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sábado, junho 15, 2013

Airton Barbosa

Airton Barbosa (Airton Lima Barbosa), instrumentista, compositor e professor, nasceu em Bom Jardim, PE, em 20/09/1942, e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, RJ, em 31/05/1980. Iniciou seus estudos musicais aos 14 anos de idade, em sua cidade natal, onde, pouco tempo depois, começou a tocar saxofone na banda local.

Selecionado para o projeto "Jovens Talentos", iniciativa do Ministério da Educação e Cultura, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1960, onde passou a estudar fagote com o francês Noel Devos, integrante da Orquestra Sinfônica Brasileira.

Em 1962, fundou Quinteto Villa-Lobos, com o qual atuou até o final da vida e lançou os seguintes LPs: Quinteto Villa-Lobos (1966), Reencontro (1966), este gravado ao vivo no Teatro Santa Rosa (RJ) ao lado de Sylvia Telles, Edu Lobo e Tamba Trio, Vanguarda (1972), ao lado de Luís Eça, Quinteto Villa-Lobos interpreta (1977) e Mário Tavares, Radamés Gnattali e Ernest Widmer (1979).

Ainda nos anos 1960, foi aprovado em concurso para integrar o naipe de fagotes das orquestras do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e da Sinfônica Nacional da Rádio MEC.

Na década de 1970, começou a se dedicar também à composição de trilhas sonoras para cinema, com destaque para os seguintes filmes: Ajuricaba, o rebelde da Amazônia (1975), de Osvaldo Caldeira; Morte e Vida Severina (1977), de Zelito Viana - sobre poema de João Cabral de Melo Neto musicado por Chico Buarque de Hollanda -, para o qual compôs a música incidental, lançada em disco pela gravadora Marcus Pereira; e O Grande Palhaço (1979), também lançada em disco.

Ainda em 1977, fundou, em parceria com Mario de Aratanha, a gravadora Kuarup. Foi também o fundador da Cooperativa dos Músicos do Estado do Rio de Janeiro.

Seu último trabalho foi a produção do LP Saudades de um clarinete, homenagem a K-Ximbinho. O disco contou com a  participação do Quinteto Villa-Lobos e de outros instrumentistas brasileiros e só veio a ser lançado em 1981, após seu falecimento.

Ao longo de sua carreira, participou de gravações com vários outros artistas, como Edu Lobo, João Donato, Milton Nascimento, Paulinho da Viola, Flora Purim, Francisco Mário e Luiz Eça, entre outros.

Obra


As ciganas (c/ João Cabral de Melo Neto), Báscula, Chegada ao Recife (c/ João Cabral de Melo Neto), De sua formosura (c/ João Cabral de Melo Neto), Despedida do agreste (c/ João Cabral de Melo Neto), Encontro com o Canavial (c/ João Cabral de Melo Neto), Fala do Mestre Carpina (c/ João Cabral de Melo Neto), Homens de pedra (c/ João Cabral de Melo Neto), Marcha final, Mulher na corda, Mulher na janela (c/ Chico Buarque e João Cabral de Melo Neto), Notícias do alto sertão (c/ João Cabral de Melo Neto), O mágico, O outro Recife (c/ João Cabral de Melo Neto), O rio (c/ João Cabral de Melo Neto), Severino (c/ João Cabral de Melo Neto), Todo o Céu e a Terra (c/ João Cabral de Melo Neto), Toureiros, Trapézio da morte.

Discografia


1966 Quinteto Villa-Lobos (Quinteto Villa-Lobos) • Forma • LP; 1966 Reencontro (Silvinha Telles, Edu Lobo, Tamba Trio e Quinteto Villa-Lobos) • Elenco; 1966 Morte e Vida Severina - Trilha sonora do filme (autoral) • Marcus Pereira • LP; 1972 Vanguarda (Quinteto Villa-Lobos e Luizinho Eça) • Odeon; 1977 Quinteto Villa-Lobos interpreta (Quinteto Villa-Lobos) • Marcus Pereira; 1979 Mário Tavares, Radamés Gnattali e Ernest Widmer (Quinteto Villa-Lobos) • Funarte • LP; 1979 O grande palhaço - Trilha sonora do filme (autoral) • Coomusa.

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Fonte: Enciclopédia do Nordeste; Bibliografia Crítica: TAUBKIN, Miriam (org). Um Sopro de Brasil. Projeto Memória Brasileira, 2006.

quarta-feira, dezembro 12, 2012

Diana Pequeno

Diana Pequeno, cantora e compositora, nasceu em Salvador, BA, em 25 de janeiro de 1958. Seu sobrenome realmente é Pequeno, morou na Saúde, no bairro de Nazaré (centro de Salvador) e estudou no famoso Colégio de Aplicação - um dos grandes referenciais em termos de educação nos anos 50 a 70, ganhou até canção dos Novos Baianos. Desse, partiu para a Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde foi estudar Engenharia Elétrica.

Em um determinado momento, um amigo de seu pai, Bila, que lidava com música, perguntou se ele poderia indicar três boas cantoras para fazerem testes na RCA-Victor. A esta altura, Diana Pequeno já era conhecida nos meios universitários e midiáticos baianos; assim, seu pai resolveu indicá-la, meio que sem acreditar, junto com outras duas cantoras. Diana foi a única escolhida pela RCA-Victor - uma das gravadoras que mais projetou cantoras nos anos 70 - e, aos 19 anos, entrava em estúdio para gravar o seu primeiro disco.

Trabalhou com teatro e música no interior da Bahia. Radicou-se em São Paulo em 1978, quando lançou-se como cantora. Seu primeiro disco, Diana Pequeno, teve como carro-chefe uma versão para Blowin' In The Wind, de Bob Dylan e foi muito bem recebido pela crítica.

Estudou Engenharia Elétrica, trabalhou com teatro e música no interior da Bahia. Radicou-se em São Paulo em 1978, quando lançou-se como cantora. Seu primeiro disco, Diana Pequeno, teve como carro-chefe uma versão para Blowin' In The Wind, de Bob Dylan e foi muito bem recebido pela crítica.

No seu último disco, Cantigas, ela se voltou para os primórdios da música brasileira. São músicas raras de Chiquinha Gonzaga, Heitor Villa-Lobos, Alberto Nepomuceno, Catulo da Paixão Cearense e algumas mais novas de Edu Lobo, Dorival Caymmi, que se integram perfeitamente às demais. Dizem que ficou mais de um ano pesquisando repertório.

Em fins dos anos 1970, quando ainda era estudante de Engenharia Elétrica, destacou-se como cantora nos palcos universitários. Passou nessa época a dedicar-se à música, buscando um repertório caracteristicamente brasileiro, misturado a baladas românticas, além das influências medievais, orientais e africanas. Musicou poetas como Mário Quintana e Cecília Meireles.

Gravou seu primeiro disco pela BMG em 1978, com direção de criação de Osmar Zan e direção artística e de estúdio de Dércio Marques, com as participações especiais de Osvaldinho do Acordeom, Gereba, Grupo Bendegó, Dorothy Marques e Dércio Marques. Entre outras composições, gravou Cuitelinho, tema folclórico, adaptado por Paulo Vanzolini, Acalanto de Elomar, Los caminos de Pablo Milanez, Relvas de Dercio Marques e Claudio Murilo e a clássica balada Blowin'in the wind, do cantor e compositor norte americano Bob Dylan, com versão de sua autoria e acompanhamento ao violão de Dercio Marques, e que tornou-se seu grande sucesso.

O sucesso dela foi de maneira que, um dos músicos participantes do seu primeiro disco, acabou namorando e casando com ela. Trata-se do Dercio Marques, que a auxiliou na produção do seu segundo disco, Eterno como areia (RCA-Victor, 1979).

Em 1979 classificou-se para as finais do festival de música da extinta TV Tupi com a música Facho de fogo de João Bá e Vital França. Nesse ano, lançou o LP Eterno como areia, com destaque para Facho de fogo, de João Bá e Vidal França; Esse mar vai dar na Bahia, de Hilton Acioli; Cantiga de amigo, de Elomar e Camaleão, do folclore pernambucano, além da música título, de José Maria Giroldo.

Em 1980 foi classificada no festival MPB-80 da TV Globo, com a música Diversidade de  Chico Maranhão. Apresentou-se, ao longo de seus mais de vinte anos de carreira, em diversos países, entre os quais, o Japão onde participou do 13º Festival Internacional da Canção Popular de Tóquio, onde recebeu o prêmio originalidade com a música Papagaio dos cajueiros. Naquele país oriental lançou os discos Sentimento meu e Mistérios.

Em 1981 lançou pela RCA o LP Sinal de amor, interpretando entre outras, as composições Busca-pé de João Bá e Vidal França, Vagando de Paulinho Morais, Regina tema folclórico com adaptação de sua autoria, As flores deste jardim de Ricardo Villas e Laura em pareceria com Luiz Llach. No ano seguinte,lançou o LP Sentimento meu, música título de Melão e Vladimir Diniz, além de Amor de índio, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, Paisagem (Canção da menina moça) e Missa da terra sem males, de sua autoria.

Em 1982 separou-se de Décio Marques.

Quando poderia ter se tornado uma das maiores cantoras do Brasil, Diana tomou a decisão de afastar-se do mainstream. Aproveitou o fim do seu contrato com a RCA-Victor e não o renovou. Voltou ao curso de engenharia. Graduou-se. Recomeçava a vida aos 27 anos. Sua última participação para o grande público foi com um tema de novela, algo que ela só havia feito uma vez, na Bandeirantes, com Amor de Índio, que foi usada na trilha-sonora da novela em Maçã do Amor: Haja Coração, que entrou na trilha da trama global De quina pra lua. Longe de ser uma canção ao estilo Diana Pequeno, só foi lançada no LP da novela.

Em 1989, com ajuda da irmã Eliana Pequeno, que sempre foi sua produtora particular, Diana Pequeno lançou um disco independente chamado Mistérios (erroneamente chamado de Acquarius por alguns - a confusão se dá pelo nome que aparece no rótulo do LP, na verdade "Acquarius" era a produtora da Eliana Pequeno). É um disco intimista, mezzo pop, mezzo regionalista. Lançou também Mulher rendeira. É o disco mais raro de Diana Pequeno, principalmente pelo fato de sua venda ter sido feita pelos correios. A capa é bastante simples, com a sua foto de perfil em preto e branco.

Para esse LP escreveu Serei teu bem, versão para You've Got a Friend, de Carole King. Em 1989, gravou de maneira independente o LP Acquarius, que tinha entre outras as músicas Olhos abertos, de Guarabyra e Zé Rodrix; As ilhas, de Joyce; Mulher rendeira, de Zé Martins e Zé do Norte; Mil melodias, de Guilherme Rondon e Paulo Simões e Tudo no olhar e Ser feliz é melhor que nada, de sua autoria.

Após isto, Diana não fez aparições durante os anos 90.

Em 2001, lançou seu sétimo disco, pelo selo Rádio Mec, com clássicos da música popular brasileira de autoria de Carlos Gomes, Villa-Lobos, Chiquinha Gonzaga e Guerra Peixe, além de canções folclóricas. Em 2002, apresentou-se na Sala Funarte no Rio de Janeiro onde interpretou entras músicas, Lua branca, de Catulo da Paixão Cearense e Canoeiro, de Dorival Caymmi. É chamada de "Joan Baez" brasileira, pela pesquisa de músicas engajadas, tanto latinas quanto de roda que incluiu em seu repertório.

No seu último disco, Cantigas, ela se voltou para os primórdios da música brasileira. São músicas raras de Chiquinha Gonzaga, Villa-Lobos, Alberto Nepomuceno, Catulo da Paixão Cearense e algumas mais novas de Edu Lobo, Dorival Caymmi, que se integram perfeitamente às demais. Dizem que ficou mais de um ano pesquisando repertório.

Diana Pequeno sempre encantou pelo seu jeito descontraído de cantar. Embora ela fosse séria e compenetrada na sua interpretação, a sua voz causava uma sensação de intimidade jamais percebida em outro artista da MPB. O seu sotaque dava à canção um verdadeiro meio-termo entre o urbano e o rural. Ela podia cantar tão bem uma canção pop como Serei teu bem (versão de "I've Got a Friend", de Carolyn King), quanto uma canção intimista como Cuitelinho.

Em 2003, apresentou-se no programa "A vida é um show", apresentado por Miéle na TVE, quando falou de sua vida e de sua carreira.

A última aparição pública conhecida de Diana Pequeno foi em sua terra natal, no ano de 2005. Mais precisamente no projeto "Pelourinho Dia e Noite". Desde então, ela fez aparições na mídia. Apenas pessoas como o percussionista Papete, o Zeca (moderador de sua comunidade no Orkut) e o Zé Roberto (presidente do fã-clube), ainda tiveram algum contato com ela. Alguns dizem que Dianna fechou-se como profissional de engenharia. Outros, que ela encontra-se em projetos futuros.

Discografia

Diana Pequeno (1978) RCA Victor LP
Eterno como areia (1979) RCA Victor LP
Sinal de amor (1981) RCA Victor LP
Sentimento meu (1982) RCA Victor LP
O mistério das estrelas (1985) RCA Victor LP
Mistérios (1989) Acquarius/Independente LP
Cantigas (2002) Selo Rádio MEC CD

Fonte: Wikipédia; Dicionário Cravo Albin da MPB.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Reza


Reza (canção, 1965) - Edu Lobo e Ruy Guerra - Interpretações: Edu Lobo, Nara Leão e Tamba Trio.

LP 5 Na Bossa - Nara Leão, Edu Lobo e Tamba Trio / Título da música: Reza / Edu Lobo (Compositor) / Ruy Guerra (Compositor) / Nara Leão (Intérprete) / Edu Lobo (Intérprete) / Tamba Trio (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1965 / Álbum: P-632.769-L / Lado A / Faixa 2 / Gênero musical: Canção / Gravado ao vivo no Teatro Paramount - São Paulo.


Introdução: Dm7 G7/13 Dm7 G7/13 Dm7 G7/13
Dm7         G7/13
Por amor andei já
Dm7            G7/13
Tanto chão e mar
Gm7 C7/9          D/F# Dm/F
Senhor,     já nem sei
Dm7              G7/13
Se o amor não é mais
Dm7           G7/13
Bastante prá vencer
Gm7             C7/9
Eu já sei o que vou fazer
Dm/F           F6
Meu Senhor uma oração
Bm7/b5          Bb7M Am7 Dm7 G7/13
Vou cantar para ver se vai   valer
Dm7       G7/13    Dm7         G7/13
Laia, ladaia, sabatana, Ave Maria,
Dm7      G7/13    Dm7          G7/13
Laia, ladaia, sabatana, Ave Maria
Fm7       Bb7  Fm7   Bb7 Fm7      Bb7 Fm7 Bb7
Ó meu santo defensor     traga o meu amor
Dm7       G7/13    Dm7         G7/13
Laia, ladaia, sabatana, Ave Maria,
Dm7      G7/13    Dm7          G7/13
Laia, ladaia, sabatana, Ave Maria
Fm7     Bb7  Fm7   Bb7 Fm7 Bb7          Fm7
Se é fraca a oração    mil    vezes cantarei
Dm7       G7/13    Dm7         G7/13
Laia, ladaia, sabatana, Ave Maria,
Dm7      G7/13    Dm7          G7/13
Laia, ladaia, sabatana, Ave Maria

sexta-feira, novembro 16, 2007

Capinam


Capinam (José Carlos Capinam) nasceu em Esplanada, Bahia, e é considerado um dos grandes letristas de sua geração, tendo participado ativamente do movimento tropicalista no fim da década de 60. Poeta desde a adolescência, mudou-se para Salvador aos 19 anos, onde iniciou o curso de Direito, na Universidade Federal da Bahia.

Militante fervoroso do CPC da UNE, fez logo amizade com Caetano Veloso e Gilberto Gil, na época cursando, respectivamente, as faculdades de Filosofia e de Administração de Empresas.

Com o golpe militar, em 1964, é forçado a deixar Salvador e vai morar em São Paulo, onde inicia os primeiros poemas de seu livro de estréia, Inquisitorial. Alguns anos depois, volta à capital baiana, desta vez para fazer Medicina, profissão que chega a exercer por algum tempo.

Paralelamente, intensifica o seu trabalho como poeta e participa do primeiro disco de Gilberto Gil, em 1966, dividindo a parceria na faixa Viramundo. No mesmo ano, sua música Canção para Maria, defendida e composta em parceria com Paulinho da Viola, é um dos destaques do II Festival de Música da Record, obtendo a terceira colocação.

Torna-se um dos mais assediados letristas da época e vence com Edu Lobo o Festival da Record de 1967, com a canção Ponteio. Volta a se aproximar de seus conterrâneos – compõe com Gil o clássico Soy loco por ti, América, e integra o histórico disco Tropicália (68), ao lado de Caetano, Gil, Mutantes, Gal Costa, Tom Zé, Rogério Duprat e Torquato Neto.

Não diminui o seu ritmo como letrista e segue dividindo parcerias com grandes nomes da música, como Jards Macalé (em Gotham City, vaiadíssima no IV Festival Internacional da Canção de 1969), Fagner (em Como se Fosse) e Geraldo Azevedo (em For All Para Todos).

Em 2000, compôs a ópera Rei Brasil 500 Anos ao lado de Fernando Cerqueira e Paulo Dourado, uma crítica as comemoração dos 500 anos de Descobrimento do Brasil, e dividiu parceria nos novos discos de Tom Zé (em Perisséia) e de Sueli Costa (em Jardim).

Fonte: CliqueMusic.

terça-feira, abril 11, 2006

Edu Lobo


Eduardo de Góis Lobo, compositor, instrumentista, arranjador e cantor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 29/8/1943. Filho do compositor Fernando Lobo, foi criado no Rio de Janeiro e na casa dos tios, em Recife PE, onde passava as férias escolares. Seu primeiro instrumento foi o acordeom, que estudou dos oito aos 14 anos. Fez os cursos ginasial e colegial no Colégio Santo Inácio, e por essa época já tentava algumas composições. Na PUC cursou direito até o terceiro ano. Com 16 anos, começou a se interessar pelo violão, iniciando-se com um amigo de infância, o compositor Téo de Barros, e estudando mais tarde com Vilma Graça.


Por volta de 1961, passou a freqüentar shows, principalmente no Beco das Garrafas, em Copacabana, onde assistia a espetáculos dos representantes da nova geração musical, entre os quais João Gilberto e Sérgio Mendes. Nessa época, com Dori Caymmi e Marcos Vale, formou um conjunto que chegou a atuar em shows.

Seu pai incentivou-o, em 1962, a editar algumas composições. No mesmo ano, conheceu Vinícius de Moraes, que fez a letra para Só me fez bem gravada em 1967, no LP Edu-Betânia, da Elenco. Foi também Vinicius quem escreveu a contracapa de seu primeiro disco, um compacto duplo gravado em 1962 com quatro músicas, entre elas Balancinho e Amor de ilusão (ambas de sua autoria), bem dentro do estilo intimista característico da bossa nova. Logo ampliou seu trabalho com temas e motivos da cultura popular, graças a influência de Sérgio Ricardo, João do Vale, Carlos e principalmente Rui Guerra, seu parceiro em Canção da terra, Reza e Aleluia, canções representativas dessa nova fase de criação, marcada por seu conteúdo social.

Começando a compor para teatro, escreveu em 1963 as músicas para a peça Os Azeredos e os Benevides, de Oduvaldo Viana Filho. Entre elas, a canção Chegança (com Oduvaldo Viana Filho) alcançou grande sucesso. Outro êxito, Borandá, foi incluído no show Opinião, musical de protesto estreado no Rio de Janeiro em 1964. Ainda nesse ano, escreveu músicas para Berço de herói, peça teatral de Dias Gomes, e foi convidado por Gianfrancesco Guarnieri para participar da realização de um musical cuja idéia nascera da canção Zambi (com Vinícius de Moraes).

Em maio de 1965, estreou no Teatro de Arena, São Paulo SP, Arena conta Zumbi, de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, musicada por ele. Entre as canções do espetáculo, Upa, neguinho (com Gianfrancesco Guarnieri) tornou-se mais tarde um grande sucesso, cantado por Elis Regina. Em abril desse ano, inscreveu-se no I FMPB, da TV Excelsior, de São Paulo, com duas músicas, Aleluia (com Rui Guerra) e Arrastão (com Vinícius de Morais), ambas já gravadas em LP da Elenco, cuja distribuição foi adiada para que ficassem inéditas até o festival. Interpretada por Elis Regina, Arrastão foi a vencedora, projetando nacionalmente o compositor, já definido como um dos mais importantes da geração posterior ao surgimento da bossa nova. Ainda em 1965, apresentou-se ao lado de Nara Leão do Tamba Trio e do Quinteto Villa-Lobos na boate carioca Zum-Zum, em show dirigido por Aluísio de Oliveira.

Contratado pela TV Record, de São Paulo, passou a atuar semanalmente em programas dessa emissora, e em 1966 participou novamente de festivais: no II FMPB apresentou Jogo de roda (com Rui Guerra) e no I FIC, da TV Globo, Rio de Janeiro, concorreu com Canto triste (com Vinícius de Morais), esta classificada entre as finalistas. Nesse ano, excursionou pela Europa com outros artistas, entre os quais Sylvia Telles e o Salvador Trio, tendo o grupo gravado um disco na então República Federal da Alemanha.

No Brasil em 1967, depois de quatro meses em Paris, França, onde fez um filme para a televisão, voltou a participar de festivais, saindo vencedor do III FMPB, com Ponteio (com Capinam), interpretada por ele e Marília Medalha. No ano seguinte, saiu seu terceiro LP pela Philips, destacando o frevo-canção No Cordão da Saideira e a canção Memórias de Marta Saré (com Gianfrancesco Guarnieri), que alcançou o segundo lugar no IV FMPB. Gravada mais tarde (1971 ) nos E.U.A., com o nome de Crystal Illusions, seria também a canção-tema da peça Marta Saré, de Gianfrancesco Guarnieri, musicada por ele, que estreou em janeiro de 1969 no Teatro João Caetano, do Rio de Janeiro.

No início de 1969, participou do MIDEM, em Cannes, França. De volta ao Brasil, depois de uma passagem por Los Angeles, E.U.A., em abril do mesmo ano casou-se com Vanda Sá, partindo em seguida para Los Angeles, onde residiu por dois anos. Aí se dedicou ao estudo sistemático da música, fazendo cursos de orquestração com Albert Harris. Nesse período, excursionou pelo Japão, com Sérgio Mendes, que também produziu o LP Lobo, gravado em 1971 em Los Angeles e lançado pela A & M Records. Gravou ainda com Paul Desmond, saxofonista do Dave Brubeck Quartet, LP com composições suas e de Milton Nascimento.

Dentre os discos feitos nos E.U.A., apenas o LP Cantiga de longe foi editado no Brasil, trazendo a participação de Hermeto Pascoal, Airto Moreira e Vanda Sá, que reapareceu como intérprete na canção Água verde (de sua autoria).

De volta ao Brasil em 1971, trabalhou principalmente como arranjador, criando também a trilha sonora do filme Barão Otelo no barato dos milhões, de Miguel Borges. Compôs e realizou orquestrações para a peça teatral Woyzeck, de Georg Büchner (1813-1837), dirigida por Marilda Pedroso e encenada no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, em 1971. Fez arranjos para um disco de Marília Medalha e Vinícius de Morais, e em 1973 lançou o LP Edu Lobo (EMI) com músicas inéditas, inclusive uma missa. Ainda em 1973, trabalhou na orquestração das músicas de Calabar, ou O elogio da traição, peça teatral de Chico Buarque e Rui Guerra, algumas das quais foram lançadas em 1974 no LP Chico canta.

Em 1974 e 1975, atuou como arranjador contratado da TV Globo, tendo sido responsáveI pela parte musical de quatro programas da série Caso especial. Em 1975 lançou o LP Deus lhe pague (EMI), com músicas suas e de Vinícius de Moraes. No ano seguinte, pela Continental, lançou o LP Limite das águas. Em 1977 fez tournée por toda a Alemanha, promovendo Limite das águas, lançado no exterior pela etiqueta MPS. Um ano depois, gravou o LP Camaleão (Philips/Polygram), lançado no Brasil e no Japão. Em 1979 compôs a trilha sonora do filme Barra pesada, de Reginaldo Farias, ganhando prêmio no Festival de Cinema de Gramado RS.

Durante a década de 1980, compôs principalmente para teatro e cinema. Em 1980, após lançar o LP Tempo presente (Philips/Polygram), escreveu e compôs o balé Jogos de dança para o Teatro Guaíra, de Curitiba PR, lançado em disco no ano seguinte pela Som Livre. Em 1981, em parceria com Tom Jobim, lançou Tom e Edu (Philips/Polygram). Em 1983, em parceira com Chico Buarque, compôs o espetáculo O grande circo místico, que daria origem a um LP homônimo lançado pela Som Livre, com a participação de Gal Costa, Tom Jobim, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Tim Maia, entre outros. A parceria com Chico Buarque se repetiria com O corsário do rei, de 1985, e Dança da meia-lua, de 1988, ambos lançados em disco pela Som Livre. Em 1984 escreveu a trilha sonora dos filmes O cavalinho azul, de Eduardo Escorel, e Imagens do inconsciente, de Leon Hirshman.

Compôs em 1990 as músicas do programa infantil Rá-tim-bum, da TV Cultura de São Paulo, posteriormente lançado em CD pela Sharp. Em 1992 voltou a apresentar espetáculos, obtendo grande repercussão, o que o levou a gravar um novo disco de intérprete: Corrupião, lançado em CD pela gravadora Velas. Em 1994 recebeu o Prêmio Shell de melhor compositor de música brasileira, pelo conjunto da obra. Lançou em 1995 Meia-noite (Velas), que traz um choro instrumental em homenagem a Tom Jobim: Perambulando. O disco recebeu o Prêmio Sharp como melhor disco de música popular brasileira. Nesse mesmo ano, foi lançado o Songbook Edu Lobo (duplo), pela editora e gravadora Lumiar. Em 1997 compôs Tema de Canudos, em parceria com Cacaso, para o filme Guerra de Canudos, de Sérgio Resende, e foi lançado o CD-Álbum de teatro, com canções em parceria com Chico Buarque.

Algumas músicas


Obra completa

Abertura (Premonição de Maria), 1971; Água verde, 1970; Aleluia (c/Rui Guerra), 1965; Alguém sob medida, 1962; Amor de ilusão, 1962; Arrastão (c/Vinícius de Morais), 1965; Balada do campo de junco (c/Rui Guerra), 1972; Balancinho, 1962; Borandá, 1964; Cahuenga (c/Rui Guerra), 1972; Calada cantiga, 1972; Campos da noite, 1972; Canção da faca, s.d.; Canção da terra (c/Rui Guerra), 1965; Canção do amanhecer (c/Vinícius de Morais), 1965; Candeias, 1967; Cantiga de longe, 1970; Canto continental, s.d.; Canto triste (c/Vinícius de Morais), 1967; Cantoria (c/Rui Guerra), 1972; Casa forte, Catarina e Mariana (c/Rui Guerra), 1967; O charlatão, s.d.; Chegança (c/Oduvaldo Viana Filho), 1965; Chorinho de mágoa (c/Capinam), 1972; Choro bandido (c/Chico Buarque), 1985; Cidade nova (c/Ronaldo Bastos), 1970; Cirandeiro (c/Capinam), 1967; O circo místico (c/Chico Buarque), 1983; Círculos (Zanga, zangada), s.d.; Corrida de jangada (c/Capinam), 1967; De você eu quero tudo (c/Rui Guerra), 1972; Definitivamente, 1972; Dois coelhos (c/Rui Guerra), 1973; Dois tempos (c/Capinam), 1967; O dono da verdade, s.d.; Em tempo de adeus (c/Rui Guerra), 1965; Embolada (c/Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal), 1967; O espelho de Maria, s.d.; Estatuinha (c/Gianfrancesco Guarnieri), 1967; Eu vivo num tempo de guerra (c/Gianfrancesco Guarnieri), 1966; Feira de Santarém (c/Gianfrancesco Guarnieri e Rui Guerra), 1970; Festa de sangue, s.d.; Festas mortas (c/Gianfrancesco Guarnieri), 1973; Flor de Itamaracá, s.d.; Foi preciso viver, 1972; Frevo de Itamaracá, 1970; Glória, s.d.; Incelença (c/Rui Guerra), s.d.; Jogo de roda (c/Rui Guerra), 1966; Kyrie, s.d.; Libera nos, s.d.; Lua nova (c/Torquato Neto), 1967; Maré morta (c/Rui Guerra), 1972; Maria e a festa, s.d.; Mariana, Mariana (c/Rui Guerra), 1970; Marta e Romão (c/Gianfrancesco Guarnieri), 1970; Meia-noite (c/Chico Buarque), 1985; Memórias de Marta Saré (c/Gianfrancesco Guarnieri), 1968; As mesmas histórias, 1965; Meu caminho (c/Dori Caymmi), 1967; Na ilha de Lia, no barco de Rosa (c/Chico Buarque), 1988; Nego maluco (c/Chico Buarque), 1994; No cordão da saideira, frevo-canção, 1968; Norte sul (c/Rui Guerra), cantoria, s.d.; Oremus, s.d.; Paris seis por oito, 1972; Ponteio (c/Capinam), 1967; Porto do sol (c/Ronaldo B. Ribeiro), s.d.; Pra dizer adeus (c/Torquato Neto), 1967; Quatro ventos, s.d.; Rainha porta-bandeira (c/Rui Guerra), 1972; Rancho de ano novo (c/Capinam), 1970; Réquiem no 3 (c/Rui Guerra), 1972; Réquiem para um amor (c/Rui Guerra), 1965; Resolução (c/Lula Freire), 1965; Reza (c/Rui Guerra), 1965; Rosinha (c/Capinam), 1967; Sailing night (c/Rui Guerra), 1972; Saudades só para mim, 1962; O sim e o não, s.d.; Sinherê (c/Gianfrancesco Guarnieri), 1967; Só me faz bem (c/Vinícius de Morais), 1967; Sobre todas as coisas (c/Chico Buarque), 1983; O tempo e o rio (c/Capinam), 1967; Upa, neguinho (c/Gianfrancesco Guarnieri), 1965; Valmi, s.d.; Valsa brasileira (c/Chico Buarque), 1988; Vamos amar (c/Marcos Vale), s.d.; Veleiro (c/Torquato , Neto), 1967; Vento bravo (c/Paulo César Pinheiro), 1973; Viola fora de moda (c/Capinam), 1973; Vira e mexe, s.d.; Zambi (c/Vinícius de Morais), 1964; Zanga, zangada (c/Ronaldo B. Ribeiro), 1973; Zanzibar, 1970.

Veja também



Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.