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segunda-feira, março 05, 2018

Foi boto sinhá - Gastão Formenti

Em noite de festa à beira do rio, o boto transforma-se em um belo rapaz, que se veste todo de branco e usa sempre um chapéu, também branco, na cabeça. Esse chapéu nunca é retirado, pois serve para esconder o orifício que tem na testa e usa para respirar. Não se sabe por que esse orifício não desaparece na sua transformação. Bonito e elegante, o rapaz é bom dançarino e bebedor. Conquista facilmente as moças jovens e bonitas, casadas ou não. Na festa, dança e namora. Depois, convida a namorada para um passeio, para seduzi-la.

Seu poder de sedução é incrível, hipnótico. Muitas de suas vítimas foram "salvas" no último momento porque alguém gritou, fez barulho e as tirou do transe. Após o envolvimento sensual, o boto atira-se no rio e volta à sua forma animal. A namorada, encantada, fica triste. Muitas vezes adoece e acaba por se atirar ao rio à procura do seu amado. As que resistem ao suicídio acabam por parir uma criança, que pode ser boto, já nascer na forma de peixe ou ser normal.

Inúmeras são as histórias contadas com a veracidade característica dos "cabôcos". O Boto é a saída social para as moças que engravidam sem casar. Desculpa fundamental que desvia a jovem do papel de pecadora para o de vítima. O mito também serve ao rapaz que engravidou uma jovem, uma vez que não será procurado, nem identificado, nem responsabilizado. Como resolve tantos "desconfortos", o Boto apresenta-se como um mito socialmente perfeito, sendo talvez esta a razão que o mantém tão vivo até hoje (Fonte: Uma visão sobre a interpretação das canções amazônicas de Waldemar Henrique - Márcia Jorge Aliverti).

Foi Boto, Sinhá!... (Tajá-panema) (batuque, 1933) - Waldemar Henrique e Antônio Tavernard - Intérprete: Gastão Formenti

Disco 78 rpm / Título da música: Foi Boto Sinhá!... / Antônio Tavernard (Compositor) / Waldemar Henrique (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1934 / Nº Álbum: 33807 / Lado B / Gênero musical: Batuque / Folclore.



Tajá-panema chorou no terreiro
Tajá-panema chorou no terreiro
E a virgem morena fugiu no costeiro

Foi boto, sinhá
Foi boto, sinhô
Que veio tentá
E a moça levou
E o tal dancará
Aquele doutô
Foi boto, sinhá
Foi boto, sinhô

Tajá-panema se pôs a chorar
Tajá-panema se pôs a chorar
Quem tem filha moça é bom vigiá!

Tajá-panema se pôs a chorar
Tajá-panema se pôs a chorar
Quem tem filha moça é bom vigiá!

O boto não dorme
No fundo do rio
Seu dom é enorme
Quem quer que o viu
Que diga, que informe
Se lhe resistiu
O boto não dorme
No fundo do rio...

Boi-bumbá - Gastão Formenti

W. Henrique
Boi-bumbá (cateretê, 1934) - Waldemar Henrique - Intérprete: Gastão Formenti

Disco 78 rpm / Título da música: Boi bumbá / Waldemar Henrique (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1935 / Nº Álbum: 33939 / Data de lançamento: 1935 / Lado B / Gênero musical: Cateretê / Folclore.



Ele não sabe que seu dia é hoje
Ele não sabe que seu dia é hoje
Ele não sabe que seu dia é hoje
Ele não sabe que seu dia é hoje

O céu forrado de veludo azul-marinho
Venho ver devagarinho
Onde o Boi ia dançar
Ele pediu pra não fazer muito ruído
Que o Santinho distraído
Foi dormir sem celebrar

E vem de longe o eco surdo do bumbá
Sambando
A noite inteira encurralado
Batucando
E vem de longe o eco surdo do bumbá
Sambando
A noite inteira encurralado
Batucando

Bumba meu Pai do Campo
Bumba meu boi bumbá

A Estrela Dalva lá no céu já vem surgindo
Para ouvir galo cantar
Na minha rua resta cinza da fogueira
Que passou a noite inteira
Fagulhando para o ar

E vem de longe o eco surdo do bumbá
Sambando
A noite inteira encurralado
Batucando

Bumba meu Pai do Campo
Bumba meu boi bumbá

terça-feira, fevereiro 06, 2018

Arrependimento - Gastão Formenti

Gastão Lamounier
Arrependimento (valsa, 1929) - Gastão Lamounier e Olegário Mariano - Intérprete: Gastão Formenti

Disco 78 rpm / Título da música: Arrependimento / Lamounier, Gastão, 1893-1984 (Compositor) / Mariano, Olegário, 1889-1958 (Compositor) / Formenti, Gastão (Intérprete) / Piano (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 28/03/1929 / Nº Álbum 11012 / Lado B / Gênero musical: Valsa.



Meu amor, porque pensas ainda em mim ?
Não chores a vida passada,
Porque todo romance tem fim...

Teu olhar, quando vejo cair no meu,
O que sinto não posso dizer-te,
Porque minha voz na garganta morreu...

Hoje em dia, eu vivo sozinho,
Recordando o calor que te dei,
Ao invés de saudade ou carinho,
Tenho horror de lembrar que te amei !

Se ainda falo da antiga promessa,
Que tua boca, tremendo, dizia,
É que nunca supus que hoje em dia,
Se esquecesse um amor tão depressa

Guarda bem, na lembrança e no ouvido,
O que penso, ao lembrar-me de ti,
Não recordo teu beijo, fanado e esquecido,
Nem lamento este amor que perdi !

sábado, junho 07, 2014

Gastão Formenti para os fãs do rádio


"Gastão Formenti é um artista que vive afastado da publicidade rumorosa e que pouca atenção dá ao meio radiofônico. Sua atuação é discreta, sem alardes.

Antes da radiofonia se ter desenvolvido no Rio, seu nome já era conhecido por todo o Brasil, como um excelente cantor, através dos discos que vem gravando.

Gastão Formenti não é apenas um cantor; é, também, um pintor de mérito, várias vezes premiado no Salão de Belas-Artes como paisagista. Tem atuado em várias emissoras."


Fonte: "Carioca", edição 79, de 24/4/1937.

segunda-feira, dezembro 16, 2013

Dois apitos...

Gastão Formenti
Gastão Formenti e Moreira da Silva? Dois cantores em atividades duplas no ano de 1935. O primeiro, já um consagrado intérprete, artista, pintor de quadros. O segundo, chofer de ambulância e iniciando a futura e duradoura carreira de mestre-cantor do samba-de-breque...

No meio radiofônico há um grande número de figuras que tocam “dois apitos”, como se diz em linguagem popular, ou melhor, que se dedicam a dois gêneros diferentes de atividade.

Uma dessas figuras é o aplaudido cantor Gastão Formenti, muito conhecido através dos discos que tem gravado para diversas empresas e pela sua longa atuação perante o “broadcasting”.

Gastão Formenti é um dos nomes de maior relevo dos nossos círculos radiofônicos, aliando ao seu merecimento de cantor a discrição e a modéstia das atitudes.

O artista Gastão -1935
Gastão fez estudos para pintor na Escola de Belas Artes e tem figurado em várias exposições, concorrendo ao “Salão” oficial em diversas oportunidades. Tem seu estúdio à rua Joaquim Silva, 67. É aí que, ao mesmo tempo, pinta suas telas e ensaia as canções que canta ao microfone.

Também toca “dois apitos” o cantor Moreira da Silva, que foi o criador de “Implorar, só a Deus”, um dos sambas de maior sucesso do ano passado, vitorioso no concurso carnavalesco instituído pela Municipalidade.

Moreira da Silva, ao mesmo tempo que atua no microfone, é também funcionário municipal, trabalhando como motorista da Assistência.

Sua atuação no “broadcasting” tem que ser pautada não por sua própria vontade, mas pela escala dos plantões na Assistência. Volante habilíssimo, seu sucesso, na direção de uma ambulância, é igual ao que alcança no microfone, como intérprete festejado de sambas e marchinhas.

O cantor Moreira da Silva na direção uma ambulância - Foto: "Carioca" - 1935


Fonte: "Carioca", de 23/11/1935.

quinta-feira, setembro 26, 2013

A casinha de meu bem

Gastão Formenti
A casinha de meu bem (canção, 1928) - Joubert de Carvalho - Intérprete: Gastão Formenti

Disco 78 rpm / Título da música: A Casinha do Meu Bem / Joubert de Carvalho (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Dois violões (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº Álbum: 10238-A / Data da gravação: Junho/1928 / Data de lançamento: Setembro/1928 / Gênero musical: Canção



Em cima do morro tem uma casinha
É meu bem que mora lá
Que é pobrezinha, tem muita riqueza
De amor como não há...

A casinha que o meu bem mandou fazer
Lá no alto, p'ra ficar longe de mim...
(Não... não é assim...)
A casinha lá no morro
É p'ra esconder o nosso amor!

E quando anoitece naquele colina
Vem a luz, nosso luar
No entanto, ilumina mais que uma candeia
Fulgurar de um altar...

A casinha que o meu bem mandou fazer
Lá no alto, p'ra ficar longe de mim...
(Não... não é assim...)
A casinha lá no morro
É p'ra esconder o nosso amor!

Existe no mundo a felicidade
Que vagueia sempre ao léu
Onde ela mora é naquele ranchinho
Bem pertinho, lá no céu!

A casinha que o meu bem mandou fazer
Lá no alto, p'ra ficar longe de mim...
(Não... não é assim...)
A casinha lá no morro
É p'ra esconder o nosso amor!

domingo, agosto 25, 2013

24 de outubro

Gastão Formenti 1930
Dia 24 de outubro o presidente Washington Luís foi deposto pela junta militar que assumiu o poder no Rio de Janeiro, transferindo-o depois para Getúlio Vargas. É considerado o dia da vitória da Revolução de 30. Os “florianos”, que rimam com “soberanos”, devem ser os herdeiros de Floriano Peixoto, que consolidou a República, enfrentando encarniçada oposição da elite rural.

24 de Outubro (hino, 1930) - Catulo da Paixão Cearense e Henrique Vogeler

Disco 78 rpm / Título da música: 24 de outubro / Autoria: Cearense, Catulo da Paixão, 1863-1946 (Compositor) / Vogeler, Henrique (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Orquestra Brusnwick (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Brunswick, 1930 / Nº Álbum 10124 / Gênero musical: Hino /

Cantemos um hino à Glória,
Pais e filhos de leões,
Que os pampas estão cantando
Abraçados com os sertões.

Vinde a nós, bravos Getulios,
Destemidos Florianos,
Vós, Juarezes soberanos,
Generais triunfadores.
Mas trazeis na vossa frente,
Conduzindo a cavalgada,
A liberdade montada
Num corcel cheio de flores.

Derribado o despotismo
Expulsai num grande exemplo
Esses vendilhões do templo
Da República altaneira
Até que venham de joelhos
Pedir-nos perdão um dia
Rezando uma Ave Maria
Aos pés de nossa bandeira

Vinde a nós, bravos Getulios,
Destemidos Florianos,
Vós, Juarezes soberanos,
Generais triunfadores.
Mas trazeis na vossa frente,
Conduzindo a cavalgada,
A liberdade montada
Num corcel cheio de flores.

De arma em punho, brasileiros,
Nesse ardoroso momento,
Ergamos o pensamento
Como quem reza uma missa,
Suplicando a Deus de joelhos
Que o Brasil reerguente
Seja o berço florescente
Do amor, da paz e justiça.


______________________________________________________________________ Fonte: Franklin Martins - Conexão Política - 24 de outubro

quinta-feira, janeiro 24, 2013

Ronaldo Lupo

Ronaldo Lupo (Ronaldo Lupovici), cantor, compositor e ator, nasceu em São Paulo SP em 18/12/1913, e faleceu na mesma cidade em 18/8/2005. De origem judaica, chegou a ser considerado galã do cinema nacional em algumas chanchadas por ele interpretadas e produzidas, especialmente durante a década de 1950, começo dos anos 1960.

Iniciou a carreira como compositor em 1934 quando teve gravado por Gastão Formenti na Victor o samba-canção Samba da saudade e por Moacyr Bueno Rocha na Columbia a valsa-canção Feliz de quem vive na ilusão e a canção-blue Eu sonhei, parcerias com Saint-Clair Sena.

Em 1935, teve gravadas na Columbia a marcha Deixa essa gente falá e o samba Meu amor nunca foi da cidade, por Jaime Vogeler e a marcha Cuidado! e o samba Por causa da tua fantasia por Castro Barbosa, parcerias com Saint Clair Sena.

Em 1936, teve mais duas parcerias com Saint-Clair Sena gravadas por Gastão Formenti, a valsa Na minha terra e o samba-canção Traição. Nesse ano, Aurora Miranda gravou na Odeon a marcha Prometo lhe dar tudo e o samba Meu pecado é te querer, também parcerias com Sain Clair Sena. Em 1941, atuou no filme Entra na farra, de Luiz de Barros que contou ainda com as participações de Arnaldo Amaral, Batista Júnior, Abel Pera e Zezé Macedo, entre outros. Nesse período, atuou na Rádio Mayrink Veiga.

Em 1944, gravou seu primeiro disco, pela Continental, com os fox Suave melodia, de Nelson S. Ferreira e Por que mentir?, de sua autoria e Zélia Moreira. Em 1945, foi para a Odeon e gravou o samba O que é que ela tem?, parceria com Ari Brandão e o choro Zum-zum, de sua autoria. No ano seguinte, gravou a valsa Tic-tic-tac, de Sivan Castelo Neto e a cançoneta Tua carta, de sua parceria com Nestor Tangerini. Em 1947, retornou para a Continental e gravou a valsa O mundo dá tanta volta, de Raimundo Lopes e o fox-blue Capricho de mulher, de sua autoria e Alberto Ribeiro.

Em 1949, gravou a toada Morena, morena, parceria com Jair Amorim e o samba Moreninha carioca, parceria com Alberto Ribeiro. Durante toda a década de 1950, dedicou-se a fazer filmes, nos quais sempre cantava e interpretava.

Em 1950, lançou a cançoneta Vou desistir de namorar, parceria com Nestor Tangerini e o samba Linda cidade, de sua autoria. Nesse ano, transferiu-se para a Todamérica e lançou o Baião em Paris, parceria com o bailarino Duque e o fox Depois eu conto, parceria com Nestor Tangerini. Em 1952, gravou o bolero Foi você, de Oscar Bellandi e Paulo Gesta e o samba Manon, de Alice Alves e Nestor Tangerini. Nesse mesmo ano, gravou o samba Sem ti, de sua parceria com Jair Amorim e a Canção da viagem, de sua autoria.

Em 1953, gravou o beguine Beija-me, jura-me, de sua autoria e o samba Você nasceu pra mim, parceria com Oldemar Magalhães. Nesse ano, atuou no filme Era uma vez um vagabundo, com direção de Luiz de Barros, filme que produziu com recursos próprios, obtendo sucesso de crítica e de público. Em 1955, foi para a gravadora Columbia e lançou o samba-chamego Me dá, me dá, me dá!..., de sua autoria e o samba Não me convém..., parceria com Nestor Tangerini.

Em 1956, gravou o samba Olha um pouco para mim..., de sua autoria e Jair Amorim e que fez parte da trilha sonora do filme Genival é de morte. Nesse ano, gravou na Mocambo o fox-canção Cinco sentidos, com Nestor Tangerini e relançou o samba Você nasceu pra mim, com Oldemar Magalhães. Foi o responsável pelo lançamento do ator Zé Trindade na série de filmes com o personagem Genival: Trabalhou bem Genival e Genival é de morte. Ainda com Zé Trindade, atuou no filme Tem boi na linha, grande sucesso de público. Em 1958, gravou a canção Confissão, parceria com Lourival Faissal e o fox-humorístico Depois eu conto, parceria com Nestor Tangerine.

Nessa época, sua carreira entrou em declínio e ele parou de gravar discos. Trabalhou também com Dercy Gonçalves no filme Só naquela base. Foi distribuidor da Embrafilmes. Produziu ainda os filmes Briga, mulher e samba, Quero essa mulher assim mesmo, Hoje o galo sou eu, As aventuras de Chico Valente e Só naquela base. Atuou ainda com Procópio Ferreira no filme Titio não é sopa não.

Em 2003, como comemoração a seus 90 anos de idade, gravou o CD Ronaldo Lupo aos 90 - Para os amigos, CD no qual relembrou sucessos seus como Eu sonhei, Como um velho trovador, Morena. Morena, Confissão e Samba da saudade.

Obras
Baião em Paris (c/ Duque), Beija-me, jura-me, Canção da viagem, Capricho de mulher (c/ Alberto Ribeiro), Cinco sentidos (c/ Nestor Tangerini), Confissão (c/ Lourival Faissal), Depois eu conto (c/ Nestor Tangerini), Eu sonhei (c/ Saint-Clair Sena), Feliz de quem vive na ilusão (c/ Saint-Clair Sena), Linda cidade, Me dá, me dá, me dá!..., Meu pecado é te querer (c/ Saint-Clair Sena), Morena, morena (c/ Jair Amorim), Moreninha carioca (c/ Alberto Ribeiro), Na minha terra (c/ Saint-Clair Sena), Não me convém... (c/ Nestor Tangerini), O que é que ela tem? (c/ Ari Brandão), Olha um pouco para mim... (c/ Jair Amorim), Por que mentir? (c/ Zélia Moreira), Prometo lhe dar tudo (c/ Saint-Clair Sena), Samba da saudade (c/ Saint-Clair Sena), Sem ti (c/ Jair Amorim), Traição (c/ Saint-Clair Sena), Tua carta (c/ Nestor Tangerini), Você nasceu pra mim (c/ Oldemar Magalhães), Vou desistir de namorar (c/ Nestor Tangerini), Zum-zum.

Discografia
(1944) Suave melodia / Por que mentir? • Continental • 78
(1945) O que é que ela tem? / Zum-zum • Odeon • 78
(1946) Tic-tic-tac / Tua carta • Odeon • 78
(1947) O mundo dá tanta volta / Capricho de mulher • Continental • 78
(1949) Morena, morena / Moreninha carioca • Continental • 78
(1950) Vou desistir de namorar / Linda cidade • Continental • 78
(1950) Baião em Paris / Depois eu conto • Todamérica • 78
(1952) Foi você / Manon • Todamérica • 78
(1952) Sem ti / Canção da viagem • Todamérica • 78
(1953) Beija-me, jura-me / Você nasceu pra mim • Todamérica • 78
(1955) Me dá, me dá, me dá!... / Não me convém... • Columbia • 78
(1955) Cinco sentidos / Você nasceu pra mim • Mocambo • 78
(1956) Olha um pouco para mim... • Todamérica • 78
(1958) Confissão/Depois eu conto • Columbia • 78
(2003) Ronaldo Lupo aos 90 - Para os amigos • CD

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

quarta-feira, novembro 10, 2010

Meu sofrer

Gastão Formenti
Meu sofrer (Queixumes) (modinha, 1930) - Noel Rosa e Henrique Brito

Disco 78 rpm / Título: Meu sofrer (Queixumes) / Autoria: Brito, Henrique, 1908-1935 (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / violões (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Brunswick, 1930 / Nº Álbum 10120 / Lançamento 12/1930 / Lado B / Gênero: Modinha /

Sem estes teus tão lindos olhos,
Eu não seria sofredor
Os meus ferinos abrolhos
Nasceram do teu amor.
Eu hoje sou um trovador
E gosto até de assim penar,
Vou te dizer os meus queixumes:
Ciúmes tenho do seu olhar.

Quero sempre te ver bem junto a mim,
Porque te esquivas, assim, coração
De uma paixão?
O teu olhar traz alegria
Mas também traz o amargor,
Sem ele, então, não viveria
Vida não há sem dor.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Ary Kerner

Ary Kerner (Ari Kerner Veiga de Castro), compositor, instrumentista, poeta, jornalista e dramaturgo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 27/02/1906, e faleceu na mesma cidade em 04/04/1963.

Como jornalista, colaborou em diversos jornais e revistas do Rio de Janeiro, como O Malho, Fon-Fon, O Cruzeiro, O Globo, Correio da Manhã, Diário de Notícias e A Noite.

Foi autor de diversos livros, entre os quais Rimário de ilusões, publicado em 1927, ano em que compôs a marchinha Seu Agache, satirizando o convite do então prefeito carioca Prado Júnior ao urbanista francês Alfred Agache para realizar um plano de modernização da cidade. Esta marchinha foi gravada em 1929, na Victor, por Sílvio Salema. Inspetor do ensino comercial, foi também funcionário da secretaria do Senado Federal. 

Suas principais composições, algumas assinadas como V. de Castro, são Trepa no coqueiro, embolada gravada por Patrício Teixeira na Odeon, em 1929, regravada por Mário Pessoa na Victor, em 1930 e, com grande sucesso, por Carmélia Alves, na Continental, em 1950; Coco de lndaiá, toada lançada por Paraguassu, na Columbia, também em 1929; Na Serra da Mantiqueira, canção gravada por Gastão Formenti, na Victor, em 1932 (inspirada na Revolução Constitucionalista, que apoiou, estando em São Paulo na ocasião, tendo editado, ainda, a marcha-hino patriótica em homenagem ao interventor paulista Pedro de Toledo, Vencer ou morrer, parceria com José Maria de Abreu); Recordar, gravada também por Gastão Formenti na Victor, em 1934. 

Em 1933 fez músicas para a burleta Alma de caboclo, levada na Casa de Caboclo, no Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, sua canção Promessa (com José Maria de Abreu) venceu o concurso de músicas brasileiras do jornal A Noite, e a canção Ouve amor recebeu menção honrosa, ambas gravadas por Gastão Formenti.

Ainda em 1933, escreveu a peça regional Promessa, com músicas suas e de outros autores, encenada pela Casa de Caboclo, com mais de uma centena de apresentações, tendo no elenco Dercy Gonçalves

Obra 

Coco de Indaiá, toada, 1929; Na serra da Mantiqueira, canção, 1932; Promessa (c/ José Maria de Abreu), canção, 1933; Recordar, 1934; Seu Agache, marcha, 1929; Trepa no coqueiro, embolada, 1929.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

domingo, setembro 26, 2010

Sussuarana

Hekel Tavares
Hekel Tavares (1896/1969) nasceu num berço musical: além da mãe pianista e pai flautista, cresceu em Alagoas ouvindo repentes, reisados, maracatus e congadas, e isto marcou sua vida para sempre. Quando veio para o Rio de Janeiro, em 1921, já tocava piano, harmônica e cavaquinho.

Estudou harmonia e composição com os maestros Francisco Braga e J. Otaviano, entre outros. Da mesma geração que Heitor Villa-Lobos e Francisco Mignone, Hekel aliou a sólida formação musical ao amor pela profusão de ritmos e formas que a música popular lhe oferecia.

E foi no teatro de revista que começou a compor de forma profissional. Durante a década de 20 compôs várias canções, com diversos letristas. Um dos mais constantes, o bamba Luiz Peixoto, o levou ao sucesso radiofônico com Sussuarana, pela voz de Gastão Formenti.

Sussuarana (toada, 1928) - Hekel Tavares e Luiz Peixoto - Intérprete: Gastão Formenti

Disco 78 rpm / Título da música: Sussuarana / Hekel Tavares, 1896-1969 (Compositor) / Luiz Peixoto (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Rogério Guimarães [Violão] (Acomp.) / Gravadora: Odeon, 1928 / Nº do Álbum: 10171-a / Nº da Matriz: 1513-I / Lançamento: Maio/1928 / Gênero musical: Canção / Coleções: IMS, Nirez


Faz três sumana / Que na festa de Sant'Ana
O Zezé Sussuarana / Me chamou pra conversar
Dessa bocada / Nóis saímo pela estrada
Ninguém não dizia nada / Fomo andando devagar

A noite veio / O caminho estava em meio
Eu tive aquele arreceio / Que alguém nos pudesse ver
Eu quis dizer / Sussuarana, vamo imbora
Mas Virgem Nossa Senhora / Cadê boca pra dizer

Mais adiante / Do mundo, já bem distante
Nóis paremo um instante / Predemo a suspiração
Envergonhado / Ele partiu para o meu lado
Ó Virgem dos meus pecados / Me dê a absorvição

Foi coisa feita / Foi mandinga, foi maleita
Que nunca mais indireita / Que nos botaram, é capaz
Sussuarana / Meu coração não me engana
Vai fazer cinco sumana / Tu não volta nunca mais


A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34

sábado, março 08, 2008

Folhas ao vento

Folhas ao vento (valsa, 1934) - Milton Amaral - Intérprete: Gastão Formenti

Disco 78 rpm / Título da música: Folhas ao vento / Milton Amaral (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 13/11/1933 / Lançamento: 03/1934 / Nº do Álbum: 33761 / Nº da Matriz: 65885-1 / Gênero musical: Valsa


Tão mimosa
Graciosa e angelical
Nasceu em seu jardim uma linda flor
Naquela noite santa de Natal
No momento que juramos eterno amor
No entanto você tudo esqueceu
Trocando meu coração por outro ser
E a flor, ao ver a sua ingratidão
Murchou e em prantos se desfolhou
Até morrer.

Folhas ao vento
Já que o destino assim nos transformou
Envelheci
Na lucidez da imensa provação
Num labirinto
De tristeza e saudade
Num relicário, a cruci dor da ingratidão

Folhas ao vento
Quando a bonança veio me abraçar
Num desalento
Aquele amor fui encontrar
Numa igrejinha, tendo ao colo filho seus
Pedindo uma esmola
Pelo amor de Deus!



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quinta-feira, março 06, 2008

Na Serra da Mantiqueira

Na Serra da Mantiqueira (canção, 1933) - Ary Kerner Veiga de Castro - Intérprete: Gastão Formenti

Disco 78 rpm / Título da música: Na Serra da Mantiqueira / Ari Kerner Veiga de Castro, 1906-1963 (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / João Martins [Direção], Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 01/11/1932 / Lançamento: 12/1932 / Nº do Álbum: 33595 / Nº da Matriz: 65586-2 / Gênero: Canção



Na Serra da Mantiqueira
Sob a fronde da mangueira
Que ela em moça viu plantar
Sentadinha no seu banco
Trançando o cabelo branco
Mãe Maria, vai sonhar...

Dos amores do passado
Só lhe resta um filho amado
Que lhe dá felicidade
Ele é todo o seu encanto
Sua vida, o fruto santo
Da longínqua mocidade.

E nas nuvens que correndo
Vão no céu aparecendo
Pra no ocaso descansar
Ela vê seus belos dias
De venturas e alegrias
Que não mais hão de voltar...

Eis porém que veio a guerra
Abalando toda a serra
Com o rugido do canhão
E a velhinha amargurada
Viu seu filho, lá na estrada
Se sumir, num batalhão...

Segurando seu rosário
No seu banco solitário
Mãe Maria reza agora
Pede a Deus ardentemente
Que lhe mande o filho ausente
Que já tanto se demora.

E numa tarde ao sol poente
Ela escuta de repente
A voz meiga do rapaz
Que lhe diz, tal como em vida:
Muito em breve, mãe querida
Lá no céu me encontrarás...



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Tutu Marambá

Em 1929 Joubert de Carvalho mostrou para Olegário Mariano as melodias para dois poemas seus, o Cai, cai, balão e Tutu Marambá, gravadas por Gastão Formenti, dando início a uma parceria de 24 composições.

Tutu Marambá (canção, 1929) - Joubert de Carvalho e Olegário Mariano

Disco 78 rpm / Título da música: Tutu Marambá / Joubert de Carvalho (Compositor) / Olegário Mariano, 1889-1958 (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10333 / Nº da Matriz: 2250 / Lançamento: Março/1929 / Gênero musical: Canção / Coleções: IMS, Nirez


Tutu Marambá não venhas mais cá
Que o pai do menino te manda matar...

No seu berço de renda
Com brocardo de oiro
Os olhinhos redondos
De espanto e alegria!
Ele olha a vida
Como quem olha um tesoiro
Meu filho
É o mais lindo dessa freguesia!

O filho da coruja
A boquinha em rosa
A mãozinha suja
Com os dedinhos gordos
Já dá adeus!

Fala uma língua que ninguém compreende
Toda a gente que o vê se surpreende
Tão bonitinho
Benza Deus!

É redondo
Como uma bola
O seu polichinelo
Como um grande riso
É a única cousa que o consola:
Meu filho é o meu melhor sorriso...

De noite clara
Anda lá fora
O luar entra no quarto mais lindo
Com a expressão angélica de beijar
Roça o berço
O menino está dormindo
Então a voz de maldizente
Vai cantando maquinalmente:

Tutu Marambá não venhas mais cá
Que o pai do menino te manda matar...

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Aurora

Zequinha de Abreu
Aurora (valsa, 1929) - Zequinha de Abreu e Salvador Morais - Intérprete: Gastão Formenti

Disco 78 rpm / Título da música: Aurora / Salvador J. de Morais (Compositor) / Zequinha de Abreu (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10497-a / Nº da Matriz: 2972 / Lançamento: Novembro/1929 / Gênero musical: Valsa / Coleções: IMS, Nirez


Quis minha doce esposa,
Que me ama com ardor,
À profundeza das águas jogar !

Estava louco, possesso, esse dia...
A meiga companheira,
Toda a minha alegria,
Primeiro amor de minh'alma,
Alegria primeira,
Eu tentei matar !

Uns olhos de infernal fulgor,
Duma infernal sedução,
Dementaram-me de ardor,
Despertando um novo amor,
Com infernal sedução,
No meu coração
Mas, a tempo ainda,
Minh'alma assassina,
Se encheu de luz tão pura e linda...

A luz dourada e matutina,
Do arrependimento,
E ai ! Vi num momento,
Em minha mulher,
A mais sublime e divina,
Aurora de ouro rosicler !....




Hula

Joubert de Carvalho
Hula (valsa, 1929) - Joubert de Carvalho e Olegário Mariano - Intérprete: Gastão Formenti

Disco 78 rpm / Título da música: Hula / Joubert de Carvalho (Compositor) / Olegário Mariano, 1889-1958 (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 12982-a / Nº da Matriz: 2689 / Gravação: Junho/1929 / Lançamento: Julho/1929 / Gênero musical: Valsa / Coleções: Nirez, Humberto Franceschi


Ao teu olhar meu coração se incendeia
Abrindo em luz as candeias do amor
Mas quem sabe se o tempo faz apagar
A maldição da minha dor ...

Hula, Hula
Fala baixinho
E deixa seguir meu caminho
Hula, Hula
Como padeço
Humilhado porque não te esqueço
Tudo na vida eu farei
Para dar-te um dia
Um beijo que nunca te dei ...

O meu perdão
Tu não terás nessa vida
Porque malvada és, fingida demais
O que punge mais fundo
É a recordação de um tempo bom
Que não vem mais ...

Hula, Hula
Tenho desfeito teu sonho
Cá dentro do peito
Hula, Hula
Quanta saudade
Meus olhos parados invade
Como eu seria feliz se esquecer pudesse
O bem que na vida te quis ...



Fonte: Discografia Brasileira - IMS.

domingo, fevereiro 17, 2008

Azulão

Azulão (toada pernambucana) - motivo popular / Almirante e João de Barro

Título da música: Azulão / Gênero musical: Toada pernambucana / Intérprete: Gastão Formenti / Compositores: Almirante - João de Barro - motivo popular / Acompanhamento: Bando de Tangarás / Gravadora Victor / Número do Álbum 33628 / Data de Gravação: 29/12/1932 / Data de Lançamento: 03/1933 / Lado A / Disco 78 rpm:

Azulão é passo preto / Rouxinol cor de canela
Quem tem seu amor de fronte / Faz rondar, faz sentinela

Também faço sentinela / E rondo que nem soldado
Tua janela menina / Do vestidinho encarnado
A dias não te avistei / Fiquei triste desolado
Chorei muito com saudade / Do teu vestido encarnado

Azulão é passo preto / Rouxinol cor de canela
Quem tem seu amor de fronte / Faz rondar, faz sentinela

Por acaso aqui passando / Vi andorinhas bando alado
Perguntei se tinham visto / O teu vestido encarnado
Uma delas, disse às outras / Vive penando coitado
Neste vestido encarnado

Azulão é passo preto / Rouxinol cor de canela
Quem tem seu amor de fronte / Faz rondar, faz sentinela

As nuven já tem inveja / de ti meu anjo adorado
Ontem à tarde vieram / Vestidinhas de encarnado
E se Deus me perguntasse / Que queres e isto seja dado
Peço pra morrer nas dobras / Do teu vestido encarnado

Azulão passo preto / Rouxinol cor de canela
Quem tem seu amor de fronte / Faz rondar, faz sentinela
Quem tem seu amor e fronte / Faz rondar, faz sentinela
Faz sentinela

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Foi boto, sinhá!

Em noite de festa à beira do rio, o boto transforma-se em um belo rapaz, que se veste todo de branco e usa sempre um chapéu, também branco, na cabeça. Esse chapéu nunca é retirado, pois serve para esconder o orifício que tem na testa e usa para respirar. Não se sabe por que esse orifício não desaparece na sua transformação. Bonito e elegante, o rapaz é bom dançarino e bebedor. Conquista facilmente as moças jovens e bonitas, casadas ou não. Na festa, dança e namora. Depois, convida a namorada para um passeio, para seduzi-la.

Seu poder de sedução é incrível, hipnótico. Muitas de suas vítimas foram "salvas" no último momento porque alguém gritou, fez barulho e as tirou do transe. Após o envolvimento sensual, o boto atira-se no rio e volta à sua forma animal. A namorada, encantada, fica triste. Muitas vezes adoece e acaba por se atirar ao rio à procura do seu amado. As que resistem ao suicídio acabam por parir uma criança, que pode ser boto, já nascer na forma de peixe ou ser normal.

Inúmeras são as histórias contadas com a veracidade característica dos "cabôcos". O Boto é a saída social para as moças que engravidam sem casar. Desculpa fundamental que desvia a jovem do papel de pecadora para o de vítima. O mito também serve ao rapaz que engravidou uma jovem, uma vez que não será procurado, nem identificado, nem responsabilizado. Como resolve tantos "desconfortos", o Boto apresenta-se como um mito socialmente perfeito, sendo talvez esta a razão que o mantém tão vivo até hoje (Fonte: Uma visão sobre a interpretação das canções amazônicas de Waldemar Henrique - Márcia Jorge Aliverti).

Foi Boto, Sinhá!... (Tajá-panema) (batuque, 1933) - Waldemar Henrique e Antônio Tavernard - Intérprete: Gastão Formenti

Disco 78 rpm / Título da música: Foi Boto Sinhá!... / Antônio Tavernard (Compositor) / Waldemar Henrique (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1934 / Nº Álbum: 33807 / Lado B / Gênero musical: Batuque / Folclore.



Tajá-panema chorou no terreiro
Tajá-panema chorou no terreiro
E a virgem morena fugiu no costeiro

Foi boto, sinhá
Foi boto, sinhô
Que veio tentá
E a moça levou
E o tal dancará
Aquele doutô
Foi boto, sinhá
Foi boto, sinhô

Tajá-panema se pôs a chorar
Tajá-panema se pôs a chorar
Quem tem filha moça é bom vigiá!

Tajá-panema se pôs a chorar
Tajá-panema se pôs a chorar
Quem tem filha moça é bom vigiá!

O boto não dorme
No fundo do rio
Seu dom é enorme
Quem quer que o viu
Que diga, que informe
Se lhe resistiu
O boto não dorme
No fundo do rio...

Boi-bumbá

W. Henrique
Boi-bumbá (cateretê, 1934) - Waldemar Henrique - Intérprete: Gastão Formenti

Disco 78 rpm / Título da música: Boi bumbá / Waldemar Henrique (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1935 / Nº Álbum: 33939 / Data de lançamento: 1935 / Lado B / Gênero musical: Cateretê / Folclore.



Ele não sabe que seu dia é hoje
Ele não sabe que seu dia é hoje
Ele não sabe que seu dia é hoje
Ele não sabe que seu dia é hoje

O céu forrado de veludo azul-marinho
Venho ver devagarinho
Onde o Boi ia dançar
Ele pediu pra não fazer muito ruído
Que o Santinho distraído
Foi dormir sem celebrar

E vem de longe o eco surdo do bumbá
Sambando
A noite inteira encurralado
Batucando
E vem de longe o eco surdo do bumbá
Sambando
A noite inteira encurralado
Batucando

Bumba meu Pai do Campo
Bumba meu boi bumbá

A Estrela Dalva lá no céu já vem surgindo
Para ouvir galo cantar
Na minha rua resta cinza da fogueira
Que passou a noite inteira
Fagulhando para o ar

E vem de longe o eco surdo do bumbá
Sambando
A noite inteira encurralado
Batucando

Bumba meu Pai do Campo
Bumba meu boi bumbá

sexta-feira, março 31, 2006

Gastão Formenti

Gastão Formenti, cantor e pintor, nasceu em Guaratinguetá SP (24/6/1894) e faleceu no Rio de Janeiro RJ (28/5/1974). Filho de um italiano, pintor, decorador e cantor lírico amador tinha um ano, quando a família se mudou para São Paulo SP.


Fez o primário na Escola Filorette Fondacari em São Paulo e o secundário no Ginásio São Bento, no Rio de Janeiro. Aos nove anos começou a estudar pintura com o pai e com Pedro Strina. Em 1910, transferindo-se com a família para o Rio de Janeiro, passou a trabalhar com o pai em pintura e, a 25 de fevereiro de 1920, casou com Odília de Oliveira.

Levado pelo escritor Gastão Penalva, em 1927 apresentou-se na Rádio Sociedade, cantando Ontem ao luar (Choro e poesia) (de Pedro de Alcântara, com letra de Catulo da Paixão Cearense). Ainda nesse ano, foi contratado pela Odeon, que havia pouco inaugurara no Brasil o sistema elétrico de gravação. Seu primeiro disco incluía a canção sertaneja Anoitecer (de autor anônimo) e o tango sertanejo Cabocla apaixonada (Marcelo Tupinambá e Gastão Barroso). Em seguida, gravou composições de Joubert de Carvalho, entre as quais Canarinho, Rolinha, Boca pintada e Sabiá mimoso.

De 1927 a 1930, lançou músicas tanto pela Odeon, como pela sua subsidiária, a Parlophon. Em 1928 obteve êxito extraordinário com a gravação, na Parlophon, da canção Casa de caboclo, música de Hekel Tavares sobre motivos de Chiquinha Gonzaga e versos de Luiz Peixoto. Ao lado de Carmen Miranda, foi o primeiro cantor brasileiro a assinar contrato de rádio (com a Mayrink Veiga) em 1930, ao mesmo tempo em que passou a gravar na Brunswick. Ainda nesse ano transferiu-se para a Rádio Transmissora.

Em fevereiro de 1931 gravou um disco na Columbia e, logo depois, foi contratado pela Victor através da qual lançou várias músicas da dupla Joubert de Carvalho e Olegário Mariano, como o cateretê De papo pro á, a canção Zíngara e o fox Beduíno.

Em junho de 1932 gravou a canção Maringá (Joubert de Carvalho), que alcançou grande sucesso e que, mais tarde, daria nome à cidade paranaense. Em novembro do mesmo ano, gravou e fez sucesso com Na Serra da Mantiqueira (Ari Kerner). No ano seguinte, depois de gravar Folhas ao vento (Milton Amaral), passou a atuar na Rádio Clube.

Em 1934 e 1935, lançou várias composições de Valdemar Henrique. Cantor essencialmente romântico, fez sucesso no Carnaval de 1935 com Samba da saudade (Ronaldo Lupo e Saint-Clair Sena). Em 1937, depois de mais um grande êxito com a canção Coração, por que soluças (José Maria de Abreu e Saint-Clair Sena), voltou para a Odeon. Em 1939, na Columbia, gravou com sucesso a valsa Não sei para que viver (Saint-Clair Sena).

De volta à Odeon em 1941, no ano seguinte passou a cantar esporadicamente, dedicando-se à pintura, na qual também se destacou, tendo inclusive quadros expostos em museus brasileiros e do exterior. Em 1947, ainda na Odeon, lançou a valsa Não vale recordar (José Conde e Mário Rossi) e a toada-rumba Lua malvada (Saint-Clair Sena).

Em 1952, agora na Victor regravou Nhá Maria e Trovas de amor (ambas de Joubert de Carvalho) e, em 1956, na Sinter, relançou De papo pro ar e Maringá. Em 1959 a RCA Victor regravou seus grandes sucessos no LP Quadros musicais. Após esse lançamento, retirou-se definitivamente da vida artística. Deixou cerca de 314 gravações em 78 rpm, podendo ser considerado um dos grandes cantores brasileiros de todos os tempos, pela voz, interpretação, técnica e repertório.

Algumas músicas
















Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha; Dicionário Cravo Albin.