domingo, fevereiro 11, 2018

Implorando

Catulo
Palma do Martírio (Implorando) - Letra: Catulo da Paixão Cearense - Música: Anacleto de Medeiros

Disco 76 rpm / Título da música: Implorando / Medeiros, Anacleto de, 1866-1907 (Compositor) / Banda do Corpo de Bombeiros (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1904-1907 / Nº Álbum 40574 / Gênero: Schottish.



LP Catullo O Poeta Do Sertão - Na Interpretação De Paulo Tapajós / Título da música: Implorando / Anacleto de Medeiros (Compositor) /Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / Paulo Tapajós (Intérprete) / Gravadora: Sinter / Ano: 1957 / Nº Álbum: SLP 1709 / Lado B / Faixa 6 / Gênero musical: Valsa.

Quando um deus cruento
Vem sangrar meu sentimento
E do meu tormento
Põe as cordas a vibrar
Solto o pensamento
Que se perde no infinito
Desse azul bendito
Que te luz no olhar

Se teu nome pulcro
Em devoção desfio em prece
Frio em seu sepulcro
Me estremece o coração
Pedras de cristal sentimental
Correm fugazes
Pelas minhas faces
A brilhar, rolar

Brilhas entre as gemas
Dos poemas dos meus prantos
Choras nos quebrantos
Destas lágrimas supremas
Tu sorris das rosas
Policromas nos aromas
Fulges no cismar
Da minha dor, do meu penar

Cantas nos enleios
Dos gorjeios mais insones
Corres pelos veios
Da campina esmeraldina
Gemes pelos seios
Esteríssimos das fontes
Pelos horizontes
No arrebol ao pôr-do-sol

Em vestes celestes
Nos ciprestes de minh’alma
Ergues uma palma
De martírio a meu penar
Brilhas como um círio
Iluminando sobre flores
Minhas agras dores
Cor do azul do mar

sexta-feira, fevereiro 09, 2018

Fechei meu jardim - Orestes de Matos

Catulo da Paixão
Fechei O Meu Jardim (modinha, 1912) - Catulo da Paixão Cearense - Interpretação: Orestes de Matos

Disco 78 rpm / Título da música: Fechei o Meu Jardim / Cearense, Catullo da Paixão, 1863-1946 (Compositor) / Matos, Orestes de (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1912-1914 / Nº Álbum: 137000 / Gênero musical: Modinha / Seresta.



Tu me perguntas por que, solitário
Inda mais vário sou que um beija-flor
Ai, quantas vezes cumprindo o fadário
Fui ao calvário do falsário amor!


Eu te respondo mesmo assim cantando
Exacerbando os sonhos meus de então:
Lágrimas frias, creias ou não creias
Tantas chorei-as que fiz um Jordão

Quando a primeira confessei que amava
E ela jurava eterno afeto a mim
Senti minh’alma tão feliz, vaidosa
Mais orgulhosa que a de um querubim
Para ofertar-lhe desprendi a rosa
A mais formosa do espiritual jardim

Rosas, camélias, dálias, açucenas
Lírios, verbenas, cravos, resedás
Íris, violetas, manacás, mil flores
Tantos primores dispensei em vão
Jardim não teve nenhuma rainha
Como a que eu tinha no meu coração

Vieste tarde! Nem agora existe
Um golvo triste de funéreo dó
De tantas flores que eram meus carinhos
Só vejo espinhos, folhas secas só

O amor-perfeito que eu tinha em meu peito
Perdeu a vida, emurcheceu por fim
Mas essa flor modou-se, emurchecida
Numa ferida que viceja em mim
Eis minha vida, a minha história é esta
Nada mais resta, fecho o meu jardim

Ao luar - Paulo Tapajós


Ao Luar (modinha, 1880) - Catulo da Paixão Cearense - Intérprete: Paulo Tapajós

LP Luar Do Sertão - Paulo Tapajós Com Orquestra E Coro Interpretando Catullo Da Paixão Cearense / Título da música: Ao Luar / Gravadora: Sinter / Ano: 1959 / Nº Álbum: SLP 1770 / Lado A / Faixa 5 / Gênero musical: Modinha.



Vê que amenidade,
que serenidade
tem a noite, em meio,
quando, em brando enleio,
vem lenir o seio
de algum trovador!
O luar albente
que do bardo a mente
no silêncio exalta,
chora a tua falta
rutilante estrela
de eteral candor!

Minha lira geme
no concento extreme
que a Saudade inspira!
Vem ouvir a lira,
que, sem ti, delira
nesta solidão!
Vem ouvir meu canto
no fluir do pranto,
com que a dor rorejo!
Lacinante harpejo,
que das fibras tanjo
deste coração!
nosso amor fanado,
quando, eu, a teu lado,
mais que aventurado
por te amar vivi!
Quero a fronte tua
ver à luz da lua
resplandente e bela!
Descerra a janela
que eu durmo as noites,
só pensando em ti!

Dá-me um teu conforto,
que este afeto é morto
que me consagravas...
quando protestavas,
quando me juravas
eviterno amor!
Vem um só momento
dar ao pensamento
radiosa imagem
depois, na miragem,
deixa, eu tua ausência,
cruciar-me a dor!

De saudade o dardo
vem ferir do bardo
o coração silente!
Esta dor latente
só na campa algente
poderá findar!
Mas se ainda o peito
palpitar no leito
de eternal abrigo,
hei de só, contigo,
sob a lousa, em sono
funeral, sonhar.