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terça-feira, maio 29, 2018

Zé Carioca - Biografia


Zé Carioca (José do Patrocínio Oliveira), instrumentista, nasceu em Jundiaí SP em 11/02/1904 e faleceu em Los Angeles, Estados Unidos, em 22/12/1987. Já tocava cavaquinho, como amador, na época em que trabalhava como classificador de cobras no Instituto Butantã, de São Paulo SP.


Em 1929 foi convidado para tocar num programa regional, na estréia da Rádio Educadora Paulista (depois Gazeta), uma das primeiras emissoras brasileiras. Com o surgimento da Rádio Cruzeiro do Sul, em 1931, passou a atuar na Orquestra Columbia, dirigida por Gaó, trocando o cavaquinho pelo banjo, o que lhe valeu o apelido de Zezinho do Banjo.

No ano seguinte, César Ladeira levou-o para o Rio de Janeiro, para trabalhar na Rádio Mayrjnk Veiga, onde tocou ao lado de Nelson Souto, Pixinguinha, Garoto, Nelson Boi, Gastão Bueno Lobo e Britinho. Logo depois, acompanhou César Ladeira, quando este se tornou diretor artístico do Cassino da Urca.

Ali conheceu Carmen Miranda e, em 1939, foi para os EUA com a orquestra de Romeu Silva, na qual tocava violão, para cumprir temporada de seis meses no pavilhão brasileiro da Feira Mundial, em New York, participando do filme Serenata tropical, de Irving Cummings. No ano seguinte, apresentou-se. no pavilhão brasileiro da Feira de San Francisco.

Em 1941 assinou contrato com a Twentieth Century Fox e participou, ao lado do Bando da Lua e Carmen Miranda dos filmes Uma noite no Rio, de Irving Cummings, e Aconteceu em Havana, de Walter Lang, entre outros. Na Fox também dublou desenhos animados e conheceu Walt Disney, que, inspirado em sua figura, criou o Zé Carioca, personagem-símbolo do malandro brasileiro no desenho animado de longa metragem Você já foi a Bahia?.

Nos últimos anos, tocou no restaurante Marquis Martoni, em Hollywood. vivendo seis meses nos EUA e seis no Brasil, em São Paulo.

Centenário de nascimento

"No dia onze de fevereiro de 2004 será comemorado o centenário de nascimento de José Patrocínio de Oliveira, natural de Jundiaí, SP. Trabalhava no Instituto Butantã como classificador de cobras (mais tarde ele seria classificado como um dos “cobras” da nossa música) ao mesmo tempo que consolidava seu prestígio como instrumentista.

Freqüentador de rodas onde figuravam os nomes de Américo Jacomino (Canhoto), João Sampaio e Armando Neves, passa a ser conhecido por Zezinho, que era do banjo, cavaquinho, bandolim, violão e dos outros instrumentos que viria a dominar, como o violão tenor e a guitarra havaiana.

No período de 17/02 a 04/03/1928 foi confiado ao prestigiado violonista Canhoto a tarefa de organizar uma Orquestra Típica de instrumentos de cordas, constituída pelos melhores músicos de São Paulo, para se apresentar no suntuoso Salão de Automóveis da General Motors, evento este realizado no Cine Odeon que ficava a Rua da Consolação No 42.

Além de Canhoto, Os nomes de Zezinho, Mota, Carlinhos, Armandinho Neves e João Sampaio eram os de maior destaque. Participava também desta Orquestra um menino franzino de apenas doze anos, empunhando orgulhoso o seu banjo. Este menino era Aníbal Augusto Sardinha( Garoto), que tinha agora em Zezinho seu novo ídolo e mestre. Este foi, ainda que involuntariamente, o grande propulsor da vitoriosa carreira de Garoto que, numa entrevista, confessou: “Devo meu progresso ao Zezinho, pois queria tocar sempre melhor do que ele...”.

Entre 1929 e 1931, pela gravadora Columbia, Zezinho participa em cerca de cento e vinte gravações (Infelizmente não é possível obter o número exato em função da inexistência das fichas técnicas) tocando seus instrumentos ao lado de nomes como João Pernambuco (10), Paraguassú (10), Jaime Redondo (8), Januário de Oliveira (19), Batista Jr (9) e sua filha Dircinha Batista (2), Eurístenes Pires (4), Stefana de Macedo (12), Jararaca (19), Lila Dias (4) e Elsie Houston (13) dentre outros.

Acompanhou ao violão (como segundo violão) a João Pernambuco em boa parte dos registros de sua obra como em “Interrogando”, “Reboliço” e “Sonhos de magia”. Com Stefana de Macedo participou como acompanhante do lançamento de diversas composições de Amélia Brandão Nery que seria conhecida mais tarde por Tia Amélia.

Quase ao mesmo tempo entra em cena uma orquestra com uma sonoridade diferente: “A presença do violino de Ernesto Trepiccioni e do acordeon de José Rieli dava um som romântico a esta orquestra, a rigor menos uma orquestra do que um conjunto instrumental...”, diria Ary Vasconcelos em seu História e inventário do choro.

Esta orquestra, complementada por Gaó (Odmar Amaral Gurgel) ao piano; Atílio Grany na flauta; Petit (Hudson Gaia) ao violão; Jonas Aragão no sax alto e Zezinho no bandolim é a Orquestra Colbaz que gravou na Columbia entre 1930 e 1932 cerca de vinte e seis músicas entre choros e valsas. A ampliação desta orquestra dá origem a famosa Orquestra Columbia, ainda sob a direção de Gaó.

1931 é o ano do grande concurso de música promovido pelo jornal “A Gazeta”, concurso este que motivou uma intensa participação da população de São Paulo (capital) que escolhia seus músicos favoritos, divididos por categorias, através de voto direto. Na categoria banjo, Zezinho obteve expressiva votação (117 323 votos), obtendo o primeiro lugar (nesta categoria Garoto ficou em sexto, com 9 746 votos).

Outros vencedores foram Gaó (piano), Alberto Marino na categoria violino (Trepiccione ficou em segundo e Nestor Amaral em quinto), Larosa Sobrinho (violão), Nabor Pires Camargo (clarinete) e Cárdia (bandolim).

César Ladeira, já no Rio de Janeiro e atuando na rádio Mayrink Veiga, atuava como um embaixador da musica paulistana, trazendo para a então capital da república os novos valores lá revelados. Desta forma aqui chegou Zezinho em 1933, passando logo a integrar o famoso regional da Mayrink.

Em 1936 é a vez de César Ladeira buscar uma turma da pesada; Aimoré, Garoto, Nestor Amaral e Laurindo Almeida. Estes três últimos participaram junto a Zezinho de uma grande aventura: Uma viagem a Europa a bordo no navio Cuiabá. Fizeram escala nos estados mais importantes do nordeste brasileiro antes de partir rumo a Lisboa, Porto, Amsterdam, Berlim e Paris onde por três meses divulgaram a nossa música. Em Paris não puderam desembarcar com os instrumentos musicais devido a alguma lei protecionista.

Assistiram então extasiados a uma apresentação do diabólico duo Stephan Grapelli (violino) e Django Reinhart (violão). Algo novo estava acontecendo ali em termos musicais e eles jamais seriam os mesmos após esta experiência, especialmente Garoto, que acabou por incorporar o fraseado de Django!

Voltam a Mayrink e depois de um breve retorno a São Paulo onde atua junto a Armandinho Neves e Antonio Rago no Regional da Record, Zezinho passa a integrar a Orquestra de Romeu Silva (muito bem reportado por Daniella Thompson) partindo então para os Estados Unidos em 1939 onde iriam se apresentar por seis meses na Feira Internacional de Nova Iorque. Zezinho reencontra seu amigo Garoto quando este, já famoso com seu violão tenor ( foi inclusive chamado de “homem dos dedos de ouro”), lá esteve com Carmen Miranda e o Bando da Lua.

A partir de 1940, Zezinho fixa residência em Los Angeles, já contratado pela Fox. Em 1941, Walt Disney com o papel de “embaixador da boa vizinhança” viaja pela América latina a pretexto de buscar inspiração para a criação de novos personagens. No Brasil, os cartunistas Luis Sá e J. Carlos ajudaram Disney a desenvolver a figura e a personalidade do papagaio “Zé Carioca”, “ personagem concebido para ser a síntese dos laços de amizade entre os estados Unidos e o Brasil”, em acordo com Sidney Ferreira Leite em seu excelente artigo publicado no Estadão em 01/12/2001.

Um problema persistiu por muito tempo: quem iria falar pelo papagaio? Por obra do acaso, Disney estava no mesmo estúdio que Zezinho pelos idos de 1943 e ao ouvi-lo falar percebeu na maneira gingada, malemolente, a voz ideal para o seu papagaio! Nasceu assim o Zé Carioca e o Zezinho, que passaria a usar o mesmo nome do papagaio, era o responsável por sua voz em inúmeros filmes como “Alô amigos” e “Você já foi a Bahia?”.

Este fato rendeu uma fortuna considerável ao Zezinho, que sempre se manteve ligado a musica, como integrante do Bando da Lua e com seu próprio grupo. Infelizmente acabou estigmatizado por conta de sua ligação com Disney (política da boa vizinhança) e com Carmen Miranda.

A casa de Zezinho, de acordo com seu amigo João Cancio de Povoa Filho, era um verdadeiro consulado brasileiro, não faltando ajuda a qualquer músico brasileiro que por lá se aventurasse. Que o diga o nosso violinista Fafá Lemos!

Com a morte de Carmen Miranda terminou o Bando da Lua, nesta altura completamente modificado em relação a sua formação original. Aloísio de Oliveira voltou ao Brasil onde desempenharia importante papel no marketing da Bossa nova e Zezinho lá ficou, com o fardo de seu apelido(Zé Carioca).

Nos seus últimos anos de vida passava seis meses em LA e os outros seis em São Paulo.Faleceu em22/12/1987 em Los Angeles."

(por Jorge Carvalho de Mello)


Aurora Miranda e Zé Carioca no longa-metragem Você já foi à Bahia?.


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira; Zé Carioca (samba & choro).

Romeu Silva - Biografia


Romeu Silva, regente, instrumentista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 11/02/1893 e faleceu na mesma cidade em 01/05/1958. Funcionário dos Correios em 1911, tocava saxofone na orquestra do rancho Ameno Resedá, da qual foi um dos primeiros integrantes.


Naquele ano atuou ainda na orquestra da Sociedade Dançante Carnavalesca Ninho do Amor, dirigida por Álvaro Sandim, o mesmo maestro que depois foi diretor de harmonia e líder da orquestra do Rancho Flor do Abacate, onde Romeu Silva tocou em 1913.

Dez anos depois integrava um conjunto do maestro Eduardo Souto, que deixou para formar sua própria orquestra, o Jazz-Band Sul-Americano, depois chamado Jazz-Band Sul-Americano Romeu Silva, tocando em festas, cabarés e na sala de espera do Cine Palais.

Gravou seu primeiro disco por volta de 1924, um 76 rpm de gravação mecânica da Odeon, com os maxixes Tênis Clube de Petrópolis (Sílvio de Sousa) e Lolote estrilando (Mário Silva). Por essa época começou a compor maxixes, dois dos quais foram gravados em 1925 com sua orquestra, na Odeon, Fubá e Dor de cabeça.

No mesmo ano obteve do ministro do Exterior Félix Pacheco uma verba para excursionar pela Europa com seu grupo musical, fazendo divulgação do Brasil. Assim, tocou samba, maxixe e frevo durante vários anos em Portugal, Espanha, França, Bélgica, Suíça, Alemanha, Inglaterra e Itália. No exterior ainda, gravou alguns discos com a famosa cantora Josephine Bake, entre os quais La petite tonkinoise (Vincent Scotts).

Retornando ao Brasil, ficou pouco tempo, seguindo em 1932 para Los Angeles, EUA, acompanhando uma delegação de atletas brasileiros aos Jogos Olímpicos, com a Brazilian Olympic Eand.

Três anos depois, voltou ao país, trazendo vários músicos estrangeiros para sua orquestra, entre os quais o crooner Louis Cole e o sax-alto e clarineta Booker Pittman, contando ainda com Fernando (guitarra), Mário Silva (trompete) e All Pratt (sax-alto), além de Valfrido Silva (baterista). Atuava em cafés, cinemas, teatros e nos cassinos Atlântico e Urca, tendo, pouco depois, acompanhado Carmen Miranda em excursão à Argentina.

Em 1939, foi para os EUA para atuar no Pavilhão Brasileiro da Feira Mundial de New York, levando entre outros Vadico (piano), Zacarias (sax-alto e clarineta), Fernando (guitarra e crooner), Zé Carioca (violão) e Sut (bateria). No ano seguinte, participou de um festival de música brasileira no Museu de Arte Moderna, de New York.

Retornando ao Brasil em fins de 1940, tocou no Cassino da Urca durante seis anos, até seu fechamento. A orquestra foi então desfeita, e ele passou a viver de um emprego no funcionalismo público municipal.

São de sua autoria: Alvinitente, marcha-rancho, 1922; Cousas da moda, maxixe, 1925; Dor de cabeça, maxixe, 1925; Fubá, maxixe, 1925; Glorinha, xótis, 1927; Se papai souber, maxixe-samba, 1927; Tricolor, maxixe, 1927.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

domingo, dezembro 26, 2010

Fats Elpídio

Fats Elpídio (Elpídio Salas Meneses Pessoa), instrumentista, nasceu em Paudalho, PE, em 7/7/1913—. Aprendeu a tocar piano com o pai, desde os oito anos de idade.

Em 1930 mudou-se para Recife PE e estreou como pianista na Orquestra de Jonas Silva. De 1932 a 1935 apresentou-se em estações de rádio e clubes dessa capital, com os Irmãos Pessoa, grupo formado por membros de sua família: seu pai, sua mãe e irmão Pernambuco (Aires Pessoa).

Em 1937 foi para o Rio de Janeiro RJ, contratado pela Orquestra de Romeu Silva, que atuava no Cassino Beira-Mar, excursionando pela Argentina no mesmo ano.

Grande incentivador do jazz, em 1938 realizou o I Concerto de Jazz do Rio, no Fluminense Futebol Clube.

De 1939, após deixar a Orquestra de Romeu Silva, até 1941, integrou a Orquestra de Fon-Fon, com a qual também viajou pela Argentina.

Em seguida, trabalhou com o maestro Aristides Zacarias durante dez anos (1945-1955), viajando com ele ao Uruguai; apresentou-se, também, entre 1953 e 1954, na boate Vogue, ao lado de Moacir Silva .

Em 1956, como músico da orquestra de Copinha, atuou no Copacabana Palace Hotel.

Trabalhou com a Orquestra Tabajara, de Severino Araújo, de 1969 a 1972, ano em que fez alguns shows com Eliana Pittman, no Teatro Casa Grande, do Rio de Janeiro.

A primeira gravação em que tomou parte foi em 1943, na Victor, tendo gravado como solista na CES (1969), na Copacabana (1970), na RCA, na extinta etiqueta Rádio; na Odeon, com Elza Soares (1971); na Continental, com a Orquestra de Severino Araújo (1973) etc. Artista de rádio e televisão (integrou a orquestra da TV Excelsior), recebeu prêmios da Rádio M.E.C. e da TV Tupi.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha - 2a. Edição - 1998.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Aristides Zacarias

Aristides Zacarias
Aristides Zacarias, instrumentista, regente e compositor, nasceu na cidade de Jaboticabal, SP, em 05/01/1911. Aos dois anos mudou-se para São José do Rio Preto, em São Paulo, localidade onde iniciou seus estudos de clarineta. Teve como professor o mestre de banda Pedro Moura, pai do saxofonista Paulo Moura.

Iniciou a carreira artística aos 18 anos, quando ingressou na Banda de Quaranta, no interior de São Paulo. No mesmo período apresentou-se em cinemas do trompetista José Moura, com quem organizou uma banda que tocava em bailes do Automóvel Clube, de São José do Rio Preto, e do pianista Chiquinho Scarambone.

Em 1931, transferiu-se para Catanduva, onde atuou no Clube Sete de Setembro. Em 1932, por ocasião da Revolução Constitucionalista que explodiu naquele ano em São Paulo, deixou o emprego no Clube Sete de Setembro. Em 1934, transferiu-se para a capital paulista, onde atuou em diversas gafieiras, entre as quais a Itália Fausta, e tocava em troca de local para dormir. Mudou-se pouco depois para Santos, onde arranjou emprego para tocar no Cabaré Coliseu, e em seguida, empregou-se para tocar em navio que realizava viagens costeiras.

Em 1935, retornou para São Paulo e foi convidado por José Gagliardo para integrar a Orquestra da Rádio Cosmos, que o mesmo estava organizando. Ainda no mesmo ano viajou para o Rio Grande do Sul, a fim de fazer parte da orquestra organizada pelo cantor Ascendino Lisboa, para atuar na inauguração do cassino Farroupilha, na cidade de Porto Alegre. Na mesma ocasião tocou nas comemorações do centenário da Revolução Farroupilha e também na Rádio Farroupilha. Foi em seguida para o Rio de Janeiro, indo atuar no Cassino Icaraí, em Niterói. Ficou pouco tempo no Rio, pois logo ingressou na Orquestra de Romeu Silva para uma excursão de oito meses em Buenos Aires, apresentando-se na Rádio El Mundo e no Cassino Tabarís.

Em 1936, retornou ao Rio de Janeiro, passando a atuar no Cassino da Urca. Na mesma ocasião tomou parte em sua primeira gravação, acompanhando à clarineta o cantor Almirante, juntamente com a Orquestra de Simon Boutman. Em 1937, deixou a Orquestra Romeu Silva, passando a atuar na Rádio Nacional, onde tocou na Orquestra All stars, sob a direção de Radamés Gnattali. Em 1939, viajou para os Estados Unidos para tocar com a Orquestra de Romeu Silva, no Pavilhão do Brasil, na Feira Internacional realizada na cidade de Nova York.

Em 1941, excursionou pela Argentina com a Orquestra da Rádio Nacional. Na ocasião exibiu-se no programa "Hora del Brasil", na Rádio Municipal de Buenos Aires, apresentando-se também na Boate Embassy. Em 1942, retornou ao Rio de Janeiro, passando a fazer parte do conjunto de Claude Austin, que se apresentava no Cassino do Copacabana Palace. Pouco depois passou a integrar a orquestra do maestro Fon-Fon, na Rádio Tupi do Rio de Janeiro. No mesmo período atuou no Cabaré Assírio, no subsolo do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.Voltou em seguida a atuar na Orquestra do Copacana Palace, então sob a direção do maestro Fon-Fon, indicado por ele para substituir Claude Austin.

Em 1943, gravou seu primeiro disco como diretor de orquestra, dirigindo a orquestra The Midnigthers, que foi organizada a pedido da Victor para tocar composições norte-americanas e suprir com isso o mercado, pois os músicos americanos se encontravam em greve naquele momento. A orquestra contava com três pistonistas, quatro sax, dois trombones, ritmo e o vocalista Nilo Sérgio. Na ocasião gravaram os foxtrotes My devotion, de Wiliam e Napton, e I'll never know, de Warren e Gordon, ambos grandes sucessos. No mesmo ano fez suas primeiras gravações, dirigindo sua própria orquestra. Em 10 de outubro daquele ano gravou seis músicas pela Victor, entre as quais os frevos Vira as máquinas, de Marambá, Cadê você, de Levino Ferreira e A hora é essa, de Zumba, além dos frevos-canções Primeira bateria, de Capiba e Bye, bye, my baby, de Nelson Ferreira e Cai, cai, de Marambá, com o vocal de Carlos Galhardo.

Em 1944, gravou o samba Brasil, de Benedito Lacerda e Aldo Cabral, com o vocal das Três Marias, a batucada Cai, cai, de Roberto Martins, o choro Tico-tico no fubá, clássico de Zequinha de Abreu, e com o vocal das Três Marias e Nilo Sérgio, o samba Morena Boca de Ouro, de  Ary Barroso. No mesmo ano, regravou três dos maiores sucessos do cancioneiro popular brasileiro em todos os tempos, os sambas Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, e Praça Onze, de Herivelto Martins e Grande Otelo, e o choro Carinhoso, de PixinguinhaJoão de Barro. No mesmo período dividiu discos com Carlos Galhardo e Nelson Gonçalves, gravando frevos e frevos-canção como Olha a beliscada, de Levino Ferreira, Sabe lá o que é isso?, de Nelson Ferreira e Lá vai poeira, de Marambá.

Em 1945, gravou o samba Não tenho lágrimas, de Max Bulhões e Milton de Oliveira, e também O caminho é longo para Tipperery, versão em ritmo de samba da composição dos americanos Jack Judge e Harry Williams. Gravou ainda os frevos Cuidado, senão eu grito, de Zumba, O salão está vazio, de Jones Johnson, Espalha brasa, de Marambá, A cobra tá fumando, de Levino Ferreira e Agüenta a virada, de Edivaldo Pessoa. No mesmo ano passou a atuar como diretor musical da Victor.

Em 1946, gravou os sambas A casinha pequenina e Meu limão, meu limoeiro, de domínio público, e o choro Apanhei-te cavaquinho, de Ernesto Nazareth, entre outras. Gravou ainda os frevos Meu chamego é você, de Marambá, Edinho no frevo, de Carnera e Entra na fila, de Levino Ferreira. Em 1947, gravou o samba Feiticeira, de Ary Barroso, a Valsa nº 7, de Chopin, em ritmo de samba, o samba Palpite feliz, de Noel Rosa e Vadico , e o frevo Chegou sua vez, de Levino Ferreira, entre outras.

Em 1949, gravou de Chiquinha Gonzaga o choro Atraente e, de Dorival Caymmi, a toada Peguei um ita no Norte. No mesmo ano sua orquestra recebeu o Prêmio de Melhor Orquestra do Rio de Janeiro. Em 1950, entre outras composições, gravou os frevos Lá vai veneno, de Zumba, O frevo da meia-noite, de Carnera, O caldeirão está fervendo, de Jones Johnson, o samba Último desejo, de Noel Rosa, e o samba-canção No Rancho Fundo, de Ary Barroso e Lamartine Babo. No mesmo ano deixou depois de sete anos o Copacabana Palace Hotel, transferindo-se com sua orquestra para o Hotel Excelsior, em São Paulo.

Em 1951, gravou o samba Feitio de oração, de Noel Rosa, o motivo popular Peixe vivo, em ritmo de baião, com arranjos de Mário Zan e Palmeira, a marcha-frevo Saudades de Raul Morais, de Edgard Morais, e de sua própria autoria e Pernambuco, o baião Pedalinho. No mesmo ano foi contratado pela Prefeitura de Montevidéu, no Uruguai, para atuar ao lado da orquestra de Xavier Cugat. Retornando ao Brasil, apresentou-se durante um mês na cidade de Recife, voltando a seguir para o Rio de Janeiro.

Em 1952, ganhou o Prêmio de Melhor Clarinetista do Ano, em concurso instituído pela Rádio MEC. No mesmo ano gravou os choros Xamexuga, de sua autoria e Pernambuco, e Franci, de Ari Monteiro, a valsa Flor de laranjeira, de Ari Monteiro e Irani de Oliveira e o fox Parabéns a você, com arranjos do maestro Lindolfo Gaya. Ainda em 1952, realizou gravações em separado com seu conjunto e com seu sexteto. Com o sexteto Zacarias gravou a guarânia Índia, em ritmo de baião, e o choro Sugestivo, de Moacir Silva. Já com seu conjunto gravou o bolero-mambo Jezebel, de Wayne Shanklin, e o baião Dance no baião, com arranjos de sua autoria. Em 1953, gravou de sua autoria o choro Rebolando, de Lourival Faissal e Getúlio Macedo, o baião O banjo no baião, e, de Carnera o frevo Esquecendo as mágoas. No mesmo ano, realizou uma série de programas na Rádio Nacional do Rio de Janeiro e formou o Conjunto Zacarias para atuar na Boate Vogue. No mesmo período, organizou com o pianista Fats Elpídio o Quarteto Excelsior, a fim de atuar no Hotel Excelsior.

Em 1954, gravou o samba Agora é cinza, de Bide e Marçal, os frevos Vassourinhas no Rio de Carnera, e Isquenta mulhé, de Nelson Ferreira. Em 1955, gravou os frevos Vassourinha do Levino, de Levino Ferreira, Carro-chefe, de Nelson Ferreira, e Vale-tudo, de Carnera. Ainda em 1955, foi escolhido pelo crítico Silvio Túlio Cardoso, através da coluna "Discos populares" escrita por ele para o jornal O Globo, como o "melhor regente de pequeno conjunto do ano" recebendo como prêmio um disco de ouro entregue em cerimônia no Golden Room do Copacabana Palace. Em 1956, gravou os frevos Zaccarias no frevo, de Carnera e Tempo quente, de Edgard Morais. No mesmo ano, gravou com Fats Elpídio, na dobradinha clarinete e piano, a canção Os pobres de Paris, de Marguerite Monnot e o fox Blue star, de Young e Heyman.

Em 1957, gravou de Ary Barroso os sambas Aquarela do Brasil e Na Baixa do Sapateiro, e de Mário Zan e J. M. Alves, o dobrado Quarto centenário. Recebeu nesse mesmo ano seu segundo Disco de Ouro. Na mesma época, trocou o Excelsior pelo Country Clube do Rio de Janeiro, ocasião em que ampliou seu conjunto, transformando-o em um sexteto com a entrada de mais um sax e um trombone.

Nos anos 1950, atuou durante sete anos no carnaval do Clube Internacional de Recife. Em 1960, estreou com o diretor da Orquestra da TV Excelsior do Rio de Janeiro, ocasião na qual abandonou a direção musical da RCA Victor. No mesmo ano gravou com seu conjunto e coro os sambas A corneta no samba, de Monsueto Menezes, e Nostalgia, de sua autoria. Em 1961, gravou o rojão É crime não saber ler, de sua autoria, o xote Mulher transviada, de sua autoria e J. Borges, e com sua orquestra, o frevo-de-bloco Recordando a mocidade, de Edgard Morais e o frevo-canção Segure esse bode, dos Irmãos Valença.

Em 1962, gravou com seu regional os xaxados Chen-en-en, de Rui Morais e Silva, e Pagode da Maria, de sua autoria e Manoel Avelino. Durante os anos 1960, gravou 21 LPs com a Orquestra Namorados do Caribe, composta por antigos elementos de sua orquestra e por uma seção de cordas. Ao longo de sua carreira gravou dezenas de discos, incluindo diferentes gêneros musicais, especialmente sambas e frevos.

Em 1966, com o fechamento da TV Excelsior, passou a atuar em boates. Em 1971, abandonou a carreira artística.

Discografia

Vira as máquinas / Cai, cai (1943) Victor 78; Cadê você / Primeira bateria (1943) Victor 78; A hora é essa / Bye, bye, my baby (1943) Victor 78; Cai, cai / Brasil (1944) Victor 78; Tico-tico no fubá / Morena boca de ouro (1944) Victor 78; Aquarela do Brasil / Praça onze (1944) Victor 78; Carinhoso / Batuque no morro (1944) Victor 78; Não tenho lágrimas / O caminho é longo para Tipperary (1944) Victor 78; A casinha pequenina / Jurô (1946) Victor 78; Meu limão, meu limoeiro / Implorar (1946) Victor 78; Menina dos olhos / Escorregando (1946) Victor 78;Meu chamego é você (1946) Victor 78; Edinho no frevo (1946) Victor 78 / Olha a saúde (1946) Victor 78; De guarda-sol aberto (1946) Victor 78; Entra na fila (1946) Victor 78; Feiticeira / Sétimo véu (1947) RCA Victor 78; Palpite feliz / Danúbio azul (1947) RCA Victor 78; Gafanhoto / Lamento negro (1947) RCA Victor 78; Linguarudo (1947) RCA Victor 78; Tira-teima (1947) RCA Victor 78; Chegou sua vez (1947) RCA Victor 78; Cheguei na hora (1947) RCA Victor 78; Agora é você (1947) RCA Victor 78; Peguei um ita no Norte / Atraente (1949) RCA Victor 78; Lá vai veneno (1950) RCA Victor 78; O tocador quer fumar (1950) RCA Victor 78; Frevo da meia-noite (1950) RCA Victor 78; O caldeirão está fervendo (1950) RCA Victor 78; Com essa eu vou (1950) RCA Victor 78; Gaúcho (1950) RCA Victor 78; Três da tarde / Fogão (1950) RCA Victor 78; Sururu na cidade / Último desejo (1950) RCA Victor 78; Canta Brasil / No rancho fundo (1950) RCA Victor 78; Frevo dos vassourinhas / Freio a óleo (1950) RCA Victor 78; Aperta o passo (1950) RCA Victor 78; Lágrimas de folião (1950) RCA Victor 78; Gostozinho (1950) RCA Victor 78; Ponto final (1950) RCA Victor 78; Feitio de oração / Mesquitiando (1951) RCA Victor 78; Peixe vivo / Meu barquinho (1951) RCA Victor 78; Favela / Pedalinho (1951) RCA Victor 78; Canhão setenta e cinco / Saudades de Raul Morais (1951) RCA Victor 78; Minas Gerais / O delegado é o mesmo (1951) RCA Victor 78; Fazendo inferno (1951) RCA Victor 78; É pra quem pode / Adeus alegoria (1951) RCA Victor 78; Clarins da madrugada (1951) RCA Victor 78; Tira prosa (1951) RCA Victor 78; Xamexuga / Franci (1952) RCA Victor 78; Flor de laranjeira / Parabéns a você (1952) RCA Victor 78; Índia / Sugestivo (1952) RCA Victor 78; Jezebel / Dance no baião (1952) RCA Victor 78; É pra fuxico (1952) RCA Victor 78; Fantasma (1952) RCA Victor 78; Cangarussu / Carlos Avelino (1952) RCA Victor 78; Tota no frevo (1952) RCA Victor 78; Geraldo no frevo / Levado da breca (1952) RCA Victor 78; O banjo no baião / Rebolando (1953) RCA Victor 78; Esquecendo as mágoas (1953) RCA Victor 78; Baião do sul / Auf wierdersehen, meu amor. Com seu conjunto (1953) RCA Victor 78; Agora é cinza / Fecha, carrança (1954) RCA Victor 78; Arrasta-pé / Nostálgico (1954) RCA Victor 78; Vassourinhas no Rio (1954) RCA Victor 78; Isquenta mulhé (1954) RCA Victor 78; O frevo é assim (1954) RCA Victor 78; Ebb tibe / Anna (1954) RCA Victor 78; Por amor / Gracioso. Com seu conjunto (1954) RCA Victor 78; Vassourinha do Levino/Vai mexendo (1955) RCA Victor 78; Vale-tudo (1955) RCA Victor 78; Carro-chefe (1955) RCA Victor 78; Zaccarias no frevo (1956) RCA Victor 78; Não adianta chorar / Desacatando (1956) RCA Victor 78; Tempo quente (1956) RCA Victor 78; Os pobres de Paris / Blue star. Com Fats Elpídio (1956) RCA Victor 78; A woman in love / The tender trap. Com Fats Elpídio (1956) RCA Victor 78; Mr. Wonderful / Memories are made of this. Com Fats Elpídio (1956) RCA Victor 78; Aquarela do Brasil / Na Baixa do Sapateiro (1957) RCA Victor 78; Quarto centenário / Dobrado 220 (1957) RCA Victor 78; Papa-filas (1958) RCA Victor 78;  Sacode tudo (1958) RCA Victor 78; Viva o nosso papai. Com Quarteto Excelsior (1959) RCA Victor 78; Sambas em black tie [195?] RCA Victor LP; Sambas em desfile [195?] RCA Victor LP; Uma noite no Country Club [195?] RCA Victor LP; Coquetel dançante Nº 2 [195?] RCA Victor LP; Música, maestro [195?] RCA Victor LP; A corneta no samba / Nostalgia (1960) RCA Victor 78; Gavião / É de estourar (1961) RCA Victor 78; Recordando a mocidade / Segure esse bode (1961) RCA Victor.

Fontes: Discografia de Zaccarias; Dicionário Cravo Albin da MPB.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Fubá

Romeu Silva
Fubá (maxixe, 1924) - Romeu Silva (sobre motivo popular) - Intérprete: Fernando

Disco selo: Odeon R / Título da música: Fubá / Motivo popular / Romeu Silva (Arranjo) / Fernando (Intérprete) / Jazz Band Sul Americano Romeu Silva (Acomp.) / Coro (Acompanhante) / Nº do Álbum: 122761 / Lançamento: 1925 / Gênero musical: Samba / Maxixe / Coleções: IMS, Nirez


Peguei no fubá
O fubá caiu
Tornei a pegá
O fubá fugiu

Peguei no fubá
O fubá caiu
Tornei a pegá
O fubá fugiu

Não sei o que diga
O que possa crer
É este fubá
Que nos faz sofrer

Não sei o que diga
O que possa crer
É este fubá
Que nos faz sofrer

Que bicho danado
Tão impertinente
Que faz remexer
O corpo da gente

Que bicho danado
Tão impertinente
Que faz remexer
O corpo da gente

Alvinitente

Romeu Silva
Alvinitente (marcha-rancho, 1922) - Romeu Silva e D. Paulo

Alvinitente sempre a brilhar
De formosura alegre a primor
Esta florzinha meiga sem par
Com primazia vos vem saudar

A sua alvura é de encantar
Cândida e pura como luar
Vem arrogante ó meiga flor
Vem mostrando os predicados do amor

Assensar perfumar
Num gozo sem par
Desprendendo odor
Sempre o Lírio sorridente
Alegre contente
Muito altivo do amor

sábado, janeiro 12, 2008

Zé Carioca


Zé Carioca (José do Patrocínio Oliveira), instrumentista, nasceu em Jundiaí SP em 11/02/1904 e faleceu em Los Angeles, Estados Unidos, em 22/12/1987. Já tocava cavaquinho, como amador, na época em que trabalhava como classificador de cobras no Instituto Butantã, de São Paulo SP.


Em 1929 foi convidado para tocar num programa regional, na estréia da Rádio Educadora Paulista (depois Gazeta), uma das primeiras emissoras brasileiras. Com o surgimento da Rádio Cruzeiro do Sul, em 1931, passou a atuar na Orquestra Columbia, dirigida por Gaó, trocando o cavaquinho pelo banjo, o que lhe valeu o apelido de Zezinho do Banjo.

No ano seguinte, César Ladeira levou-o para o Rio de Janeiro, para trabalhar na Rádio Mayrjnk Veiga, onde tocou ao lado de Nelson Souto, Pixinguinha, Garoto, Nelson Boi, Gastão Bueno Lobo e Britinho. Logo depois, acompanhou César Ladeira, quando este se tornou diretor artístico do Cassino da Urca.

Ali conheceu Carmen Miranda e, em 1939, foi para os EUA com a orquestra de Romeu Silva, na qual tocava violão, para cumprir temporada de seis meses no pavilhão brasileiro da Feira Mundial, em New York, participando do filme Serenata tropical, de Irving Cummings. No ano seguinte, apresentou-se. no pavilhão brasileiro da Feira de San Francisco.

Em 1941 assinou contrato com a Twentieth Century Fox e participou, ao lado do Bando da Lua e Carmen Miranda dos filmes Uma noite no Rio, de Irving Cummings, e Aconteceu em Havana, de Walter Lang, entre outros. Na Fox também dublou desenhos animados e conheceu Walt Disney, que, inspirado em sua figura, criou o Zé Carioca, personagem-símbolo do malandro brasileiro no desenho animado de longa metragem Você já foi a Bahia?.

Nos últimos anos, tocou no restaurante Marquis Martoni, em Hollywood. vivendo seis meses nos EUA e seis no Brasil, em São Paulo.

Centenário de nascimento

"No dia onze de fevereiro de 2004 será comemorado o centenário de nascimento de José Patrocínio de Oliveira, natural de Jundiaí, SP. Trabalhava no Instituto Butantã como classificador de cobras (mais tarde ele seria classificado como um dos “cobras” da nossa música) ao mesmo tempo que consolidava seu prestígio como instrumentista.

Freqüentador de rodas onde figuravam os nomes de Américo Jacomino (Canhoto), João Sampaio e Armando Neves, passa a ser conhecido por Zezinho, que era do banjo, cavaquinho, bandolim, violão e dos outros instrumentos que viria a dominar, como o violão tenor e a guitarra havaiana.

No período de 17/02 a 04/03/1928 foi confiado ao prestigiado violonista Canhoto a tarefa de organizar uma Orquestra Típica de instrumentos de cordas, constituída pelos melhores músicos de São Paulo, para se apresentar no suntuoso Salão de Automóveis da General Motors, evento este realizado no Cine Odeon que ficava a Rua da Consolação No 42.

Além de Canhoto, Os nomes de Zezinho, Mota, Carlinhos, Armandinho Neves e João Sampaio eram os de maior destaque. Participava também desta Orquestra um menino franzino de apenas doze anos, empunhando orgulhoso o seu banjo. Este menino era Aníbal Augusto Sardinha( Garoto), que tinha agora em Zezinho seu novo ídolo e mestre. Este foi, ainda que involuntariamente, o grande propulsor da vitoriosa carreira de Garoto que, numa entrevista, confessou: “Devo meu progresso ao Zezinho, pois queria tocar sempre melhor do que ele...”.

Entre 1929 e 1931, pela gravadora Columbia, Zezinho participa em cerca de cento e vinte gravações (Infelizmente não é possível obter o número exato em função da inexistência das fichas técnicas) tocando seus instrumentos ao lado de nomes como João Pernambuco (10), Paraguassú (10), Jaime Redondo (8), Januário de Oliveira (19), Batista Jr (9) e sua filha Dircinha Batista (2), Eurístenes Pires (4), Stefana de Macedo (12), Jararaca (19), Lila Dias (4) e Elsie Houston (13) dentre outros.

Acompanhou ao violão (como segundo violão) a João Pernambuco em boa parte dos registros de sua obra como em “Interrogando”, “Reboliço” e “Sonhos de magia”. Com Stefana de Macedo participou como acompanhante do lançamento de diversas composições de Amélia Brandão Nery que seria conhecida mais tarde por Tia Amélia.

Quase ao mesmo tempo entra em cena uma orquestra com uma sonoridade diferente: “A presença do violino de Ernesto Trepiccioni e do acordeon de José Rieli dava um som romântico a esta orquestra, a rigor menos uma orquestra do que um conjunto instrumental...”, diria Ary Vasconcelos em seu História e inventário do choro.

Esta orquestra, complementada por Gaó (Odmar Amaral Gurgel) ao piano; Atílio Grany na flauta; Petit (Hudson Gaia) ao violão; Jonas Aragão no sax alto e Zezinho no bandolim é a Orquestra Colbaz que gravou na Columbia entre 1930 e 1932 cerca de vinte e seis músicas entre choros e valsas. A ampliação desta orquestra dá origem a famosa Orquestra Columbia, ainda sob a direção de Gaó.

1931 é o ano do grande concurso de música promovido pelo jornal “A Gazeta”, concurso este que motivou uma intensa participação da população de São Paulo (capital) que escolhia seus músicos favoritos, divididos por categorias, através de voto direto. Na categoria banjo, Zezinho obteve expressiva votação (117 323 votos), obtendo o primeiro lugar (nesta categoria Garoto ficou em sexto, com 9 746 votos).

Outros vencedores foram Gaó (piano), Alberto Marino na categoria violino (Trepiccione ficou em segundo e Nestor Amaral em quinto), Larosa Sobrinho (violão), Nabor Pires Camargo (clarinete) e Cárdia (bandolim).

César Ladeira, já no Rio de Janeiro e atuando na rádio Mayrink Veiga, atuava como um embaixador da musica paulistana, trazendo para a então capital da república os novos valores lá revelados. Desta forma aqui chegou Zezinho em 1933, passando logo a integrar o famoso regional da Mayrink.

Em 1936 é a vez de César Ladeira buscar uma turma da pesada; Aimoré, Garoto, Nestor Amaral e Laurindo Almeida. Estes três últimos participaram junto a Zezinho de uma grande aventura: Uma viagem a Europa a bordo no navio Cuiabá. Fizeram escala nos estados mais importantes do nordeste brasileiro antes de partir rumo a Lisboa, Porto, Amsterdam, Berlim e Paris onde por três meses divulgaram a nossa música. Em Paris não puderam desembarcar com os instrumentos musicais devido a alguma lei protecionista.

Assistiram então extasiados a uma apresentação do diabólico duo Stephan Grapelli (violino) e Django Reinhart (violão). Algo novo estava acontecendo ali em termos musicais e eles jamais seriam os mesmos após esta experiência, especialmente Garoto, que acabou por incorporar o fraseado de Django!

Voltam a Mayrink e depois de um breve retorno a São Paulo onde atua junto a Armandinho Neves e Antonio Rago no Regional da Record, Zezinho passa a integrar a Orquestra de Romeu Silva (muito bem reportado por Daniella Thompson) partindo então para os Estados Unidos em 1939 onde iriam se apresentar por seis meses na Feira Internacional de Nova Iorque. Zezinho reencontra seu amigo Garoto quando este, já famoso com seu violão tenor ( foi inclusive chamado de “homem dos dedos de ouro”), lá esteve com Carmen Miranda e o Bando da Lua.

A partir de 1940, Zezinho fixa residência em Los Angeles, já contratado pela Fox. Em 1941, Walt Disney com o papel de “embaixador da boa vizinhança” viaja pela América latina a pretexto de buscar inspiração para a criação de novos personagens. No Brasil, os cartunistas Luis Sá e J. Carlos ajudaram Disney a desenvolver a figura e a personalidade do papagaio “Zé Carioca”, “ personagem concebido para ser a síntese dos laços de amizade entre os estados Unidos e o Brasil”, em acordo com Sidney Ferreira Leite em seu excelente artigo publicado no Estadão em 01/12/2001.

Um problema persistiu por muito tempo: quem iria falar pelo papagaio? Por obra do acaso, Disney estava no mesmo estúdio que Zezinho pelos idos de 1943 e ao ouvi-lo falar percebeu na maneira gingada, malemolente, a voz ideal para o seu papagaio! Nasceu assim o Zé Carioca e o Zezinho, que passaria a usar o mesmo nome do papagaio, era o responsável por sua voz em inúmeros filmes como “Alô amigos” e “Você já foi a Bahia?”.

Este fato rendeu uma fortuna considerável ao Zezinho, que sempre se manteve ligado a musica, como integrante do Bando da Lua e com seu próprio grupo. Infelizmente acabou estigmatizado por conta de sua ligação com Disney (política da boa vizinhança) e com Carmen Miranda.

A casa de Zezinho, de acordo com seu amigo João Cancio de Povoa Filho, era um verdadeiro consulado brasileiro, não faltando ajuda a qualquer músico brasileiro que por lá se aventurasse. Que o diga o nosso violinista Fafá Lemos!

Com a morte de Carmen Miranda terminou o Bando da Lua, nesta altura completamente modificado em relação a sua formação original. Aloísio de Oliveira voltou ao Brasil onde desempenharia importante papel no marketing da Bossa nova e Zezinho lá ficou, com o fardo de seu apelido(Zé Carioca).

Nos seus últimos anos de vida passava seis meses em LA e os outros seis em São Paulo.Faleceu em22/12/1987 em Los Angeles."

(por Jorge Carvalho de Mello)


Aurora Miranda e Zé Carioca no longa-metragem Você já foi à Bahia?.


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira; Zé Carioca (samba & choro).

Romeu Silva


Romeu Silva, regente, instrumentista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 11/02/1893 e faleceu na mesma cidade em 01/05/1958. Funcionário dos Correios em 1911, tocava saxofone na orquestra do rancho Ameno Resedá, da qual foi um dos primeiros integrantes.


Naquele ano atuou ainda na orquestra da Sociedade Dançante Carnavalesca Ninho do Amor, dirigida por Álvaro Sandim, o mesmo maestro que depois foi diretor de harmonia e líder da orquestra do Rancho Flor do Abacate, onde Romeu Silva tocou em 1913.

Dez anos depois integrava um conjunto do maestro Eduardo Souto, que deixou para formar sua própria orquestra, o Jazz-Band Sul-Americano, depois chamado Jazz-Band Sul-Americano Romeu Silva, tocando em festas, cabarés e na sala de espera do Cine Palais.

Gravou seu primeiro disco por volta de 1924, um 76 rpm de gravação mecânica da Odeon, com os maxixes Tênis Clube de Petrópolis (Sílvio de Sousa) e Lolote estrilando (Mário Silva). Por essa época começou a compor maxixes, dois dos quais foram gravados em 1925 com sua orquestra, na Odeon, Fubá e Dor de cabeça.

No mesmo ano obteve do ministro do Exterior Félix Pacheco uma verba para excursionar pela Europa com seu grupo musical, fazendo divulgação do Brasil. Assim, tocou samba, maxixe e frevo durante vários anos em Portugal, Espanha, França, Bélgica, Suíça, Alemanha, Inglaterra e Itália. No exterior ainda, gravou alguns discos com a famosa cantora Josephine Bake, entre os quais La petite tonkinoise (Vincent Scotts).

Retornando ao Brasil, ficou pouco tempo, seguindo em 1932 para Los Angeles, EUA, acompanhando uma delegação de atletas brasileiros aos Jogos Olímpicos, com a Brazilian Olympic Eand.

Três anos depois, voltou ao país, trazendo vários músicos estrangeiros para sua orquestra, entre os quais o crooner Louis Cole e o sax-alto e clarineta Booker Pittman, contando ainda com Fernando (guitarra), Mário Silva (trompete) e All Pratt (sax-alto), além de Valfrido Silva (baterista). Atuava em cafés, cinemas, teatros e nos cassinos Atlântico e Urca, tendo, pouco depois, acompanhado Carmen Miranda em excursão à Argentina.

Em 1939, foi para os EUA para atuar no Pavilhão Brasileiro da Feira Mundial de New York, levando entre outros Vadico (piano), Zacarias (sax-alto e clarineta), Fernando (guitarra e crooner), Zé Carioca (violão) e Sut (bateria). No ano seguinte, participou de um festival de música brasileira no Museu de Arte Moderna, de New York.

Retornando ao Brasil em fins de 1940, tocou no Cassino da Urca durante seis anos, até seu fechamento. A orquestra foi então desfeita, e ele passou a viver de um emprego no funcionalismo público municipal.

São de sua autoria: Alvinitente, marcha-rancho, 1922; Cousas da moda, maxixe, 1925; Dor de cabeça, maxixe, 1925; Fubá, maxixe, 1925; Glorinha, xótis, 1927; Se papai souber, maxixe-samba, 1927; Tricolor, maxixe, 1927.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.