quarta-feira, novembro 21, 2007

Bezerra da Silva


Bezerra da Silva (José Bezerra da Silva), cantor e compositor, nasceu em Recife, Pernambuco, em 09/03/1927 e faleceu no Rio de Janeiro em 17/01/2005. Desde os nove anos já tocava zabumba e cantava coco em sua cidade natal.


De origem humilde, aos 15 anos veio para o Rio de Janeiro como clandestino num navio e trabalhou na construção civil como pintor durante vários anos. Tocando tamborim no Bloco Unidos do Cantagalo, conheceu Alcides Fernandes, o Doca, um dos autores da música General da banda, que o convidou a participar de programa na Rádio Clube do Brasil, em 1950.

Começou então carreira como músico profissional, que se estendeu por 35 anos, acompanhando os mais famosos artistas brasileiros e integrando a Orquestra da Copacabana Discos em São Paulo, na década de 1960, e a Orquestra da TV Globo, de 1977 a 1985.

Sua primeira música gravada foi Nunca mais (com Norival Reis), por Marlene, na Continental, em 1965. Gravou o primeiro disco, um compacto simples, na Copacabana, em 1969, com as músicas Mana, cadê meu boi e Viola testemunha.

Em 1975, pela Tapecar, gravou seu primeiro LP, Bezerra da Silva — o rei do coco vol. 1, fazendo sucesso com a música Rei do coco; no segundo volume destacou-se com a faixa Cara de boi.

Em 1977 gravou seu primeiro LP de samba, pela CID, Partido-alto nota dez, vol. 1, seguido pelo segundo volume em 1978, que lhe rendeu o sucesso nacional Pega eu que eu sou ladrão (Crioulo Doido).

Em 1979 foi contratado pela RCA Victor, na qual permaneceu por 14 anos, lançando 14 discos, sendo seu primeiro CD Presidente caô, caô, em 1992. Transferiu-se para a RGE em 1995, lançando o CD Bezerra da Silva contra o verdadeiro canalha.

Em 1997 mudou-se para a gravadora Rhythm and Blues, produzindo mais um disco de sua carreira: Bezerra da Silva comprovando sua versatilidade.

Seus principais sucessos eram, segundo a Enciclopédia da Música Brasileira - edição de 1998 -, Bicho feroz (Tonho e Cláudio Inspiração); Malandragem, dá um tempo (Adelsonilton, Popular P e Moacir Bombeiro), gravada com sucesso em 1996 pelo Barão Vermelho; Overdose de cocada (Dinho e Ivan Mendonça); além de Pega eu que eu sou ladrão e Rei do coco.

Continuando a biografia, com alguns dados do Dicionário Cravo Albin, no ano de 1999, a gravadora MCA Internacional lançou o CD "Eu tô de pé", do qual mereceu destaque a música Cuidado com o bicho, de autoria de Luizinho e Neném do Chama.

No ano 2000, lançou seu 25º disco, o primeiro ao vivo de sua carreira, pela gravadora CID, que já saiu com 150 mil cópias vendidas. Nesse mesmo ano, pela gravadora Atração, lançou o CD "Bezerra da Silva". Também em 2000 lançou o CD "Malandro é malandro e mané é mané", pela gravadora Atração Fonográfica, no qual interpretou, entre outras, Os DPs de São Paulo (capital), Tem coca aí na geladeira e Respeito às favelas. Com a regravação de um sucesso seu pelo grupo Barão Vermelho, Bezerra da Silva tornou-se "cult" e passou a ser admirado por várias gerações e diversos artistas, como Paulo Ricardo, Marcelo D2, Os Virgulóides e O Rappa. Ainda nesse ano, a gravadora BMG Ariola lançou cinco de seus LPs em versão remasterizada em CD: Produto do morro, Malandro rifle, Alô malandragem, maloca o flagrante, Violência gera violência e Eu não sou santo.

Em 2001, a Rio Filme financiou o curta-metragem "Onde a coruja dorme", de Márcia Derraik e Simplício Neto, que contou a história de Bezerra da Silva e os personagens reais de suas composições, com cenas e depoimentos recolhidos no bairro da Chatuba, em Belford Roxo, no Rio de Janeiro. O documentário foi premiado em festivais de Miami, Curitiba e Gramado.

No ano de 2002, lançou o CD "A gíria é a cultura do povo", disco no qual incluiu Mulher sem alma (Batatinha), entre outras.

Em 2003, recebeu como convidados Frejat e Marcelo D2 em show no Olimpo, no Rio de Janeiro. Neste mesmo ano, lançou seu 28º disco: "Meu bom juiz", no qual interpretou Em seu lar (Norival Reis), faixa que havia gravado anteriomente, quando trabalhava como percussinista, em 1967.

Em 2004, pela gravadora Som Livre, lançou o CD "Pega eu". Neste mesmo ano lançou de forma independente o CD gospel "Caminho de luz", no qual foram incluídas várias composições de amigos: Me chamo Jesus e Filho do dono, ambas de Adelzo Nilton (ex- Adelzonilton); Acreditar na palavra (Roxinho e Claúdio Inspiração) e Chave do milagre (Dicró) e ainda Gente fina, do Senador e Bispo Marcelo Crivella.

No ano de 2005 Dudu Nobre lhe prestou homenagem no disco "Festa em meu coração", quando regravou seu primeiro sucesso nacional, a música Pega eu que sou ladrão, de autoria de Criolo Doido. Bezerra da Silva iria participar da gravação, mas faleceu em janeiro do mesmo ano.


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998; Dicionário Cravo Albin da MPB.

terça-feira, novembro 20, 2007

Marília Medalha


Marília Medalha, cantora e compositora, nasceu em Niterói RJ em 25/7/1944. Aos cinco anos cantava para os amigos da família e, adolescente, frequentava reuniões musicais em Niterói, das quais participavam Sérgio Mendes e Tião Neto, que a acompanhavam em algumas apresentações públicas na cidade. Nesse período, realizou espetáculos no Clube de Regatas de Icaraí e no Clube Central.


Em 1965, Sérgio Mendes, já radicado nos EUA e famoso, convidou-a para integrar seu conjunto; recusou, preferindo participar, a convite de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, da peça Arena conta Zumbi, no Teatro de Arena, de São Paulo, recebendo, por sua atuação, o prêmio de Atriz-revelação de 1965, conferido pela Associação Paulista de Críticos Teatrais.

Dois anos depois, apresentou-se com Edu Lobo num show da boate carioca Zum-Zum e começou a tomar parte no programa da TV Excelsior, de São Paulo, Ensaio Geral, ao lado de Gilberto Gil, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Sérgio Ricardo.

Interpretou no III FMPB, da TV Record, de São Paulo, em 1967, a música Ponteio (Edu Lobo e Capinam), vencedora do concurso. No festival seguinte da mesma emissora, cantou a música (que se classificou em segundo lugar) Memórias de Marta Saré (Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri). Ainda em 1968, defendeu na I Bienal do Samba, também na TV Record, a composição colocada em terceiro lugar, de autoria de Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, Pressentimento, gravada no seu primeiro LP — Marília Medalha — lançado pela Philips nesse mesmo ano.

Em 1970 apresentou-se ao lado de Toquinho e Vinícius de Moraes, no Teatro Castro Alves, em Salvador, e também em Buenos Aires, Argentina, na boate La Fusa. No LP Como dizia o poeta, gravado em 1971, junto com Vinícius de Moraes e Toquinho, interpretou duas composições suas, feitas em parceria com Vinícius, Valsa para o ausente e O grande apelo.

Até 1972, excursionou pelo exterior (Argentina, Uruguai, França), com Vinícius de Moraes e Toquinho. Lançou, em 1973, um LP com composições suas e letras de Vinícius, como Encontro e desencontro, e se apresentou no show Caminhada, no Teatro da Praia, no Rio de Janeiro, com direção geral de Silnei Siqueira e direção musical de Paulo Moura.

Participou, dois anos depois, da remontagem do show Opinião (Oduvaldo Viana Filho, Paulo Pontes e Armando Costa), ao lado de Zé Kéti e João do Vale, sob a direção de Bibi Ferreira, no Teatro Opinião, do Rio de Janeiro.

Em 1978, gravou o LP "Bóias da luz", com destaque para canções como Nós os grandes artistas (Gonzaguinha), Natalino José do Nascimento (Zé Keti) e Depois que foi embora (Fernando Leporace), além da faixa-título (Sueli Costa e Abel Silva), entre outras.

Durante praticamente toda a década de 80, sua carreira ficou restrita a São Paulo, onde se apresentou esporadicamente.

Lançou, em 1992, o disco "Bodas de vidro", produzido e editado pelo governo municipal de Niterói, cidade onde nasceu, registrando composições próprias como Canção da canção que nasceu (c/ Vinícius de Moraes) e Porto aberto (c/ Dulcineia Pilla), além de músicas de outros compositores, como Poeta (Márcio Proença e Paulo César Pinheiro) e Ah! Se eu pudesse (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli), além da faixa-título (Sueli Costa e Paulo César Pinheiro), entre outras.


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998; Dicionário Cravo Albin da MPB.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Ovídio Chaves

Ovídio Chaves e Dilu
(A Cena Muda, 1958)
Ovídio Chaves (Ovídio Moojen Chaves), compositor, escritor e instrumentista, nasceu em Lagoa Vermelha RS em 29/7/1910 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 2/8/1978. O pai, comerciante, tocava bandônio e o incentivou no gosto pela música, que começou a estudar aos sete anos.

Em 1932 foi aluno de José Lucchesi no Conservatório de Música de Porto Alegre RS, mas desde 1925 já trabalhava como violinista de orquestra, acompanhando projeções de cinema mudo em Lagoa Vermelha.

Na capital gaúcha foi redator do jornal Correio do Povo. Além do violino, tocava violão; em 1939 estreou como compositor com Fiz a cama na varanda (com Dilu Melo), gravada pela parceira em 1941, na Continental. A música transformou-se no grande sucesso de sua carreira, sendo mais tarde gravada, entre outros, por Inezita Barroso, Dóris Monteiro, Nara Leão, Cantores de Ébano, a Orquestra de Radamés Gnattali, conjuntos de rock e, ainda, na França, em versão.

Em 1942 compôs Alecrim da beira d’água, seguida em 1943 por Menino dos olhos tristes. Dois anos depois compôs o xote Rede de Maria. Em parceria novamente com Dilu Melo, lançou em 1951 a polca Meia-canha. Entre suas músicas posteriores mais importantes, destaca-se a Toada do jangadeiro (com Enoque Figueiredo), de 1962. Em 1967 recebeu o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, no gênero poesia.

Tem cerca de vinte composições gravadas. Publicou os livros de poesias O cancioneiro, Porto Alegre, 1933; O anel de vidro, Porto Alegre, 1934; Uma janela aberta (foto), Porto Alegre, 1938; ABC de Paquetá, Rio de Janeiro, 1965; e o romance Capricornius, Porto Alegre, 1945.

Obras

Alecrim da beira d’água, 1942; Fiz a cama na varanda (c/Dilu Melo), 1939; Meia-canha (c/Dilu Melo), polca, 1951.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.