Almirante foi um dos nossos vários historiadores da MPB. Foi compositor, cantor, bibliotecário que foi guardando com carinho as lembranças e registros do que ele passou, cantou, dos amigos Noel Rosa, Braguinha, Nássara e outros mais.
Maria Fumaça (samba, 1935) - Noel Rosa - Intérprete: Almirante
Disco 78 rpm / Título da música: Maria Fumaça / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 / (Intérprete) / Regional RCA Victor (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1936 / Nº Álbum 34086 / Lado B / Gênero musical: Samba.
Maria Fumaça,
Fumava cachimbo, bebia cachaça...
Maria Fumaça,
Fazia arruaça, quebrava vidraça,
E só de pirraça,
Mata as galinhas, de suas vizinhas,
Maria Fumaça,
Só achava graça na própria desgraça.
Dez vezes por dia, a delegacia,
Mandava um soldado, prender a Maria,
Mas quando se via na frente do praça,
Maria sumia, tal qual a fumaça.
Maria Fumaça,
Não diz mais chalaça, não faz mais trapaça...
Somente ameaça que acaba com a raça,
Bebendo potassa,
Perdeu o rompante,
Foi presa em flagrante, roubando um baralho,
Não faz mais conflito,
Está no distrito, lavando o assoalho...
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quarta-feira, janeiro 31, 2018
terça-feira, janeiro 30, 2018
Eu vou pra Vila - Almirante
Noel podia, perfeitamente, ter inspirado o desenhista que imaginou a capa ao lado do samba "Eu vou pra Vila", pois nela aparecem, além dos Tangarás voando em torno do título, os tipos mais explorados pelo compositor em suas obras: o policial, o tipo de chapéu de palha, o seresteiro, a mulata (ilustração extraída da Revista da Semana, de 08/11/1952).
Eu Vou Pra Vila (samba, 1931) - Noel Rosa - Intérprete: Almirante
Disco 78 rpm / Título: Eu vou pra Vila / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Bando de Tangarás (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1930 / Álbum 13256 / Lanç.: 1931
Não tenho medo de bamba
Na roda do samba
Eu sou bacharel... Sou bacharel...
Andando pela batucada
Onde eu vi gente levada
Foi lá em Vila Isabel.
"Na Pavuna tem ternura..."
"Na Gamboa, gente boa..."
Eu vou pra vila,
Onde o samba é de coroa
Já mudei de Piedade,
Já saí de Cascadura,
Eu vou pra vila,
Pois quem é bom não se mistura.
Quando me formei em samba,
Recebi uma medalha,
Eu vou pra vila,
Pro samba de chapéu de palha,
A policia, em todo canto,
Proibiu a batucada.
Eu vou pra vila,
Onde a policia é camarada.
Disco 78 rpm / Título: Eu vou pra Vila / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Bando de Tangarás (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1930 / Álbum 13256 / Lanç.: 1931
Não tenho medo de bamba
Na roda do samba
Eu sou bacharel... Sou bacharel...
Andando pela batucada
Onde eu vi gente levada
Foi lá em Vila Isabel.
"Na Pavuna tem ternura..."
"Na Gamboa, gente boa..."
Eu vou pra vila,
Onde o samba é de coroa
Já mudei de Piedade,
Já saí de Cascadura,
Eu vou pra vila,
Pois quem é bom não se mistura.
Quando me formei em samba,
Recebi uma medalha,
Eu vou pra vila,
Pro samba de chapéu de palha,
A policia, em todo canto,
Proibiu a batucada.
Eu vou pra vila,
Onde a policia é camarada.
Tarzan (O Filho do Alfaiate) - Almirante
![]() |
| Vadico |
Tarzan (O Filho do Alfaiate) (samba, 1936) - Noel Rosa e Vadico - Intérprete: Almirante
Disco 78 rpm / Título da música: Tarzan (O filho do alfaiate) / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Vadico (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Regional RCA Victor (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1936 / Nº Álbum 34086 / Lado A / Gênero musical: Samba.
Intr.: F Ab C/G A7 Dm G7 C Fm/C C G7
C G/B Gm6/Bb
Quem foi que disse que eu era forte?
A7 Dm G7 C
Nunca pratiquei esporte, nem conheço futebol...
E7 Am
O meu parceiro sempre foi o travesseiro
D7 G7
E eu passo o ano inteiro sem ver um raio de sol
C G/B Gm6/Bb
A minha força bruta reside
A7 Dm G7 C
Em um clássico cabide, já cansado de sofrer
E7 Am
Minha armadura é de casimira dura
F#° C/G G7 C
Que me dá musculatura, mas que pesa e faz doer
C7 C#° Dm
Eu poso pros fotógrafos, e destribuo autógrafos
F/Eb F7 Bb
A todas as pequenas lá da praia de manhã
D7 Gm
Um argentino disse, me vendo em Copacabana:
Db F/C C7 F
'No hay fuerza sobre-humana que detenga este Tarzan'
G7 C G/B Gm6/Bb
De lutas não entendo abacate
A7 Dm G7 C
Pois o meu grande alfaiate não faz roupa pra brigar
E7 Am
Sou incapaz de machucar uma formiga
D7 G7
Não há homem que consiga nos meus músculos pegar
C G/B Gm6/Bb
Cheguei até a ser contratado
A7 Dm G7 C
Pra subir em um tablado, pra vencer um campeão
E7 Am
Mas a empresa, pra evitar assassinato
F#° C/G G7 C
Rasgou logo o meu contrato quando me viu sem roupão
C7 C#° Dm
Eu poso pros fotógrafos, e destribuo autógrafos
F/Eb F7 Bb
A todas as pequenas lá da praia de manhã
D7 Gm
Um argentino disse, me vendo em Copacabana:
Db F/C C7 F
'No hay fuerza sobre-humana que detenga este Tarzan'
C G/B Gm6/Bb
Quem foi que disse que eu era forte?
A7 Dm G7 C
Nunca pratiquei esporte, nem conheço futebol...
E7 Am
O meu parceiro sempre foi o travesseiro
D7 G7
E eu passo o ano inteiro sem ver um raio de sol
C G/B Gm6/Bb
A minha força bruta reside
A7 Dm G7 C
Em um clássico cabide, já cansado de sofrer
E7 Am
Minha armadura é de casimira dura
F#° C/G G7 C
Que me dá musculatura, mas que pesa e faz doer
domingo, janeiro 26, 2014
Confissões de Almirante
Almirante, cognominado “maior patente do rádio” é, sem favor, um dos nossos mais expressivos homens de rádio. Cantor, criador, redator e animador de grandes programas, realizou “Histórias das Danças”, “Curiosidades Musicais”, “Tribunal de Melodias”, “Anedotário das Profissões” e outras notáveis realizações.
“Meu primeiro ordenado foi de noventa cruzeiros por mês, como ajudante de balcão. Entrava às sete da manhã e trabalhava até às sete da noite, e aos sábados lavava os vidros da casa.
Mais tarde, com dezoito anos, acentuou-se minha inclinação pelo comércio, a qual já me tinha permitido aprender. Sozinho, com estudo e dedicação, contabilidade, escrita fiscal, enfim, a organização de uma casa comercial.
Meu pai faleceu, e ajudava mamãe nas despesas da família, e foi quando surgiu o problema da convocação do Exército, que não me permitiria continuar contribuindo com boa parte do meu ordenado em casa. Havia, então, os Tiros de Guerra e eu me inscrevi na Reserva Naval.
Desde criança, eu gostava multo de cantar, mas não tinha tido companheiros nem liberdade para dar grande expansão às minhas cantorias. Na Marinha entretanto, eu não fazia outra coisa. Por esse tempo o rádio estava tomando incremento e proliferavam os conjuntos musicais. E também organizamos o nosso, o “Bando dos Tangarás”, que se exibiu um dia em frente ao microfone, de onde não saí desde então.
Das duas fases da minha vida — a Marinha e o comércio trouxe duas coisas: da primeira, o apelido, Almirante, do segundo, o espírito de organização e de trabalho que me permite dispender um ano inteiro no estudo e na meticulosa feitura de um programa — receita que sempre tenho seguido e que até hoje tem dado o melhor resultado”.
Fonte: Artigo de "O Malho", de julho/1953.
“Meu primeiro ordenado foi de noventa cruzeiros por mês, como ajudante de balcão. Entrava às sete da manhã e trabalhava até às sete da noite, e aos sábados lavava os vidros da casa.
Mais tarde, com dezoito anos, acentuou-se minha inclinação pelo comércio, a qual já me tinha permitido aprender. Sozinho, com estudo e dedicação, contabilidade, escrita fiscal, enfim, a organização de uma casa comercial.
Meu pai faleceu, e ajudava mamãe nas despesas da família, e foi quando surgiu o problema da convocação do Exército, que não me permitiria continuar contribuindo com boa parte do meu ordenado em casa. Havia, então, os Tiros de Guerra e eu me inscrevi na Reserva Naval.
Desde criança, eu gostava multo de cantar, mas não tinha tido companheiros nem liberdade para dar grande expansão às minhas cantorias. Na Marinha entretanto, eu não fazia outra coisa. Por esse tempo o rádio estava tomando incremento e proliferavam os conjuntos musicais. E também organizamos o nosso, o “Bando dos Tangarás”, que se exibiu um dia em frente ao microfone, de onde não saí desde então.
Das duas fases da minha vida — a Marinha e o comércio trouxe duas coisas: da primeira, o apelido, Almirante, do segundo, o espírito de organização e de trabalho que me permite dispender um ano inteiro no estudo e na meticulosa feitura de um programa — receita que sempre tenho seguido e que até hoje tem dado o melhor resultado”.
Fonte: Artigo de "O Malho", de julho/1953.
domingo, dezembro 22, 2013
Lamartine e Almirante em 1936
quarta-feira, maio 22, 2013
Almirante fala sobre o Carnaval
Na entrevista com a Revista do Rádio, em fevereiro de 1949, Almirante tece comentários sobre antigos carnavais, origens dos seus ritmos, concursos da Prefeitura e outras considerações interessantes.
"Mercê do seu grande conhecimento sobre os assuntos musicais, Almirante é, sem sombra de dúvida, uma das poucas figuras do nosso broadcasting que pode falar com segurança sobre o carnaval, a semelhança das melodias carnavalescas com ritmos de outros povos e a introdução do samba no tríduo da folia.
Assim resolvemos procura-lo em seu gabinete, a fim de ouvi-lo sobre os assuntos em referência. Inicialmente, perguntamos-lhe quando surgiu a primeira música propriamente carnavalesca.
— A primeira, a rigor, foi a da paródia dos “Pompier de Nanterre”, cançoneta francesa, adaptada pelo ator Vasques, que ele cantava com um martelar de bombos, reproduzindo o “Zé Pereira”, que um português de nome José Nogueira de Azevedo Paredes tinha posto em moda aqui no Rio. A cantiga atravessou anos e chegou até nós graças à primeira quadrilha da versalhada do Vasques, que era assim:
E com aquela voz bem conhecida dos rádio-escutas, Almirante cantou:
— "Viva o Zé Pereira / Que a ninguém faz mal! / Viva a bebedeira / Nos dias de Carnaval."
— Acredita que a referida música tenha dado lucros financeiros ao seu autor? — indagamos.
— Não houve e nem podia haver lucro decorrente da cantiga. Naquele tempo, meu caro, não se cogitava de direito autoral...
Prosseguindo, solicitamos ao exclusivo da Tupi que nos traçasse uma ligeira relação das principais músicas de carnaval que apareceram depois.
— É difícil dar uma relação — disse-nos ele. — Em todo o caso, posso apontar o famosíssimo "Abre Alas", de Chiquinha Gonzaga, surgido em 1899 em seguida, o "Vem cá, mulata", de Arquimedes de Oliveira e Bastos Tigre. que esteve em evidência de 1902 a 1906; e o "No bico da chaleira", de Juca Storoni, aparecido em 1909. Isso para falar das primeiras.
— Acha que o ritmo das nossas músicas de carnaval tenha parecença com ritmos de outros povos?
— Acredito que semelhança rítmica, propriamente, pode ser encontrada em certas marchinhas brasileiras, de características acentuadamente portuguesas.
Quisemos saber, em seguida, a opinião do nosso entrevistado sobre qual as melhores músicas, de todos os tempos, que já se fizeram para o Carnaval.
Jeitosamente, disse-nos Almirante:
— Citar algumas e esquecer outras seria cometer uma injustiça. Lembro, entretanto, o "Abre alas" e a magistral adaptação "Teu cabelo não nega", de Lamartine Babo, da marcha "Mulata", dos Irmãos Valença.
— Quando foi introduzido o ritmo do samba nas músicas carnavalescas?
Fez-se uma breve pausa, em que o famoso produtor consultou a memória, após o que nos respondeu:
— O ritmo do samba, a bem dizer, existe no Brasil desde que por aqui se inventaram as polcas-lundus. Quando, a partir de 1916, depois do aparecimento do "Pelo telefone", as músicas passaram para a nova denominação de "samba", os autores ainda tinham dúvidas sobre quais as que deveriam ser batizadas daquela maneira. A princípio, o que mudou foi somente a denominação. Só mais tarde, as músicas foram tomando o feitio que as enquadravam de maneira mais positiva dentro do novo nome. Se o nome “samba” não tivesse sido adotado em 1916 para designar um gênero de música, o “É bom parar...” talvez fosse classificado como polca; o “Ai que saudades da Amélia”, como tango; assim por diante.
— Qual o compositor que, em sua opinião, tenha escrito as melhores músicas de carnaval?
Denotando grande tato, respondeu-nos Almirante, sorrindo:
— Falemos dos mortos, que serão capazes de perdoar com mais facilidade os esquecimentos: Sinhô, Eduardo Souto e Noel Rosa...
— No seu modo de ver, onde está o sucesso de uma composição carnavalesca: na letra ou na melodia?
— Se alguém tivesse a desejada ciência de saber o detalhe psicológico que determina o sucesso de uma música, esse alguém estaria riquíssimo. Mil fatores contribuem para isso. Mas nunca se pode afirmar que seja uma boa melodia ou uma boa letra, pois são infindáveis os exemplos de péssimas músicas e versos pavorosos que acabam em sucessos marcantes. Às vezes, um pequeno detalhe, um quase imperceptível detalhe na melodia, uma simples palavra, um ingênuo efeito rítmico, podem ser o fator imponderável do agracio.
Desejamos saber, então, das músicas para este ano, qual a que lhe parece com mais possibilidades de sucesso.
Fazendo “blague”, respondeu Almirante:
— Francamente — e por mais que isso pareça incrível! Fantástico! Extraordinário! — não pude me demorar em ouvir o que já saiu para 1949...
— Que acha dos concursos da Prefeitura?
— Nenhum certame, por mais honesto que seja, haverá de contentar, não só ao público como, principalmente, aos compositores, quando realizados antes do Carnaval. Orientando os concursos da Prefeitura, em todos os anos, tem havido elementos que não conhecem o assunto como seria necessário. Daí os comprometedores resultados de alguns deles que nunca chegaram a ser olhados com o respeito que deveria merecer uma iniciativa oficial. Concurso de música carnavalesca deveria ser feito depois do carnaval, e por um sistema de consulta à opinião pública, que não pudesse sofrer o cambalacho dos interessados.
Finalizando, quisemos saber alguma coisa mais sobre os festejos carnavalescos no Rio.
— Sobre o carnaval, acho que a Prefeitura deveria proibir terminantemente os alto-falantes pelas ruas; as barraquinhas de comezainas pelas calçadas em pontos tão próximos da Avenida Rio Branco; deveria ressuscitar a tradição das várias bandas em coretos, avenida e, agora, na Presidente Vargas; e o mais importante: animar a volta dos ranchos e dar maior auxílio às grandes sociedades. Uma ideia que talvez desse resultado fosse o reviver as passeatas de caminhões engalanados, em certo dia do carnaval, premiando os mais merecedores e os portadores da melhor música — concluiu Almirante.
Aí estão diversas sugestões bem interessantes. Por que a Prefeitura não as aproveita?”
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Fonte: Revista do Rádio - Fevereiro de 1949.
"Mercê do seu grande conhecimento sobre os assuntos musicais, Almirante é, sem sombra de dúvida, uma das poucas figuras do nosso broadcasting que pode falar com segurança sobre o carnaval, a semelhança das melodias carnavalescas com ritmos de outros povos e a introdução do samba no tríduo da folia.
Assim resolvemos procura-lo em seu gabinete, a fim de ouvi-lo sobre os assuntos em referência. Inicialmente, perguntamos-lhe quando surgiu a primeira música propriamente carnavalesca.
— A primeira, a rigor, foi a da paródia dos “Pompier de Nanterre”, cançoneta francesa, adaptada pelo ator Vasques, que ele cantava com um martelar de bombos, reproduzindo o “Zé Pereira”, que um português de nome José Nogueira de Azevedo Paredes tinha posto em moda aqui no Rio. A cantiga atravessou anos e chegou até nós graças à primeira quadrilha da versalhada do Vasques, que era assim:
E com aquela voz bem conhecida dos rádio-escutas, Almirante cantou:
— "Viva o Zé Pereira / Que a ninguém faz mal! / Viva a bebedeira / Nos dias de Carnaval."
— Acredita que a referida música tenha dado lucros financeiros ao seu autor? — indagamos.
— Não houve e nem podia haver lucro decorrente da cantiga. Naquele tempo, meu caro, não se cogitava de direito autoral...
Prosseguindo, solicitamos ao exclusivo da Tupi que nos traçasse uma ligeira relação das principais músicas de carnaval que apareceram depois.
— É difícil dar uma relação — disse-nos ele. — Em todo o caso, posso apontar o famosíssimo "Abre Alas", de Chiquinha Gonzaga, surgido em 1899 em seguida, o "Vem cá, mulata", de Arquimedes de Oliveira e Bastos Tigre. que esteve em evidência de 1902 a 1906; e o "No bico da chaleira", de Juca Storoni, aparecido em 1909. Isso para falar das primeiras.
— Acha que o ritmo das nossas músicas de carnaval tenha parecença com ritmos de outros povos?
— Acredito que semelhança rítmica, propriamente, pode ser encontrada em certas marchinhas brasileiras, de características acentuadamente portuguesas.
Quisemos saber, em seguida, a opinião do nosso entrevistado sobre qual as melhores músicas, de todos os tempos, que já se fizeram para o Carnaval.
Jeitosamente, disse-nos Almirante:
— Citar algumas e esquecer outras seria cometer uma injustiça. Lembro, entretanto, o "Abre alas" e a magistral adaptação "Teu cabelo não nega", de Lamartine Babo, da marcha "Mulata", dos Irmãos Valença.
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| Revista do Rádio: Duas atitudes de Almirante, apanhadas em seu gabinete de trabalho. A segunda é bem característica, tal como ele estivesse explicando e detalhando dados, em seu vastíssimo arquivo. |
— Quando foi introduzido o ritmo do samba nas músicas carnavalescas?
Fez-se uma breve pausa, em que o famoso produtor consultou a memória, após o que nos respondeu:
— O ritmo do samba, a bem dizer, existe no Brasil desde que por aqui se inventaram as polcas-lundus. Quando, a partir de 1916, depois do aparecimento do "Pelo telefone", as músicas passaram para a nova denominação de "samba", os autores ainda tinham dúvidas sobre quais as que deveriam ser batizadas daquela maneira. A princípio, o que mudou foi somente a denominação. Só mais tarde, as músicas foram tomando o feitio que as enquadravam de maneira mais positiva dentro do novo nome. Se o nome “samba” não tivesse sido adotado em 1916 para designar um gênero de música, o “É bom parar...” talvez fosse classificado como polca; o “Ai que saudades da Amélia”, como tango; assim por diante.
— Qual o compositor que, em sua opinião, tenha escrito as melhores músicas de carnaval?
Denotando grande tato, respondeu-nos Almirante, sorrindo:
— Falemos dos mortos, que serão capazes de perdoar com mais facilidade os esquecimentos: Sinhô, Eduardo Souto e Noel Rosa...
— No seu modo de ver, onde está o sucesso de uma composição carnavalesca: na letra ou na melodia?
— Se alguém tivesse a desejada ciência de saber o detalhe psicológico que determina o sucesso de uma música, esse alguém estaria riquíssimo. Mil fatores contribuem para isso. Mas nunca se pode afirmar que seja uma boa melodia ou uma boa letra, pois são infindáveis os exemplos de péssimas músicas e versos pavorosos que acabam em sucessos marcantes. Às vezes, um pequeno detalhe, um quase imperceptível detalhe na melodia, uma simples palavra, um ingênuo efeito rítmico, podem ser o fator imponderável do agracio.
Desejamos saber, então, das músicas para este ano, qual a que lhe parece com mais possibilidades de sucesso.
Fazendo “blague”, respondeu Almirante:
— Francamente — e por mais que isso pareça incrível! Fantástico! Extraordinário! — não pude me demorar em ouvir o que já saiu para 1949...
— Que acha dos concursos da Prefeitura?
— Nenhum certame, por mais honesto que seja, haverá de contentar, não só ao público como, principalmente, aos compositores, quando realizados antes do Carnaval. Orientando os concursos da Prefeitura, em todos os anos, tem havido elementos que não conhecem o assunto como seria necessário. Daí os comprometedores resultados de alguns deles que nunca chegaram a ser olhados com o respeito que deveria merecer uma iniciativa oficial. Concurso de música carnavalesca deveria ser feito depois do carnaval, e por um sistema de consulta à opinião pública, que não pudesse sofrer o cambalacho dos interessados.
Finalizando, quisemos saber alguma coisa mais sobre os festejos carnavalescos no Rio.
— Sobre o carnaval, acho que a Prefeitura deveria proibir terminantemente os alto-falantes pelas ruas; as barraquinhas de comezainas pelas calçadas em pontos tão próximos da Avenida Rio Branco; deveria ressuscitar a tradição das várias bandas em coretos, avenida e, agora, na Presidente Vargas; e o mais importante: animar a volta dos ranchos e dar maior auxílio às grandes sociedades. Uma ideia que talvez desse resultado fosse o reviver as passeatas de caminhões engalanados, em certo dia do carnaval, premiando os mais merecedores e os portadores da melhor música — concluiu Almirante.
Aí estão diversas sugestões bem interessantes. Por que a Prefeitura não as aproveita?”
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Fonte: Revista do Rádio - Fevereiro de 1949.
terça-feira, janeiro 22, 2013
Rio de Janeiro em versos de samba
Eu nasci em Catumbi / Em Catumbi, em Catumbi / Mas sou filho de Oxalá / Oxalá, Oxalá
Esta quadrinha gostosa é de um samba que J. B. Silva apresentou em 1924, chamado Cabeça de promessa. Dá a mesma medida exata do que tem feito os sambistas cariocas mais autênticos no canto de louvor a sua cidade, no geral, e no seu bairro, de modo especial. Loas e exaltações que tem o seu tanto – e natural – de vaidade, mas de modo aberto, sem o caráter agressivo de outros povos do Brasil e/ou do estrangeiro.
Certo, o Rio tem sido cantado em bloco, como cidade do amor e ventura / que tem mais doçura. Cânticos que têm chegado até a declaração de amor: Rio de Janeiro / gosto de você… Mas é na poesia do bairro que o letrista tem-se excedido, mais como um camelô das virtudes dos seus vizinhos do que, propriamente raciocinando. Grita as vantagens dos seus bairros por gritar, porque lhe faz bem assim proceder. Ou em resposta, responso coral quase, às proclamações de rivais – responso que toma o caráter de peça em detrimento dos rivais.
Assim, José Francisco de Freitas e D. M. Carneiro não faziam, em 1930, mais do que responder a Almirante e Candoca da Anunciação, quando escreveram: No Grajaú, Iaiá / No Grajaú. O seu bairro mais venturoso e mais aventuroso, mesmo, do que a mais longínqua e desértica Pavuna da gente reúna. Afinal, para a Pavuna o convite era:
Vem pra batucada
Que de samba na Pavuna
tem doutor
Que de samba na Pavuna
tem doutor
Ao otimismo malandro dos pavunenses (e isto não quer dizer que os autores do samba, bairrista fossem, necessariamente, seus habitantes), opunham o burguesismo do Grajaú, já então, talvez mais do que hoje, bairro metido a besta. O convite para ida à Pavuna não parecia sensibilizar ao autor da Dondoca e da Zizinha.
As origens das canções de exaltação aos bairros se perdem nos anos imperiais, talvez na própria e minguada cidade colonial. Neste século, entretanto, tais canções se tornaram mais constantes, acompanhando o progresso e o crescimento horizontal e vertical da metrópole. Às vezes, é uma fuga ao bulício do centro comercial o que leva um Hermes Fontes e um Freire Júnior a juntos compor uma coisa tão linda como aquela que declara: Paquetá é céu profundo / Que começa neste mundo / E não sabe onde acabar. É preciso cantar, cantar sempre – como diz a inimitável Nara Leão – e Paquetá era o recanto para a fuga às canseiras do crescente e barulhento Rio de Janeiro. Como um quarto de século depois seria (apenas idealmente) aquele samba bossa-novista primitivo que idolatrava Copacaba / Princesinha do mar…
E a oposição Zona Norte-Zona Sul? Já era tão forte no tempo de Noel Rosa que este antepunha à areia dos piratas de Ary Barroso, das moreninhas sapecas de João de Barro e de Lamartine Babo, uma palmeira de mangue: e o Mangue – que o montanhista Idalicio Manuel de Oliveira Filho sempre soube escalar como ninguém, sendo o dono do assunto nos últimos trinta anos – convenhamos, o Mangue era, por aquela época, puro fogaréu.
O Mangue e toda a Zona Norte. Em 1930, por exemplo, Teobaldo M. Gama lançava na voz de Sílvio Caldas Um Samba no Rocha, descrevendo as vantagens dessa estação da central. Não esqueçamos que
A primeira escola de samba
Nasceu no Estácio de Sá
Nasceu no Estácio de Sá
Aliás, mestre Idalício – bem o sabe o Cony, o Jotaefegê e outros bambas – é cidadão nativo e com muita honra do Estácio. Perto do Estácio, a grande zona do samba, o berço e talvez o túmulo – se o simonal e outros comprimidos favoráveis à dor de cabeça resolverem se abancar por ali. Pois o Rio inteiro cantou quase chorando, já em 1942:
Vão acabar com a praça Onze
Não vai haver mais
Escola de samba, não vai!
Não vai haver mais
Escola de samba, não vai!
Não resta dúvida que o grande samba do Grande Otelo fez história: evitou que a praça Onze se transformasse em simples trecho da avenida Presidente Vargas, conservando um pouco que fosse, das suas tradições. Contudo, amigos da Zona Norte existe a Vila, imortalizada por Noel e Vadico, a Vila Isabel heróica:
Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Idalício não nasceu na Vila, mas sambista mais autêntico não existe – e por isso tem sido visto muitas vezes passeando pela praça Barão de Drummond. Não admira, a Vila, do ponto de vista do samba, atrai, prende, escraviza, mesmo considerando os outros bairros: Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira / Osvaldo Cruz e Matriz…
Mas a Zona Sul – ao contrário do que podem pensar os adventícios, os neófitos e os beócios reunidos – não foi descoberta pela brotoeja bossa-novista. Muito antes, já em 1936, Carmem Miranda e Sílvio Caldas entoavam um sambinha gostoso que dizia:
Quando passarmos
Lá no Leblon
Pra turma ver
Vou fazer assim
Lá no Leblon
Pra turma ver
Vou fazer assim
O tema do samba? Na batida tradicional, no telecoteco, um passeio de automóvel com buzina Fon-Fon – antecipando de muitos anos Il Sorpasso…
No mesmo ano, Ari, mineiro de Ubá, apaixonado pela orla marítima, fazia um samba-comentário indagando:
Será você a tal Suzana
A casta Suzana
Do Posto Seis?
A casta Suzana
Do Posto Seis?
Porém, é evidente – e está o José Lino Grünewald, testemunha auricular dos 78 rpm, para confirmar – que a Zona Norte sempre surrou a Zona Sul em matéria de samba bairrista. Exemplo frisante é aquela marchinha de carnaval: Por um carinho teu / Minha cabrocha / Eu vou até o Irajá / Que me importa que a mula manque. Ou aquele sambinha cantando, simultaneamente, um bairro e sua estréia, minha falecida amiga Zaquia Jorge: Madureira chorou / Madureira chorou de dor. Ou aquele clássico: Vou à Penha / Vou pedir à padroeira.
Naturalmente, de vez em quando os que preferiam aparecer como geógrafos, distribuindo simpatia a vários bairros, se espalhavam. Um deles, em 1937, cantou simultaneamente o bonde e o seu itinerário (Din-Din ou Seu condutor):
O bonde Uruguai
É duzentos que vai
O bonde Tijuca
Me deixa em sinuca
E o Praça Tiradentes
Não serve pra gente
É duzentos que vai
O bonde Tijuca
Me deixa em sinuca
E o Praça Tiradentes
Não serve pra gente
Lamartine, nos idos de 1931, na base da gozação carioca, acabou citando a comunidade que hoje se distribui na rua André Cavalcanti, e então tomava o bonde Silva Manoel, e foi além, brincando com o inglês (idioma) que se chegava (motivo de troça, como todos se lembram, de músicas de Noel e Assis Valente):
I love you
Forget sciaine
Mine Itapiru
Forget sciaine
Mine Itapiru
Acima, uma prova concreta de que a Zona Norte e até a meia Zona Norte ganharam sempre da Zona Sul. Mas há um reduto invencível – e o Estácio, garante o Idalício, é centro, centríssimo! – e este reduto, já o falecido Benedito Lacerda, com sua flauta e sua inspiração, encarregou-se de proclamar o maior ao gritar que A Lapa / está voltando a ser / a Lapa!.
______________________________________________________________________
Paiva. Salviano Cavalcanti de. “Rio de Janeiro em versos de samba”. Correio da Manhã. Rio de Janeiro, 16 de maio de 1965
quinta-feira, setembro 13, 2012
Paulo Netto
Paulo Netto (Paulo Netto de Freitas), apresentador, cantor, compositor e radialista, nasceu em 02 de Julho de 1901 em Santos, SP, na praia de José Menino. Veio para o Rio de Janeiro com cinco anos, morando no bairro da Lapa. Quando jovem aprendeu a tocar violão e como era dono de uma voz grave e muito afinada, começou a freqüentar as grandes rodas de boêmios. Com um metro e noventa de altura recebeu o apelido de “Trepadeira”. Foi um dos fundadores do Rádio, iniciando como cantor, locutor e apresentador dos seus programas.
Trabalhou nas emissoras Rádio Transmissora Brasileira P.R.E - 3 (Programa Grajahú), Sociedade Rádio Nacional P.R.A – 8 (Programa Paulo Netto), Rádio Continental (Programa Suburbano), Rádio Guanabara (Programa Melodias Favoritas) e Rádio Tupi (Programa Hora do Mercado Municipal).
Com seu grande amigo e companheiro Almirante, participava de serestas e shows com o famoso Bando de Tangarás que era formado por Almirante, Braguinha, Noel Rosa e Alvinho.
Como cantor gravou as seguintes músicas: Mulata Fuzileira (de sua autoria com Hervé Cordovil). Coração de picolé (com Jayme Pitolomi), Como é que pode (Hervé Cordovil e Jayme Pitolomi) e Pesado 13 (Noel Rosa), única paródia de Noel Sinhá Ritinha uma música sertaneja, que Paulo Netto gravou acompanhado do Bando dos Tangarás (Disco Parlofon-13.311) de 1931.
Participou de filmes nacionais como Banana da Terra (1939) com Carmem Miranda, Oscarito, Dircinha Batista, Lauro Borges e Castro Barbosa e outros; Laranja da China (1940) com Grande Otelo, Francisco Alves, Virginia Lane, Lauro Borges e Castro Barbosa, Barbosa Júnior e outros; Foot-Ball em Família (1941) com Grande Otelo, Dyrcinha Batista, Jayme Costa, Renato Murce e outros.
Trabalhou muitos anos na Rádio Nacional ao lado de Paulo Tapajós no Departamento Musical. Criava shows em cinemas e teatros, com o elenco de artistas e cantores da Rádio Nacional.
Participou de várias campanhas para a Rainha do Rádio com Ângela Maria, Marlene e Emilinha Borba.
Foi um grande historiador, deixando o seu acervo de documentos, recortes e fotos, para o seu único filho Paulo Netto de Freitas Filho, herdeiro do seu casamento com Morella Viola Netto de Freitas, hoje com 86 anos e dona de uma memória fantástica.
Faleceu em 01 de Outubro de 1981.
Fonte: Revivendo Músicas - Biografias.
Trabalhou nas emissoras Rádio Transmissora Brasileira P.R.E - 3 (Programa Grajahú), Sociedade Rádio Nacional P.R.A – 8 (Programa Paulo Netto), Rádio Continental (Programa Suburbano), Rádio Guanabara (Programa Melodias Favoritas) e Rádio Tupi (Programa Hora do Mercado Municipal).
Com seu grande amigo e companheiro Almirante, participava de serestas e shows com o famoso Bando de Tangarás que era formado por Almirante, Braguinha, Noel Rosa e Alvinho.
Como cantor gravou as seguintes músicas: Mulata Fuzileira (de sua autoria com Hervé Cordovil). Coração de picolé (com Jayme Pitolomi), Como é que pode (Hervé Cordovil e Jayme Pitolomi) e Pesado 13 (Noel Rosa), única paródia de Noel Sinhá Ritinha uma música sertaneja, que Paulo Netto gravou acompanhado do Bando dos Tangarás (Disco Parlofon-13.311) de 1931.
Participou de filmes nacionais como Banana da Terra (1939) com Carmem Miranda, Oscarito, Dircinha Batista, Lauro Borges e Castro Barbosa e outros; Laranja da China (1940) com Grande Otelo, Francisco Alves, Virginia Lane, Lauro Borges e Castro Barbosa, Barbosa Júnior e outros; Foot-Ball em Família (1941) com Grande Otelo, Dyrcinha Batista, Jayme Costa, Renato Murce e outros.
Trabalhou muitos anos na Rádio Nacional ao lado de Paulo Tapajós no Departamento Musical. Criava shows em cinemas e teatros, com o elenco de artistas e cantores da Rádio Nacional.
Participou de várias campanhas para a Rainha do Rádio com Ângela Maria, Marlene e Emilinha Borba.
Foi um grande historiador, deixando o seu acervo de documentos, recortes e fotos, para o seu único filho Paulo Netto de Freitas Filho, herdeiro do seu casamento com Morella Viola Netto de Freitas, hoje com 86 anos e dona de uma memória fantástica.
Faleceu em 01 de Outubro de 1981.
Fonte: Revivendo Músicas - Biografias.
segunda-feira, novembro 08, 2010
Canuto
Canuto (Deocleciano da Silva Paranhos), cantor e instrumentista falecido em 27/11/1932, morou no morro do Salgueiro, Rio de Janeiro, RJ, e foi lutador de boxe. Trabalhou como lustrador de móveis.
Frequentou importantes meios musicais como o Ponto Cém Réis em Vila Isabel onde conviveu com Noel Rosa, Braguinha e outros. Embora de discreta popularidade, atuou ativamente nos anos 1910 e 1920.
Em 1930, seu samba Não quero amor nem carinho foi gravado na Parlophon por João Gabriel de Faria.
Em 1927, teve a canção Canção antiga gravada por Francisco Alves na Odeon. Em 1929, tocou tamborim na gravação do samba Na Pavuna, de Almirante e Homero Dornelas feita por Almirante e o Bando de Tangarás, a primeira em que se utilizou instrumentos de percussão em gravações.
Em 1930, seu samba Não quero amor nem carinho foi gravado na Parlophon por João Gabriel de Faria. Em 1931, os sambas Tu juraste...eu jurei e Vou à Penha rasgado, parcerias com Braguinha foram gravados na Parlophon pelo Bando de Tangarás com vocais de João de Barro. Nesse ano, gravou os sambas Não quero e O amor é um buraco, de sua autoria. No mesmo ano, gravou os sambas Eu agora fiquei mal, de Noel Rosa e Antenor Gargalhada e Esquecer e perdoar, de sua autoria e Noel Rosa.
Teve ainda o samba Já não posso mais, com Almirante, Puruca e Noel Rosa gravado pelo Bando de Tangarás com vocal de Almirante. Em 1932, gravou na Columbia o samba Não julgues que é dor, de sua autoria e Elói do Amparo.
Obra
Esquecer e perdoar (c/ Noel Rosa). Já não posso mais (c/ Almirante, Puruca e Noel Rosa). Não julgues que é dor (c/ Elói do Amparo), Não quero, Não quero amor nem carinho, O amor é um buraco, Tu juraste...eu jurei (c/ Braguinha), Vou à Penha rasgado (c/ Braguinha).
Discografia
(1932) Não julgues que é dor - Columbia - 78; (1931) Não quero / O amor é um buraco - Parlophon - 78; (1931) Eu agora fiquei mal / Esquecer e perdoar - Parlophon - 78
Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira - In: AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982; MARCONDES, Marcos Antônio. (ED). Enciclopédia da Música popular brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed. São Paulo: Art Editora / Publifolha, 1999; VASCONCELOS, Ary. Panorama da música popular brasileira. São Paulo: Martins, 1965.
quarta-feira, outubro 27, 2010
Tava na roda do samba
Tava na roda do samba (samba, 1932) - Salvador Correia
Título da música: Tava na Roda do Samba / Gênero musical: Samba / Intérprete: Almirante e Bando de Tangarás / Compositor: Correia, Salvador / Álbum 33524 / Gravação e lançamento: 00/1932 / Lado A / Disco selo Victor 78 rpm.
Tava na roda do samba
Quando a polícia chegô
Vamos acabá co'esse samba
Que o delegado mandô...oiii (x2)
Vâmo aguentando negrada
Que o samba é dia e lia
E quem não tiver coragem
Que apele pra correria...ôôô (x2)
Tava na roda do samba
Quando a polícia chegô
Vamos acabá co'esse samba
Que o delegado mandô...oiii (x2)
O samba tava enfezando
Combato que com harmonia
Mas a polícia chegando
Moveu com a pancadaria...ôôô (x2)
Tava na roda do samba
Quando a polícia chegô
Vamos acabá co'esse samba
Que o delegado mandô...oiii (x2)
Vâmo acabá com esse samba
Oi, vâmo acabá de uma vez
Que lá vem o delegado
Que vai nos levá pro xadrez...ôôô (x2)
Tava na roda do samba
Quando a polícia chegô
Vamos acabá co'esse samba
Que o delegado mandô...oiii (x2)
Vâmo aguentando negrada
Que o samba é dia e lia
E quem não tiver coragem
Que apele pra correria...ôôô (x2)
Tava na roda do samba
Quando a polícia chegô
Vamos acabá co'esse samba
Que o delegado mandô...oiii (x2)
O samba tava enfezando
Combato que com harmonia
Mas a polícia chegando
Moveu com a pancadaria...ôôô (x2)
Tava na roda do samba
Quando a polícia chegô
Vamos acabá co'esse samba
Que o delegado mandô...oiii (x2)
Vâmo acabá com esse samba
Oi, vâmo acabá de uma vez
Que lá vem o delegado
Que vai nos levá pro xadrez...ôôô (x2)
sexta-feira, março 14, 2008
Vou deixar meu Ceará
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| Almirante |
Vou deixar meu Ceará (toada, 1937) - José de Sá Róris - Intérprete: Almirante
Disco 78 rpm / Título: Vou deixar meu Ceará / Sá Róris (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Benedito Lacerda [1903-1958] e Seu Conjunto Regional (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 29/05/1937 / Lançamento: 07/1937 / Nº do Álbum: 11484 / Nº da Matriz: 5582 / Gênero nusical: Toada sertaneja / Coleções de origem: IMS, Nirez
Disco 78 rpm / Título: Vou deixar meu Ceará / Sá Róris (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Benedito Lacerda [1903-1958] e Seu Conjunto Regional (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 29/05/1937 / Lançamento: 07/1937 / Nº do Álbum: 11484 / Nº da Matriz: 5582 / Gênero nusical: Toada sertaneja / Coleções de origem: IMS, Nirez
Eu vô deixá meu Ceará
Mas eu vorto quando o tempo amiorá
Eu vô deixá meu Ceará
Mas eu vorto quando o tempo amiorá
Já nim canta a saracura
Já nim canta o sabiá
Meu açude já secô
Meus legume se acabô
Vô m'imbora pro Pará
(Vô m'imbora pro Pará)
(refrão)
Já perdi tudo que eu tinha
Cuma é que vô vevê
Meus bichinho tão morrendo
Tudo, tudo se perdendo
Já nem tenho o que comê
(Já nem tenho o que comê)
(refrão)
Vade a mim Nossa Senhora
Vem ouvir minha oração
Manda chuva com fartura
Pra sarvá as criatura
Tenha dó do meu sertão
(Tenha dó do meu sertão)
(refrão)
Lá no céu nenhuma nuvem
Nim choveu no Pioí
Só se vê gente passando
Eu inté já tô chorando
Só de vê que vô parti
(Só de vê que vô parti)
(refrão)
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
segunda-feira, março 10, 2008
Vou me casar no Uruguai
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| Almirante |
Vou me casar no Uruguai (samba-choro, 1935) - Valfrido Silva e Gadé - Intérprete: Almirante
Disco 78 rpm / Título da música: Vou me casar no Uruguai / Gadé, 1904-1969 (Compositor) / Valfrido Silva, 1904-1972 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Gravação: 30/08/1935 / Lançamento: 10/1935 / Nº do Álbum: 11272 / Nº da Matriz: 5131 / Gênero musical: Samba choro / Coleções de origem: IMS, Nirez
Disco 78 rpm / Título da música: Vou me casar no Uruguai / Gadé, 1904-1969 (Compositor) / Valfrido Silva, 1904-1972 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Gravação: 30/08/1935 / Lançamento: 10/1935 / Nº do Álbum: 11272 / Nº da Matriz: 5131 / Gênero musical: Samba choro / Coleções de origem: IMS, Nirez
Eu fico em casa, você tá falando
Se eu vou pra rua, você quer brigar
O nosso gênio não tá combinando
Isso não é vida, eu vou me separar
Se você teima eu também sou teimoso
O nosso tempo vai em discussão
Se você acha que eu não sou bondoso
Arranje um palacete
Saia do meu barracão
Vou lhe dizer que já gastei muitos mil réis
Que estou tratando dos papéis
Para me separar
To arranjando um divórcio camarada
Porque nossa amizade
Hoje em dia não é nada
Nossa união
Vai ter o fim que eu queria
E etcetera e correria
Vai ser bem melhor
Você se vista
E vá pra casa de seu pai
Que eu vou comprar minha passagem
Vou casar lá no Uruguai
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Batucada
Disco 78 rpm / Título da música: Batucada / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Eduardo Souto (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Bando de Tangarás, 1929-1931 (Intérprete) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 13256-a / Nº da Matriz: 3730 / Gravação: 02/08/1930 / Lançamento: Jan/1931 / Gênero musical: Marcha / Coleções: Robespierre Martins Teixeira, Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi
Ô, ô
Nós semo é memo do amô (x2)
Mulatinha frajola
Entra aqui no cordão (cordão)
Que a fuzarca consola
As mágoa que a gente
Traz no coração
(refrão)
Mulata, benzinho
Vem pra mim de uma vez
Dou-te amor e carinho
Dinheiro não tenho
Não sou português
(refrão)
Vou comprá uma redoma
Nela eu vou te guardá (guardá)
Que os malandros te oiando
Meu bem, são capaz
De te profaná
(refrão)
Vem, meu bem, pro Salgueiro
Leblon não vale nada
Pois nos bairros de lá
Mulata, meu anjo
Não tem batucada
(refrão)
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
Batente
Batente (samba/carnaval, 1931) - Almirante
Queria te ver no batente
Sambando com a gente
Do Morro do Salgueiro
Queria te ver sem orgulho
Fazendo barulho
Batendo pandeiro (x2)
Sobe lá no morro
Para ver o que é orgia
Ver a bateria
Ver o tamborim
Ver o cavaquinho
Que só faz é din-din-din
Ver o violão
Como faz bem a marcação
(refrão)
Samba só é samba
Com batuque verdadeiro
Quando tem pandeiro
Marcando a cadência
Quando o centro é feito
Por chocalho e por barrica
Veja como fica
Acompanhado pela cuíca
(refrão)
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
Disco 78 rpm / Título da música: Batente / Almirante, 1908-1980 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Bando de Tangarás, 1929-1931 (Intérprete) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 13242-b / Nº da Matriz: 4006 / Lançamento: Nov/1930 / Gênero musical: Samba / Coleções: Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi
Queria te ver no batente
Sambando com a gente
Do Morro do Salgueiro
Queria te ver sem orgulho
Fazendo barulho
Batendo pandeiro (x2)
Sobe lá no morro
Para ver o que é orgia
Ver a bateria
Ver o tamborim
Ver o cavaquinho
Que só faz é din-din-din
Ver o violão
Como faz bem a marcação
(refrão)
Samba só é samba
Com batuque verdadeiro
Quando tem pandeiro
Marcando a cadência
Quando o centro é feito
Por chocalho e por barrica
Veja como fica
Acompanhado pela cuíca
(refrão)
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
Abandonado
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| Castro Barbosa |
Abandonado! (samba, 1931) - Jonjoca (João de Freitas)
Disco 78 rpm / Título da música: Abandonado! / Jonjoca (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Castro Barbosa (Intérprete) / Jonjoca (Intérprete) / Canhoto (Waldiro Tramontano), 1908-1987 (Acomp.) / Grupo (Acomp.) / Gravadora: Victor / Nº do Álbum: 33481-b / Nº da Matriz: 65253-2 / Gravação: 13/10/1931 / Lançamento: Nov/1931 / Gênero musical: Samba
Abandonado!
Vou vivendo sem você
Para nunca mais sofrê,
Meu bem
Sua amizade
Nunca me deixou saudade
Você pode até morrê
(Abandonado eu vivo)(x2)
Eu por você não vou chorar
Não precisa consolar
Que eu também ia deixar
O amor
Que nos uniu por tanto tempo
E depois
Graças a Deus que acabou
Sem eu sentir que estava
Abandonado!
Vou vivendo sem você
Para nunca mais sofrê,
Meu bem
Sua amizade
Nunca me deixou saudade
Você pode até morrê
(Abandonado eu vivo)(x2)
Eu de você
Já estava cheio
Digo isto sem receio
Porque nunca de mulher
Que nem mesmo
E lastimo em me lembrar
Francamente
Não ter sido isso mais cedo
domingo, fevereiro 17, 2008
Vida marvada
Vida marvada (toada mineira, 1937) - Almirante e Lúcio Azevedo -
Vance num sabe como é bom vive
Numa casinha branca de sapé
Como uma muié a nos fazê carinho
Uma galinha, dois ou três pintinho
Se o sór tá quente a gente arranja rede
Garra a viola presa na parede
Acende o pito gospe e passa o pé
E deixa a vida como Deus quizé
Eh! vida marvada
Não adianta fazer nada
Pru que se esforça
Se não paga a pena trabaiá
Num sei pruque que aqui num nasce nada
É só capim, só mato, espinharada
Não nasce arroz, nem mio, nem feijão
Num sei o que que exeste neste chão
De manhã cedo eu óio pra rocinha
Pra vê se a vez nasceu quarqué coisinha
Mas qual o que não nasceu nada não
Prantando nasce, mas não pranto não
Eh! vida marvada
Não adianta fazer nada
Se não paga a pena trabaiá
Vance num sabe como é bom vive
Numa casinha branca de sapé
Como uma muié a nos fazê carinho
Uma galinha, dois ou três pintinho
Se o sór tá quente a gente arranja rede
Garra a viola presa na parede
Acende o pito gospe e passa o pé
E deixa a vida como Deus quizé
Eh! vida marvada
Não adianta fazer nada
Pru que se esforça
Se não paga a pena trabaiá
Num sei pruque que aqui num nasce nada
É só capim, só mato, espinharada
Não nasce arroz, nem mio, nem feijão
Num sei o que que exeste neste chão
De manhã cedo eu óio pra rocinha
Pra vê se a vez nasceu quarqué coisinha
Mas qual o que não nasceu nada não
Prantando nasce, mas não pranto não
Eh! vida marvada
Não adianta fazer nada
Se não paga a pena trabaiá
Dengo dengo
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| Cardoso de Menezes |
O trecho seguinte da polca “Dengo dengo”, grande sucesso no Carnaval de 1913, foi tirado de uma apresentação radiofônica de Almirante em 1946:
Esta letra (assim como o trecho sonoro acima) foi publicada por Roberto Lapiccirella no site Ao Chiado Brasileiro.
Dengo, dengo, dengo
Ó maninha
Tá chegada a hora
Dos Capicurus
Ó maninha
Ganhar a vitória
Dengo, dengo, dengo
Ó maninha
É de caruru
Quem matou baeta
Ó maninha
Foi carapicu
Eu bem dizia baiana
Dois metros sobrava
Saia do balão
Babadão
Metro e meio dava
Obs.: Gatos, Baetas e Carapirus eram os apelidos das grandes sociedades carnavalescas Fenianos, Tenentes do Diabo e Clube dos Democráticos.
Fonte: As Crônicas Bovinas, Parte 7
domingo, abril 02, 2006
Esta nega qué me dá
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| Canninha - 1928 |
Seu autor, Caninha, aqui em parceria com o bailarino Lezute, foi um dos mais ativos compositores da primeira geração de sambistas, chegando a rivalizar com Sinhô no início dos anos vinte.
Seus sucessos, porém, ficaram restritos a esse período, embora ele tenha vivido até 1961. Frequentador da casa da Tia Ciata, Caninha (Oscar José Luís de Morais) ganhou o apelido quando, adolescente, vendia rolete de cana nas imediações da Central do Brasil, no Rio de Janeiro (Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).
"O Canninha, sempre procurou seguir as pégadas do Sinhô, não logrando, porém, o mesmo successo. Por mais que se esforçasse, o Canninha jamais conseguio siquer aproximar-se do Rei do Samba, ou ter um logar de destaque na sua Côrte...
E' que as produções do conhecido muzicista, quasi sempre peccavam pelo imprevisto... asnatico, tão proprio do popularissimo compositor que teve o topete de dizer que o Maestro Francisco Braga, ouvindo no cinema Odeon este samba manteve com elle o seguinte dialogo :
MAESTRO F. BRAGA: – «Seu Canninha», o senhor sabe muzica ?
CANNINHA: – (risonho e amavel) Maestro eu engulo um bocadinho de cabeça de nota!...
MAESTRO F. BRAGA: – (Enthusiasmado) Pois olhe, seu Canninha, este seu samba, até parece muzica classica !
CANNINHA: - Se isto é verdade, o maestro Francisco Braga está na obrigação de uma grande penitencia perante Santa Cecilia!
Já vae longo este capitulo e o assumpto dá margem a outros. Prometto continuar, porque «piano, piano...»" - Na Roda do Samba - Francisco Guimarães (Vagalume) - Rio de Janeiro, 1933.
Esta nega qué me dá (samba-maxixe, 1921) - Caninha e Lezute
Interpretação do cantor Bahiano em disco Odeon lançado em 1922:
Disco selo: Odeon R / Título da música: Esta nêga qué me dá / José Luis de Moraes "Caninha" / Bahiano (Intérprete) / Nº do Álbum: 121968 / Data de Lançamento: 1922 / Gênero musical: Samba / Coleção de fontes: Nirez
Interpretação de Almirante com A Velha Guarda em 1955:
LP 10' A Velha Guarda / Título da música: Esta Nega Qué Me Dá / "Caninha" (Compositor) / A Velha Guarda (Donga, João da Bahiana e Pixinguinha) (Intérprete) / Almirante (Intérprete) / Gravadora: Sinter / Nº do Álbum: SLP 1038 / Ano: 1955 / Faixa: B1 / Gênero musical: Samba
Esta nega qué mi dá / Eu não fiz nada prá apanhá
Esta nega qué mi dá / Eu não fiz nada prá apanhá
Nega, tu não faz feitiço / Que eu tenho o corpo fechado
Tapa de amor não dói / Por isso apanhou casado
Esta nega qué mi dá / Eu não fiz nada prá apanhá
Esta nega qué mi dá / Eu não fiz nada prá apanhá
Eu tenho os osso quebrado / Quebrado só de apanhá
Oh Nega, toma cuidado! / Que eu também vô te ripá!
Esta nega qué mi dá / Eu não fiz nada prá apanhá
Esta nega qué mi dá / Eu não fiz nada prá apanhá
MAESTRO F. BRAGA: – «Seu Canninha», o senhor sabe muzica ?
CANNINHA: – (risonho e amavel) Maestro eu engulo um bocadinho de cabeça de nota!...
MAESTRO F. BRAGA: – (Enthusiasmado) Pois olhe, seu Canninha, este seu samba, até parece muzica classica !
CANNINHA: - Se isto é verdade, o maestro Francisco Braga está na obrigação de uma grande penitencia perante Santa Cecilia!
Já vae longo este capitulo e o assumpto dá margem a outros. Prometto continuar, porque «piano, piano...»" - Na Roda do Samba - Francisco Guimarães (Vagalume) - Rio de Janeiro, 1933.
Esta nega qué me dá (samba-maxixe, 1921) - Caninha e Lezute
Interpretação do cantor Bahiano em disco Odeon lançado em 1922:
Disco selo: Odeon R / Título da música: Esta nêga qué me dá / José Luis de Moraes "Caninha" / Bahiano (Intérprete) / Nº do Álbum: 121968 / Data de Lançamento: 1922 / Gênero musical: Samba / Coleção de fontes: Nirez
Interpretação de Almirante com A Velha Guarda em 1955:
LP 10' A Velha Guarda / Título da música: Esta Nega Qué Me Dá / "Caninha" (Compositor) / A Velha Guarda (Donga, João da Bahiana e Pixinguinha) (Intérprete) / Almirante (Intérprete) / Gravadora: Sinter / Nº do Álbum: SLP 1038 / Ano: 1955 / Faixa: B1 / Gênero musical: Samba
Esta nega qué mi dá / Eu não fiz nada prá apanhá
Esta nega qué mi dá / Eu não fiz nada prá apanhá
Nega, tu não faz feitiço / Que eu tenho o corpo fechado
Tapa de amor não dói / Por isso apanhou casado
Esta nega qué mi dá / Eu não fiz nada prá apanhá
Esta nega qué mi dá / Eu não fiz nada prá apanhá
Eu tenho os osso quebrado / Quebrado só de apanhá
Oh Nega, toma cuidado! / Que eu também vô te ripá!
Esta nega qué mi dá / Eu não fiz nada prá apanhá
Esta nega qué mi dá / Eu não fiz nada prá apanhá
Fontes: Na Roda do Samba - Francisco Guimarães (Vagalume) - Rio de Janeiro, 1933; A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.
Na casa branca da serra
Segundo Almirante "se há uma modinha que se possa considerar tradicional no Brasil, esta é chamada “Na Casa Branca da Serra”, da autoria de Miguel Emílio Pestana, com versos de Guimarães Passos. Há dezenas de anos que “Na Casa Branca da Serra” tem sido ao mesmo tempo do repertório dos seresteiros de rua como das mais graciosas senhoritas nos elegantes saraus, já em desuso" (O Pessoal da Velha Guarda, 14-12-1950).
Na Casa Branca da Serra (modinha, 1880) - Guimarães Passos e Miguel E. Pestana
Interpretação de Mário Pinheiro em disco Odeon lançado em 1904:
Disco selo: Odeon Record / Título da música: A Casa Branca / Guimarães Passos (Compositor) / Miguel Emídio Pestana (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 40139 / Nº da Matriz: Rx-2 / Lançamento: 1904 / Gênero musical: Modinha / Coleção de Origem: IMS, Nirez
Interpretação de Vicente Celestino em disco RCA Victor lançado em 1961:
Disco 78 rpm / Título da música: Casa Branca da Serra / Guimarães Passos (Compositor) / Miguel Emídio Pestana (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Nº do Álbum: 80-2295-a / Nº da Matriz: M2CAB-1170 / Gravação: 10/Janeiro/1961 / Lançamento: Fevereiro 1961 / Gênero musical: Valsa canção
---C --------G7--------- C -Eº
Na casa branca da serra
Dm---------- Dº----------- C-- C#º
Onde eu ficava horas intei-ras
Bbº----------- Eº------ F7M-- F#º
Entre as esbeltas palmei- ras
G7--------- Dº -----C ---C7
Ficaste calma e feliz
--F7M------------F#º------ C-- C#º
Tudo em meu peito me des- te
---Dm ---------Dº --------C-- C#º
Quando eu pisei na tua ter- ra
------F7M---- F#º-------- C--- C#º
Depois de mim te esqueces- te
------G7--------- G/B ----C-- C#º- Dm- G7
Quando eu deixei teu país.
---C---------- G7-------- C-- Eº
Nunca te visse oh! formo-sa
----Dm -----Dº ----C --C#º
Nunca contigo falas- se
------Bbº---- Eº-------- F7M-- F#º
Antes nunca te encontras- se
----G7------- Dº------ C---- C7
Na minha vida enganosa
----F7M------------ F#º-- C-- C#º
Por que não se abriu a ter- ra
---Dm--------- Dº---------- C-- C#º
Por que os céus não me puni- ram
------F7M ------------F#º-- C-- C#º
Quando os meus olhos te vi- ram
---G7-------- G/B------ C ----C#º Dm G7
Na casa branca da serra.
(Instrumental)
-----C------ G7--- C-- Eº
Embora tudo bendi-go
----Dm---- Dº------ C-- C#º
Desta ditosa lembran- ça
Bbº------------- Eº----- F7M- F#º
Que sem me dar esperan- ça
---G7----------- Dº------ C---- C7
De unir-me ainda contigo
------F7M ----F#º--- C-- C#º
Bendigo a casa da ser- ra
------Dm----- Dº------- C--- C#º
Bendigo as horas faguei- ras
----F7M -------F#º----- C-- C#º
Bendigo as belas palmei- ras
------G7 -----G/B--- C----- C#º Dm G7 C
Queridas da tua terra.
Na Casa Branca da Serra (modinha, 1880) - Guimarães Passos e Miguel E. Pestana
Interpretação de Mário Pinheiro em disco Odeon lançado em 1904:
Disco selo: Odeon Record / Título da música: A Casa Branca / Guimarães Passos (Compositor) / Miguel Emídio Pestana (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 40139 / Nº da Matriz: Rx-2 / Lançamento: 1904 / Gênero musical: Modinha / Coleção de Origem: IMS, Nirez
Interpretação de Vicente Celestino em disco RCA Victor lançado em 1961:
Disco 78 rpm / Título da música: Casa Branca da Serra / Guimarães Passos (Compositor) / Miguel Emídio Pestana (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Nº do Álbum: 80-2295-a / Nº da Matriz: M2CAB-1170 / Gravação: 10/Janeiro/1961 / Lançamento: Fevereiro 1961 / Gênero musical: Valsa canção
---C --------G7--------- C -Eº
Na casa branca da serra
Dm---------- Dº----------- C-- C#º
Onde eu ficava horas intei-ras
Bbº----------- Eº------ F7M-- F#º
Entre as esbeltas palmei- ras
G7--------- Dº -----C ---C7
Ficaste calma e feliz
--F7M------------F#º------ C-- C#º
Tudo em meu peito me des- te
---Dm ---------Dº --------C-- C#º
Quando eu pisei na tua ter- ra
------F7M---- F#º-------- C--- C#º
Depois de mim te esqueces- te
------G7--------- G/B ----C-- C#º- Dm- G7
Quando eu deixei teu país.
---C---------- G7-------- C-- Eº
Nunca te visse oh! formo-sa
----Dm -----Dº ----C --C#º
Nunca contigo falas- se
------Bbº---- Eº-------- F7M-- F#º
Antes nunca te encontras- se
----G7------- Dº------ C---- C7
Na minha vida enganosa
----F7M------------ F#º-- C-- C#º
Por que não se abriu a ter- ra
---Dm--------- Dº---------- C-- C#º
Por que os céus não me puni- ram
------F7M ------------F#º-- C-- C#º
Quando os meus olhos te vi- ram
---G7-------- G/B------ C ----C#º Dm G7
Na casa branca da serra.
(Instrumental)
-----C------ G7--- C-- Eº
Embora tudo bendi-go
----Dm---- Dº------ C-- C#º
Desta ditosa lembran- ça
Bbº------------- Eº----- F7M- F#º
Que sem me dar esperan- ça
---G7----------- Dº------ C---- C7
De unir-me ainda contigo
------F7M ----F#º--- C-- C#º
Bendigo a casa da ser- ra
------Dm----- Dº------- C--- C#º
Bendigo as horas faguei- ras
----F7M -------F#º----- C-- C#º
Bendigo as belas palmei- ras
------G7 -----G/B--- C----- C#º Dm G7 C
Queridas da tua terra.
Fontes: Instituto Moreira Salles; Discografia Brasileira.
sexta-feira, março 31, 2006
Homero Dornellas
Homero Dornellas, compositor, instrumento e professor nasceu no Rio de Janeiro-RJ em 14/12/1901 e faleceu em 28/12/1990. Filho do maestro Sofonias Dornellas, estudou piano e teoria musical com o pai e uma tia, dos sete aos 14 anos.
Em 1916 ingressou no I.N.M., do Rio de Janeiro, na classe de Frederico Nascimento, cursando teoria, solfejo e física acústica. Cinco anos depois, abandonou o piano para dedicar-se exclusivamente ao violoncelo, estudando com Eurico Costa. Foi também aluno de harmonia de Nevvton Pádua e Paulo Silva, e de composição de Lorenzo Fernandez.
Em 1923 passou a atuar como violoncelista em diversos conjuntos sinfônicos e camerísticos, como o da Sociedade de Concertos Sinfônicos, Orquestra Arcângelo Corelli e Orquestra do I.N.M. Paralelamente, tocava em cinemas, acompanhando filmes mudos, em teatros de revista, restaurantes, serviços religiosos e em circos, o que deu origem à sua ligação com a música popular.
Data de 1923 sua primeira composição, Parisete, feita em parceria com o pai, que usava o pseudônimo de Sallendor. Em 1926 passou a se dedicar a composições populares, escrevendo sambas, marchas carnavalescas e foxes, sendo, inclusive, convidado, dois anos depois, para supervisionar e revisar os trabalhos de orquestração, arranjo e harmonização de músicas para o Carnaval na Casa Vieira Machado.
Como compositor popular adotou o pseudônimo de Candoca da Anunciação, consagrando-se definitivamente em 1929 com o samba Na Pavuna (com Almirante), que foi grande sucesso no Carnaval de 1930. Lançado pela Parlophon com Almirante e o Bando de Tangarás, Na Pavuna foi o primeiro disco a reproduzir uma batucada, em estúdio, com instrumental de percussão semelhante ao usado nas ruas durante o Carnaval.
Três anos depois, a convite de Villa-Lobos, passou a trabalhar no SEMA, e em 1939 ingressou, por concurso, na Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro. Dois anos depois, licenciou-se dessa orquestra, transferindo-se para a Sinfônica Brasileira, a chamado de Eugen Szenkar, e em 1941 foi contratado como músico instrumentista da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro. No ano seguinte foi nomeado professor de canto orfeônico e matérias teóricas do Colégio Pedro II.
Deixou o SEMA em 1959 e a Rádio Nacional cinco anos depois, parando de lecionar no Pedro II em 1972. Publicou Orquestras em desfile, Rio de Janeiro, 1974 (que dá relação nominal dos músicos que integraram os diversos conjuntos atuantes no Rio de Janeiro de 1894 a 1974). Em sua carreira, usou ainda dos pseudônimos Romeoh Sallendor, Sallendor Filho e My Self.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.
Em 1916 ingressou no I.N.M., do Rio de Janeiro, na classe de Frederico Nascimento, cursando teoria, solfejo e física acústica. Cinco anos depois, abandonou o piano para dedicar-se exclusivamente ao violoncelo, estudando com Eurico Costa. Foi também aluno de harmonia de Nevvton Pádua e Paulo Silva, e de composição de Lorenzo Fernandez.
Em 1923 passou a atuar como violoncelista em diversos conjuntos sinfônicos e camerísticos, como o da Sociedade de Concertos Sinfônicos, Orquestra Arcângelo Corelli e Orquestra do I.N.M. Paralelamente, tocava em cinemas, acompanhando filmes mudos, em teatros de revista, restaurantes, serviços religiosos e em circos, o que deu origem à sua ligação com a música popular.
Data de 1923 sua primeira composição, Parisete, feita em parceria com o pai, que usava o pseudônimo de Sallendor. Em 1926 passou a se dedicar a composições populares, escrevendo sambas, marchas carnavalescas e foxes, sendo, inclusive, convidado, dois anos depois, para supervisionar e revisar os trabalhos de orquestração, arranjo e harmonização de músicas para o Carnaval na Casa Vieira Machado.
Como compositor popular adotou o pseudônimo de Candoca da Anunciação, consagrando-se definitivamente em 1929 com o samba Na Pavuna (com Almirante), que foi grande sucesso no Carnaval de 1930. Lançado pela Parlophon com Almirante e o Bando de Tangarás, Na Pavuna foi o primeiro disco a reproduzir uma batucada, em estúdio, com instrumental de percussão semelhante ao usado nas ruas durante o Carnaval.
Três anos depois, a convite de Villa-Lobos, passou a trabalhar no SEMA, e em 1939 ingressou, por concurso, na Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro. Dois anos depois, licenciou-se dessa orquestra, transferindo-se para a Sinfônica Brasileira, a chamado de Eugen Szenkar, e em 1941 foi contratado como músico instrumentista da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro. No ano seguinte foi nomeado professor de canto orfeônico e matérias teóricas do Colégio Pedro II.
Deixou o SEMA em 1959 e a Rádio Nacional cinco anos depois, parando de lecionar no Pedro II em 1972. Publicou Orquestras em desfile, Rio de Janeiro, 1974 (que dá relação nominal dos músicos que integraram os diversos conjuntos atuantes no Rio de Janeiro de 1894 a 1974). Em sua carreira, usou ainda dos pseudônimos Romeoh Sallendor, Sallendor Filho e My Self.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.
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