domingo, dezembro 09, 2007

Guinga


Guinga (Carlos Althier de Sousa Lemos Escobar), violonista, compositor e cantor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 10/6/1950. Dentista de profissão, iniciou a carreira no II FIC, em 1967. Foi lançado como compositor pelo conjunto MPB-4, em 1973, com duas gravações: Conversa com o coração e Maldição de Ravel, ambas em parceria com Paulo César Pinheiro.

Como violonista, participou de numerosas gravações nas décadas de 1970 e 1980, tendo acompanhado Cartola na primeira gravação de As rosas não falam. Em 1989 estreou seu primeiro show ao lado de Paulo César Pinheiro e Ithamara Koorax, no bar Vou Vivendo, em São Paulo SP.

Em 1991 gravou seu primeiro disco, Simples e absurdo (Velas), com participações de Chico Buarque, Leny Andrade e Leila Pinheiro, entre outros. Seu segundo disco, Delírio carioca (1993, Velas), contou com interpretações de Djavan, Fátima Guedes e Leila Pinheiro, além do próprio compositor.

Suas músicas têm sido gravadas por grandes nomes: Bolero de Satã (com Paulo César Pinheiro), por Elis Regina e Cauby Peixoto; Catavento e girassol (com Aldir Blanc), por Leila Pinheiro; Esconjuros (com Aldir Blanc), por Sérgio Mendes; e cinco instrumentais pelo violonista Turíbio Santos no disco Fantasias brasileiras.

Em 1996 lançou o CD Cheio de dedos, que recebeu três prêmios Sharp. Nesse trabalho, principalmente instrumental, destacam-se os choros Cheio de dedos, Picotado e Nó na garganta, o baião Dá o pé, louro, a salsa Me gusta a lagosta, além de três faixas cantadas: Blanchiana, com vocalise do próprio compositor, Impressionados (com Aldir Blanc), interpretada por Chico Buarque, e Ária de opereta (com Aldir Blanc), por Ed Mota.

CDs: Simples e absurdo, 1991, Velas 1 1-VOOl; Cheio de dedos, 1996, Velas 11-V199.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Geraldo Vespar


Geraldo Vespar (Manuel Geraldo Vespar), instrumentista, arranjador e compositor, nasceu em Quixadá CE em 9/11/1937. Estudou teoria e solfejo com Geraldo Amaral (em Goiás), composição e orquestração com Paulo Silva, harmonia e contraponto com Moacir Santos, composição e regência na E.M.U.F.R.J. e fez o curso de harmonia e instrumentação da Berklee School of Music, de Boston, E.U.A.

Começou a carreira em 1952, acompanhando calouros da Rádio Anhangüera, de Goiânia GO, e em 1958 transferiu-se para o Rio de Janeiro, atuando, de 1959 a 1963, como guitarrista em boate; e em 1963 e 1964, com Astor e sua orquestra e com Moacir Silva e seu conjunto.

Realizou sua primeira gravação com Radamés Gnattali, num disco de historietas infantis da Continental; com o pseudônimo de Delano, participou de um disco de guitarra e orquestra (Copacabana) e, com Gerald, da gravação do LP I Love Paris (Continental).

Em 1964, já com o nome de Geraldo Vespar, gravou Take Five, e, em 1965, com a gravação de Samba nova geração, recebeu o prêmio-revelação O Guarani. Em 1966, além de gravar Só vou nas quentes, atuou no conjunto de Peter Thomas e, em 1967, com Chiquinho do Acordeom. Neste ano, fez com Sílvio César a trilha sonora do filme Mineirinho vivo ou morto, dirigido por Aurélio Teixeira.

De 1964 a 1967 integrou também a orquestra da TV Excelsior, regida pelo maestro Zacarias; em 1968 foi para a TV Tupi, como solista e arranjador da orquestra do maestro Cipó, onde ficou até 1973 e com o qual trabalhou ainda como solista num sexteto dejazz. Durante o período em que participou da orquestra de Paul Mauriat (1973 a 1975) como solista e arranjador, gravou o LP Brasil romântico (1974), lançado inicialmente no Japão.

Excursionou com Elza Soares pelo México e E.U.A., e com a Grand Orchestre, de Paul Mauriat, pela França, Países Baixos, Coréia, Grã-Bretanha e Japão. Na década de 1980 continuou tocando com a orquestra de Paul Mauriat.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Airto Moreira

Airto Moreira (Aírton Guimorvan Moreira), instrumentista e compositor, nasceu em Itaiópolis SC em 5/8/1941. Com seis anos de idade entrou para a Rádio Ponta-Grossense, de Ponta Grossa PR, como cantor, estudando em seguida piano, violino e bandolim como bolsista da academia de música da cidade.

Em 1954 tornou-se profissional, contratado pelo conjunto Jazz Estrela, seguindo dois anos depois para Curitiba PR, onde trabalhou como crooner de boate. Em 1958 trabalhou nas boates das docas de Santos SP, mudando-se depois para São Paulo SP, onde foi contratado como percussionista de Guimarães e seu Conjunto, ao mesmo tempo atuando como cantor e baterista numa boate.

Em 1962 integrou como baterista, o então organizado conjunto Sambalanço Trio, ao lado de César Camargo Mariano (pianista) e Humberto Claiber (baixista). Com esse trio estreou no Juão Sebastião Bar, gravou três discos e realizou shows com Lennie Dale, no Teatro Arena, de São Paulo, em 1963, e depois na boate ZumZum, no Rio de Janeiro RJ. Com Aluísio ao piano, integrou o Sambossa Trio, gravando um disco com o conjunto.

Em 1966, com Tuca, defendeu Porta-estandarte (Geraldo Vandré e Fernando Lona), no FNMP, da TV Excelsior, de São Paulo. Como percussionista, tomou parte ainda no Quarteto Novo, com Heraldo (viola e guitarra), Teo de Barros (contrabaixo e violão) e Hermeto Pascoal (flauta).

Em 1967 gravou um LP na Odeon e fez com Edu Lobo o arranjo para a música Ponteio, para o III FMPB, da TV Record, de São Paulo, atuando mais algum tempo nessa emissora, até sua viagem aos Estados Unidos. Sem trabalho, o começo de sua carreira nesse país foi difícil, até que foi convidado a gravar com Miles Davis e passou a integrar o seu conjunto.

Em 1970 já havia gravado o disco Natural Feelings, pela Buddah Records, e no ano seguinte gravava, com Miles Davis, Miles Davis at Fillmore. Saindo do conjunto de Miles Davis, ficou dois anos com Chick Corea no conjunto Return to Forever e formou em seguida seu próprio conjunto, Fingers.

Seu estilo único influenciou os caminhos do jazz moderno, levando a revista norte-americana Downbeat a incluir a categoria Melhor Percussionista do Ano em suas enquetes aos leitores e crítica especializada, vencida por ele mais de 20 vezes desde 1973.

Em 1973 gravou dois LPs Free e Fingers, e, dissolvendo no ano seguinte o conjunto, apresentou-se sozinho, tocando vários instrumentos de percussão. Em maio de 1975 formou novo conjunto com Egberto Gismonti, Raulzinho (Raul de Sousa), no trombone, Ted Lô, no órgão, sintetizador e violino elétrico, Robertinho (Roberto Silva), na bateria e percussão, John Williams, no contrabaixo elétrico e acústico, e Davi Amaro, na guitarra, violão acústico e viola de 12 cordas, assinando contrato com a Arista Records.

Casado com a cantora Flora Purim (Rio de Janeiro RJ 6/3/1942—), desde a década de 1970 tornou-se um dos percussionistas mais requisitados nos EUA. Trabalhou com Quincy Jones, Herbie Hancock e Paul Simon; participou de trilhas sonoras de filmes (O exorcista, O último tango, Apocalypse Now), viajou pela Europa, América Latina, Japão e EUA, dando cursos e palestras em universidades e escolas de música, além de seus shows.

Na década de 1990 tem-se apresentado sozinho, com Flora Purim e com novo conjunto, o Fourth World, integrado por Flora, José Neto, Gary Brown e Jovino Santos, com o qual gravou dois álbuns: Fourth World e Encounters of the Fourth World.

Desde 1994 este conjunto excursiona pelo mundo, apresentando com sucesso uma mistura de bossa nova, samba e jazz, classificada por Airto como world music. Seu interesse por world music e por dance music surgiu em meados dos anos de 1990, abrindo novo mercado para suas produções a partir do remix (arranjos com ritmo tecno para dance music) de suas composições ou de música regional do Brasil (trabalhos com a Banda de Pífanos de Caruaru, Mestre Salustiano e seu Grupo, Maracatu Nação Erê, os três de Recife PE) ou de outros países como Marrocos, Quênia e África do Sul, dos quais já fez a produção de grupos musicais para a gravadora inglesa Melt 2.000.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.