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domingo, dezembro 26, 2010

Fats Elpídio

Fats Elpídio (Elpídio Salas Meneses Pessoa), instrumentista, nasceu em Paudalho, PE, em 7/7/1913—. Aprendeu a tocar piano com o pai, desde os oito anos de idade.

Em 1930 mudou-se para Recife PE e estreou como pianista na Orquestra de Jonas Silva. De 1932 a 1935 apresentou-se em estações de rádio e clubes dessa capital, com os Irmãos Pessoa, grupo formado por membros de sua família: seu pai, sua mãe e irmão Pernambuco (Aires Pessoa).

Em 1937 foi para o Rio de Janeiro RJ, contratado pela Orquestra de Romeu Silva, que atuava no Cassino Beira-Mar, excursionando pela Argentina no mesmo ano.

Grande incentivador do jazz, em 1938 realizou o I Concerto de Jazz do Rio, no Fluminense Futebol Clube.

De 1939, após deixar a Orquestra de Romeu Silva, até 1941, integrou a Orquestra de Fon-Fon, com a qual também viajou pela Argentina.

Em seguida, trabalhou com o maestro Aristides Zacarias durante dez anos (1945-1955), viajando com ele ao Uruguai; apresentou-se, também, entre 1953 e 1954, na boate Vogue, ao lado de Moacir Silva .

Em 1956, como músico da orquestra de Copinha, atuou no Copacabana Palace Hotel.

Trabalhou com a Orquestra Tabajara, de Severino Araújo, de 1969 a 1972, ano em que fez alguns shows com Eliana Pittman, no Teatro Casa Grande, do Rio de Janeiro.

A primeira gravação em que tomou parte foi em 1943, na Victor, tendo gravado como solista na CES (1969), na Copacabana (1970), na RCA, na extinta etiqueta Rádio; na Odeon, com Elza Soares (1971); na Continental, com a Orquestra de Severino Araújo (1973) etc. Artista de rádio e televisão (integrou a orquestra da TV Excelsior), recebeu prêmios da Rádio M.E.C. e da TV Tupi.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha - 2a. Edição - 1998.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Aristides Zacarias

Aristides Zacarias
Aristides Zacarias, instrumentista, regente e compositor, nasceu na cidade de Jaboticabal, SP, em 05/01/1911. Aos dois anos mudou-se para São José do Rio Preto, em São Paulo, localidade onde iniciou seus estudos de clarineta. Teve como professor o mestre de banda Pedro Moura, pai do saxofonista Paulo Moura.

Iniciou a carreira artística aos 18 anos, quando ingressou na Banda de Quaranta, no interior de São Paulo. No mesmo período apresentou-se em cinemas do trompetista José Moura, com quem organizou uma banda que tocava em bailes do Automóvel Clube, de São José do Rio Preto, e do pianista Chiquinho Scarambone.

Em 1931, transferiu-se para Catanduva, onde atuou no Clube Sete de Setembro. Em 1932, por ocasião da Revolução Constitucionalista que explodiu naquele ano em São Paulo, deixou o emprego no Clube Sete de Setembro. Em 1934, transferiu-se para a capital paulista, onde atuou em diversas gafieiras, entre as quais a Itália Fausta, e tocava em troca de local para dormir. Mudou-se pouco depois para Santos, onde arranjou emprego para tocar no Cabaré Coliseu, e em seguida, empregou-se para tocar em navio que realizava viagens costeiras.

Em 1935, retornou para São Paulo e foi convidado por José Gagliardo para integrar a Orquestra da Rádio Cosmos, que o mesmo estava organizando. Ainda no mesmo ano viajou para o Rio Grande do Sul, a fim de fazer parte da orquestra organizada pelo cantor Ascendino Lisboa, para atuar na inauguração do cassino Farroupilha, na cidade de Porto Alegre. Na mesma ocasião tocou nas comemorações do centenário da Revolução Farroupilha e também na Rádio Farroupilha. Foi em seguida para o Rio de Janeiro, indo atuar no Cassino Icaraí, em Niterói. Ficou pouco tempo no Rio, pois logo ingressou na Orquestra de Romeu Silva para uma excursão de oito meses em Buenos Aires, apresentando-se na Rádio El Mundo e no Cassino Tabarís.

Em 1936, retornou ao Rio de Janeiro, passando a atuar no Cassino da Urca. Na mesma ocasião tomou parte em sua primeira gravação, acompanhando à clarineta o cantor Almirante, juntamente com a Orquestra de Simon Boutman. Em 1937, deixou a Orquestra Romeu Silva, passando a atuar na Rádio Nacional, onde tocou na Orquestra All stars, sob a direção de Radamés Gnattali. Em 1939, viajou para os Estados Unidos para tocar com a Orquestra de Romeu Silva, no Pavilhão do Brasil, na Feira Internacional realizada na cidade de Nova York.

Em 1941, excursionou pela Argentina com a Orquestra da Rádio Nacional. Na ocasião exibiu-se no programa "Hora del Brasil", na Rádio Municipal de Buenos Aires, apresentando-se também na Boate Embassy. Em 1942, retornou ao Rio de Janeiro, passando a fazer parte do conjunto de Claude Austin, que se apresentava no Cassino do Copacabana Palace. Pouco depois passou a integrar a orquestra do maestro Fon-Fon, na Rádio Tupi do Rio de Janeiro. No mesmo período atuou no Cabaré Assírio, no subsolo do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.Voltou em seguida a atuar na Orquestra do Copacana Palace, então sob a direção do maestro Fon-Fon, indicado por ele para substituir Claude Austin.

Em 1943, gravou seu primeiro disco como diretor de orquestra, dirigindo a orquestra The Midnigthers, que foi organizada a pedido da Victor para tocar composições norte-americanas e suprir com isso o mercado, pois os músicos americanos se encontravam em greve naquele momento. A orquestra contava com três pistonistas, quatro sax, dois trombones, ritmo e o vocalista Nilo Sérgio. Na ocasião gravaram os foxtrotes My devotion, de Wiliam e Napton, e I'll never know, de Warren e Gordon, ambos grandes sucessos. No mesmo ano fez suas primeiras gravações, dirigindo sua própria orquestra. Em 10 de outubro daquele ano gravou seis músicas pela Victor, entre as quais os frevos Vira as máquinas, de Marambá, Cadê você, de Levino Ferreira e A hora é essa, de Zumba, além dos frevos-canções Primeira bateria, de Capiba e Bye, bye, my baby, de Nelson Ferreira e Cai, cai, de Marambá, com o vocal de Carlos Galhardo.

Em 1944, gravou o samba Brasil, de Benedito Lacerda e Aldo Cabral, com o vocal das Três Marias, a batucada Cai, cai, de Roberto Martins, o choro Tico-tico no fubá, clássico de Zequinha de Abreu, e com o vocal das Três Marias e Nilo Sérgio, o samba Morena Boca de Ouro, de  Ary Barroso. No mesmo ano, regravou três dos maiores sucessos do cancioneiro popular brasileiro em todos os tempos, os sambas Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, e Praça Onze, de Herivelto Martins e Grande Otelo, e o choro Carinhoso, de PixinguinhaJoão de Barro. No mesmo período dividiu discos com Carlos Galhardo e Nelson Gonçalves, gravando frevos e frevos-canção como Olha a beliscada, de Levino Ferreira, Sabe lá o que é isso?, de Nelson Ferreira e Lá vai poeira, de Marambá.

Em 1945, gravou o samba Não tenho lágrimas, de Max Bulhões e Milton de Oliveira, e também O caminho é longo para Tipperery, versão em ritmo de samba da composição dos americanos Jack Judge e Harry Williams. Gravou ainda os frevos Cuidado, senão eu grito, de Zumba, O salão está vazio, de Jones Johnson, Espalha brasa, de Marambá, A cobra tá fumando, de Levino Ferreira e Agüenta a virada, de Edivaldo Pessoa. No mesmo ano passou a atuar como diretor musical da Victor.

Em 1946, gravou os sambas A casinha pequenina e Meu limão, meu limoeiro, de domínio público, e o choro Apanhei-te cavaquinho, de Ernesto Nazareth, entre outras. Gravou ainda os frevos Meu chamego é você, de Marambá, Edinho no frevo, de Carnera e Entra na fila, de Levino Ferreira. Em 1947, gravou o samba Feiticeira, de Ary Barroso, a Valsa nº 7, de Chopin, em ritmo de samba, o samba Palpite feliz, de Noel Rosa e Vadico , e o frevo Chegou sua vez, de Levino Ferreira, entre outras.

Em 1949, gravou de Chiquinha Gonzaga o choro Atraente e, de Dorival Caymmi, a toada Peguei um ita no Norte. No mesmo ano sua orquestra recebeu o Prêmio de Melhor Orquestra do Rio de Janeiro. Em 1950, entre outras composições, gravou os frevos Lá vai veneno, de Zumba, O frevo da meia-noite, de Carnera, O caldeirão está fervendo, de Jones Johnson, o samba Último desejo, de Noel Rosa, e o samba-canção No Rancho Fundo, de Ary Barroso e Lamartine Babo. No mesmo ano deixou depois de sete anos o Copacabana Palace Hotel, transferindo-se com sua orquestra para o Hotel Excelsior, em São Paulo.

Em 1951, gravou o samba Feitio de oração, de Noel Rosa, o motivo popular Peixe vivo, em ritmo de baião, com arranjos de Mário Zan e Palmeira, a marcha-frevo Saudades de Raul Morais, de Edgard Morais, e de sua própria autoria e Pernambuco, o baião Pedalinho. No mesmo ano foi contratado pela Prefeitura de Montevidéu, no Uruguai, para atuar ao lado da orquestra de Xavier Cugat. Retornando ao Brasil, apresentou-se durante um mês na cidade de Recife, voltando a seguir para o Rio de Janeiro.

Em 1952, ganhou o Prêmio de Melhor Clarinetista do Ano, em concurso instituído pela Rádio MEC. No mesmo ano gravou os choros Xamexuga, de sua autoria e Pernambuco, e Franci, de Ari Monteiro, a valsa Flor de laranjeira, de Ari Monteiro e Irani de Oliveira e o fox Parabéns a você, com arranjos do maestro Lindolfo Gaya. Ainda em 1952, realizou gravações em separado com seu conjunto e com seu sexteto. Com o sexteto Zacarias gravou a guarânia Índia, em ritmo de baião, e o choro Sugestivo, de Moacir Silva. Já com seu conjunto gravou o bolero-mambo Jezebel, de Wayne Shanklin, e o baião Dance no baião, com arranjos de sua autoria. Em 1953, gravou de sua autoria o choro Rebolando, de Lourival Faissal e Getúlio Macedo, o baião O banjo no baião, e, de Carnera o frevo Esquecendo as mágoas. No mesmo ano, realizou uma série de programas na Rádio Nacional do Rio de Janeiro e formou o Conjunto Zacarias para atuar na Boate Vogue. No mesmo período, organizou com o pianista Fats Elpídio o Quarteto Excelsior, a fim de atuar no Hotel Excelsior.

Em 1954, gravou o samba Agora é cinza, de Bide e Marçal, os frevos Vassourinhas no Rio de Carnera, e Isquenta mulhé, de Nelson Ferreira. Em 1955, gravou os frevos Vassourinha do Levino, de Levino Ferreira, Carro-chefe, de Nelson Ferreira, e Vale-tudo, de Carnera. Ainda em 1955, foi escolhido pelo crítico Silvio Túlio Cardoso, através da coluna "Discos populares" escrita por ele para o jornal O Globo, como o "melhor regente de pequeno conjunto do ano" recebendo como prêmio um disco de ouro entregue em cerimônia no Golden Room do Copacabana Palace. Em 1956, gravou os frevos Zaccarias no frevo, de Carnera e Tempo quente, de Edgard Morais. No mesmo ano, gravou com Fats Elpídio, na dobradinha clarinete e piano, a canção Os pobres de Paris, de Marguerite Monnot e o fox Blue star, de Young e Heyman.

Em 1957, gravou de Ary Barroso os sambas Aquarela do Brasil e Na Baixa do Sapateiro, e de Mário Zan e J. M. Alves, o dobrado Quarto centenário. Recebeu nesse mesmo ano seu segundo Disco de Ouro. Na mesma época, trocou o Excelsior pelo Country Clube do Rio de Janeiro, ocasião em que ampliou seu conjunto, transformando-o em um sexteto com a entrada de mais um sax e um trombone.

Nos anos 1950, atuou durante sete anos no carnaval do Clube Internacional de Recife. Em 1960, estreou com o diretor da Orquestra da TV Excelsior do Rio de Janeiro, ocasião na qual abandonou a direção musical da RCA Victor. No mesmo ano gravou com seu conjunto e coro os sambas A corneta no samba, de Monsueto Menezes, e Nostalgia, de sua autoria. Em 1961, gravou o rojão É crime não saber ler, de sua autoria, o xote Mulher transviada, de sua autoria e J. Borges, e com sua orquestra, o frevo-de-bloco Recordando a mocidade, de Edgard Morais e o frevo-canção Segure esse bode, dos Irmãos Valença.

Em 1962, gravou com seu regional os xaxados Chen-en-en, de Rui Morais e Silva, e Pagode da Maria, de sua autoria e Manoel Avelino. Durante os anos 1960, gravou 21 LPs com a Orquestra Namorados do Caribe, composta por antigos elementos de sua orquestra e por uma seção de cordas. Ao longo de sua carreira gravou dezenas de discos, incluindo diferentes gêneros musicais, especialmente sambas e frevos.

Em 1966, com o fechamento da TV Excelsior, passou a atuar em boates. Em 1971, abandonou a carreira artística.

Discografia

Vira as máquinas / Cai, cai (1943) Victor 78; Cadê você / Primeira bateria (1943) Victor 78; A hora é essa / Bye, bye, my baby (1943) Victor 78; Cai, cai / Brasil (1944) Victor 78; Tico-tico no fubá / Morena boca de ouro (1944) Victor 78; Aquarela do Brasil / Praça onze (1944) Victor 78; Carinhoso / Batuque no morro (1944) Victor 78; Não tenho lágrimas / O caminho é longo para Tipperary (1944) Victor 78; A casinha pequenina / Jurô (1946) Victor 78; Meu limão, meu limoeiro / Implorar (1946) Victor 78; Menina dos olhos / Escorregando (1946) Victor 78;Meu chamego é você (1946) Victor 78; Edinho no frevo (1946) Victor 78 / Olha a saúde (1946) Victor 78; De guarda-sol aberto (1946) Victor 78; Entra na fila (1946) Victor 78; Feiticeira / Sétimo véu (1947) RCA Victor 78; Palpite feliz / Danúbio azul (1947) RCA Victor 78; Gafanhoto / Lamento negro (1947) RCA Victor 78; Linguarudo (1947) RCA Victor 78; Tira-teima (1947) RCA Victor 78; Chegou sua vez (1947) RCA Victor 78; Cheguei na hora (1947) RCA Victor 78; Agora é você (1947) RCA Victor 78; Peguei um ita no Norte / Atraente (1949) RCA Victor 78; Lá vai veneno (1950) RCA Victor 78; O tocador quer fumar (1950) RCA Victor 78; Frevo da meia-noite (1950) RCA Victor 78; O caldeirão está fervendo (1950) RCA Victor 78; Com essa eu vou (1950) RCA Victor 78; Gaúcho (1950) RCA Victor 78; Três da tarde / Fogão (1950) RCA Victor 78; Sururu na cidade / Último desejo (1950) RCA Victor 78; Canta Brasil / No rancho fundo (1950) RCA Victor 78; Frevo dos vassourinhas / Freio a óleo (1950) RCA Victor 78; Aperta o passo (1950) RCA Victor 78; Lágrimas de folião (1950) RCA Victor 78; Gostozinho (1950) RCA Victor 78; Ponto final (1950) RCA Victor 78; Feitio de oração / Mesquitiando (1951) RCA Victor 78; Peixe vivo / Meu barquinho (1951) RCA Victor 78; Favela / Pedalinho (1951) RCA Victor 78; Canhão setenta e cinco / Saudades de Raul Morais (1951) RCA Victor 78; Minas Gerais / O delegado é o mesmo (1951) RCA Victor 78; Fazendo inferno (1951) RCA Victor 78; É pra quem pode / Adeus alegoria (1951) RCA Victor 78; Clarins da madrugada (1951) RCA Victor 78; Tira prosa (1951) RCA Victor 78; Xamexuga / Franci (1952) RCA Victor 78; Flor de laranjeira / Parabéns a você (1952) RCA Victor 78; Índia / Sugestivo (1952) RCA Victor 78; Jezebel / Dance no baião (1952) RCA Victor 78; É pra fuxico (1952) RCA Victor 78; Fantasma (1952) RCA Victor 78; Cangarussu / Carlos Avelino (1952) RCA Victor 78; Tota no frevo (1952) RCA Victor 78; Geraldo no frevo / Levado da breca (1952) RCA Victor 78; O banjo no baião / Rebolando (1953) RCA Victor 78; Esquecendo as mágoas (1953) RCA Victor 78; Baião do sul / Auf wierdersehen, meu amor. Com seu conjunto (1953) RCA Victor 78; Agora é cinza / Fecha, carrança (1954) RCA Victor 78; Arrasta-pé / Nostálgico (1954) RCA Victor 78; Vassourinhas no Rio (1954) RCA Victor 78; Isquenta mulhé (1954) RCA Victor 78; O frevo é assim (1954) RCA Victor 78; Ebb tibe / Anna (1954) RCA Victor 78; Por amor / Gracioso. Com seu conjunto (1954) RCA Victor 78; Vassourinha do Levino/Vai mexendo (1955) RCA Victor 78; Vale-tudo (1955) RCA Victor 78; Carro-chefe (1955) RCA Victor 78; Zaccarias no frevo (1956) RCA Victor 78; Não adianta chorar / Desacatando (1956) RCA Victor 78; Tempo quente (1956) RCA Victor 78; Os pobres de Paris / Blue star. Com Fats Elpídio (1956) RCA Victor 78; A woman in love / The tender trap. Com Fats Elpídio (1956) RCA Victor 78; Mr. Wonderful / Memories are made of this. Com Fats Elpídio (1956) RCA Victor 78; Aquarela do Brasil / Na Baixa do Sapateiro (1957) RCA Victor 78; Quarto centenário / Dobrado 220 (1957) RCA Victor 78; Papa-filas (1958) RCA Victor 78;  Sacode tudo (1958) RCA Victor 78; Viva o nosso papai. Com Quarteto Excelsior (1959) RCA Victor 78; Sambas em black tie [195?] RCA Victor LP; Sambas em desfile [195?] RCA Victor LP; Uma noite no Country Club [195?] RCA Victor LP; Coquetel dançante Nº 2 [195?] RCA Victor LP; Música, maestro [195?] RCA Victor LP; A corneta no samba / Nostalgia (1960) RCA Victor 78; Gavião / É de estourar (1961) RCA Victor 78; Recordando a mocidade / Segure esse bode (1961) RCA Victor.

Fontes: Discografia de Zaccarias; Dicionário Cravo Albin da MPB.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Fon-Fon

Fon-Fon (Otaviano Romero Monteiro), regente, arranjador, instrumentista e compositor nasceu em Santa Luzia do Norte/AL em 31/01/1908 e faleceu em Atenas/Grécia em 10/08/1951. Iniciou as atividades musicais aos dez anos, tocando piano numa zabumba em sua cidade.

Foi para Recife/PE estudar no Colégio Batista, mas, logo depois, abandonou a escola e voltou para Santa Luzia do Norte, onde recebeu convite para trabalhar no interior do Estado de São Paulo. Quando chegou a São Paulo/SP, resolveu permanecer na capital, mas, sem carteira de reservista, e, portanto, sem possibilidades de conseguir emprego, ingressou no Batalhão de Polícia, pensando em participar da banda (o que não foi possível porque não sabia ler música). Voltou para sua terra e, em seguida, foi para Maceió/AL, onde passou a trabalhar como correntista em um escritório. Nessa época, começou a estudar música.

Em 1927, transferiu-se para o Rio de Janeiro/RJ, para servir no 2º Regimento de Infantaria. Com o mestre de frevo Garrafinha, contramestre da banda do regimento, aperfeiçoou seus conhecimentos musicais, estudando saxofone. O apelido foi-lhe dado pelo clarinetista Dedé, companheiro de regimento, porque, quando tocava saxofone, não tirava os agudos com clareza e o som saia sempre parecido com fon-fon.

Por essa época, começou a tocar em "dancings". Numa festa em que Dedé faltou, substituiu-o na clarineta, interpretando, com muito sucesso, You Are Meantfor Me. Em 1930, deixou o Exército e passou a atuar em diversos conjuntos, e com um deles fez uma viagem à Argentina, onde permaneceu por um ano. De volta ao Brasil, ingressou na Orquestra de Romeu Silva e, posteriormente, na de Silvio Sousa.

Em 1935, por motivo de doença, afastou-se das atividades musicais, retomadas em 1939, quando começou a ensaiar sua própria orquestra. Nessa primeira tentativa, não teve êxito. Mais tarde, reuniu novos músicos, com os quais passou a atuar no Cassino Assírio, tendo o maestro Radamés Gnattali como arranjador.

Com o mesmo estilo das orquestras de danças norte-americanas que faziam grande sucesso na época, como as de Benny Goodman, Tommy Dorsey e Artie Shaw, a Orquestra de Fon-Fon alcançou muito êxito entre a elite carioca, freqüentadora do cassino. Em 1941, com sua orquestra, excursionou por Buenos Aires, Argentina, onde se apresentou na Radio Splendid.

De 1942 a 1947, no Brasil, o grupo fez o acompanhamento em dezenas de gravações, na Odeon, para os maiores cantores da época. Gravou poucos discos instrumentais, entre os quais o famoso choro Murmurando (de sua autoria e Mário Rossi), em 1946, na Odeon.

Em 1947, Fon-Fon e sua Orquestra foram para Paris, França, a convite do Club des Champs Elysées, permanecendo na Europa até 1951, e apresentando-se em diversos países, inclusive a Grécia, onde morreu.

Foi no exterior que a orquestra gravou seu único LP, na etiqueta London, não editado no Brasil. Foi o primeiro chefe de orquestra uma banda com naipes de saxofone e metais (trombones e trompetes), com uma sonoridade característica e identificável, contribuindo também para o sucesso de diversos cantores importantes que acompanhou.

(fonte: Collector's)