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sábado, junho 14, 2014

Radamés Gnatalli e o Congresso Radiofônico

O grande maestro Radamés Gnatalli, numa foto da Carioca de 3/7/1937.

"No Brasil é recente o cultivo da música artística. Mas se considerarmos que a música de um país deve ser constituída principalmente de elementos próprios, concluiremos que a nossa vida musical é recentíssima. Até a Grande Guerra (1), depois da qual o nacionalismo invadiu o mundo, vivemos artisticamente, dependentes do resto do mundo, da Europa, principalmente.

Somente após o colossal morticínio conseguimos certa independência que, de tão boa, se vem acentuando sempre e nos conduzindo à formação de um cabedal que para o bem dos povos já vai sendo incorporado ao patrimônio artístico universal.

No programa radiofônico de CARIOCA deve prevalecer a preocupação de evidenciar os valores autênticos daqueles cuja obra seja de utilidade para a sociedade. Radamés Gnatalli, mais que um artista de rádio, é um artista do Brasil.

Eis o que ele disse a CARIOCA:

— É um prazer a gente trabalhar em rádio. Esse meio colossal de divulgação nos estimula, consciente que estamos de que o nosso trabalho ecoará pela vastidão do Brasil. É necessário que o artista de rádio, mais que os outros artistas, tenha bem presente o fato de que a sua atuação terá uma repercussão enorme, se esforçando tanto quanto o possível para se produzir de maneira mais útil à coletividade. O rádio é uma coisa muito mais séria do que uma simples diversão, como alguns o consideram.

— Qual o programa que prefere executar?

— Diante do microfone eu abdico de qualquer egoísmo, levando em conta unicamente a necessidade dos ouvintes, a maneira melhor de cooperar pela cultura coletiva. Já lhe disse que o artista de rádio pertence à humanidade, cumprindo um apostolado. Todo apostolado tem o seu martírio ...

— Nesse caso, quais os programas que devem ser executados, na sua opinião?

— É esse um problema muito complexo e a sua revista seria pequena para conter a vastidão de todo um programa. Antes de tudo eu imagino um Congresso Nacional de Radiodifusão onde fossem discutidos os programas tendentes à beneficiarem o povo e onde fosse combinada uma ação conjunta. No Ministério da Educação já existe um departamento de rádio. Futuramente teremos um Ministério do Rádio.

— O que acha sobre a literatura, no rádio?

— Tem um papel tão grande como a música. Livros como "Macunaíma", de Mário de Andrade, têm uma grande influência sobre o povo e o levam a uma unificação maior e mais produtiva.

— Quais as suas últimas composições?

— As minhas últimas composições ainda não foram compostas ... Estou encarregado de organizar a parte musical de "Alegria", o próximo filme de Oduvaldo Vianna. Para tanto estou harmonizando alguns temas populares ciganos, cheios de melancólico sentimentalismo característico da raça nômade.

Do estúdio "A" da Rádio Nacional, já solicitavam a presença do maestro Gnatalli. Despedimo-nos, satisfeitos por termos realizado, com tão poucas palavras, uma entrevista tão interessante."

Nota: (1) A Primeira Guerra Mundial (1914-1918).


Fonte: Foto e artigo da revista semanal "Carioca" - edição 89, de 3/7/1937.

quinta-feira, julho 11, 2013

Luciano Perrone

Luciano Perrone, baterista, percussionista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 08/01/1908, e faleceu em 13/02/2001. Um dos mais importantes bateristas brasileiros do século XX, começou sua vivência musical como cantor lírico, aos 5 anos.

Filho do maestro Luís Perrone e da pianista Noêmia Perrone, aos 9 anos experimentou um momento de glória, ao ser o único menino a contracenar com o famoso tenor italiano Enrico Caruso quando este veio ao Brasil, em 1917.

No ano seguinte abandonou os estudos de bel canto por causa da morte do pai, vítima da epidemia de gripe espanhola no Rio de Janeiro.

Em 1922 trabalhou na dublagem do filme O Garoto, de Charlie Chaplin, interpretando Jackie Coogan ao vivo nas sessões do cine Odeon. Nesta mesma ocasião substituiu o baterista da orquestra do cinema, produzindo efeitos sonoros, e passou a atuar como percussionista e baterista.

Em 1924, ao atuar em bailes acompanhando pianistas de renome, como Osvaldo Cardoso de Menezes, seu prestígio aumentou muito e, a partir daí, percorreu diversos cinemas e teatros, tocando em variadas orquestras e jazz-bands.

Notabilizou-se em 1927, quando inovou na batida de samba, em gravações da Odeon com a orquestra de Simon Bountman. A partir de então, construiu uma sólida carreira como baterista.

Em 1929, atuando no Cassino Éden, em Lambari, MG, conheceu Radamés Gnattali, de quem se tornou amigo e com quem tocaria por toda a vida. Alguns anos depois o maestro, inclusive, lhe dedicou duas peças: Samba em três andamentos e Bate-papo a três vozes, onde a bateria de Luciano teve lugar de destaque como solista.

No dia 12 de setembro de 1936 participou do programa inaugural da Rádio Nacional e passou a integrar as diversas orquestras e conjuntos da emissora. Texto publicado na revista Carioca, em outubro desse mesmo ano, diz ter sido Perrone “o primeiro a oferecer ao público um concerto de bateria, o que aconteceu na Rádio Cajuti, e ter sido o primeiro a gravar este instrumento em discos”. E conclui: “Sonha ele com uma orquestra bem organizada e bem ensaiada, que possa levar ao mundo, em interpretações perfeitas, a magnitude da nossa melodia e a riqueza incomparável dos nossos ritmos...”.

Em 1939 participou da histórica gravação de Aquarela do Brasil , na voz de Francisco Alves e arranjo de Radamés Gnattali. A essa altura, Luciano Perrone se tornara o dono da bateria no Brasil. Uma legenda de fotografia publicada em uma revista da época diz: “Luciano Perrone é, sem favor, o mais completo "bateria" do nosso broadcasting. Homem dos sete instrumentos, dispondo de uma agilidade extraordinária, as suas atuações constituem um verdadeiro espetáculo".

Em 1960, com Radamés e Aída Gnattali, Edu da Gaita, Chiquinho do Acordeon, José Menezes, Vidal e Luis Bandeira, integrou a 3ª Caravana Oficial da Música Popular Brasileira, que excursionou pela Europa, apresentando-se em Portugal, França, Inglaterra e Itália. Nessa excursão, segundo Ary Vasconcellos “o baterista brasileiro recebe as melhores referências da imprensa e da crítica do Velho Mundo, às quais a vibração das plateias diante dos nossos ritmos parece ter-se comunicado”.

Em 1963 lançou o disco Batucada Fantástica acompanhado pelo conjunto Ritmistas Brasileiros, com exemplos percussivos de diversos ritmos brasileiros, como maracatu, baião, maxixe, afoxé e, claro, samba. Tocou nas rádios Nacional e MEC e foi timpanista da Orquestra Sinfônica Nacional, além de integrante da Orquestra Radamés Gnattali e do Sexteto Radamés Gnattali.

Aposentou-se em 1968, mas ainda em 1972 gravou Batucada Fantástica Vol. 3.



Discografia


1932 Pedaço por ti • Columbia • 78
1932 Meu sabiá/Um beijo só • Columbia • 78
1932 Alvorada/O vendedor de pipoca • Columbia • 78
1955 A voz do morro/Sorriu pra mim • Continental • 78
1956 Faceira/Bate papo a três vozes • Continental • 78
1967 Batucada fantástica • Musidisc • LP
1972 Batucada fantástica, volume 3 • Musidisc • LP

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Fontes: Clique Music; Agenda do Samba & Choro.

quarta-feira, julho 03, 2013

Romeu Ghipsman

Romeu Ghipsmann (O Malho, 1937)
Romeu Ghipsman, maestro, violonista, professor e compositor de origem russa - foi professor no Conservatório de Leningrado, segundo a Revista da Semana de 1924 -, iniciou a carreira artística no Brasil, especificamente no Rio de Janeiro, na segunda metade da década de 1920.

Contratado pela Odeon, foi a gravadora pela qual lançou seus primeiros discos em 1928, interpretando ao violino os fox-trot Some fiddlin e Hickville hot, ambos de Charles Saul Harris, e os choros Flor de cerejeira, de Lúcio Chameck, e Ursada, de I. Kolman.

Em 1929, teve o fox-trot Alegria gravado na Odeon pela Orquestra Pan American. Nesse ano, gravou ao violino o Scherzo, de Kinns Man Benjamin, e Oriental, de Cesar Cui. Ainda nesse ano gravou três discos pela Parlophon interpretando Lied ohne worte, de Mendelssohn, Noturno e Serenata, de Agnelo França, Melodia (OP. 42 - nº 3), de Tchaikovsky, Canção triste, de Lambert Ribeiro e Thais, de Massenet.

Em 1930, gravou ao violino a gavota Arietta, de P. Dudessi, e a melodia Canto de violino, de Radamés Gnattali. Nesse mesmo ano, gravou ao violino com Mark Hermans ao piano a canção Malandrinha, de Freire Júnior, em duas partes com arranjos de Mark Hermans.

Em 1932, fez arranjos para a valsa Olhos negros que com letra de Paulo de Carvalho foi gravada na Odeon por J. Mário. Ainda em 1932, gravou ao violino Quimera, de Mark Hermans, e Na Bahia tem com arranjos seus e de Mark Hermans.

A partir de 1933, atuou como violinista na Orquestra Típica Victor, com a qual gravou diversos discos incluindo músicas como Recordando, Cabuloso, Estilo de vida, Tristonho e Entardecer, de Radamés Gnattali, entre outras. Nesse ano fez a sonorização do filme Onde a terra acaba, com direção de Octávio Gabus Mendes e música de Mário Azevedo.

Em 1935, gravou duas composições de Luis Cosme: Oração a Teniágua e Mãe d'água canta.

Em 1936, foi contratado como diretor artístico pela então iniciante Rádio Nacional. Na mesma Rádio atuou tocando violino no Trio Carioca, que incluía Radamés Gnattali ao piano e Iberê Gomes Grosso no violoncelo. Esse trio passou a tocar toadas e choros ilustrando programas e preenchendo eventuais brechas na programação.

Ainda em 1936, regeu a Orquestra de Concertos da Rádio Nacional no concerto de inauguração da Rádio Nacional, em apresentação que contou com as presenças de Radamés Gnattali ao piano, além de Bidu Sayão, Maria Giuseppe Danise, Bruno Landi e Aurélio Marcatu.

Em 1939, passou a integrar o Quarteto de Cordas de Radamés Gnattali. O quarteto estreou no mesmo ano na Rádio Nacional com a apresentação da peça Quarteto nº 1, de Radamés Gnattali.

Entre outros programas na Rádio Nacional, apresentou-se em "Quando os maestros se encontram", que reunia outros maestros da Rádio.

Obra


Alegria, Olhos negros (c/ Paulo de Carvalho).





Discografia


1928 Ursada/Hickville hot • Odeon • 78
1928 Some fiddlin/Flor de cerejeira • Odeon • 78
1929 Scherzo/Oriental • Odeon • 78
1929 Lied ohne worte/Noturno • Parlophon • 78
1929 Melodia (OP. 42 - nº 3)/Canção triste • Parlophon • 78
1929 Thais/Serenata • Parlophon • 78
1930 Arietta/Canto de violino • Odeon • 78
1930 Malandrinha (I)/Malandrinha(II) • Odeon • 78
1932 Quimera/Na Bahia tem • Odeon • 78
1935 Oração a Teniágua/Mãe d'água canta • Odeon • 78

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Fontes: Revista "O Malho", de 1937; Revista da Semana, de 14/06/1924; Dicionário Cravo Albin da MPB.

sábado, junho 15, 2013

Agnelo França

Agnelo França (Agnelo Gonçalves Viana França), compositor, pianista, regente e professor, nasceu em Valença, RJ, em 14/12/1875, e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, RJ, em 12/07/1964. Músico autodidata, com 19 anos tornou-se diretor da banda do Colégio Cruzeiro, em sua cidade natal, onde fazia o curso secundário.

Escreveu em junho de 1895 um hino em homenagem a Santo Antônio que se tornou popular. Ainda em Valença dirigiu a pequena orquestra do Teatro Glória e em 1896 foi nomeado mestre-de-banda da Corporação Sete de Setembro.

Transferiu-se em 1897 para o Rio de Janeiro, onde passou a ganhar a vida como arranjador e instrumentador de banda (foi mestre-de-banda da Sociedade Recreio do Engenho Novo). Matriculou-se então no I.N.M., tendo estudado com Frederico Nascimento (harmonia), Alberto Nepomuceno (composição e órgão) e Francisco Braga (contraponto e fuga).

Em 1903 graduou em primeiro lugar no curso de harmonia superior, tendo sido nomeado a 11 de abril de 1904 professor catedrático daquela matéria no I.N.M., depois E.N.M.U.B.; exerceu a função durante meio século e teve como alunos Heitor Villa-Lobos, Walter Burle Marx, Radamés Gnattali, Assis Republicano, Frutuoso Viana, Helza Cameu e José Guerra Vicente.

Notabilizou-se como um dos melhores teóricos de ensino musical no Brasil, sendo defensor intransigente do método Durand. Publicou um tratado de harmonia, Arte Modular. A polifonia na arte moderna, Rio de Janeiro, 1940.

Em 1965 sua ópera de costumes brasileiros em um ato, As parasitas (com libreto de Alberto Guimarães), foi montada no Rio de Janeiro na atual E.M.U.F.R.J.

Obras


Música dramática: Kismé, opereta, s.d.; As parasitas, ópera, s.d.
Música orquestral: Cupido no convento, abertura, s.d.; Suíte, p/cordas, s.d.
Música instrumental: Suíte infantil, p/piano, s.d.
Música sacra: Ave Maria, s.d.; Ecce Sacerdos, s.d.; Missa a Nossa Senhora da Glória, s.d.

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Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Publifolha e Art Editora - 2a. Edição - 1998

quarta-feira, junho 05, 2013

Cristina Maristany


Cristina Maristany (Cristina Navarro de Andrade Costa), cantora lírica, nasceu na cidade do Porto, Portugal, em 11/08/1906, e faleceu em Rio Claro, SP, em 27/09/1966. Veio para o Brasil com poucos meses de vida indo morar no Rio de Janeiro. Foi um dos principais nomes do canto lírico ligeiro no Brasil tendo gravado várias obras de música popular. Estudou piano e canto, recebendo aulas da grande professora de canto Cândida Kendall e com Madame Poukine, na Europa. Foi casada com o jornalista paulista Breno Maristany.

Gravou seu primeiro disco em 1930, pela gravadora Odeon, cantando a canção Saudade sombria, de Bento Mossurunga e Silveira Neto e a valsa Solidão, de Eduardo Souto e Osvaldo Santiago com acompanhamento da Orquestra Guanabara. Nessa época, apresentava-se com o nome artístico de Cristina Costa.

Em seguida, com acompanhamento da mesma orquestra gravou os sambas-canção Violinha e O sorrir brasileiro, de Henrique Vogeler e a valsa Glorificação, de Peri Pirajá e Osvaldo Santiago. Nesse mesmo ano, transferiu-se para a gravadora Brunswick e lançou com acompanhamento da Orquestra Brunswick sob a direção de Henrique Vogeler a canção Passarinho cantador, de Henrique Vogeler e Iveta Ribeiro e o samba Pálida canção, de Henrique Vogeler e Josué de Barros. No ano seguinte, gravou com acompanhamento da mesma orquestra as canções A roceirinha, de Henrique Vogeler e É primavera, de M. C. Paim e Aratimbó.

Lançou pela Columbia em 1935 as serenatas Estrellita, de Ponce e El clavelito em tus lindos cabellos, de Francisco Mignone com o acompanhamento da Orquestra de Concertos Columbia. Em 1937, viajou para a Argentina e apresentou-se com sucesso durante dois meses na Rádio Splendid. Pouco depois, viajou por conta própria para a Europa onde permanceu por dois anos retornando ao Brasil devido ao começo da Segunda Guerra Mundial. Na Europa, apresentou-se nas cidades de Berlim, Londres, Paris, Haia e Hamburgo, entre outras.

Em 1940, gravou na Victor as canções Canção negra, de Clutsan e Francisco Galvão e Gaita, de Radamés Gnattali e Augusto Meyer. Nesse ano, foi contratada pela Rádio Tupi do Rio de Janeiro onde permaneceu por 16 anos. Em 1943, gravou uma série de três discos para a o acervo histórico-fonográfico da Discoteca Pública Municipal de São Paulo com as Treze Canções de Amor, de Camargo Guarnieri, que fez os acompanhamentos ao piano.

Em 1949, gravou na Continental as canção Canto de negros; Assombração; Toada número 3 e Refrão do mutm, de autores desconhecidos. Nessa época, participou com razoável frequencia dos programas radiofônicos especialmente as do radialista Renato Murce, que por ela nutria grande admiração.

Em 1950, voltou a cantar na Europa se apresentando em Paris e Roma. Em 1952, voltou a gravar na Odeon e registrou as canções Prenda minha e Casinha pequenina, de motivo popular com acompanhamento do quarteto de cordas de Célio Nogueira.

Em 1953, foi uma das fundadoras da Academia de Música Lorenzo Fernandes.

Em 1955, na Odeon, regravou a canção Estrelita, de M. Ponce e gravou a canção Oh! Doce mistério da vida, de Herbert, Rida Johnson e versão de Alberto Ribeiro. Nesse ano, gravou as modinhas Tormentos que eu padeço e Foi numa noite calmosa, com harmonias de Batista de Siqueira.

Em 1965, recebeu da Academia Brasileira de Música a medalha Carlos Gomes.

Foi considerada por muitos como a maior intérprete de Heitor Villa-Lobos e também a mais importante cantora brasileira de música de câmara.

Discografia

(1940) Canção negra / Gaita • Victor • 78
(1949) Canto de negros / Assombração / Toada número 3 /
           Refrão do mutm • Continental • 78
(1952) Prenda minha / Casinha pequenina • Odeon • 78
(1955) Estrelita / Oh! Doce mistério da vida • Odeon • 78
(1955) Tormentos que eu padeço / Foi numa noite calmosa • Odeon • 78
(2002) Cristina Maristany - Quem sabe? • Revivendo • CD

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Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.  

terça-feira, setembro 25, 2012

Mário Tavares

Mário Tavares, regente, violoncelista, compositor e professor, nasceu em Natal, RN, em 18/4/1928. Iniciou seus estudos de violoncelo aos sete anos, com Tommaso Babini. Em 1944 mudou-se para Recife e iniciou-se na composição. Estudante de violoncelo, composição, instrumentação e regência na E.N.M.U.B., do Rio de Janeiro, em 1947 ingressou, como violoncelo concertino, na O.S.B., onde ficou até 1960, participando ainda de sua comissão artística.

Em 1953 teve pela primeira vez uma composição sua executada no exterior, a Introdução e dança brasileira, pela Orquestra Sinfônica de Saint Louis, EUA, sob a direção de Vladimir Golschmann. Dois anos depois diplomou-se pela E.N.M.U.B., e de 1957 a 1968 foi regente fundador da orquestra de câmara da Rádio M.E.C. e membro do conselho federal da Ordem dos Músicos do Brasil, onde ocupou o cargo de primeiro secretário, sugestão da primeira diretoria provisória.

De 1958 a 1960 foi aluno do regente chileno Victor Tevah. Sua obra Ganguzama, de 1959, lhe valeu o primeiro lugar no concurso para o cinqüentenário do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro. No mesmo ano, recebeu o diploma de melhor compositor da Associação Brasileira de Críticos Teatrais.

Em 1960 tornou-se maestro titular da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro. Em 1961 foi o representante do Brasil no V Seminário de Música de Câmara de Zichron Yaacov, em Israel. Nessa ocasião, fez um curso de aperfeiçoamento em música de câmara com E. Houser, Oedoen Partos e Bertini, e de regência com Georg Singer.

Em 1964 foi o delegado oficial brasileiro no I Festival de Música de América y España, em Madrid, Espanha. De 1967 a 1975 atuou como regente principal, dirigindo os festivais internacionais da canção popular e a orquestra da TV Globo. Preparou e dirigiu a gravação oficial de todos os hinos patrióticos do Brasil, em 1974; esse disco mereceu a chancela da Deutsche Grammophon, pela qualidade de execução, com a Orquestra Sinfônica Nacional e o Coral da Rádio M.E.C.

Nas temporadas de 1974 e 1975, dirigiu a Orquestra Sinfônica de Porto Rico. Em março de 1975 foi reconhecido membro honorário e vitalício da Federação de Músicos de Porto Rico e, em maio do mesmo ano, membro honorário e vitalício da Orquestra Sinfônica do Chile. Exerceu ainda o cargo de diretor musical da Associação Brasileira de Violoncelistas.

Como intérprete sinfônico, apresentou primeiras audições de Ludwig van Beethoven (1770-1827), Heitor Villa-Lobos, Maurice Ravel (1875-1937), Béla Bartók (1881-1945), Radamés Gnattali, Camargo Guarnieri etc. Foi professor de harmonia, canto coral, celo, conjunto de câmara, composição e regência do Instituto Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, da orquestra juvenil do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro (1957-1958), do Conservatório de Música, de Niterói RJ, e dos seminários de música Pró-Arte, no Rio de Janeiro e em Teresópolis RJ.

Regeu várias primeiras audições mundiais de autores brasileiros, a exemplo das óperas O chalaça (1976) e Sargento de milícias (1978), de Francisco Mignone, Yerma, de Villa-Lobos, Rudá, poema sertanejo de Villa-Lobos, Gabriela, bailado de Ronaldo Miranda (1983), Romance de Santa Cecília, oratório de Edino Krieger etc. Além de membro honorário vitalício de várias orquestras estrangeiras, tornou-se membro da Academia Brasileira de Música em 1988, ocupando a cadeira 30, cujo patrono é Alberto Nepomuceno. Regeu a O.S.B. em vários eventos e concertos.

Recebeu em 1991 a medalha de comendador da Ordem do Rio Branco.

Obras

Música orquestral: Concerto para viola e orquestra, 1988; Concerto para violino e orquestra, 1987; Concerto para violoncelo e orquestra, 1981; Dualismo, bailado, 1963; Ganguzama, poema sinfônico-coral, 1959, Praiana, bailado, 1963; Primeira sinfonia (Guararapes), 1969; Segunda sinfonia, 1991; Suíte Copihue, 1975.

Música de câmara: Concertino, p/flauta, fagote e cordas, 1959; Divertimento, p/sopros, 1977; Quinteto de sopros, 1978; Trio em forma de choro, p/flauta, oboé e fagote, 1976

Música instrumental: Segunda sonata, p/violoncelo e piano, 1978; Sonata, p/violoncelo e piano, 1954.

Música vocal: Abertura "A Pátria", c/texto de Tancredo Neves, p/soprano, coro misto e orquestra, 1985; Maria in Celum, oratório p/soprano, barítono, coro e orquestra, 1992; Rio, a epopéia do morro, cantata p/coro e orquestra, 1965.

CD

Quinteto Villa-Lobos toca Mário Tavares, Radamés Gnattali e Ernst Widmer, 1997, Funarte/Atração Fonográfica ATR 32015 (Série Acervo Funarte de Música Brasileira, nº 8). 

Fonte: Revivendo Músicas - Biografias.

sexta-feira, dezembro 31, 2010

Furinha

Furinha - 1956
Furinha (Demerval Fonseca Neto), instrumentista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 9/6/1903, e faleceu provavelmente nos anos 1970. Nasceu no bairro do Catumbi.

Toda a família tocava de ouvido e, por volta de 1920, começou a tocar cavaquinho e, logo depois, bandurra (espécie de bandolim). Começou a compor ao iniciar seu trabalho em orquestra.

Em 1926 participou da Orquestra Raul Lipoff, tocando banjo, e com ela apresentava-se em festas e bailes. Em 1927 lançou pela Odeon o choro Tudo teu, sua primeira composição gravada.

Em 1929 obteve sucesso com a gravação do choro Verinha, pelo trompetista Djalma Guimarães, na Odeon. No ano seguinte, Francisco Alves gravou, na Odeon, sua composição Tristeza havaiana (com Lamartine Babo), com acompanhamento da Orquestra Pan-American, no qual faz um solo de guitarra havaiana.

Em 1931 passou a integrar a Orquestra de Simon Bountman, no Cassino do Copacabana Palace Hotel, na qual atuou até 1935, passando a exercer a partir de então sua profissão de dentista.

Teve várias outras composições gravadas, entre as quais Distância infinita, pelo cantor Paulo Tapajós, e Onde estás, por Vero (Radamés Gnattali).

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora e PubliFolha – 2ª. Edição – 1998; jorgecarvalhodemello – Foto do Furinha (Demerval da Fonseca Neto) (a foto e a data provável do falecimento).

terça-feira, setembro 16, 2008

Amargura

Lúcio Alves
Amargura (samba-canção, 1950) - Radamés Gnattali e Alberto Ribeiro - Intérprete: Lúcio Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Amargura / Alberto Ribeiro, 1902-1971 (Compositor) / Radamés Gnattali (Compositor) / Lúcio Alves, 1927-1993 (Intérprete) / Gravadora: Continental / Gravação: 1950 / Lançamento: 09/1950 / Nº do álbum: 16293 / Nº da matriz: 2325 / Gênero musical: Samba canção / Coleções de origem: IMS, Nirez


Toda amargura que há no céu
Que há na terra e no mar
Nasceu, talvez
Da amargura que tem no olhar

No céu há um sol a brilhar
Que deixa a terra e o mar
Só tu continuas assim
Dia e noite a chorar


Pobre de quem vê em tudo
A saudade de alguém
E a esperar
Nem sequer vê a vida passar

Tristezas só há no amor
E o mundo começa a cantar
Apaga a amargura
Do teu olhar...


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Radamés Gnattali


O compositor, arranjador, regente, pianista e professor Radamés Gnattali nasceu em Porto Alegre/RS em 27/1/1906 e faleceu no Rio de Janeiro/RJ em 13/2/1988. Filho do imigrante italiano Alessandro Gnattali e da pianista gaúcha Adélia Fossati, foi criado em um ambiente tipicamente italiano, com seus costumes, cultura e o amor pela música. Foi envolvido desde cedo pela paixão que os pais nutriam pela ópera, que se refletiu nos nomes dos três filhos do casal: Radamés, Aída e Ernâni, todos personagens de óperas de Verdi.


Aprendeu piano com a mãe e aos 9 anos ganhou um prêmio por sua atuação como regente de uma orquestra infantil, que tocou arranjos feitos por ele. Aos 14 entrou para o Conservatório de Porto Alegre para estudar piano, e acabou dominando também a viola. Já por essa época freqüentava blocos de carnaval e grupos de seresteiros boêmios, para os quais, na impossibilidade de levar o piano, aprendeu a tocar cavaquinho. Até se formar no conservatório, estudava para ser concertista e tocava em cinemas e bailes para se sustentar.

Em 1924, recém-formado, foi para o Rio de Janeiro se apresentar no Teatro Municipal, executando um concerto de Tchaikovski sob regência de Francisco Braga. Nessa viagem conheceu o compositor Ernesto Nazareth, e passou os dois anos seguintes entre Porto Alegre e Rio, sempre trabalhando com música erudita.

Em sua cidade natal montou um quarteto de cordas e com ele viajou por todo o estado, o que fortaleceu sua base para a orquestração. No início dos anos 30 radicou-se definitivamente no Rio de Janeiro, onde se deu sua estréia como compositor, com a apresentação de Rapsódia Brasileira, interpretada pela pianista Dora Bevilacqua. Por essa época, em face às dificuldades com a carreira de concertista, resolveu investir no mercado da música popular. Foi contratado por orquestras que animavam bailes, festas e programas de rádio.

Em 1934 passou a ser o orquestrador da gravadora Victor e dois anos depois participou da inauguração da Rádio Nacional. Lá Radamés atuou como pianista, solista, maestro, compositor, arranjador, usando sua bagagem erudita no trato com a música popular. Permaneceu na Rádio Nacional por 30 anos e criou arranjos antológicos, como Lábios que beijei (J. Cascata e Leonel Azevedo), gravado por Orlando Silva em 1937, e Aquarela do Brasil (Ary Barroso), em 1939.

Em 1943 criou a Orquestra Brasileira de Radamés Gnattali, que tocava os arranjos do maestro no programa Um Milhão de Melodias, dando um colorido brasileiro aos sucessos estrangeiros. Para isso, Radamés passou a usar os instrumentos da orquestra de forma percussiva, conseguindo efeitos até então inéditos. O programa foi também o primeiro a prestar homenagens a compositores como Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e Zequinha de Abreu.

Enquanto atuou no rádio não deixou de lado as carreiras de pianista, concertista e compositor. Compôs concertos e peças sinfônicas executadas ao redor do mundo. Em 1960 viajou à Europa com o Sexteto Radamés Gnattali, grupo derivado do Quarteto Continental, criado na Rádio Continental em 1949. O Sexteto era formado por Radamés, Aída Gnattali (piano), Chiquinho do Acordeom, Zé Menezes (guitarra), Pedro Vidal Ramos (baixo) e Luciano Perrone (percussão).

Nos anos 60 foi contratado pela TV Globo, onde trabalhou durante 11 anos como arranjador, compositor e regente. Foi peça fundamental no movimento de redescoberta do choro ocorrido na década de 70, atuando como incentivador e mestre de jovens instrumentistas como Raphael Rabello, Joel Nascimento, Maurício Carrilho, a Camerata Carioca, e estimulando releituras de Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e outros mestres do choro.

Em 1983, recebeu o prêmio Shell na categoria música erudita, concedido por unanimidade, ocasião em que foi homenageado com um concerto no Teatro Municipal, que contou com a participação da Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro, do Duo Assad e da Camerata Carioca.


Fonte: CliqueMusic: Artista: Radamés Gnattali.