim e violão (Acomp.) / Nº do Álbum: B-202 / Nº da matriz: 12095-1-1 / Lançamento: 1912 / Gênero musical: Tango / Coleção de Origem: Nirez, José Ramos Tinhorão
A seguir uma gravação de Bambino por Custódio Mesquita e orquestra em 1943:
Disco 78 rpm / Título da música: Bambino / Ernesto Nazareth, 1863-1934 (Compositor) / Custódio Mesquita e Sua Orquestra (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor / Nº Álbum: 80-0097-b / Nº da matriz: 052767-1 / Gravação: 6/Maio/1943 / Lançamento: Julho/1943 / Gênero musical: Choro
Entusiasmado com o grande êxito alcançado por Bambino, Catulo da Paixão Cearense, assim como fizera com Nenê, Bicyclette-club e Brejeiro, também resolveu dedicar-lhe versos e um novo título, Você não me dá!...:
Como tão linda está / Como tão linda está / Mas se um beijo eu pedir / Você não me dá / Você não me dá
Quem lhe implora é o amor / A inocência, o candor / Mas você é tão má / Que eu sei que você / não dá, não dá
Não tem pena de ver / Um poeta sofrer / Quem lhe implora é o amor / É a doida aflição
do meu coração
Se me promete dar / Eis-me aqui,a chorar / Mas você é tão má / Que eu sei que você / não dá, não dá
Sua boca é um primor / Uma abelha do amor / Sou capaz de jurar / Que o seu beijo / Há de Ter o sabor do luar
Sua boca é um altar / Onde eu quero rezar / E após confissão / Nos seus lábios rismar / Os meus lábios então
Sua boca cheirosa / é a essência da rosa / Mais bela e mais langue / É uma estrela , uma estrela de sangue / Um luar de sangrento rubor
Quem me dera um carinho / Deixar oscilando num terno cantinho / Desse mau pedacinho do inferno, do averno / Do céu mais azul
A minha alma voando do palmo da terra / Tão cheia de horrores / Nesse berço feliz dos amores / As minhas glórias pudera cantar
E se acaso duvida do que hora lhe diga / Venha, experimente / Que minh'alma ardente / Na sua boquinha deseja sonhar
Como tão linda está / Ai meu Deus, como está / Pra uma santa ficar / Devia um beijinho agora me dar
O seu beijo é o licor / Dos travores da dor / Há de ter o sabor da antera da flor / Do seu amor
Fontes: Choromusic; Agenda do Samba & Choro; Instituto Moreira Salles.
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