quarta-feira, março 14, 2007

Mulata yê, yê, yê


Mulata yê, yê, yê (Mulata Bossa Nova) (marcha/carnaval, 1965) - João Roberto Kelly - Interpretação: Emilinha Borba

LP O Carnaval é Nosso / Título da música: Mulata yê, yê, yê / João Roberto Kelly (Compositor) / Emilinha Borba (Intérprete) / Gravadora: Entré/CBS / Lançado em 1964 / Carnaval de 1965 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Marcha.


G
mulata bossa nova 
  
caiu no huly-guly
BIS     Am   C               G       
e só dá ela  iê-iê-iê iê-iê-iê iê-iê 
  D7      G
na passarela

         Am               G              
a boneca está  cheia de fiu-fiu  
                C
esnobando as louras
       A7          D7
e as morenas do Brasil

João Roberto Kelly


João Roberto Kelly (João Roberto Esteves Kelly), compositor, cantor e produtor, nasceu no Rio de Janeiro-RJ em 23/6/1937. Aos 11 anos, começou a tocar piano de ouvido, aprendendo com a mãe e a avó, ambas pianistas. Depois estudou com professora particular e começou a compor.


Iniciou carreira em 1957, fazendo a partitura da revista Sputnik no morro, que Geysa Bôscoli e Leon Eliachar apresentaram no Teatrinho Jardel, no Rio de Janeiro, em 1957.

Estreou na televisão em 1963, fazendo a abertura musical dos programas da TV Excelsior, onde mais tarde, convidado por Carlos Manga e Chico Anísio, passou a musicar os quadros dos seus shows humorísticos, participando, assim, de um dos programas mais famosos na época (1964), Times Square.

Daí em diante, dedicou-se a televisão, tendo sido produtor e apresentador em varies canais de televisão no Rio de Janeiro — na TV-Rio, produziu Praça Onze, Noites Cariocas e Musikelly; na TV Globo, foi apresentador de Espetáculos Tonelux; e, em 1970, voltando para a TV-Rio, produziu e apresentou Rio Dá Samba.

Tornou-se mais conhecido como compositor carnavalesco, destacando se em vários Carnavais das décadas de 1960 e 1970: em 1964 fez grande sucesso com Cabeleira do Zezé (com Roberto Faissal), marcha gravada por Jorge Goulart; no ano seguinte, Emilinha Borba gravou com êxito sua marchinha Mulata iê iê iê e Dalva de Oliveira interpretou em disco o Rancho da Praça Onze (com Chico Anísio), música que já havia, sido apresentada ao publico em 1960 e que foi modificada para o relançamento; em 1967, sua música Colombina iê-iê-iê (com David Nasser) foi uma das mais cantadas no Carnaval; e, em 1971, sua marcha Paz e amor (com Toninho) foi defendida por Clóvis Bornay.

Venceu, em 1972, o concurso de Carnaval da TV Tupi com Israel (com Carlos Gonçalves dos Santos), cantada por Emilinha Borba, e recebeu o Medalhão de Ouro da TV Globo, em 1974, pelo seu Cordão da Bahia. Ainda nesse ano, gravou um LP pela Odeon, cantando sucessos seus como Boato e Gamação, gravados anteriormente por cantores como Elza Soares, Miltinho e Dóris Monteiro.

Algumas músicas










Obras

Boato, samba, 1961; Brotinho bossa nova, samba, 1960; Cabeleira do Zezé (c/Roberto Faissal), marcha, 1964; Colombina iê-iê-iê (c/David Nasser), samba, 1967; Dor de cotovelo, samba, 1961; Figurinha de boate, samba, 1961; Gamação, samba, 1962; Joga a chave, meu amor (c/J. Rui), marcha, 1965; Linda mascarada (c/David Nasser), marcha-rancho, 1967; Mulata iê-iê-iê, marcha 1965; Rancho da Praça Onze (c/Chico Anísio), marcha rancho, 1965; Rancho do Lalá (c/David Nasser), marcha. 1967; Samba do teleco-teco, samba, 1958; Só vou de balanço, samba, 1963; Times Square (c/Meira Guimarães), hully-gully, 1964.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

quinta-feira, março 08, 2007

Sá Marina

Wilson Simonal
Já nos tempos de adolescente o pianista Antônio Adolfo tocava no Beco das Garrafas, integrando o conjunto Samba Cinco ou participando de sessões de jazz e de bossa nova. Em 1967, quando liderava o Trio 3-D e tinha quatro elepês gravados, iniciou uma parceria com o letrista Tibério Gaspar, vivendo a dupla nos quatro anos seguintes uma fase de grande sucesso, com participações assíduas em festivais e trilhas sonoras de novelas.

São dessa época composições como “Meia-Volta”, “Juliana”, “Teletema”, “BR-3” e a popularísssima “Sá Marina”: “Descendo a rua da ladeira / só quem viu pode contar / cheirando a flor de laranjeira / Sá Marina, eh! vem pra dançar...”.

Lançada em 1967 pelo conjunto O Grupo, a canção estourou com Wilson Simonal no começo do ano seguinte, permanecendo por dezenove semanas nos primeiros lugares das paradas de sucesso. Uma toada-moderna, segundo o próprio Adolfo, “Sá Marina” é produto de uma tendência muito em moda na época, que procurava juntar influências harmônicas da bossa nova a estruturas tradicionais da música brasileira, no caso a toada.

Pode ser incluída naquela vertente de “Andança” e “Viola Enluarada”, canções filiadas, como foi dito, ao estilo Milton Nascimento, apresentando, porém, “Sá Marina” características mais dançantes, com seu ritmo bem marcado e ligeiramente aproximado do iê-iê-iê (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Sá Marina (1968) - Antônio Adolfo e Tibério Gaspar - Intérprete: Wilson Simonal

LP Alegria, Alegria Vol. 2 ou Quem Não Tem Swing Morre Com A Boca Cheia De Formiga / Título da música: Sá Marina / Antônio Adolfo (Compositor) / Tibério Gaspar (Compositor) / Wilson Simonal (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1968 / Nº Álbum: MOFB 3547 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: MPB.

tom: C

C7+            C#°          Dm7
Descendo a rua da ladeira
G                C7+  Am7   
Só quem viu, que pode contar
  Dm7
Cheirando a flor de laranjeira
  G                 C7+    
Sá Marina vem pra cantar
    C#°          Dm7
De saia branca costumeira
G                   C7+  Am7   
Gira o sol, que parou pra olhar
  Dm7
Com seu jeitinho tão faceiro
 G               C    Gb7(b5)
Fez o povo inteiro cantar
F7+               G
Roda pela vida afora
C7+            Am7
E põe pra fora essa alegria
Dm7                    G             Bb   C
Dança que amanhece o dia pra se dançar
F7+                     G
Gira, que essa gente aflita
    C7+            Am
Se agita e segue no seu passo
Dm7                   G          Ab7(b5) Ab7+(b5) G4 C7+
Mostra toda essa poesia no olhar
  C#°          Dm7
Deixando versos na partida
 G               C7+  Am7   
E só cantigas pra se cantar
  Dm7
Naquela tarde de domingo
 G               C7+
Fez o povo inteiro cantar
Am7    Dm7      G        C7+
E fez o povo inteiro cantar
Am7    Dm7     G        Ab7(b5)  Ab7+(b5)  G4   C7+
E fez o povo inteiro cantar.