quarta-feira, dezembro 06, 2006

Tamba-Tajá

Segundo um mito amazônico, na tribo dos macuxis havia um índio que, por muito amar sua esposa, levava-a sempre consigo para todo lugar, fosse para caçar, pescar ou lutar. Certa vez, o índio teve que ir para a guerra, mas a esposa ficou doente, sem poder andar. Não querendo separar-se de sua amada, ele fez um saco com folhas de bananeira, para poder carregá-la nas costas. Durante o combate, sua amada foi ferida e morreu. O índio, desesperado de amor, enterrou-se junto com ela. No lugar onde jaziam seus corpos, nasceu um tajá diferente, pois atrás de cada grande folha verde da planta nascia grudada uma pequena folha de forma vaginal. Renasciam assim os amantes, unidos novamente para sempre.

As plantas têm na Amazônia poderes curativos e mágicos, conhecidos pelos pajés e feiticeiros. O Tamba-tajá tem a propriedade especial de proteger os amantes. É por isso que a pessoa que canta se dirige a ele fazendo um pedido, uma espécie de prece pagã, que não é menos desprovida de fé que uma prece religiosa, pois os caboclos acreditam piamente no poder das plantas. Desse modo, devemos revestir de uma certa religiosidade sua execução (Fonte: Uma visão sobre a interpretação das canções amazônicas de Waldemar Henrique - Márcia Jorge Aliverti).

Tamba-tajá (canção, 1934) - Waldemar Henrique - Intérprete: Inezita Barroso

LP Inezita Barroso Com Arranjos e Orquestra de Hervé Cordovil / Título da música: Tamba-Tajá / Waldemar Henrique (Compositor) / Inezita Barroso (Intérprete) / Gravadora: Copacabana / Ano: sem data / Nº Álbum: CLP 11231 / Lado A / Faixa 2 / Gênero musical: Canção / Folclore.



E7+    Fº   F#m4/7   F7/5-
Tamba-Tajá, me faz feliz
E7+      Fº            F#m  B7
Que meu amor me queira bem
G#m      Gm6/5+     F#m4/7           F7/5-
Que meu amor seja só meu, de mais ninguém
        G#m7          Gm6/4+           F#m4/7  F7/5-
Que seja meu, todinho meu, de mais ninguém

 E     C#7/9-  F#m  B7
Tamba-Tajá me faz feliz
G#m7   Gm6/5+     F#m
Assim o índio carregou
       B7
Sua macuxy
G#m7     Gm6/5+         F#m            B7  G#m
Para o  roçado, para a guerra, para a morte
        Gm6/5+         F#m         B4/7
Assim carregue o nosso amor à boa sorte

G#m     Gm6/5+ F#m4/7 F7/5-
Tamba-Tajá...
G#m7             Gm6/5+  F#m          B7
Que ninguém mais possa beijar o que beijei
G#m7         Gm6/5+      F#m           B7  G#m
Que ninguém mais escute aquilo que escutei
           Gm6/5+           F#m         B7/9-
Nem possa olhar dentro dos olhos que olhei
G#m     Gm6/5+ F#m4/7 F7/5-
Tamba-Tajá...

Uirapuru (Waldemar Henrique)

Havia, no Sul do Brasil, uma tribo de índios cujo cacique era amado por duas jovens muito bonitas. Não sabendo qual delas escolher para esposa, o jovem cacique prometeu que se casaria com aquela que tivesse melhor pontaria. Assim sendo, fez-se uma competição e as duas jovens atiraram suas flechas, mas só uma delas acertou o alvo e casou-se com o cacique.

A jovem que perdeu a prova se chamava Oribicy. Ela chorou tanto por ter perdido seu amado, que suas lágrimas formaram um córrego. Sua tristeza era tanta, que pediu a Tupã que a transformasse num passarinho para que ela pudesse visitar seu amado sem ser reconhecida. Tupã realizou o desejo da moça e Oribicy, com sua nova forma, voou até o amado. Para sua grande tristeza, constatou na visita que o cacique vivia muito feliz com sua jovem esposa. Oribicy resolveu ir embora e voou para o Norte. Tupã, para consolá-la, deu-lhe um canto especial, que a faria esquecer sua dor enquanto o entoasse e atrairia quem quer que o escutasse. Assim, a jovem não ficaria solitária.

É por isso que o uirapuru, o pássaro que não é pássaro, vive a cantar e a atrair com seu canto todos os que o ouvem. Esse fenômeno acontece realmente. Na floresta, mesmo se todos os pássaros estão a cantar enchendo o ar de melodias e gritos diversos, quando o pequeno e cinzento uirapuru inicia seu canto, todos os outros silenciam e, o que é ainda mais interessante, vêm depositar aos seus pés oferendas: sementes, galhos, alimento (Fonte: Uma visão sobre a interpretação das canções amazônicas de Waldemar Henrique - Márcia Jorge Aliverti).

Uirapuru (canção, 1934) - Waldemar Henrique - Interpretação de Vanja Orico

LP Ritmo De Nossa Terra - Viagem Musical Com Vanja Orico / Título da música: Uirapuru / Waldemar Henrique (Compositor) / Vanja Orico (Intérprete) / Gravadora: Sinter / Ano: 1958 / Nº Álbum: SLP 1740 / Lado A / Faixa 2 / Gênero musical: Canção / Folclore.



Certa vez de montaria
Eu descia um "paraná"
O caboclo que remava
Não parava de falar, ah, ah
Que caboclo falador!

Me contou do "lobishomi"
Da mãe-d'água, do tajá
Disse do juratahy
Que se ri proluar, ah, ah
Que caboclo falador!

Que mangava de visagem
Que matou surucurú
E jurou com pavulagem
Que pegou uirapuru, ah, ah
Que caboclo tentadô

Caboclinho, meu amor
Arranja um pra mim
Ando roxo pra pegar
Unzinho assim...

O diabo foi-se embora
Não quis me dar
Vou juntar meu dinheirinho
Pra poder comprar

Mas no dia que eu comprar
O caboclo vai sofrer
Eu vou desassossegar
O seu bem querer, ah, ah
Ora deixa ele pra lá...

Sem Seu

Motivos de candomblé de Ilhéus, recolhido pelo maestro paraense Waldemar Henrique.

Sem Seu (motivos de candomblé, 1952) - Waldemar Henrique - Intérprete: Jorge Fernandes

LP 10' Música De Waldemar Henrique Na Interpretação De Jorge Fernandes / Título da música: No Jardim de Oeira / Waldemar Henrique (Compositor) / Jorge Fernandes (Intérprete) / Gravadora: Sinter / Ano: 1956 / Nº Álbum: SLP 1064 / Lado B / Faixa 7 / Gênero musical: Ponto ritual / Folclore / Obs.: Jorge Fernandes é acompanhado ao piano pelo próprio Waldemar Henrique.



Sem Seu
É de Congoricó, miriti tome lá
É de Congoricó, miriti tome lá
Não posso te amar

Sem Seu
É de Congoricó, miriti tome lá
É de Congoricó, miriti tome lá
Não posso te amar

Sem Seu sou de Maionghê
Sem Seu não posso te amar
Neto de Aruanda
Filho de Yemanjá
Lá no meu sertão, ó bujanjo
Sou Ogã de Ori
Lá no meu sertão, ó bujanjo
Sou Ogã de Ori