quinta-feira, abril 15, 2010

Gaúcho da Fronteira


Gaúcho da Fronteira (Heber Artigas Fróis), compositor e instrumentista, nasceu em Santana do Livramento-RS, em 23/6/ 1947. Aos sete anos de idade, iniciou-se na gaita de botão com quatro baixos; aos nove, já tocava acordeom, bandoneom e violão.

Foi motorista de táxi e de caminhão até 1968, quando ingressou no conjunto Os Vaqueanos, com o qual trabalharia oito anos e gravaria dois discos. Em 1975 gravou pela Beverly seu primeiro LP individual, Gaúcho da Fronteira, consolidando o apelido pelo qual já era conhecido.

Em 1979 mudou-se para Porto Alegre-RS e foi convidado pela gravadora WEA para inaugurar o selo Rodeio com Meu rasto, seu terceiro LP individual, que incluiu seu maior sucesso, o vanerão Nhecovari Nhecofum.

Representante da cultura e das tradições do Rio Grande do Sul, conquistou popularidade em todo o Brasil com sua música bem-humorada, que mistura os ritmos sulinos ao samba, forró, country e até rock.

Em 1989 foi uma das atrações do 1 Festival Internacional de Música Country, apresentando-se em São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia e Belo Horizonte. Em seus 30 anos de carreira, gravou, entre outros, os discos:

Gaita companheira (1982, WEA/Rodeio), O toque do gaiteiro (1987, WEA), Gaitaço (1990, Continental/Chantecler), Gaúcho negro (1991, Som Livre), Tão pedindo um vanerão (1994, Chantecler), Amizade de gaiteiro (1996).

Luciano Gallet

Luciano Gallet, compositor, professor, pianista, regente e folclorista, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 28/6/1893 e faleceu em 29/10/1931. Entre os oito e os quatorze anos participou como cantor, pianista e ator de representações e espetáculos em seu colégio, o Pedro II.

Após estudar arquitetura, empregou-se como desenhista e aceitou um lugar como pianista, mesmo sem ter estudado música, em uma pequena orquestra de salão. Nessa época, passou a freqüentar cafés, cinemas e concertos, entrando em contato com o meio musical.

Em 1913 começou a trabalhar tomo acompanhador, e no final do ano, incentivado por Glauco Velásquez, apresentou seu Estudo número 3 a Henrique Oswald, que o aprovou. No ano seguinte, matriculou-se no I.N.M., onde estudou piano com Henrique Oswald e harmonia com Agnelo França.

Ainda em 1914 Glauco Velásquez, que adoecera, preparou-o para ser seu intérprete. Após a morte do compositor, no mesmo ano, fundou a Sociedade Glauco Velásquez, que teria uma existência de quatro anos.

Com Ábdon Milanez terminou, em 1916, seu curso de piano, tornando-se em seguida professor. Em 1917 fez curso de harmonia com Darius Milhaud, que o iniciou na música moderna. Depois de ter sido um dos maiores intérpretes da obra de Glauco Velásquez, a partir de 1918 lançou-se definitivamente como compositor, embora ainda influenciado, nos primeiros trabalhos, pelo estilo de seu mestre. Procurou em seguida aprofundar-se na música e no folclore brasileiros, que em grande parte ainda ignorava, apesar de seguir a corrente nacionalista.

Em 1922, ano da Semana de Arte Moderna, dirigiu o coro e a orquestra do I.N.M., do Rio de Janeiro, em várias audições. Em 1924 publicou os dois primeiros cadernos das Canções populares brasileiras, e fundou a sociedade coral Pró-Arte. Completou com mais três cadernos as Canções populares brasileiras em 1926, e dois anos depois concluiu sua coletânea de composições publicada após sua morte com o título Interpretações.

Ainda em 1928 tornou-se diretor da revista de música Weco. No ano seguinte compôs Suíte sobre temas negro-brasileiros, sua obra instrumental mais importante, uma das últimas que escreveu.

Descontente com a decadência da música brasileira, promoveu em 1930 uma campanha que culminou com a fundação da Associação Brasileira de Música, que se fundiu com a Associação dos Artistas Brasileiros em 1937.

Em dezembro de 1930 aceitou o convite para dirigir o I.N.M., onde introduziu uma série de modificações, exercendo o cargo até a morte. Colaborou ainda em diversas publicações. Publicou Estudos de folclore, Rio de Janeiro, 1934 (com Introdução de Mário de Andrade).

Obra completa

Música orquestral : Alanguissement, 1918; Dança brasileira, 1923; Dança brasileira, 1925; O destino das fadas, 1927; Elegia, 1921; Moderato e allegro, 1920; Morena, morena, 1927; Pai do mato, 1929; Suíte bucólica, 1920; Suíte popular, 1929; Suspira, coração triste, 1927; Tango-batuque, 1919; Toca-zumba, 1926; Xangô, 1929.

Música de câmara : Suíte, p/flauta, oboé, clarineta, fagote e piano, 1929; Turuna, p/alto, clarineta, violino e bateria, 1926.

Música instrumental : Solos p/piano: Berceuse, 1917; Caxinguelê, 1917; Doze exercícios brasileiros (Valsa sestrosa, Puladinho 1, Dobrado, Chorinho, Modinha, Tanguinho, Schottisch brasileira, Seresta, Maxixe, Polca sertaneja, Pula dinho II e Batuque), 1928; Hieróglifo, 1922; Moderato e allegro, 1918; Nhô Chico, 1927; Pecinhas infantis, 1929; Rapsódia, 1924; Rapsódia sertaneja, 1923; Suíte bucólica, 1920; Tango-batuque, 1918; Trois pièces burlesques, 1919.

Duos: Elegia, p/celo e piano, 1918; Romance n 1, p/violino e piano, 1918; Romance n 2, p/violino e piano, 1918.

Música vocal : Canto e piano: Acorda, donzela!, 1928; Ai, que coração, 1924; Alanguissement, 1918; Arrazoar, 1925; Atirei um pau no gato, 1928; Bambalelê, 1925; Bela pastora, 1928; Canção dolente, 1918; Carneirinho, carneirão, 1928; A casinha pequenina, 1927; Castanha ligeira, 1928; Condessa, 1927; O destino das fadas, 1927; Foi numa noite calmosa, 1925; Fotorototó, 1924; Iaiá, você quer morrer, 1924; Infância brasileira, 1928; Marcha, soldado, 1927; Maxixe, 1925; Morena, morena, 1921; Olhos verdes, 1922; Pai do mato, 1928; A partida, 1919; A perdiz piou no campo, 1924; Quadras, 1918; Salomé, 1918; Le sonnet d’Arvers, 1918; Surdina, 1919; Suspira, coração triste, 1921; Taieiras, 1925; Tutu-marambá, 1927; A vida, 1922; Xangô, 1928.

Coro e piano: Deux chansons de Bilitis, 1920; Eu vi amor pequenino, 1924; Hino à escola, 1920; O luar do sertão, 1924; Puxa o melão, sabiá, 1926; Sertaneja, 1924; Toada, 1922; Toca-zumba, 1926; Tutumarambá, 1922.

Música sacra : Ave Maria, 1919; Ave Maria n2 1, 1918; Padre Nosso n 2, 1918; Si queris miracula, 1926; Três cantos religiosos (Padre Nosso, 1918; Salutaris, 1920).

Fonte: Academia Brasileira de Letras; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha

Vital Farias


Vital Farias, cantor, compositor e instrumentista, nasceu em Taperoá, Paraíba, em 23/1/1943. Cresceu ouvindo bandas de pífaros, repentistas e cantadores, além das obras de Johann Sebastian Bach (1685—1750), na casa de um vizinho. Aos 18 anos, mudou-se para João Pessoa PB e montou um grupo no estilo dos Beatles: Os Quatro Loucos. Formou-se em violão pelo Instituto Superior de Educação Musical de João Pessoa.

Em 1975, incentivado por Sivuca e Hermeto Pascoal, mudou-se para o Rio de Janeiro, participando do show de inauguração da SOMBRÁS nesse mesmo ano. Trabalhou como músico na peça Gota d’água, de Chico Buarque.

Sua primeira música gravada foi Ê mãe (com Livardo Alves), por Ary Toledo. Seguiu-se Caso você case, lançada por Marília Barbosa (Som Livre, 1976), que fez sucesso e foi incluída na trilha da novela Saramandaia, da TV Globo.

Após um compacto na CBS, assinou com a Polygram e lançou seu primeiro LP, Vital Farias, em 1978, que trazia Ê mãe e Caso você case e rendeu mais um sucesso, Canção em dois tempos (Era casa, era jardim), tema de outra novela, Roda de fogo, da TV Tupi.

Seus outros êxitos incluem Veja, Margarida, Do jeito natural (1982) e Ai que saudade de ocê (1982), além de uma homenagem ao sanfoneiro Abdias, Forrofunfá (Abdias dos 8 baixos) (com Livardo Alves, 1982).

Ai que saudade de ocê foi novamente sucesso em 1993 com Fábio Júnior, na trilha da novela Renascer (TV Globo), e regravada pelo cantor de axé-music Netinho em Forrobodó (Polygram, 1996). Canção em dois tempos (Era casa, era jardim) foi regravada por Fagner em 1996. E Veja, Margarida foi resgatada por Alceu Valença, Elba Ramalho, Zé Ramalho e Geraldo Azevedo no show que fizeram em quarteto,

O grande encontro, que também virou disco com o mesmo título (BMG, 1996). Seu estilo lírico e bem-humorado mistura canção nordestina, samba de breque, modinha, xaxado e outros.

CDs

Cantoria 1 (c/Geraldo Azevedo, Elomar e Xangai), s.d., Kuarup K018; Cantoria 2 (c/Geraldo Azevedo, Elomar e Xangai), s.d., Kuarup K032.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha