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quarta-feira, junho 06, 2018

Lamartine, o rei dos primeiros carnavais


Se há alguém no Brasil que simboliza a alegria dos primeiros carnavais, essa pessoa é Lamartine Babo. Exímio compositor de marchinhas de carnaval, Lamartine foi um dos primeiros humoristas do país. Em meados da década de 30, quando o que contava ainda era a brincadeira nas ruas e não o desfile das escolas, o carioca, nascido em 1904, reinava absoluto nas festas do Rio de Janeiro. De 1932 a 1936 emplacou os maiores sucessos da Folia de Momo na Cidade Maravilhosa.


Não é difícil compreender o sucesso de Lamartine no Carnaval. Data marcada por uma grande festa no país, o Carnaval é considerado por muitos - especialmente fora do país - como o símbolo da alegria dos brasileiros. Bem humorado, com canções que apelavam para o humor puro, o compositor logo conquistou os cariocas.

"Ele era muito engraçado, e tirava sarro das pessoas com algumas letras. Inclusive, tirava sarro dele mesmo. Até por ser Carnaval, não tinha como fazer letra séria. E ele se destacava", explica o professor de Arte e Cultura da Universidade Metodista de São Paulo, Heron Vargas.

O humor escrachado - por algumas vezes maldoso - se tornou a marca principal da produção de Lalá, como era conhecido. "Nesse ponto ele é praticamente único na música brasileira. Ele mesmo era humorista, trabalhava assim no rádio, apresentando programas. Outros faziam mais sátira, o que é diferente do humor", compara o pesquisador Suetônio Soares Valença, autor do livro Tra-la-lá : Lamartine Babo. "O Lamartine fazia humor puro. Levava tudo mais ou menos na brincadeira, fazendo humor o tempo todo."

Ainda assim, não era apenas o humor que levava Lamartine ao sucesso. Com uma formação musical diferenciada dos demais compositores da época, conseguia resultados mais expressivos com as marchinhas, chegando a emplacar seis grandes sucessos em um mesmo Carnaval.

"Lamartine não teve uma formação musical como a do Noel Rosa, por exemplo. Noel subia os morros e ia ao Estácio para conhecer o samba. O Lamartine não teve essa passagem pelos morros. E por isso que ele fazia muita marcha, que se aproxima mais das operetas e das músicas americanas dos anos 20, que era o que ele acompanhava", complementa Valença.

A fama de Lamartine nos carnavais rapidamente fez com que fosse requisitado pelo rádio e pela TV, ainda nascente nos anos 50. Lá, também alcançaria sucesso, com programas como o "Baú do Lamartine". No rádio, foi pioneiro em usar uma ferramenta que conhecia bem: novamente, o humor.

"Ele é o precursor do humor no rádio. Não era um humorista como o Chico Anysio, mas tinha uma verve, era muito engraçado. Através desse humor, ele foi mais que um compositor, foi um dos responsáveis pelo que se considerou o "Espírito Carioca". É essa coisa do bom humor, da verve, da graça", afirma Valença.

Por Renato Marques

quarta-feira, janeiro 31, 2018

A-b-surdo - Noel, Lamartine e Olga Jacobino

A-b-surdo (marcha, 1931) - Lamartine Babo e Noel Rosa - Intérpretes: Noel Rosa, Lamartine Babo e Olga Jacobino

Disco 78 rpm / Título da música: A-b-surdo / Autoria: Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Jacobino, Olga (Intérprete) / Babo, Lamartine, 1904-1963 (Intérprete) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1931 / Nº Álbum 13273 / Lado A / Gênero musical: Marcha.


Intr.:(C7  F  Fm/Ab  C/G  A7  D7  G7  C) 2 Vezes

         G7                         C
Nasci na Praia do Vizinho oitenta e seis
             G7                C
Vai fazer um mês (Vai fazer um mês)
        G7                         C
A minha tia me emprestou cinco mil-réis
               G7                   C
Pra comprar pastéis (Pra comprar pastéis)

      E7                   Am
É futurismo, menina, É futurismo, menina
           C            D7      G7    C
Pois não é marcha, nem aqui nem lá na China
      E7                   Am
É futurismo, menina, É futurismo, menina
           C            D7      G7    C
Pois não é marcha, nem aqui nem lá na China

Solo.:(F  Fm/Ab  C/G  A7  D7  G7  C  C7
       F  Fm/Ab  C/G  A7  D7  G7  C)

         G7                        C
Depois mudei-me para a Praia do Caju
           G7              C
Para descansar (Para descansar)
       G7                     C
No cemitério toda gente pra viver
            G7               C
Tem que falecer (Tem que falecer)
 
      E7                   Am
É futurismo, menina, É futurismo, menina
           C            D7      G7    C
Pois não é marcha, nem aqui nem lá na China
      E7                   Am
É futurismo, menina, É futurismo, menina
           C            D7      G7    C
Pois não é marcha, nem aqui nem lá na China

Solo.:(F  Fm/Ab  C/G  A7  D7  G7  C  C7
       F  Fm/Ab  C/G  A7  D7  G7  C)

         G7                    C
Seu Dromedário é um poeta de juízo
            G7                 C
É uma coisa louca (É uma coisa louca)
            G7                        C
Pois só faz versos quando a lua vem saindo
             G7                 C
Lá do céu da boca (Lá do céu da boca)

      E7                   Am
É futurismo, menina, É futurismo, menina
           C            D7      G7    C
Pois não é marcha, nem aqui nem lá na China
      E7                   Am
É futurismo, menina, É futurismo, menina
           C            D7      G7    C
Pois não é marcha, nem aqui nem lá na China

sábado, janeiro 06, 2018

Lamartine Babo - Biografia


Era uma das pessoas mais bem humoradas e divertidas de sua época, não perdendo nunca a chance de um trocadilho ou de uma piada. Em uma entrevista afirmou "Eu me achava um colosso. Mas um dia, olhando-me no espelho, vi que não tenho colo, só tenho osso". Numa outra, lhe perguntam qual era a maior aspiração dos artistas, Lalá não vacila: "A aspiração varia de acordo com o temperamento de cada um... Uns desejam ir ao céu... já que atuam no éter... Outros evaporam-se nesse mesmo éter... Os pensamentos da classe são éter... ó... gênios..." - valeu-lhe o título de "O Pior Trocadilho de 1941".


Lamartine Babo nasceu na Rua Teófilo Otoni, centro da cidade do Rio de Janeiro, no dia 10 de janeiro de 1904. Décimo segundo filho do casal Leopoldo de Azeredo Babo e Dona Bernardina Gonçalves Babo, logo teve que se mudar com a família para a Tijuca, em função da construção de novas avenidas no local onde moravam. Lamartine fez o curso primário numa escola pública, perto de sua casa, na Tijuca. Aos onze anos foi para o Colégio São Bento para cursar o ginásio. Teve contato com a música desde criança, pois sua mãe e uma irmã tocavam piano e o pai era amigo, entre outros, de Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense, que sempre frequentavam sua casa.

Sua primeira marchinha gravada foi Os calças largas, em que Lamartine debochava dos rapazes que usavam calças boca-de-sino. Em 1937, com a censura imposta pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, carnavalescos irreverentes como ele ficaram proibidos de utilizar a sátira em suas composições. Sem a irreverência costumeira, as marchinhas não foram mais as mesmas. Em 1951, aos 47 anos, Lamartine, que nunca tivera sorte no amor, casou-se, enfim. Morreu vitimado por um enfarte, no dia 16 de Junho de 1963, deixando seu nome no rol dos grandes compositores deste país.

Biografia completa

Lamartine de Azeredo Babo nasceu na Rua Teófílo Otoni, centro da cidade do Rio de Janeiro, no dia 10 de janeiro de 1904. Décimo segundo filho do casal Leopoldo de Azeredo Babo e D.Bernardina Gonçalves Babo, logo teve que se mudar com a família para a Tijuca, em função da construção de novas avenidas no local onde moravam. Lamartine fez o curso primário numa escola pública, perto de sua casa, na Tijuca. Aos onze anos foi para o Colégio São Bento para cursar o ginásio. Teve contato com a música desde criança, pois sua mãe e uma irmã tocavam piano e o pai era amigo, entre outros, de Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense, que sempre frequentavam sua casa.

Por isso, o pequeno e magro Lamartine muito cedo posou de compositor para seus colegas de escola. Para provar que conseguia compor uma música usando apenas as notas sol, dó e mi, acabou fazendo o fox-trot "Pandorama", um ritmo norte-americano muito em alta na época. Lamartine era um menino muito criativo e acabou vencendo um concurso literário com a poesia "O Frade que pedia esmola". Sua primeira valsa, "Torturas de amor", foi composta quando tinha apenas treze anos de idade.

Em 1917 morreu o pai de Lamartine Babo. Em 1919 Lamartine compôs, sob influência da educação beneditina, "Ave Maria", que foi tocada em seu casamento e que até hoje é cantada nas igrejas católicas.Concluído o ginásio, Lamartine foi para o Colégio Pedro II, onde se bacharelou em letras, equivalente ao colegial de hoje.

Lamartine queria, em 1920, cursar a Escola Politécnica, mas a situação financeira da família, que vinha se tornando precária desde a morte do pai, o obrigou a trabalhar como office-boy na Light, ganhando 50 mil réis por mês. Do seu magro salário, Lamartine conseguia economizar uns trocados para, de vez em quando, frequentar o Teatro Municipal, o Lírico ou o São Pedro de Alcântara, hoje João Caetano, onde deliciava-se com alegres operetas vienenses. Nesse mesmo ano Lamartine compôs sua primeira opereta: "Cibele".

O bom-humor e a facilidade de fazer piadas e trocadilhos levaram Lamartine, em 1923, a colaborar na revista 'Dom Quixote', dirigida por Bastos Tigre e especializada em humor, sátiras e críticas à época. Demitido da Light em 1924, Lamartine conseguiu um emprego na Companhia Internacional de Seguros, onde ficou por pouco tempo, passando, em seguida, a escrever e compor para o teatro de revista. Ainda nesse ano, sob os pseudônimos de Frei Caneca, Poeta Cinzento, T. Misto, Janeiro Ramos, Luxurious e N. N., Lamartine escreveu artigos e poesias simples para as revistas "Paratodos" e "Shimmy".

Orientado por seu amigo Eduardo Souto, Lamartine descobriu o fértil campo das marchinhas carnavalescas e, em 1925, começou a compor para os ranchos "Recreio das Flores" "Africanos", "Jardim dos Amores" e "Ameno Resedá", fazendo sucesso com a marchinha "Foi você". Em 1926 Lamartine compôs, anonimamente, para as revistas "Prestes a chegar" e "A mascote" e, em 1927, para "Paulista de Macaé" e "É da pontinha".

Como revistógrafo e compositor, o nome de Lamartine apareceu com sucesso em novembro de 1927, na revista "Os calças-largas", cuja música título, composta em parceria com Gonçalves de Oliveira e que satirizava a moda das calças boca-de-sino, foi gravada por Frederico Rocha, na Odeon, para o Carnaval de 1928; esta foi a primeira composição gravada de Lamartine Babo. A revista "Ouro à beça", de Lamartine com colaboração de Djalma Nunes, J. Castilho e Henrique Vogeler, foi uma das maiores atrações de 1928. Autor da comédia musicada "Este mundo vai mal", que estreou com sucesso em outubro de 1928, Lamartine colaborou também, no mesmo ano, na revista "Vai haver o diabo", que estreou em novembro.

Ainda nesse ano, para ajudar no orçamento, Lamartine deu aulas de dança no Clube Tuna Comercial e no Ginásio Português. Também de 1928 são suas composições "Nunca, jamais" e "Raios de um olhar" e, ainda, "Amor de mulato", "Cachorro quente" e "Oh! Nina", em parceria com Ary Barroso; "Cai n'água", com Lírio Panicali; "Cariocadas", com Hekel Tavares; "O ciúme é que te mata", com Osvaldo Cardoso de Menezes; "Cresça e apareça", com L. N. Menezes; "Cuidado com ela", "Essa velha tem malícia" e "Foi você", com Pedro Cabral; "Elza", com A F. Conceição e Xavier Pinheiro; "Eu não sei por que é", com F. Fonseca Costa; "Noite de amor", com J. Ramen; e "Seu Voronoff", em parceria com João Rossi.

Lamartine iniciou sua carreira no rádio em 1929, na Rádio Educadora, onde cantava com sua voz de falsete, contava piadas e fazia esquetes. De 1929 são suas composições "Dona boa", "Gemer no violão", "Uma tarde em New York" e "Zeca Ivo" e, também, "Amor na Penha", em parceria com João Rossi; "O campeão de xadrez", em parceria com J. Machado; "A capixaba", "Didi", "Em Santa Catarina tudo é flor", "Fruta do Pará", "Guanabara", "Maranhão, terra poética", "Meu Ceará", "Mineirinha", "Na terra do bom tempero", "Oh! Linda praia de amor", "Paraíba", "Perfil de gaúcha", "Sergipe, apelido do amor", "Seu Goiás", "Sonhos de Natal" e "Vou pro Piauí", em parceria com Henrique Vogeler e J. M. Pereira; "Helena de Azambuja", em parceria com A. R. de Jesus; "Lágrimas ocultas", em parceria com A. Miniutti; "O meu penar", em parceria com Pedro Cabral; "Tem gente olhando", em parceria com Tuiú; e "A vida é um inferno onde as mulheres são os demônios", em parceria com Zeca Ivo.

Em 1930, na Rádio Educadora, Lamartine começou a fazer o programa "Horas Lamartinescas", onde divulgava suas músicas, contava piadas e improvisava trocadilhos e onde também se apresentaram Noel Rosa e Marília Batista, entre outros. Nesse mesmo ano Lamartine venceu um concurso promovido pela revista "O Cruzeiro", com a marchinha "Bota o feijão no fogo". Desse ano também são as composições "Altofalante", "Chora", "A descoberta da América", "Eu quero casar" e "Rosinha" e, ainda, "Cutuca, Maroca", em parceria com D. Guimarães; "Diga", com Gonçalves de Oliveira; "Amazonas", "A Bandeirante", "Terra fluminense" e "Toada alagoana", com Henrique Vogeler e J. M. Pereira; "Como é gostoso amar", com Glauco Viana; "Devaneios", com Carlos Rodrigues; "Mulher sublime", com Donga; "Sonhos de Rinetti", com Jonas Aragão; "Teus olhos castanhos", com Bonfiglio de Oliveira; e "Tristeza havaiana", com Furinha.

Em 1931 Lamartine compôs e gravou o fox-charge "Canção para inglês ver", cuja letra revela a grande originalidade de Lamartine, uma das principais características de sua obra. Ainda nesse ano Lamartine passou a colaborar nos jornais "Correio da Manhã", "Gazeta de Notícias" e "Diário de Notícias" e venceu um concurso da Casa Edison com "Bonde errado", além de ter alcançado grande sucesso com "Lua Cor de Prata" e "Minha cabrocha". Nesse ano Lamartine também compôs "Gegê - Seu Getúlio"; com Noel Rosa, compôs "A.b.surdo"e "Nega"; com Sátiro de Almeida , "Gandaia"; com Vantuil de Carvalho e Domingos Carvalho,"Juraci"; com Josué de Barros, "Olha a cara dela"; com A. Demerval, "Onde você está morando?"; com Bonfiglio de Oliveira, "Sonho Brasileiro"; e, entusiasmado com a melodia que Ary Barroso havia composto para o poema "Na grota funda", de J. Carlos, Lamartine resolveu fazer outra letra, mudando o título da composição para "No rancho fundo". Ary gostou tanto do trabalho de Lalá que a partir daí compuseram juntos uma série de sucessos.

Com os Irmãos Valença, Lamartine compôs a marcha que foi um dos maiores sucessos carnavalescos de 1932 e de todos os tempos: "O teu cabelo não nega". Inicialmente, essa marcha era uma música dos Irmãos Valença, de Pernambuco, que a enviaram à Victor com o título de "Mulata". Como a linguagem dos versos era muito regional, a gravadora pediu a Lamartine que adaptasse a composição ao gosto carioca. Ele mudou radicalmente o original: alterou o ritmo, modificou a letra e acrescentou a famosa introdução. A marchinha acabou sendo gravada como "motivo do Norte com arranjos de Lamartine Babo" e editada como de exclusiva autoria de Lamartine. Os Irmãos Valença levaram o caso à justiça, que lhes deu ganho de causa, passando à legítima condição de parceiros de Lamartine.

Em 1932 Lamartine compôs, com Noel Rosa, "AEIOU"; com Francisco Alves e Ismael Silva, "Ao romper da aurora"; com Antonio Viana, "Eterna prontidão"; com Bonfiglio de Oliveira, Lamartine compôs "Meu sabiá"; e com Ary Barroso, "Palmeira Triste". Também de 1932 são as composições de Lamartine: "Babo...zeira...", "Uma família radiante", "Marchinha do amor", "Papai não deixa", "Passarinho... passarinho", "Rapsódia em réus maiores", "Só dando com uma pedra nela" e "A tua vida é um segredo", que foi um dos campeões do carnaval de 1933.

Em 1933 Lamartine fez sucesso com "Linda morena" e "Moleque indigesto" e, também, com "Aí, hein! " e "Boa bola", estas compostas em parceria com Paulo Valença. "Linda Morena", muito cantada pelos foliões, foi originalmente gravada por Lamartine, Mário Reis e o Grupo da Guarda Velha, para o carnaval de 1933. Ainda em 1933, em parceria com Alcir Pires Vermelho, Lamartine compôs "Dá cá o pé...loura"; com João de Barro, compôs "Eu queria ser ioiô"; com Noel Rosa, "Eu queria um retratinho de você"; e com Ari Pavão, compôs "Infelizmente". Nesse mesmo ano Lamartine compôs, sem parceria, "Bem-te-vi", "As cinco estações do ano", "Lola", "Paisagens de São Lourenço", "Tarde na serra" e "Chegou a hora da fogueira", que revela Lamartine num gênero, hoje, quase esquecido: as marchinhas juninas.

Em 1934, em parceria com João de Barro, Lamartine compôs "Uma andorinha não faz verão"; com Moacir Araújo, compôs "Baiana do meu coração"; com Assis Valente, "Bis " com Alcir Pires Vermelho, "E... foi assim..."; e com Hervé Cordovil, "Menina Oxygené". Também de 1934 são as composições "Deixa a velhinha", "Dois a dois", "Eu também", "História do Brasil", " "Isto é lá com Santo Antônio", "Marchinha nupcial", "Paisagem de minha terra", "Parei contigo", "Ride palhaço", "O sol nasceu pra todos" e "Rasguei a minha fantasia", que foi composta para o carnaval de 1935 e gravada por Mário Reis, transformando-se num dos grandes êxitos daquele ano.

Em 1935 Lamartine venceu novamente o carnaval com "Grau dez", composta em parceria com Ary Barroso. Desse ano são também as composições "Chora... chora..." "Pistolões", "Rapsódia Lamartinesca nº 2", "Senhorita Carnaval", feita para promover o sabonete marca Carnaval, e "Verbo amar". E, ainda, "Antônio, por favor", feita em parceria com José Maria de Abreu; "Canção apaixonada", "A melhor das três" e "Roda de fogo", em parceria com Alcir Pires Vermelho; "E o samba continua" e "Na virada da montanha", com Ary Barroso; "Mariana", com Bonfiglio de Oliveira; e "Moreninha sweepstake" e "Seu Abóbora", com Hervé Cordovil.

O ano de 1936 trouxe "Marchinha do grande galo", composta por Lamartine em parceria com Paulo Barbosa e lembrada até hoje: "O galo tem saudades da galinha carijó". Nesse mesmo ano Lamartine compôs "Cinqüenta por cento" e "A tal". Em parceria com Hervé Cordovil, compôs "Alô, alô Carnaval" e "Rio"; com Nássara, "Cadência"; com Alberto Ribeiro, "Comprei uma fantasia de pierrô"; com Assis Valente, "Jeanette"; com Noel Rosa, "Menina dos meus olhos"; e com Alberto Ribeiro e João de Barro, "Cantores de Rádio", que, originalmente gravada pelas irmãs Carmen e Aurora Miranda, pertencia ao filme "Alô, Alô, Carnaval". Depois foi gravada por Chico Buarque, junto com Nara Leão e Maria Bethânia, como parte da trilha sonora do filme "Quando o carnaval chegar", de Carlos Diegues.

Em 1935 Lamartine havia recebido, da cidade de Boa Esperança, Minas Gerais, uma carta poética e apaixonada, assinada por Nair Pimenta de Oliveira. Lamartine e Nair se corresponderam por cerca de um ano, até que veio o adeus, numa última carta de Nair. Meses mais tarde Lamartine recebeu uma correspondência do dentista Carlos Alves Neto, da mesma cidade de Nair, convidando-o para a festa de estréia de um conjunto musical. Sonhando encontrar-se com Nair, Lamartine foi para Minas e teve uma incrível surpresa: Nair era uma garotinha, sobrinha do dentista, o qual era o autor das cartas. Carlos colecionava fotos de artistas e se valeu das correspondências com Lamartine para aumentar sua coleção. Essa história foi a responsável pelo surgimento de uma famosa canção de Lamartine, "Serra da Boa Esperança", gravada por Francisco Alves em 1937 e depois, em 1952, três dias antes de morrer em acidente automobilístico.

De 1937 também são as composições de Lamartine "Ganga", "Gauchinha", "Já tirei meu chapéu", "Menina das lojas", "Só nós dois no salão e esta valsa" e, ainda, "Mais uma valsa, mais uma saudade ", composta em parceria com José Maria de Abreu e "Pensão do Catete", em parceria com Milton Amaral. A partir de 1937, com a censura imposta pelo Estado Novo, as composições carnavalescas de Lamartine Babo tornaram-se esporádicas, mas ele continuou seu trabalho de radialista. As "Horas Lamartinescas" da Rádio Educadora foram substituídas pelo programa "Canção do Dia", na Rádio Mayrink Veiga, onde Lamartine apresentava uma música inédita por programa; na Mayrink Veiga, Lamartine produziu também o "Clube da Meia-Noite". Em 1937 Lamartine foi para a Rádio Nacional, levando o "Clube da Meia-Noite", que passou a se chamar "Clube dos Fantasmas" e onde produziu também a série "Vida Pitoresca dos Compositores da nossa Música Popular".

Em 1938, com Hervé Cordovil, Lamartine compôs "Esquina da sorte"; com Carlos Neto, compôs "Vaca amarela", e, sem parceria, compôs "Hino do Carnaval Brasileiro", uma de suas últimas criações carnavalescas. Em 1939, para o show "Joujoux e balangandans", que foi apresentado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e do qual era diretor musical, Lamartine compôs a marcha "Jou jou balagandans". Ainda em 1939 Lamartine compôs "Voltei a cantar"; em parceria com Celso Macedo, compôs "Cessa tudo"; e com Enéias, compôs "Tamanho não é documento".

De 1940 é a composição de Lamartine "De... cadência de pierrô", feita em parceria com Alcir Pires Vermelho. Em 1941 Lamartine compôs o fox-blue "Perdão amor"; com Moacir Araújo, compôs a marcha "Minha companhia é a Colombina"; e com Francisco Matoso, a valsa "Eu sonhei que tu estavas tão linda ", imortalizada na voz de Carlos Galhardo.

Em 1942 Lamartine criou, na Rádio Nacional, o programa "Trem da Alegria", onde apresentou o Trio de Osso, integrado por Heber de Bôscoli, Iara Sales e por ele mesmo. O programa tornou-se um dos mais famosos do Brasil e passou por diversas emissoras de Rádio, mantendo-se no ar até 1955, ano em que, com a morte de Heber de Bôscoli, Lamartine deixou o rádio e passou a dedicar-se à União Brasileira de Compositores - UBC, como diretor. De 1942 também são suas composições "O V da vitória", "Alma dos violinos", esta em parceria com Alcir Pires Vermelho, e "La Canga", em parceria do Heber de Boscoli.

Apaixonado por futebol e torcedor do América Futebol Clube, Lamartine Babo escreveu hinos para todos os clubes cariocas, lançando-os, em 1943, no "Trem da Alegria".

Em 1944 Lamartine compôs, em parceria com José Maria de Abreu, "Uma valsa azul". Em 1945, em parceria com Moacir Araújo, compôs "En avant". Em 1949 compôs "Noites de junho". O eclético compositor Lamartine Babo também produziu programas para a televisão, foi produtor da Copacabana Discos e publicou dois livros humorísticos: "Lamartiníadas" e "Pindaíbas".

Somente em 1951, aos 47 anos, Lamartine optou pelo casamento e já não era mais o Lalá magrinho, tão caricaturado, quando se casou com Maria José Barroso. Havia parado de fumar, engordara, perdera os dentes e gostava de receber os amigos com uísque escocês, em sua ampla residência na Tijuca. Também de 1951 são as composições "Adeus, ano velho", "É... elas voltaram", esta em parceria com Roberto Roberti e "Volta", feita em parceria com Roberto Martins.

Em 1952 Lalá compôs, em parceria com José Maria de Abreu, "Valsa da formatura". Em 1954, em parceria com Roberto Martins, compôs "Valsa do calendário". Em 1955 compôs os sambas "Estranha coincidência" e "Três de abril". O ano de 1957 trouxe as composições "Marcha pro Oriente", em parceria com Ataulfo Alves; "O rapaz de minha rua", em parceria com Roberto Martins; e "Sonhei com Noel", em parceria com Marques Junior e Roberto Roberti. Vez ou outra Lamartine voltava a animar o carnaval com alguma composição. Em fins de 1958, a pedido do rancho Rouxinóis, da Ilha de Paquetá, compôs a marcha-rancho "Os Rouxinóis", lançada na revista "Bom mesmo é mulher", que estreou em janeiro de 1959.

Em 1959 Lalá compôs o samba "Maria dos Anjos". Em 1960, compôs "Meu carnaval do passado" e "Ontem à tarde". Em 1961, a marcha-rancho "Ressurreição dos velhos carnavais". De 1963 são as composições "Noites de gala", em parceria com Alcir Pires Vermelho; "Qual delas?", em parceria com Carlos de La Riestra; e "Seja lá o que Deus quiser", só de Lamartine.

Nesse mesmo ano Carlos Machado produziu, na boate do Copacabana Palace Hotel, o show "O teu cabelo não nega", baseado na vida de Lamartine Babo. Lalá frequentou os ensaios, mas não chegou a assistir ao show: morreu de enfarte, provocado pela emoção da homenagem, no dia 16 de junho de 1963, poucos dias antes da estréia do show, mas consagrado pelos foliões de ontem e de hoje, que nunca deixaram de cantar "O teu cabelo não nega".

Veja também:

Lamartine Babo - Letras, cifras e gravações


Fontes: Samba-Choro - Artistas; Memórias da MPB - Biografia completa de Lamartine Babo - Samira Prioli Jaime.

quinta-feira, novembro 23, 2017

Lamartine Babo: Letras, cifras e músicas



Lamartine Babo - Letras, cifras e gravações

































































Veja também:

domingo, dezembro 22, 2013

Lamartine e Almirante em 1936

Lamartine Babo, já prestigiado compositor de marchinhas carnavalescas até hoje cantadas, e Almirante, cantor de sambas, companheiro de Noel Rosa e Nássara, futuro apresentador de programas da rádio carioca, que fizeram época nos vindouros anos 40 - CARIOCA, de 04/01/1936.

segunda-feira, junho 10, 2013

Os Três Reis Magros


Héber de Bôscoli, radialista, apresentador de programas de auditório e compositor (falecido em 1956), teve o maior sucesso com o “Trem da Alegria", programa de rádio no Rio de Janeiro, que foi criado em 1942, em parceria com sua esposa, a atriz e humorista Iara Salles, e o grande compositor de marchinhas carnavalescas Lamartine Babo (que também era um ótimo humorista). Apresentavam-se como o "Trio de Osso" (os três eram magérrimos).

A audiência era tão grande que durante muito tempo teve de ser apresentado nos teatros, uma vez que o auditório das emissoras de rádio não comportava o grande público que desejava participar e assistir ao programa. O programa foi mantido no ar até 1955, um ano antes da morte de Héber. A propaganda, o panfleto do show acima, é do Natal de 1948.

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Fonte: Revista do Rádio n° 10, de Dezembro de 1948.

sábado, maio 18, 2013

Héber de Bôscoli

Héber de Bôscoli, radialista, ator, rádio-ator, apresentador e compositor, falecido em 1956, teve papel marcante como maquinista, em "Trem da Alegria" (programa de rádio, 1942-1955). Era casado com a atriz Iara Salles (Taubaté, SP 27/7/1912 — Bananal, SP, 26/6/1986). Iniciou sua vida artística na Rádio Cruzeiro do Sul (mais tarde Rádio Tamoio) em 1937, em companhia de Ary Barroso e Paulo Roberto.

É até hoje considerado um dos maiores arrecadadores publicitários das emissoras de rádio, graças a criação de programas de forte apelo popular e por isto mesmo possuidores de enorme audiências. Dentre estes programas, podemos citar: “A Hora do Pato”, programa dominical de calouros, na Rádio Nacional; “Museu de Cera", também na Rádio Nacional e “A Felicidade bate a sua porta” , o primeiro programa de prêmios com transmissão externa.

No entanto o maior sucesso adveio com o “Trem da Alegria", criado em 1942, em parceria com sua esposa Iara e Lamartine Babo, apresentando o "Trio de Osso" (os três eram magérrimos). A audiência era tão grande que durante muito tempo teve de ser apresentado nos teatros, uma vez que o auditório das emissoras de rádio não comportava o grande público que desejava participar e assistir ao programa. O programa foi mantido no ar até 1955, um ano antes de sua morte.

Certa vez, no ano de 1945, o "Trem da Alegria" marcou época ao lançar os hinos de todos os clubes de futebol cariocas: um por semana. O “guarda-freios” da alegre composição radiofônica cumpria a promessa que fizera ao “maquinista” Héber, sob a admiração da "foguista" Iara Salles. Chegaram a espalhar o boato que, um dia, Héber trancafiara Lamartine num quarto, só o deixando sair quando as músicas ficaram prontas. Mas o esforço valera a pena. Quando os hinos eram apresentados ao público, eram imediatamente recebidos com entusiasmo fora do comum, sucesso imediato, e imediatamente viravam clássicos.

Cada hino possuía características cuidadosamente estabelecidas por Lamartine. O do Flamengo, por ser um clube de massa, deveria lembrar um hino de guerra. O do Fluminense, feito numa sorveteria granfina no centro da cidade chamada Americana, que ficava onde seria depois construída a garagem do Hotel Serrador, dava à composição um toque lírico, cumprindo as características refinadas do clube das Laranjeiras.

O do Vasco da Gama chegou a ter um trecho de música portuguesa. O do América, time pelo qual Lamartine torcia apaixonadamente, introduzia na música um “trá-lá-lá” na música, de resto calcada no ritmo one-step de uma música esportiva americana intitulada Row, row, row (Reme, reme, reme), gravado pela Banda da Marinha Americana. O do Botafogo enfrentou inicialmente um pequeno problema com a diretoria do “glorioso”, que achava que o clube só seria lembrado por ter sido campeão no ano de 1910. Mas o mal entendido foi resolvido pela voz do povo, que adotou a canção com alegria incomum. Anos depois, Lamartine acabaria de compor outros hinos de nossa cidade.

Héber de Bôscoli, para quem não sabe, tem um samba muito bem gravado por Sílvio Caldas, Orlando Silva e Ciro Monteiro intitulado “Rosinha”, em parceria com Mário Martins, uma gravação do ano de 1942.
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Fontes: fotolog.terra.com.br/historiadoradio; elencobrasileiro.blogspot.com.br; historiasdofrazao.com.br; cifrantiga3.blogspot.com/2006/04/lamartine-babo.html; Foto: historiasdofrazao.com.br; Panfleto: Revista do Rádio.

terça-feira, janeiro 22, 2013

Rio de Janeiro em versos de samba

Eu nasci em Catumbi / Em Catumbi, em Catumbi / Mas sou filho de Oxalá / Oxalá, Oxalá

Esta quadrinha gostosa é de um samba que J. B. Silva apresentou em 1924, chamado Cabeça de promessa. Dá a mesma medida exata do que tem feito os sambistas cariocas mais autênticos no canto de louvor a sua cidade, no geral, e no seu bairro, de modo especial. Loas e exaltações que tem o seu tanto – e natural – de vaidade, mas de modo aberto, sem o caráter agressivo de outros povos do Brasil e/ou do estrangeiro.

Certo, o Rio tem sido cantado em bloco, como cidade do amor e ventura / que tem mais doçura. Cânticos que têm chegado até a declaração de amor: Rio de Janeiro / gosto de você… Mas é na poesia do bairro que o letrista tem-se excedido, mais como um camelô das virtudes dos seus vizinhos do que, propriamente raciocinando. Grita as vantagens dos seus bairros por gritar, porque lhe faz bem assim proceder. Ou em resposta, responso coral quase, às proclamações de rivais – responso que toma o caráter de peça em detrimento dos rivais.

Assim, José Francisco de Freitas e D. M. Carneiro não faziam, em 1930, mais do que responder a Almirante e Candoca da Anunciação, quando escreveram: No Grajaú, Iaiá / No Grajaú. O seu bairro mais venturoso e mais aventuroso, mesmo, do que a mais longínqua e desértica Pavuna da gente reúna. Afinal, para a Pavuna o convite era:

Vem pra batucada
Que de samba na Pavuna
tem doutor


Ao otimismo malandro dos pavunenses (e isto não quer dizer que os autores do samba, bairrista fossem, necessariamente, seus habitantes), opunham o burguesismo do Grajaú, já então, talvez mais do que hoje, bairro metido a besta. O convite para ida à Pavuna não parecia sensibilizar ao autor da Dondoca e da Zizinha.

As origens das canções de exaltação aos bairros se perdem nos anos imperiais, talvez na própria e minguada cidade colonial. Neste século, entretanto, tais canções se tornaram mais constantes, acompanhando o progresso e o crescimento horizontal e vertical da metrópole. Às vezes, é uma fuga ao bulício do centro comercial o que leva um Hermes Fontes e um Freire Júnior a juntos compor uma coisa tão linda como aquela que declara: Paquetá é céu profundo / Que começa neste mundo / E não sabe onde acabar. É preciso cantar, cantar sempre – como diz a inimitável Nara Leão – e Paquetá era o recanto para a fuga às canseiras do crescente e barulhento Rio de Janeiro. Como um quarto de século depois seria (apenas idealmente) aquele samba bossa-novista primitivo que idolatrava Copacaba / Princesinha do mar…

E a oposição Zona Norte-Zona Sul? Já era tão forte no tempo de Noel Rosa que este antepunha à areia dos piratas de Ary Barroso, das moreninhas sapecas de João de Barro e de  Lamartine Babo, uma palmeira de mangue: e o Mangue – que o montanhista Idalicio Manuel de Oliveira Filho sempre soube escalar como ninguém, sendo o dono do assunto nos últimos trinta anos – convenhamos, o Mangue era, por aquela época, puro fogaréu.

O Mangue e toda a Zona Norte. Em 1930, por exemplo, Teobaldo M. Gama lançava na voz de Sílvio Caldas Um Samba no Rocha, descrevendo as vantagens dessa estação da central. Não esqueçamos que

A primeira escola de samba
Nasceu no Estácio de Sá

Aliás, mestre Idalício – bem o sabe o Cony, o Jotaefegê e outros bambas – é cidadão nativo e com muita honra do Estácio. Perto do Estácio, a grande zona do samba, o berço e talvez o túmulo – se o simonal e outros comprimidos favoráveis à dor de cabeça resolverem se abancar por ali. Pois o Rio inteiro cantou quase chorando, já em 1942:

Vão acabar com a praça Onze
Não vai haver mais
Escola de samba, não vai!

Não resta dúvida que o grande samba do Grande Otelo fez história: evitou que a praça Onze se transformasse em simples trecho da avenida Presidente Vargas, conservando um pouco que fosse, das suas tradições. Contudo, amigos da Zona Norte existe a Vila, imortalizada por Noel e Vadico, a Vila Isabel heróica:

Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba


Idalício não nasceu na Vila, mas sambista mais autêntico não existe – e por isso tem sido visto muitas vezes passeando pela praça Barão de Drummond. Não admira, a Vila, do ponto de vista do samba, atrai, prende, escraviza, mesmo considerando os outros bairros: Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira / Osvaldo Cruz e Matriz…

Mas a Zona Sul – ao contrário do que podem pensar os adventícios, os neófitos e os beócios reunidos – não foi descoberta pela brotoeja bossa-novista. Muito antes, já em 1936, Carmem Miranda e Sílvio Caldas entoavam um sambinha gostoso que dizia:

Quando passarmos
Lá no Leblon
Pra turma ver
Vou fazer assim

O tema do samba? Na batida tradicional, no telecoteco, um passeio de automóvel com buzina Fon-Fon – antecipando de muitos anos Il Sorpasso

No mesmo ano, Ari, mineiro de Ubá, apaixonado pela orla marítima, fazia um samba-comentário indagando:

Será você a tal Suzana
A casta Suzana
Do Posto Seis?

Porém, é evidente – e está o José Lino Grünewald, testemunha auricular dos 78 rpm, para confirmar – que a Zona Norte sempre surrou a Zona Sul em matéria de samba bairrista. Exemplo frisante é aquela marchinha de carnaval: Por um carinho teu / Minha cabrocha / Eu vou até o Irajá / Que me importa que a mula manque. Ou aquele sambinha cantando, simultaneamente, um bairro e sua estréia, minha falecida amiga Zaquia Jorge: Madureira chorou / Madureira chorou de dor. Ou aquele clássico: Vou à Penha / Vou pedir à padroeira.

Naturalmente, de vez em quando os que preferiam aparecer como geógrafos, distribuindo simpatia a vários bairros, se espalhavam. Um deles, em 1937, cantou simultaneamente o bonde e o seu itinerário (Din-Din ou Seu condutor):

O bonde Uruguai
É duzentos que vai
O bonde Tijuca
Me deixa em sinuca
E o Praça Tiradentes
Não serve pra gente

Lamartine, nos idos de 1931, na base da gozação carioca, acabou citando a comunidade que hoje se distribui na rua André Cavalcanti, e então tomava o bonde Silva Manoel, e foi além, brincando com o inglês (idioma) que se chegava (motivo de troça, como todos se lembram, de músicas de Noel e Assis Valente):

I love you
Forget sciaine
Mine Itapiru

Acima, uma prova concreta de que a Zona Norte e até a meia Zona Norte ganharam sempre da Zona Sul. Mas há um reduto invencível – e o Estácio, garante o Idalício, é centro, centríssimo! – e este reduto, já o falecido Benedito Lacerda, com sua flauta e sua inspiração, encarregou-se de proclamar o maior ao gritar que A Lapa / está voltando a ser / a Lapa!.

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Paiva. Salviano Cavalcanti de. “Rio de Janeiro em versos de samba”. Correio da Manhã. Rio de Janeiro, 16 de maio de 1965

domingo, março 18, 2012

Lalá na música popular carioca

Lamartine Babo
Um compositor português definiu de maneira bem expressiva o característico da música popular dizendo: “cantiga da rua, que corre, flutua, não é minha, não é tua, não é de ninguém". E, de fato, a canção feita para o povo, aquela que cai no seu agrado, passando a ser entoada em toda a cidade, nos arrabaldes, nos subúrbios, quando não toma o exato direito de domínio público o adquire pela ampla divulgação. Todos, e não apenas o autor, se sentem um pouco donos daquilo que ouvem cantar e que acabam aprendendo seus versos, sua melodia.

Às canções de Lamartine Babo (do Lalá, como o chamava a imensidão de seus admiradores), feitas todas com muito sabor popularesco, pode-se aplicar aquela conceituação de seu colega luso. Suas marchinhas, seus sambas, e até mesmo suas valsas, que poderiam pretender ser pernósticos ou fingir erudição, tiveram sempre, a par de um sentido brejeiro, humorístico, o de espontaneidade. Destinava-os ao povo, visando ao sucesso fácil, a recepção por todas as camadas sociais e, graças a sua habilidade, jamais se viu frustrado nesse desejo.

A “renascença” da música popular carioca

Se a verdadeira Renascença deu novos rumos às manifestações artísticas ensejando o aparecimento de novos valores, novas tendências, também a música popular carioca teve coisa mais ou menos semelhante. A modinha de versos rebuscados, os lundus, os tangos e tanguinhos, mesmo os chorinhos, já haviam sido vencidos pelo samba que como expressão genérica de música popular tivera seu advento na primeira década deste século. Surgiram então Donga, Sinhô, Caninha, Pixinguinha e muitos outros dominando uma época, firmando-se como ases. Eram, reconhecidamente, os maiorais.

Muitos dos citados, ou mesmo todos eles, chegaram ainda válidos, competindo na parada musical que a indústria do disco fonográfico fomentava durante todo o ano e, lógica e principalmente, no Carnaval. Entretanto, pouco antes de surgir a terceira dezena dos 1900, apareceu um grupo de moços citadinos. Vinha despegado das rodas tradicionais do samba (influenciadas por baianos e descendentes de africanos) e apresentava-se dando nova feição às canções populares. Entre eles repontava o magríssimo Lamartine Babo que, logo na marchinha Calças Largas, glosando um tipo das ruas, da avenida, via o seu pronto êxito, encorajava-se á novas produções no mesmo estilo.

Quem era o magro Lamartine

Saído de um colégio de frades (o Mosteiro de São Bento), dos escritórios do já àquela época combatidíssimo polvo canadense (Light and Power) e de uma companhia seguradora, Lamartine era um desconhecido. Não formava entre os donos do samba. Era apenas um freqüentador assíduo das forrinhas do tradicional Lírico, do Municipal, do São Pedro de Alcântara (atual João Caetano), onde se realizavam normalmente temporadas de operetas. Sabia, assim, de cor, não só os leitmotivs de todas elas, mas também suas valsas e seus faustosos finales. Aplaudiu muitas vezes, frenético e delirando, Clara Weiss, Franca Boni, Wanda Rooms, Laís Arêda, Vicente Celestino e seus irmãos.

Desconhecendo a grafia das notas, mas de grande pendor musical, conseguia transmitir aos arranjadores ou escritores, de maneira bem fácil de recolher, o tema melódico que levava na cabeça. Até mesmo as introduções, que na generalidade das músicas dos simplesmente inspirados são feitas por quem as lança na pauta, Lamartine as arquitetava procurando dar-lhes pompa com a predominância de metais. E para se tomar intuitivo, para mostrar bem como queria os efeitos, imitava o trompete, o trombone, ajuntando a gesticulação própria de um executante de tais instrumentos.

Eclético, versátil, mas, principalmente humorista

Passando-se em revista a vasta bagagem musical deixada por Lamartine Babo, e que apesar de tantas agremiações arrecadadoras de direito autoral não o fez rico, constatar-se-á sua versatilidade. Da valsa amena, terna (“só nós dois no salão e esta valsa”), passa-se à crítica maliciosa (“menina que chega em casa às quatro da madrugada, enquanto a escada vai subindo, na língua da vizinha está caindo”). Encontra-se também o poeta sentido (“onde a dor e a saudade contam coisas da cidade”) contrastando com o humorista bem atento às coisas de sua cidade (“mulata, mulatinha meu amor, fui nomeado teu tenente interventor”). Tudo, como se viu, diverso, vário, eclético.

Mas se a sua versatilidade, a profusão rítmica e melódica de suas composições revela um compositor capaz de fazer todos ou muitos gêneros de música popular, a sua principal faceta era, no entanto, o humorismo. De gênio expansivo, cultuando ainda o trocadilho, o chamado jeu de mots, que alcançou na sua grande voga dos cafés que foram pontos de encontro da boêmia, não perdia vaza de perpetrá-los: “quando morrer não quero busto, prefíro ser vivo robusto”. E, ao riso que provocava com sua piada ajuntava o seu feitio alvoroçado, marcado pelos tiques que demonstravam seu nervosismo, sua exuberância.

Ingresso e permanência na popularidade

Autor de canções para o povo, Lamartine teria, como conseqüência natural, de tornar-se uma figura comum à gente que entoava suas músicas e seus versos. A princípio buscava essa popularidade freqüentando as casas vendedoras de pianos e de discos onde os fonógrafos, e já a vitrolas, rodavam quase todo o dia, principalmente na estação carnavalesca, suas marchinhas, seus sambas.

Aparecia à tarde, quando à porta de tais casas se formava um auditório para ouvi-los e gostava de ser saudado pelos que o reconheciam na sua magreza, no terno de palha-de-seda que usava freqüentemente.

Mais tarde, conhecido de toda a cidade, sem fingir cansaço dessa popularidade, demonstrando o quanto lhe agradava o ser identificado nas ruas, nos bondes, nos ônibus, nos campos de futebol (onde ia torcer pelo seu América) não a evitava. Ao olhar de um fã, à admiradora que o apontava à sua passagem, correspondia com um sorriso feliz, com uma saudação acolhedora.

Mais do que música e versos, como se fosse pouco o punhado de canções que fazia para o prazer e alegria da gente de sua cidade, ele também dava a sua convivência amiga, a constância de sua presença, sempre saudada com carinho e grande admiração.

(O Jornal, 7/7/1963)
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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

O morro e o asfalto cantando juntos

Almoço na casa de Cartola; ao alto, o anfitrião e
Lamartine Babo; de pé, Sinhozinho, J. Efegê, Lan,
M. Camus e assistente, e Zica, mulher de Cartola.
Um domingo (mas não apenas algumas horas, todo um domingo) Lamartine Babo contaminou a Mangueira com sua alegria alvoroçante, comunicativa. Convidado para saborear uma muqueca, que seria preparada pela Zica, companheira do famoso Cartola (Angenor de Oliveira) em homenagem a Marcel Camus, o cineasta francês chegado ao Rio para aqui realizar o Orfeu do Carnaval, o Lalá acedeu prontamente.

Teria não só a grata oportunidade de visitando o decantado morro reencontrar uma de suas figuras mais expressivas e que tem o seu nome ligado à vitoriosa Estação Primeira (a aplaudida Escola de Samba dos suntuosos desfiles em nosso Carnaval).

Iria, ao mesmo tempo, conhecer um estrangeiro interessado em dar toda autenticidade ao seu filme que, embora vivendo uma lenda mitológica, ia ter como ambiente o morro com seus barracos, sua gente. E pairando sobre tudo isso, a música simples, espontânea que ali nasce.

E Lamartine lá chegou sem cerimônia, irradiando simpatia. Pouco depois, na roda que se formou antecedendo ao almoço e na qual havia tocadores de violão, de pandeiro, de tamborins, todos convocados pelo Cartola, Lamartine cantava suas composições empolgando um auditório numeroso e que ia aumentando continuamente. Não entoava apenas as suas marchinhas brejeiras, os seus sambas buliçosos.

Naquele seu jeito muito próprio, incorporando uma orquestra, ora imitava o pistão, reproduzia o trombone levando e trazendo a vara do instrumento, ora fazia a tuba grave no contra-canto que a melodia dava oportunidade. Mostrava assim os metais que sempre os queria predominantes nas introduções de suas músicas. Revezando com ele, num dueto em que se juntavam dois compositores de tendências diversas, Cartola entoava também os seus sambas.

O morro e o asfalto cantando juntos e embevecendo Camus que, pela primeira vez, via e ouvia o ritmo brasileiro em várias de suas nuances e numa exibição pura, emoldurada por um cenário exato. Depois, à mesa, fazendo piadas, elogiando a comida, Lamartine ainda manteve todos em constante alegria, envolvendo-os no seu bom-humor.

Findo o almoço, formou-se novamente a roda e então, mais animada, a mostra das canções do morro e do asfalto prosseguiu empolgante na interpretação de duas figuras exponenciais: Cartola e Lamartine Babo.

Desse domingo festivo, de gala para a música popular brasileira, ficou uma recordação muito grata entre a gente da Mangueira desejosa de uma nova visita do querido compositor da cidade que com ela comungou casando sua música com a do sambista dali, do morro. Esse reencontro, a prometida volta de Lamartine à Mangueira não deixará de ser cumprida por sua morte.

Ele voltará não somente num domingo, mas sempre que algumas de suas composições ali se fizerem ouvir tornando-o presente numa evocação saudosa e amiga.

(O Jornal, 23/6/1963)
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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

terça-feira, outubro 18, 2011

Frederico Rocha

Frederico Rocha (circa 1900), cantor e barítono, desenvolveu a carreira artística na década de 1920 na cidade do Rio de Janeiro, RJ, e, como era comum na época, apresentou-se em teatros de revistas.

Gravou os primeiros discos em 1926, com acompanhamento da Orquestra Odeon, interpretando o samba-carnavalesco Voronoff, o cateretê Genipapo, a marcha-rancho Moreninha, e o samba Olhai, todas de Eduardo Souto.

No mesmo ano, gravou a marcha-carnavalesca Mamãe, eu vou com ele!, e os maxixes A gente se defende e Carnaval à noite, de Américo Jacomino, o Canhoto, a canção Dia de espiga, de Alves Coelho, o maxixe-carnavalesco Adeus Joana, de José Luiz de Nazareth, e a marcha-carnavalesca Já quebrou, de José Luiz de Morais, o afamado Caninha, considerado um dos pioneiros do samba nos saraus das tias baianas da antiga Praça Onze.

Ainda em 1926, fez grande sucesso, tanto na festa da Penha quanto no carnaval carioca com o samba Braço de cera, composição de Nestor Brandão. Também no mesmo ano, fez sucesso sua gravação da toada Paulista de Macaé, de Pedro de Sá Pereira, música que fez parte da revista Paulista de Macaé, de Marques Porto e Luiz Peixoto apresentada no Teatro Recreio.

Em 1927, gravou com sucesso a primeira composição de Lamartine Babo, a marcha Os calças largas, incluída na revista de mesmo nome, de Lamartine Babo e Freire Júnior, e que também obteve grande êxito no carnaval daquele ano.

Em sua curta carreira fonográfica, gravou vinte músicas pela Odeon, com destaque para Os calças largas, Braço de cera, e Paulista de Macaé.

Frederico Rocha, o anjo barítono

Na segunda metade dos anos 1920, o carnaval seguia ao som de Frederico Rocha, ídolo da Mocidade Alegre junto com Pedro Celestino. Nessa mesma época surgem novos tipos. O de maior sucesso foi a menina melindrosa, a ousada de cabelos e vestidos curtos. Frederico Rocha as descreve como sendo as mulheres que amedrontavam os homens com seus vestidos e comportamento livre.

Frederico Rocha ficou famoso no teatro de revista com sua voz de cantor de ópera; ele era um barítono bifronte. Para Luís Antonio Giron: “Frederico Rocha canta ao sabor das mudanças, como que impelido à praia do futuro por uma onda gigantesca de mudança, cantando virado para o alto-mar do passado”.

A Voz Popular com Frederico Rocha traz as canções O mundo é uma roleta, Moreninha e Mamãe, eu vou com ele.

Discografia

(1926) Voronoff • Odeon • 78
(1926) Genipapo • Odeon • 78
(1926) Moreninha • Odeon • 78
(1926) Olhai • Odeon • 78
(1926) Braço de cera • Odeon • 78
(1927) Os calças largas • Odeon • 78

Playlist




A gente se defende, Adeus Joana, Braço de cera, Carnaval à noite, Dia da espiga, És a minha assombração, Já quebrou, Mamãe eu vou com ele, Moreninha, Mulher de cueca, O mundo é uma roleta, Olhai, Paulista de Macaé, Saruê (todos de 1926).

Bibliografia Crítica

AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.

Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Cultura Brasil.

sexta-feira, dezembro 31, 2010

Furinha

Furinha - 1956
Furinha (Demerval Fonseca Neto), instrumentista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 9/6/1903, e faleceu provavelmente nos anos 1970. Nasceu no bairro do Catumbi.

Toda a família tocava de ouvido e, por volta de 1920, começou a tocar cavaquinho e, logo depois, bandurra (espécie de bandolim). Começou a compor ao iniciar seu trabalho em orquestra.

Em 1926 participou da Orquestra Raul Lipoff, tocando banjo, e com ela apresentava-se em festas e bailes. Em 1927 lançou pela Odeon o choro Tudo teu, sua primeira composição gravada.

Em 1929 obteve sucesso com a gravação do choro Verinha, pelo trompetista Djalma Guimarães, na Odeon. No ano seguinte, Francisco Alves gravou, na Odeon, sua composição Tristeza havaiana (com Lamartine Babo), com acompanhamento da Orquestra Pan-American, no qual faz um solo de guitarra havaiana.

Em 1931 passou a integrar a Orquestra de Simon Bountman, no Cassino do Copacabana Palace Hotel, na qual atuou até 1935, passando a exercer a partir de então sua profissão de dentista.

Teve várias outras composições gravadas, entre as quais Distância infinita, pelo cantor Paulo Tapajós, e Onde estás, por Vero (Radamés Gnattali).

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora e PubliFolha – 2ª. Edição – 1998; jorgecarvalhodemello – Foto do Furinha (Demerval da Fonseca Neto) (a foto e a data provável do falecimento).

terça-feira, novembro 04, 2008

Os rouxinóis


Os rouxinóis (marcha-rancho/carnaval, 1958) - Lamartine Babo

Disco 78 rpm / Título da música: Os rouxinóis / Autoria: Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Rouxinóis de Paquetá (Intérprete) / Coro (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Todamérica, 1957 / Nº Álbum 5723 / Gênero musical: Marcha rancho


Os rouxinóis entre as flores procuram seus amores
É lindo o cântico das aves
As melodias se renovam tão suaves
Salve os rouxinóis!

Surgem orquestras nos arrebóis
Sustenidos são feridos e se ouvem à meia voz os bemóis
Porque os rouxinóis foram buscar Amor-perfeito
E no canteiro já desfeito da Amizade
Só encontraram Saudade


Sem sonhos os rouxinóis se vêem a sós tristonhos
E se consolam com as sutis cigarras
Cigarras sutis cada qual mais feliz
Pois cantam, cantam, cantam, depois se desencantam
Cantar até morrer é o seu infinito prazer

Estão nos arrebóis os rouxinóis silentes
Descrentes de seus amores pelas lindas flores
Nesta canção, pensando bem
O amor dos rouxinóis é o nosso amor também

Sem sonhos os rouxinóis se vêem a sós tristonhos
E se consolam com as sutis cigarras
Cigarras sutis cada qual mais feliz
Estão nos arrebóis os rouxinóis silentes
Descrentes de seus amores pelas lindas flores

Nesta canção, pensando bem
O amor dos rouxinóis é o nosso amor também
É o nosso amor também
É o nosso amor também
É o nosso amor também
É o nosso amor também.

sexta-feira, março 21, 2008

Alma dos violinos

Alma dos violinos (valsa, 1942) - Alcir Pires Vermelho e Lamartine Babo - Intérprete: Moraes Neto

Disco 78 rpm / Título da música: Alma dos violinos / Alcir Pires Vermelho, 1906-1994 (Compositor) / Lamartine Babo, 1904-1963 (Compositor) / Moraes Neto (Intérprete) / Milton Calazans [Direção], Orquestra Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 16/04/1942 / Lançamento: 06/1942 / Nº do Álbum: 12161 / Nº da Matriz: 6944 / Gênero musical: Valsa / Coleções de origem: IMS, Nirez


Sinto n'alma um violino
Um violino que acompanha
O meu triste adeus
Que vai por trás de uma montanha
Montanha pequenina

Diante dos olhos meus
Meus olhos tão imensos
Oh! Perguntem aos lenços
Quando dizem adeus

Sinto n'alma um violino
Um violino tão sonoro
Que acompanha melodias
Quando eu canto e choro
Eu choro porque os risos
Dei ao meu amor
Meu grande amor
Nestas valsas que eu componho
Vive o meu sonho



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Perdão amor

Lamartine Babo
Perdão amor (fox-canção, 1941) - Lamartine Babo - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Perdão amor / Lamartine Babo, 1904-1963 (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 30/04/1941 / Lançamento: 07/1941 / Nº do Álbum: 34759 / Nº da Matriz: 52190 / Gênero musical: Fox blue


Se magoei teu lindo coração
Perdão amor
Se é por minha causa o teu sofrer
Foi sem querer


Vítima do ocaso e da ilusão
Beijei tua mão
Se magoei teu lindo coração
Perdão amor, perdão, perdão

Se os teus sorrisos foram embora
Minh'alma chora
Se amar é crime
Esquecerei que já te amei

Hei de devolver os seus dissertos
Cartas, rosas murchas, seus cabelos
Se é que ainda tens meu coração
Não mandes não!



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, março 14, 2008

Só nós dois no salão (E esta valsa)

Francisco Alves
Só nós dois no salão (E esta valsa) (valsa, 1937) - Lamartine Babo - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Só nós dois no salão (E esta valsa) / Lamartine Babo, 1904-1963 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 17/03/1937 / Lançamento: 06/1937 / Nº do Álbum: 34174 / Nº da Matriz: 80340-1 / Gênero musical: Valsa


Só nos dois num salão e esta valsa
E uma orquestra de anjos divinos
Uns acordes de um toque de sinos
Nos finais desta valsa de amor.

Pelo chão
Umas pétalas de flor

Luz azul percorrendo o salão
Só nós dois
Mais ninguém
Mais ninguém
Só nós dois
A saudade virá depois.



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

terça-feira, março 11, 2008

Na virada da montanha

Francisco Alves
Na virada da montanha (samba, 1936) - Ary Barroso e Lamartine Babo - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Na virada da montanha / Ary Barroso (Compositor) / Lamartine Babo, 1904-1963 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Diabos do Céu (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 27/08/1935 / Lançamento: 12/1935 / Nº do Álbum: 33995 / Nº da Matriz: 80012-1 / Gênero musical: Samba

Tom: G

         G   A7     D7
A saudade vem chegando
      Dm   E7     Am
A tristeza me acompanha
      D7           G
Só porque... só porque...
   C          A7
O meu amor morreu
     D7          G
na virada da montanha
   C          G
O meu amor morreu
     D7          G      C7  B7  Em
na virada da montanha

       Em         Gb7        B7
E quem passa na cidade vê no alto
             Em         B7
A casa verde de sapé
 Em                Gb7        B7
Ainda a trepadeira no caramanchão
                    Em            D7
Amor-perfeito pelo chão em quantidade
A saudade vem chegando ...

      Em         Gb7
Pobre casa abandonada além
   B7                         Em     B7
No alto sozinha sem ter lá ninguém
  Em
Caindo velhinha ao ver
   Gb7          B7
os prédios da cidade
                      Em          D7
Ó velha casa, sombra eterna da saudade
A saudade vem chegando ...

Letra:

A saudade vem chegando
A tristeza me acompanha
Só porque... só porque...
O meu amor morreu
na virada da montanha
O meu amor morreu

na virada da montanha

E quem passa na cidade
Vê no alto
A casa verde de sapé
Ainda...
A trepadeira no carramanchão
Amor-perfeito pelo chão
Em quantidade

A saudade vem chegando
A tristeza me acompanha
Só porque... só porque...
O meu amor morreu
na virada da montanha
O meu amor morreu
na virada da montanha

Pobre casa abandonada
Além
No alto
Sozinha sem ter lá ninguém
Caindo velhinha ao ver
os prédios da cidade
Ó velha casa,
Sombra eterna da saudade



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.