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sábado, setembro 01, 2018

Trapo de gente - Linda Batista

Linda Batista
Trapo de Gente (samba-canção, 1953) - Ary Barroso - Interpretação: Linda Batista

Disco 78 rpm / Título da música: Trapo de Gente / Ary Barroso (Compositor) / Linda Batista (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Nº Álbum: 80-1080 / Ano: 1953 / Lado A / Gênero musical: Samba-canção.



Aconteceu
Justamente o que mais eu temia
Apesar do trabalho
Que me deu sua educação
Fui buscá-la, na triste miséria
De um barracão
Para as noites boêmias
De Copacabana
Este mundo de sonhos
E desilusão

Mas, incapaz de entender
Este prisma da vida
Procurou disfarçar na bebida
A mais torpe e cruel traição
Saia comigo
Bebia comigo
Depois
Se entregava a um amigo
Trapo de gente
Sem alma e sem coração

terça-feira, agosto 21, 2018

De qualquer maneira - Déo

Déo
De Qualquer Maneira (samba, 1939) - Ary Barroso e Noel Rosa - Intérprete: Déo

Disco 78 rpm / Título: De Qualquer Maneira / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Déo (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1939 / Álbum 11762 / Gênero: Samba.



Quem tudo olha… / Quase nada enxerga
Quem não quebra se enverga / A favor do vento
Eu não sou perfeito / Sei que tenho de pecar
Mas arranjo sempre jeito / De me desculpar…

Eu lá na Penha agora vou estifa¹
Mas não vou como um cacifa²
Que foi lá desacatar / Mas a força falha
Ele teve um triste fim / Agredido a navalha
Na porta de um botequim!

Pra ver a minha santa Padroeira
Eu vou à Penha de qualquer maneira
Pra ver a minha santa Padroeira
Eu vou à Penha de qualquer maneira

Faz hoje um mês que fui naquele morro
E a Juju pediu socorro / Lá na ribanceira
Toda machucada / Saturada de pancada
Que apanhou do seu mulato / Por contar boato

Meu coração bateu a toda pressa
E eu fiz uma promessa / Pra mulata não morrer...
Pela padroeira / Ela foi bem contemplada
Levantou do chão curada / Saiu sambando fagueira!

Pra ver a minha santa Padroeira
Eu vou à Penha de qualquer maneira
Pra ver a minha santa Padroeira
Eu vou à Penha de qualquer maneira

Eu vou à Penha de qualquer maneira
Pois não é por brincadeira / Que se faz promessa
E... o tal mulato / Para não entrar na lenha
Fêz comigo um contrato / Para sumir da Penha

Quem faz acordo não tem inimigo / A mulata vai comigo
Carregando o violão / E com devoção junto à santa milagrosa
Vai cantar meu samba prosa / Numa primeira audição.

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¹ Gíria da época: alinhado; ² Gíria da época: sujeito sem sorte.

quarta-feira, dezembro 27, 2017

Ary Barroso - Biografia


Ary Evangelista Barroso foi, sem dúvida, um dos representantes da geração de sambistas que deu a base da MPB da segunda metade do século e conhecê-lo é conhecer um pouco da História do Brasil.


Em 1939 lançou, no espetáculo 'Joujox et balagandans', de Henrique Pongetti, o samba "Aquarela do Brasil", iniciador do samba-exaltação, de melodia extensa e sempre apoiado em grande aparato orquestral - gênero que se acreditava destinado à conquista do mercado internacional da música popular; "Aquarela do Brasil" só teve sucesso depois da gravação feita por Francisco Alves.

Ary sempre esteve em campo para promover a música brasileira. Em seus programas prestigiava os calouros que apresentavam canções do repertório nacional. Tinha horror aos acordes americanos em samba. Nas várias vezes em que esteve no exterior, preocupou-se em levar o samba autêntico. Quando, em 1952, compôs o samba-canção "Risque", teve de brigar para que não fosse gravado como bolero.

Mesmo depois de sua morte, o compositor brasileiro mais conhecido em seu país e fora dele, continua sendo gravado por grandes e famosos intérpretes, que reconhecem seu extraordinário talento.

Trechos do livro de Sérgio Cabral intitulado "No tempo de Ari Barroso": Nos seus últimos dias Ary telefona do hospital para o amigo David Nasser:

- Estou me despedindo. Vou morrer.

- Como é que você sabe, Ary?

- Estão tocando as minhas músicas no rádio.

No show Eu sou o espetáculo o comediante José Vasconcelos imitava Ary, no momento em que este estaria recebendo um candidato em seu programa Calouros em desfile:

Ary - O que você vai cantar?

Calouro - Vou cantar um sambinha.

Ary - É sempre assim. Se fosse mambo, não seria um mambinho. Se fosse bolero, não seria bolerinho. Mas samba é um sambinha. E que sambinha o senhor vai cantar?

Calouro - Aquarela do Brasil.

Ary Evangelista Barroso nasceu em Ubá, Minas Gerais, dia 07 de novembro de 1903. Seu pai, o Dr. João Evangelista Barroso, foi deputado estadual e promotor público em Ubá. Após a morte de sua mãe, Angelina de Resende Barroso e de seu pai, ambas ocorridas em 1911, Ary passou a ser criado pela avó, Gabriela Augusta de Rezende, e por uma tia, Rita Margarida de Rezende. Tia Ritinha era professora de piano e durante muito tempo ensinou-o a Ary. Essas aulas acabaram por ajudar no ganha-pão da família.

Aos doze anos, começou a trabalhar como pianista auxiliar no Cine Ideal, apesar do empenho da avó e da tia em fazê-lo padre. Ary estudou, inicialmente, na escola pública Guido Solero. Depois de passar por várias escolas da zona da Mata, acabou concluindo o curso no Ginásio de Cataguases. Aos 15 anos, Ary compôs o cateretê "De longe" e a marcha "Ubaenses Gloriosos".

Aos 17 anos, em 1920, Ary recebeu de seu tio Sabino Barroso, ex-ministro da Fazenda, uma herança de 40 contos de réis e resolveu mudar-se para o Rio de Janeiro. Lá, em 1921 , matriculou-se na Faculdade de Direito e acabou gastando sua herança nos melhores restaurantes, com as melhores bebidas e trajando as roupas mais elegantes (foto ao lado: Ivone Barroso, a companheira que segurava as pontas em casa).

Em 1922, reprovado na faculdade e já sem dinheiro, Ary teve de trabalhar, fazendo fundo musical para filmes mudos do cinema Íris, no Largo da Carioca.Como era bom pianista, em 1923 Ary passou a tocar com a orquestra do maestro Sebastião Cirino, na sala de espera do Teatro Carlos Gomes.

Em 1926 Ary voltou ao curso de Direito, porém sem deixar a atividade de pianista de lado. Como estava desempregado, Ary oferecia-se para tocar em bailes por um preço irrisório até que, em 1928, foi contratado pela orquestra do maestro Spina, de São Paulo, para uma temporada em Santos e Poços de Caldas. Foi nessa época que Ary resolveu dedicar-se à composição.

De 1928 são suas composições "Amizade", "Não vou lá", "Segura a fazenda", "O tal bichinho" e "Tu queres muito" e, ainda, "Amor de mulato", "Cachorro quente" e "Oh! Nina", em parceria com Lamartine Babo; "Mazinha", com Ari Kerner; "Meu pampa lindo", com Zeca Ivo; e "Não posso mais", com I. Kolman. Durante os oito meses de viagem, compôs várias músicas.

Em 1929 já de volta ao Rio de Janeiro, Ary deixou suas músicas na casa editora Carlos Wehrs, de onde duas - "Vamos deixar de intimidade" e "Vou à Penha" - foram levadas por Olegário Mariano e Luiz Peixoto para serem incluídas na revista 'Laranja da China', que era apresentada no Teatro Recreio. "Vamos deixar de intimidade" acabou sendo gravada por seu amigo e colega de faculdade Mário Reis, transformando-se no primeiro sucesso de Ary Barroso.

Em 1929 Ary concluiu seu curso de Direito e compôs, em parceria com Cardoso de Menezes e Bitencourt, "O amor vem quando a gente não espera" e em parceria com Olegário Mariano, "Tu qué tomá meu nome".

Ainda nesse ano Ary compôs os sambas "É banal", "Nini" e "Vá cumprir o teu destino", a valsa "Labaredas de amor" e a marcha "Dá nela", que, por incentivo de Eduardo Souto, foi inscrita no concurso de músicas carnavalescas da Casa Edison para o carnaval de 1930. A música obteve o primeiro lugar. Com o prêmio de 5 contos de réis, Ary pagou algumas dívidas. Com o que sobrou, pode se casar com Ivone Belfort de Arantes (foto: beijando Araci de Almeida, a grande intérprete de "Camisa amarela", 1953).

Ainda em 1930 Ary compôs as canções "Como se deve amá", "Quanto num chorei" e "Teus óio", a marcha "Eu sou do amor", o samba-canção "Fugiu, fugiu!" e os sambas "Oba!" e "Samba da gelatina" e também a marcha "Dona Alice" e os sambas "Juramento", "O nego no samba" e "Samba de São Benedito" em parceria com Marques Porto e Luiz Peixoto; o samba "No morro (eh! eh!)" e o foxtrote "Sapateado", em parceria com Luís Iglésias; o samba "Outro amor", em parceria com Claudionor Machado; e o samba "Você não era assim", em parceria com Aricles França.

Em 1931 Ary produziu várias composições para o teatro musicado, destacando-se "Faceira", lançada por Sílvio Caldas na revista 'Brasil do Amor', que estreou em maio, no Teatro Recreio (foto: Ary Barroso também foi radialista de jogos de futebol. Era a oportunidade de expressar sua enorme paixão por esse esporte e pelo Flamengo). Em junho, era encenada, no mesmo teatro, a revista "É do balacobaco", na qual estava incluída, entre outras, a música de Ary "Na grota funda", com letra do caricaturista J. Carlos. Na estreia estava presente Lamartine Babo que impressionado com a música, resolveu escrever outra letra para a melodia.

Nascia, assim, "No Rancho Fundo", lançado dias depois no programa que Lamartine comandava na Rádio Educadora do Rio de Janeiro. Ainda desse ano são suas composições "Bahia", "Batuque", "Benzinho", "Cavanhaque", "Deixa disso", "É bamba", "E do balacobaco", "É de outro mundo", "Não faz assim meu coração", "Por causa do boneco", "Rosalina", "Seu Manduca esfarrapado", "Sou da pontinha", "Tenho saudade", "Terra de laiá" e "Vai tratar da tua vida" e ainda "Gira", em parceria com Marques Porto; "Mão no remo", com Noel Rosa; "Não quero você" e "O sabiá de sinhá moça", com os Irmãos Quintiliano; "Nega baiana", com Olegário Mariano; "Quem me compreende", com Bernardino Vivas; "Sai, barbado", com Ainejeré; e "Sem querer...", com Marques Porto e Luiz Peixoto.

Orlando Silva e Ary no meio de populares e jornalistas. Era o encontro entre um dos intérpretes mais populares do país e o compositor que havia rompido nossas fronteiras e fazia sucesso nos EUA.

Em 1932, convidado por Renato Murce, Ary foi para a Rádio Philips. Começou como pianista e logo se tornou locutor, inclusive esportivo, humorista e animador. Apresentou-se no programa 'Horas de Outro Mundo' e no programa "Casé". Nesse mesmo ano ainda compôs "Aula de música", "De longe", "É mentira, oi", "Isso é xodó", "Malandragem", "Na Piedade", "Nosso amô veio dum sonho", "Pobre e esfarrapada", "Primeiro amor", "Um samba em Piedade" e "Sonhei que era feliz".

Em parceria com Luiz Peixoto, compôs "Maria"; com Haroldo Daltro, compôs "Menina que tem uma pose"; com Lamartine Babo, "Minha palmeira triste"; com Claudeniro de Oliveira ,"Não posso acreditar"; com Sílvio Caldas, "Pente fino"; com Norival de Freitas, "Recordações"; e com Luciano Perrone compôs "Vou deixá o batedô" (foto: a cantora Ângela Maria, que na década de 50, se lançou no mercado do disco gravando várias composições de Ary Barroso. Ela era uma de suas intérpretes favoritas).

De 1933 são suas composições "Amor fatal", "Cabrocha inteligente", "Eu vou pra Maranhão", "Falta de consciência", "Flor de inverno", "Quando a morte vem chegando" e "Segura esta mulher" e, ainda, "Nego também é gente", feita em parceria com De Chocalat, e "Zombando da vida", composta em parceria com Márcio Lemes Azevedo .

Em 1934, depois de ter ido à Bahia como pianista da orquestra de Napoleão Tavares, Ary criou, na Rádio Cosmos de São Paulo, o programa "Hora H". Nesse mesmo ano compôs "Anistia", "Bateram na minha porta", "Caco velho" "Cavalhada franciscana", "Correio já chegou", "Duro com duro", "É assim que se vai no arrastão", "Malandro sofredor", "Moçoró, minha nega", "Perdão", "Por especial favor", "Sentinela alerta" e "Tu". Também com Osvaldo Santiago, compôs "Balão que muito sobe"; com José Carlos Burle, "Caboca"; com Oduvaldo Viana, "Canção da Felicidade"; com Noel Rosa, "Estrela da manhã"; com Francisco Alves, "Meu Natal"; e com Luiz Peixoto, "Neném" e "Na batucada da vida", regravada por Elis Regina em 1974, contribuindo para tornar ainda mais amarga a mensagem da composição.

Em 1935 Ary Barroso levou o programa "Hora H" para a Rádio Cruzeiro do Sul, do Rio de Janeiro, e também estreou como locutor esportivo, auxiliando Gagliano Neto na transmissão de corridas de automóvel, no circuito da Gávea. Como locutor de futebol, Ary ficou famoso por tocar uma gaita de boca toda vez que era marcado um gol e também por sua parcialidade em favor do Flamengo.

As múltiplas atividades desenvolvidas não sufocaram o compositor Ary Barroso. Pelo contrário, ele ia se tornando um dos mais férteis autores da MPB, revelando novos sucessos a cada ano. Com Nássara, ele compôs "Dona Helena" e "Garota colossal"; com Lamartine Babo, "E o samba continua", "Grau dez" e "Na virada da montanha"; com Luiz Peixoto, "Por causa dessa cabocla"; e com Kid Pepe, compôs "Mulatinho bamba". Ainda em 1935, Ary Barroso compôs "ABC do amor", "Anoiteceu", "É pra frente que se anda", "Eu sonhei", "Foi ela", "Menina tostadinha", "Nosso ranchinho", "Os quindins de Iaiá", "Sobe meu balão" e "Inquietação", lançado por Sílvio Caldas naquele ano e regravado por Gal Costa em 1980. A extraordinária linha melódica de "Inquietação" é considerada uma das elaborações mais perfeitas de Ary Barroso.

Em 1936 Ary Barroso compôs as marchas "A casa dela", "Esta noite sonhei com você", "Paulistinha querida" e "Viu..." os sambas "Minha maior ilusão", "Sem ela", "Sonho de amor" e "Volta meu amor"; a batucada "Deve ser o meu amor" e, ainda, a marcha "Cachopa", em parceria com Luiz Peixoto; a marcha "Chiribiribi quá-quá", com Nássara; a marcha "Chopp em garrafa", com Bastos Tigre; e o "Hino do Colégio de Cataguases", com Tostes Malta.

Em 1937 Ary Barroso lançou o programa 'Calouros em Desfile', na Rádio Cruzeiro do Sul, que depois foi levado para a TV Tupi. Nesse programa Ary exigia que os candidatos cantassem somente música brasileira e que anunciassem corretamente o nome dos compositores. Na TV Tupi, Ary instituiu o gongo, tocado para desclassificar os candidatos muito ruins. Mas o gongo silenciou diante de nomes como Ângela Maria e Lúcio Alves, dois dos muitos grandes intérpretes que ali se lançaram. São também de 1937 suas composições "Confissão de amor", feita em parceria com Joraci Camargo; "Janjão e Zabé", em parceria com Paulo Roberto e, ainda, as composições "Amar", "Carioquinha brejeira", "Colibri", "Como vaes você", "Foi de madrugada", "Quem é o homem", "Uma futura lágrima", "Não se deve lamentar", "Novo amor", "Olha a lua" e "No tabuleiro da baiana", que foi composta para um espetáculo do Teatro Recreio, no Rio de Janeiro, e Ary acabou vendendo os direitos da composição para Jardel Jércolis, que a explorou em espetáculos teatrais. Mais tarde, quando esse 'samba-batuque' passou a ser sucesso no Cassino Atlântico, na interpretação de Grande Otelo e Déo Maia, Ary Barroso requereu e obteve judicialmente a propriedade da música.

Durante muitos anos Ary Barroso comandou um programa de calouros em diferentes rádios do Rio de Janeiro. Mas foi na rádio Tupi que o programa ficou mais conhecido e se tornou sucesso popular da época. Durante o show, Ary fazia soar um gongo, como sinal de que o candidato estava eliminado. 

Em 1938 Ary Barroso foi para a Rádio Tupi, onde atuou o comentarista, humorista, ator e locutor. Nesse ano ainda compôs, em parceria com Luís Iglesias, "Boneca de pixe"; com Alcir Pires Vermelho, "A casta Suzana" e "O meu dia há de chegar"; com Gomes.Filho, "A cigana lhe enganou"; e com Luiz Peixoto, "Quando eu penso na Bahia" (foto: durante muito tempo Ary Barroso, além de compositor, se dividiu entre o trabalho como cronista, roteirista de radionovelas, político e locutor de jogos de futebol).

São também de 1938 suas composições "Circo de cavalinhos", "Como as ondas do mar", "De déu em déu", "Ela sabe e não diz", "Escreva um bilhetinho", "Eu dei..." "Meu amor não me deixou", "Pois sim!,., pois não!", "Salada mista", "A única lembrança", "Vão pro Scala de Milão", "Você está aí pra isso?" e "Na Baixa do Sapateiro", que foi gravado por Carmen Miranda, mas só obteve sucesso no Brasil depois de ter chamado a atenção do mundo na trilha sonora do desenho 'Você já foi à Bahia?', de Walt Disney. Este samba-jongo deveria chamar-se 'Bahia', nome que Ary conservou nas edições estrangeiras, mas acabou por denominá-lo "Na baixa do sapateiro", para não confundir essa música com sua outra "Bahia", composta em 1931.

Em 1939 Ary Barroso lançou, no espetáculo 'Joujox et balagandans', de Henrique Pongetti, o samba "Aquarela do Brasil", iniciador do samba-exaltação, de melodia extensa e sempre apoiado em grande aparato orquestral - gênero que se acreditava destinado à conquista do mercado internacional da música popular; "Aquarela do Brasil" só teve sucesso depois da gravação feita por Francisco Alves. Ainda nesse ano, compôs, em parceria com Noel Rosa, "De qualquer maneira" e, em parceria com Alcir Pires Vermelho, "E a testa, Maria?", "Vingança" e "A vizinha das vantagens". São ainda de 1939 suas composições "Batalhão de amor", "Quando a noite é serena", "Viver assim não é vida" e "Camisa amarela", grande sucesso na gravação original, na voz de Araci de Almeida, sendo regravado, depois, pela própria Araci e por vários outros intérpretes.

Em 1940 Ary Barroso compôs os sambas "Deixa esta mulher sofrer", "Eu gosto de samba" e "Nunca mais"; as marchas "Iaiá Boneca" e "Upa, upa (Meu trolinho)" e a valsa "Mentira de amor" e, também, a marcha "Pega no pau da bandeira", em parceria com J. Castro; o samba "Se Deus quiser" e a marcha "Veneno", com Alcir Pires Vermelho; e o samba "Vespa", em parceria com Malfitano. Em 1943 compõe "Pra machucar meu coração" e "Terra seca" e as marchas "Cem por cento brasileiro" e "Quem cabras não tem...".

No início de 1944 Ary Barroso foi, pela primeira vez, aos Estados Unidos e compôs, para o filme 'Brasil', a música "Rio de Janeiro", que chegou a ser indicada para o Oscar. Também de 1944 são suas composições "Diz que dão", "Na parede da igrejinha" e "Olhos divinos". Nesse mesmo ano surgiu a Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores da Música - SBACEM, da qual Ary foi, praticamente, o primeiro presidente. Pelo trabalho que realizou em defesa do direito autoral, Ary foi aclamado Presidente de Honra e Conselheiro Perpétuo dessa entidade.

No final de 1944 Ary Barroso voltou aos Estados Unidos, onde permaneceu por oito meses, ganhando mil dólares por semana. Dessa vez compôs a canção-tema do filme 'Três Garotas de Azul'. Em 1945 Ary compôs, em parceria com Juan Daniel, a valsa "Cuatro palabritas". Ary voltaria ainda mais urna vez à América do Norte, em 1945, para musicar "O Trono das Amazonas", que teria 18 composições suas e que não chegou a ser encenado, porque o produtor faliu pouco antes da estreia.

Em 1946 Ary Barroso se candidatou a vereador no Rio de Janeiro, pela União Democrática Nacional e teve a segunda maior votação da Câmara de Vereadores do então Distrito Federal. Ary só perdeu para Carlos Lacerda. O talento de polemista de Ary e a mesma paixão com que irradiava partidas de futebol foram levados para a política. Sua grande batalha foi a do local onde seria construído o Maracanã. Carlos Lacerda queria que o enorme estádio fosse erguido na restinga de Jacarepaguá, mas Ary conseguiu que o local aprovado fosse o terreno do Derby Club. Para isso, Ary realizou diversas manobras: para conseguir o apoio da bancada majoritária, a do Partido Comunista Brasileiro, com 18 vereadores, Ary pediu, junto com João Lyra Filho, uma pesquisa ao IBOPE, cujo resultado apontou que 88% da população queria o estádio no terreno do Derby, onde, aliás, acabou sendo construído.

Também de 1946 são seus sambas "Assobia um samba" "Bahia imortal" e "Eu nasci no morro". Em 1947 Ary Barroso compôs o samba "Deixa o mundo falar" e a marcha "É pão, ou não é?". De 1948 são suas composições "Grave revelação", "Mal-me-quer, bem-me-quer", "Podes ir, meu amor", "Rio" e "Falta um zero no meu ordenado", esta em parceria com Benedito Lacerda (foto:Luiz Peixoto, parceiro frequente do compositor Ary Barroso).

Em 1950 aparecem os sambas "Aquarela mineira", "O Brasil há de ganhar", "Chama-se João", "Forasteiro" e "Vai de vez", as marchas "Flor tropical" e "No jardim dos meus sonhos" e ainda o samba "Carne seca com tutu", em parceria com Vilma Quantiere de Azevedo.

De 1951 são os sambas "Ai, Geni", "Iaiá da Bahia" e "Na beira do cais"; os choros "Chorando" e "Sambando na gafieira"; a marcha "O mar também conhece"; o samba-canção "Plena manhã" e, também, o samba-canção "Mentira", feito em parceria com Augusto Jaime de Vasconcelos, e o samba "Primavera", feito em parceria com Lúcia Alves Calão.

Ary Barroso sempre esteve em campo para promover a música brasileira. Em seus programas prestigiava os calouros que apresentavam canções do repertório nacional. Tinha horror aos acordes americanos em samba. Nas várias vezes em que esteve no exterior, preocupou-se em levar o samba autêntico. Quando, em 1952, compôs o samba-canção "Risque", teve de brigar para que não fosse gravado como bolero. A primeira gravação de "Risque" Foi de Aurora Miranda, irmã de Carmen Miranda; mas foi na voz de Linda Batista que o samba-canção teve sucesso Com Iraci N. Silva, Ary compôs, em 1952, o samba "Cruel resistência". Também de 1952 são suas composições "Fechei a página", "Flores mortas", "Laço branco", "Nada mais me consola", "O nosso amor morreu" e "Folha morta", gravado por Dalva de Oliveira para a Odeon, em Londres, e lançado no Brasil com sucesso imediato. Quatro anos mais tarde, "Folha morta" foi gravada por Jamelão, na Continental, reeditando o sucesso da música e confirmando, mais uma vez, o bem-sucedido de Ary Barroso no gênero samba-mórbido.

A princípio Ary Barroso não gostava da bossa nova, mas isso não o impediu de colocar "A felicidade", de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, entre as dez melhores músicas populares de todos os tempos. Assim era Ary: impulsivo, orgulhoso, sempre pronto a criticar abertamente o que julgasse errado. Logo, seu encontro com o compositor Heitor Villa-Lobos só podia dar no que deu: briga. Num concurso de música, Villa-Lobos negou a Ary o primeiro lugar, que muitos achavam ser ele merecedor. Isso bastou para que rompessem relações. No dia 7 de setembro de 1955, Ary e Villa-Lobos se encontraram no Palácio do Catete, para receber a Ordem do Mérito, que lhes havia sido concedida pelo Presidente da República, Café Filho. Foi então que David Nasser, vencedor do concurso gerador do ressentimento, contou a Ary que havia ganhado o prêmio porque Villa-Lobos sabia das dificuldades que David atravessava na época e tinha resolvido ajudá-lo. Us dois gênios geniosos se abraçaram e acabou-se o desentendimento.

Ary e Villa-Lobos: grandes nomes recebendo a Comenda da Ordem do Mérito Nacional, em 1955.


Em 1957 Ary foi homenageado com o espetáculo 'Mr. Samba', do produtor Carlos Machado. Montado na boate Night and Day, do Rio de Janeiro, o roteiro do show sugeria sua biografia, utilizando suas próprias composições. Desse ano são suas composições "Colombinas fracassadas", "Grand monde do crioléu", "Mês de Maria", "Não quero mais", "Não quero saber", "Nega nhanhá", "Só", "Vem cá, Mané" e, ainda, "Vou procurar outro bem", em parceria com Nestor de Holanda e "É luxo só", em parceria com Luiz Peixoto.

Em 1958 Ary Barroso compôs os sambas "Essa diaba", "Eu fui de novo à Penha" e "Você fracassou" e a valsa "Sombra e luz". De 1959 é o samba-canção "Cantiga de enganar tristeza', composto em parceria com Tiago de Melo. Em 1960 Ary Barroso foi vice-presidente do departamento cultural e recreativo do Clube de Regatas Flamengo. São também de 1960 suas composições "Dois amigos", "Jogada pelo mundo" e "Pierrô" e, ainda, "Esquece" e "Samba no céu", feitas em parceria com Meira Guimarães e "Bebeco e Doca", em parceria com Luiz Peixoto.

Em 1961 Ary adoeceu de cirrose hepática e foi viver em um sítio em Araras, Rio de Janeiro. Mesmo assim, nesse ano, ainda compôs "Canção em tom maior", "Semente do amor", "Tufão" e "Quero voltar à Bahia", esta em parceria com Meira Guimarães.

Em 1962, parcialmente restabelecido, Ary retomou seu programa na TV Tupi, 'Encontro com Ary', transmitido aos domingos. Desse ano é sua composição "Balada da saudade" e as composições, em parceria com Vinícius de Moraes, "Em noite de luar", "Mulata no sapateado", "Rancho das namoradas" e "Já era tempo". Internado na Casa de Saúde São José, com nova crise de cirrose, Ary Barroso parecia recuperar-se no Natal de 1963. Mas sofreu uma nova crise e foi internado no Instituto Cirúrgico Gabriel de Lucena. Ary Barroso morreu pouco antes das 10 horas da noite de 9 de fevereiro de 1964. Mesmo depois de sua morte, Ary Barroso, o compositor brasileiro mais conhecido em seu país e fora dele, continua sendo gravado por grandes e famosos intérpretes, que reconhecem seu extraordinário talento.

Veja também:

Ary Barroso - Letras, cifras e gravações

Ary Barroso - Obra completa (relação das músicas)


Fonte: Memórias da MPB (Samira Prioli Jayme).

Ary Barroso - Letras, cifras e músicas



Ary Barroso - Algumas letras, cifras e gravações


























































Veja também:



Ary Barroso - Obra Completa


Ary Barroso - Obra completa

ABC do amor, marcha, 1935; Ai, Geni, samba, 1951; Amar, valsa, 1937; Amizade, samba-canção, 1928; Amor de mulato (c/Lamartine Babo), marcha, 1928; Amor fatal, fox, 1933; O amor vem quando a gente não espera (c/Cardoso de Meneses e Bittencourt), 1929; Anistia, samba, 1934; Anoiteceu, samba, 1935; Aquarela do Brasil, samba, 1939; Aquarela mineira, samba, 1950; Assobia um samba, samba, 1946; Aula de música, samba, 1932; Bahia, samba, 1931; Bahia imortal, samba, 1946; A baiana saiu de espanhola, marcha, 1941; Balada da saudade, samba, 1962; Balão que muito sobe (c/Osvaldo Santiago), marcha, 1934; Batalhão do amor, marcha, 1939; Bateram na minha porta, canção, 1934; Batuca nega, samba, 1942; A batucada começou, samba, 1941; Batuque, 1931; Bebeco e Doca (c/Luís Peixoto), samba, 1960; Benzinho, samba, 1931; Blim...blem... blão..., marcha, 1941; A boa mazurca, mazurca-samba, 1942; Boneca de piche (c/Luís Iglésias), cena carioca, 1938; O Brasil há de ganhar, samba, 1950; Brasil moreno (c/Luís Peixoto), samba, 1942; Caboca (c/José Carlos Burle), samba-canção, 1934; Cabrocha inteligente, samba, 1933; Cachopa (c/Luís Peixoto), marcha, 1936; Cachorro quente (c/Lamartine Babo), marcha, 1928; Caco Velho, samba-canção, 1934; Camisa amarela, samba, 1938; Canção da felicidade (c/Oduvaldo Viana), 1934; Canção em tom maior, 1961; Canta, Maria, valsa estilo português, 1941; Cantiga de enganar tristeza (c/Tiago de Melo), samba-canção, 1959; Carioquinha brejeira, marcha, 1937; Carne seca com tutu (c/Vilma Quantiere de Azevedo), samba, 1959; A casa dela, marcha, 1936; A casta Suzana (c/Alcir Pires Vermelho), marcha, 1938; Cavalhada franciscana, intermezzo carnavalesco, 1934; Cavanhaque, marcha, 1931; Cem por cento brasileira, marcha, 1943; Cena de senzala (c/George André), samba, 1941; Censura (c/Amaro Silva), samba, 1942; Chama-se João, samba, 1950; Chiribiribi quá-quá (c/Nássara), marcha, 1936; Chopp em garrafa (c/Bastos Tigre), marcha, 1936; Chorando, choro, 1951; Chula-ô, marcha, 1942; A cigana lhe enganou (c/Gomes Filho), marcha, 1938; Cinco horas da manhã, samba, 1943; Circo de cavalinhos, marcha, 1938; Coisas do Carnaval, samba, 1942; Colibri, marcha, 1937; Colombinas fracassadas, samba, 1957; Como as ondas do mar, marcha, 1938; Como se deve amá, canção, 1930; Como vais você?, marcha, 1937; Confessa (c/Amaro Silva), samba, 1942; Confissão de amor (c/Joraci Camargo), valsa, 1937; Correio já chegou, samba, 1934; Cruel resistência (c/Iraci N. Silva), samba, 1952; Cuatro palabritas (c/Juan Daniel), valsa, 1945; Dá nela, marcha, 1930; De déu em déu, marcha, 1938; De longe, cateretê, 1932; De qualquer maneira (c/Noel Rosa), samba, 1939; Deixa disso, samba, 1931; Deixa essa mulher sofrer, samba, 1940; Deixa o mundo falar, samba, 1947; Dengo, samba, 1953; Deve ser o meu amor, batucada, 1936; Diz que dão, samba, 1944; Dois amigos, samba-canção, 1960; Dona Alice (c/Marques Porto e Luis Peixoto), marcha, 1930; Dona Helena (c/Nássara), marcha, 1935; Duro com duro, samba, 1934; E a festa, Maria? (c/Alcir Pires Vermelho), samba, 1939; É assim que se vai no arrastão, marcha, 1934; É bamba, samba, 1931; É banal, samba, 1929; É do balacobaco, samba, 1931; É do outro mundo, samba, 1931; É luxo só (c/Luís Peixoto), samba, 1957; É mentira, oi, samba, 1932; E o samba continua (c/Lamartine Babo), samba, 1935; É pão ou não é?, marcha, 1947; É pra frente que se anda, samba, 1935; Ela sabe e não diz, samba, 1938; Ela vive chorando (c/Álvaro de Carvalho), samba, 1941; Em noite de luar (c/Vinícius de Morais), samba-canção, 1962; Escrevi um bilhetinho, marcha, 1 938 (c/Meira Guimarães), samba, 1960; Essa diaba, samba, 1958; Esta noite eu sonhei com você, marcha, 1936; Estrela da manhã (c/Noel Rosa), samba, 1934; Eu dei..., marcha, 1938; Eu fui de novo à Penha, samba, 1958; Eu fui ver, samba, 1956; Eu gosto do samba, samba, 1940; Eu não sou manivela, samba, 1953; Eu nasci no morro, samba, 1946; Eu sonhei, samba, 1935; Eu sou do amor, marcha, 1930; Eu vou pro Maranhão, samba, 1933; Faceira, samba, 1931; Faixa de cetim, samba, 1942; Falta de consciência, samba, 1933; Falta um zero no meu ordenado (c/Benedito Lacerda), samba, 1948; Fechei a página, marcha, 1952; Flor de inverno, fox-trot, 1933; Flor tropical, marcha, 1950; Flores mortas, samba, 1952; Foi de madrugada, batucada, 1937; Foi ela, samba, 1935; Folha morta, samba-canção, 1953; Forasteiro, samba, 1950; Fugiu, fugiu!, samba-canção, 1930; Uma furtiva lágrima, marcha, 1937; Garota colossal (c/Nássara), marcha, 1935; Gasparino, samba, 1942; Gira (c/Marques Porto), samba, 1931; Grand monde do crioléu, samba, 1957; Grau dez (c/Lamartine Babo), marcha, 1935; Grave revelação, samba, 1948; Hino do Colégio de Cataguases (c/Tostes Malta), 1936; Iaiá boneca, marcha, 1940; Iaiá da Bahia, samba, 1951; Inquietação, samba, 1935; Isso é xodó, marcha, 1932; Isto aqui o que é?, samba, 1942; Já era tempo (c/Vinícius de Morais), samba, 1962; Janjão e Zabé (c/Paulo Roberto), marcha, 1937; Jogada pelo mundo, samba, 1960; Juramento (c/Marques Porto e Luís Peixoto), samba, 1930; Labaredas do amor (c/Aldo Taranto), valsa, 1929; Laço branco, cateretê mineiro, 1952; Linguagem do olhar, samba, s.d.; Longe de você (c/Luís Peixoto), samba-canção, 1963; Madrugada, samba, 1943; Mal- me-quer, bem-me-quer, marcha, 1948; Malandragem, canção, 1932; Malandro sofredor, samba, 1934; Mão no remo (c/Noel Rosa), samba, 1931; O mar também conhece, marcha, 1951; Maria, samba carnavalesco, 1931; Maria (c/Luís Peixoto), samba-canção, 1931; Maria das Dores, samba-canção, 1954; Mazinha (c/Ari Kerner), tango, 1928; Menina que tem uma pose (c/Haroldo Daltro), samba, 1932; Menina tostadinha, marcha, 1935; Mentira (c/Augusto Jaime de Vasconcelos), samba- canção, 1951; Mentira de amor, valsa, 1940; Mês de Maria, samba, 1957; Meu amor não me deixou, samba, 1938; O meu dia há de chegar (c/Alcir Pires Vermelho), marcha, 1938; Meu Natal (c/Francisco Alves), marcha, 1934; Meu pampa lindo (c/Zeca Ivo), canção, 1928; Minha maior ilusão, samba, 1936; Minha palmeira triste (c/Lamartine Babo), samba-canção, 1932; Morena boca de ouro, samba, 1941; Moçoró, minha nega, samba, 1934; Mulata de Mangueira, samba, 1966; Mulata no sapateado (c/Vinícius de Morais), samba, 1962; Mulatinho bamba (c/Kid Pepe), marcha, 1935; Na Baixa do Sapateiro, samba-jongo, 1938; Na batucada da vida (c/Luís Peixoto), samba-canção, 1934; Na beira do cais, samba, 1951; Na parede da igrejinha, samba, 1944; Na Piedade, samba, 1932; Na virada da montanha (c/Lamartine Babo), samba, 1935; Nada mais me consola, samba, 1952; Não é vantagem, samba, 1942; Não faz assim, meu coração, samba, 1931; Não posso acreditar (c/Claudemiro de Oliveira), samba, 1932; Não posso mais (c/I.Kolman), marcha, 1928; Não quero mais, samba, 1957; Não quero saber, samba, 1957; Não quero você (c/Irmãos Quintiliano), samba, 1931; Não se deve lamentar, marcha, 1937; Não vou lá, samba, 1928; Nega baiana (c/Olegário Mariano), samba, 1931; Nega Nhanhá, samba, 1957; O nego no samba (c/Marques Porto e Luís Peixoto), samba, 1930; Nego também é gente (c/De Chocolat), marcha, 1933; Nem ela, samba, 1956; Neném (c/Luís Peixoto), marcha, 1934; Nini, samba, 1929; No jardim dos meus amores, marcha, 1950; No morro (Eh! eh!) (c/Luís Iglésias), samba, 1930; No rancho fundo (c/Lamartine Babo), samba-canção, 1931; No tabuleiro da baiana, batuque, 1937; Nóis precisemo, samba, 1954; Um nome para esta valsa, 1954; Nosso amô veio dum sonho, samba, 1932; O nosso amor morreu, samba, 1952; Nosso ranchinho, marcha, 1935; Novo amor, samba, 1937; Nunca mais, samba, 1940; Oba!, samba, 1930; Ocultei, samba-canção, 1954; Oh! Nina (c/Lamartine babo), fox-trot, 1928; Olha a lua, samba, 1937; Olhos divinos, valsa, 1944; Outro amor (c/Claudionor Machado), samba, 1930; Palmeira triste (c/Lamartine Babo), samba-canção, 1932; Passei na ponte, marcha, 1941; O passo do vira, marcha, 1941; Paulistinha querida, marcha, 1936; Pega no pau da bandeira (c/J. Castro), marcha, 1940; Pente fino (c/Sílvio Caldas), marcha, 1932; Perdão, samba, 1934; Pica-pau, marcha, 1942; Pierrô, samba, 1960; Plena manhã, samba-canção, 1951; Pobre e esfarrapada, samba, 1932; Podes ir, meu amor, valsa, 1948; Por especial favor, marcha, 1934; Pois sim!, pois não!, samba, 1938; Por causa desta cabocla (c/Luís Peixoto), samba, 1935; Por conta do boneco, samba, 1931; Pra machucar meu coração, samba, 1943; Primavera (c/Lúcia Alves Catão),samba, 1951; Primavera do Brasil (c/Guilherme Figueiredo), hino, 1956; Primeiro amor, canção, 1932; Prossiga, samba, 1955; Quando a noite é serena, samba, 1939; Quando a noite vem chegando, samba, 1933; Quando eu penso na Bahia (c/Luís Peixoto), samba jongo, 1938; Quanto num chorei, canção, 1930; Quem cabras não tem..., marcha, 1943; Quem é o homem, marcha, 1937; Quem me compreende (c/Bernardino Vivas), canção, 1931; Quem sabe, sabe, marcha, 1956; Qué-qué-qué-rê (c/Álvaro S. Carvalho), marcha, 1941; Quero dizer-te adeus, valsa, 1942; Quero voltar à Bahia (c/Meira Guimarães), samba, 1961; Os quindins de Iaiá, samba, 1941; Rancho das namoradas (c/Vinícius de Morais), marcha, 1962; Recordações (c/Norival de Freitas), canção, 1932; Rio, samba, 1948; Rio de Janeiro, samba, 1950; Risque, samba, 1952; Rosa, samba, 1956; Rosalina, marcha, 1931; O sabiá de sinhá moça (c/Irmãos Quintiliano), toada, 1931; Sai, barbado (c/Ainejerê), samba, 1931; Salada mista, marcha, 1938; Samba (c/Luis Iglésias), 1955; Samba da gelatina, 1930; Samba de São Benedito (c/Marques Porto e Luís Peixoto), 1930; Samba em Mangueira, s.d.; Um samba em Piedade, 1932; Samba no céu (c/Meira Guimarães), 1960; Samba-charleston, s.d.; Sambando na gafieira, choro, 1951; Sapateado (c/Luís Iglésias), fox-trot, 1930; Se Deus quiser (c/Alcir Pires Vermelho), samba, 1940; Segura a fazenda, samba, 1928; Segura esta mulher, marcha, 1933, Sem ela, samba, 1936; Sem querer...(c/Marques Porto e Luís Peixoto), samba-canção, 1931; Semente do amor, balada, 1961; Sentinela alerta, samba, 1934; Seu Manduca esfarrapado, batuque, 1931; Só a saudade não passa, samba, 1941; Só, samba, 1957; Sobe meu balão, marcha, 1935; Sombra e luz, valsa, 1958; Sonhei que era feliz, samba, 1932; O sonho azul da minha vida (c/Miguel Santos e Paulo Orlando), valsa, 1936; Sonho de amor, samba, 1944; Sou da pontinha, marcha, 1931; O tal bichinho, marcha, 1928; Tenho saudade, samba, 1931; Terra de Iaiá, samba, 1931; Terra seca, samba, 1943; Teus óio..., canção, 1930; Trapo de gente, samba-canção, 1953; Três lágrimas, canção, 1941; Tristeza dos sinos, valsa, s.d.; Tu, samba-canção, 1934; Tu quê tomá meu nome (c/Olegário Mariano), samba, 1929; Tu queres muito, samba, 1928; Tufão, samba, 1961; Ubaenses gloriosos, marcha, 1918; A única lembrança, samba-canção, 1938; Upa... upa... (Meu trolinho), marcha, 1940; Vá cumprir o teu destino, samba, 1929; Vai de vez, samba, 1950; Vai tratar da tua vida, samba, 1931; Vamos deixar de intimidades, samba, 1929; Vão pro Scala de Milão, samba, 1938; Vem cá, Mané, samba, 1957; Veneno (c/Alcir Pires r Vermelho), marcha, 1940; Vespa (c/Malfitano), samba, 1940; Vingança (c/Alcir Pires Vermelho), samba, 1939; Viu..., marcha, 1936; Viver assim não é vida, samba, 1939; A vizinha das vantagens (c/Alcir Pires Vermelho), samba, 1939; Você está aí pra isso?, marcha, 1938; Você fracassou, samba, 1958; Você não era assim (c/Aricles França), samba, 1930; Volta, meu amor, samba, 1936; Vou à Penha, samba, 1929; Vou deixá o batedô (c/Luciano Perrone), samba, 1932; Vou procurar outro bem (c/Nestor de Holanda), samba, 1957; Zombando da vida (c/Márcio Lemes Azevedo), samba, 1933.

Veja também:

Ary Barroso - Biografia

Ary Barroso - Letras, cifras e gravações


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

segunda-feira, janeiro 27, 2014

Ary Barroso: desde os tempos de guri

"Ary Barroso, em menino, estudava piano a força. Porém isso valeu-lhe de alguma coisa: embora tomando aversão ao instrumento, durante certo tempo, conseguiu aprender música — fato que o distingue de muitos outros pianistas do nosso rádio que tocam genialmente, de ouvido ... A sua primeira música foi composta com a idade de 9 anos e conseguiu ser executada pela orquestra de Ubá — “Ubaenses Carnavalescos”, obtendo grande sucesso.

Ary Barroso nasceu em Ubá, sendo portanto mineiro, embora o não pareça. Hoje, ele se distingue pela firmeza com que exprime as suas opiniões e a sua reconhecida capacidade para inventar lindas melodias. Os seus grandes sucessos nunca são esquecidos pelo público — porque se repetem constantemente. Começaram brincando de fazer música ...

— O verdadeiro artista é um boêmio da sua arte. A inspiração comercializada perde esse nome — diz-nos Ary Barroso — passando a ser um negócio como outro qualquer. Eu já fui um artista inspirado.

No tempo em que as suas composições enchiam todo o seu aposento, sobrando pelas gavetas. Muitas não tinham nome. É difícil batizar, arranjar um nome, para uma porção de emoções diversas.

— No dia em que alguém descobriu certo valor nessas músicas — o falecido Wantuil de Carvalho — dispus-me levar doze originais a uma casa editora em São Paulo. Porém, foram recusados. Trouxe-os então para o Rio, deixando-os na gaveta de outra casa de músicas. Aí surgiu-me a primeira “chance”: a companhia que representava no Recreio precisou de composições inéditas. Os meus originais foram apreciados e escolhidos.

Entre eles se achavam: “Vamos deixar de intimidade”, “Dá nela”, “Vou à Penha” e muitos outros que conseguiram, depois, um grande êxito.

Encontrando Sílvio Caldas

Ary Barroso, tocando sambas, possui qualquer coisa particular que a gíria classifica deliciosamente: é a “bossa”. “Bossa” de sambista autêntico. Encontrando Sílvio Caldas, achou o seu intérprete ideal.

— Conheci Sílvio Caldas por um acaso, e logo notei a afinidade de sentimentos artísticos que existe entre nós. Levei-o a uma companhia teatral. Pouco depois Sílvio cantava com um assombroso sucesso o meu samba “Faceira”, sendo bisado todas as vezes que aparecia no palco. Isso ajudou-o a ser o meu intérprete preferido — o intérprete perfeito para o qual eu fazia músicas cônscio da vitória. Durou algum tempo a dupla. Depois Sílvio desgarrou...

Ary Barroso não esconde o seu pesar diante da perda do seu intérprete. Comenta o fato:

— Um artista que interpreta tão bem o sentimento alheio não deve ser um compositor.

Lembra sempre uma estátua que depois de pronta, cuidadosamente esculpida, foge das mãos do escultor, ficando consigo alguns bocados de barro ...

Contra os “medalhões”

— Acho que a rádio atual atravessa um período de estacionamento. Os valores novos que surgiram pararam. E os valores antigos não apresentam nada de particular. Sou contra os “medalhões” — declara Ary Barroso. — Não sei se pelo meu instinto criador, de fazer “coisas novas”. Qualquer artista apagado pode fazer sucesso, de posse de uma boa música — a música, que é o verdadeiro motivo do êxito.

Apresenta exemplos:

— Francisco Alves gravou “Foi ela”, obtendo sucesso. Também interpretou: “Sem ela”, obtendo êxito quase nenhum. Evidentemente a culpa foi da superioridade da melodia da primeira composição sobre a segunda, porque o cantor foi o mesmo.

Existem casos comuns — a maioria deles — de artistas se consagrarem à custa de músicas que, sozinhas, mesmo sem cantor, fariam sucesso ...

A voz em primeiro lugar

— Não procuro, no entanto, com essa opinião, desmerecer o mérito próprio de cada um. Admiro a voz e a interpretação de Francisco Alves, Sílvio Caldas, Elisinha Coelho.
Entre os valores novos, promissores, destaco o menino Albertinho Fortuna e Odette Amaral.

Ary Barroso experimentando o teatro deu-se bem. Várias peças suas exibidas obtiveram êxito. Agora mesmo ele pretende apresentar outras.

Uma opinião sobre os outros compositores

— Orgulho-me de ser perfeitamente brasileiro nas minha composições — diz Ary Barroso. — O estilo do samba “Por causa dessa cabocla” é o meu preferido. Mas reconheço um verdadeiro gênio na música popular: “Sinhô” — o homem que até inventou palavras novas nos seus sambas. Dos compositores atuais admiro a originalidade de Assis Valente e a inspiração de Humberto Porto.

Ary é o homem que nasceu destinado a lidar toda a vida com o piano, música e composições.

— Quando fiquei homem, tomei aversão ao piano. Mas, um dia, resolvi fazer as pazes. Tinha que ganhar a vida. Utilizei-o como pá ...


Fonte: CARIOCA, de 29/8/1936.

terça-feira, dezembro 17, 2013

Lan e os músicos de 1950



Lançou "Aquarela do Brasil" e chamou o Brasil de "mulato inzoneiro". O Flávio Cavalcanti disse que isso é a mesma coisa que "mestiço intrigante" e o mineiro de Ubá ficou louco da vida. O Flávio até tentou se desculpar, indo na casa dele. O Ary comprou um cão policial e o deixou na frente de sua casa para esperar.... Ao lado Araci de Almeida, comemorando seu aniversário, na ocasião, em São Paulo, e o próprio Governador (que não fora convidado) disse: "Vim pessoalmente apertar a mão da maior cantora popular do Brasil”. Araci sorriu encabulada e respondeu sincera: “Governador, isto são lantejoulas de sua parte”.



Herivelto sofre o complexo do apito. Quando o “Praça Onze” agradou, ele castigou logo em seguida o “Laurindo”, aquele que dizia assim: — Laurindo, pega o apito... etc., etc. Laurindo sumiu e o apito ficou com Herivelto... Maysa (Perdi meu pente) Matarazzo é Bonjardim de nascença. Um dia houve uma festa para os melhores do rádio. Maysa foi convidada, Andrezinho Matarazzo acompanhou-a e, quando deu com o ambiente exclamou para si mesmo: — Eu salto aqui! Para encerrar, mais duas charges dessa época: Pixinguinha e José Vasconcelos...




Fonte: Dicionário Ilustrado — Texto de Stanislaw Ponte Preta — Desenho de Lan — Jornal "Última Hora"

sábado, dezembro 07, 2013

Ari Barroso - Dicionário Ilustrado

Ari (Evangelista) Barroso, que não é tão evangelista assim como à primeira vista possa parecer, nasceu em Ubá (MG), foi menino lá e rapazola também. Depois embarcou para o Rio de Janeiro e foi tocar piano em cinema mudo (segundo o “show” Mr. Samba).

Dentre as suas atividades mais importantes constam: a locutagem esportiva (Ari é Fluminense doente, mas finge de Flamengo há muitos anos), a música (é o compositor mais popular do Brasil) e a direção de um programa de calouros onde, quem não sabe o nome do autor não canta.

Já foi ao estrangeiro com uma orquestra que ele mesmo formou e regia. Esteve no México, no Uruguai e passou quase seis meses em Buenos Aires. Quando voltou estava chamando janela de “ventana”.

Sua grande paixão é mesmo a música. O samba, principalmente. Já fez com telecoteco, já fez abolerado e já fez de exaltação, sendo que neste setor lançou o célebre “Aquarela do Brasil”, onde o coqueiro dá coco. Chamou o Brasil de “mulato inzoneiro” e, por causa disso, teve uma briga feia com Flávio Cavalcanti o Lacerdinha do Samba, quando este fez ver ao mundo que “mulato inzoneiro” é a mesma coisa que “mestiço intrigante”. Ari ficou uma fera e quando Flávio quis reconciliar, prometendo publicamente ir à casa de Ari em visita de cordialidade, comprou um cachorro policial enorme, para atiçar em cima do visitante.

Assim é Ari Barroso! O maior compositor popular do Brasil!


Fonte: Dicionário Ilustrado — Texto de Stanislaw Ponte Preta — Desenho de Lan — Jornal "Última Hora", de 07/01/1958.

terça-feira, janeiro 22, 2013

Rio de Janeiro em versos de samba

Eu nasci em Catumbi / Em Catumbi, em Catumbi / Mas sou filho de Oxalá / Oxalá, Oxalá

Esta quadrinha gostosa é de um samba que J. B. Silva apresentou em 1924, chamado Cabeça de promessa. Dá a mesma medida exata do que tem feito os sambistas cariocas mais autênticos no canto de louvor a sua cidade, no geral, e no seu bairro, de modo especial. Loas e exaltações que tem o seu tanto – e natural – de vaidade, mas de modo aberto, sem o caráter agressivo de outros povos do Brasil e/ou do estrangeiro.

Certo, o Rio tem sido cantado em bloco, como cidade do amor e ventura / que tem mais doçura. Cânticos que têm chegado até a declaração de amor: Rio de Janeiro / gosto de você… Mas é na poesia do bairro que o letrista tem-se excedido, mais como um camelô das virtudes dos seus vizinhos do que, propriamente raciocinando. Grita as vantagens dos seus bairros por gritar, porque lhe faz bem assim proceder. Ou em resposta, responso coral quase, às proclamações de rivais – responso que toma o caráter de peça em detrimento dos rivais.

Assim, José Francisco de Freitas e D. M. Carneiro não faziam, em 1930, mais do que responder a Almirante e Candoca da Anunciação, quando escreveram: No Grajaú, Iaiá / No Grajaú. O seu bairro mais venturoso e mais aventuroso, mesmo, do que a mais longínqua e desértica Pavuna da gente reúna. Afinal, para a Pavuna o convite era:

Vem pra batucada
Que de samba na Pavuna
tem doutor


Ao otimismo malandro dos pavunenses (e isto não quer dizer que os autores do samba, bairrista fossem, necessariamente, seus habitantes), opunham o burguesismo do Grajaú, já então, talvez mais do que hoje, bairro metido a besta. O convite para ida à Pavuna não parecia sensibilizar ao autor da Dondoca e da Zizinha.

As origens das canções de exaltação aos bairros se perdem nos anos imperiais, talvez na própria e minguada cidade colonial. Neste século, entretanto, tais canções se tornaram mais constantes, acompanhando o progresso e o crescimento horizontal e vertical da metrópole. Às vezes, é uma fuga ao bulício do centro comercial o que leva um Hermes Fontes e um Freire Júnior a juntos compor uma coisa tão linda como aquela que declara: Paquetá é céu profundo / Que começa neste mundo / E não sabe onde acabar. É preciso cantar, cantar sempre – como diz a inimitável Nara Leão – e Paquetá era o recanto para a fuga às canseiras do crescente e barulhento Rio de Janeiro. Como um quarto de século depois seria (apenas idealmente) aquele samba bossa-novista primitivo que idolatrava Copacaba / Princesinha do mar…

E a oposição Zona Norte-Zona Sul? Já era tão forte no tempo de Noel Rosa que este antepunha à areia dos piratas de Ary Barroso, das moreninhas sapecas de João de Barro e de  Lamartine Babo, uma palmeira de mangue: e o Mangue – que o montanhista Idalicio Manuel de Oliveira Filho sempre soube escalar como ninguém, sendo o dono do assunto nos últimos trinta anos – convenhamos, o Mangue era, por aquela época, puro fogaréu.

O Mangue e toda a Zona Norte. Em 1930, por exemplo, Teobaldo M. Gama lançava na voz de Sílvio Caldas Um Samba no Rocha, descrevendo as vantagens dessa estação da central. Não esqueçamos que

A primeira escola de samba
Nasceu no Estácio de Sá

Aliás, mestre Idalício – bem o sabe o Cony, o Jotaefegê e outros bambas – é cidadão nativo e com muita honra do Estácio. Perto do Estácio, a grande zona do samba, o berço e talvez o túmulo – se o simonal e outros comprimidos favoráveis à dor de cabeça resolverem se abancar por ali. Pois o Rio inteiro cantou quase chorando, já em 1942:

Vão acabar com a praça Onze
Não vai haver mais
Escola de samba, não vai!

Não resta dúvida que o grande samba do Grande Otelo fez história: evitou que a praça Onze se transformasse em simples trecho da avenida Presidente Vargas, conservando um pouco que fosse, das suas tradições. Contudo, amigos da Zona Norte existe a Vila, imortalizada por Noel e Vadico, a Vila Isabel heróica:

Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba


Idalício não nasceu na Vila, mas sambista mais autêntico não existe – e por isso tem sido visto muitas vezes passeando pela praça Barão de Drummond. Não admira, a Vila, do ponto de vista do samba, atrai, prende, escraviza, mesmo considerando os outros bairros: Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira / Osvaldo Cruz e Matriz…

Mas a Zona Sul – ao contrário do que podem pensar os adventícios, os neófitos e os beócios reunidos – não foi descoberta pela brotoeja bossa-novista. Muito antes, já em 1936, Carmem Miranda e Sílvio Caldas entoavam um sambinha gostoso que dizia:

Quando passarmos
Lá no Leblon
Pra turma ver
Vou fazer assim

O tema do samba? Na batida tradicional, no telecoteco, um passeio de automóvel com buzina Fon-Fon – antecipando de muitos anos Il Sorpasso

No mesmo ano, Ari, mineiro de Ubá, apaixonado pela orla marítima, fazia um samba-comentário indagando:

Será você a tal Suzana
A casta Suzana
Do Posto Seis?

Porém, é evidente – e está o José Lino Grünewald, testemunha auricular dos 78 rpm, para confirmar – que a Zona Norte sempre surrou a Zona Sul em matéria de samba bairrista. Exemplo frisante é aquela marchinha de carnaval: Por um carinho teu / Minha cabrocha / Eu vou até o Irajá / Que me importa que a mula manque. Ou aquele sambinha cantando, simultaneamente, um bairro e sua estréia, minha falecida amiga Zaquia Jorge: Madureira chorou / Madureira chorou de dor. Ou aquele clássico: Vou à Penha / Vou pedir à padroeira.

Naturalmente, de vez em quando os que preferiam aparecer como geógrafos, distribuindo simpatia a vários bairros, se espalhavam. Um deles, em 1937, cantou simultaneamente o bonde e o seu itinerário (Din-Din ou Seu condutor):

O bonde Uruguai
É duzentos que vai
O bonde Tijuca
Me deixa em sinuca
E o Praça Tiradentes
Não serve pra gente

Lamartine, nos idos de 1931, na base da gozação carioca, acabou citando a comunidade que hoje se distribui na rua André Cavalcanti, e então tomava o bonde Silva Manoel, e foi além, brincando com o inglês (idioma) que se chegava (motivo de troça, como todos se lembram, de músicas de Noel e Assis Valente):

I love you
Forget sciaine
Mine Itapiru

Acima, uma prova concreta de que a Zona Norte e até a meia Zona Norte ganharam sempre da Zona Sul. Mas há um reduto invencível – e o Estácio, garante o Idalício, é centro, centríssimo! – e este reduto, já o falecido Benedito Lacerda, com sua flauta e sua inspiração, encarregou-se de proclamar o maior ao gritar que A Lapa / está voltando a ser / a Lapa!.

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Paiva. Salviano Cavalcanti de. “Rio de Janeiro em versos de samba”. Correio da Manhã. Rio de Janeiro, 16 de maio de 1965

segunda-feira, janeiro 14, 2013

Orquestra Pan American


A Orquestra Pan American foi criada por volta de 1927 pelo maestro, arranjador e violinista Simon Bountman, era integrada por I. Kolman, no saxofone e clarinete; Júlio Sammamede, no saxofone; D. Guimarães, no trompete; Caldeira Ramos, no trombone; J. Rondon, no piano; Amaro dos Santos, na tuba; Dermeval Neto, no banjo, e Aristides Prazeres, na bateria. Além de acompanhar dezenas de gravações na Odeon entre 1927 e 1930, a orquestra também gravou 47 músicas em 36 discos.

A orquestra estreou em disco em 1927 gravando o fox-trot Pergunte a ela, de autor desconhecido. No mesmo ano, gravou os fox-trot Pérola do Japão, de J. Fonseca Costa, o Costina, e Uma noite de farra, de Lúcio Chameck; as toadas-brasileiras Paulicéia como és formosa; Quebra-cabeças e Magnífico e o maxixe Proeminente, de Ernesto Nazareth, além do maxixe Mexe baiana, de José Francisco de Freitas.

Em 1928, a orquestra gravou o maxixe Só de cavaquinho, de Luís Nunes Sampaio, o Careca, e as toadas brasileiras Desengonçado; Jacaré; Tenebroso e Jangadeiro e a marcha Ipanema, de Ernesto Nazareth; o maxixe Cor de canela, Lúcio Chameck e a valsa Minha vida pela tua, de Marcelo Tupinambá.

Nesse ano, a orquestra fez acompanhamento para as primeiras gravações, acompanhando o cantor Vicente Celestino no registro do samba Que vale a nota sem o carinho da mulher?, de Sinhô. Em seguida, acompanhou Mário Reis nos sambas Jura, de Sinhô; Vou à Penha, de Ary Barroso e Dorinha, meu amor, de Freitinhas (José Francsico de Freitas), três gravações clássicas da música popular brasileira e Francisco Alves na canção Cabocla do sertão e no samba-sertanejo Rancho vazio, de Eduardo Souto; na marcha Seu Voronoff, de Lamartine Babo.

No ano seguinte, gravou os maxixes Uma noite em claro e Odeon e o samba Amanhã tem mais, de Mário Duprat Fiúza; o samba-canção Linda flor, de Henrique Vogeler; o samba Jura, de Sinhô; o maxixe Gosto assim, de I. Kolman e o choro Despresado, de Pixinguinha.

Ainda em 1929, a orquestra acompanhou o cantor Francisco Alves em mais de dez discos incluindo os sucessos Seu Julinho vem, marcha de Freire Júnior e Eu ouço falar (Seu Julinho), samba de Sinhô. Acompanhou ainda os cantores Alfredo Albuquerque; Raul Roulien; Oscar Gonçalves e Mário Reis, este, entre outras, no sucesso Vamos deixar de intimidades, de Ary Barroso, além da cantora Aracy Cortes no samba-canção A polícia já foi lá em casa, de Olegário Mariano e Júlio Cristóbal, e nos sambas Quem quiser ver?, de Eduardo Souto; Tu qué tomá meu nome, de Ary Barroso e Zomba, de Francisco Alves. Ainda em 1929, a orquestra acompanhou a atriz Margarida Max na gravação do samba-canção Por que foi?, de Pedro de Sá Pereira e Luiz Iglesias, e da marcha Olha a pomba, de Vantuil de Carvalho.

Em 1930, acompanhou Almirante na gravação dos sambas Tô t' estranhando, de Henrique Brito e Mário Faccini e Mulher exigente, de Almirante, além de acompanhar várias gravações de Mário Reis e Francisco Alves, destacando-se com esse último no acompanhamento da marcha Dá nela!, de Ary Barroso, grande sucesso no carnaval daquele ano. Ainda nesse ano, a orquestra acompanhou gravações de Augusto Calheiros, Gastão Formenti; Zaíra Cavalcânti; Aracy Côrtes; Luci Campos; Gilda de Abreu e Patrício Teixeira.

Em três anos de atuação a orquestra acompanhou mais de cem gravações de cantores como Francisco Alves, Mário Reis, Aracy Côrtes. Raul Roulien, Gilda de Abreu e outros.

Discografia

(1928) Só de cavaquinho • Odeon • 78
(1928) Desengonçado / Jacaré • Odeon • 78
(1928) Tenebroso / Jangadeiro • Odeon • 78
(1928) Ipanema • Odeon • 78
(1928) Saudades de Arlete • Odeon • 78
(1928) Cor de canela / Minha vida pela tua • Odeon • 78
(1928) Galo velho / Boêmia • Odeon • 78
(1928) Rayon D'Or • Odeon • 78
(1928) Canção do Volga / Negro pachola • Odeon • 78
(1929) Uma noite em claro • Odeon • 78
(1929) Alegria • Odeon • 78
(1929) Odeon • Odeon • 78
(1929) Jura • Odeon • 78
(1929) Rapsódia brasileira (I) / Rapsódia brasileira (II) • Odeon • 78
(1929) Iaiá (Linda flor) / Pìerrot 1950 • Odeon • 78
(1929) Amanhã tem mais • Odeon • 78
(1929) Fumaça branca • Odeon • 78
(1929) Gosto assim • Odeon • 78
(1929) Craddle of love • Odeon • 78
(1929) Cristina • Odeon • 78
(1929) Os boêmios • Odeon • 78
(1929) Camafeu / Despresado • Odeon • 78
(1930) A warbling booklet • Odeon • 78
(1930) If you believed in me / Noêmia • Odeon • 78
(1930) Conde Zeppelin • Odeon • 78
(1930) I'm on a diet of love / Mona • Odeon • 78
(1930) Charming / Red hot and blue rhythm • Odeon • 78
(1930) Hino Republicano Riograndense • Odeon • 78

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB

sexta-feira, setembro 28, 2012

Mara Abrantes

Mara Abrantes (Mara Dyrce Abrantes da Silva Santos), cantora, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 31/05/1934, estando radicada em Portugal desde 1958. Mara cresceu no seio de uma família de instrumentistas ligados a diferentes bandas das forças armadas brasileiras, incluindo o seu pai.

No ensino primário freqüentou as aulas de Educação Musical e integrou, como solista, o Coro do Ministério da Educação. Durante o internato do curso para professora primária recebeu formação artística no Teatro de Preparação de Estudantes.

Aos 16 anos ganhou um concurso na TV Tupi de procura de novos talentos, intitulado "A Hora dos Calouros" e concebido por Ary Barroso, tendo nesta altura adotado o nome artístico de Mara Abrantes. Esta vitória permitiu-lhe obter pequenos papéis na TV.

Começou por atuar como cantora no restaurante "A Cantina do Cesar", de propriedade do radialista César de Alencar. Outro espaço noturno onde atuou foi o "Estúdio do Teo", onde conheceu Tom Jobim em início de carreira e de quem interpretou diversos temas. Foi levada para a Rádio Nacional do Rio de Janeiro pelo maestro Napoleão Tavares.

Atuou em rádios e teatros cariocas, em especial na década de 1950. A Revista do Rádio considerou-a "A escurinha nota dez", em virtude de seus predicados físicos, nos quais ressaltava a cor negra, uma pequena altura e formas esculturais.

Além de ser convidada regularmente como atração para Teatro de Revista, entre 1952 e 1956 foi atriz em cinco filmes, incluindo "A dupla do barulho" (1953) de Carlos Manga.

Em 1954, gravou um disco de 78 rpm com os temas "Sal e pimenta" (letra de Francisco Anísio e música de Hianto de Almeida) e "Um tiquinho mais" (composta por Newton Ramalho e Nazareno de Brito), lançado pela editora Mocambo, tendo esta última canção sido censurada. A proibição da canção pelo governo brasileiro recebeu a atenção da mídia e dos críticos, tendo projetado a carreira da cantora além do circuito da vida noturna carioca.

Em 1958 foi atuar em Portugal, por um período de 3 meses mas acabou por ficar. Gravou vários discos para a Valentim de Carvalho. Colaborou também com o Thilo's Combo.

Em 1967 gravou uma versão de "Natal Feliz" na editora Alvorada. Lança o EP "Sentimental Demais" gravado com o Conjunto Shegundo Galarza. Na editora Marfer gravou um EP com os temas "Quem É Homem Não Chora", "Máscara Negra", "Disparada" e "Maria do Maranhão". Gravou com a Orquestra Marfer, dirigida por Ferrer Trindade, alguns dos temas do Festival RTP da Canção de 1968.

Em 1979 obteve grande sucesso com o single "Os Amantes" que atingiu o disco de prata. A seguir foi editado o disco "Horóscopo" conhecido pelo refrão "Diga em que mês e que ano você nasceu".

Em 1980 cantou "Amor, amor à portuguesa" da banda sonora da novela "Moita Carrasco" do programa "Eu Show Nico" de Nicolau Breyner.

Em 1981 lançou uma versão de "Guerra dos Meninos" de Roberto Carlos com a participação da sua filha Magda Teresa e do Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras. Gravou também uma versão de "Tudo Pára" em 1983.

A compilação "Melhor dos Melhores", lançada pela Movieplay, incluiu os seguintes temas: Os Amantes, Um jeito Estúpido de te amar, Horóscopo, Quem é homem não chora, Serenata negra, Samba magoado, Mas é fado, Moço, Máscara negra, Guerra dos meninos, Meu filho, Um resto de azul, Na boca do povo, Fecho a janela, Café da manhã, Que pena, Vem flor e "Amor, amor à portuguesa".

Fonte: Wikipédia.

terça-feira, abril 10, 2012

Negros e macumba inspiraram Ary


Os sambistas antigos, os chamados da velha guarda, ligados aos africanos ou a seus descendentes quase todos baianos e de cor preta ou mulata — freqüentavam macumbas, candomblés e tinham seus terreiros preferidos. Daí encontrar-se em muitas de suas produções referências a meu pai de santo, meu orixá, afora o recurso de buscar rimas fáceis em termos africanísticos ou pseudo-africanísticos: Ôcu-babá gê-lê, saravá, etc. Característica que se tem comprovação abundante relembrando-se os sambas de Donga, Getúlio Marinho, Hilário Jovino e até mesmo do popularíssimo Sinhô.

Quando os musicistas brancos, já despegados das raízes negras que influenciavam o samba autêntico, relegaram a modinha e a cançoneta, criando o samba citadino (dos morros, do asfalto e das mesas dos cafés), tomaram novo rumo os motivos passaram a ser outros: o barracão, a pobreza do Com que roupa?, a crítica do Aí, Filomena, amores infelizes e glosas momentâneas. O africanismo deixou de surgir nas letras, embora o melódico e o rítmico ainda repousassem nele. Assim, ao se ver, um compositor de música popular, já aureolado pelo sucesso de suas produções — Ary Barroso — num terreiro de macumba era de se esperar que aquela sua incursão não fosse apenas curiosidade. E não foi. Trouxe do ritual que viu e ouviu, sugestões, temas que usou.

Uma macumba para Josephine

Em 1939, estando a famosa colored Josephine Baker no Rio, onde se exibiu em nossos principais centros noturnos, a revista O Cruzeiro e o vespertino Diário da Noite resolveram mostrar-lhe uma macumba. Da organização desse espetáculo ficaram incumbidos Heitor dos Prazeres, O professor Carlos Cavalcanti, Paulo da Portela, José Espinguela e mais alguns entendidos em samba e na prática dos ofícios das religiões negras. Não seria, a rigor, a realização do ritual, mas apenas o demonstrativo em que se juntaria uma exibição mista de sentido folclórico, o entoar de pontos e de sambas. Tudo com baianas e pastoras, gingando na coreografia propiciada pelo ritmo.

Para os conhecedores ou iniciados, os que freqüentaram os terreiros ou festas de santo dos famosos alufás ou orixás, talvez a reunião, além de profanar os mitos das crenças negras, deixasse a desejar. Tratava-se, porém, de proporcionar a uma leiga, embora precariamente, com os recursos possíveis para uma realização imediata, o conhecimento da macumba que ela sabia ter cultores não só na Bahia, mas também no Rio.

Heitor dos Prazeres que pela sua tradição no meio e convivência com tias, mães, e pais de santo foi investido como principal organizador da sessão, procurou desobrigar-se do melhor modo. Josephine assistiria a uma macumba, não legítima, verdadeira, mas capaz de empolgá-la.

No terreiro de Mãe Adedé

À falta de um local autêntico, Heitor e seus companheiros improvisaram no quintal da casa de Adedé, sua amiga residente na Rua Major Rego, no subúrbio leopoldinense de Ramos, o terreiro para a macumba. Foi para lá que na noite de 30 de junho de 1939 se dirigiu numerosa comitiva acompanhando Josephine Baker e integrada, entre outros, por Jorge Fernandes, Dircinha Baptista e Ary Barroso. Este último, embora tivesse a missão específica de irradiar pela Rádio Tupy as ocorrências do espetáculo afro de música e religião que ali seria apresentado, iria captar a musicalidade reinante.

Casando à função jornalística do momento a sensibilidade artística inata que já o marcava como um de nossos melhores compositores de música popular, Ary ouvia atentamente os pontos e aprendia sua linha melódica. Sentia, como agora ficou em moda dizer-se, a negritude dos cânticos e de seus versos onde se falava de divindades estranhas aos brancos, sempre ao jeito de lamento, numa réplica dos spirituals, mas igualmente conduzindo preces.

Viu, sem se impressionar muito, os cavalos receberem pretos velhos que baixavam saudando os presentes (“saravá meuze fio!”) e pediam pito e marafa. Fixava, no entanto, sua atenção, de modo especial, na expressividade do ambiente impregnado de música rústica marcada pelo bater constante do atabaque. O compositor branco recolhia do espetáculo sugestões, temas que viria a explorar.

Negros e macumba inspiram Ary

O que acima se articulou como possível resultante da visita de Ary Barroso ao terreiro de Mãe Adedé, de fato, aconteceu. O compositor, cuja ida à estação de Ramos seria, apenas, para fazer cobertura radiofônica da macumba que Heitor dos Prazeres e Carlos Cavalcanti proporcionaram a Josephine Baker, trouxe de lá inspiração e sugestões. E elas repontaram pouco depois. Em 1942 (segundo discografia de Almirante e de Mariusa, filha do saudoso musicista) Ary lançava um samba onde dizia: “eu vô fazê um despacho para arranjá outro amo...“. Logo a seguir, em 1943, surgia o Terra Seca, de grande sucesso, com o refrão: “trabaia, trabaia, nego”. E, sem muita demora, em meio da produção farta que o seu estro lhe permitia, um outro samba intitulado Xangô tinha a marca afro, mostrava as sugestões do terreiro de Mãe Adedé.

Claro está que Ary Barroso, versátil, de numerosa bagagem musical, não condicionou, após a ida a uma macumba, todas as suas composições aos pretos véios que viu incorporarem-se no terreiro de Ramos. Seus sambas e marchas conduzindo motivos vários, tiveram aspectos que subiram do primarismo musical, como o Dá nela, dá nela, visando ao sucesso carnavalesco, até o alegórico do Aquarela do Brasil. Não se negará, porém, que o despacho ou ebó como recurso para arranjar outro amor, assim como o negro moiado de suó ou Xangô (santo estranho a brancos), possivelmente, lhe foram sugeridos no terreiro de Mãe Adedé.

(O  Jornal, 30/5/1965)
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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.