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segunda-feira, maio 02, 2011

Romualdo Miranda

Turunas da Mauricéia
Romualdo Miranda, cantor, instrumentista (violão) e compositor (Recife PE, 1887 - 1930), era irmão de Luperce Miranda e de João Miranda com quem criou e integrou o grupo vocal e instrumental Turunas da Mauricéia. Começou na carreira artística no começo da década de 1920.

Em 1926, criou na cidade de Recife com os irmãos Luperce, no bandolim, e João, também no bandolim, e mais Manoel de Lima e João Frazão nos violões, e Augusto Calheiros nos vocais, o grupo vocal e instrumental Turunas da Mauricéia, com o qual foi para o Rio de Janeiro no ano seguinte onde se apresentaram com grande sucesso cantando emboladas, cocos e sambas nordestinos, ritmos até então desconhecidos na cidade, então capital Federal do país.

Nesse mesmo ano, o grupo gravou dez discos pela Odeon com vocais de Augusto Calheiros. Entre as quais sua canção Amor secreto, parceria com Leovigildo Jr. Ao todo participou da gravação de dezoito discos com os Turunas da Mauricéia.

Em 1929, sua canção Estou só!, foi gravada na Odeon por Patrício Teixeira, e a toada Tudo selado foi registrada por Gastão Formenti na Parlophon. No mesmo ano, gravou solo ao violão pela Parlophon a valsa Rosita, de sua autoria. Ainda em 1929, acompanhou ao violão o violonista Glauco Viana na gravação do fox-trot Oh! Que beijo..., e da valsa Deliciosa, de autoria de Glauco Viana.

Em 1930, o samba Estou descrente, com Pio Barcelo, foi gravado por Mário Reis na Odeon, e a canção A casinha onde moro, por Gastão Formenti, e o batuque Sá Mariquinha, e o samba Eu gosto é de apanhá, por Joviniano Araújo, as três na Parlophon. No mesmo ano, gravou ao violão, pela Brunswick a polca Rosalvo na farra, e a valsa O filtro, de sua autoria.

Ainda em 1930, sua marcha Confessa meu bem foi gravada na Brunswick pelo grupo Desafiadores do Norte com vocal de Iolanda Osório. A mesma cantora registrou o samba Jandira. De volta ao Recife, morreu prematuramente nesse mesmo ano.

Em 1940, o coco "Dinheiro novo", parceria com Manezinho Araújo foi gravado na Odeon por Manezinho Araújo. Em 1952, sua valsa Neusa, parceria com Nelson Miranda, foi gravada ao cavaquinho por Nelson Miranda em disco Todamérica.

Obras

A casinha onde moro, Amor secreto (c/ Leovigildo Jr.), Confessa meu bem, Estou descrente (c/ Pio Barcelo), Estou só!, Eu gosto é de apanhá, Neusa (c/ Nelson Miranda), O filtro, Rosalvo na farra, Rosita, Sá Mariquinha e Tudo selado.

Discografia

1929) Rosita - Parlophon - 78; (1930) Rosalvo na farra / O filtro - Brunswick - 78.


Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira - Bibliografia Crítica: AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.

domingo, dezembro 26, 2010

Evandro do Bandolim

Evandro do Bandolim
Evandro do Bandolim (Josevandro Pires de Carvalho), instrumentista, nasceu em João Pessoa, PB, em 19/3/1932, e faleceu em São Paulo, SP, em 30/10/1994. Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro com a família.

Interessou-se pela música muito cedo, pois seu pai tocava violão. Aos 13 anos, começou a se identificar com o bandolim, tendo como professor Luperce Miranda. Por essa época, freqüentava rodas de choro no Rio de Janeiro, onde atuou em diversas rádios, como Rádio Mayrink Veiga e Rádio Tupi.

Em 1961, com 29 anos, gravou seu primeiro LP pela gravadora Chantecler.

Em 1966 mudou-se para São Paulo, onde sua carreira ganhou impulso, e trabalhou em diversas boates e emissoras de televisão. Em 1978 gravou o LP Cordas que choram, pela Copacabana.

Gravou 20 LPs, sendo um editado na França, Le Bandolin Brésilien par Evandro e 4 CDs no Japão (Evandro e conjunto Roda de Choro, 1991; Valsas brasileiras, 1992; Memórias, com obras de Jacob do Bandolim, 1993; Memórias, vol. 2, 1994, todos lançados pela gravadora Tartaruga).


Após sua morte, foi estabelecida em São Paulo a Sala Evandro do Bandolim, nos fundos de uma loja de instrumentos musicais, onde são promovidas freqüentes rodas de choro.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha - 2a. Edição - 1998.

domingo, setembro 26, 2010

Samba de caná

Turunas da Mauriceia
Samba de Caná (samba, 1927) - Tradicional - Intérpretes: Augusto Calheiros e Turunas da Mauriceia

Disco 78 rpm / Título da música: Samba do Caná / Tradicional (Compositor) / Augusto Calheiros, 1891-1956 (Intérprete) / Turunas da Mauriceia (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10073-a / Nº da Matriz: 1334 / Lançamento: Novembro/1927 / Gênero musical: Samba / Coleções: IMS, Nirez



Versão cantada de Augusto Calheiros em 1953, gênero musical intitulado como "embolada":

Disco 78 rpm / Título da música: Samba do Caná / Augusto Calheiros, 1891-1956 (Compositor) / Luperce Miranda (Compositor) / Augusto Calheiros (Intérprete) / Regional (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 13624-a / Nº da Matriz: 9900 / Gravacao: 21/Setembro/1953 / Lançamento: Julho/1954 / Gênero musical: Embolada / Coleções: Nirez, Humberto Franceschi





Fontes: Instituto Moreira Salles - Discografia Brasileira; Instituto Memória Musical Brasileira

O pequeno Tururu

Augusto Calheiros
O pequeno Tururu (samba, 1927) - Augusto Calheiros e Luperce Miranda - Intérprete: Augusto Calheiros

Disco 78 rpm / Título da música: O Pequeno Tururu / Augusto Calheiros, 1891-1956 (Compositor) / Luperce Miranda (Compositor) / Augusto Calheiros (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10074-a / Nº da Matriz: 1336 / Lançamento: Novembro/1927 / Gênero musical: Samba / Coleções: IMS, Nirez


Ôi balança o pequeno tururu
Ôi balança o pequeno de iaiá
Ôi balança o pequeno tururu
Ôi balança Benedito no ganzá
.................

Minha cumadi ainda ontem deu a luz
Se pegou-se com Jesus
Na porta da camarinha
Chamou-me na cozinha
Jeca me dá um tostão
Deixe de ser tão vilão
Vai comprar uma quarta de jabá
Que tu não come galinha
E balança o pequeno tururu ...

segunda-feira, abril 03, 2006

Pinião

Os Turunas da Mauricéia, conjunto vocal e instrumental de Recife PE, era formado por Luperce Miranda, Augusto Calheiros, Manuel de Lima, Piriquito e Romualdo Miranda. Em 1927 viajaram ao Rio de Janeiro (sem Luperce Miranda), apresentando-se na Rádio Clube cantando cocos e emboladas, ritmos até então pouco divulgados entre os cariocas, obtendo grande sucesso.

Gravaram Helena (Luperce Miranda) e a embolada Pinião (Luperce e Augusto Calheiros), esta logo cantada em toda a cidade, tornando o grande sucesso do Carnaval de 1928.

Pinião (embolada / carnaval, 1928) - Luperce Miranda e Augusto Calheiros - Intérpretes: Augusto Calheiros e Turunas da Mauriceia

Disco 78 rpm / Título da música: Pinião / Augusto Calheiros, 1891-1956 (Compositor) / Luperce Miranda (Compositor) / Augusto Calheiros (Intérprete) / Turunas da Mauriceia (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10067-a / Nº da Matriz: 1322 / Lancamento: Novembro/1927 / Gênero musical: Embolada / Coleções: IMS, Nirez



------D----- A7----- D
Pinião, pinião, pinião, oi
-------------A7------------------- D
Pinto correu com medo do gavião
-----------------A7------------ D
Por isso mesmo o sabiá cantô
B7/F#----------- E7/D ------------A7
Bateu asa e voou e foi comê melão

-------------D --------A7---------- D
Essa sumana o gavião lá dos oitero
---------------------- Em7-------- A7-------- D
Chegou lá no meu terreiro biliscando pulo chão
------------A7----------------------- D
E um pintinho que tava jun’da galinha
B7/F# ----------------E7/D---------------- ---A7
Foi correndo pa cozinha com medo do gavião

---------------D --------------A7------- D
No meu terreiro tinha um pé de araçá
-------------------- Em7--- A7 -------D
Onde um sabiá-gongá fazia seu plantão
-------------A7------------------ D
Um dia desse ela tava descuidada
------B7/F#--------- E7/D -----------------A7
Quase morre degolada nas unha do gavião

---------D --------A7---------- D
O gavião é um bicho carniceiro
---------------------Em7 ------------A7 ----------D
Quando bate num poleiro come os pinto qu’ele qué
-------------A7------------------------ D
Um dia desse um se trepou lá na mesa
---------B7/F# --------E7/D----------------- A7
Nunca vi tanta afoiteza, biliscou minha muié

-------------D ------------A7 -----------D
Minha muié se assombrou-se nesse dia
-------------------- Em7--------- A7----------- D
Quase morre de agonia com uma dô no coração
------------A7---------------------- D
Gritava tanto cus dois óio abuticado
--------B7/F#---------- E7/D----------------- A7
Até que eu fiquei vexado cum medo do gavião


Fonte: Dicionário da MPB - Luperce Miranda

sábado, abril 01, 2006

Luperce Miranda

Luperce Bezerra Pessoa de Miranda, instrumentista e compositor, nasceu em Recife PE em 28/7/1904 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 5/4/1977. Nasceu no bairro dos Afogados. O pai, João Pessoa de Miranda, tocava bandolim, violão e piano, tendo organizado com os 11 filhos uma orquestra caseira.


Tocou bandolim desde os oito anos; aos 15, compôs seu primeiro frevo, e no ano seguinte organizou a Jazz Leão do Norte, orquestra de nove elementos, em que tocava piano, atuando na Confeitaria A Glória, de Recife.

Em 1926 fazia parte do conjunto Turunas da Mauricéia, com o cantor Augusto Calheiros (Patativa do Norte), o violonista cego Manuel de Lima, o violonista e diretor João Frazão, e seus irmãos João, cavaquista, e Romualdo, violonista.

O conjunto seguiu sem ele para o Rio de Janeiro no início de 1927 e, no final do ano, gravou 20 músicas na Odeon, sendo três de Luperce com Augusto Calheiros: a canção Belezas do sertão, o samba O pequeno fiururu e a embolada Pinião, sucesso do Carnaval de 1928.

Ainda em 1927, animado com o sucesso dos Turunas, organizou em Recife novo conjunto - Voz do Sertão, com Meira, violão; José Ferreira, cavaquinho; Robson Florence e ele próprio, bandolins, o cantor de emboladas Minona Carneiro e, depois, Romualdo e veio para o Rio de Janeiro. Aí conheceu o violonista Tute (Artur Nascimento), de quem o conjunto gravou Pra frente é que se anda e Alma e coração, valsa que foi grande sucesso, regravada na década de 1950 pela Sinter. Com o Voz do Sertão lançou, pela Parlophon, Moto contínuo, Lá vai madeira, Festa do Pina, O caboclo alegre e Barulhento (todas de sua autoria).

Em 1929 constituiu o Regional Luperce Miranda, atuando na Rádio Clube do Brasil; gravou com o Bando de Tangarás, ao lado de Almirante, e compôs com Manuel Lino Vaca maiada, gravada por Almirante, na Parlophon. Ao lado de Tute e do Regional, acompanhou os grandes cantores da época, como Carmen Miranda (cuja introdução de No tabuleiro da baiana é de sua autoria), Francisco Alves, Mário Reis em Se você jurar, e Noel Rosa na primeira gravação de Com que roupa?.

No ano seguinte, formou o conjunto Alma do Norte e em 1931 apresentou-se na Radio El Mundo, de Buenos Aires, Argentina, com Carmen Miranda, Francisco Alves, Mário Reis, Tute, Célia Zenatti e Nestor Figueiredo. Na Victor lançou Alma em delírio, Vamos dançar, Segura o dedo (as três de sua autoria) e Carinhos (Pixinguinha).

Em 1936 foi para a Rádio Mayrink Veiga. Em 1945 transferiu-se para a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, e no ano seguinte voltou para o Nordeste, instalando-se em Recife até 1955, quando reintegrou o elenco da Nacional (aposentando-se em 1973). Em 1956 gravou na Sinter o choro Picadinho à baiana, de sua autoria. Na década de 1950, viajou ainda para a então República Federal da Alemanha. Gravou, pela Odeon, Gozada risonha, Quem disse, Fui ao mar buscar laranja, Me deixa em paz, Ao luar, Agüenta a mão e Noite da minha terra.

Fundador da Academia de Música Luperce Miranda, especializada em instrumentos de corda, foi o primeiro a receber o título de Bacharel da Música Popular Brasileira pelo MIS, do Rio de Janeiro, em 1970. Nessa oportunidade foi lançado um LP em que interpreta choros e valsas de Pixinguinha, Anacleto de Medeiros, Zequinha de Abreu, Orestes Barbosa e Antenógenes Silva. No ano seguinte, lançou o LP Luperce Miranda, pela Som, com Caprichos do destino (Pedro Caetano e Claudionor Cruz); Cantiga por Luciana (Paulinho Tapajós e Edmundo Souto); Prelúdio em ré maior (de sua autoria), bem como Risonha, Norival aos 60, e outras.


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha - 1998, SP; Dicionário Cravo Albin.