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sexta-feira, fevereiro 16, 2018

Bombocado - Caco Velho

Denis Brean
Bombocado (samba, 1945) - Denis Brean - Intérprete: Caco Velho

Disco 78 rpm / Título da música: Bombocado / Denis Brean (Compositor) / Caco Velho (Intérprete) / Gravadora: Continental, 1945 / Nº Álbum: 15416 / Lado B / Gênero musical: Samba.



Ô nega, você me deixa abafado
Com gosto de bom-bocado
Quando me beija a boca
Seu beijo é uma coisa louca
Eu já estou viciado
Nesse gostoso melado

Seu beijo tem qualquer coisa de forte
Mais poderoso que a morte
Eis em resumo a razão
Seu beijo parece uma granada
Que entra pelos meus lábios
E vai até o coração.

Minha linda Salomé - Bob Nelson

Minha linda Salomé (marcha, 1945) - Denis Brean e Vitor Simon - Intérprete: Bob Nelson

Disco 78 rpm / Título: Minha linda Salomé / Autoria: Brean, Denis (Compositor) / Simon, Vitor (Compositor) / Bob Nelson, 1918-2009 (Intérprete) / RCA Victor, 1944 / Álbum 800256 / Lado B / Lançamento: 1945


Quando eu vou pro meu rancho da montanha
Vou montado nesse meu cavalo amigo
Ainda existe algo mais que me acompanha
E por ela com todo mundo eu brigo


Eu por ela desacato
O mais temível bandoleiro
E por ela também mato
Até meu melhor rancheiro
Ela tem os olhos tristes como um lago
Já venceu um concurso lá em Chicago


Meus senhores
Vou dizer quem ela é
Entretanto, adivinhe quem quiser
É a minha linda vaca Salomé.

sábado, dezembro 28, 2013

Lupe, a moreninha da praia

—— “Acabaram de ouvir Lupe em “Paris”, marcha de sua autoria”, —— anunciou o “speaker”.  Ficamos atônitos, à porta do estúdio. Como Lupe Velez estava de novo no Brasil? A nossa curiosidade durou pouco, pois a porta não tardou em se abrir para dar passagem a uma morena muito brasileira, de grandes olhos negros e cabelos grudados com “gomina”, formando uma espécie de capacete, onde, fazendo prodígios de equilíbrio e desafiando a lei da gravidade, se encontrava uma minúscula boina verde.

Lupe Ferreira representa o último tipo da garota “made in Rio for 1935”. Se fosse necessário eleger o tipo ideal da carioca de hoje, caberia a Lupe, sem dúvida, o título.

Esta “pequena” inteligente, que passa os dias enfrentando o sol em Copacabana e nas horas vagas, compõe sambas, num torneio como esse, não poderia deixar de sair triunfante. Não é por ventura a carioquinha ideal, uma morena queimada, que saiba conversar e nas horas vagas compor sambas? ...

Para uma criatura como Lupe, a apresentação é franco passadismo. Foi por isso que não procuramos intermediário para a nossa conversa. Lupe é muito amável e em se tratando de uma “carioca”, os deveres que o coleguismo impõe, fizeram com que esta amabilidade aumentasse cinquenta por cento.

—— Muita animação para o Carnaval?

Lupe preferiu responder cantando a sua marcha, que é, efetivamente, um sucesso. Basta dizer que, quando ela acabou estávamos rodeados de todo o “cast” da Tupy que fazia o coro.

—— Como fez a marcha?

—— Comecei a pensar no Carnaval. Sonhei que estava em plena folia, “puxando” um “cordão”. Veio a inspiração nesta hora e aí está o resultado.

Recordamos a Lupe, aqueles tempos em que ela cantava na Mayrink Veiga, canções francesas e ela nos respondeu:

—— Isto foi há quatro meses. Eu agora sou francamente do samba. Não quero saber de outras coisas. Nele há vários gêneros. Na canção francesa temos que nos limitar à imitação de Luciam Boyer. Além disso, creio que o samba me é mais sensível. É natural: sou brasileira.

—— A que tipo de samba pretende se dedicar?

—— Ao samba bem carioca. Aquelas batucadas de morro, onde o malandro chora eternamente as suas mágoas, num ritmo capaz de comover o mais ríspido bretão...

Lupe continua:

—— Tenho outra marcha para o Carnaval: “Uê, Uê, Macacada”. Creio, porém, que “Parei” agradará mais. Pretendo mesmo, me consagrar com ela. Tem uma letra interessante e cheia de “veneno” que o povo tanto gosta. Tenho receio porém dos outros concorrentes: “Querido Adão” é, dos conhecidos, o mais perigoso. Ainda assim creio que terei a emoção de ouvir a minha marchinha, cantada por algum “cordão”, durante os três dias...

—— Pretende continuar compondo?

—— Tenho pela música, verdadeira paixão. À ela dedico todos os momentos de lazer. Pretendo mesmo, continuar compondo. Aliás, “Parei” não é a minha primeira música. Já tenho feito muitas outras, que eu guardei para mim: inúmeras “fantasias” sobre músicas variadas e até uma vez cantei na Mayrink, uma canção de minha autoria. Agora porém, eu sou do samba e para as outras músicas só tenho uma resposta: “parei” ...


Fonte: CARIOCA, de 11/01/1936.

quinta-feira, outubro 04, 2012

Rubens Peniche

Rubens Peniche (Rubens Cardoso Peniche), cantor e compositor, nasceu em Santos, SP, em 19/4/1921. Cantou pela primeira vez com um conjunto regional na Rádio Clube de Santos.

Em 1939, estreou na Rádio Bandeirantes em São Paulo, no concurso do "Cantor misterioso", que foi ganho por Alvinho, marido da cantora Leny Eversong. Atuou em várias emissoras e cassinos. Compôs com o pseudônimo de Valtenir Pinto. Em 1944, gravou seu primeiro disco, na Continental, com as marchas Cirandinha e Se me queres mal, parcerias com Gentil de Castro.

Em 1945, gravou os samba Rei vagabundo, de Mário Rossi e Marino Pinto e Além do céu azul, de Mário Rossi e Tito Ramos, o fox Há muito tempo, de J. Kern e Ira Gershwin, com versão de Sivan Castelo Neto e as marchas Quando estás ao meu lado, de Aldo Cabral e Medeiros Neto e Verão do Brasil, de Denis Brean e Lupicínio Rodrigues.

Em 1946, gravou o samba Raridade, de Orlando Monello, Gentil Castro e R. Faraone e o choro Ciúmes, de David Raw e Sadi Cabral. Em 1947, gravou o samba Baliza da escola, de Raul Marques, Zé Luiz e Gentil Castro e o samba Cabelo branco, de Sátiro de Melo e Gastão Viana.

Em 1948, gravou as marchas "Princesa", de José Assad, o "Beduíno" e "Maria do requebrado", de Orlando Monello e Gentil Castro e os sambas "Que importa", de Osvaldo França e Francisco Lacerda e "Festa do povo", de Conde e Avaré.

Em 1950, gravou as marchas Lolita, a mazurca Dança da nobreza e a valsa Pique será, de José Assad, o Beduíno e Japonesa, de Juraci Rago e Paulo Queiroz. Nesse ano, gravou mais duas composições de José Assad, as marchas Eu sou o diabo, com Juraci Rago e Coringa.

Em 1951, gravou a valsa Duas lágrimas, de Antônio Rago e Ribeiro Filho e o bolero Voltar eu quero, de Juraci Rago e Reinaldo Santos. Em 1952, gravou a marcha Índia morena, de Osvaldo França e Blecaute e o samba Máscara de pano, de José Sacomani. Nesse ano, gravou os tangos Madressilva, de Canaro, Amadori e Juraci Rago e Silêncio, de Petarossi, Gardel, Le Pera e Alraqui.

Em 1953, gravou o pasodoble Não te posso querer, de C. Larrea e Juraci Rago e o samba-canção João Ninguém, de Sereno e Sacomani.

Discografia


1944 - A vingança do barrigudo / Duas mulheres • Continental • 78
1944 - Cirandinha / Se me queres mal • Continental • 78
1945 - Verão do Brasil / Falso maestro • Continental • 78
1945 - Rei vagabundo / Quando estás a meu lado • Continental • 78
1945 - Há muito tempo / Além do céu azul • Continental • 78
1945 - Culpa do destino / Eu vi você • Continental • 78
1945 - Céu aberto / Quem gosta de mim • Continental • 78
1946 - Raridade / Ciúmes • Continental • 78
1946 - Salão dos beneditos / O homem não deve chorar • Continental • 78
1946 - Beduína / Pobre louca • Continental • 78
1947 - Baliza da escola / Cabelo branco • Continental • 78
1947 - Sacrifício / Seis anos atrás • Continental • 78
1948 - Princesa / Que importa • Continental • 78
1948 - Maria do requebrado / Festa do povo • Continental • 78
1950 - Lolita / Japonesa • Continental • 78
1950 - Dança da nobreza / Pique será • Continental • 78
1950 - Coringa / Eu sou o diabo • Continental • 78
1951 - Duas lágrimas / Voltar eu quero • Continental • 78
1951 - Casamento? Não!... / Enche o copo • Continental • 78
1952 - Índia morena / Máscara de pano • Continental • 78
1952 - Madressilva / Silêncio • Todamérica • 78
1953 - Não te posso querer / João Ninguém • Continental • 78

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.   

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Osvaldo Guilherme

Osvaldo Guilherme e Denis Brean - 1964
Osvaldo Guilherme, compositor, nasceu em Campinas, SP, em 7/3/1919. Em 1942 conheceu o compositor Newton Teixeira, e com ele fez sua primeira composição, O que há com você, gravada no mesmo ano por Isaura Garcia, na Victor.

No início do ano seguinte conheceu o compositor Denis Brean, e pouco depois era convocado pelo Exército, no qual permaneceu por 28 meses.

Nessa ocasião compôs Em tudo há uma saudade, gravada por Ely Camargo, e Seresteiro, em parceria com Newton Teixeira, que a gravou posteriormente.

Retornando à vida civil, reativou a parceria com Denis Brean, com quem havia deixado algumas letras. A primeira música gravada da dupla foi Onde há fumaça há fogo, em disco Odeon, por Joel e Gaúcho. Em seguida o cantor Bob Nelson gravou Como é burro o meu cavalo, também da dupla.

Com Denis Brean compôs seus maiores sucessos, como: Franqueza, Raízes, Conselho, A mulher do meu amigo, Chora, coração, Festa do samba, Cadência do Brasil, Grande Caruso, Andorinha, Presença de Maria e Sinal dos tempos. A dupla teve várias músicas gravadas no exterior, assim como composições incluídas em filmes nacionais.

Sem parceria, gravou diversas músicas, como: Na fumaça de um cigarro, Quando o amor morre, Coisas tolas, o Hino Oficial do Guarani F C. e o Hino a Nossa Senhora das Graças.

É funcionário público aposentado do Instituto Agronômico de Campinas, onde sempre residiu.

Obra

Conselho (c/Denis Brean), samba, 1957; Convite ao samba (c/Denis Brean), samba, s.d.; Franqueza (c/Denis Brean), samba, 1957; Grande Caruso (c/Denis Brean), marcha, 1952; A mulher do meu amigo (c/Denis Brean), samba, s.d.; O que há com você (c/Newton Teixeira), 1942; Seresteiro (c/Newton Teixeira), s.d.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 2a. Edição - 1998.

quinta-feira, abril 24, 2008

Boogie-woogie do rato

Denis Brean
Boogie-woogie do rato (boogie-woogie, 1947) - Denis Brean - Interpretação: Joel e Gaúcho

Disco 78 rpm / Título da música: Boogie-woogie do rato / Denis Brean (Compositor) / Joel e Gaúcho (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Gravação: 27/09/1946 / Lançamento: 03/ 1947 / Nº do Álbum: 12766 / Nº da Matriz: 8105 / Gênero musical: Boogie woogie / Coleções de origem: IMS, Nirez


Tá dando rato, muito rato e que rato que está dando
no meu boogie e que sopa para um gato
Eu não sabia que havia tanto rato no meu samba
mas agora ante o fato, o rato é mato
Mas tem um rato que agradece e é muito grato
Se encontra um boogie-woogie, boogie-woogie como prato
Mas tem um rato que agradece e é muito grato
Se encontra um boogie-woogie, boogie-woogie como prato

Veja, veja, veja minha gente
Um rato pretender patente num processo de roer
Deixa todos esses ratos no meu samba
E não se importe com a muamba que isso é meio de viver

Se o nosso samba tem cadência, o boogie-woogie
tem influência pois os dois são irmãos da mesma cor
E o que interessa, ora essa é que o povo
consagrou as duas danças como sendo do amor
Por isso mesmo todo mundo quer dançar o boogie-woogie
sem "castigo" pois é ritmo amigo
E tudo mais só é conversa, e a resposta é "Nem te ligo!"



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sábado, abril 08, 2006

Denis Brean

Denis Brean (Augusto Duarte Ribeiro), compositor, jornalista e radialista nasceu em Campinas SP, em 28/2/1917 e faleceu em São Paulo SP, em 16/8/1969. Jovem ainda, interessou-se por música, formando com seus colegas do Colégio Ateneu Paulista, de Campinas, o Conjunto do Duarte, que tocava em festinhas.


Em 1934 mudou-se com a família para São Paulo, passando a trabalhar como escriturário. Ingressou na Faculdade de Direito, da Universidade de São Paulo, mas não chegou a fazer o curso, preferindo dedicar-se ao jornalismo. Dois anos depois, sua música Poesia da uva obteve o primeiro prêmio na Festa da Uva de Jundiaí SP, gravada por Ciro Monteiro, em disco não comercial.

Em 1937, o Grupo X lançou em disco seu samba Brazilian clipper, pela Columbia, e no ano seguinte, pela mesma gravadora, o Modelo de beleza. Em 1944 lançou a valsa carnavalesca No tempo da onça, gravada com enorme sucesso por Carlos Galhardo na Victor. Mas seu maior sucesso foi obtido com Boogie-woogie na favela, gravado por Ciro Monteiro em 1945 na Victor, regravado nos dias anos seguintes por Zacarias e sua Orquestra e pelos Anjos do Inferno, respectivamente.

Ainda em 1947, seu samba Bahia com H foi gravado por sucesso por Francisco Alves na Odeon. Formou com Osvaldo Guilherme, que já conhecia há quatro anos, uma parceria que ia produzir dezenas de músicas, sendo a primeira Onde há fumaça, há fogo, gravada em 1947 por Joel e Gaúcho, tendo na outra face do disco o sucesso Boogie-woogie do rato (de sua autoria). Na época, era um dos poucos compositores paulistas que gravavam no Rio de Janeiro RJ.

Em 1950 compôs, com Raul Duarte, a toada Marrequinha, gravada por Isaura Garcia. Compôs ainda La vie en samba (com Blota Júnior), gravado na Odeon por Dircinha Batista em 1951, a mesma cantora que lançou, também pela Odeon, o baião Mambo não (com Luiz Gonzaga), lançando no ano seguinte a marcha Grande Caruso (com Osvaldo Guilherme), grande sucesso carnavalesco, interpreta do em disco Odeon por João Dias.

Trabalhou ainda como jornalista em São Paulo, no City News, Shopping News, Diário de São Paulo (sob o pseudônimo de Ribeiro Maia) e finalmente em A Gazeta Esportiva, onde permaneceu por mais de vinte anos. Foi produtor de rádio, televisão e discos, tendo lançado na Odeon, entre outros, Hebe Camargo e Mário Genari Filho. Na CBS produziu o LP Brasil na Copa do Mundo, em 1958, com os principais gols do Brasil e seis músicas de sua autoria e Osvaldo Guilherme, Aquarela da vitória, Brasil, campeão do mundo, Copa que pedimos a Deus, Futebol em tempo de samba, Os reis do futebol e Vingamos o Maracanã.

O grupo Simonetti e sua Orquestra gravou pela RGE um LP só com músicas suas, entre as quais Bahia com H, A moda de cavaquinho, Boogie-woogie na favela, Festa do samba (com Osvaldo Guilherme) e Moleque teimoso.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.