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sexta-feira, janeiro 05, 2018

Tango - A Obra-Prima da Paixão


Surgido como criação anônima dos bairros pobres e marginais de Buenos Aires, o tango argentino tradicional tornou-se mundialmente famoso na voz de Carlos Gardel e, adaptado a uma estética moderna, com as composições instrumentais de Astor Piazzolla.


Tango é uma música de dança popular que nasceu em Buenos Aires, Argentina, no final do século XIX. Evoluiu a partir do candombe africano, do qual herdou o ritmo; da milonga, que inspirou-Ihe a coreografia; e da habanera, cuja linha melódica assimilou. Chamado pelos argentinos de "música urbana", tem a peculiaridade de apresentar letras na gíria típica de Buenos Aires, o lunfardo.

Os primeiros tangos, ainda próximos à milonga, eram animados e alegres. O primeiro cantor profissional de tango, também compositor, foi Arturo de Nava. A partir da década de 1920, tanto a música como a letra assumiram tom acentuadamente melancólico, tendo como principais temas os tropeços da vida e os desenganos amorosos. A temática é freqüentemente ligada à vida boêmia, com menção ao vinho, aos amores proibidos e às corridas de cavalos.

As orquestras compunham-se inicialmente de bandolim, bandurra e violões. Com a incorporação do acordeão, a que seguiram a flauta e o bandoneom, o tango assumiu sua expressão definitiva.

Dos subúrbios chegou ao centro de Buenos Aires, por volta de 1900. As primeiras composições assinadas surgiram na década de 1910, no período conhecido como da Guardia Vieja (Velha Guarda). A partir daí, conquistou grande popularidade na Europa, com o impulso da indústria fonográfica americana. Os tradicionalistas incriminam a predominância da letra, a partir da década de 1920, como responsável pela adulteração do caráter original do tango. A voz do cantor modificou o ritmo, que já não comportava o mesmo modo de dançar.

As figuras mais importantes da Guardia Nueva (Nova Guarda) foram o cantor Carlos Gardel - cuja voz e personalidade, aliadas à morte trágica num acidente de avião, ajudaram a transformar em mito argentino - e o compositor Enrique Santos Discepolo. Ao mesmo tempo, compositores europeus, como Stravinski e Milhaud, utilizavam elementos do tango em suas obras sinfônicas. Embora continuasse a ser ouvido e cultuado na Argentina conforme a feição que lhe foi dada por Gardel, o tango começou a sofrer tentativas de renovação.

Entre os representantes dessa tendëncia, figuram Martano Mores e Aníbal Troilo e, sobretudo, Astor Piazzola, que rompeu decididamente com os moldes clássicos do tango, dando-lhe tratamentos harmônicos e rítmicos modernos.

O Tango - como o samba, no Brasil - tomou-se símbolo nacional com forte apelo turístico. Casas de tango e o culto aos nomes famosos de Gardel e Juan de Dios Filiberto perpetuam o gênero. Ao contrário do samba, no entanto, a criação artística do tango sofreu forte declínio a partir da década de 1950.

A Dança - Por sua forte sensualidade, o tango foi, a princípio, considerado impróprio a ambientes familiares. O ritmo herdou algumas características de outras danças de casais, como as corridas e quebradas da habanera, mas aproximou mais o par e acrescentou grande variedade de passos. Os dançarinos mais exímios compraziam-se em combiná-los e inventar outros, numa demonstração de criatividade. Fora dos ambientes populares e dos prostíbulos, onde imperava nos subúrbios, o tango perdeu um pouco da lendária habilidade dos bailarinos.

Admitido nos salões, abdicou das coreografias mais extravagantes e evitou posturas sugestivas de uma intimidade considerada indecente, numa adaptação ao novo ambiente.

Tango no Brasil e na Espanha - Resultante de uma fusão da habanera, da polca e do lundu africano, o tango brasileiro, que deu origem ao maxixe, não tem relação com o argentino. O compositor Ernesto Nazareth foi quem deu mais destaque ao gênero, ao qual imprimiu sua marca pessoal. O tango flamenco é dança alegre e festiva do folclore do sul da Espanha, provavelmente influenciado pelo antigo tango argentino.

Veja também:






Fonte: Encyclopaedia Britannica do Brasil - Barsa.

domingo, junho 29, 2014

Neiva Gomes e a paixão pelo tango

— "O tango (1) argentino é grande, mas o samba é maior" — Palavras de Neiva Gomes (2) a CARIOCA.

"A gente lê nos olhos de Neiva Gomes a nostalgia das coxilhas gaúchas. Eles são grandes, e límpidos; parecem espelhar a imensidão verde dos pampas. Sua voz sugere o falar lento e compassado dos peões que pelas noites frias rio-grandenses ocupam sob as estrelas, contando coloridamente os "causos", entre um pedaço vigoroso de churrasco e uma cuia de chimarrão "bom e amargo como a vida".

Neiva nasceu em Porto Alegre e aos cinco anos de idade já deliciava os seus com a interpretação dos sambas e marchas da época. Foi com essa idade que ela se apresentou em público pela primeira vez e com grande sucesso, no Teatro Municipal de sua terra. Depois continuou na carreira clássica das meninas que cantam: participava de festivais beneficentes, cantava em reuniões comemorativas de aniversários familiares, etc.

Essa peregrinação pelo vários ambientes ouvintes foi a grande escola de Neiva Gomes. Ela teve como professor de estilo todo o público rio-grandense, esse público de alma lírica por excelência.

Por isto, por ter formado seu espírito musical entre os gaúchos, Neiva é uma cantora popular diferente de outras cantoras populares que atuam no Rio. O samba, na sua voz, ganha uma inflexão singular que, sem macular a graça original do seu ritmo, lhe produz mesmo um certo enriquecimento. É um samba mais dolente, como se fosse cantado pela sanfona (3), que é o instrumento característico dos campeiros sulinos.

A grande e atávica paixão que Neiva sente pelo tango argentino, gênero musical cheio de afinidades com o folclore gaúcho, será, também, uma das causas desse gracioso retardamento no tempo desse "samba gaúcho". Neiva Gomes é uma apaixonada do tango argentino mas sobretudo adora a nossa música.

— O tango argentino — disse-nos ela — é uma das músicas que mais gosto. Ele deve refletir fielmente a psicologia do povo irmão, tanto me impressiona. Tem um ritmo que permite ao cantor uma quase criação de movimento; o "bandoneón", na sua voluptuosa elasticidade, é a imagem material do tango; ele é mais plasmável que qualquer outra dança. Considero-o como um gênero de música mais aristocrática que popular.


O samba e a marcha — continua — são mais do povo; à vivacidade do movimento devem a sua colossal popularidade. Um só dos elementos formadores dessas músicas, o ritmo, é o fator principal dessa coisa absoluta que se chama Carnaval Carioca. A gente suburbana, armada de caixas de charutos, latas de querosene e chapéus de palha forma orquestras puramente rítmicas, de uma riqueza extraordinária, malgrado a ausência da melodia. Reunida esta ao ritmo, temos então a dança brasileira que não sei explicar porque ainda não é a mais usada em todo o mundo, tal o seu poder sugestivo de movimentação coreográfica.

— Quais os outros gêneros musicais que aprecia?

— Não há música feia, quando ela, sendo popular, reflete essa coisa sagrada que é a alma dos povos. Por isso gosto da música de todo o mundo, que é uma espécie de consciência universal. Sinto, porém, que sou uma cantora popular; admirando imensamente os gêneros musicais chamados "sérios", não posso executá-los porque me falta o virtuosismo vocal indispensável.

— Já tem cantado em outros lugares do Brasil, além do seu estado natal e do Rio?

— Sim. Já cantei em Minas Gerais. Ainda não tive oportunidade para cantar em São Paulo, o que muito desejo.

E porque Neiva além de ser um ótima cantora é uma criatura bonita, perguntamos:

— Por que ainda não entrou para o cinema?

— Falta de ocasião. Eu gostaria imenso de figurar em uma fita.

Donde se conclui que se esta entrevista não tivesse (mas tem) nenhum interesse, teria esse, notável: o de apontar aos nossos diretores cinematográficos um elemento que no Brasil prestigiaria a sétima arte."

Notas: (1) O termo “tango” não é exclusivo de um ritmo que veio da Argentina e tomou conta do mundo a partir dos anos 1920. Há tangos e “tanguinhos” brasileiros, de autores, como por exemplo, de Ernesto Nazareth e Marcelo Tupinambá. Daí a expressão “o tango argentino” neste artigo de 1937; (2) Infelizmente, ainda não possuo dados suficientes para publicar uma biografia sobre essa linda cantora gaúcha; (3) “Sanfona” foi o termo usado erroneamente pelo repórter. No Sul do Brasil são usadas, para este instrumento, as palavras “acordeom”, “acordeona” ou “gaita”. 


Fonte: Revista semanal "Carioca", de 31/07/1937.

sábado, outubro 01, 2011

Estrelas na lama

Estrelas na lama (tango, 1956) - Herivelto Martins - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Estrelas na lama / Herivelto Martins (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / RCA Victor / Nº Álbum: 801623 / Lançamento: 1956 / Lado B / Gênero musical: Tango.

LP O Tango Na Voz De Nelson Gonçalves (reedição) / Título da música: Estrelas na Lama / Herivelto Martins (Compositor) / Nelson Gonçalves (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Nº Álbum: BBL-1154 / Gravação: 1961 / Lado: B / Faixa: 4 / Gênero musical: Tango.



Quando as luzes da ribalta se acendiam
Mil mulheres lá no palco apareciam
Cada uma de beleza sem igual
Porém, a um sinal do diretor
Imponente no cenário multicor
Como deusa, ela surgia divinal

O maestro se empolgava,
A platéia delirava
E a estrela, soberana, dominava
Cada noite era um sucesso,
Cada dia um novo amor
Que a estrela transformava em sofredor

Hoje, hoje, como tantas fracassadas
Vive à beira das calçadas
Estendendo a sua mão
E aquela mesma gente
Que a aplaudia alegremente
Nega um pedaço de pão

Pede, chora, relembrando seu passado
Tanta glória, tanta fama
Seu consolo é saber que as estrelas lá no céu
Também refletem na lama

Esta noite me embriago

Esta noite me embriago (Esta noche me emborracho - tango - 1928) - E. S. Discépolo / Versão: Lourival Faissal - Interpretação: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Esta noite me embriago / Enrique Santos Discépolo (Compositor) / Lourival Faissal (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Nº Álbum: 801517 / Lançamento: 1955 / Lado B / Gênero musical: Tango.

LP O Tango Na Voz De Nelson Gonçalves (reedição) / Título da música: Esta Noite Me Embriago / Enrique Santos Discépolo (Compositor) / Lourival Faissal (Versão) / Nelson Gonçalves (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Nº Álbum: BBL-1154 / Gravação: 1961 / Lado: B / Faixa: 5 / Gênero musical: Tango.


Tom:  D 
	    
   D        D5+          D6 
 Triste, sozinha, desprezada, 
    D5+          D 
 A vi esta madrugada 
   D5+           A7   A7/4 
 Sair de um cabaré 
   A7        Em7         A7 
 Fraca, mostrando que a sorte, 
        Em7         A7 
 Destruiu todo seu porte 
   Em7        D   D5+  D6 
 Sem lhe dar vez, 
   D        D5+        D6 
 Magra, vestida sem aprumo, 
   D5+         B7             Em   Em7M   Em7 
 A exibir sem rumo,    sua nudez, 
    A7              A7/4   D 
 Parecia  um quadro sem valor, 
      B7          Em       A7          D   D5+   D6 
 Mostrando sem pudor, seu corpo sem calor 
  A7              A7/4      D  B7            Em 
 Eu que a tudo sempre resisti, ao vê-la assim, fugi, 
      A7     D   F#7 
 Pra não chorar. 
 
       Bm               Bm7M  Bm7 
 E pensar que há alguns anos, 
  F#7          Bm   Bm7M  Bm7 
 foi minha loucura, 
   D                     A7  A7/4  A7 
 Que levou-me até a traição, 
           D    D5+   D6 
 Sua formosura 
 F#7                    Bm                    F#7 
 Isso que hoje é um cascalho, foi a doce criatura, 
                        Bm 
 Que me fez chorar de amor, 
 A7                  A7/4       A7            A7/4 
 E perdi honra e nobreza, envolvido em tal beleza 
         A7        D     F#7 
 Me fiz mau e pecador, 
       Bm               Bm7M   Bm7 
 E fiquei sem um amigo 
      A7            D   D5+   D6 
 Que vive só e sem fé, 
 Em              Bm 
 Que me teve de joelhos 
       Bm/A               F#7 
 Sem moral,  feito um mendigo, 
            Bm  A7 
 Quando se foi. 
 
  D         D5+         D6 
(Nunca, pensei que a veria 
     D5+         D 
 Perdida, abandonada 
  D5+               A7   A7/4 
 Como hoje a encontrei. 
  A7          Em7         A7 
 Veja, se não é pra suicidar-se, 
         Em7          A7 
 Que por esse trapo inútil, 
  Em7        D   D5+  D6 
 Seja o que sou... 
  D        D5+            D6 
 Fôra, vingança cruel do tempo, 
     D5+             B7 
 Que nos faz ver desfeito, 
            Em  Em7M  Em7 
 O que se amou,) 
  
      A7              A7/4   D 
 Esse encontro me fez tanto mal, 
      B7            Em 
 Que só por me lembrar 
     A7          D   D5+   D6 
 Me sinto envenenar, 
   A7              A7/4      D   B7 
 Esta noite eu me embriago sim, 
           Em 
 Eu bebo até o fim, 
      A7     D   A7   D 
 Pra não pensar... 

sábado, abril 15, 2006

O Tango


Surgido como criação anônima dos bairros pobres e marginais de Buenos Aires, o tango argentino tradicional tornou-se mundialmente famoso na voz de Carlos Gardel e, adaptado a uma estética moderna, com as composições instrumentais de Astor Piazzolla.


Tango é uma música de dança popular que nasceu em Buenos Aires, Argentina, no final do século XIX. Evoluiu a partir do candombe africano, do qual herdou o ritmo; da milonga, que inspirou-Ihe a coreografia; e da habanera, cuja linha melódica assimilou. Chamado pelos argentinos de "música urbana", tem a peculiaridade de apresentar letras na gíria típica de Buenos Aires, o lunfardo.

Os primeiros tangos, ainda próximos à milonga, eram animados e alegres. O primeiro cantor profissional de tango, também compositor, foi Arturo de Nava. A partir da década de 1920, tanto a música como a letra assumiram tom acentuadamente melancólico, tendo como principais temas os tropeços da vida e os desenganos amorosos. A temática é freqüentemente ligada à vida boêmia, com menção ao vinho, aos amores proibidos e às corridas de cavalos.

As orquestras compunham-se inicialmente de bandolim, bandurra e violões. Com a incorporação do acordeão, a que seguiram a flauta e o bandoneom, o tango assumiu sua expressão definitiva.

Dos subúrbios chegou ao centro de Buenos Aires, por volta de 1900. As primeiras composições assinadas surgiram na década de 1910, no período conhecido como da Guardia Vieja (Velha Guarda). A partir daí, conquistou grande popularidade na Europa, com o impulso da indústria fonográfica americana. Os tradicionalistas incriminam a predominância da letra, a partir da década de 1920, como responsável pela adulteração do caráter original do tango. A voz do cantor modificou o ritmo, que já não comportava o mesmo modo de dançar.

As figuras mais importantes da Guardia Nueva (Nova Guarda) foram o cantor Carlos Gardel - cuja voz e personalidade, aliadas à morte trágica num acidente de avião, ajudaram a transformar em mito argentino - e o compositor Enrique Santos Discepolo. Ao mesmo tempo, compositores europeus, como Stravinski e Milhaud, utilizavam elementos do tango em suas obras sinfônicas. Embora continuasse a ser ouvido e cultuado na Argentina conforme a feição que lhe foi dada por Gardel, o tango começou a sofrer tentativas de renovação.

Entre os representantes dessa tendëncia, figuram Martano Mores e Aníbal Troilo e, sobretudo, Astor Piazzola, que rompeu decididamente com os moldes clássicos do tango, dando-lhe tratamentos harmônicos e rítmicos modernos.

O Tango - como o samba, no Brasil - tomou-se símbolo nacional com forte apelo turístico. Casas de tango e o culto aos nomes famosos de Gardel e Juan de Dios Filiberto perpetuam o gênero. Ao contrário do samba, no entanto, a criação artística do tango sofreu forte declínio a partir da década de 1950.

A Dança - Por sua forte sensualidade, o tango foi, a princípio, considerado impróprio a ambientes familiares. O ritmo herdou algumas características de outras danças de casais, como as corridas e quebradas da habanera, mas aproximou mais o par e acrescentou grande variedade de passos. Os dançarinos mais exímios compraziam-se em combiná-los e inventar outros, numa demonstração de criatividade. Fora dos ambientes populares e dos prostíbulos, onde imperava nos subúrbios, o tango perdeu um pouco da lendária habilidade dos bailarinos.

Admitido nos salões, abdicou das coreografias mais extravagantes e evitou posturas sugestivas de uma intimidade considerada indecente, numa adaptação ao novo ambiente.

Tango no Brasil e na Espanha - Resultante de uma fusão da habanera, da polca e do lundu africano, o tango brasileiro, que deu origem ao maxixe, não tem relação com o argentino. O compositor Ernesto Nazareth foi quem deu mais destaque ao gênero, ao qual imprimiu sua marca pessoal. O tango flamenco é dança alegre e festiva do folclore do sul da Espanha, provavelmente influenciado pelo antigo tango argentino.

Veja também:






Fonte: Encyclopaedia Britannica do Brasil - Barsa.

Tango - Cifras e letras


Tango - Algumas letras, cifras e gravações













































terça-feira, abril 11, 2006

Letras do Tango


Tango - Algumas letras, cifras e gravações














































Veja também:





Carlos Gardel



Foi incomum a popularidade conquistada por Carlos Gardel na Europa, na primeira década do século XX, quando ajudou a difundir o tango argentino, sobretudo na França. Após sua morte precoce, converteu-se num mito da cultura popular argentina.


Carlos Gardés, conhecido como Carlos Gardel, nasceu em 11 de dezembro de 1890 em Toulouse, França, e sua mãe emigrou com o filho para a Argentina quando ele tinha três anos de idade. Iniciou a carreira artística ainda muito jovem, cantando sob o nome nome artístico de "El Morocho" nos cafés dos subúrbios de Buenos Aires. Em 1917, a atuação num teatro da capital lançou-o à fama, pela forma sensual e original de interpretar o tango e seu ritmo precursor, a milonga.

Principal intérprete das composições da chamada "nova guarda", estilo de tango que surgiu por volta de 1920, Gardel também compôs muitos tangos famosos, como Mi Buenos Aires querido, Melodía de Arrabal, Arrabal amargo e Volver.

Sua voz ficou imortalizada em discos que foram vendidos em quantidades inusitadas para a época. Estrelou também vários filmes realizados nos primeiros anos do cinema sonoro, como Luces de Buenos Aires (1931), El tango en Broadway (1934) e El día que me quieras (1935). Carlos Gardel morreu em 24 de junho de 1935, núm acidente de avião em Medellín, Colômbia.

(Encyclopaedia Britannica do Brasil - Barsa)

Gardel, o mito

O nome do cantor confunde-se com o tango em todo o mundo. Mais do que uma lembrança, Gardel tornou-se uma lenda. Passados 64 anos de sua morte, poucos mitos tiveram a transcendência do cantor Carlos Gardel. Na Argentina, talvez, Evita Peron compare-se a ele.

O peronismo, porém, já perdeu muito de sua influência entre os argentinos. O mesmo não se pode falar do tango, que ainda hoje se confunde no mundo inteiro, incluindo o Brasil, com seu mais brilhante intérprete. O que pouca gente sabe é que Gardel teve como seu mais famoso parceiro um brasileiro, Alfredo Le Pera.

Gardel, que nasceu há 110 anos, em 11 de dezembro, não era argentino.Charles Romuald Gardés, como foi batizado, nasceu na cidade francesa de Toulouse, em 1890.

Três anos depois, sua mãe Berthe foi expulsa de casa pelos pais, e foi para Buenos Aires com o filho. O cantor nunca conheceu o pai. Enquanto não conheceu a glória, o pequeno Carlito – que logo teve seu nome trocado para Carlos Gardel – teve uma infância dura. Enquanto a mãe trabalhava em casas abastadas, ele vivia de pequenos furtos nas proximidades do mercado de Abasto. Daí, a origem de um de seus mais famosos apelidos, El Morocho (moreno) del Abasto. Gardel logo sumiu de casa para cantar em bares e cafés de categoria duvidosa.

Em 1915, tendo como parceiro o uruguaio José Razzano, viu a vida melhorar. Naquele ano, chegou a se apresentar no Teatro Municipal de São Paulo. Mas a dupla só começaria a conhecer fama em 1917, quando Gardel estourou com o tango “Mi Noche Triste”, no Teatro Esmeralda. Razzano teve má sorte.

Em 1925, após problemas nas cordas vocais, encerrou a carreira. Gardel começa então a viver uma vida de astro. Frequentava as corridas de cavalo, virou padrão de beleza e charme, era assediado pelas mulheres. Por esta época, o cantor passou a estreitar relações com Alfredo Le Pera.

Paulistano do Bexiga, e dez anos mais jovem que El Morocho, Le Pera foi levado com dois meses para Buenos Aires, pelos pais. Além de escritor sensível, o brasileiro conhecia teoria musical, fato que agradou a Gardel, um compositor de ouvido nato. A combinação mostrou-se perfeita, e gerou tangos antológicos, como “Mi Buenos Aires Querido”, “El día que me quieras” e “Arrabal Amargo”.

Le Pera também escreveria argumentos para filmes de Gardel na Europa, como Cuesta Abajo e Tango Bar, entre outros. A parceria de Gardel e Le Pera só foi interrompida pela tragédia. Esta aconteceu em 24 de junho de 1935, uma segunda-feira de São João, quando ambos deixavam Bogotá para se apresentar em Cali, na Colômbia. Após uma escala em Olaya Herrera, Medelin, o desastre. Ao ganhar velocidade para decolar, o trimotor F-31 da Sociedade Aérea Colombiana chocou-se com outro avião parado na pista, incendiando-se. Além da dupla, morreram no acidente outras 16 pessoas. Carbonizado, Gardel só teve seu corpo identificado pela pulseira que usava, gravada com seu nome.

Logo após o acidente, que levou algumas mulheres portenhas ao suicídio, Gardel virou personagem de lendas. Uma delas dizia que ele não morrera naquele acidente. Deformado por cicatrizes e muito vaidoso, o cantor teria se negado a aparecer em público. Por muitos anos, no entanto, há quem diga tê-lo visto cantando, solitário, pelas ruas de Buenos Aires. Le Pera acabou relegado a segundo plano, ofuscado pela fama do parceiro.

(Jornal da Tarde de 07/11/99)


Fontes: Encyclopaedia Britannica do Brasil - Jornal da Tarde de 07/11/99.

segunda-feira, abril 10, 2006

Astor Piazzola

A música de Astor Piazzolla é sem dúvida uma das maiores expressões artísticas que a Argentina já deu ao mundo. Incorporando ao tango um pouco de jazz e um pouco de música clássica, Piazzolla conseguiu um resultado formidável e ao mesmo tempo inovador, sofisticando esse ritmo portenho e revolucionando seus conceitos.

Astor Pantaleón Piazzolla, nascido no dia 11 de março de 1921 na cidade de Mar del Plata, passou a infância entre Buenos Aires e Nova York - mais na segunda cidade que na primeira. Começou a estudar música aos 9 anos nos Estados Unidos, dando continuidade em Buenos Aires e na Europa.

Em 1935 teve um encontro quase místico com Carlos Gardel, ao participar como extra no filme El Día que me Quieras.

Sua carreira começa verdadeiramente ao participar como bandoneonista na orquestra de Aníbal Troilo. Em 1952 ganha uma bolsa do governo francês para estudar com a legendária Nadia Boulanger, quem o incentivou a seguir seu próprio estilo. Em 1955, de volta a casa, Astor forma o Octeto Buenos Aires. Sua seleção de músicos - numa experiência similar à jazzística norte-americana de Gerry Mulligan - termina delineando arranjos atrevidos e timbres pouco habituais para o tango, como a introdução de guitarra.

A presença de Astor gerou ao princípio receios, inveja e admiração entre a comunidade tangueira. Nos anos 60 Piazzolla teve que defender com unhas e dentes sua música, abalada pelas fortes críticas. A controvérsia girava em torno de se sua música era tango ou não, a tal ponto que Astor teve que chamá-la de "música contemporânea da cidade de Buenos Aires". Mas isso não era tudo: Astor provocava a todos com sua vestimenta informal, com sua pose para tocar o bandoneón (tocava de pé, quando a tradição era segurar o fole sentado) e com suas declarações que mais pareciam desafios.

A formação da primeira parte dos anos 60 foi, basicamente, o quinteto. Seu público era integrado por universitários, jovens e pelo setor intelectual, se bem estava longe de ser massivo. Astor já tinha fama de durão e bravo, de lutador, estava em pleno período criativo e se rodeou dos melhores músicos. Com Adiós Nonino, Decarísimo e Muerte de un Ángel começou a trilhar um caminho de sucesso que teria picos em seu concerto no Philarmonic Hall de Nova York e na musicalização de poemas de Jorge Luis Borges.

Em seus últimos anos, Piazzolla preferiu apresentar-se em concertos como solista acompanhado por uma orquestra sinfônica com uma ou outra apresentação com seu quinteto. Foi assim que percorreu o mundo e ampliou a magnitude de seu público em cada continente pelo bem e a glória da música de Buenos Aires.

Astor Piazzolla faleceu em Buenos Aires no dia 4 de julho de 1992, mas deixou como legado sua inestimável obra - que abrange uns cinquenta discos - e a enorme influência de seu estilo. Na verdade, a produção cultural sobre Piazzolla parece não ter fim: se estende ao cinema e ao teatro, é constantemente reeditada pelas discográficas e ganha vida na Fundación Piazzolla, liderada por sua viúva, Laura Escalada.

Veja também:



Fonte: Encyclopaedia Britannica do Brasil - Barsa.

Alfredo Le Pera

Alfredo Le Pera nasceu em São Paulo-SP no dia 7 de junho de 1900 e morreu junto a Gardel no acidente aéreo de Medellín (Colômbia), em 24 de junho de 1935. Seus pais, Alfonso Le Pera e María Sorrentino, eram imigrantes italianos que chegaram a Buenos Aires por volta de 1902. Nessa cidade, Alfredo cursou o Colegio Nacional Mariano Moreno.

Chegou a iniciar carreira em Medicina, porém logo a abandonou para dedicar-se exclusivamente ao jornalismo. Passou por diferentes meios gráficos enquanto escrevia e estreava sainetes e peças de revista que, segundo os entendidos, deixava muito a desejar.

Em 1928, depois de uma missão jornalística nos Estados Unidos e na Europa, vinculou-se à empresa Artistas Unidos, para cujos filmes escrevia legendas. Desta época é sua viagem ao Chile, como autor da companhia de revistas encabeçada por Enrique Santos Discépolo e Tania. Nessa época, assinou junto com Discépolo o tango Carrillón de La Merced que, interpretado triunfalmente por Tania, salvou uma temporada que ameaçava desmoronar.

É provável que Gardel e Le Pera tenham se conhecido em Buenos Aires, mas sem dúvida, sua amizade nasceu em Paris, em 1932, durante a terceira estada do zorzal naquela metrópole, num encontro promovido pela Paramount. Le Pera, frequentador de sets, converteu-se em libretista do astro, revelando um formidável talento.

Le Pera converteu o Morocho del Abasto em uma mescla rara de malandro, playboy e cavaleiro andante de nobilíssimos sentimentos. Nos filmes de Le Pera, Gardel representa a si mesmo tal qual era na vida cotidiana, “esperto e meigo ao mesmo tempo, malandro e cavalheiro, arrebatado e honesto”, conforme descrição de José Gobello.

As letras das canções que Le Pera compôs para Gardel parecem feitas sob medida para o personagem. Gobello explica que mesmo sem os altos vôos de Manzi, nem a profundidade de Discépolo, nem a portenhidade de Romero, nem a vivência de Celedonio, é indiscutivel seu acerto com algumas frases proverbiais: “veinte años no es nada”, “siempre se vuelve al primer amor”, “la verguenza de haber sido y el dolor de ya no ser”.


Fonte: Encyclopaedia Britannica do Brasil - Barsa.