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terça-feira, maio 29, 2018

Zé Carioca - Biografia


Zé Carioca (José do Patrocínio Oliveira), instrumentista, nasceu em Jundiaí SP em 11/02/1904 e faleceu em Los Angeles, Estados Unidos, em 22/12/1987. Já tocava cavaquinho, como amador, na época em que trabalhava como classificador de cobras no Instituto Butantã, de São Paulo SP.


Em 1929 foi convidado para tocar num programa regional, na estréia da Rádio Educadora Paulista (depois Gazeta), uma das primeiras emissoras brasileiras. Com o surgimento da Rádio Cruzeiro do Sul, em 1931, passou a atuar na Orquestra Columbia, dirigida por Gaó, trocando o cavaquinho pelo banjo, o que lhe valeu o apelido de Zezinho do Banjo.

No ano seguinte, César Ladeira levou-o para o Rio de Janeiro, para trabalhar na Rádio Mayrjnk Veiga, onde tocou ao lado de Nelson Souto, Pixinguinha, Garoto, Nelson Boi, Gastão Bueno Lobo e Britinho. Logo depois, acompanhou César Ladeira, quando este se tornou diretor artístico do Cassino da Urca.

Ali conheceu Carmen Miranda e, em 1939, foi para os EUA com a orquestra de Romeu Silva, na qual tocava violão, para cumprir temporada de seis meses no pavilhão brasileiro da Feira Mundial, em New York, participando do filme Serenata tropical, de Irving Cummings. No ano seguinte, apresentou-se. no pavilhão brasileiro da Feira de San Francisco.

Em 1941 assinou contrato com a Twentieth Century Fox e participou, ao lado do Bando da Lua e Carmen Miranda dos filmes Uma noite no Rio, de Irving Cummings, e Aconteceu em Havana, de Walter Lang, entre outros. Na Fox também dublou desenhos animados e conheceu Walt Disney, que, inspirado em sua figura, criou o Zé Carioca, personagem-símbolo do malandro brasileiro no desenho animado de longa metragem Você já foi a Bahia?.

Nos últimos anos, tocou no restaurante Marquis Martoni, em Hollywood. vivendo seis meses nos EUA e seis no Brasil, em São Paulo.

Centenário de nascimento

"No dia onze de fevereiro de 2004 será comemorado o centenário de nascimento de José Patrocínio de Oliveira, natural de Jundiaí, SP. Trabalhava no Instituto Butantã como classificador de cobras (mais tarde ele seria classificado como um dos “cobras” da nossa música) ao mesmo tempo que consolidava seu prestígio como instrumentista.

Freqüentador de rodas onde figuravam os nomes de Américo Jacomino (Canhoto), João Sampaio e Armando Neves, passa a ser conhecido por Zezinho, que era do banjo, cavaquinho, bandolim, violão e dos outros instrumentos que viria a dominar, como o violão tenor e a guitarra havaiana.

No período de 17/02 a 04/03/1928 foi confiado ao prestigiado violonista Canhoto a tarefa de organizar uma Orquestra Típica de instrumentos de cordas, constituída pelos melhores músicos de São Paulo, para se apresentar no suntuoso Salão de Automóveis da General Motors, evento este realizado no Cine Odeon que ficava a Rua da Consolação No 42.

Além de Canhoto, Os nomes de Zezinho, Mota, Carlinhos, Armandinho Neves e João Sampaio eram os de maior destaque. Participava também desta Orquestra um menino franzino de apenas doze anos, empunhando orgulhoso o seu banjo. Este menino era Aníbal Augusto Sardinha( Garoto), que tinha agora em Zezinho seu novo ídolo e mestre. Este foi, ainda que involuntariamente, o grande propulsor da vitoriosa carreira de Garoto que, numa entrevista, confessou: “Devo meu progresso ao Zezinho, pois queria tocar sempre melhor do que ele...”.

Entre 1929 e 1931, pela gravadora Columbia, Zezinho participa em cerca de cento e vinte gravações (Infelizmente não é possível obter o número exato em função da inexistência das fichas técnicas) tocando seus instrumentos ao lado de nomes como João Pernambuco (10), Paraguassú (10), Jaime Redondo (8), Januário de Oliveira (19), Batista Jr (9) e sua filha Dircinha Batista (2), Eurístenes Pires (4), Stefana de Macedo (12), Jararaca (19), Lila Dias (4) e Elsie Houston (13) dentre outros.

Acompanhou ao violão (como segundo violão) a João Pernambuco em boa parte dos registros de sua obra como em “Interrogando”, “Reboliço” e “Sonhos de magia”. Com Stefana de Macedo participou como acompanhante do lançamento de diversas composições de Amélia Brandão Nery que seria conhecida mais tarde por Tia Amélia.

Quase ao mesmo tempo entra em cena uma orquestra com uma sonoridade diferente: “A presença do violino de Ernesto Trepiccioni e do acordeon de José Rieli dava um som romântico a esta orquestra, a rigor menos uma orquestra do que um conjunto instrumental...”, diria Ary Vasconcelos em seu História e inventário do choro.

Esta orquestra, complementada por Gaó (Odmar Amaral Gurgel) ao piano; Atílio Grany na flauta; Petit (Hudson Gaia) ao violão; Jonas Aragão no sax alto e Zezinho no bandolim é a Orquestra Colbaz que gravou na Columbia entre 1930 e 1932 cerca de vinte e seis músicas entre choros e valsas. A ampliação desta orquestra dá origem a famosa Orquestra Columbia, ainda sob a direção de Gaó.

1931 é o ano do grande concurso de música promovido pelo jornal “A Gazeta”, concurso este que motivou uma intensa participação da população de São Paulo (capital) que escolhia seus músicos favoritos, divididos por categorias, através de voto direto. Na categoria banjo, Zezinho obteve expressiva votação (117 323 votos), obtendo o primeiro lugar (nesta categoria Garoto ficou em sexto, com 9 746 votos).

Outros vencedores foram Gaó (piano), Alberto Marino na categoria violino (Trepiccione ficou em segundo e Nestor Amaral em quinto), Larosa Sobrinho (violão), Nabor Pires Camargo (clarinete) e Cárdia (bandolim).

César Ladeira, já no Rio de Janeiro e atuando na rádio Mayrink Veiga, atuava como um embaixador da musica paulistana, trazendo para a então capital da república os novos valores lá revelados. Desta forma aqui chegou Zezinho em 1933, passando logo a integrar o famoso regional da Mayrink.

Em 1936 é a vez de César Ladeira buscar uma turma da pesada; Aimoré, Garoto, Nestor Amaral e Laurindo Almeida. Estes três últimos participaram junto a Zezinho de uma grande aventura: Uma viagem a Europa a bordo no navio Cuiabá. Fizeram escala nos estados mais importantes do nordeste brasileiro antes de partir rumo a Lisboa, Porto, Amsterdam, Berlim e Paris onde por três meses divulgaram a nossa música. Em Paris não puderam desembarcar com os instrumentos musicais devido a alguma lei protecionista.

Assistiram então extasiados a uma apresentação do diabólico duo Stephan Grapelli (violino) e Django Reinhart (violão). Algo novo estava acontecendo ali em termos musicais e eles jamais seriam os mesmos após esta experiência, especialmente Garoto, que acabou por incorporar o fraseado de Django!

Voltam a Mayrink e depois de um breve retorno a São Paulo onde atua junto a Armandinho Neves e Antonio Rago no Regional da Record, Zezinho passa a integrar a Orquestra de Romeu Silva (muito bem reportado por Daniella Thompson) partindo então para os Estados Unidos em 1939 onde iriam se apresentar por seis meses na Feira Internacional de Nova Iorque. Zezinho reencontra seu amigo Garoto quando este, já famoso com seu violão tenor ( foi inclusive chamado de “homem dos dedos de ouro”), lá esteve com Carmen Miranda e o Bando da Lua.

A partir de 1940, Zezinho fixa residência em Los Angeles, já contratado pela Fox. Em 1941, Walt Disney com o papel de “embaixador da boa vizinhança” viaja pela América latina a pretexto de buscar inspiração para a criação de novos personagens. No Brasil, os cartunistas Luis Sá e J. Carlos ajudaram Disney a desenvolver a figura e a personalidade do papagaio “Zé Carioca”, “ personagem concebido para ser a síntese dos laços de amizade entre os estados Unidos e o Brasil”, em acordo com Sidney Ferreira Leite em seu excelente artigo publicado no Estadão em 01/12/2001.

Um problema persistiu por muito tempo: quem iria falar pelo papagaio? Por obra do acaso, Disney estava no mesmo estúdio que Zezinho pelos idos de 1943 e ao ouvi-lo falar percebeu na maneira gingada, malemolente, a voz ideal para o seu papagaio! Nasceu assim o Zé Carioca e o Zezinho, que passaria a usar o mesmo nome do papagaio, era o responsável por sua voz em inúmeros filmes como “Alô amigos” e “Você já foi a Bahia?”.

Este fato rendeu uma fortuna considerável ao Zezinho, que sempre se manteve ligado a musica, como integrante do Bando da Lua e com seu próprio grupo. Infelizmente acabou estigmatizado por conta de sua ligação com Disney (política da boa vizinhança) e com Carmen Miranda.

A casa de Zezinho, de acordo com seu amigo João Cancio de Povoa Filho, era um verdadeiro consulado brasileiro, não faltando ajuda a qualquer músico brasileiro que por lá se aventurasse. Que o diga o nosso violinista Fafá Lemos!

Com a morte de Carmen Miranda terminou o Bando da Lua, nesta altura completamente modificado em relação a sua formação original. Aloísio de Oliveira voltou ao Brasil onde desempenharia importante papel no marketing da Bossa nova e Zezinho lá ficou, com o fardo de seu apelido(Zé Carioca).

Nos seus últimos anos de vida passava seis meses em LA e os outros seis em São Paulo.Faleceu em22/12/1987 em Los Angeles."

(por Jorge Carvalho de Mello)


Aurora Miranda e Zé Carioca no longa-metragem Você já foi à Bahia?.


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira; Zé Carioca (samba & choro).

terça-feira, janeiro 07, 2014

A história do Bando da Lua

Uma brincadeira que deu certo — A verdadeira história do Bando da Lua - Fotos: CARIOCA Abril/1936

O “Bando da Lua” é uma brincadeira de amigos de infância que deu certo. Um grupo de rapazes do mesmo bairro, com vocação para música, formou uma pequena orquestra. Colheu, na vizinhança, os primeiros aplausos. Um dia, os seus componentes tocaram em um estúdio, o da Rádio Sociedade. E, como fizeram sucesso, continuaram a tocar. Não recebiam nada. Até se ofendiam, quando alguém lhes falava em dinheiro.

— Vocês são bobos. Recebam o cachê. Isso de rejeitar, além de ser tolice, estraga o negócio dos outros ...

Um dia, afinal, eles receberam o primeiro salário. Foi uma sensação extraordinária, para todos eles. Os rapazes da avenida Martins da Motta precisaram, então, batizar o seu conjunto, que tocava, ainda pagão, nas nossas difusoras. Um dia, na praia, um sugeriu, olhando a redoma dourada da lua:

— Achei o título! Será “Bando da Lua” ...

O nome ficou. Um do grupo, Aluízio de Oliveira, revelou-se excelente “crooner”. Misto de Bing Crosby e de Rudy Valee, cantando tão bem em português como em inglês. Aluízio fez curso de dentista. Enquanto isso, os outros estudavam também. Ivo Astolpho deu para estudar língua e fala o inglês, espanhol, italiano e alemão. Hélio Jordão Pereira diplomou-se em contabilidade e triunfou, recentemente em um concurso municipal. Oswaldo Eboli faz jornalismo. E os demais têm, também, além da música, algo com que ocupar o espírito.

Duas vezes, já foram a Buenos Aires, com passagem de primeira, ida e volta, e 3.200 pesos de ordenado. Exibiram-se no Broadway e irradiaram na Belgrano. Sucesso absoluto. E ganharam os clássicos “cuatro porotos” de “Caras y Caretas”, que é a classificação dada por essa revista ao melhor número da semana.

Agora, na Rádio Tupy, com um contrato de um semestre, a 3:750S000 mensais, por um conjunto de dez audições, o Bando da Lua teve o seu melhor negócio no “broadcasting” brasileiro. Por todo este ano, ficará o popular conjunto no Brasil, de onde só sairá em 1937 para uma excursão a Buenos Aires e à costa do Pacífico, até Hollywood.

O “Bando da Lua” tem fãs. E muitos fãs. Nosso leitor Oscar Fernandes da Silva, de São Paulo, registra o sucesso desse conjunto, na capital bandeirante, juntamente com Carmen e Aurora Miranda e Almirante. E Ismeninha Ramos, uma leitora de CARIOCA, escreve:

“O “Bando da Lua”, que conjunto sugestivo! ... Mesmo assim, creio que ainda ninguém lembrou mencioná-lo honrosamente, entusiasticamente, no magnífico concurso radiofônico, instituído pela brilhante revista CARIOCA. Psiu! Fiquem quietos... é porque o Bando da Lua nos deixa mudos, taciturnos, com os ouvidos colados ao receptor, para melhor sorvermos o feitiço contagioso de suas músicas. Intérpretes magníficos de músicas populares e “foxes-blues”, os seus componentes galgam vitoriosamente a escada da glória e subirão, subirão, até chegarem a lua, a branca lua que é a madrinha desse grupo jovial de trovadores modernos” ...

Aí está, rapazes. Dividam irmãmente os elogios, como irmãmente dividem os lucros do conjunto... 


Fonte: CARIOCA, de 04/04/1936 - Fotos e texto atualizado.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Baião Ca-Room’ Pa Pa


Baião Ca-Room’ Pa Pa (baião) - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira - Interpretação de Carmen Miranda - Baião de Humberto Teixeira, Luiz Gonzaga e Ray Gilbert, acompanhamento de Vic Shoen e Sua Orquestra e o Bando da Lua, com The Andrews Sisters. Gravada em Los Angeles em 6 de janeiro de 1950 e apresentada no filme “Romance Carioca” (Nancy Goes to Rio, 1950):



Ca room pa pa ca room pa pa…
Eu vou mostrar pra vocês como se dança o baião…
E quem quiser aprender é melhor prestar atenção…
Ca room pa pa pa pa pa pa!…
When you are out on the street…
Out in the tropical heat…
You’ll fall in love with the song…
with the wonderful beat…

Ca ca ca room pa pa…
Tic tic tic tic tic tic ta…
Ca ca ca room pa pa…
Tic tic tic tic tic tic ta…

He’s got the kind of appeal…
That tumbs your hair like a wheel…
And what a wonderful feeling that feeling you feel…

Ca ca ca room pa pa…
Tic tic tic tic tic tic ta…
Ca ca ca room pa pa…
Tic tic tic tic tic tic ta…

Your heart will beat like a bango…
Just like was beating in mine…
The heat of the sun maybe hundred and one…
But you’ll make it hundred and nine…
And there’s more to it yet…
I’m gonna bet you a bet…
That you can pack up and go but you’ll never forget…

Ca ca ca room pa pa…
Tic tic tic tic tic tic ta…
Ca ca ca room pa pa…
Tic tic tic tic tic tic ta…
Ca ca ca room pa pa…
Tic tic tic tic tic tic ta…

Your heart will beat like a bango…
I’m telling you now in advance…
You will sing and be gay twenty hours a day…
The other four hours you’d better dance…
And there’s more to it yet…
I’m gonna bet you a bet…
That you can pack up and go but you’ll never forget…

Ca ca ca room pa pa…
Tic tic tic tic tic tic ta…
Ca ca ca room pa pa…
Tic tic tic tic tic tic ta…
Ca room pa pa pa pa pa!…
Ca room pa pa pa pa pa tic tic tic!…

sábado, novembro 06, 2010

Madrugada

Bando da Lua
Madrugada (samba, 1936) - Amado Régis e Marcílio Vieira

Título da música: Madrugada / Gênero musical: Samba / Intérpretes: Bando da Lua / Compositores:  Regis, Amado - Vieira, Marcílio  / Gravadora Victor   /  Número do Álbum: 34108   /   Data de Gravação:  00/1936 / Data de Lançamento: 00/1936  /  Lado: lado A  /Rotações: Disco 78 rpm:


Enquanto não romper a madrugada
A cuíca há de roncar
E só daremos fim a batucada
Quando o sol no horizonte despontar
(Quando o sol no horizonte despontar)

E quando é noite enluarada
Cantando sem cansar
E a própria lua erra a morada
Ajuda a batucar...

O sol queixou-se à lua um dia
E humildemente ofereceu
De batucar também queria
Ao menos uma vez...

quarta-feira, março 19, 2008

Ora, ora

Bando da Lua
Ora, ora (samba, 1940) - Almanir Grego e Gomes Filho - Intérprete: Bando da Lua

Disco 78 rpm / Título da música: Ora, ora / Almanir Grego (Compositor) / Gomes Filho (Compositor) / Bando da Lua (Intérprete) / Gravadora: Columbia / Gravação: 23/09/1940 / Lançamento: 11/1940 / Nº do Álbum: 55243 / Nº da Matriz: 321-2 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


Ora, ora
Lá vem você outra vez
Perguntar pela mulher
Que lhe abandonou...

Ela agora está em boa companhia
Lava roupa noite e dia
E nunca se queixou, viu!

Ela diz à todo mundo
Que é feliz
E até canta para alguém adormecer

E diziam que essa mulher
Era só chiquê
Qual o quê?
(qual o quê?)



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quarta-feira, março 12, 2008

Chiribiribi quá quá

Ary Barroso
Chiribiribi quá quá (marcha/carnaval, 1937) - Ary Barroso e Antônio Nássara - Interpretação: Bando da Lua

Disco 78 rpm / Título da música: Chiribiribi quá-quá / Ary Barroso (Compositor) / Nássara, 1910-1996 (Compositor) / Bando da Lua (Intérprete) / Gravadora: Victor / Gravação: 23/11/1936 / Lançamento: 12/1936 / Nº do Álbum: 34115 / Nº da Matriz: 80249-1 / Gênero musical: marcha


Chiribiribi quá quá
Chiribiribi quá quá
Nosso amor, há de ser campeão
Chiribiribi quá quá
Chiribiribi quá quá
O juiz o juiz é o coração


Eu procurei fazer um gol no teu amor
Fiquei nervoso e perdi a direção
O juiz apitou sem ter razão
O juiz, o juiz é um ladrão

Pra que juiz marcar o jogo entre nós dois
Si vale "foul", vale "offside" e bofetão
É melhor o juiz lamber sabão
Oh! O juiz, o juiz é um ladrão



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

domingo, março 09, 2008

Lalá

Bando da Lua
Lalá (marcha, 1935) - João de Barro e Alberto Ribeiro - Intérprete: Bando da Lua

Disco 78 rpm / Título da música: Lalá / Alberto Ribeiro, 1902-1971 (Compositor) / João de Barro "Braguinha", 1907-2006 (Compositor) / Bando da Lua (Intérprete) / Gravadora: Victor / Gravação: 27/06/1935 / Lançamento: 08/1935 / Nº do Álbum: 33958 / Nº da Matriz: 79943-1 / Gênero musical: Marcha


Lalá, Lelé, Lili, Loló, Lulu...

Amei Lalá
Mas foi Lelé que me deixou jururu
Lili foi mal
Agora só quero Lulu

Amei Lalá
Mas foi Lelé que me deixou jururu

Lili foi mal
Agora só quero Lulu (Lulu, Lulu)

Eu ando agora tão só
Não tenho Lalá, Lelé, Lili
E não encontro Loló
Eu ando agora tão só
Não tenho Lalá, Lelé, Lili e Loló

Teu coração ò Lulu
É uma prisão, um alçapão
Onde eu cai sem querer
Dele eu não quero fugir
Se um dia eu sair
Eu sei que vou morrer



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sábado, janeiro 12, 2008

Zé Carioca


Zé Carioca (José do Patrocínio Oliveira), instrumentista, nasceu em Jundiaí SP em 11/02/1904 e faleceu em Los Angeles, Estados Unidos, em 22/12/1987. Já tocava cavaquinho, como amador, na época em que trabalhava como classificador de cobras no Instituto Butantã, de São Paulo SP.


Em 1929 foi convidado para tocar num programa regional, na estréia da Rádio Educadora Paulista (depois Gazeta), uma das primeiras emissoras brasileiras. Com o surgimento da Rádio Cruzeiro do Sul, em 1931, passou a atuar na Orquestra Columbia, dirigida por Gaó, trocando o cavaquinho pelo banjo, o que lhe valeu o apelido de Zezinho do Banjo.

No ano seguinte, César Ladeira levou-o para o Rio de Janeiro, para trabalhar na Rádio Mayrjnk Veiga, onde tocou ao lado de Nelson Souto, Pixinguinha, Garoto, Nelson Boi, Gastão Bueno Lobo e Britinho. Logo depois, acompanhou César Ladeira, quando este se tornou diretor artístico do Cassino da Urca.

Ali conheceu Carmen Miranda e, em 1939, foi para os EUA com a orquestra de Romeu Silva, na qual tocava violão, para cumprir temporada de seis meses no pavilhão brasileiro da Feira Mundial, em New York, participando do filme Serenata tropical, de Irving Cummings. No ano seguinte, apresentou-se. no pavilhão brasileiro da Feira de San Francisco.

Em 1941 assinou contrato com a Twentieth Century Fox e participou, ao lado do Bando da Lua e Carmen Miranda dos filmes Uma noite no Rio, de Irving Cummings, e Aconteceu em Havana, de Walter Lang, entre outros. Na Fox também dublou desenhos animados e conheceu Walt Disney, que, inspirado em sua figura, criou o Zé Carioca, personagem-símbolo do malandro brasileiro no desenho animado de longa metragem Você já foi a Bahia?.

Nos últimos anos, tocou no restaurante Marquis Martoni, em Hollywood. vivendo seis meses nos EUA e seis no Brasil, em São Paulo.

Centenário de nascimento

"No dia onze de fevereiro de 2004 será comemorado o centenário de nascimento de José Patrocínio de Oliveira, natural de Jundiaí, SP. Trabalhava no Instituto Butantã como classificador de cobras (mais tarde ele seria classificado como um dos “cobras” da nossa música) ao mesmo tempo que consolidava seu prestígio como instrumentista.

Freqüentador de rodas onde figuravam os nomes de Américo Jacomino (Canhoto), João Sampaio e Armando Neves, passa a ser conhecido por Zezinho, que era do banjo, cavaquinho, bandolim, violão e dos outros instrumentos que viria a dominar, como o violão tenor e a guitarra havaiana.

No período de 17/02 a 04/03/1928 foi confiado ao prestigiado violonista Canhoto a tarefa de organizar uma Orquestra Típica de instrumentos de cordas, constituída pelos melhores músicos de São Paulo, para se apresentar no suntuoso Salão de Automóveis da General Motors, evento este realizado no Cine Odeon que ficava a Rua da Consolação No 42.

Além de Canhoto, Os nomes de Zezinho, Mota, Carlinhos, Armandinho Neves e João Sampaio eram os de maior destaque. Participava também desta Orquestra um menino franzino de apenas doze anos, empunhando orgulhoso o seu banjo. Este menino era Aníbal Augusto Sardinha( Garoto), que tinha agora em Zezinho seu novo ídolo e mestre. Este foi, ainda que involuntariamente, o grande propulsor da vitoriosa carreira de Garoto que, numa entrevista, confessou: “Devo meu progresso ao Zezinho, pois queria tocar sempre melhor do que ele...”.

Entre 1929 e 1931, pela gravadora Columbia, Zezinho participa em cerca de cento e vinte gravações (Infelizmente não é possível obter o número exato em função da inexistência das fichas técnicas) tocando seus instrumentos ao lado de nomes como João Pernambuco (10), Paraguassú (10), Jaime Redondo (8), Januário de Oliveira (19), Batista Jr (9) e sua filha Dircinha Batista (2), Eurístenes Pires (4), Stefana de Macedo (12), Jararaca (19), Lila Dias (4) e Elsie Houston (13) dentre outros.

Acompanhou ao violão (como segundo violão) a João Pernambuco em boa parte dos registros de sua obra como em “Interrogando”, “Reboliço” e “Sonhos de magia”. Com Stefana de Macedo participou como acompanhante do lançamento de diversas composições de Amélia Brandão Nery que seria conhecida mais tarde por Tia Amélia.

Quase ao mesmo tempo entra em cena uma orquestra com uma sonoridade diferente: “A presença do violino de Ernesto Trepiccioni e do acordeon de José Rieli dava um som romântico a esta orquestra, a rigor menos uma orquestra do que um conjunto instrumental...”, diria Ary Vasconcelos em seu História e inventário do choro.

Esta orquestra, complementada por Gaó (Odmar Amaral Gurgel) ao piano; Atílio Grany na flauta; Petit (Hudson Gaia) ao violão; Jonas Aragão no sax alto e Zezinho no bandolim é a Orquestra Colbaz que gravou na Columbia entre 1930 e 1932 cerca de vinte e seis músicas entre choros e valsas. A ampliação desta orquestra dá origem a famosa Orquestra Columbia, ainda sob a direção de Gaó.

1931 é o ano do grande concurso de música promovido pelo jornal “A Gazeta”, concurso este que motivou uma intensa participação da população de São Paulo (capital) que escolhia seus músicos favoritos, divididos por categorias, através de voto direto. Na categoria banjo, Zezinho obteve expressiva votação (117 323 votos), obtendo o primeiro lugar (nesta categoria Garoto ficou em sexto, com 9 746 votos).

Outros vencedores foram Gaó (piano), Alberto Marino na categoria violino (Trepiccione ficou em segundo e Nestor Amaral em quinto), Larosa Sobrinho (violão), Nabor Pires Camargo (clarinete) e Cárdia (bandolim).

César Ladeira, já no Rio de Janeiro e atuando na rádio Mayrink Veiga, atuava como um embaixador da musica paulistana, trazendo para a então capital da república os novos valores lá revelados. Desta forma aqui chegou Zezinho em 1933, passando logo a integrar o famoso regional da Mayrink.

Em 1936 é a vez de César Ladeira buscar uma turma da pesada; Aimoré, Garoto, Nestor Amaral e Laurindo Almeida. Estes três últimos participaram junto a Zezinho de uma grande aventura: Uma viagem a Europa a bordo no navio Cuiabá. Fizeram escala nos estados mais importantes do nordeste brasileiro antes de partir rumo a Lisboa, Porto, Amsterdam, Berlim e Paris onde por três meses divulgaram a nossa música. Em Paris não puderam desembarcar com os instrumentos musicais devido a alguma lei protecionista.

Assistiram então extasiados a uma apresentação do diabólico duo Stephan Grapelli (violino) e Django Reinhart (violão). Algo novo estava acontecendo ali em termos musicais e eles jamais seriam os mesmos após esta experiência, especialmente Garoto, que acabou por incorporar o fraseado de Django!

Voltam a Mayrink e depois de um breve retorno a São Paulo onde atua junto a Armandinho Neves e Antonio Rago no Regional da Record, Zezinho passa a integrar a Orquestra de Romeu Silva (muito bem reportado por Daniella Thompson) partindo então para os Estados Unidos em 1939 onde iriam se apresentar por seis meses na Feira Internacional de Nova Iorque. Zezinho reencontra seu amigo Garoto quando este, já famoso com seu violão tenor ( foi inclusive chamado de “homem dos dedos de ouro”), lá esteve com Carmen Miranda e o Bando da Lua.

A partir de 1940, Zezinho fixa residência em Los Angeles, já contratado pela Fox. Em 1941, Walt Disney com o papel de “embaixador da boa vizinhança” viaja pela América latina a pretexto de buscar inspiração para a criação de novos personagens. No Brasil, os cartunistas Luis Sá e J. Carlos ajudaram Disney a desenvolver a figura e a personalidade do papagaio “Zé Carioca”, “ personagem concebido para ser a síntese dos laços de amizade entre os estados Unidos e o Brasil”, em acordo com Sidney Ferreira Leite em seu excelente artigo publicado no Estadão em 01/12/2001.

Um problema persistiu por muito tempo: quem iria falar pelo papagaio? Por obra do acaso, Disney estava no mesmo estúdio que Zezinho pelos idos de 1943 e ao ouvi-lo falar percebeu na maneira gingada, malemolente, a voz ideal para o seu papagaio! Nasceu assim o Zé Carioca e o Zezinho, que passaria a usar o mesmo nome do papagaio, era o responsável por sua voz em inúmeros filmes como “Alô amigos” e “Você já foi a Bahia?”.

Este fato rendeu uma fortuna considerável ao Zezinho, que sempre se manteve ligado a musica, como integrante do Bando da Lua e com seu próprio grupo. Infelizmente acabou estigmatizado por conta de sua ligação com Disney (política da boa vizinhança) e com Carmen Miranda.

A casa de Zezinho, de acordo com seu amigo João Cancio de Povoa Filho, era um verdadeiro consulado brasileiro, não faltando ajuda a qualquer músico brasileiro que por lá se aventurasse. Que o diga o nosso violinista Fafá Lemos!

Com a morte de Carmen Miranda terminou o Bando da Lua, nesta altura completamente modificado em relação a sua formação original. Aloísio de Oliveira voltou ao Brasil onde desempenharia importante papel no marketing da Bossa nova e Zezinho lá ficou, com o fardo de seu apelido(Zé Carioca).

Nos seus últimos anos de vida passava seis meses em LA e os outros seis em São Paulo.Faleceu em22/12/1987 em Los Angeles."

(por Jorge Carvalho de Mello)


Aurora Miranda e Zé Carioca no longa-metragem Você já foi à Bahia?.


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira; Zé Carioca (samba & choro).

terça-feira, abril 04, 2006

Bando da Lua


Bando da Lua - Conjunto vocal formado em 1931 no Rio de Janeiro RJ, por Aloysio de Oliveira, violão e vocal; Hélio Jordão Pereira (Rio de Janeiro 1914-), violão; Vadeco (Osvaldo de Morais Éboli, Rio de Janeiro 1912-), pandeiro; Ivo Astolfi (1910-), violão tenor e banjo; e os irmãos Afonso Osório (Aracati CE 1913-Rio de Janeiro ?), ritmo e flautinha, Armando Osório (Aracati ?-?), violão, e Stênio Osório (Aracati 1909-Rio de Janeiro 1993), cavaquinho.


Antes faziam parte do Bloco do Bimbo, constituído de uns 30 rapazes de classe média, na maioria estudantes, que ganhou taça como o melhor conjunto musical do Flamengo. Reduzidos a sete elementos, fizeram-se ouvir pelo maestro J.Tomás, que os levou a um teste na gravadora Parlophon, sem resultado. O nome Bando da Lua foi sugestão de Nelson Gomes Pereira, primo de Hélio Jordão. Numa festa, o violonista Josué de Barros gostou deles, ensaiou-os e conseguiu gravação na Brunswick, que nesse momento estava fechando. No disco inaugural, cantaram Que tal a vida?, solo vocal de Aloysio, e Tá de mona, solo de Castro Barbosa, que apenas colaborava. Ambos os sambas eram de Maércio de Azevedo e Oldemar Gomes Pereira (Mazinho).

Voltaram a gravar somente em 1933, na Odeon, lançando no Carnaval um disco com a marcha Opa opa e o samba É tua sina, ambas de Maércio e Mazinho. Na Odeon, ainda fizeram um disco no meio do ano. Em 1934 foram para a gravadora Victor, já com um sucesso no Carnaval desse ano, a marcha A hora é boa, de Mazinho e Aluísio. Nessa altura já haviam criado estilo próprio e apresentavam novidades vocais e instrumentais. Excursionaram nesse ano, pela primeira vez, à Argentina, embarcando com Carmen Miranda. Embora contratados pela Radio Belgrano, de Buenos Aires, para programas separados, fizeram acompanhamento para Carmen. Na volta da Argentina, Armando desligou-se do grupo para ser bancário em Porto Alegre RS, fixando-se definitivamente em seis o número de elementos.

No Carnaval de 1935, lançaram com sucesso a marcha Segure na mão (Enéias e Martinez Grau) e, no meio do ano, o samba Mangueira (Assis Valente e Zequinha Reis). Nesse ano, também estrearam no cinema, no filme carnavalesco Alô, alô Brasil, de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro, no qual cantaram com Almirante a marcha Deixa a lua sossegada (João de Barro e Alberto Ribeiro), ao qual se seguiu Estudantes, de Wallace Downey. No final do ano realizaram nova temporada na Argentina.

No Carnaval de 1936, lançaram as marchas Não resta a menor dúvida (Noel Rosa e Hervé Cordovil) e Negócios de família (Assis Valente), que também cantaram no filme Alô, alô Carnaval, de Ademar Gonzaga. O maior sucesso veio com Maria Boa (Assis Valente). Nesse ano fizeram duas temporadas na Argentina.

No Carnaval de 1937, Assis Valente deu-lhes novos sucessos com os sambas Que é que Maria tem? e Cansado de sambar. Nesse ano, realizaram nova temporada, de quatro meses, pelo Prata, atuando na Radio El Mundo, de Buenos Aires, em teatros, em Baía Blanca e Rosário e na Radio Carve, de Montevidéu.

No Carnaval de 1938, fizeram sucesso com a marcha Bola preta (Assis Valente) e depois retornaram à Argentina, seguida do Chile, excursão que não se estendeu ao Peru e à Colômbia porque Stênio adoeceu. Começou aí a ligação artística com Carmen Miranda. Numa das noites em que se apresentavam com Carmen no Cassino da Urca, estava presente o empresário teatral americano Lee Shubert, que a convidou a ir aos E.U.A. Ela aceitou, com a condição da ida do Bando da Lua. O conjunto também se comprometeu a cantar no pavilhão brasileiro da Feira Mundial de New York, que estava para ser inaugurada.

Embarcaram em 1939, com estreia na revista Streets of Paris, com grande sucesso. Meses depois, Ivo voltou para o Brasil, sendo substituído por Garoto (Aníbal Augusto Sardinha), que chegou a tempo de participar dos discos de Carmen Miranda na Decca e do seu filme, Serenata tropical (Down Argentine Way), da 20th Century-Fox. Na Decca, além do acompanhamento de Carmen, gravaram vários discos sozinhos, e, com o nome de Bando Carioca, a parte rítmica de gravações de músicas brasileiras e latino-americanas.

Voltaram com Carmen Miranda ao Brasil em 1940, para uma breve permanência, gravando então quatro músicas na Columbia para o Carnaval de 1941, com destaque para Samba da minha terra (Dorival Caymmi). Garoto preferiu ficar no Brasil, e foi substituído pelo cantor e violonista Nestor Amaral.


De 1931 a 1940, lançaram em nosso país 38 discos em 78 rpm, com 74 músicas, sendo 62 pela Victor. Em 1942 foi a vez de Hélio Jordão sair. Em 1944, Vadeco voltou ao Brasil, podendo ser considerado esse o fim do Bando da Lua original, que participou dos primeiros oito filmes de Carmen Miranda e de todos os seus espetáculos americanos.

Em 1948, Aloysio remontou o conjunto com elementos dissidentes dos Anjos do Inferno, que estavam nos EUA. Nessa segunda fase, ficou formado por Aloysio, solista vocal e violão, Lulu (Aluísio Antunes Ferreira), violão, Harry Vasco de Almeida, pistom e ritmo, e Russinho (José Ferreira Soares), pandeiro. Gravaram vários discos, um deles sendo escolhido pela revista Metronome, em 1950, como disco do mês. Nesse disco interpretaram Rag mop samba (Lee Wills, Anderson e Aluísio) e Bibbidi-bobbidi-boo (Hoffman, Livingston e David E. Santos).

Em 1954, a versão do antigo sucesso de Glenn Miller In the Mood (Garland e Razaf), que Aloysio transformou num bem-humorado Edmundo, também foi sucesso. Com a morte de Carmen Miranda em 1955, o conjunto se desfez. O conjunto foi o primeiro no Brasil a harmonizar as vozes e a fazer sucesso no exterior, servindo como modelo para vários outros grupos posteriores.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.