terça-feira, maio 01, 2007

Coração de papel

Magoado por haver brigado com a namorada Ruth, Sérgio Reis dedilhava o violão, enquanto aguardava o almoço, preparado por dona Clara, sua mãe. Como estava demorando, resolveu escrever uma letra, mas logo desistiu da tarefa e, ao jogar fora o papel, comentou para dona Clara: “meu coração está amassado como aquela bola de papel.” De repente, percebendo que a imagem poderia funcionar como motivo para uma canção, retomou o violão e compôs em poucos minutos “Coração de Papel”, terminando-a antes mesmo do almoço ficar pronto.

Dias depois, vindo à sua casa o produtor Tony Campello, em busca de repertório para a dupla Deny e Dino, gostou tanto da composição que acabou sugerindo uma fita demo com o próprio Sérgio, o mais indicado para cantar sua pungente melodia: “Se você pensa que meu coração é de papel / não vá pensando pois não é / ele é igualzinho ao seu / e sofre como eu / por que fazer chorar assim / a quem lhe ama...”

Aprovada por Milton Miranda, diretor da Odeon, “Coração de Papel” foi gravada por Sérgio num compacto duplo, acompanhado pela orquestra de Peruzzi, com o reforço vocal dos Fevers, Golden Boys e Trio Esperança. Apesar de bem executada nas rádios, a composição recebeu um impulso definitivo do Chacrinha, que durante oito semanas ofereceu um prêmio de mil cruzeiros novos ao calouro que melhor a interpretasse.

Com isso deslanchou o sucesso de “Coração de Papel” no Rio de Janeiro, suplantando nas paradas suas maiores rivais, “O Bom Rapaz”, com Wanderley Cardoso, e “Meu Grito”, com Agnaldo Timóteo. Em tempo: teve um happy end o romance de Sérgio e Ruth, com o casamento dos dois (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Coração de Papel (canção, 1967) - Sérgio Reis - Intérprete: Sérgio Reis

LP Coração de Papel / Título da música: Coração de Papel / Sérgio Reis (Compositor) / Sérgio Reis (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1967 / Nº Álbum: MOFB 3504 / Lado A / Faixa 5 / Gênero musical: Canção / Jovem Guarda.

F                     Am
se você pensa que meu coração   é de papel
D7                     Gm
não vá pensando pois não é
A#
êle é igualzinho ao seu
A#m                 F          Dm
e sofre como eu      porque fazer
A#            C
sofrer assim a quem lhe ama
F                    Am
se você pensa em fazer   chorar a quem lhe quer
D7                     Gm
a quem só pensa em você
A#
um dia sentirá
A#m                      F            Dm
que amar é bom demais     não jogue amor ao léu
A#      C7          F
meu coração que não é de papel
F7 G# A A#        C7
porque fazer chorar
A#         C7
porque fazer sofrer
A#       C7              F
um coração que só lhe quer
F7 G# A A#
o amor é lindo eu sei
BIS            A#m
e todo eu lhe dei
F           Dm
você não quis
A#
jogou ao léu
C7            F
meu coração que não é de papel
Am     A#
não é   ah ah
C7            F
meu coração que não é de papel

sábado, abril 07, 2007

Joyce


Joyce (Joyce Silveira Moreno) - 31/1/1948 Rio de Janeiro, RJ. Nascida Joyce Silveira Palhano de Jesus, foi criada na Zona Sul do Rio, começou a tocar violão aos 14 anos de idade, observando seu irmão, o guitarrista Newton, amigo de músicos da bossa nova como Roberto Menescal e Eumir Deodato. Mais tarde, estudou com Jodacil Damaceno (violão clássico e técnica) e Wilma Graça (teoria e solfejo).


Em 1963, participou pela primeira vez de uma gravação em estúdio, no disco Sambacana, de Pacífico Mascarenhas, convidada por Roberto Menescal. A partir daí, gravou vários jingles e começou a compor.

Em 1967, classificou sua canção Me disseram no II Festival Internacional da Canção (RJ). Em 1968 lançou seu primeiro LP, Joyce, com texto de apresentação assinado por Vinícius de Moraes. Em 1969, gravou seu segundo disco, o LP Encontro marcado.

Entre 1970 e 1971, fez parte, juntamente com Nélson Ângelo, Novelli, Toninho Horta e Naná Vasconcelos, do grupo vocal e instrumental A Tribo, chegando a gravar algumas faixas no disco Posições, lançado pela Odeon. Em 1973, gravou com Nélson Ângelo, o LP Nélson Ângelo e Joyce.

Entre os anos de 1971 e 1975, afastou-se das atividades musicais, dedicando-se exclusivamente às filhas Clara e Ana, nascidas em 1971 e 1972, respectivamente. Retomou a carreira em 1975, substituindo o violonista Toquinho, ao lado de Vinicius de Moraes em turnê pela América Latina.

Foi convidada, em seguida, para participar dos shows do poeta pela Europa, já com Toquinho de volta ao grupo. As apresentações geraram, na Itália, a gravação do LP Passarinho urbano, produzido por Sérgio Bardotti para a etiqueta Fonit-Cetra em 1976. Nesse disco, a cantora interpretou músicas de compositores brasileiros que naquele momento estavam tendo sua obra censurada pela ditadura militar, como Chico Buarque, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Maurício Tapajós e o próprio Vinícius de Moraes. O disco teve lançamento discreto no mercado brasileiro no ano seguinte.

Em 1977, apresentou-se em temporada de seis meses em Nova York, gravando o Natureza, em parceria com Maurício Maestro, para o mercado exterior, mas que não chegou a ser comercializado.

A partir de 1978 começou a se destacar como compositora, entrando para o repertório de cantores como Milton Nascimento, Elis Regina, Maria Bethânia, Boca Livre, Nana Caymmi, Quarteto em Cy, Joanna, Fafá de Belém e Ney Matogrosso.

Em 1980, participou do Festival de Música Popular Brasileira da TV Globo, classificando Clareana. Nesse mesmo ano, gravou o disco Feminina, com destaque para a canção título, também gravada com sucesso pelo Quarteto em Cy, Mistérios (Joyce - Maurício Maestro), Essa mulher (Joyce - Ana Terra), Da cor brasileira (Ana Terra - Joyce) e Clareana, sucesso de vendagem e responsável pela primeira grande exposição da cantora na mídia.

Ainda na década de 1980, lançou os LPs Água e luz (1981), que trazia o hit Monsieur Binot (Joyce), Tardes cariocas (1984), Saudade do futuro (1985), que trazia Minha gata Rita Lee (Joyce), Wilson Batista: o samba foi sua glória (1986), Tom Jobim: anos 60 (1987), com Gilson Peranzzetta, Negro demais no coração (1988), com destaue para sua regravação de Samba da benção (Baden Powell - Vinícius de Moraes), e Joyce ao vivo" (1989), trazendo, entre outras, Mulheres do Brasil (Joyce). Lançou, em 1990, o LP Music inside" e, no ano seguinte, o LP Language of love.

Em 1993, realizou em Londres um show para um público de 2.000 pessoas, passando a fazer grande sucesso entre o público de drum'n'bass e acid-jazz europeu. Em 1994 a EMI-Odeon lançou o CD Revendo amigos, songbook de seus sucessos em duetos com outros cantores.

Ainda na década de 1990, gravou os discos Delírios de Orfeu (1994), Live at Mojo Club (1995), Sem você (1995), em parceria com Toninho Horta, e Ilha Brasil (1996). Em 1997, publicou o livro Fotografei você na minha rolleyflex, uma coletânea de crônicas e histórias da música popular brasileira. Lançou os discos Astronauta (1998), um tributo a Elis Regina, e Hard bossa (1999).

Divulgando a música brasileira em seguidas turnês internacionais, ministrou workshops, em 2000, no Rytmisk Konservatorium de Copenhagen (Dinamarca) e em Soweto (África do Sul). Ainda nesse ano, seu CD Astronauta foi indicado para o Grammy Latino, na categoria Melhor Disco de MPB. Também em 2000, gravou o disco Tudo bonito, que contou com a participação de João Donato.

Em 2001 teve seu nome alterado para Joyce Silveira Moreno em função do registro civil de seu casamento com o baterista Tutty Moreno. Nesse mesmo ano, lançou o CD Gafieira moderna. Em 2003 sairam Just A Little Bit Crazy e Bossa Duets. Em 2004 lançou Banda Maluca.

Tem centralizado a divulgação de seus trabalhos principalmente no mercado europeu, onde é considerada uma das artistas brasileiras de maior influência.


Fonte: Cantoras do Brasil - Joyce.

Waleska


Maria da Paz Gomes (Afonso Cláudio ES, 29/09/1941 - Rio de Janeiro RJ, 14/10/2016), mais conhecida pelo pseudônimo Waleska, foi uma cantora e compositora brasileira. Ganhou o apelido de "Rainha da fossa", dado pelo então poeta Vinícius de Moraes (1913–1980). Em 1960 ela lançou seu primeiro disco pela Vogue Discos.


Waleska começou a sua carreira artística se apresentando na rádio Inconfidência e na TV Itacolomy, ao lado de Clara Nunes e de Milton Nascimento, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Mudando-se para o Rio de Janeiro foi "cronner" da boate Arpége, de Waldir Calmon, e cantou no famoso Beco das Garrafas. Em 1966 fundou um pub no bairro do Leme e recebeu de Vinícius de Moraes o slogan de "cantora da fossa".

Cantora de músicas de dor de cotovelo, o termo "fossa" apareceu várias vezes nos títulos de seus discos, como Uma noite na fossa , Waleska na Fossa e Fossa. Cantava músicas barra-pesada, mas de uma forma cool. Waleska se celebrizou no circuito de boates e, embora não tenha feito grande sucesso no rádio, tinha público cativo onde se apresentava nos anos 60 e início dos 70.

Era admirada pelo jornalista e compositor Sérgio Bittencourt (filho de Jacob do Bandolim), jurado do Programa Flávio Cavalcanti, e pelo compositor Vinícius de Moraes. Na década de 70, a intérprete criou a boate Fossa, em Copacabana, que ficou muito conhecida pelos seus frequentadores, entre eles, Juscelino Kubstcheck e Carlos Lacerda.

Autora de mais de 20 discos, Waleska destacou-se gravando composições de Tom Jobim, Ary Barroso, Cartola, entre outros. Nas décadas de 80 e 90, fez várias turnês passando pela Itália, Portugal e pelos Estados Unidos.


Fonte: Cantoras do Brasil - Waleska; Wikipédia.