sábado, março 17, 2012

O pianista Zé Maria


A pudicícia da “prefeita” fez surgir o pianista Zé Maria - E de fato foi isso. Se a esposa do prefeito não houvesse se recusado, terminantemente, a tocar durante a exibição do filme no qual os problemas do sexo eram tratados de maneira muito clara, inclusive de suas possíveis doenças, o Zé Maria de Abreu não teria aparecido como pianista. Embaraçado com a negativa da componente da orquestra que mantinha em seu modesto cinema, Vadozinho, o empresário, recorreu ao rapaz do pistão e ele, cordato, sentou-se ao velho Pleyel resolvendo a situação.

Desse dia em diante, ficou dedilhando nas teclas brancas e pretas valsinhas lânguidas, quando as fitas eram românticas, ou chorinhos buliçosos nas comédias de corre-corre com arremesso de pastelões. O trompete e o violino, Instrumentos que executava com certa mestria, foram relegados. O primeiro dando descanso definitivo aos seus lábios, o segundo fazendo seu braço direito perder a destreza necessária ao bom manejo do arco.

Filho de músico é igual ao de peixe

Embora o ditério popular aponte o peixinho como único exemplo, quase sempre, ampliando o conceito, os pais influem nas preferências dos filhos. Assim, o menino José Maria, nascido (1911) em ambiente de música, já que o seu genitor era professor dessa arte, em Jacareí, no Estado de São Paulo, foi atraído para o estudo da pauta e dos sinais pendurados em suas cinco linhas. O “velho” Juvenal Roberto Abreu, mesmo contrariando o garoto, fê-lo segurar o violino e manejar o arco para tirar das cordas, observando nos compêndios, as primeiras lições.

A seguir, querendo dar versatilidade ao rebento, vencido na resistência demonstrada a princípio e recebendo com agrado os ensinamentos, iniciou-o no pistão e no piano. Dessa maneira, quando a família mudou-se para Botucatu e matriculou-o num colégio de padres, o menino Zé Maria foi aproveitado na banda tocando qualquer dos instrumentos que o mestre determinasse. Sobressaía-se também nas aulas de teoria, graças aos bons conhecimentos que lhe foram transmitidos pelo seu primeiro professor, o papai Juvenal.

Uma pianista pudica pede substituição

Em 1925, aos quatorze anos de idade, estudante em Itapetininga, sempre no Estado de São Paulo, conseguiu um emprego no Cinema Iris, onde o empresário Salvador, chamado por todos Vadozinho, incluiu-o na orquestra. Os filmes mudos eram acompanhados por pequenos conjuntos musicais onde era imprescindível o pianista, sua figura principal. Zé Maria, no cineminha em referência, tocava pistão e violino, revezando esses instrumentos conforme a ação da fita projetada e o fundo musical que lhe queriam dar.

Dando prosseguimento à programação anunciada com alguns dias de antecedência, deveria ser exibida a película Flagelo da Humanidade, na qual, advertindo à mocidade, eram mostrados, com bastante clareza, assuntos de natureza sexual. A esposa do prefeito local, que era a pianista da orquestra, ao ser informada do realismo do filme recusou-se a tocar durante sua exibição: “esse negócio é muito indecente”. Atrapalhado, mas aceitando a pudicícia da prefeita a quem não convinha contrariar por motivos óbvios, Vadozinho apelou para o Zé Maria. Desde então, o Cinema Íris, de Itapetininga, teve um pianista que, mais tarde, seria o famoso autor de um punhado de valsas de grande sucesso.

“Rei das Valsas”, mas sem mimeógrafo.

Compositor popular dos de maior produção, principalmente valsas, dentre as quais deve-se destacar a Boa noite, amor, popularizada pelo saudoso Francisco Alves, deram-lhe o título de Rei nesse gênero de música. Depois, em vista do número sempre crescente, somando um total superior a trezentos (cálculo feito por ele próprio) um de nossos humoristas, que se presume tenha sido o Jorge Murad, o Paulo Medeiros ou o Nestor de Holanda, disse; “o Zé Maria tem um mimeógrafo onde faz as suas valsas.” A piada, aceita esportivamente, glosava a quantidade, mas reconhecia a qualidade melódica de todas as valsas de José Maria de Abreu.

Rindo, contesta possuir tal máquina e prova sua fácil inspiração através da variedade de um grande repertório onde se contam, igualmente, bonitos sambas e canções. A citação precisa dos trabalhos musicais de tão fértil compositor, quanto exímio pianista, tomaria enorme espaço e é mesmo dispensável por serem os mesmos bastante conhecidos. Gravações inúmeras, feitas por Francisco Alves, Sylvio Caldas, João Dias, Carlos Galhardo, Linda e Dircinha Baptista, Dick Farney, Maria da Graça e tantos outros de nossos melhores cantores, atestam o êxito de todas as músicas do consagrado Rei Zé Maria.

Eternidade das valsas

Autor de centenas de valsas, José Maria de Abreu vê com ceticismo o surgimento de novos ritmos que após rápida voga são esquecidos enquanto as suas bonitas melodias, tais como as dos grandes mestres vienenses, continuam eternas. Não crê também na vitória da bossa nova, a despeito de sua intensa propaganda, por achá-la um simples artifício musical dentro da cadência positiva do samba. Músico autêntico e de boa formação teórica, zela igualmente pela qualidade das letras de suas produções buscando, quando ele mesmo não as faz, parceiros categorizados: Alberto Ribeiro, Oswaldo Santiago, Luiz Peixoto, Jair Amorim e outros do mesmo quilate.

A Canção de Aniversário, réplica brasileira ao Birthday to you que compôs em parceria com Alberto Ribeiro, embora apareça com constante grande vendagem através dos direitos autorais que recebe na UBC, da qual é fundador, dá-lhe, é exato, boa recompensa financeira. Artisticamente, no entanto, tem predileção por todas as suas valsas, pois foram elas, algumas ternas, suaves, outras alegres, festivas, que glorificaram o seu nome trazido humilde e desconhecido de um cineminha de Itapetininga onde a pudicícia de uma prefeita pianista botou-o diante de um teclado que hoje dedilha com virtuosismo.

(O Jornal, 19/5/1963)
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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

quinta-feira, março 15, 2012

O público vaiava e Carmen chorava

Carmen Miranda em 1930
Não houve apenas uma vaia esparsa, sem densidade, partida de pequeno grupo. Foi, como registrou acreditado matutino: “pateada geral e partia tanto dos balcões como dos camarotes e da platéia, onde cavalheiros em altos brados exigiam que se respeitasse a família brasileira”. Coisa mesmo de causar pânico, de se temer um quebra-quebra ou a clássica chuva de ovos e tomates sobre o palco visando aos atores.

E Carmen Miranda, que naquela noite fazia sua estréia no teatro integrando um numeroso elenco juntamente com os mais afamados intérpretes de revistas, apavorada, trêmula, chorava copiosamente. Escondida nos bastidores, já que ali se postara por ordem do contra-regra para a entrada no quadro seguinte, não lhe acorreu a idéia de refugiar-se no seu camarim. Amedrontada, continuava no mesmo lugar, em pranto, como estátua.

Assim se conta a história

Anunciada para 11 de setembro (1930), só na noite seguinte verificou-se, às sete e três quartos, horário de praxe das sessões, a primeira representação da revista Vai dar o que falar, no Teatro João Caetano. Além de ter a autoria de Marques Pôrto e Luiz Peixoto, ases do gênero, seria “defendida” por um punhado de estrelas: Palitos, Eva Stachino, Olga Navarro, Sara Nobre, Sylvio Vieira, Tina de Jarque, Zaíra Cavalcante e outras. Como atração, pois era na época a “Rainha do Disco”, a empresa Antonio Neves & Cia. Ltda. incluíra também no conjunto Carmen Miranda.

Precedida de farta publicidade, destacando-se nos anúncios os nomes dos componentes do verdadeiro scratch de atores do teatro popular, a première (no francesismo usual) despertou grande interesse. Com ingressos que custavam, as frisas 35 mil réis e as galerias (torrinhas) 3 mil, a lotação fora vendida totalmente. Todos queriam assistir ao espetáculo que, afora tantos atrativos, teria “efeitos de luz como só se vê nas revistas de Paris, Nova Iorque e Londres”. A razão, porém, da rápida venda das localidades não se tinha dúvida que era, principalmente, o aparecimento da criadora da marchinha Tá i em um dos palcos da Praça Tiradentes.

Uma estréia “au grand complet”

Sempre no correntio galicismo então dominante nas colunas sociais da imprensa, a estréia da parceria Pôrto-Peixoto deu-se, de fato, au grand Complet. Quando o maestro Augusto Vasseur, regente da orquestra e autor, juntamente com Ary Barroso, da partitura, bateu com a vareta na estante convocando os professores à execução da ouverture toda a platéia estava em expectativa otimista. Vieram logo, ao final, palmas calorosas augurando um bom início para o espetáculo.

Os primeiros quadros, sketches cômicos, números cantados e de fantasia, lograram, igualmente, o mesmo êxito. Aplausos demorados, alguns pedidos de bis comandados pela galeria lá do alto do teatro animavam o curso da representação sem fazer prever o incidente que depois veio a se verificar. Carmen Miranda surgiu em cena para seu primeiro contato com o vultoso público e teve acolhida consagradora. Desenvolta, com seu hit que transportara ao vivo dos estúdios das gravadoras de discos para o palco, provocou ruidosa manifestação de agrado intercalada dos bravo! de entusiasmo.

A pateada faz parar o espetáculo

Depois de um primeiro ato feliz, concluído com a chamada dos autores, atores, regente e até mesmo do pessoal da maquinaria, não se poderia prever o incidente que iria ocorrer pouco depois. Carmen Miranda voltaria a aparecer na segunda parte da revista e deveria ter palmas tão expansivas quanto as que lhe já haviam sido dadas.

Consoante o roteiro dos quadros entraria depois de O Mangue, cena na qual os autores reproduziam o bas fond carioca com o meretrício nele existente. Era uma tentativa ousada de levar o realismo ao teatro sem artifícios ou moderações.

Ao abrir-se a cortina, o simples cenário causou revolta, provocando vaia, apupo, que se generalizou em pateada geral fazendo parar a representação. De pé, indignados, alguns espectadores gritavam enquanto outros batendo com os pés fortemente no assoalho repudiavam o quadro que pretendiam lhes exibir. Já postada nos bastidores, aguardando sua entrada, Carmen Miranda, na emoção de uma estreante, embora confortada pelo sucesso da aparição no ato anterior, tomou-se de pavor. Os silvos agudos, a gritaria, o barulho ensurdecedor deixando clara a fúria reinante na platéia, encheu-a de pânico, de medo. Chorando, sentia-se presa ao chão, tremendo muito, temendo que toda aquela gente realizasse um massacre feroz, impiedoso.

Apesar de tudo, uma estréia brilhante

Encorajando-se, Pablo Palos, o Palitos, apelido pelo qual o conhecido ator argentino se popularizou em sua terra e no Brasil, apareceu no palco e pediu calma. Anunciou que o quadro não seria exibido e nos demais nada haveria capaz de chocar a assistência. Resultou feliz a intervenção, pois serenados os ânimos, refazendo-se do temor que a levara ao pranto, com os olhos ainda vermelhos, resistindo à maquilagem, Carmen Miranda pôde voltar para seu segundo número.

Novamente, conseguindo com sua graciosidade fazer esquecer o incidente, Carmen Miranda provocava os aplausos de toda a platéia, marcando auspiciosamente, a despeito de tudo, sua estréia no teatro. No dia seguinte, sem deixar de aludir à lamentável ocorrência, a crítica assinalava o êxito daquela que viria a ser “A Pequena Notável”. Fazia-o com francos encômios como bem atesta o registro de O Paiz aqui reproduzido: “...Miranda que triunfou na gravação de discos será em breve um dos mais brilhantes esteios de nosso teatro ligeiro.”

(O Jornal, 5/5/1963)
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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.

O Visconde de Bicohyba

Quando José Luiz de Moraes, o Caninha Doce (ou simplesmente o Caninha), proclamava-se o “único sambista com diploma oficial”, em virtude de ter ganho um concurso patrocinado pela Prefeitura do Distrito Federal, cometia equívoco, praticava omissão. Não era ele o “único”. Seu parceiro, o Visconde de Bicohyba (Horácio Dantas) também desfrutava essa honraria, pois o É batucada, vitorioso no referido certame, era de autoria de ambos.

O então Interventor da cidade, doutor Pedro Ernesto Baptista, concedeu o dignificante documento aos que compuseram música e letra na produção vitoriosa e não apenas a ele Caninha o Visconde, principalmente carnavalesco, não convivendo assiduamente com a gente do samba, pois o seu habitat era o Clube dos Tenentes do Diabo e o Cordão da Bola Preta, embora pudesse também se proclamar “Sambista Oficial”, jamais deu importância ao diploma.

Antes, com Raul Malagutti, Aristides Prazeres, Jessé Menezes e outros, já havia feito marchinhas e sambas, que se não lograram triunfar em competições oficiais ou oficiosas tiveram grande divulgação nos fandangos das agremiações citadas bem como nos de suas coirmãs.

Vamos conhecer o Visconde

Nascido (né, diria o confrade Ibrahim Sued) Horácio Dantas, com esse nome foi aluno do Colégio Pedro II onde teve como colega, entre outros, o saudoso Virgílio de Mello Franco. Mais tarde, convidado por Humberto de Campos (o Conselheiro XX) para colaborar na revista A Maçã criou então o pseudônimo Visconde de Bicohyba com o qual veio a se popularizar nos redutos dos soldados de Momo. No grêmio dos Tenentes e dos Bolas ninguém o conhecia a não ser pela alcunha que criara para sua atividade literária. Era, apenas e intimamente, o Bicohyba.

Boêmio, dotado de esplêndido senso humorístico, ao qual aliava boa cultura geral, escolheram-no, na caverna (nome que tem a sede do Clube dos Tenentes do Diabo), para, juntamente com Marquezinho (Marques da Silva), ser o redator de O Baêta, jornal que se denominava “vibrante pasquim carnavalesco”. No Cordão da Bola Preta fizeram-no, igualmente, um dos principais colaboradores de O Rabo, órgão oficial desse famoso grêmio. Seus escritos, sempre maliciosos, ferinos, tornavam as duas publicações em leitura agradabilíssima e divertida como se constata até hoje nos raros exemplares guardados nos arquivos das entidades que as editavam.

Carnavalesco de “quatro costados”

Horácio, que se fez o “nobre” Visconde de Bicohyba (numa adaptação do nome científico da myristica officinalis: bicuíba) foi no seu tempo, de mil-novecentos-vinte-e-poucos a quarenta, um verdadeiro carnavalesco de “quatro costados”. Topava qualquer farra e dentre os participantes, todos da mesma fibra, era o mais animado. Quase sempre tinha a iniciativa das brincadeiras, como aquela de servir de defunto num enterro realizado em pleno Carnaval com caixão, coroa e todo o ritual fúnebre para ser levado em charola até o Bar Nacional, na Galeria Cruzeiro.

De outra feita, ainda no tríduo momesco, fantasiou-se de Gandhi, envolvido num lençol e conduzindo uma cabritinha. Depois de ingerir em demasia “umas e outras” acabou perdendo o animal que prometera trazer de volta para um lauto almoço na caverninha (casa onde morava com outros carnavalescos na Rua Carlos Sampaio, 22). Pernambucana, a cozinheira e administradora da alegre república bem como Polaca, Lascada, Gigante, Mazorato e outros que ali residiam viram frustrado o opíparo “bródio”, mas tudo correu à conta dos riscos possíveis embora não previstos.

Um Visconde que fazia sambas

Amigo da gente do samba (Pixinguinha, Donga, Patrício Teixeira, Benedicto Lacerda, etc.), já tendo composto com Raul Malagutti o Vi Baio-Baio, com Aristides Prazeres e Lascada o Eu sou baêta, com Jessé Menezes o Eu não quero mais, afora outros, Caninha o convidou para parceiro. Fizeram os dois o É Batucada, que alcançou o primeiro lugar no concurso realizado no Teatro João Caetano em 26 de janeiro de 1933 e teve o patrocínio da Prefeitura do então Distrito Federal. Além de abiscoitar o polpudo (naquele tempo era) prêmio de um conto de réis, a parceria Caninha e Bicohyba recebeu o diploma de que tanto se envaidecia o De Moraes.

Interpretada por Moreira da Silva, que vinha de obter grande sucesso como criador de Arrasta a sandália, a composição mereceu calorosos aplausos. Toda a assistência, empolgada cantou o coro: “Samba de morro? não é samba, é batucada./ É batucada! É batucada!”. E o júri, integrado, entre outros, por Herbert Moses, pelo cronista carnavalesco Picarêta (Romeu Arêde) e pelos maestros J . Octaviano e Rossini de Freitas, deu o seu justo veredictum classificando-a em primeiro lugar.

Um humorista busca a morte

Boêmio, carnavalesco de “quatro costados”, sambista com diploma oficial, Horácio Dantas que se fez o nobre Visconde de Bicohyba para escrever numa revista galhofeira e maliciosa, embora sua alegria comunicativa buscou ele mesmo a morte. Certo dia, em casa da irmã que residia em Botafogo, sem que ela e seu cunhado Fábio vissem, ingeriu forte dose de veneno morrendo quase que instantaneamente. Realizou o gesto trágico sem deixar informe algum e surpreendendo a todos que o supunham feliz, na plena satisfação de viver.

Desertando da vida aos quarenta e poucos anos, deixou uma lacuna sensível no Carnaval carioca que o tinha como seu grande animador no clube rubro-negro (Tenentes do Diabo), no Cordão da Bola Preta e em todas as manifestações de nossa principal festa. Mas como também no reinado de Momo a folia “não pode parar”, apesar de sentirem sua falta, as morenas a que ele e Caninha aludiram na sua composição vitoriosa, continuam indo “pro samba bonitinhas, de sandálias e de saiote de preguinhas”.

(O Jornal, 28/4/1963)
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Fonte: Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira / Jota Efegê. - Apresentação de Carlos Drummond de Andrade e Ary Vasconcelos. — 2. ed. — Rio de Janeiro - Funarte, 2007.